{"id":21842,"date":"2019-01-03T22:37:37","date_gmt":"2019-01-04T00:37:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21842"},"modified":"2019-01-03T22:37:42","modified_gmt":"2019-01-04T00:37:42","slug":"john-pilger-nova-guerra-fria-e-ameacas-iminentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21842","title":{"rendered":"John Pilger: &#8220;nova guerra fria e amea\u00e7as iminentes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/topnewsrussia.ru\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/original-13-2-450x270.jpg\"><!--more-->ODIARIO.INFO &#8211; Entrevista com John Pilger<\/p>\n<p>Nesta not\u00e1vel entrevista com dois jornalistas indianos, John Pilger tra\u00e7a uma vis\u00e3o de conjunto da ofensiva dos EUA e dos seus aliados no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina. Uma experi\u00eancia pessoal iniciada na guerra do Vietnam e que prossegue at\u00e9 aos dias de hoje, exemplo da forma como um jornalismo esclarecido e progressista pode ser um poderoso aliado da luta dos povos.<\/p>\n<p>O seu recente document\u00e1rio, The Coming War on China, mostra como os Estados Unidos est\u00e3o em guerra com a China. Pode explicar o mecanismo dessa guerra secreta? Acha que a \u00c1sia-Pac\u00edfico ser\u00e1 a pr\u00f3xima regi\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o imperialista? Como ocorrer\u00e1 essa interven\u00e7\u00e3o e quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias?<\/p>\n<p>\u00c9 uma \u201cguerra secreta\u201d apenas porque a nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 moldada para ignorar a realidade. Em 2010, a secret\u00e1ria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, viajou a Manila e incumbiu o rec\u00e9m-empossado presidente filipino, Benigno Aquino, de tomar posi\u00e7\u00e3o contra a China pela sua ocupa\u00e7\u00e3o das Ilhas Spratly e de aceitar a presen\u00e7a de cinco bases de Marines dos EUA. Manila entendia-se bem com Pequim, tendo negociado empr\u00e9stimos bonificados para infraestruturas das quais necessitava muito. Aquino fez o que lhe foi dito e aceitou que uma equipa jur\u00eddica liderada pelos EUA contestasse as reivindica\u00e7\u00f5es territoriais da China no Tribunal de Arbitragem da ONU em Haia. O tribunal concluiu que a China n\u00e3o tinha qualquer jurisdi\u00e7\u00e3o sobre as ilhas; um julgamento que a China categoricamente rejeitou. Foi uma pequena vit\u00f3ria numa campanha de propaganda americana visando retratar a China mais como territorialmente rapina do que como defensiva na sua pr\u00f3pria regi\u00e3o. O motivo foi o crescente receio da elite de seguran\u00e7a nacional\/militar\/midi\u00e1tica dos EUA de ter deixado de ser a pot\u00eancia dominante no mundo.<\/p>\n<p>No ano seguinte, em 2011, o presidente Obama declarou uma \u201cviragem para a China\u201d. Isso marcou a transfer\u00eancia da maioria das for\u00e7as navais e a\u00e9reas dos EUA para a regi\u00e3o da \u00c1sia-Pac\u00edfico, o maior movimento de equipamentos militares desde a Segunda Guerra Mundial. O novo inimigo de Washington &#8211; ou melhor, um inimigo de novo &#8211; era a China, que atingira extraordin\u00e1rios patamares econ\u00f4micos em menos de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam h\u00e1 muito tempo uma s\u00e9rie de bases em torno da China, da Austr\u00e1lia \u00e0s ilhas do Pac\u00edfico, passando pelo Jap\u00e3o, Coreia e Eur\u00e1sia. Estas est\u00e3o em vias de ser refor\u00e7adas e modernizadas. Quase metade da rede global dos EUA, que conta mais de 800 bases, cerca a China \u201ccomo o la\u00e7o corredi\u00e7o perfeito\u201d, disse um respons\u00e1vel do Departamento de Estado. Sob o pretexto do \u201cdireito \u00e0 liberdade de navega\u00e7\u00e3o\u201d, navios de baixo calado dos EUA entram nas \u00e1guas chinesas. Os drones americanos sobrevoam o territ\u00f3rio chin\u00eas. A ilha japonesa de Okinawa \u00e9 uma vasta base americana, com os seus contingentes preparados para um ataque \u00e0 China. Na ilha coreana de Jeju, os m\u00edsseis da classe Aegis s\u00e3o apontados a Xangai, a 640 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. A provoca\u00e7\u00e3o \u00e9 constante.