{"id":2161,"date":"2011-12-09T23:57:02","date_gmt":"2011-12-09T23:57:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2161"},"modified":"2011-12-09T23:57:02","modified_gmt":"2011-12-09T23:57:02","slug":"intervencao-do-pcb-no-xiii-encontro-mundial-dos-partidos-comunistas-e-operarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2161","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do PCB no XIII Encontro Mundial dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o do PCB no XIII Encontro Mundial dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) sa\u00fada os partidos comunistas presentes, homenageando o anfitri\u00e3o, o Partido Comunista Grego, refer\u00eancia para todos os revolucion\u00e1rios e trabalhadores do mundo, com seu exemplo de luta sem tr\u00e9guas contra o capital.<\/p>\n<p>O aprofundamento da crise sist\u00eamica do capitalismo coloca para o movimento comunista internacional um conjunto de complexos desafios.<\/p>\n<p>Estamos diante de um estado de guerra permanente contra os trabalhadores,\u00a0\u00a0uma esp\u00e9cie de \u201cguerra mundial\u201d, na qual o grande capital busca sair da crise colocando o \u00f4nus na conta dos trabalhadores. Esta \u00e9 uma guerra diferente das anteriores, que tinham como centro disputas interimperialistas.<\/p>\n<p>Apesar de persistirem contradi\u00e7\u00f5es interburguesas e interimperialistas na atual conjuntura, as grandes pot\u00eancias (sobretudo os Estados Unidos e os pa\u00edses hegem\u00f4nicos da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia) promovem hoje uma guerra de rapina contra todos os pa\u00edses perif\u00e9ricos, sobretudo aqueles que disp\u00f5em de riquezas naturais n\u00e3o renov\u00e1veis e contra todos os trabalhadores do mundo.<\/p>\n<p>A guerra \u00e9 o principal recurso do capitalismo para tentar sair da crise: ativa a ind\u00fastria b\u00e9lica e ramos conexos, permite o saque das riquezas nacionais e a queima de capitais; os capitalistas ganham tamb\u00e9m com a ind\u00fastria da reconstru\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 simult\u00e2nea ocupa\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de diversos pa\u00edses nos \u00faltimos anos (Iraque, Afeganist\u00e3o, L\u00edbia), j\u00e1 come\u00e7am a preparar as pr\u00f3ximas agress\u00f5es: a S\u00edria e o Ir\u00e3 se destacam na atual fila. Todos os pa\u00edses v\u00edtimas s\u00e3o criteriosamente escolhidos segundo objetivos estrat\u00e9gicos hegemonistas.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos s\u00e3o sempre os mesmos: sataniza\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, est\u00edmulo ao sectarismo e a divis\u00f5es entre nacionalidades, coopta\u00e7\u00f5es, cria\u00e7\u00e3o ou supervaloriza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica de manifesta\u00e7\u00f5es e rebeldias, atentados de falsa bandeira.<\/p>\n<p>Daqui a algum tempo, poderemos estar diante de uma invas\u00e3o de um pa\u00eds que, no dia de hoje, pare\u00e7a-nos improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na guerra permanente, pelo menos nesta fase, t\u00eam sido poupados os chamados pa\u00edses emergentes, s\u00f3cios minorit\u00e1rios do imperialismo, que legitimam a pol\u00edtica das grandes pot\u00eancias, compondo, como atores coadjuvantes, o chamado Grupo dos 20. Seus mandat\u00e1rios aparecem na fotografia que simboliza o consenso entre os parceiros, mas as grandes decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em f\u00f3runs reservados, de que nunca se tem not\u00edcia.<\/p>\n<p>Estes pa\u00edses emergentes (os chamados BRICS) se t\u00eam beneficiado da crise, na medida em que ajudam a super\u00e1-la; em seguida, poder\u00e3o ser as pr\u00f3ximas v\u00edtimas tanto da crise como de agress\u00f5es militares. Fazem o jogo de linha auxiliar do imperialismo, como na omiss\u00e3o vergonhosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 invas\u00e3o da L\u00edbia. S\u00f3 levantam a voz quando algum interesse nacional \u00e9 amea\u00e7ado. Caso contr\u00e1rio, lavam as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Em nosso pa\u00eds, nunca os banqueiros, as empreiteiras, o agroneg\u00f3cio e os monop\u00f3lios tiveram tanto lucro. A pol\u00edtica econ\u00f4mica e a pol\u00edtica externa do estado brasileiro est\u00e3o a servi\u00e7o do projeto de fazer do Brasil uma grande pot\u00eancia capitalista internacional, nos marcos do imperialismo. As empresas multinacionais de origem brasileira, alavancadas por