{"id":21603,"date":"2018-12-10T00:04:02","date_gmt":"2018-12-10T02:04:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21603"},"modified":"2018-12-14T11:44:05","modified_gmt":"2018-12-14T13:44:05","slug":"a-luta-de-classes-na-franca-o-movimento-dos-coletes-amarelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21603","title":{"rendered":"A luta de classes na Fran\u00e7a: o movimento dos coletes amarelos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.noticiasaominuto.com\/stockimages\/1920\/25225754.jpg\"><!--more-->Iniciativa Comunista<\/p>\n<p>Escrito por W. Reutberg, militante de IC<\/p>\n<p>Depois de muitos anos de derrotas para a classe trabalhadora francesa, que sofre uma ofensiva neoliberal e com o aumento da precariedade que alcan\u00e7ou n\u00edveis hist\u00f3ricos, os setores populares da popula\u00e7\u00e3o francesa perderam toda esperan\u00e7a no governo, na classe pol\u00edtica e nas institui\u00e7\u00f5es republicanas que gerem o pa\u00eds para o beneficio dos mais ricos. O governo de Macron, em um ano e meio de mandato, impulsionou uma ofensiva neoliberal sem precedentes na Fran\u00e7a: reforma trabalhista, da ferrovia, da educa\u00e7\u00e3o, das pens\u00f5es, enfraquecimento da seguridade social\u2026 A arrog\u00e2ncia do presidente e a repress\u00e3o total usada contra as contesta\u00e7\u00f5es sociais (estudantes, mobiliza\u00e7\u00f5es nas periferias, sindicalistas, ZAD) terminaram de afundar sua popularidade. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico afetado: os acontecimentos dos \u00faltimos anos tamb\u00e9m geraram muita desconfian\u00e7a frente a qualquer s\u00edmbolo institucional incluindo as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda, sindicais e sociais que n\u00e3o s\u00f3 sofreram derrotas atrav\u00e9s de suas lutas, mas principalmente institucionais e legais. \u00c9 neste contexto que na Fran\u00e7a estourou h\u00e1 tr\u00eas semanas, em 17 de novembro, um movimento chamado \u201cgilets jaunes\u201d (coletes ou jalecos amarelos) unido pelo \u00f3dio a Macron e seu governo, que mobilizou centenas de milhares de pessoas, sobretudo nas zonas rurais e perif\u00e9ricas das cidades. Este movimento, que se define por ser muito heterog\u00eaneo, repudia qualquer organiza\u00e7\u00e3o institucional e acolhe qualquer descontentamento com o governo, utilizou como ferramenta de luta principal o bloqueio generalizado. Os jalecos amarelos se posicionaram em pra\u00e7as circulares, estradas e autoestradas de todas as regi\u00f5es da Fran\u00e7a, parando a circula\u00e7\u00e3o ou abrindo os ped\u00e1gios para que os motoristas passassem gratuitamente. O movimento n\u00e3o parou de crescer e de ganhar a opini\u00e3o p\u00fablica com os dias, multiplicando tamb\u00e9m os bloqueios e as reivindica\u00e7\u00f5es destacando a radicalidade e o aumento do protesto na ilha da Reuni\u00e3o desde o 1\u00b0 dia. Apesar de muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o e do governo tentarem reduzir as reivindica\u00e7\u00f5es ao aumento do imposto sobre o combust\u00edvel, estas t\u00eam sido numerosas desde o princ\u00edpio e com um forte conte\u00fado de classe. As reivindica\u00e7\u00f5es poderiam se resumir ao fim das pol\u00edticas de austeridade, \u00e0 exig\u00eancia de um maior poder aquisitivo e a uma vida digna. Dentre as principais demandas se destacam: o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e das pens\u00f5es, teto para todo o mundo e alugu\u00e9is acess\u00edveis, o fim da proibi\u00e7\u00e3o \u00e0 greve, nacionaliza\u00e7\u00e3o de setores privatizados como a eletricidade e o g\u00e1s e melhoria dos sistemas p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um sal\u00e1rio m\u00e1ximo. O imposto criado pelo governo terminou por fazer explodir a irrita\u00e7\u00e3o das classes mais prec\u00e1rias que j\u00e1 n\u00e3o chegavam com seu sal\u00e1rio ao fim do m\u00eas, mas tamb\u00e9m de muitos outros setores muito vinculados ao combust\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que \u00e9 um movimento heterog\u00eaneo, que aceita todo tipo de pessoas inclu\u00eddas as racistas, fascistas e xen\u00f3fobas, que tentam tirar partido da situa\u00e7\u00e3o e do descontentamento dos