{"id":21623,"date":"2018-12-11T22:03:23","date_gmt":"2018-12-12T00:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21623"},"modified":"2018-12-11T22:03:29","modified_gmt":"2018-12-12T00:03:29","slug":"o-salario-do-medo-e-do-armagedom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21623","title":{"rendered":"O sal\u00e1rio do medo (e do Armagedom)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Armagedonn-2.jpg\"><!--more-->Por Jos\u00e9 Martins<br \/>\nCR\u00cdTICA DA ECONOMIA<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios mundiais no decorrer dos ciclos econ\u00f4micos mais recentes mostra melhor a natureza depredadora da economia do imperialismo. N\u00e3o como um mero problema de desigualdade de rendimentos, como \u00e9 costumeiramente salientado pelos reformadores sociais de direita ou de esquerda \u2013 mas como uma quest\u00e3o de crescente explora\u00e7\u00e3o das diferentes classes capitalistas nacionais sobre a classe oper\u00e1ria internacional.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois ciclos econ\u00f4micos de superprodu\u00e7\u00e3o, o mundo do capital desenfreado mudou de forma surpreendente as perspectivas pol\u00edticas e sociais em todas as na\u00e7\u00f5es do globo. Sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mis\u00e9ria se potencializa na esteira da explora\u00e7\u00e3o. Aumento de produtividade da for\u00e7a de trabalho assalariado e diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios torna-se uma tenebrosa unidade que convive harmoniosamente na totalidade do mundo produtor de capital. Nitroglicerina pura.<\/p>\n<p>Em 2017, por exemplo, o crescimento do sal\u00e1rio real global foi n\u00e3o apenas menor que em 2016, mas caiu para sua mais baixa taxa de crescimento desde 2008, mantendo abaixo dos n\u00edveis obtidos em 2006\/7, imediatamente antes da \u00faltima crise c\u00edclica global. Uma sorte de congelamento relativo dos sal\u00e1rios reais.<\/p>\n<p>Quem d\u00e1 o recado \u00e9 a pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), sediada em Genebra, Su\u00ed\u00e7a, em seu mais recente relat\u00f3rio anual Global Wage Report 2018\/19.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, existe no mundo cerca de 3.3 bilh\u00f5es de pessoas no mercado de trabalho. \u00c9 a chamada popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Deste total, aproximadamente 54%, quer dizer, 1.8 bilh\u00f5es de pessoas s\u00e3o trabalhadores assalariados. H\u00e1 vinte e cinco anos eram 1.04 bilh\u00e3o. Houve um acr\u00e9scimo de 760 milh\u00f5es de trabalhadores assalariados. Aproximadamente 42% de acr\u00e9scimo da massa de trabalhadores assalariados em um quarto de s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m j\u00e1 ouviu falar de algum outro per\u00edodo hist\u00f3rico mais disruptivo do que este? Nem as grandes guerras realizaram tamanha fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos vinte e cinco anos foi o per\u00edodo mais intenso de globaliza\u00e7\u00e3o do capital na hist\u00f3ria do regime capitalista de produ\u00e7\u00e3o. Completou-se a globaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva.<\/p>\n<p>A lei geral da acumula\u00e7\u00e3o capitalista nunca foi t\u00e3o livre para ser praticada. E isso mudou dramaticamente todas as circunst\u00e2ncias tradicionais de funcionamento do mercado mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe mais espa\u00e7o territorial virgem no globo terrestre. Estupro capitalista planet\u00e1rio. Agora, em todos os cantos do globo o que existe \u00e9 trabalhador livre de qualquer propriedade de meio de produ\u00e7\u00e3o a vender sua for\u00e7a de trabalho no mercado em troca de um sal\u00e1rio (uma quantidade de moeda) para, no final do processo, ser explorado nas linhas de produ\u00e7\u00e3o de valor e de mais-valia (capital).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/salario-1.jpg\">A principal mudan\u00e7a provocada pela plena realiza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva foi um novo desenvolvimento desigual e combinado dos diferentes sal\u00e1rios entre as na\u00e7\u00f5es. Veja no gr\u00e1fico abaixo essa evolu\u00e7\u00e3o no longo prazo.