financiamentos p\u00fablicos, j\u00e1 dominam alguns mercados em outros pa\u00edses, notadamente na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>J\u00e1 a guerra contra os trabalhadores independe da classifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u00c9 levada a efeito nas grandes pot\u00eancias, nos pa\u00edses emergentes e nos perif\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Em meio a esta grave crise e sem a\u00a0consolida\u00e7\u00e3o ainda de um importante p\u00f3lo de resist\u00eancia prolet\u00e1ria, o capital\u00a0\u00a0realiza uma violenta ofensiva para retirar dos trabalhadores os poucos direitos que lhes restam. Para faz\u00ea-lo, tentam cada vez mais fascistizar as sociedades, criminalizar os movimentos pol\u00edticos e sociais antag\u00f4nicos \u00e0 ordem. A correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as ainda nos \u00e9 desfavor\u00e1vel. Ainda sofremos o impacto da contra-revolu\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e da degenera\u00e7\u00e3o de muitos partidos ditos de esquerda e de setores do movimento sindical.<\/p>\n<p>Analisando este quadro, o PCB tem feito algumas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; A nosso ju\u00edzo, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para ilus\u00f5es reformistas. Ali\u00e1s, os reformistas, mais do que nunca, s\u00e3o grandes inimigos da revolu\u00e7\u00e3o socialista, pois iludem os trabalhadores e os desmobilizam, facilitando o trabalho do capital. Em cada pa\u00eds, as classes dominantes forjam um bipartidarismo \u2013 em verdade um monopartidarismo bic\u00e9falo \u2013 em que as diverg\u00eancias, cada vez menores, se d\u00e3o no campo da administra\u00e7\u00e3o do capital. Como n\u00e3o conseguem gerenciar a crise, aqueles que fazem o papel de oposi\u00e7\u00e3o de turno invariavelmente vencem as elei\u00e7\u00f5es seguintes. \u00c9 o que chamam de \u201caltern\u00e2ncia de poder\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Perdem sentido projetos nacional-desenvolvimentistas, n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 imposs\u00edvel desligar as economias capitalistas locais da esfera do imperialismo como tamb\u00e9m porque h\u00e1 cada vez menos contradi\u00e7\u00f5es entre este e o n\u00facleo hegem\u00f4nico das chamadas burguesias nacionais.<\/p>\n<p>&#8211; Cada vez tamb\u00e9m faz menos sentido a \u201cescolha\u201d de aliados no campo imperialista e mesmo entre seus coadjuvantes emergentes, como se houvesse imperialismo do \u201cbem\u201d e do \u201cmal\u201d. A diferen\u00e7a \u00e9 apenas na forma, n\u00e3o no conte\u00fado. Isto n\u00e3o significa subestimar as contradi\u00e7\u00f5es que vicejam entre eles.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o podemos conciliar com ilus\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo por vias fundamentalmente institucionais, atrav\u00e9s de maiorias parlamentares e de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os governamentais e estatais. O jogo da democracia burguesa \u00e9 de cartas marcadas. A luta de massas, em todas as suas formas, adaptada \u00e0s diferentes realidades locais, \u00e9 e continuar\u00e1 sendo a \u00fanica arma de que disp\u00f5e o proletariado.<\/p>\n<p>&#8211; Por mais bem intencionados que sejam, correm risco de esgotamento pol\u00edtico os processos de mudan\u00e7as progressistas baseados em l\u00edderes populares carism\u00e1ticos, se esses processos n\u00e3o avan\u00e7arem na constru\u00e7\u00e3o do duplo poder, na destrui\u00e7\u00e3o gradual do estado burgu\u00eas e na autodefesa popular e de massas.<\/p>\n<p>Temos avaliado tamb\u00e9m que o atual modelo de encontros de partidos comunistas e oper\u00e1rios, que v\u00eam cumprindo importante papel de resist\u00eancia, precisa se adaptar \u00e0s complexas necessidades da conjuntura mundial, com suas perspectivas sombrias no curto prazo e suas possibilidades de acirramento da luta de classes, com a emerg\u00eancia das lutas oper\u00e1rias.<\/p>\n<p>Pensamos que \u00e9 preciso romper com o \u201cencontrismo\u201d em que, ao final dos eventos, nossos partidos decidem a sede do pr\u00f3ximo encontro e se despedem at\u00e9 o ano seguinte, inclusive aqueles dos pa\u00edses da mesma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para potencializar o protagonismo dos partidos comunistas e do proletariado no \u00e2mbito mundial, \u00e9 necess\u00e1ria e urgente a constitui\u00e7\u00e3o de uma coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, sem funcionar como uma nova internacional, tenha a tarefa de organizar campanhas mundiais e regionais de solidariedade, contribuir para o debate de ideias, socializar informa\u00e7\u00f5es sobre as lutas dos povos.