franceses, apresentando falsas solu\u00e7\u00f5es. A estrat\u00e9gia do governo tem sido a de associar o movimento \u00e0 extrema direita e para desacredit\u00e1-lo (\u00e9 preciso recordar que Macron foi eleito explorando o medo da extrema direita durante as elei\u00e7\u00f5es presidenciais), com o objetivo de afastar numerosas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, sociais e pol\u00edticas de esquerda e revolucion\u00e1rias, que n\u00e3o desejam se ver vinculadas a um movimento ligado ao fascismo. Algumas organiza\u00e7\u00f5es ou, sobretudo, grupos de militantes participam do movimento querendo estrutur\u00e1-lo, dar-lhe uma identidade de classe definida e combater os elementos fascistas infiltrados. N\u00e3o podemos nos enganar, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complicada e ocorreram a\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas e racistas em algumas regi\u00f5es, por\u00e9m, justamente a\u00ed onde as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e antifascistas participaram, se pode identificar e expulsar os fascistas do movimento. Ainda que pare\u00e7a se destacar a classe trabalhadora, em cada regi\u00e3o ou grupo de jalecos amarelos a composi\u00e7\u00e3o de classe do movimento varia e suas reivindica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Nas zonas mais oper\u00e1rias e mais combativas, com reivindica\u00e7\u00f5es de classe mais fortes como na Normandia, os sindicalistas em greve e jalecos amarelos cooperam nos piquetes e bloqueios. Em outras zonas onde a mobiliza\u00e7\u00e3o tem um car\u00e1ter mais pequeno burgu\u00eas, a direita \u00e9 mais forte e n\u00e3o por acaso as reivindica\u00e7\u00f5es se concentram exclusivamente na diminui\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de impostos. Este movimento interclassista aglomerou, at\u00e9 agora, muitos trabalhadores alheios \u00e0 pol\u00edtica, sendo estas \u2013 muitas vezes \u2013 suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. No entanto, sua determina\u00e7\u00e3o, combatividade e radicalidade nas formas de lutas surpreenderam a todos os atores habituais da vida pol\u00edtica francesa. O governo n\u00e3o soube controlar a situa\u00e7\u00e3o em nenhum momento desde 17 de novembro e os movimentos tradicionais, que ficaram anos presos nas lutas institucionais, se veem totalmente oprimidos pela radicalidade e efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es. \u00c9 um movimento que n\u00e3o titubeia em desobedecer \u00e0 pol\u00edcia (manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o autorizadas e percursos proibidos explicitamente como nos Campos El\u00edseos) nem em enfrentar os corpos repressivos utilizando a viol\u00eancia. O movimento declarou uma luta total e at\u00e9 agora parece inflex\u00edvel. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 atuar por todos os meios poss\u00edveis para que o governo ceda \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es ou renuncie. Estrutura-se lentamente e com muita precau\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o quer \u201crostos vis\u00edveis\u201d ou l\u00edderes para tomar todas as decis\u00f5es desde a base: os grupos de jalecos amarelos ativos nos bloqueios. V\u00e1rios representantes foram desacreditados rapidamente. A m\u00eddia e o governo tentam for\u00e7ar a estrutura\u00e7\u00e3o do movimento e o aparecimento de cabe\u00e7as, sendo que at\u00e9 agora essa estrat\u00e9gia redundou em fracasso (como mostra o rep\u00fadio em escolher representantes para se reunirem com o primeiro-ministro em 4 de dezembro). Apesar da instrumentaliza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica da viol\u00eancia por parte do governo, o movimento seguiu ganhando apoios e est\u00e1 colocando em evid\u00eancia o papel dos corpos policiais como ferramentas puramente repressivas a servi\u00e7o da classe burguesa e se consolida o uso da viol\u00eancia como ferramenta de defesa leg\u00edtima contra a opress\u00e3o. Ainda que em princ\u00edpio o movimento tenha parecido conseguir a simpatia da pol\u00edcia, a repress\u00e3o foi total e em uma escala sem precedentes (compar\u00e1vel ao ocorrido de forma muito localizada na ZAD no ano passado). Os corpos policiais