{"id":2185,"date":"2011-12-21T12:01:14","date_gmt":"2011-12-21T12:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2185"},"modified":"2011-12-21T12:01:14","modified_gmt":"2011-12-21T12:01:14","slug":"armas-nucleares-robos-militares-e-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2185","title":{"rendered":"Armas nucleares, rob\u00f4s militares e guerra"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Resumo: Faz-se uma breve refer\u00eancia, com alguns dados num\u00e9ricos, ao esfor\u00e7o financeiro que representa hoje a manuten\u00e7\u00e3o das despesas militares a n\u00edveis iguais ou superiores ao verificado no per\u00edodo da chamada &#8220;guerra fria&#8221;. Assinala-se a import\u00e2ncia crescente da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica com fins militares. Refere-se o surgimento da ciberguerra e as suas motiva\u00e7\u00f5es. Descreve-se a situa\u00e7\u00e3o actual no que toca ao desenvolvimento e utiliza\u00e7\u00e3o da arma nuclear. Apresenta-se a evolu\u00e7\u00e3o no campo da rob\u00f3tica militar, as consequ\u00eancias perversas da sua utiliza\u00e7\u00e3o em teatros de guerra ou para localizar e abater alvos humanos seleccionados. Apontam-se as armas ditas &#8220;n\u00e3o-letais&#8221; como instrumento de repress\u00e3o de &#8220;ac\u00e7\u00f5es de perturba\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica&#8221;. O texto \u00e9 acompanhado de numerosas refer\u00eancias que permitem aprofundar as quest\u00f5es apresentadas.<\/em> <\/p>\n<p>As despesas militares dos Estados Unidos da Am\u00e9rica s\u00e3o as mais altas do mundo [1] . Em 2011 ter\u00e3o ultrapassado os 700 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares [2] . Entre 2001 e 2011 mais do que duplicaram, a pre\u00e7os constantes. Em percentagem do PIB subiram de cerca de 3% para mais de 5%. A China com uma popula\u00e7\u00e3o cerca de quatro vezes maior, apresenta a segunda maior despesa militar mas a grande dist\u00e2ncia dos EUA (cerca de um sexto) [3] . Os EUA despendem cerca de 12 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais em ajuda militar a v\u00e1rios pa\u00edses estrangeiros na sua maior parte destinada ao Afeganist\u00e3o, Iraque, Israel, Paquist\u00e3o e pelo menos num passado pr\u00f3ximo ao Egipto [4] . A despesa militar dos EUA tem mantido uma tend\u00eancia crescente desde pelo menos 1998 [5] . Mesmo numa economia com a dimens\u00e3o da norte-americana, pode n\u00e3o ser sustent\u00e1vel no longo prazo a manuten\u00e7\u00e3o de um n\u00edvel t\u00e3o elevado de gastos militares [6]<\/p>\n<p>No decurso das duas \u00faltimas d\u00e9cadas, assistiu-se a uma evolu\u00e7\u00e3o e desenvolvimentos muito significativos no campo da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica para fins militares. Quatro dom\u00ednios merecem particular aten\u00e7\u00e3o: as armas nucleares; os rob\u00f4s militares; as armas de energia dirigida, ditas &#8220;n\u00e3o letais&#8221;; e a utiliza\u00e7\u00e3o da cibern\u00e9tica [7] para fins de espionagem ou com vista a disrup\u00e7\u00e3o ou desactiva\u00e7\u00e3o de sistemas ou equipamentos informatizados. Neste \u00faltimo dom\u00ednio, fala-se de &#8220;ciberguerra&#8221; e entende-se como tal, a intromiss\u00e3o (hacking) dolosa, politicamente motivada, em redes inform\u00e1ticas ou computadores do (suposto) inimigo com o fim de provocar danos ou disfuncionalidades. William Lynn, subsecret\u00e1rio da Defesa dos Estados Unidos, afirma que &#8220;como quest\u00e3o de doutrina, o Pent\u00e1gono reconheceu formalmente o ciberespa\u00e7o como um novo dom\u00ednio da arte da guerra&#8221; que &#8220;se tornou t\u00e3o cr\u00edtico do ponto de vista militar como o solo, o mar, o ar ou o espa\u00e7o (exterior).