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m da indispens\u00e1vel articula\u00e7\u00e3o dos comunistas, parece-nos importante a forma\u00e7\u00e3o de uma frente mundial mais ampla, de car\u00e1ter antiimperialista, onde cabem for\u00e7as pol\u00edticas e individualidades progressistas, que se identifiquem com as lutas em defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, da paz entre eles, da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, das riquezas nacionais, dos direitos trabalhistas, sociais e pol\u00edticos; contra as guerras imperialistas e a fascistiza\u00e7\u00e3o das sociedades. Em resumo, as lutas em defesa da humanidade.<\/p>\n<p>Deixamos claro que o nosso Partido valoriza qualquer forma de luta. N\u00e3o podemos cair no oportunismo de fazer vistas grossas ao direito dos povos \u00e0 rebeli\u00e3o e \u00e0 resist\u00eancia armada. Em muitos casos, esta \u00e9 a \u00fanica forma de fazer frente \u00e0 viol\u00eancia do capital e de super\u00e1-lo. Os povos s\u00f3 podem contar com sua pr\u00f3pria for\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste marco, conclu\u00edmos nossa interven\u00e7\u00e3o saudando os povos que hoje enfrentam as mais duras batalhas. Saudamos os trabalhadores gregos e portugueses que j\u00e1 se levantam em greves nacionais e grandes jornadas e os demais trabalhadores da Europa, que enfrentam terr\u00edveis planos do capital para tentar superar a crise, hoje mais acentuada no continente europeu e que poder\u00e1 agravar-se e espalhar-se para outros pa\u00edses e regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Saudamos o povo palestino, em sua saga duradoura e dolorosa no enfrentamento ao sionismo que o sufoca e reprime, ocupa seu territ\u00f3rio, derruba suas casas, prende seus melhores filhos e impede seu direito a um Estado soberano.<\/p>\n<p>Da mesma forma, saudamos os tamb\u00e9m sofridos povos do Iraque, do Afeganist\u00e3o, da L\u00edbia. Saudamos os povos do Egito, do I\u00eamen e de v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes, em sua luta contra a tirania e a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Saudamos os s\u00edrios e iranianos, contra os quais j\u00e1 batem os tambores de guerra do imperialismo. Sua resist\u00eancia pode barrar os planos do sinistro cons\u00f3rcio EUA\/OTAN\/Israel para o Oriente M\u00e9dio, a \u00c1frica, a \u00c1sia e o mundo em geral.<\/p>\n<p>Chegando at\u00e9 nossa Am\u00e9rica Latina, saudamos nossa querida Cuba Socialista em sua luta contra o cruel bloqueio ianque. Saudamos nossos Cinco Her\u00f3is. Saudamos os processos de mudan\u00e7as concretas na Am\u00e9rica do Sul (Venezuela, Bol\u00edvia e Equador), neste momento decisivo, uma encruzilhada entre o avan\u00e7o dos processos ou sua derrota.<\/p>\n<p>Saudamos o povo colombiano que, nas cidades e nas montanhas, resiste, atrav\u00e9s de variadas formas de luta, contra o estado terrorista de seu pa\u00eds, a grande base militar norte-americana na Am\u00e9rica Latina, um dos regimes mais sanguin\u00e1rios do mundo.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos nos associando \u00e0 proposta de realiza\u00e7\u00e3o de nosso pr\u00f3ximo encontro anual no L\u00edbano, em pleno Oriente M\u00e9dio, palco principal das guerras imperialistas neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>Desde j\u00e1, reiteramos nossa proposta de cria\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00f5es pol\u00edticas internacionais e regionais dos Partidos Comunistas, tendo como princ\u00edpio fundamental o internacionalismo prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Atenas, 10 de dezembro de 2011<\/p>\n<p>PCB \u2013 Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nEsta \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o do PCB, atrav\u00e9s do seu Secret\u00e1rio Geral, Ivan Pinheiro, no XIII\u00a0Encontro Mundial de Partidos Comunistas, que re\u00fane 82\u00a0partidos de todos os continentes,\u00a0em Atenas (Gr\u00e9cia), sobre a conjuntura mundial e as perspectivas do socialismo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2161\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-2161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-yR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}