usaram todo seu arsenal: infiltra\u00e7\u00f5es, gases lacrimog\u00eaneos, cargas, granadas de v\u00e1rios tipos (destacar que a pol\u00edcia francesa \u00e9 das poucas que usa granadas explosivas tipo GLI F4, que arrancaram a m\u00e3o de v\u00e1rios manifestantes), caminh\u00f5es d\u2019\u00e1gua e efetivos muito numerosos. S\u00f3 em 1\u00b0 de dezembro a pol\u00edcia lan\u00e7ou umas 14.000 granadas de todo tipo e realizou mais de 400 pris\u00f5es. N\u00e3o existe contagem oficial de feridos desde o princ\u00edpio do movimento, por\u00e9m, se contam extraordinariamente \u00e0s centenas (552 feridos e duas mortes devido a atropelamentos durante os primeiros dias), destacando a gravidade dos casos com perdas de membros (olhos por tiros de bala de borracha e m\u00e3os por granadas), um caso de coma e a morte de Zineb Redouane em Marselha, mulher de 80 anos ferida no s\u00e1bado 1\u00b0 de dezembro por uma granada lacrimog\u00eanea e morta em um hospital no domingo, dia 2 de dezembro. Apesar de todos estes ocorridos, a repress\u00e3o s\u00f3 alimentou a mobiliza\u00e7\u00e3o; as pessoas j\u00e1 n\u00e3o se deixam enganar t\u00e3o facilmente e entendem que a defesa \u00e9 leg\u00edtima contra os corpos repressivos e que o mobili\u00e1rio urbano, bancos, lojas, restaurantes e carros de luxo queimados na capital s\u00e3o apenas riquezas burguesas que nada t\u00eam a ver com os sofrimentos di\u00e1rios da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, a pol\u00edcia \u00e9 in\u00fatil ante a capacidade de resposta do movimento, que consegue enfrent\u00e1-la frontalmente ou surpreend\u00ea-la com m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es como se pode ver nos dist\u00farbios do s\u00e1bado em Paris (ficando em 24 de novembro e em 1\u00b0 de dezembro sem muni\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias frentes) e outras cidades importantes da Fran\u00e7a, onde a pol\u00edcia s\u00f3 pode confrontar zonas muito espec\u00edficas. Para infundir mais medo, se colocou em marcha uma justi\u00e7a expeditiva, sendo julgados desde segunda-feira 70 detidos: a maioria eram trabalhadores (artes\u00e3os, t\u00e9cnicos, oper\u00e1rios) sem experi\u00eancia militante, que nunca antes tinham ido a uma manifesta\u00e7\u00e3o em Paris. Quase todos receberam penas de reclus\u00e3o, inclusive por levar luvas, m\u00e1scaras ou outros objetos que combatem o g\u00e1s lacrimog\u00eaneo. Por outro lado, o medo e o cansa\u00e7o dentro dos corpos de pol\u00edcia s\u00e3o palp\u00e1veis (um sindicato de policiais declarou greve para 8 de dezembro) depois de semanas de mobiliza\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es cada vez mais decididas e as jornadas de 24 de novembro e de 1\u00b0 de dezembro mostraram a ira e a determina\u00e7\u00e3o dos manifestantes. Por\u00e9m, \u00e9 importante recordar que o movimento nasce das regi\u00f5es, onde os bloqueios se multiplicam, assumem novas formas a cada dia e onde a pol\u00edcia n\u00e3o consegue, muitas vezes, seguir o ritmo. Em muitas regi\u00f5es, os bloqueios que a princ\u00edpio eram de estradas e informativos se transformam. Agora se busca bloquear centros econ\u00f4micos ou \u00f3rg\u00e3os que representam o Estado: prefeituras, centros de impostos, grandes armaz\u00e9ns, grandes fluxos de transporte, armaz\u00e9ns de combust\u00edvel, portos e, inclusive, conseguiram bloquear dois aeroportos no s\u00e1bado (Nice e Marselha). At\u00e9 agora o movimento n\u00e3o parou de crescer e aglomerar novos setores que v\u00eam com suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es, diferentes setores de trabalhadores como a ferrovia, o pessoal da sa\u00fade, por\u00e9m tamb\u00e9m coletivos das periferias como o \u201cJustice pour Adma\u201d (em homenagem a Adama Traor\u00e9, jovem assassinado pela pol\u00edcia) e os que est\u00e3o por vir: caminhoneiros e os agricultores.