{"id":21726,"date":"2018-12-24T04:25:12","date_gmt":"2018-12-24T06:25:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21726"},"modified":"2018-12-24T04:25:17","modified_gmt":"2018-12-24T06:25:17","slug":"um-mundo-de-detonadores-multiplos-de-guerras-globais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21726","title":{"rendered":"Um mundo de Detonadores M\u00faltiplos de Guerras Globais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.globalresearch.ca\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/02-Disarm-End-Wars-End-Us-Imperialism.jpg\"><!--more-->ODiario.info &#8211; James Petras<\/p>\n<p>Deparamo-nos com um mundo de m\u00faltiplas guerras, algumas das quais conduzindo a conflagra\u00e7\u00f5es de poderes globais e outras que come\u00e7am como conflitos regionais, mas rapidamente alastram para confrontos entre grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Iremos proceder a identificar confrontos entre \u201cgrandes pot\u00eancias\u201d e depois discutiremos os escal\u00f5es de \u201cguerras por procura\u00e7\u00e3o\u201d com consequ\u00eancias de guerra mundial.<\/p>\n<p>No nosso tempo os EUA s\u00e3o a principal pot\u00eancia em busca de dom\u00ednio mundial atrav\u00e9s da for\u00e7a e da viol\u00eancia. Washington aponta para alvos de alto n\u00edvel, nomeadamente China, R\u00fassia, e Ir\u00e3; objetivos secund\u00e1rios incluem Afeganist\u00e3o, Norte e Centro da \u00c1frica, o C\u00e1ucaso e a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A China \u00e9 o inimigo priorit\u00e1rio dos EUA por numerosas raz\u00f5es de ordem econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar: a China \u00e9 a segunda maior economia mundial; a sua tecnologia tem posto em causa a supremacia dos EUA; construiu redes econ\u00f4micas globais atravessando tr\u00eas continentes. A China desalojou os EUA em mercados exteriores, investimentos e infraestruturas. A China construiu um modelo socioecon\u00f4mico alternativo que associa bancos e planejamento estatal com prioridades do setor privado. Em todos estes aspectos os EUA atrasaram-se e as suas perspectivas de futuro est\u00e3o em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Em resposta a esta situa\u00e7\u00e3o os EUA recorreram a uma economia interna protecionista e fechada e a uma agressiva economia exterior imperial e conduzida por via militar. O presidente Trump declarou \u00e0 China uma guerra tarif\u00e1ria, uma guerra m\u00faltipla, separatista e de propaganda e uma guerra de cerco mar\u00edtimo e a\u00e9reo.<\/p>\n<p>A primeira linha de ataque s\u00e3o as exorbitantes tarifas sobre as exporta\u00e7\u00f5es chinesas para os EUA e seus vassalos. A segunda \u00e9 a expans\u00e3o das bases ultramarinhas na \u00c1sia. A terceira \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o de clientes separatistas em Hong Kong, Tibete e entre os uigures. A quarta \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es para for\u00e7ar aliados na UE e asi\u00e1ticos no sentido de se juntarem \u00e0 guerra econ\u00f4mica contra a China. A China respondeu incrementando a sua seguran\u00e7a militar, expandindo a sua rede de liga\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e aumentando as tarifas sobre exporta\u00e7\u00f5es dos EUA.<\/p>\n<p>A guerra econ\u00f4mica dos EUA elevou-se a um patamar superior com a deten\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o de um executivo de topo da mais destacada empresa tecnol\u00f3gica chinesa, Huawei. A Casa Branca subiu um degrau na escala da agress\u00e3o passando das san\u00e7\u00f5es \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o e ficou a um passo da retalia\u00e7\u00e3o militar. O rastilho nuclear foi colocado em igni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A R\u00fassia depara-se com amea\u00e7as semelhantes contra a sua economia e os seus aliados exteriores, em particular China e Ir\u00e3. Para al\u00e9m disso, os EUA romperam o acordo sobre m\u00edsseis nucleares de alcance intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 defronta-se com san\u00e7\u00f5es sobre o petr\u00f3leo, cerco militar e ataques a aliados pr\u00f3ximos, nomeadamente, I\u00eamen, S\u00edria e regi\u00e3o do Golfo. Washington apoia-se na Ar\u00e1bia Saudita, Israel e seus grupos paramilitares para pressionar econ\u00f4mica e militarmente e para minar a economia do Ir\u00e3 e impor uma \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d.