&#8221; [8]<\/p>\n<p>Neste contexto recorda-se a not\u00edcia vinda a p\u00fablico do ataque ocorrido em Setembro de 2010 ao parque de ultracentrifugadoras de Natanz, no Ir\u00e3o, de enriquecimento de ur\u00e2nio com vista \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o como combust\u00edvel nuclear. Neste caso foi usado o v\u00edrus Stuxnet at\u00e9 a\u00ed desconhecido [9] . O alvo do Stuxnet s\u00e3o sistemas de controlo usados em centrais el\u00e9ctricas e outras instala\u00e7\u00f5es industriais. A origem do v\u00edrus n\u00e3o foi publicamente identificada mas h\u00e1 raz\u00f5es que apontam para um projecto comum americano-israelense [10] .<\/p>\n<p>De acordo com um artigo recente do New York Times [11] , imediatamente antes de terem sido iniciados os raids americanos sobre a L\u00edbia, foi seriamente debatido no seio da administra\u00e7\u00e3o Obama, a possibilidade de lan\u00e7ar uma ofensiva cibern\u00e9tica com vista a p\u00f4r fora de servi\u00e7o os radares do sistema l\u00edbio de alerta precoce (&#8220;early warning&#8221;) contra ataques a\u00e9reos. A possibilidade foi afastada por raz\u00f5es pol\u00edtico-militares que n\u00e3o cabe analisar aqui. [12]<\/p>\n<p>Nos EUA foi criada em 2009 uma subunidade do Comando Estrat\u00e9gico das For\u00e7as Armadas com a designa\u00e7\u00e3o de Ciber-Comando (USCYBERCOM) a qual atingiu completa capacidade operacional em fins de 2010 [13] .<\/p>\n<p>No que respeita a engenhos nucleares para fins militares pode dizer-se que a amea\u00e7a nuclear continua presente e no essencial inalterada quando comparada a situa\u00e7\u00e3o actual com a que existia h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Quarenta e um anos depois da sua entrada em vigor, em 1990 [14] e ap\u00f3s oito Confer\u00eancias de Revis\u00e3o, mant\u00e9m-se o car\u00e1cter discriminat\u00f3rio do Tratado de n\u00e3o-prolifera\u00e7\u00e3o relativamente aos estados que n\u00e3o disp\u00f5em de armamentos nucleares e o desinteresse por parte das pot\u00eancias nucleares signat\u00e1rias do Tratado em dar os passos previstos no seu Artigo VI, no sentido do desarmamento nuclear e do desarmamento geral e completo.<\/p>\n<p>Em 1996 foi aprovado o Tratado Geral de Proibi\u00e7\u00e3o de Ensaios Nucleares (CTBT) [15] . A entrada em vigor do tratado depende, entre outros, da ratifica\u00e7\u00e3o pelo Congresso dos Estados Unidos, o que, 15 anos depois, ainda n\u00e3o aconteceu [16] . No entender de diversos observadores, o conhecimento que se tem das orienta\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es das administra\u00e7\u00f5es norte-americanas no dom\u00ednio nuclear ao longo dos \u00faltimos 20 anos, permite dizer que os EUA n\u00e3o t\u00eam qualquer inten\u00e7\u00e3o de prescindir da arma nuclear num futuro previs\u00edvel [17] . No complexo nuclear militar cient\u00edfico e industrial norte-americano prosseguem sem limita\u00e7\u00e3o de fundos os trabalhos de manuten\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de armas nucleares. A orienta\u00e7\u00e3o desses trabalhos pode resumir-se assim: desenvolver armas capazes de penetrar no solo e destruir alvos subterr\u00e2neos especialmente protegidos (&#8220;hardened&#8221;); e desenvolver armas cuja utiliza\u00e7\u00e3o seja politicamente exequ\u00edvel, entendendo-se por isto, cabe\u00e7as nucleares suscept\u00edveis de minimizar os chamados &#8220;efeitos colaterais&#8221; [18] .<\/p>\n<p>Rob\u00f4s, designadamente na forma de ve\u00edculos a\u00e9reos sem piloto (VASP) est\u00e3o a ser usados extensivamente e s\u00e3o alvo de constantes aperfei\u00e7oamentos para utiliza\u00e7\u00f5es militares quer em teatros de guerra quer na localiza\u00e7\u00e3o e abate de alvos humanos seleccionados, no que \u00e9 o equivalente de uma execu\u00e7\u00e3o extrajudicial [19] . Esta utiliza\u00e7\u00e3o, inaceit\u00e1vel e efectivamente perversa, abre a porta a novas formas de fazer a guerra. Rob\u00f4s militares e VASPs podem ser comandados ou &#8220;pilotados&#8221; a partir de uma consola de comando situada a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, gra\u00e7as \u00e0s possibilidades criadas pela exist\u00eancia de linhas de comunica\u00e7\u00e3o eficientes de alta qualidade [20] .