<\/p>\n<p>Aparecem novas greves setoriais e desde segunda-feira, 3 de dezembro, os estudantes realizam centenas de bloqueios nos institutos por toda a Fran\u00e7a, unindo-se as primeiras universidades na quarta-feira, 5 de dezembro. A repress\u00e3o que est\u00e3o conhecendo os estudantes ainda sendo menores de idade, tamb\u00e9m \u00e9 muito grande. No entanto, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e sindicatos tradicionais seguem completamente oprimidos e a inutilidade da luta institucional e legalista est\u00e1 se colocando em evid\u00eancia. Muitas de suas bases pedem (ou diretamente realizam a\u00e7\u00f5es conjuntas com os \u201cgilets jaunes\u201d) uma alian\u00e7a com o movimento, que parece ser o primeiro em anos capaz de apresentar uma luta que fa\u00e7a tremer o poder e conseguir uma vit\u00f3ria, para refor\u00e7ar e apoiar uma linha de classe dentro deste. O governo deu um primeiro passo para tr\u00e1s suspendendo o aumento do imposto sobre o combust\u00edvel, congelando o pre\u00e7o do g\u00e1s e da eletricidade, por\u00e9m os jalecos amarelos que continuam mobilizados n\u00e3o se deixam enganar, pedem melhoria em suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Portanto, as mobiliza\u00e7\u00f5es continuam se multiplicando e a convocat\u00f3ria de 8 de dezembro em Paris se manteve.  Por \u00faltimo, o governo tentou impor o imposto com uma justificativa ecol\u00f3gica porque ia financiar futuras medidas neste \u00e2mbito. Muitos criticaram o movimento, dizendo que era antiecol\u00f3gico e que era composto por broncos que n\u00e3o entendiam a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Por\u00e9m, setores do movimento souberam dar um car\u00e1ter de classe ao debate ecol\u00f3gico, explicando que este tipo de reforma \u00e9 in\u00fatil, uma falsa solu\u00e7\u00e3o que s\u00f3 faz recair o peso da crise ecol\u00f3gica sobre a popula\u00e7\u00e3o. Souberam assinalar em suas reivindica\u00e7\u00f5es os setores mais contaminantes (avia\u00e7\u00e3o, transporte mar\u00edtimo, setores industriais vinculados a energias f\u00f3sseis\u2026) para que sejam responsabilizados por seu impacto ecol\u00f3gico. A classe trabalhadora francesa n\u00e3o est\u00e1 disposta a pagar pela crise econ\u00f4mica e ecol\u00f3gica gerada pelo capitalismo. Ainda que seja um aspecto n\u00e3o central dos acontecimentos atuais, a luta de classes na Fran\u00e7a mostra como a ecologia capitalista n\u00e3o \u00e9 mais que uma fal\u00e1cia. O capitalismo n\u00e3o \u00e9 capaz de tratar os problemas que ele pr\u00f3prio gera, fazendo recair as consequ\u00eancias nos ombros dos trabalhadores. Por isso, impor um conte\u00fado de classe nos temas ecol\u00f3gicos se torna uma prioridade. O movimento espont\u00e2neo dos \u201cgilets jaunes\u201d n\u00e3o \u00e9 o primeiro deste tipo na Fran\u00e7a e recorda os dist\u00farbios nas periferias francesas em 2005 ou, inclusive, do maio de 68. \u00c9 um movimento com muitas car\u00eancias, in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es e critic\u00e1vel em muitos aspectos. Por\u00e9m, apesar de ser composto por muitos trabalhadores sem experi\u00eancia militante nem sindical, est\u00e1 mostrando um exemplo da capacidade de luta da classe trabalhadora. Em poucas semanas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, trabalhadores sem experi\u00eancia pol\u00edtica anterior desenvolveram a\u00e7\u00f5es cada vez mais estruturadas e mais radicais, enquanto aglomera em seu redor o descontentamento de quase todos os setores da sociedade. Ainda que sem um partido que a dirija, a classe trabalhadora ousa afrontar o poder burgu\u00eas de forma decidida, alcan\u00e7ando um n\u00edvel de combatividade que n\u00e3o se tinha visto aglomerando em muito tempo. Os trabalhadores est\u00e3o usando todos os m\u00e9todos a seu alcance para ganhar o enfrentamento e tentam lutar por seus pr\u00f3prios interesses. A greve, arma por excel\u00eancia dos trabalhadores, est\u00e1 sendo usada muito escassamente e ainda que muitos setores pare\u00e7am estar entrando em greve, a greve generalizada parece complicada de conseguir. Depois de v\u00e1rios anos de derrotas e de luta institucional, este movimento apresentou uma luta sem quartel, que n\u00e3o se tinha visto em anos. O fascismo e outros inimigos de classe espreitam para aproveitarem-se dos acontecimentos. Agora mais que nunca, \u00e9 responsabilidade da esquerda revolucion\u00e1ria organizar a classe trabalhadora que n\u00e3o deve se deixar enganar pelo governo ou outras falsas solu\u00e7\u00f5es e propor uma luta que defenda os interesses de classe dos trabalhadores.