{"id":21828,"date":"2019-01-03T00:17:26","date_gmt":"2019-01-03T02:17:26","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21828"},"modified":"2019-01-03T23:15:59","modified_gmt":"2019-01-04T01:15:59","slug":"revolucao-cubana-60-anos-de-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21828","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: 60 anos de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/4-DJp6r_96dT2HiIWNIRTQuph5XyyBC5xhd18_Fk-AzgMcerthyOB9pWpWT3BO8QIV7-PocJ5jFI8qTTepTXwePfXObc8eh_lwk3ctkJX-5vyJ_6cicgtWBXzjHZ_N-kCDs0Z_6F-cd_jHhpzDAZ6yectt6f9H3Kg-MKln0ZZGzax5Z0B-IvBMk_S9OdRN4SXhauQSfiviK8TjzWQFkBfMXJrBPJQA5TCsRKUl4CMBwX4CWerWPNvHQR2lif6rNjn42Bi7f7ALlj4QLeSc56TMjSxSsnbBVDLFDz_zxfACsVG9gQbTk0RwzApXOhL1CIf6IKuXvZkkCBa7I9UOR83m9oM0ESKxYn6tcZCYWZrbe9dh03q7hBfJ6Wy6GkwwBTmw3P04PUgMgIuubGEVcURY0ZkGzrUmyoA1luWliVcIN62GyEJQ1mAlxPOHD0A1TYtBts8eicwmrHvGplc5Ml5o4C0jwnqfywLrfupdJrro9_Wf5FsnPPecxFc47OEyr7TJZBXwHNbkb_JK6F4BSu6dqVNG9KA3BpN5vQlz7y_joDL9FRAnF5D2Kk-hO4U_aggOElkHAAb_un8hoa9pxT5DdwiXXapDuG8J2SQzRGy0_A2IGm_ieWI4WWTwFqUdqGvTCTj8-nwffp1hNDbYriFsJoDw=s600-k-rw-no\"><!--more-->Brasil de Fato<\/p>\n<p>Arte: Gabriela Lucena<\/p>\n<p>Fania Rodrigues Havana (Cuba) e Caracas (Venezuela)<\/p>\n<p>H\u00e1 60 anos, o Ex\u00e9rcito Rebelde cercava a cidade de Santiago de Cuba, na \u00faltima batalha liderada pelo comandante Fidel Castro, no final de dezembro de 1958. Ao amanhecer do dia 1\u00ba de janeiro de 1959, o ditador Fulgencio Batista abandonava a ilha. Com a destitui\u00e7\u00e3o do ditador alinhado aos Estados Unidos, consolidava-se assim a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>Naquele in\u00edcio de ano, seis d\u00e9cadas atr\u00e1s, bastaram algumas horas para os militares do Quartel de Moncada anunciarem a rendi\u00e7\u00e3o diante dos guerrilheiros da Sierra Maestra. Essa batalha no oriente do pa\u00eds, tamb\u00e9m chamada de Opera\u00e7\u00e3o Santiago, definiu o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Era o mesmo lugar onde, cinco anos antes, havia come\u00e7ado a luta contra a ditadura de Batista, com o assalto ao Quartel de Moncada, no dia 26 de julho, data que deu origem ao nome do movimento guerrilheiro.<\/p>\n<p>Depois da fuga do ditador Batista, Fidel Castro e sua tropa levaram sete dias para chegar \u00e0 capital cubana. No dia 8 de janeiro de 1959, mais de mil combatentes rebeldes fizeram uma entrada triunfal em Havana, em cima de tanques e carros blindados do ex\u00e9rcito de Batista.<\/p>\n<p>Para marcar a data, a reportagem do Brasil de Fato resgatou fatos hist\u00f3ricos e conversou com pessoas que participaram da resist\u00eancia naqueles dias e mant\u00eam viva ainda hoje a mem\u00f3ria da luta na ilha caribenha.<\/p>\n<p>Fulgencio Batista<\/p>\n<p>Fulgencio Batista foi presidente de Cuba entre 1940 e 1944. Depois do mandato, foi viver nos Estados Unidos e voltou \u00e0 ilha para concorrer \u00e0 presid\u00eancia em 1952. Foi derrotado e liderou um golpe militar para tomar o poder, onde permaneceu at\u00e9 ser derrubado pelos revolucion\u00e1rios liderados por Fidel Castro.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista, apesar das den\u00fancias de abuso de poder, como o aumento do pr\u00f3prio sal\u00e1rio, que passou de 26 mil d\u00f3lares anuais para 144 mil d\u00f3lares, um dos maiores do mundo. Na compara\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca, o sal\u00e1rio do presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, era de 100 mil d\u00f3lares por ano.