<\/p>\n<p>No longo prazo, entre 1999 e 2017, a OIT calcula que a m\u00e9dia dos sal\u00e1rios no, grupo das vinte maiores economias do mundo (G-20) cresceu cinquenta e cinco por cento. Entretanto, nesta m\u00e9dia global existem grandes disparidades entre, de um lado, as economias dominadas (\u201cemergings\u201d no gr\u00e1fico), onde a m\u00e9dia dos sal\u00e1rios reais triplicou, no  per\u00edodo, e, de outro lado, as economias dominantes (\u201cadvanced\u201d, no gr\u00e1fico) onde essa m\u00e9dia cresceu apenas nove por cento.<\/p>\n<p>A despeito de um crescimento relativamente mais r\u00e1pido dos sal\u00e1rios nas economias dominadas, eles continuam mais baixos do que nas economias dominantes do G20.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode imaginar muito menos que esse crescimento relativamente mais r\u00e1pido dos sal\u00e1rios nas economias dominadas quer dizer que os trabalhadores nestes pa\u00edses tenham alcan\u00e7ado altos sal\u00e1rios nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<p>A duplica\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio real de um trabalhador metal\u00fargico na China, no per\u00edodo 2008\/2017, por exemplo, fez apenas aproxim\u00e1-lo do que j\u00e1 existia no Brasil, Argentina, M\u00e9xico, Turquia, e outras miser\u00e1veis na\u00e7\u00f5es dominadas, mas o mant\u00e9m ainda a uma longa dist\u00e2ncia dos sal\u00e1rios industriais nas economias dominantes.<\/p>\n<p>A disparidade entre os sal\u00e1rios reais mensais entre os dois blocos de economias dominantes e dominadas continua muito elevada. Convertendo todas as m\u00e9dias salariais das economias do G20 em d\u00f3lar e aplicando a paridade do poder de compra (PPC) das taxas de c\u00e2mbio nacionais, a OIT registra uma m\u00e9dia salarial de US$ 3,250 por m\u00eas nas economias dominantes e de US$ 1,550 por m\u00eas nas economias dominadas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que se o c\u00e1lculo da OIT n\u00e3o aplicasse a PPC \u00e0s taxas de c\u00e2mbio correntes, a diferen\u00e7a salarial entre os dois blocos seria muito maior.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo com essa grande diferen\u00e7a, a eleva\u00e7\u00e3o relativamente mais r\u00e1pida dos sal\u00e1rios reais nas economias dominadas causou um impacto fulminante na sua j\u00e1 travada taxa de explora\u00e7\u00e3o (produtividade) e, consequentemente, em sua competitividade frente \u00e0s economias dominantes no mercado mundial.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se trata aqui apenas de uma perda de competitividade no com\u00e9rcio externo (exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias-capital), mas principalmente de perda de atratividade territorial pela reparti\u00e7\u00e3o e aloca\u00e7\u00e3o global das gigantes empresas mundiais. Grande quantidade destas \u00faltimas j\u00e1 retornaram para sua terra natal, principalmente os EUA de Donald Trump.<\/p>\n<p>Os limites (e crise) atuais das economias dominadas encontram-se exatamente nesta sua rigidez gen\u00e9tica de aumentar a produtividade do trabalho, ao contr\u00e1rio do que se observa nas economias dominantes, onde predomina a mais-valia relativa.<\/p>\n<p>Nas economias dominadas, onde predomina a mais-valia absoluta, como Brasil, China, etc., a \u00fanica forma de aumentar a \u201cprodutividade\u201d \u00e9 reduzindo ainda mais o sal\u00e1rio real abaixo do seu valor. O travamento do crescimento econ\u00f4mico \u00e9 imediato. O atual per\u00edodo de expans\u00e3o global foi a era da estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o (a era dos \u201cpibinhos\u201d) para Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Neste sentido, as diferentes varia\u00e7\u00f5es do n\u00edvel dos sal\u00e1rios entre dominadas e dominantes, no decorrer dos ciclos econ\u00f4micos, tornam-se decisivos fatores de desigualdade na atual expans\u00e3o c\u00edclica 2009\/2018 entre estes dois blocos da economia do imperialismo.<\/p>\n<p>Por falar em diferentes tipos de sal\u00e1rios nacionais que aparecem na contabilidade dos capitalistas, \u00e9 importante salientar que o relativo congelamento dos sal\u00e1rios reais no decorrer dos ciclos mais recentes da economia global, principalmente nas economias dominantes, \u00e9 confirmado e aparece mais fortemente quando se considera o sal\u00e1rio por hora nas manufaturas.