<\/p>\n<p>W. Reutberg, militante da IC<\/p>\n<p>Escrito por W. Reutberg, militante de IC<\/p>\n<p>Depois de muitos anos de derrotas para a classe trabalhadora francesa, que sofre uma ofensiva neoliberal e com o aumento da precariedade que alcan\u00e7ou n\u00edveis hist\u00f3ricos, os setores populares da popula\u00e7\u00e3o francesa perderam toda esperan\u00e7a no governo, na classe pol\u00edtica e nas institui\u00e7\u00f5es republicanas que gerem o pa\u00eds para o beneficio dos mais ricos. O governo de Macron, em um ano e meio de mandato, impulsionou uma ofensiva neoliberal sem precedentes na Fran\u00e7a: reforma trabalhista, da ferrovia, da educa\u00e7\u00e3o, das pens\u00f5es, enfraquecimento da seguridade social\u2026 A arrog\u00e2ncia do presidente e a repress\u00e3o total usada contra as contesta\u00e7\u00f5es sociais (estudantes, mobiliza\u00e7\u00f5es nas periferias, sindicalistas, ZAD) terminaram de afundar sua popularidade. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico afetado: os acontecimentos dos \u00faltimos anos tamb\u00e9m geraram muita desconfian\u00e7a frente a qualquer s\u00edmbolo institucional incluindo as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda, sindicais e sociais que n\u00e3o s\u00f3 sofreram derrotas atrav\u00e9s de suas lutas, mas principalmente institucionais e legais. \u00c9 neste contexto que na Fran\u00e7a estourou h\u00e1 tr\u00eas semanas, em 17 de novembro, um movimento chamado \u201cgilets jaunes\u201d (coletes ou jalecos amarelos) unido pelo \u00f3dio a Macron e seu governo, que mobilizou centenas de milhares de pessoas, sobretudo nas zonas rurais e perif\u00e9ricas das cidades. Este movimento, que se define por ser muito heterog\u00eaneo, repudia qualquer organiza\u00e7\u00e3o institucional e acolhe qualquer descontentamento com o governo, utilizou como ferramenta de luta principal o bloqueio generalizado. Os jalecos amarelos se posicionaram em pra\u00e7as circulares, estradas e autoestradas de todas as regi\u00f5es da Fran\u00e7a, parando a circula\u00e7\u00e3o ou abrindo os ped\u00e1gios para que os motoristas passassem gratuitamente. O movimento n\u00e3o parou de crescer e de ganhar a opini\u00e3o p\u00fablica com os dias, multiplicando tamb\u00e9m os bloqueios e as reivindica\u00e7\u00f5es destacando a radicalidade e o aumento do protesto na ilha da Reuni\u00e3o desde o 1\u00b0 dia. Apesar de muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o e do governo tentarem reduzir as reivindica\u00e7\u00f5es ao aumento do imposto sobre o combust\u00edvel, estas t\u00eam sido numerosas desde o princ\u00edpio e com um forte conte\u00fado de classe. As reivindica\u00e7\u00f5es poderiam se resumir ao fim das pol\u00edticas de austeridade, \u00e0 exig\u00eancia de um maior poder aquisitivo e a uma vida digna. Dentre as principais demandas se destacam: o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e das pens\u00f5es, teto para todo o mundo e alugu\u00e9is acess\u00edveis, o fim da proibi\u00e7\u00e3o \u00e0 greve, nacionaliza\u00e7\u00e3o de setores privatizados como a eletricidade e o g\u00e1s e melhoria dos sistemas p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um sal\u00e1rio m\u00e1ximo. O imposto criado pelo governo terminou por fazer explodir a irrita\u00e7\u00e3o das classes mais prec\u00e1rias que j\u00e1 n\u00e3o chegavam com seu sal\u00e1rio ao fim do m\u00eas, mas tamb\u00e9m de muitos outros setores muito vinculados ao combust\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que \u00e9 um movimento heterog\u00eaneo, que aceita todo tipo de pessoas inclu\u00eddas as racistas, fascistas e xen\u00f3fobas, que tentam tirar partido da situa\u00e7\u00e3o e do descontentamento dos franceses, apresentando falsas solu\u00e7\u00f5es. A estrat\u00e9gia do governo tem sido a de associar o movimento \u00e0 extrema direita e para desacredit\u00e1-lo (\u00e9 preciso recordar que Macron foi eleito explorando o medo da extrema direita durante as elei\u00e7\u00f5es presidenciais), com o objetivo de afastar numerosas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, sociais e pol\u00edticas de esquerda e revolucion\u00e1rias, que n\u00e3o desejam se ver vinculadas a um movimento