<\/p>\n<p>Em anos recentes a utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s militares tem crescido extraordinariamente: aquando da invas\u00e3o do Iraque em 2003, as for\u00e7as dos EUA praticamente n\u00e3o possu\u00edam rob\u00f4s militares; j\u00e1 em 2010 as for\u00e7as armadas americanas dispunham de um n\u00famero global de cerca de 12 mil rob\u00f4s militares dos quais perto de 7000 eram VASPs \u2014 os chamados &#8220;drones&#8221;. Esta evolu\u00e7\u00e3o levanta quest\u00f5es s\u00e9rias nos planos \u00e9tico e legal. No que concerne \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o do pessoal envolvido na utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s militares, pode argumentar-se que se esfuma a distin\u00e7\u00e3o entre o &#8220;soldado&#8221; e o n\u00e3o-combatente, em particular no caso daqueles &#8220;pilotos&#8221; a dist\u00e2ncia e t\u00e9cnicos civis que tomam decis\u00f5es \u00e0 mesa ou consola de comando, se levantam no fim de um &#8220;dia de trabalho&#8221; e v\u00e3o para casa jantar com a fam\u00edlia [21] .<\/p>\n<p>Os &#8220;drones&#8221; foram utilizados pelos americanos nos Balc\u00e3s, no I\u00e9men (com apoio da CIA), na Som\u00e1lia, no Iraque, no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o (neste caso sob controlo da CIA, por raz\u00f5es que n\u00e3o podem ser examinadas aqui). Israel usou &#8220;drones&#8221; na faixa de Gaza [22] . No caso da ac\u00e7\u00e3o da CIA no Paquist\u00e3o a taxa dos chamados &#8220;danos colaterais&#8221; \u00e9 estimada em 1 militante para 10 civis abatidos [23] [24] .<\/p>\n<p>No que toca ao arsenal de armas de energia dirigida e outras, ditas &#8220;n\u00e3o-letais&#8221;, que visam sobretudo o controlo de movimentos ou manifesta\u00e7\u00f5es de massas em pa\u00edses ou regi\u00f5es pol\u00edtica ou socialmente inst\u00e1veis, mesmo no plano dom\u00e9stico, muito haveria a dizer mas o tempo dispon\u00edvel n\u00e3o o permite. Ficar\u00e1 assim para outra oportunidade [25] .<\/p>\n<p>Obrigado pela vossa aten\u00e7\u00e3o,19\/Novembro\/2011<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalissues.org\/article\/75\/world-military-spending\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalissues.org\/article\/75\/world-military-spending<\/a>. See also Financial Times.com, &#8220;Global military spending slows&#8221; John O&#8217;Doherty, April 11 2011.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o do Financial Times do passado dia 6 do corrente podia ler-se a afirma\u00e7\u00e3o de que, nos Estados Unidos, a degrada\u00e7\u00e3o de infra-estruturas f\u00edsicas essenciais \u2014 como estradas, pontes, barragens, redes el\u00e9ctricas, sistemas de abastecimento de \u00e1gua \u2014 era tal que o pa\u00eds se aproximava rapidamente de um estatuto (estou a citar) de &#8220;segundo mundo&#8221;. Acrescentava que os gastos com manuten\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o de infra-estruturas b\u00e1sicas se ficava por 2% do PIB, quatro vezes menos do que China.<\/p>\n<p>2 .Este n\u00famero inclui o or\u00e7amento base da defesa e tamb\u00e9m a despesa respeitante \u00e0s opera\u00e7\u00f5es no Iraque e no Afeganist\u00e3o mas n\u00e3o inclui as despesas do Departamento de Energia (DoE) com os programas respeitantes a armas nucleares. O valor indicado equivale a cerca de tr\u00eas vezes o valor estimado nesse ano para o PIB portugu\u00eas<\/p>\n<p>3. Entre 2000 e 2010 a despesa militar da R.P. da China ter\u00e1 passado de cerca de US$34kM para cerca de US$120kM, isto \u00e9, ter\u00e1 crescido cerca de 250%. Em 2010, os gastos militares dos EUA representavam cerca de 43% da despesa militar global do planeta. Os EUA e a R. P. da China em conjunto atingiam 50% da despesa mundial.