<\/p>\n<p>Em 3 de outubro, pela primeira vez desde a Guerra Fria, os Estados Unidos amea\u00e7aram abertamente atacar a R\u00fassia, a aliada mais pr\u00f3xima da China, com quem a China tem um pacto de defesa m\u00fatua. Os media interessaram-se pouco pela quest\u00e3o. A China est\u00e1 a armar-se rapidamente; de acordo com a literatura especializada, Pequim mudou sua postura nuclear, passando de um alerta baixo para um alerta alto.<\/p>\n<p>Pessoas como Noam Chomsky dizem que o imp\u00e9rio americano est\u00e1 em decl\u00ednio. Pensa realmente isso? Nos \u00faltimos tempos, vimos os Estados Unidos tentarem chegar a um acordo com a Coreia do Norte; antes, eles tentaram restabelecer rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Cuba. O que indicam esses epis\u00f3dios? Acha que o mundo est\u00e1 se diversificando?<\/p>\n<p>O imp\u00e9rio americano enquanto ideia pode estar em decl\u00ednio, a ideia de uma \u00fanica pot\u00eancia dominante e a dolariza\u00e7\u00e3o da economia mundial, mas o poder militar dos EUA nunca foi t\u00e3o amea\u00e7ador. Uma nova guerra fria conduz ao isolamento dos Estados Unidos e \u00e9 um perigo para todos n\u00f3s. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, Norman Mailer [jornalista e romancista norte-americano] escreveu que o poder americano havia entrado em uma era \u201cpr\u00e9-fascista\u201d. Outros sugeriram que j\u00e1 estamos l\u00e1.<\/p>\n<p>Disse que um dos triunfos do s\u00e9culo XXI em mat\u00e9ria de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foi o slogan de Obama \u201ca mudan\u00e7a em que acreditamos\u201d. Disse tamb\u00e9m que a campanha mundial de assassinatos de Obama foi sem d\u00favida a mais dispendiosa campanha de terrorismo desde o 11 de Setembro de 2001. Por que foi t\u00e3o duro com Obama, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel da Paz? Que acha de Donald Trump e da sua presid\u00eancia?<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o fui duro com Obama. Foi Obama quem foi duro com grande parte da humanidade, ao contr\u00e1rio da sua muitas vezes absurda imagem midi\u00e1tica. Obama foi um dos mais violentos presidentes americanos. Lan\u00e7ou ou apoiou sete guerras e deixou o poder sem que nenhuma delas fosse resolvida: um recorde. Durante o seu \u00faltimo ano como presidente, em 2016, lan\u00e7ou 26.171 bombas, segundo o Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. \u00c9 uma estat\u00edstica interessante; trata-se de tr\u00eas bombas a cada hora, 24 horas por dia, principalmente sobre civis. A t\u00e9cnica de bombardeamento adotada por Obama foi o assassinato por meio de drones. Todas as ter\u00e7as-feiras, relatava o New York Times, ele escolhia os nomes daqueles que iriam morrer num \u201cprograma\u201d de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais. Todos os homens em idade militar no I\u00eamen e nas fronteiras do Paquist\u00e3o eram considerados inteiramente como animais. Ele multiplicou as opera\u00e7\u00f5es das for\u00e7as especiais dos EUA no mundo, especialmente em \u00c1frica. Juntamente com a Fran\u00e7a e a Gr\u00e3-Bretanha ele e sua secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton, destru\u00edram a L\u00edbia como Estado moderno com o falso e familiar pretexto de que o seu l\u00edder estava prestes a cometer um massacre de \u201cinocentes\u201d. Isso conduziu diretamente ao crescimento dos medievais Daesh [ou Estado Isl\u00e2mico] e uma vaga de emigra\u00e7\u00e3o de \u00c1frica para a Europa. Ele derrubou o presidente democraticamente eleito da Ucr\u00e2nia e instalou um regime abertamente apoiado pelo fascismo &#8211; como uma provoca\u00e7\u00e3o deliberada \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>A concess\u00e3o do Pr\u00eamio Nobel da Paz a Obama foi uma