<\/p>\n<p>Batista alinhou-se com os latifundi\u00e1rios ricos do pa\u00eds, que possu\u00edam as maiores planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, e conduziu a ilha para um abismo social, com economia estagnada e um aumento cada vez maior da desigualdade social entre cubanos ricos e pobres. Al\u00e9m disso, a corrup\u00e7\u00e3o e o autoritarismo eram a t\u00f4nica da gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Com um governo cada vez mais corrupto, as m\u00e1fias estadunidenses passaram a ter grande influ\u00eancia no pa\u00eds, controlando a distribui\u00e7\u00e3o de drogas, jogos de azar e a prostitui\u00e7\u00e3o. Simultaneamente, as grandes multinacionais com sede nos Estados Unidos mantinham contratos lucrativos com o governo de Fulgencio Batista.<\/p>\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o popular cresceu e ficou ainda mais evidente com o apoio demonstrado pela popula\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as rebeldes que, comandadas por Fidel Castro, derrubaram o governo.<\/p>\n<p>Apoio popular<\/p>\n<p>O premiado jornalista cubano Juan Luis Marrero Gonz\u00e1lez descreveu em um artigo publicado pelo site Cuba Debate em 2014 o ambiente solene da chegada da Caravana da Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cAs portas das bodegas, restaurante, caf\u00e9s, lojas, bancos, institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, minist\u00e9rios e outras depend\u00eancias amanheceram fechadas em Havana naquela quinta-feira, 8 de janeiro de 1959. As principais ruas foram adornadas elegantemente com bandeiras cubanas do Movimento 26 de Julho, penduradas em \u00f3rg\u00e3os do Estado, com\u00e9rcios e casas. Assim foi feito para que todo o povo pudesse dar calorosas boas-vindas a Fidel Castro e aos barbudos da Sierra Maestra\u201d.<\/p>\n<p>No longo caminho percorrido at\u00e9 Havana, cortando o pa\u00eds de ponta a ponta, uma multid\u00e3o saiu \u00e0s ruas e estradas de terra para ver e aplaudir os novos her\u00f3is. \u201cFidel qualificou esse momento como um \u2018banho de multid\u00f5es\u2019, \u2018um banho de povo\u2019. Todos queriam ver Fidel e os combatentes que haviam dado liberdade a Cuba\u201d, contou Gonz\u00e1lez na publica\u00e7\u00e3o do Cuba Debate.<\/p>\n<p>\u201cO ex\u00e9rcito \u00e9 o povo fardado\u201d, dizia Camilo Cienfuegos, um dos comandantes da guerrilha cubana. Assim foi durante a luta armada, mas tamb\u00e9m depois da vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Um momento hist\u00f3rico que entrou para a mem\u00f3ria do povo cubano.<\/p>\n<p>M\u00e3e e filho<\/p>\n<p>O militar da reserva das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias (FAR) Arturo Matute Ayala contou ao Brasil de Fato que tinha nove anos de idade quando a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana triunfou e diz se lembrar perfeitamente da chegada dos \u201cbarbudos\u201d em Havana.<\/p>\n<p>Hoje com quase 90 anos, Arturo Matute \u00e9 dirigente do Partido Comunista Cubano (PCC) no munic\u00edpio de Marianao, na zona leste da Grande Havana, e conta que sua m\u00e3e, na \u00e9poca dona de casa dedicada, foi uma das primeiras volunt\u00e1rias das unidades de defesa territorial.