<\/p>\n<p>4.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.theworld.org\/2011\/08\/defense-budget-tea-party\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.theworld.org\/2011\/08\/defense-budget-tea-party\/<\/a><\/p>\n<p>5. Cf. Christopher Hellman, &#8220;The Runaway Military Budget: An Analysis&#8221;, (Friends Committee on National Legislation, March 2006, no. 705, p. 3)<\/p>\n<p>6. Cf. &#8220;World Military Spending&#8221;, Global Issues (<a href=\"http:\/\/www.globalissues.org\/article\/75\/world-military-spending\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalissues.org\/article\/75\/world-military-spending<\/a> ) (2011)<\/p>\n<p>7. &#8220;Ci\u00eancia que investiga os mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o e de controlo nos organismos vivos e nas m\u00e1quinas.&#8221; (cf. Dicion\u00e1rio da Academia das Ci\u00eancias de Lisboa)<\/p>\n<p>8. Lynn, William J. III. &#8220;Defending a New Domain: The Pentagon&#8217;s Cyberstrategy&#8221;, Foreign Affairs, Sept\/Oct. 2010, pp. 97\u2013108<\/p>\n<p>9. Cf &#8220;Stuxnet worm brings cyber warfare out of virtual world&#8221;, Pascal Mallet (AFP) \u2013 Oct 1, 2010<\/p>\n<p>10. Cf. &#8220;U.S. Debated Cyberwarfare in Attack Plan on Libya&#8221;, Eric Schmitt and Thom Shanker, The New York Times, Published: October 17, 2011. A mesma fonte refere que tanto o Pent\u00e1gono como empresas com contratos militares s\u00e3o objecto e repelem regularmente, ataques \u00e0s suas redes de computadores, muitos deles alegadamente provenientes de fontes russas ou chinesas.<\/p>\n<p>11. Id., ib.; tratava-se de penetrar as barreiras inform\u00e1ticas de protec\u00e7\u00e3o contra intromiss\u00f5es (&#8220;fire wall&#8221;) das redes de computadores do governo l\u00edbio para cortar as linhas de comunica\u00e7\u00e3o com as baterias de m\u00edsseis do sistema de defesa antia\u00e9rea.<\/p>\n<p>12. Recentemente (Outubro de 2011) foi descoberto um novo v\u00edrus (&#8220;malwware&#8221;) que recebeu o nome de &#8220;Duku&#8221;. O Duku partilha grande parte do c\u00f3digo inform\u00e1tico do Stuxnet mas actua de forma diferente e com objectivos diferentes (cf. Discover Magazine, October 19th, 2011, artigo de Veronique Greenwood). O novo v\u00edrus, provavelmente com a mesma origem do Stuxnet, \u00e9 um &#8220;v\u00edrus espi\u00e3o&#8221;, destinado \u00e0 recolha de informa\u00e7\u00e3o sobre caracter\u00edsticas e organiza\u00e7\u00e3o interna de sistemas de redes e computadores, incluindo chaves de seguran\u00e7a, de modo a permitir futuros ataques destrutivos ou de incapacita\u00e7\u00e3o. O v\u00edrus n\u00e3o se reproduz e auto-extingue-se em 36 dias, provavelmente para dificultar a detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>13. Al\u00e9m dos EUA, o Reino Unido, a R.P. da China e as duas Coreias, pelo menos, ter\u00e3o posto de p\u00e9 estruturas de defesa contra riscos associados a ataques cibern\u00e9ticos. Barak Obama afirmou, em 2009, que tinham ocorrido situa\u00e7\u00f5es de intrus\u00e3o cibern\u00e9tica nas redes el\u00e9ctricas dos EUA com fim de avaliar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a das redes (Cf.&#8221; China&#8217;s Cyberassault on America&#8221;, Richard Clarke in The Wall Street Journal, Junho 15, 2011)<\/p>\n<p>14. O TNPN obriga nesta data 189 estados, incluindo os cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a<\/p>\n<p>15. Aprovado na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas por uma maioria superior a dois ter\u00e7os dos estados membros.