impostura. Em 2009, esteve no centro de Praga e prometeu a\u00ed ajudar a criar um mundo \u201clivre de armas nucleares\u201d. Na verdade, aumentou o n\u00famero de ogivas nucleares americanas e autorizou um programa de constru\u00e7\u00e3o nuclear de longo prazo de US$ 1 milhar de milh\u00f5es. Processou mais denunciantes, reveladores da verdade, do que todos os presidentes dos EUA juntos. O seu principal sucesso, pode dizer &#8211; foi p\u00f4r fim ao movimento antiguerras norte-americano. Os manifestantes regressaram a casa dando cr\u00e9dito \u00e0s mensagens de \u2018esperan\u00e7a\u2019 e \u2018paz\u2019 de Obama, e come\u00e7aram a acreditar nisso. A \u00fanica diferen\u00e7a de Obama foi ter sido o primeiro presidente negro na terra da escravid\u00e3o. Em quase todos os outros aspectos, ele era apenas outro presidente americano cuja constante afirma\u00e7\u00e3o era que os Estados Unidos eram \u201ca \u00fanica na\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel\u201d, o que presumia que outras na\u00e7\u00f5es eram dispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Talvez a intelig\u00eancia de Obama residisse na imagem que Obama e outros fabricaram e cultivaram com sucesso. Donald Trump tamb\u00e9m pode ser descrito como apenas outro presidente americano (violento). O que o distingue \u00e9 que ele \u00e9 uma caricatura. Muitos membros da elite americana detestam Trump, n\u00e3o por causa de seu comportamento pessoal, mas por causa de um embara\u00e7o muito mais profundo; ele \u00e9 a imagem crua da Am\u00e9rica, sem a m\u00e1scara.<\/p>\n<p>O seu filme The War on Democracy documenta o golpe de Estado orquestrado pelos Estados Unidos contra Hugo Ch\u00e1vez, que se opunha ao imperialismo, com a ajuda da burguesia de direita e capitalista da Venezuela. Isso n\u00e3o era novo para a maioria dos pa\u00edses latino-americanos. Hoje, por\u00e9m, vemos cada vez mais pa\u00edses do continente resistindo ao imperialismo americano. Fora de Cuba e da Venezuela, os governos de esquerda est\u00e3o no poder em pa\u00edses como a Bol\u00edvia e o Equador. Qual \u00e9 o significado disso? Hoje em dia, tamb\u00e9m ouvimos hist\u00f3rias de ofensivas de direita em pa\u00edses como a Venezuela e o Brasil. Como avalia o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico latino-americano?<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o concordo que \u201cmais e mais pa\u00edses [na Am\u00e9rica Latina] estejam resistindo ao imperialismo dos EUA\u201d. Pode ter sido verdade quando Hugo Ch\u00e1vez ainda estava vivo, mas mesmo ent\u00e3o os Estados Unidos nunca desistiram da sua influ\u00eancia no continente. Hoje, h\u00e1 apenas Bol\u00edvia, Nicar\u00e1gua e, claro, Venezuela. A Venezuela em luta pela sobreviv\u00eancia. A maior parte da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 de volta \u00e0 influ\u00eancia de Washington, especialmente o Brasil. O Equador, anteriormente esclarecido, \u00e9 outro exemplo eloquente. O governo obsequioso de L\u00e9nine Moreno convidou tropas norte-americanas a voltar e amea\u00e7ou abandonar Julian Assange. A opress\u00e3o econ\u00f4mica do FMI est\u00e1 novamente prejudicando a Argentina. Vers\u00f5es do Consenso de Washington, conhecido como neoliberalismo, dominam quase todo o continente. Cuba est\u00e1 calma, o que \u00e9 compreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, vimos denunciantes como Julian Assange e Edward Snowden revelarem documentos confidenciais que mostravam como funciona o sistema de poder. Notar\u00e1 que o WikiLeaks n\u00e3o fez nada mais do que \u2018The New York Times\u2019 e \u2018The Washington Post\u2019 tinham feito num celebrado passado \u2013 revelaram a verdade sobre guerras de rapina e as maquina\u00e7\u00f5es de uma elite corrupta.<\/p>\n<p>Disse que \u201co WikiLeaks \u00e9 um marco no jornalismo\u201d. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia dessas revela\u00e7\u00f5es? O que \u00e9 que elas nos ensinam?