<\/p>\n<p>\u201cEm 1961, fomos enviados para Santiago de Cuba para ajudar na prote\u00e7\u00e3o dessa zona costeira. Eu tinha 12 anos, mas junto com minha m\u00e3e j\u00e1 ficava de guarda tamb\u00e9m, vigilante. Lembro-me da noite da invas\u00e3o da Ba\u00eda dos Porcos. A ordem era manter a vigil\u00e2ncia em alerta m\u00e1xima\u201d, recorda.<\/p>\n<p>\u201cChovia muito naquela noite, e comecei a ficar gripado. Minha m\u00e3e, com o fuzil nas m\u00e3os, me disse: \u2018Filhinho, a mam\u00e3e adoraria levar voc\u00ea para casa, fazer um chazinho e cuidar de voc\u00ea. Mas n\u00e3o posso deixar esse fuzil, sen\u00e3o os gringos terminam de invadir e nos matam\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Os dois aguentaram firme at\u00e9 a derrota dos mercen\u00e1rios, ap\u00f3s quatro dias de batalha intensa, entre 17 e 20 de abril daquele ano. \u201cOs mercen\u00e1rios dos Estados Unidos n\u00e3o puderam com nosso povo\u201d, diz orgulhoso Arturo Matute.<\/p>\n<p>&#8220;Os mercen\u00e1rios dos Estados Unidos n\u00e3o puderam com [nosso povo]&#8221;, conta Arturo Matute<\/p>\n<p>Guerrilheiro<\/p>\n<p>No combate \u00e0 invas\u00e3o estadunidense contra a Ba\u00eda dos Porcos, epis\u00f3dio conhecido em Cuba como batalha de Gir\u00f3n, em 1961, o ex-guerrilheiro Angel Fernandez Vila resistiu ao lado de Fidel Castro. Em uma foto da \u00e9poca, ele aparece justamente ao lado do comandante quando este redigiu, de pr\u00f3prio punho, uma ordem para a tropa revolucion\u00e1ria e o encarregou de entregar aos combatentes que estavam em outra regi\u00e3o da praia.<\/p>\n<p>\u201cFidel chegou, subiu no tanque de guerra em Helechal [prov\u00edncia de Matanzas] e fez um discurso patri\u00f3tico e valente para as tropas comandadas por ele e que resistiram ao assalto da Praia Gir\u00f3n\u201d, conta Fernandez.<\/p>\n<p>Angel Fernandez<\/p>\n<p>O ex-combatente tamb\u00e9m fez parte da equipe m\u00e9dica da guerrilha, apesar de ainda ser, naquela \u00e9poca, estudante de medicina. Tamb\u00e9m foi redator da R\u00e1dio Rebelde. Hoje aos 85 anos, o coronel retirado das FAR \u00e9 m\u00e9dico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Havana.<\/p>\n<p>Consciente de sua contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de um modelo pol\u00edtico que melhorou a vida dos cubanos, o ex-guerrilheiro afirma que o futuro de Cuba continua sendo o socialismo.<\/p>\n<p>Campon\u00eas rebelde<\/p>\n<p>Outro ex-guerrilheiro entrevistado pelo Brasil de Fato, Ciro del R\u00edo Guerra, lutou lado a lado com Ernesto Che Guevara e guarda na mem\u00f3ria aqueles dias de batalha nas montanhas de Cuba.<\/p>\n<p>Del R\u00edo era um jovem campon\u00eas quando se juntou ao Ex\u00e9rcito Rebelde em 1957 e esteve sob o comando de Che na Sierra Maestra. Ele foi um dos fundadores da R\u00e1dio Rebelde, que teve papel determinante na vit\u00f3ria da guerrilha de Sierra Maestra na luta contra o numeroso ex\u00e9rcito do ditador Fulgencio Batista.<\/p>\n<p>\u201cLembro-me de combater ao lado de Che em v\u00e1rios momentos. Ali, na frente de batalha, ele era mais um combatente, nunca houve diferencia\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica. Ele n\u00e3o recuava nunca. Che foi o homem mais valente que j\u00e1 conheci\u201d, conta.