<\/p>\n<p>Cada um dos tr\u00eas alvos estrat\u00e9gicos dos EUA \u00e9 central para o seu objetivo de domina\u00e7\u00e3o global: dominar a China conduziria \u00e0 tomada da \u00c1sia; enfraquecer a R\u00fassia isola a Europa; a derrubada do Ir\u00e3 amplia o poder dos EUA sobre o mercado do petr\u00f3leo e o mundo isl\u00e2mico. \u00c0 medida que prossegue a escalada de agress\u00e3o e de provoca\u00e7\u00e3o dos EUA ficamos perante a amea\u00e7a de uma guerra nuclear global ou, na melhor das hip\u00f3teses, de um colapso econ\u00f4mico mundial.<\/p>\n<p>A hegemonia j\u00e1 deixou de ser rent\u00e1vel para os EUA<\/p>\n<p>Guerras por procura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Os EUA apontam para um segundo grupo de inimigos, na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam promovido guerras econ\u00f4micas contra a Venezuela, Cuba e Nicar\u00e1gua. Mais recentemente t\u00eam aplicado press\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica sobre a Bol\u00edvia. Washington tem se apoiado nos seus aliados vassalos, incluindo Brasil, Peru, Chile, Equador, Argentina e Paraguai e nas elites dom\u00e9sticas de direita.<\/p>\n<p>Em numerosos outros casos, Washington recorre a golpes militares e a ju\u00edzes e legisladores corruptos para intervir contra regimes progressistas no poder. Contra o Presidente Morales, Washington apoia-se em ONGs financiadas por funda\u00e7\u00f5es dos EUA, em l\u00edderes ind\u00edgenas dissidentes e em oficiais do ex\u00e9rcito reformados. Washington apoia-se em grupos armados locais, seus associados para fazer avan\u00e7ar com os seus objetivos imperiais, de modo a criar a apar\u00eancia de uma \u201cguerra civil\u201d em vez de uma grosseira interven\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>De fato, uma vez que os chamados \u201cdissidentes\u201d ou \u201crebeldes\u201d consigam estabelecer uma testa de ponte, eles \u201cconvidam\u201d conselheiros militares estadunidenses, conseguem ajuda militar e servem como arma de propaganda contra R\u00fassia, China e Ir\u00e3 \u2013 os advers\u00e1rios de \u201cprimeiro escal\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos recentes, os conflitos dos EUA por procura\u00e7\u00e3o constitu\u00edram um instrumento privilegiado na guerra separatista do Kosovo conta a S\u00e9rvia, no golpe ucraniano de 2014 e na guerra contra a Ucr\u00e2nia oriental, na tomada curda do norte do Iraque e da S\u00edria, do ataque dos separatistas uigures apoiados pelos EUA na prov\u00edncia chinesa de Xinjiang.<\/p>\n<p>Os EUA instalaram 32 bases militares na \u00c1frica, para coordenar atividades com os senhores da guerra e os plutocratas locais. As suas guerras por procura\u00e7\u00e3o s\u00e3o descritas como conflitos locais entre regimes \u201cleg\u00edtimos\u201d e terroristas isl\u00e2micos, tribalistas e tiranos.<\/p>\n<p>Os objetivos das guerras por procura\u00e7\u00e3o s\u00e3o triplos. Servem como \u201calimentadoras\u201d de guerras territoriais mais alargadas cercando China, R\u00fassia e Ir\u00e3o. Em segundo lugar, as guerras por procura\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201ccampos de teste\u201d para avaliar a vulnerabilidade e a capacidade de resposta do advers\u00e1rio estrat\u00e9gico alvo, i.e. R\u00fassia, China e Ir\u00e3. Em terceiro lugar, as guerras por procura\u00e7\u00e3o s\u00e3o ataques a inimigos estrat\u00e9gicos com \u201cbaixo custo\u201d e \u201cbaixo risco\u201d. Conduzem discretamente a um confronto de grande escala.