<\/p>\n<p>O WikiLeaks fez muito mais do que o New York Times e o Washington Post com todos os louros que estes t\u00eam. Nenhum jornal conseguiu igualar &#8211; ou chegar perto &#8211; os segredos e mentiras do poder que Assange e Snowden revelaram. O fato de os dois homens serem fugitivos testemunha o recuo das democracias liberais em rela\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da liberdade e da justi\u00e7a. Porque \u00e9 o WikiLeaks um marco no jornalismo? Porque as suas revela\u00e7\u00f5es nos disseram, com 100% de precis\u00e3o, como e por que uma grande parte do mundo \u00e9 dividida e dirigida.<\/p>\n<p>Como analisa a evolu\u00e7\u00e3o do panorama dos media na era digital? Por um lado, a Internet abriu uma vasta via de espa\u00e7o livre ou de plataforma independente. A Internet oferece um espa\u00e7o contra-narrativo, ao qual os grandes media corporativos n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o. Mas, por outro lado, grandes monop\u00f3lios digitais controlam o espa\u00e7o digital. Como v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o? Quais s\u00e3o os desafios a enfrentar?<\/p>\n<p>Os desafios est\u00e3o \u00e0 altura da nossa permissividade. Os dados digitais s\u00e3o a nova corrida ao ouro do capitalismo. A vigil\u00e2ncia digital \u00e9 o novo advers\u00e1rio da democracia. Ambos diferem apenas em forma e escala das in\u00fameras formas de poder a que as pessoas tiveram que resistir desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria. Hoje, todos n\u00f3s temos um p\u00e9 no mundo digital; temos a internet, que \u00e9 o poder. A maneira como desenvolvemos esse poder, em vez de o banalizar, depende da nossa disposi\u00e7\u00e3o de adotar princ\u00edpios intemporais de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Est\u00e1 envolvido em reportagens de guerra h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas. Cobriu a maioria das grandes guerras, incluindo a Guerra do Vietnam, a guerra no Iraque e a guerra no Afeganist\u00e3o. Um certo n\u00famero de pa\u00edses pratica uma pol\u00edtica de armamento crescente como pol\u00edtica econ\u00f4mica. O papel das grandes empresas de venda armas tamb\u00e9m \u00e9 importante. O que \u00e9 a economia pol\u00edtica da guerra?<\/p>\n<p>A economia pol\u00edtica da guerra na era moderna \u00e9 a economia pol\u00edtica dos Estados Unidos. Os Estados Unidos privam cerca de 80 milh\u00f5es dos seus cidad\u00e3os de cuidados de sa\u00fade adequados e gastam quase 60% do seu or\u00e7amento discricion\u00e1rio federal na prepara\u00e7\u00e3o para a guerra. A \u00cdndia tamb\u00e9m tem uma economia de guerra. Em 2018, a \u00cdndia ficou entre os cinco pa\u00edses que mais gastaram no campo militar, com um or\u00e7amento militar de US $63,9 milhares de milh\u00f5es, o que supera o da Fran\u00e7a. Quase metade do or\u00e7amento nacional \u00e9 dedicado a gastos militares. Quando fui \u00e0 \u00cdndia pela primeira vez, descobri outro mundo dentro de bases militares, habitado por pessoas saud\u00e1veis e bem nutridas, com \u00e1gua pot\u00e1vel e crian\u00e7as educadas. No exterior dessas bolhas magn\u00edficas, a \u00cdndia conta mais crian\u00e7as subnutridas do que qualquer outro pa\u00eds do mundo.<\/p>\n<p>S\u00edndrome do Vietnam<br \/>\nA Guerra do Vietnam foi um dos cap\u00edtulos mais sangrentos e mort\u00edferos do p\u00f3s-guerra. Come\u00e7ou as suas reportagens de guerra no Vietnam. Esta foi a primeira guerra televisionada. A Guerra do Vietnam \u00e9 a hist\u00f3ria do massacre de mais de tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas. Poderia falar-nos do horror que viu no Vietnam? Qual foi o papel dos meios de copmunica\u00e7\u00e3o ocidentais no Vietnam? Recentemente, captou a tentativa de reescrever a hist\u00f3ria da Guerra do Vietnam em manuais escolares norte-americanos. A pr\u00f3pria recorda\u00e7\u00e3o do Vietnam assombra o Estado mais poderoso do mundo?