<\/p>\n<p>Che<\/p>\n<p>Ernesto Che Guevara comandou a Batalha de Santa Clara, uma das mais dif\u00edceis enfrentadas pelo Ex\u00e9rcito Rebelde, quando, nos \u00faltimos dias de dezembro de 1958, apenas 340 guerrilheiros derrotaram um batalh\u00e3o de 3.900 soldados, fortemente armados e equipados tamb\u00e9m com 10 tanques de guerra. Depois de sucessivas vit\u00f3rias, os \u00faltimos soldados do governo de Batista se renderam no dia 1\u00ba de janeiro de 1959.<\/p>\n<p>A batalha foi tamb\u00e9m um epis\u00f3dio decisivo para os rebeldes que lutavam contra o regime do general Fulgencio Batista. No mesmo dia, Che recebeu a ordem de Fidel para transladar sua tropa a Havana e ocupar a fortaleza militar La Caba\u00f1a. A miss\u00e3o foi cumprida com sucesso no dia 3 de janeiro.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, Fidel Castro recordaria o dia em que Che e seus homens protagonizaram a maior proeza da guerrilha cubana.<\/p>\n<p>\u201cQuando, j\u00e1 ao final de dezembro, nossas for\u00e7as tinham praticamente dominado a prov\u00edncia Oriente [antiga prov\u00edncia], Che levou a cabo uma de suas \u00faltimas proezas em nosso pa\u00eds. Avan\u00e7ou sobre a cidade de Santa Clara com 300 combatentes, enfrentou um trem blindado que estava fora da cidade, interceptou a via entre o trem e a sede das for\u00e7as armadas: descarrilaram o trem, ocuparam, renderam os militares e confiscaram as armas\u201d, relembrou Fidel em um discurso de 1971, na cidade de Santiago do Chile, durante uma homenagem a Che Guevara.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o, edificada por Fidel Castro, Raul Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, T\u00e1nia, Ciro Redondo e tantos outros guerrilheiros, camponeses, oper\u00e1rios e estudantes, irrompeu para al\u00e9m das fronteiras cubanas. Influenciou movimentos pol\u00edticos na Am\u00e9rica Latina, como o levante campon\u00eas colombiano, com surgimento das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rios da Col\u00f4mbia; a Guerrilha do Araguaia, no Brasil; o Movimento dos Montoneros, na Argentina; a guerrilha urbana dos Tupamaros, no Uruguai; o Movimento Sandinista, na Nicar\u00e1gua, e muitos outros. Al\u00e9m disso, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana teve influ\u00eancia decisiva na luta armada em pa\u00edses como a \u00c1frica do Sul, na Guerra do Congo, em Angola e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>No livro \u201cA Guerra de Guerrilhas\u201d, Che Guevara fala sobre o significado hist\u00f3rico da vit\u00f3ria popular em Cuba. \u201cA vit\u00f3ria armada do povo cubano sobre a ditadura de Batista foi um triunfo \u00e9pico noticiado por jornais do mundo inteiro, modificou velhos dogmas sobre a conduta das massas populares na Am\u00e9rica Latina, demonstrando, de forma palp\u00e1vel, a capacidade do povo de se libertar de um governo tortuoso\u201d, escreve Che logo no primeiro par\u00e1grafo do livro.<\/p>\n<p>Foi a escolha de Cuba por outro modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, mais igualit\u00e1rio, que despertou a ira dos Estados Unidos, argumenta Che. \u201c\u2018Mau exemplo\u2019 o cubano, \u2018muito mau exemplo\u2019. Aqueles que controlam os monop\u00f3lios n\u00e3o conseguir\u00e3o dormir tranquilos enquanto esse \u2018mau exemplo\u2019 permanecer de p\u00e9, avan\u00e7ando em dire\u00e7\u00e3o ao futuro\u201d, explicou o guerrilheiro em 1961, quando os ataques dos EUA contra Cuba se intensificaram.<\/p>\n<p>Na obra, Che fala sobre as mudan\u00e7as radicais que aconteceram logo nos primeiros anos ap\u00f3s a derrubada de Batista pelos rebeldes.