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente importante que as guerras por procura\u00e7\u00e3o servem como instrumentos de propaganda, acusando advers\u00e1rios estrat\u00e9gicos de \u201cregimes autorit\u00e1rios expansionistas\u201d inimigos dos \u201cvalores ocidentais\u201d.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Os construtores do imp\u00e9rio dos EUA empreendem m\u00faltiplos tipos de agress\u00e3o apontados a impor um mundo unipolar. No seu centro est\u00e3o guerras comerciais contra a China, conflitos militares regionais com a R\u00fassia e san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Estas armas de grande escala e de longo prazo s\u00e3o complementadas com guerras por procura\u00e7\u00e3o, envolvendo estados vassalos regionais, que visam erodir as bases econ\u00f4micas de aliados das pot\u00eancias anti-imperialistas.<\/p>\n<p>Assim, os ataques dos EUA contra a China pela via da guerra tarif\u00e1ria visam sabotar os seus projetos de infraestrutura globais \u201cCintur\u00e3o e Estrada\u201d ligando a China a 82 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, h\u00e1 as tentativas dos EUA de isolar a R\u00fassia atrav\u00e9s de uma guerra por procura\u00e7\u00e3o na S\u00edria, tal como fez no Iraque, L\u00edbia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Isolar a pot\u00eancia estrat\u00e9gica anti-imperial por meio de guerras regionais cria as condi\u00e7\u00f5es para o \u201cassalto final\u201d \u2013 a mudan\u00e7a de regime atrav\u00e9s de golpe ou de guerra nuclear.<\/p>\n<p>Contudo, a a\u00e7\u00e3o dos EUA no sentido do dom\u00ednio mundial n\u00e3o conseguiu, at\u00e9 agora, enfraquecer ou isolar os seus advers\u00e1rios estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>A China avan\u00e7a com o seu programa global de infraestrutura, e a guerra comercial teve pouco impacto em isolar Pequim dos seus principais mercados. Mais ainda, a pol\u00edtica dos EUA ampliou o papel da China enquanto principal defensor do \u201clivre com\u00e9rcio\u201d contra o protecionismo do Presidente Trump.<\/p>\n<p>Igualmente, as t\u00e1ticas de cerco e sancionamento da R\u00fassia aprofundaram os la\u00e7os entre Moscou e Pequim. Os EUA aumentaram os seus \u201cprocuradores\u201d nominais na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica, mas todo eles dependem do com\u00e9rcio e dos investimentos da China. Isto \u00e9 particularmente verdade no que diz respeito \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es agrominerais para a China.<\/p>\n<p>Tendo em conta os limites do poder dos EUA e a sua incapacidade de derrubar regimes, Washington tomou medidas no sentido de compensar os seus fracassos pela via das amea\u00e7as de uma guerra global. Sequestra l\u00edderes econ\u00f4micos chineses; desloca navio de guerra para a proximidade das costas chinesas, alia-se com elites neofascistas na Ucr\u00e2nia. Amea\u00e7a bombardear o Ir\u00e3. Por outras palavras, os l\u00edderes pol\u00edticos dos EUA embarcaram em pol\u00edticas aventureiras \u00e0 beira de fazer rebentar um, dois, muitos fus\u00edveis nucleares.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil imaginar como uma guerra comercial fracassada pode levar a uma guerra nuclear; um conflito regional pode implicar uma guerra maior.<\/p>\n<p>Poderemos impedir a 3\u00aa Guerra Mundial? Creio que podemos. A economia dos EUA se assenta sobre alicerces fr\u00e1geis; as suas elites est\u00e3o profundamente divididas. Os seus principais aliados na Fran\u00e7a e na Gr\u00e3-Bretanha atravessam s\u00e9rias crises. Os belicistas e fazedores de guerras carecem de apoio popular. H\u00e1 raz\u00f5es para ter esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.globalresearch.ca\/a-world-of-multiple-detonators-of-global-wars-wars-by-proxy\/5662763<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/um-mundo-de-detonadores-multiplos-de\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21726\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[233],"class_list":["post-21726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Eq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}