<\/p>\n<p>A OIT n\u00e3o leva em conta no seu relat\u00f3rio o sal\u00e1rio por hora e justifica: \u201c O salario real \u00e9 calculado usando o sal\u00e1rio bruto mensal, em lugar as taxas de sal\u00e1rios hor\u00e1rios, que s\u00e3o menos frequentemente dispon\u00edveis, onde suas flutua\u00e7\u00f5es refletem mais os sal\u00e1rios hor\u00e1rios e a m\u00e9dia das horas trabalhadas\u201d.<\/p>\n<p>Repetimos que, diferentemente do sal\u00e1rio nominal (ou real), o sal\u00e1rio por hora \u00e9 uma categoria de custo industrial. Da esfera da produ\u00e7\u00e3o. Esse procedimento da OIT de misturar alhos com bugalhos n\u00e3o considera o fato muito importante de que na produ\u00e7\u00e3o capitalista o sal\u00e1rio por hora s\u00f3 \u00e9 aplicado para trabalhadores horistas (produtivos) e jamais para assalariados mensalistas (improdutivos).<\/p>\n<p>Quem imaginar que isso \u00e9 \u201cmuito abstrato\u201d, basta visitar qualquer manufatura em qualquer lugar do mundo e ver como isso se passa in actu.<\/p>\n<p>Nas esferas improdutivas de mais-valia, como com\u00e9rcio, servi\u00e7os, bancos, etc., os sal\u00e1rios s\u00e3o sempre mensais. Por isso n\u00e3o passa de mistifica\u00e7\u00e3o da economia vulgar querer calcular produtividade do trabalho (ou mesmo a \u201cmultifatorial\u201d) nos servi\u00e7os prestados nestas esferas.<\/p>\n<p>Quest\u00e3o inescap\u00e1vel para qualquer an\u00e1lise mais rigorosa da din\u00e2mica capitalista: s\u00f3 levando em conta essas importantes diferen\u00e7as de sal\u00e1rios que outros fen\u00f4menos importantes manifestados no ciclo econ\u00f4mico podem ser devidamente avaliados.<\/p>\n<p>Veja-se, por exemplo, importante paradoxo (pelo menos para a economia vulgar) ocorrendo no per\u00edodo atual: as taxas recordes de baixo desemprego coincidem com inexpressivos incrementos do sal\u00e1rio real.<\/p>\n<p>Nas economias dominantes, de maneira muito mais clara que nas dominadas, o congelamento relativo dos sal\u00e1rios no atual per\u00edodo de expans\u00e3o converge com forte crescimento da produ\u00e7\u00e3o, taxas de quase pleno emprego da for\u00e7a de trabalho e, para complicar ainda mais o entendimento vulgar, press\u00f5es deflacion\u00e1rias nos pre\u00e7os ao consumidor (baixa infla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Misterioso (e imobilizante) paradoxo tamb\u00e9m para o comit\u00ea de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Federal Reserve Bank (Fed, banco central dos EUA), que n\u00e3o consegue mais decidir se a taxa b\u00e1sica de juros deve ser elevada ou diminu\u00edda.<\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno ocorrido destacadamente nas tr\u00eas principais economias dominantes (EUA, Alemanha e Jap\u00e3o) \u00e9 tratado no relat\u00f3rio da OIT como \u201csurpreendente em todos os sentidos\u201d. Veja como seus economistas observam o fen\u00f4meno:<\/p>\n<p>\u201cNas economias dominantes [higt-income economies] o baixo incremento nos sal\u00e1rios reais em um contexto de forte crescimento econ\u00f4mico \u00e9 ainda mais surpreendente com a queda generalizada da taxa de desemprego. A taxa de desemprego na Uni\u00e3o Europeia (EU28) encontrava-se em 6.5% em Abril 2018, a mais baixa taxa ocorrida desde Dezembro 2008. Nos Estados Unidos, o desemprego est\u00e1 pr\u00f3ximo do seu n\u00edvel mais baixo desde os anos 1960, caindo para 3.8% em Maio 2018. Considera-se, em geral, que existe uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre taxa de desemprego e crescimento do sal\u00e1rio. Assim, quando as taxas de desemprego caem acelera-se o crescimento dos sal\u00e1rios e, inversamente, quando as taxas de desemprego aumentam o crescimento dos sal\u00e1rios diminui. Em 2016 e 2017 essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o apareceu de maneira muito forte [sic]\u201d<\/p>\n<p>Nas estat\u00edsticas econ\u00f4micas oficiais dos EUA essa estrat\u00e9gica vari\u00e1vel dos sal\u00e1rios por hora, que, \u00e9 bom repetir, s\u00f3 existe nas esferas produtivas da economia, \u00e9 fartamente dispon\u00edvel. Veja no gr\u00e1fico abaixo sua evolu\u00e7\u00e3o nas manufaturas do pa\u00eds.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/fred10.jpg\">Diferentemente das estat\u00edsticas do sal\u00e1rio real mensal, que mistura trabalho assalariado produtivo e improdutivo, o sal\u00e1rio por hora nas manufaturas \u00e9 importante e rigorosa vari\u00e1vel para se determinar o custo unit\u00e1rio do trabalho e, consequentemente, a taxa de produtividade (ou de mais-valia) na totalidade da economia.