<\/p>\n<p>\u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Cubana liquidou os latif\u00fandios, limitou o lucro dos monop\u00f3lios estrangeiros e dos intermedi\u00e1rios estrangeiros de capital parasit\u00e1rio que se dedicam ao com\u00e9rcio de importa\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m rompeu o monop\u00f3lio de dois gigantes do setor mineiro. Cuba lan\u00e7ou uma pol\u00edtica nova na Am\u00e9rica\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para o argentino, a constru\u00e7\u00e3o desse novo modelo socialista cubano mostrou que era poss\u00edvel superar as desigualdades sociais, a corrup\u00e7\u00e3o e o burocratismo. A for\u00e7a ideol\u00f3gica da revolu\u00e7\u00e3o foi o que possibilitou que se superassem todas as not\u00edcias contr\u00e1rias divulgadas pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Cubana rompeu todas as barreiras impostas pelas empresas de not\u00edcias e difundiu sua verdade, que se espalhou como uma carreira de p\u00f3lvora entre as massas americanas ansiosas por uma vida melhor. Cuba \u00e9 um s\u00edmbolo de nova nacionalidade e Fidel Castro, s\u00edmbolo de libera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Che.<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria moral<\/p>\n<p>O triunfo dos guerrilheiros foi militar, mas tamb\u00e9m moral. Essa quest\u00e3o aparece em v\u00e1rias an\u00e1lises e registros hist\u00f3ricos ao longo desses 60 anos.<\/p>\n<p>Uma anedota retrata como o l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o era visto pela popula\u00e7\u00e3o. Em 1979, antes de viajar para a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Nova York, um jornalista questionou Fidel Castro acerca de um rumor de que ele \u201csempre andava protegido por uma roupa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQual roupa?\u201d, respondeu Castro, tirando da boca o charuto cubano, para desabotoar a camisa.<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo diz que o senhor tem um colete \u00e0 prova de balas\u201d, insiste o jornalista.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o\u201d, responde Castro, sorrindo enquanto mostra o peito descoberto. \u201cVou desembarcar assim em Nova York. Tenho um colete moral, que \u00e9 mais forte. Esse \u00e9 o que me protege sempre\u201d.<\/p>\n<p>Fidel Castro acreditava profundamente na dignidade do povo cubano e na moral da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana como fortalezas que impediram os Estados Unidos de lan\u00e7arem uma guerra contra Cuba.<\/p>\n<p>Em uma entrevista concedida em 1995 \u00e0 jornalista Mar\u00eda Elvira Salazar, do canal estadunidense Telemundo, o l\u00edder cubano sintetizou a for\u00e7a em que acreditava. \u201cMeu pior inimigo? Eu acredito que n\u00e3o tenho inimigo pior, porque creio que todos os inimigos podem ser vencidos\u201d.<\/p>\n<p>FICHA T\u00c9CNICA<\/p>\n<p>Reportagem: Fania Rodrigues<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Aline Sc\u00e1tola<br \/>\nFotos: Fania Rodrigues, arquivo e cortesia<br \/>\nArtes gr\u00e1ficas: Gabriela Lucena<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21828\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[222],"class_list":["post-21828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5G4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21828\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}