{"id":21809,"date":"2019-01-01T11:55:36","date_gmt":"2019-01-01T13:55:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21809"},"modified":"2019-01-03T22:08:42","modified_gmt":"2019-01-04T00:08:42","slug":"por-um-2019-sem-dendeiras-brancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21809","title":{"rendered":"Por um 2019 sem bandeiras brancas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/VQUOzElAreJkrwXzVfwkSXkohZRBPb9nXvkxmII2o9QHCb63GBBXE-OVA7KcB1Lzii_WDXzBhW_zR6IZKCU1T1S4lHwbCsMZRQtivtNJ-pvgqjnJxUTElcoHYdubQ-CHW4cKs-V3tntfg1IZ2ANUADmT-57nZxGnZtmHo0gJctMm5G4C8BaIsfthPe-p5e2yNVZ-37caBzWssb3SxCSfkZUKOBRvVw27vP23S9t4UCWbm_hBKhP4s1NJXatlMRlxgk8Lpq2PAcrx_Cy3wwYFNf92jvrGFoIC3eozgViwfs_5ijAwEVTy6nUKVeEZs-Csku6wl-Rp-7T2f1MLP_qqwF4FWhMi-rlbeWqGGABgYdH5t_uZg8W2OpA26L-1Dtf_-Xidti44UwhOZNvd7KifQjMc-aDqicMVnM8eNWOHdvsiQabvSPqB8VZEQPmWW-YtIr-pXEzup9NWWra2rKDxZAQiU19HhlpVcomkEiYWl2jhiYJtzWIMSSpqAU-Zxi61Vuq7uJqX9W66ZnzuFs7Q6ulI2KjwM7jkz4uLxmUHWhZGwar0uGLrfEhc-vbNr_GRIhrUIW5ZGVxWU6V7O_RFLgjhgBmxBOLoQdTTwxEnf9_rnAFjVB_TxviLLzlmh-Bza41KNMhq0O3lsj8pzRoxjS1C1A=w408-h306-no\"><!--more-->Notas de fim de ano sempre s\u00e3o dif\u00edceis, mas olhar para 2018 em retrospectiva e vislumbrar o 2019 que se desenha produz uma tens\u00e3o \u00edmpar. Talvez porque este foi o ano em que muita coisa que j\u00e1 vinha crescendo e se construindo em c\u00edrculos mais restritos explodiu na cara de todo mundo. O processo fascistizante, os retrocessos pol\u00edticos, o cair da m\u00e1scara da democracia, as persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e censuras, os ataques &#8211; f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos, coletivos\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que sejam coisas novas, ou que parte de n\u00f3s, LGBTs, j\u00e1 n\u00e3o as viesse acompanhando. Mas se at\u00e9 ent\u00e3o lid\u00e1vamos com a dificuldade de levar discuss\u00f5es pol\u00edticas para o todo da nossa popula\u00e7\u00e3o, 2018 se encarregou de escancar\u00e1-las dolorosamente, mesmo para as que n\u00e3o sabiam de Rafael Braga ou do Queer Museum, que n\u00e3o ligaram muito para a PEC do Teto dos Gastos ou para a reforma na previd\u00eancia, que acharam desinteressante censuras como a da pe\u00e7a \u201cJesus, Rainha do C\u00e9u\u201d, ou que n\u00e3o sabiam ou n\u00e3o ligavam para o genoc\u00eddio da juventude negra nas periferias, para o Estado miliciano carioca (Maielle, presente!) ou para os recordes que Brasil segue batendo em assassinato de LGBTs.<\/p>\n<p>Com o bolsonarismo, o avan\u00e7o reacion\u00e1rio estourou todas as portas e entrou nas nossas casas, c\u00edrculos familiares e grupos sociais como um todo, mobilizando falsas opini\u00f5es, fazendo malabarismos pseudo-morais, levando tudo no seu caminho e quase n\u00e3o h\u00e1 hoje qualquer reuni\u00e3o social entre LGBTs, Brasil afora, em que n\u00e3o se fale sobre medo, sobre decep\u00e7\u00f5es, sobre desamparo.<\/p>\n<p>E n\u00e3o sem raz\u00e3o. Nesse malabarismo macabro, somos uma das bolas da vez. Nossos direitos &#8211; inclusive \u00e0 vida! &#8211; est\u00e3o na reta, junto com todas e todos vitimizados por um projeto social que define muito claramente quem pode ser considerado humano e quem pode apanhar, passar fome e morrer sem que mere\u00e7a maiores considera\u00e7\u00f5es. \u00c9 justamente essa, ali\u00e1s, uma das faces do \u201cfascismo\u201d de que agora tanto se fala: um ideal de ra\u00e7a pura, n\u00e3o apenas no que diz respeito a cor ou etnia (mas sem d\u00favida tamb\u00e9m a isso!), como tamb\u00e9m a comportamento, principalmente sexual e de g\u00eanero. \u00c9 sobre essa lente, de ra\u00e7a pura, de pressuposto de humanidade\/bestialidade, que setores da nossa classe s\u00e3o olhadas e tratadas. N\u00e3o somos humanas o suficiente aos seus olhos. Somos impuras e impuros, degeneradas e degenerados, aptos a pagar o pre\u00e7o do projeto econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social que o capital tem para o Brasil.<\/p>\n<p>O poder pol\u00edtico que se formalizou agora tem uma tarefa principal: aprofundar e dar conta de um projeto de Brasil exigido pelo capital mundial, j\u00e1 desde que a crise explode em 2008. H\u00e1 pouco de novo no sentido desse projeto. Precisam de um Brasil mais e mais dependente, com uma economia centrada na extra\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Precisam de uma Am\u00e9rica Latina mais e mais explicitamente \u201ccolonial\u201d, e isso traz a necessidade n\u00e3o apenas de transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m de profundos retrocessos pol\u00edticos, culturais, \u00e9ticos e morais. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil antever, nesse projeto, o nosso lugar.<\/p>\n<p>Se a perspectiva assusta, no entanto, h\u00e1 tamb\u00e9m muita pot\u00eancia e resist\u00eancia. Com todos os retrocessos e desafios, se precis\u00e1ssemos escolher uma palavra para 2018, n\u00e3o poderia ser outra que n\u00e3o \u201cresist\u00eancia\u201d. Apanhamos ainda, mas cada vez menos caladas, cada vez menos constrangidas, cada vez menos s\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que nossos votos para 2019 n\u00e3o poderiam ser outra coisa que n\u00e3o um convite! Que construamos luta, ombro a ombro, m\u00e3o a m\u00e3o, olho no olho, mais e mais. Que fiquemos mais pr\u00f3ximas, mais juntas, mais fortes. Que ocupemos as ruas, os bairros, o pa\u00eds: s\u00e3o todos nossos. Que guardemos, por ora, as bandeiras brancas. Hoje, amanh\u00e3 e enquanto necess\u00e1rio for, que nossa bandeira siga vermelho-luta, rubra como o sangue que tiram de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21809\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,182,20],"tags":[233],"class_list":["post-21809","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-lgbt","category-c1-popular","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5FL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21809"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21809\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}