<\/p>\n<p>Nunca esquecer que na totalidade da economia mundial predomina a mais-valia relativa. Por isso pode-se falar em produtividade m\u00e9dia global. Sem fazer confus\u00e3o: Arist\u00f3teles, Hegel, Marx e outras cabe\u00e7as pensantes j\u00e1 demonstraram pacientemente ao distinto p\u00fablico que a totalidade \u00e9 maior que a soma das partes.<\/p>\n<p>As partes dominadas dentro desta totalidade (Brasil, Argentina, etc.), onde predomina a mais-valia absoluta, s\u00e3o p\u00e1rias no sistema imperialista. N\u00e3o possuem moeda forte (convers\u00edvel); nem forte sistema financeiro nacional privado e aut\u00f4nomo; nem possibilidade de pol\u00edtica econ\u00f4mica ou monet\u00e1ria regulat\u00f3ria antic\u00edclica \u2013 que o esclarecido economista Guido Mantega tentou no Brasil, virou o satan\u00e1s para os economistas do imperialismo e parasitas em geral, est\u00e1 pr\u00f3ximo de ser encarcerado por \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d; nem produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de alimento de base integrada ao mercado interno com estoques reguladores, modernas redes de silos e armaz\u00e9ns, transporte multimodal e log\u00edstica territorial, etc.<\/p>\n<p>Nesta dura realidade da economia do imperialismo a taxa de explora\u00e7\u00e3o (ou de produtividade) varia inversamente ao custo unit\u00e1rio do trabalho. Essa rela\u00e7\u00e3o social \u00e9 a mais profunda e determinante da acumula\u00e7\u00e3o global do capital e, portanto, da din\u00e2mica das suas principais vari\u00e1veis no decorrer do ciclo peri\u00f3dico. Tanto na expans\u00e3o quanto nos seus limites.<\/p>\n<p>Nota-se uma coisa muito importante: em todo o relat\u00f3rio da OIT s\u00e3o apresentados em abund\u00e2ncia dados sobre a eleva\u00e7\u00e3o maior ou menor da produtividade nas economias dominantes e nenhuma v\u00edrgula a respeito para as economias dominadas.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 devido \u00e0s considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que fizemos acima sobre as transforma\u00e7\u00f5es recentes do desenvolvimento desigual e combinado entre as dominantes e dominadas na economia do imperialismo. E sobre a perda de capacidade de crescimento do produto nas dominadas no atual per\u00edodo de expans\u00e3o 2009\/2018.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da superprodu\u00e7\u00e3o global de capital existem seus limites. O atual congelamento relativo dos sal\u00e1rios reais nas economias dominantes \u00e9 comandado principalmente por uma regra geral das ondula\u00e7\u00f5es da acumula\u00e7\u00e3o do capital global. Que nada mais \u00e9 do que a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da j\u00e1 mencionada lei geral da acumula\u00e7\u00e3o do capital (Marx, livro 1 de \u201cO Capital\u201d).<\/p>\n<p>Esta lei de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho global estabelece que a poss\u00edvel supera\u00e7\u00e3o das crises peri\u00f3dicas de superprodu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser efetivada com a interrup\u00e7\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o do custo unit\u00e1rio do trabalho. Essa eleva\u00e7\u00e3o ocorre organicamente \u00e0 superprodu\u00e7\u00e3o, como um fen\u00f4meno que tenciona e amea\u00e7a progressivamente os c\u00e1lculos capitalistas no decorrer do per\u00edodo de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m aparece na forma mais popular e superficial do processo \u2013 no territ\u00f3rio da Macroeconomia e do capital financeiro, mercado de capitais, etc. \u2013 com as in\u00f3cuas tentativas de administra\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de mercado (\u201cinfla\u00e7\u00e3o\u201d) e das taxas de juros pelos bancos centrais, como se verifica quotidianamente, que j\u00e1 abordamos acima, com o Fed dos EUA.