<\/p>\n<p>16. Os outros estados de cuja ratifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 dependente a entrada em vigor do CNTBT s\u00e3o: China, Egipto, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Ir\u00e3o, Israel, Coreia do Norte e Paquist\u00e3o<\/p>\n<p>17. O chefe do Comando Estrat\u00e9gico dos EUA, general Kevin Chilton, declarou recentemente o seguinte \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social: &#8220;Quando olhamos para o futuro \u2014 e \u00e9 minha convic\u00e7\u00e3o que precisaremos de um dissuasor nuclear neste pa\u00eds para o que resta do s\u00e9culo, o s\u00e9culo XXI \u2014 penso que aquilo de que necessitamos \u00e9 de uma arma nuclear modernizada compat\u00edvel com os nossas tamb\u00e9m modernizadas plataformas de lan\u00e7amento&#8221;. Cf. A elucidativa Informa\u00e7\u00e3o de Andrew Lichterman ,para a Western States Legal Foundation: &#8220;Nuclear Weapons Forever: The U.S. Plan to Modernize its Nuclear Weapons Complex&#8221; (2008) (<a href=\"http:\/\/www.wslfweb.org\/docs\/ctbrief.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.wslfweb.org\/docs\/ctbrief.pdf<\/a> )<\/p>\n<p>18. Ver nota anterior<\/p>\n<p>19. Ver &#8220;Resolu\u00e7\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s militares&#8221;, Comiss\u00e3o Internacional para o Desarmamento, a Seguran\u00e7a e a Paz (ICD), da Federa\u00e7\u00e3o Mundial dos Trabalhadores Cient\u00edficos, Paris, Maio de 2011 (<a href=\"http:\/\/www.otc.pt\/index.php\/noticias\/fmtc\/43-robosmilit\" target=\"_blank\">http:\/\/www.otc.pt\/index.php\/noticias\/fmtc\/43-robosmilit<\/a>)<\/p>\n<p>20. H\u00e1 raz\u00f5es para dizer que a utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s no campo de batalha ou em miss\u00f5es ofensivas de sobrevoo fora dele, representa a mais profunda transforma\u00e7\u00e3o da arte militar desde o advento da bomba at\u00f3mica.<\/p>\n<p>21. No quadro do programa de expans\u00e3o da automatiza\u00e7\u00e3o de teatro de opera\u00e7\u00f5es, a for\u00e7a A\u00e9rea dos EUA tem neste momento em forma\u00e7\u00e3o um n\u00famero de operadores de &#8220;drones&#8221; superior ao de pilotos de avi\u00f5es de ca\u00e7a e de bombardeiros tomados em conjunto. A meta para a robotiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas dos EUA \u00e9 de 15% para 2015. Cf. &#8220;US Air Force prepares drones to end era of fighter pilots&#8221;, The Guardian, Edward Helmore in New York, 23 August 2009\u00a0<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2009\/aug\/22\/us-air-force-drones-pilots-afghanistan\" target=\"_blank\">www.guardian.co.uk\/world\/2009\/aug\/22\/us-air-force-drones-pilots-afghanistan<\/a> )<\/p>\n<p>22. A Turquia que pretende adquirir drones aos EUA p\u00f4s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos americanos uma base a\u00e9rea que \u00e9 utilizada por uma esquadra de drones das FFAA dos EUA. Os drones armados disparam em regra m\u00edsseis Hellfire ou Scorpion, estes de menor poder destrutivo numa tentativa para reduzir os danos colaterais.<\/p>\n<p>23. Cf, &#8220;Do Targeted Killings Work?&#8221;, Daniel L. Byman, Senior Fellow, Foreign Policy, Saban Center for Middle East Policy (<a href=\"http:\/\/www.brookings.edu\/opinions\/2009\/0714_targeted_killings_byman.aspx?p=1\" target=\"_blank\">http:\/\/www.brookings.edu\/opinions\/2009\/0714_targeted_killings_byman.aspx?p=1<\/a>)<\/p>\n<p>24. O arsenal de rob\u00f4s militares de reconhecimento e ataque \u00e9 vasto.