ligado ao fascismo. Algumas organiza\u00e7\u00f5es ou, sobretudo, grupos de militantes participam do movimento querendo estrutur\u00e1-lo, dar-lhe uma identidade de classe definida e combater os elementos fascistas infiltrados. N\u00e3o podemos nos enganar, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complicada e ocorreram a\u00e7\u00f5es xen\u00f3fobas e racistas em algumas regi\u00f5es, por\u00e9m, justamente a\u00ed onde as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e antifascistas participaram, se pode identificar e expulsar os fascistas do movimento. Ainda que pare\u00e7a se destacar a classe trabalhadora, em cada regi\u00e3o ou grupo de jalecos amarelos a composi\u00e7\u00e3o de classe do movimento varia e suas reivindica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Nas zonas mais oper\u00e1rias e mais combativas, com reivindica\u00e7\u00f5es de classe mais fortes como na Normandia, os sindicalistas em greve e jalecos amarelos cooperam nos piquetes e bloqueios. Em outras zonas onde a mobiliza\u00e7\u00e3o tem um car\u00e1ter mais pequeno burgu\u00eas, a direita \u00e9 mais forte e n\u00e3o por acaso as reivindica\u00e7\u00f5es se concentram exclusivamente na diminui\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de impostos. Este movimento interclassista aglomerou, at\u00e9 agora, muitos trabalhadores alheios \u00e0 pol\u00edtica, sendo estas \u2013 muitas vezes \u2013 suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. No entanto, sua determina\u00e7\u00e3o, combatividade e radicalidade nas formas de lutas surpreenderam a todos os atores habituais da vida pol\u00edtica francesa. O governo n\u00e3o soube controlar a situa\u00e7\u00e3o em nenhum momento desde 17 de novembro e os movimentos tradicionais, que ficaram anos presos nas lutas institucionais, se veem totalmente oprimidos pela radicalidade e efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es. \u00c9 um movimento que n\u00e3o titubeia em desobedecer \u00e0 pol\u00edcia (manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o autorizadas e percursos proibidos explicitamente como nos Campos El\u00edseos) nem em enfrentar os corpos repressivos utilizando a viol\u00eancia. O movimento declarou uma luta total e at\u00e9 agora parece inflex\u00edvel. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 atuar por todos os meios poss\u00edveis para que o governo ceda \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es ou renuncie. Estrutura-se lentamente e com muita precau\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o quer \u201crostos vis\u00edveis\u201d ou l\u00edderes para tomar todas as decis\u00f5es desde a base: os grupos de jalecos amarelos ativos nos bloqueios. V\u00e1rios representantes foram desacreditados rapidamente. A m\u00eddia e o governo tentam for\u00e7ar a estrutura\u00e7\u00e3o do movimento e o aparecimento de cabe\u00e7as, sendo que at\u00e9 agora essa estrat\u00e9gia redundou em fracasso (como mostra o rep\u00fadio em escolher representantes para se reunirem com o primeiro-ministro em 4 de dezembro). Apesar da instrumentaliza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica da viol\u00eancia por parte do governo, o movimento seguiu ganhando apoios e est\u00e1 colocando em evid\u00eancia o papel dos corpos policiais como ferramentas puramente repressivas a servi\u00e7o da classe burguesa e se consolida o uso da viol\u00eancia como ferramenta de defesa leg\u00edtima contra a opress\u00e3o. Ainda que em princ\u00edpio o movimento tenha parecido conseguir a simpatia da pol\u00edcia, a repress\u00e3o foi total e em uma escala sem precedentes (compar\u00e1vel ao ocorrido de forma muito localizada na ZAD no ano passado). Os corpos policiais usaram todo seu arsenal: infiltra\u00e7\u00f5es, gases lacrimog\u00eaneos, cargas, granadas de v\u00e1rios tipos (destacar que a pol\u00edcia francesa \u00e9 das poucas que usa granadas explosivas tipo GLI F4, que arrancaram a m\u00e3o de v\u00e1rios manifestantes), caminh\u00f5es d\u2019\u00e1gua e efetivos muito numerosos. S\u00f3 em 1\u00b0 de dezembro a pol\u00edcia lan\u00e7ou umas 14.000 granadas de todo tipo e realizou mais de 400 pris\u00f5es. N\u00e3o existe contagem oficial de feridos desde o princ\u00edpio