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho certeza de que \u201cassombrar\u201d seja a palavra certa. O que incomoda os apologistas americanos \u00e9 que o ex\u00e9rcito de \u2018na\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel\u2019 foi expulso da \u00c1sia por uma na\u00e7\u00e3o de camponeses, que ela sofreu uma derrota humilhante. Desde ent\u00e3o, eles t\u00eam procurado um \u2018melhor resultado\u2019, reescrevendo o que chamaram de \u2019s\u00edndrome do Vietnam\u2019, um eufemismo para o embara\u00e7o prolongado causado por uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de document\u00e1rios \u00e9pico de Ken Burns para a Public Broadcasting em 2017 come\u00e7ou com a seguinte declara\u00e7\u00e3o: \u2018A guerra foi desencadeada de boa-f\u00e9 por pessoas honestas como resultado de mal-entendidos fatais, do excesso de confian\u00e7a dos norte-americanos e dos mal-entendidos da guerra fria\u201d. A desonestidade desta declara\u00e7\u00e3o ignora os muitos falsos pretextos que levaram \u00e0 invas\u00e3o do Vietnam, como o \u201cincidente\u201d do golfo de Tonquim em 1964. N\u00e3o houve boa-f\u00e9. A f\u00e9 era podre e cancerosa e mais de quatro milh\u00f5es de pessoas morreram.<\/p>\n<p>Vi algo do sofrimento: o facto de o comandante norte-americano, general William Westmoreland, ter tomado por alvo civis a quem chamava \u201cbaratas\u201d. No delta do Mekong, ap\u00f3s um bombardeio, havia um cheiro de napalm e \u00e1rvores petrificadas enfeitadas com peda\u00e7os de corpos. Tamb\u00e9m testemunhei hero\u00edsmo. Em 1975, encontrei a \u00fanica sobrevivente de uma bateria antia\u00e9rea vietnamita, todas adolescentes; estava ajoelhada diante dos novos t\u00famulos de seus camaradas.<\/p>\n<p>O terrorismo \u00e9 o produto dos Estados<br \/>\nQuestionou a guerra dos EUA contra o terrorismo como um exemplo de hipocrisia e de duplicidade. Por que diz isso? Se assim for, a quest\u00e3o \u00e9 de saber como parar o terrorismo. At\u00e9 que ponto a amea\u00e7a do terrorismo \u00e9 um desafio para uma vida moderna e c\u00edvica?<\/p>\n<p>A grande maioria do terrorismo \u00e9 o produto dos Estados. O I\u00eamen \u00e9 atualmente v\u00edtima de incessantes atos de terrorismo por parte do Estado saudita, que patrocinou outras formas de terrorismo, nomeadamente os ataques de 11 de setembro. A \u201cguerra contra o terrorismo\u201d lan\u00e7ada em 2001 pelo presidente dos EUA, George W. Bush, foi na verdade, uma guerra de terror, matando milh\u00f5es de pessoas, na sua maioria mu\u00e7ulmanos. Estados poderosos, como os Estados Unidos e a Gr\u00e3-Bretanha, tornaram o terrorismo uma arma \u201cestrat\u00e9gica\u201d; o apoio ao jihadismo na L\u00edbia e na S\u00edria \u00e9 um exemplo not\u00e1vel disso. A conclus\u00e3o \u00e9 ou deveria ser \u00f3bvia: quando os governos pararem de promover o terrorismo, os ataques sangrentos nas suas pr\u00f3prias cidades provavelmente acabar\u00e3o.<\/p>\n<p>Disse que os Estados Unidos t\u00eam ao mesmo tempo \u201cbons terroristas\u201d e \u201cmaus terroristas\u201d. Quem s\u00e3o os bons e os maus terroristas da Am\u00e9rica?<\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o pode mudar sem aviso pr\u00e9vio. Atualmente, os sauditas s\u00e3o \u201cbons terroristas\u201d; na verdade, nem s\u00e3o chamados de terroristas. Os extremos terroristas maus &#8211; Al Qaeda &#8211; s\u00e3o agora bons terroristas que lutam ao lado dos Estados Unidos na sua longa guerra contra os xiitas. Historicamente, os curdos sempre foram ao mesmo tempo bons e maus terroristas; no Iraque, os curdos eram bons; na Turquia, eram maus. A designa\u00e7\u00e3o assentava em eles estarem ou n\u00e3o lutando contra o mais recente inimigo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o mundo viu a regi\u00e3o da \u00c1sia Ocidental tornar-se o ponto quente da interven\u00e7\u00e3o ocidental. Depois de 11 de setembro de 2001, essa interven\u00e7\u00e3o tomou a forma de duas guerras: a guerra no Afeganist\u00e3o e a guerra no Iraque. A islamofobia atingiu novos picos no Ocidente. A teoria do choque de civiliza\u00e7\u00f5es encontrou campe\u00f5es na m\u00e1quina estatal, sendo George Bush o melhor exemplo. Como situa historicamente os interesses ocidentais no M\u00e9dio Oriente e a ascens\u00e3o da islamofobia no Ocidente?