{"id":21654,"date":"2018-12-15T00:39:42","date_gmt":"2018-12-15T02:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21654"},"modified":"2018-12-15T00:39:47","modified_gmt":"2018-12-15T02:39:47","slug":"mulheres-e-trabalho-assedio-moral-e-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21654","title":{"rendered":"Mulheres e Trabalho: Ass\u00e9dio Moral e Sexual"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/8zlbQ4Lcrt1R0LV9W8faqXP-mu0IQCLC_hGXiTb934uv2iWiFYHcS_4LPFaF9aO-CZa8-bsOu4To6EgBtn92uKz6loPCXaubltNCbx0n4etg0O3p7udPia_LYCzYISVls_vHm_5mhaMcIBKr-bBexp8S74mUIyG1MqyXOxjkTwbAVrewY8oYwpX8mmWY30BqInPgD1-PNdMjZ7RqNXH-5TIokLWaw0bgBvExmD0I40MV6ZOqKUAz-NpIoJfoMg70FwhIM20oBoYdli753IUGLkU7JU-wI79Y5w2KLTO0SvmRvZngXTsldF4RXnkjf_AhyOKHPpdFQEaEqVmOi_JnQa3wZw13cGdVf3pJGgSW-LKgo_Gq9Xs-XJgsFigjOjJGIyn7BrkuyE9ovE5ytchqCWWNUaOXcdgnotgmycmH24wm2aE6oEV2kemTkfwcrgU_9p5FktA-955iSNl1H9nnQv4y-p4gzERyhc3dTNm2MU9ZglsIaJ0GgrdOyh7jTkcB-rh1MSe4bcYyHwklCLZtH4vnebElhJ9NOvVWgqnWl7u2wY3s2ilrK9HdNFys6ARydqcTHr1r3_r9cOObDmL6Uau3_3fdiPm3kjNwkz3zEzXD1JAJVMCRiMoNv8exRCTU5r5ob5xR65xm_w8DfwGFomnR1Q=w452-h379-no\"><!--more-->Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro &#8211; SP<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho formal \u00e9 um marco hist\u00f3rico do avan\u00e7o do movimento feminista ao longo do s\u00e9culo XX. O reconhecimento do trabalho feminino fora do espa\u00e7o dom\u00e9stico \u00e9 uma grande e ineg\u00e1vel conquista de direitos sociais e de autonomia das mulheres. Mas esse processo n\u00e3o se deu sem contradi\u00e7\u00f5es. A estrutura patriarcal conformada sobre as bases do capitalismo encontra diversos mecanismos para conservar os grupos oprimidos em sua posi\u00e7\u00e3o social marginalizada.<\/p>\n<p>Quando falamos de mercado de trabalho, sabemos que as mulheres ocupam, em geral, os empregos mais precarizados, com menor remunera\u00e7\u00e3o e est\u00e3o em cargos inferiores aos homens. Tal processo \u00e9 funcional e fundamental \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, \u00e0 medida em que rebaixa-se assim o custo com a for\u00e7a de trabalho, seja por causa dos menores sal\u00e1rios e\/ou pela n\u00e3o garantia de direitos trabalhistas. Trata-se da l\u00f3gica da sociedade capitalista-patriarcal em se apropriar das diferen\u00e7as entre os sexos para reproduzir desigualdade social, elevando a taxa de explora\u00e7\u00e3o do capital atrav\u00e9s da inferioriza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino.<\/p>\n<p>A cultura machista e a misoginia n\u00e3o se manifestam apenas na diferen\u00e7a salarial ou nos cargos ocupados. A rela\u00e7\u00e3o de poder e desigualdade entre homens e mulheres \u00e9 permeada por outras formas de viol\u00eancias no ambiente de trabalho, sobretudo, nas pr\u00e1ticas de ass\u00e9dio moral e sexual a que as mulheres s\u00e3o submetidas cotidianamente. Tais pr\u00e1ticas consistem na exposi\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es de constrangimento e humilha\u00e7\u00e3o; em piadas e coment\u00e1rios ofensivos sobre a fun\u00e7\u00e3o ocupada, como: \u201clugar de mulher \u00e9 na cozinha\u201d; em cantadas e insinua\u00e7\u00f5es para obter algum tipo de favorecimento sexual, entre outros exemplos mais que podem ser abstra\u00eddos de relatos do cotidiano.<\/p>\n<p>Embora os homens tamb\u00e9m possam sofrer ass\u00e9dio no trabalho, dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego &#8211; MTE apontam que as principais afetadas s\u00e3o as mulheres. Nota-se: a) 73% do ass\u00e9dio moral \u00e9 sofrido por mulheres, das quais as mulheres negras representam o maior percentual; b) no caso do ass\u00e9dio sexual, os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais alarmantes, pois as mulheres correspondem a 99% das v\u00edtimas assediadas.<\/p>\n<p>Esse contexto reafirma mais um dos elementos atrav\u00e9s do qual a estrutura patriarcal opera: a objetifica\u00e7\u00e3o dos corpos femininos. A hipersexualiza\u00e7\u00e3o das mulheres as submete incondicionalmente aos desejos sexuais masculinos, sendo que os homens se sentem autorizados a constrang\u00ea-las e assedi\u00e1-las em qualquer espa\u00e7o, inclusive nos locais de trabalho. Nesse caso, a viol\u00eancia pode ser uma forma de coa\u00e7\u00e3o e chantagem com amea\u00e7as de demiss\u00e3o ou com promessas de ascens\u00e3o profissional, colocando em risco n\u00e3o apenas o emprego, mas afetando tamb\u00e9m a sa\u00fade mental e emocional dessas mulheres.<\/p>\n<p>Apesar de o C\u00f3digo Penal brasileiro qualificar o ass\u00e9dio sexual como crime, a cultura machista que frequentemente culpabiliza as v\u00edtimas, desencoraja a busca por meios jur\u00eddicos de den\u00fancia a estas pr\u00e1ticas. O medo por retalia\u00e7\u00f5es ou mesmo os entraves para comprovar o ass\u00e9dio sexual, dificulta a prote\u00e7\u00e3o legal das mulheres e a puni\u00e7\u00e3o dos agressores, haja vista que estas situa\u00e7\u00f5es ocorrem muitas vezes por meio de insinua\u00e7\u00f5es, de forma velada ou, ainda, em alguns epis\u00f3dios, s\u00e3o at\u00e9 toleradas, sendo entendidas como \u201cbrincadeiras\u201d pelos que rodeiam o assediador.<\/p>\n<p>Embora ainda estejamos longe de superar este cen\u00e1rio de viol\u00eancia, destacamos os crescentes movimentos de den\u00fancias e campanhas encampadas por coletivos e difundidos nas redes sociais como instrumentos de enfrentamento aos diversos ass\u00e9dios sofridos pelas mulheres. A luta das mulheres tem explicitado que as diferentes viol\u00eancias machistas e mis\u00f3ginas n\u00e3o ser\u00e3o mais toleradas, pois cada vez mais o movimento feminista tem avan\u00e7ado contra a sociedade patriarcal e as diversas formas de opress\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, acreditamos no necess\u00e1rio fortalecimento da atua\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das mulheres em todos os espa\u00e7os para combater a cultura machista, bem como entendemos que esta luta deve estar articulada ao enfrentamento ao sistema capitalista para destruir a estrutura patriarcal a que estamos submetidas.<\/p>\n<p>https:\/\/www.facebook.com\/ColetivoAnaMontenegroSp\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21654\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[221],"class_list":["post-21654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Dg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21654\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}