<\/p>\n<p>Diversas fontes referem-se aos trabalhos de desenvolvimento tecnol\u00f3gico de robots-espi\u00f5es com apar\u00eancia e dimens\u00f5es semelhantes \u00e0s de um insecto, capazes de voar como insectos e passar despercebidos. Entretanto decorrem tamb\u00e9m trabalhos que visam a utiliza\u00e7\u00e3o de insectos reais em que s\u00e3o implantados cirurgicamente dispositivos (&#8220;chips&#8221;) electr\u00f3nicos que permitem comandar \u00e0 dist\u00e2ncia o seu voo e comportamento. Esses dispositivos enviam tamb\u00e9m sinais que cont\u00eam diversas informa\u00e7\u00f5es que interessam aos operadores. Os &#8220;chips&#8221; s\u00e3o implantados nos insectos de prefer\u00eancia durante a fase de desenvolvimento da cris\u00e1lida antes da metamorfose final do insecto. Trabalhos deste tipo est\u00e3o em desenvolvimento no departamento das For\u00e7as Armadas dos EUA designado por DARPA (Defense Advanced Research Project Agency). Os insectos modificados s\u00e3o usualmente chamados &#8220;Cyborgs&#8221; ou &#8220;Cybugs&#8221;.<\/p>\n<p>Os robots j\u00e1 utilizados ou que se encontram em fase de prot\u00f3tipo, t\u00eam as mais variadas formas e dimens\u00f5es, e finalidades m\u00faltiplas. Tipicamente desempenham fun\u00e7\u00f5es de espionagem, vigil\u00e2ncia, identifica\u00e7\u00e3o de alvos e reconhecimento. Os sensores utilizados permitem a recolha de imagens \u00f3pticas, que chegam a cobrir um \u00e2ngulo de 360\u00ba, sinais de radar, radia\u00e7\u00e3o infravermelha, microondas e radia\u00e7\u00e3o ultravioleta. S\u00e3o tamb\u00e9m usados sensores qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Sensores biol\u00f3gicos s\u00e3o sensores que podem detectar a presen\u00e7a no ar de microrganismos e outros agentes biol\u00f3gicos. Os sensores qu\u00edmicos podem detectar a presen\u00e7a e concentra\u00e7\u00e3o no ar de elementos qu\u00edmicos diversos por meio de espectrometria de laser.<\/p>\n<p>25. Existe uma consider\u00e1vel diversidade das ditas &#8220;armas n\u00e3o-letais&#8221;: feixes de energia dirigidos (infravermelhos); geradores de impulsos sonoros de alta intensidade; proj\u00e9cteis que actuam por efeito de impacto, descargas el\u00e9ctricas, dispers\u00e3o de agentes qu\u00edmicos ou biol\u00f3gicos; barreiras electromagn\u00e9ticas (&#8220;active denial systems&#8221;); indu\u00e7\u00e3o externa de sons e imagens, por ac\u00e7\u00e3o de campos electromagn\u00e9ticos que actuam sobre os circuitos neurol\u00f3gicos do sistema nervoso central, e outros. Um olhar r\u00e1pido sobre esta parafern\u00e1lia de instrumentos e sistemas ditos &#8220;n\u00e3o-letais&#8221; pode n\u00e3o deixar entender todos os seus poss\u00edveis destinos, as motiva\u00e7\u00f5es para o seu dom\u00ednio e suas implica\u00e7\u00f5es. Neste contexto \u00e9 \u00fatil citar aqui um documento j\u00e1 referenciado em trabalho anterio. Cf. &#8220;Crowd Behavior, Crowd Control, and the Use of Non-Lethal Weapons&#8221;, Institute for Non-Lethal Defense Technologies, Human Effects Advisory Panel, Report of Findings, Pennsylvania State University, 1 January 2001. O relat\u00f3rio \u00e9 o resultado de um estudo efectuado sob contrato com o Corpo de Marines dos EUA.<\/p>\n<p><em>* Membro da Presid\u00eancia do Conselho Portugu\u00eas para a Paz e Coopera\u00e7\u00e3o, Doutor em F\u00edsica e Engenharia Nucleares pelas Universidades de Karlsruhe e Lisboa, Vice-Presidente do Conselho Executivo da Federa\u00e7\u00e3o Mundial dos Trabalhadores Cient\u00edficos (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fmts-wfsw.org\/\" target=\"_blank\">www.fmts-wfsw.org<\/a> ), Presidente da Direc\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Cient\u00edficos (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.otc.pt\/\" target=\"_blank\">www.otc.pt<\/a> ), Investigador-coordenador aposentado do Instituto Tecnol\u00f3gico e Nuclear. Interven\u00e7\u00e3o realizada no Conselho Portugu\u00eas para a Paz e Coopera\u00e7\u00e3o, 7\/Dezembro\/2011<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot.\n\n\n\n\n\n\n\n\nFrederico Gama Carvalho*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2185\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-zf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}