<\/p>\n<p>Recomendo o trabalho do historiador brit\u00e2nico Mark Curtis, cujo livro Secret Affairs relata a estreita rela\u00e7\u00e3o entre o estado brit\u00e2nico e o islamismo extremista. O que est\u00e1 claro \u00e9 que organiza\u00e7\u00f5es como Daesh e Al-Qaeda eram o produto dos governos imperiais ocidentais.<\/p>\n<p>No Afeganist\u00e3o, os mujahidin poderiam ter permanecido uma influ\u00eancia tribal se n\u00e3o fosse a Opera\u00e7\u00e3o Ciclone, um plano liderado pelos Estados Unidos para transformar o Isl\u00e3 extremista numa for\u00e7a que expulsaria a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e derrubaria o estado sovi\u00e9tico. O que o Ocidente temia no M\u00e9dio Oriente era o que Gamal Abdel Nasser, no Egipto, chamava \u201cpan-arabismo\u201d. Temia que os povos \u00e1rabes se desembara\u00e7assem das cadeias do tribalismo e do feudalismo e controlassem e desenvolvessem os seus pr\u00f3prios recursos. Por esta raz\u00e3o, o \u00fanico governo progressista no Afeganist\u00e3o foi declarado \u201ccomunista\u201d e destru\u00eddo. Pela mesma raz\u00e3o, os palestinos s\u00e3o mantidos num estado de opress\u00e3o intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Com os Estados Unidos reconhecendo Jerusal\u00e9m como capital de Israel em 9 de dezembro de 2017, o sofrimento e o medo dos palestinos aumentaram. Como disse, eles s\u00e3o refugiados no seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Descreveu a agress\u00e3o contra a Palestina como a ocupa\u00e7\u00e3o militar mais longa da hist\u00f3ria moderna. poderia dizer-nos algo mais sobre a quest\u00e3o palestina? Quais s\u00e3o os interesses estrat\u00e9gicos e geopol\u00edticos dos Estados Unidos na regi\u00e3o? Qual \u00e9 o caminho para ser feita justi\u00e7a aos palestinos?<\/p>\n<p>Um dos principais objetivos dos Estados Unidos \u00e9 manter o Oriente M\u00e9dio num estado de incerteza, inst\u00e1vel e dividido por guerras tribais. John Bolton, o conselheiro de seguran\u00e7a nacional dos EUA, disse-o com grande satisfa\u00e7\u00e3o. Foi assim que os brit\u00e2nicos controlaram a regi\u00e3o. O centro de concep\u00e7\u00e3o dessa \u201cpol\u00edtica\u201d \u00e9 Israel, um anacronismo imperial imposto ao M\u00e9dio Oriente quando o mundo se descolonizava. Como o historiador israelita Ilan Pappe documenta no seu \u00faltimo livro, Israel foi concebido como uma pris\u00e3o para seus povos aut\u00f4nomos, os palestinos. Toda a hipocrisia ocidental reside em Israel. Bashar al-Assad \u00e9 designado como um monstro, mas Benjamin Netanyahu, um monstro supremo, goza de impunidade para controlar os palestinos e, em grande medida, o Congresso dos EUA, a Casa Branca e as C\u00e2maras do Parlamento em Londres.<\/p>\n<p>Essa impunidade manifestou-se recentemente quando Jeremy Corbyn, o l\u00edder trabalhista brit\u00e2nico que pode ser o pr\u00f3ximo primeiro-ministro brit\u00e2nico, foi alvo de uma campanha inteiramente falsa que o difama como antissemita. Em vez de a rejeitar com desprezo, Corbyn curvou-se a ela e traiu os seus muitos anos de apoio aos direitos dos palestinos aceitando uma defini\u00e7\u00e3o de sionismo que negava a Israel o seu verdadeiro estatuto de estado racista. No momento em que escrevo, os soldados israelitas massacram regularmente palestinos em Gaza, incluindo crian\u00e7as. Desde mar\u00e7o [2018], 77 palestinos desarmados tiveram que ser amputados, incluindo 14 crian\u00e7as; 12 ficaram paralisadas por toda a vida ap\u00f3s serem baleados nas costas. Nem um \u00fanico israelense ficou ferido.