do movimento, por\u00e9m, se contam extraordinariamente \u00e0s centenas (552 feridos e duas mortes devido a atropelamentos durante os primeiros dias), destacando a gravidade dos casos com perdas de membros (olhos por tiros de bala de borracha e m\u00e3os por granadas), um caso de coma e a morte de Zineb Redouane em Marselha, mulher de 80 anos ferida no s\u00e1bado 1\u00b0 de dezembro por uma granada lacrimog\u00eanea e morta em um hospital no domingo, dia 2 de dezembro. Apesar de todos estes ocorridos, a repress\u00e3o s\u00f3 alimentou a mobiliza\u00e7\u00e3o; as pessoas j\u00e1 n\u00e3o se deixam enganar t\u00e3o facilmente e entendem que a defesa \u00e9 leg\u00edtima contra os corpos repressivos e que o mobili\u00e1rio urbano, bancos, lojas, restaurantes e carros de luxo queimados na capital s\u00e3o apenas riquezas burguesas que nada t\u00eam a ver com os sofrimentos di\u00e1rios da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, a pol\u00edcia \u00e9 in\u00fatil ante a capacidade de resposta do movimento, que consegue enfrent\u00e1-la frontalmente ou surpreend\u00ea-la com m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es como se pode ver nos dist\u00farbios do s\u00e1bado em Paris (ficando em 24 de novembro e em 1\u00b0 de dezembro sem muni\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias frentes) e outras cidades importantes da Fran\u00e7a, onde a pol\u00edcia s\u00f3 pode confrontar zonas muito espec\u00edficas. Para infundir mais medo, se colocou em marcha uma justi\u00e7a expeditiva, sendo julgados desde segunda-feira 70 detidos: a maioria eram trabalhadores (artes\u00e3os, t\u00e9cnicos, oper\u00e1rios) sem experi\u00eancia militante, que nunca antes tinham ido a uma manifesta\u00e7\u00e3o em Paris. Quase todos receberam penas de reclus\u00e3o, inclusive por levar luvas, m\u00e1scaras ou outros objetos que combatem o g\u00e1s lacrimog\u00eaneo. Por outro lado, o medo e o cansa\u00e7o dentro dos corpos de pol\u00edcia s\u00e3o palp\u00e1veis (um sindicato de policiais declarou greve para 8 de dezembro) depois de semanas de mobiliza\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es cada vez mais decididas e as jornadas de 24 de novembro e de 1\u00b0 de dezembro mostraram a ira e a determina\u00e7\u00e3o dos manifestantes. Por\u00e9m, \u00e9 importante recordar que o movimento nasce das regi\u00f5es, onde os bloqueios se multiplicam, assumem novas formas a cada dia e onde a pol\u00edcia n\u00e3o consegue, muitas vezes, seguir o ritmo. Em muitas regi\u00f5es, os bloqueios que a princ\u00edpio eram de estradas e informativos se transformam. Agora se busca bloquear centros econ\u00f4micos ou \u00f3rg\u00e3os que representam o Estado: prefeituras, centros de impostos, grandes armaz\u00e9ns, grandes fluxos de transporte, armaz\u00e9ns de combust\u00edvel, portos e, inclusive, conseguiram bloquear dois aeroportos no s\u00e1bado (Nice e Marselha). At\u00e9 agora o movimento n\u00e3o parou de crescer e aglomerar novos setores que v\u00eam com suas pr\u00f3prias reivindica\u00e7\u00f5es, diferentes setores de trabalhadores como a ferrovia, o pessoal da sa\u00fade, por\u00e9m tamb\u00e9m coletivos das periferias como o \u201cJustice pour Adma\u201d (em homenagem a Adama Traor\u00e9, jovem assassinado pela pol\u00edcia) e os que est\u00e3o por vir: caminhoneiros e os agricultores.<\/p>\n<p>Aparecem novas greves setoriais e desde segunda-feira, 3 de dezembro, os estudantes realizam centenas de bloqueios nos institutos por toda a Fran\u00e7a, unindo-se as primeiras universidades na quarta-feira, 5 de dezembro. A repress\u00e3o que est\u00e3o conhecendo os estudantes ainda sendo menores de idade, tamb\u00e9m \u00e9 muito grande. No entanto, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e sindicatos tradicionais seguem completamente oprimidos e a inutilidade da luta institucional e legalista est\u00e1 se colocando em evid\u00eancia. Muitas de suas bases pedem (ou diretamente realizam a\u00e7\u00f5es conjuntas com os \u201cgilets jaunes\u201d) uma alian\u00e7a com o movimento, que parece ser o primeiro em anos capaz de apresentar uma luta que fa\u00e7a tremer o poder e conseguir uma vit\u00f3ria, para refor\u00e7ar e apoiar uma linha de classe dentro deste. O governo deu um primeiro passo para tr\u00e1s suspendendo o aumento do imposto sobre o combust\u00edvel, congelando o pre\u00e7o do g\u00e1s e da eletricidade, por\u00e9m os jalecos amarelos que continuam mobilizados n\u00e3o se deixam enganar, pedem melhoria em suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Portanto, as mobiliza\u00e7\u00f5es continuam se multiplicando e a convocat\u00f3ria de 8 de dezembro em Paris se manteve.  