<\/p>\n<p>Essa lei geral de funcionamento dos ciclos econ\u00f4micos aparece de maneira muito clara no gr\u00e1fico acima. \u00c9 altamente relevante que o custo unit\u00e1rio do trabalho no 2\u00ba trimestre\/2018 na ind\u00fastria de manufaturas dos EUA tenha sido rigorosamente igual ao apurado no 2\u00ba trimestre\/2009, que destacamos no gr\u00e1fico. Este \u00faltimo era o exato trimestre que a economia capitalista mundial ainda lutava contra o mais pesado choque c\u00edclico do p\u00f3s-guerra (1945) e procurava super\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Como se pode observar, essa interrup\u00e7\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio por hora nas manufaturas estadunidenses para evitar a fal\u00eancia do sistema produtor de capital e retomar um novo per\u00edodo de expans\u00e3o aparece efetivamente como um congelamento do valor da massa salarial contabilizada na forma\u00e7\u00e3o do custo unit\u00e1rio das mercadorias-capital produzidas.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa necessidade da acumula\u00e7\u00e3o capitalista que se manifesta nas superestruturas pol\u00edticas, nas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos governos nacionais com suas populares \u201creformas\u201d fiscais, trabalhistas, da Previd\u00eancia Social, achatando ou eliminando regula\u00e7\u00f5es sociais e outras fontes do sal\u00e1rio indireto da classe trabalhadora, vitais para sua reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>Interrompendo esse j\u00e1 longo boletim, uma derradeira observa\u00e7\u00e3o. Resumidamente, a globaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva acima destacada permitiu a combina\u00e7\u00e3o global da mis\u00e9ria (pagamento do sal\u00e1rio abaixo do seu valor), tanto no centro quanto na periferia, sem aliviar as chicotadas para o aumento da produtividade da classe oper\u00e1ria  mundial.<\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00e3o material de explora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria na totalidade do sistema. O sal\u00e1rio do medo domina todo o sistema. Mas nada \u00e9 neutro e muito menos natural na economia pol\u00edtica. A a\u00e7\u00e3o dos capitalistas detonou um processo de desfalecimento pol\u00edtico no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o social da luta de classes dentro das maiores economias do mundo (Fran\u00e7a, EUA, Alemanha\u2026) se eleva a n\u00edveis in\u00e9ditos no per\u00edodo p\u00f3s-guerra (1945). A ingovernabilidade e o espectro da guerra civil empurram as diferentes burguesias nacionais para o Estado organizado. Democr\u00e1tico mas organizado.<\/p>\n<p>No centro do sistema, principalmente, a palavra de ordem da burguesia \u00e9 se preparar para a crise e para evitar a consequente guerra civil no interior de seus territ\u00f3rios nacionais.<\/p>\n<p>O que era impens\u00e1vel at\u00e9 recentemente, agora \u00e9 nova e irrevers\u00edvel realidade para o grande p\u00fablico: protecionismo e nacionalismo econ\u00f4mico do governo estadunidense; veloz fragmenta\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es internacionais e de acordos multilaterais; dificuldades para a formata\u00e7\u00e3o da nova ordem (ou desordem) geopol\u00edtica do imperialismo, rearmamento europeu, japon\u00eas, etc.<\/p>\n<p>Os governos nacionalistas e armamentistas, mais preparados para a organiza\u00e7\u00e3o do Estado nacional, est\u00e3o pr\u00f3ximos do poder na Alemanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Inglaterra, Jap\u00e3o\u2026 Esses novos governos ser\u00e3o os executores da nova guerra mundial.<\/p>\n<p>Essa atualidade do Armagedom, da inevitabilidade de nova guerra imperialista, brota das profundezas da base material do regime, da forma como se organizou recentemente a produ\u00e7\u00e3o de capital e que amea\u00e7a de morte a classe prolet\u00e1ria internacional.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uaOVatT19s\"><p><a href=\"http:\/\/criticadaeconomia.com.br\/o-salario-do-medo-e-do-armagedom\/\">O sal\u00e1rio do medo (e do Armagedom)<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/criticadaeconomia.com.br\/o-salario-do-medo-e-do-armagedom\/embed\/#?secret=uaOVatT19s\" data-secret=\"uaOVatT19s\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;O sal\u00e1rio do medo (e do Armagedom)&#8221; &#8212; Cr\u00edtica da Economia\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21623\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[228],"class_list":["post-21623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5CL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21623\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}