<\/p>\n<p>Aquilo a que chamamos globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, o capitalismo neoliberal. Provavelmente exp\u00f4s a primeira experi\u00eancia do programa de ajustamento estrutural na Indon\u00e9sia na d\u00e9cada de 1960. Diz que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre a implac\u00e1vel interven\u00e7\u00e3o do capital internacional nos mercados estrangeiros hoje e os de antes, quando eram apoiados por canhoneiras. Como jornalista familiarizado com o funcionamento do Estado profundo, poderia falar-nos sobre a evolu\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias econ\u00f4micas neoliberais? Como funciona isso hoje em dia?<\/p>\n<p>O neoliberalismo \u00e9 uma extens\u00e3o do que antes era chamado monetarismo, as duas vers\u00f5es ex\u00f3ticas ou extremas do capitalismo dominante. No Ocidente, sob a lideran\u00e7a de Margaret Thatcher e Ronald Reagan e seus hom\u00f3logos europeus, foi declarada uma \u201csociedade a dois ter\u00e7os\u201d. O ter\u00e7o superior seria enriquecido e pagaria pouco ou nenhum imposto. O ter\u00e7o m\u00e9dio seria \u201cambicioso\u201d, alguns de entre eles seriam \u201cbem-sucedidos\u201d num mundo impiedosamente competitivo e outros ficariam irrevogavelmente endividados. O ter\u00e7o inferior seria abandonado ou ser-lhe-ia oferecido um empobrecimento est\u00e1vel em troca da sua obedi\u00eancia. A rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas e o Estado mudaria de benigna para maligna. Uma nova classe de gestores educados no esp\u00edrito empresarial dos Estados Unidos, com a sua pr\u00f3pria \u201ccultura\u201d e vocabul\u00e1rio, supervisionaria a convers\u00e3o da social-democracia numa autocracia de empresa. O \u201cdebate\u201d p\u00fablico, gerido por meios de comunica\u00e7\u00e3o totalmente integrados, seria dominado por \u201cpol\u00edticas de identidade\u201d, todas as no\u00e7\u00f5es de classe banidas como \u201cfalsidades\u201d. Falsos dem\u00f4nios estrangeiros (liderados pela R\u00fassia, seguidos de perto pela China) seriam designados como \u201cinimigos necess\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>A unidade europeia \u00e9 propaganda<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia foi saudada como um sinal de unidade dos europeus e um modelo na era p\u00f3s-socialista. Mas o Brexit foi um grande golpe que atingiu essa propaganda. Qual \u00e9 o seu ponto de vista sobre a UE? Como analisa o Brexit e reivindica\u00e7\u00f5es semelhantes?<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 basicamente um cartel. N\u00e3o h\u00e1 \u2018livre com\u00e9rcio\u2019. Existem regras de exclusividade estabelecidas e controladas pelos bancos centrais, principalmente o banco central alem\u00e3o, com benef\u00edcios para os membros mais fracos, nomeadamente o movimento transfronteiri\u00e7o de m\u00e3o-de-obra, embora isso seja agora posto em causa. O objetivo central da UE \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do poder econ\u00f4mico dos mais fortes. Bruxelas \u00e9 uma burocracia centralizada; a democracia \u00e9 m\u00ednima. A \u201cunidade europeia\u201d de que voc\u00ea fala \u00e9 propaganda, promovida por aqueles que mais recebem da UE. O esmagamento da Gr\u00e9cia \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que a maioria dos brit\u00e2nicos parece ter entendido.<\/p>\n<p>O seu trabalho concentra-se em quem controla o destino da humanidade, de que forma na\u00e7\u00f5es poderosas, grandes empresas, a burguesia, lobbies poderosos fazem as leis e regras do mundo. A democracia parece ser a v\u00edtima disso. Apesar disso, temos hist\u00f3rias inspiradoras em todo o mundo sobre a resist\u00eancia contra essas for\u00e7as poderosas. \u00c9 otimista, e otimista no que diz respeito a um mundo melhor?