Por \u00faltimo, o governo tentou impor o imposto com uma justificativa ecol\u00f3gica porque ia financiar futuras medidas neste \u00e2mbito. Muitos criticaram o movimento, dizendo que era antiecol\u00f3gico e que era composto por broncos que n\u00e3o entendiam a import\u00e2ncia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Por\u00e9m, setores do movimento souberam dar um car\u00e1ter de classe ao debate ecol\u00f3gico, explicando que este tipo de reforma \u00e9 in\u00fatil, uma falsa solu\u00e7\u00e3o que s\u00f3 faz recair o peso da crise ecol\u00f3gica sobre a popula\u00e7\u00e3o. Souberam assinalar em suas reivindica\u00e7\u00f5es os setores mais contaminantes (avia\u00e7\u00e3o, transporte mar\u00edtimo, setores industriais vinculados a energias f\u00f3sseis\u2026) para que sejam responsabilizados por seu impacto ecol\u00f3gico. A classe trabalhadora francesa n\u00e3o est\u00e1 disposta a pagar pela crise econ\u00f4mica e ecol\u00f3gica gerada pelo capitalismo. Ainda que seja um aspecto n\u00e3o central dos acontecimentos atuais, a luta de classes na Fran\u00e7a mostra como a ecologia capitalista n\u00e3o \u00e9 mais que uma fal\u00e1cia. O capitalismo n\u00e3o \u00e9 capaz de tratar os problemas que ele pr\u00f3prio gera, fazendo recair as consequ\u00eancias nos ombros dos trabalhadores. Por isso, impor um conte\u00fado de classe nos temas ecol\u00f3gicos se torna uma prioridade. O movimento espont\u00e2neo dos \u201cgilets jaunes\u201d n\u00e3o \u00e9 o primeiro deste tipo na Fran\u00e7a e recorda os dist\u00farbios nas periferias francesas em 2005 ou, inclusive, do maio de 68. \u00c9 um movimento com muitas car\u00eancias, in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es e critic\u00e1vel em muitos aspectos. Por\u00e9m, apesar de ser composto por muitos trabalhadores sem experi\u00eancia militante nem sindical, est\u00e1 mostrando um exemplo da capacidade de luta da classe trabalhadora. Em poucas semanas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, trabalhadores sem experi\u00eancia pol\u00edtica anterior desenvolveram a\u00e7\u00f5es cada vez mais estruturadas e mais radicais, enquanto aglomera em seu redor o descontentamento de quase todos os setores da sociedade. Ainda que sem um partido que a dirija, a classe trabalhadora ousa afrontar o poder burgu\u00eas de forma decidida, alcan\u00e7ando um n\u00edvel de combatividade que n\u00e3o se tinha visto aglomerando em muito tempo. Os trabalhadores est\u00e3o usando todos os m\u00e9todos a seu alcance para ganhar o enfrentamento e tentam lutar por seus pr\u00f3prios interesses. A greve, arma por excel\u00eancia dos trabalhadores, est\u00e1 sendo usada muito escassamente e ainda que muitos setores pare\u00e7am estar entrando em greve, a greve generalizada parece complicada de conseguir. Depois de v\u00e1rios anos de derrotas e de luta institucional, este movimento apresentou uma luta sem quartel, que n\u00e3o se tinha visto em anos. O fascismo e outros inimigos de classe espreitam para aproveitarem-se dos acontecimentos. Agora mais que nunca, \u00e9 responsabilidade da esquerda revolucion\u00e1ria organizar a classe trabalhadora que n\u00e3o deve se deixar enganar pelo governo ou outras falsas solu\u00e7\u00f5es e propor uma luta que defenda os interesses de classe dos trabalhadores.<\/p>\n<p>W. Reutberg, militante da IC<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.iniciativacomunista.org\/noticias-internacional\/1149-evolucion-de-la-lucha-de-clases-en-francia-el-movimiento-de-los-chalecos-amarillosTradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21603\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[226],"class_list":["post-21603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Cr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}