<\/p>\n<p>Existem for\u00e7as inspiradoras de resist\u00eancia em muitos pa\u00edses, incluindo a \u00cdndia. Desde a minha primeira reportagem na \u00cdndia, na d\u00e9cada de 1960, emocionou-me o desejo das pessoas comuns, especialmente dos agricultores, de defender a justi\u00e7a na sua vida. A recente grande marcha [de 23 de Setembro a 2 de Outubro] de 50.000 agricultores de [Haridwar] em Uttar Pradesh, em Nova Deli, era t\u00edpica. Disciplinados, pol\u00edticos e engenhosos, eles t\u00eam muito a ensinar \u00e0queles de n\u00f3s que no Ocidente que imaginam que o protesto consiste em gozar com Trump ou assinar uma peti\u00e7\u00e3o dirigida ao deputado da sua zona. Quando o governo de Deli permitiu que a pol\u00edcia atacasse os fazendeiros no anivers\u00e1rio de Mahatma Gandhi, eles reagiram. A promessa pol\u00edtica de saber onde seus movimentos podem conduzir talvez seja o mais not\u00e1vel registro revolucion\u00e1rio do mundo hoje. Eles representam a luta dos povos e da agricultura em todo o mundo contra os bulldozer neoliberais do \u2018desenvolvimento urbano\u2019: o roubo do espa\u00e7o humano e sua convers\u00e3o numa mercadoria grotesca e lucrativa. O facto de os governos indianos n\u00e3o terem reagido aos suic\u00eddios de mais de 300.000 agricultores \u00e9 uma trag\u00e9dia hist\u00f3rica, mas pode ser revertida a qualquer momento. De certo modo, os agricultores indianos representam-nos a todos. Como Vandana Shiva escreve, a sua dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o e a sua resist\u00eancia constituem uma advert\u00eancia: a menos que a seguran\u00e7a sobre a terra, a seguran\u00e7a sobre as sementes e a agricultura perten\u00e7am ao povo, a coloniza\u00e7\u00e3o dos campos do mundo por gente como a Monsanto \u00e9 uma amea\u00e7a t\u00e3o s\u00e9ria para a exist\u00eancia humana quanto as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Claro que as pessoas nunca est\u00e3o paradas. Eles \u201clevantar-se-\u00e3o como um le\u00e3o depois de dormir \u2026\u2019, como Percy Bysshe Shelley escreveu \u2026 Quando a resist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel, \u00e9 ainda uma \u2019semente sob a neve\u2019. Nunca conheci tanta sensibiliza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico como hoje, mas reina tamb\u00e9m a confus\u00e3o. O \u201cpopulismo\u201d dos ocidentais, tantas vezes deturpado como reacion\u00e1rio, exprima ao mesmo tempo a disposi\u00e7\u00e3o de resistir e uma desorienta\u00e7\u00e3o sobre como o fazer. Isso vai mudar. O que nunca muda \u00e9 o medo dos poderosos do poder das pessoas comuns.<\/p>\n<p>O tipo de jornalismo que pratica \u00e9 realmente um desafio, e dif\u00edcil. Atrav\u00e9s de seus document\u00e1rios, artigos e outros trabalhos jornal\u00edsticos, questionou os Estados mais poderosos do mundo e suas fraudes democr\u00e1ticas. O que moldou o seu ponto de vista para se tornar uma voz dissidente no jornalismo? Quais s\u00e3o as suas influ\u00eancias e o que \u00e9 que o mant\u00e9m atento?<\/p>\n<p>Hoje, a maioria dos jornalistas estabelecidos s\u00e3o estafetas do poder. N\u00e3o s\u00e3o o \u201cmainstream\u201d, que \u00e9 uma palavra orwelliana. Um mainstream real tolera a dissid\u00eancia, n\u00e3o a censura. O que \u00e9 que moldou o meu ponto de vista? O fato de relatar a luta das sociedades pelo mundo fora, incluindo os seus triunfos, por m\u00ednimos que sejam, continua sendo uma influ\u00eancia duradoura. Ou talvez essas influ\u00eancias tenham in\u00edcio cedo na vida. \u201cApoiamos os oprimidos\u201d, disse-me minha m\u00e3e um dia, quando eu era pequeno. Eu gosto disso.<\/p>\n<p>John Pilger<\/p>\n<p>Entrevista com Jipson John e Jitheesh P.M., membros do Tricontinental: Institute for Social Research e que contribuem para v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, incluindo The Indian Express, o The Wire e o Montly Review. Podem ser contactados em jipsonjohn10@gmail.com e jitheeshpm91@gmail.com.<\/p>\n<p>https:\/\/www.odiario.info\/nova-guerra-fria-e-ameacas-iminentes\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21842\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[228],"class_list":["post-21842","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Gi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}