{"id":2188,"date":"2011-12-21T12:17:28","date_gmt":"2011-12-21T15:17:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2188"},"modified":"2017-08-25T00:32:21","modified_gmt":"2017-08-25T03:32:21","slug":"a-invasao-silenciosa-dos-eua-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2188","title":{"rendered":"A INVAS\u00c3O SILENCIOSA DOS EUA NA AM\u00c9RICA LATINA"},"content":{"rendered":"\n<p>Cronicon.net<\/p>\n<p>O Observatorio Latinoamericano<\/p>\n<p>Adital<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: ADITAL<\/p>\n<p>Para falar sobre os planos da ultradireita latino-americana, que \u00e9 um instrumento de Washington na regi\u00e3o, e analisar a atual conjuntura pol\u00edtica do continente, o Observat\u00f3rio Sociopol\u00edtico Latinoamericano \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cronicon.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">http:\/\/www.cronicon.net\/<\/a> dialogou, em Buenos Aires , com Stella Calloni.<\/p>\n<p>Acompanhados por um bom caf\u00e9 no Centro Cultural da Coopera\u00e7\u00e3o Floreal Gorini, em plena Avenida Corrientes , a investigadora nos fez uma consciente an\u00e1lise da realidade latino-americana e da inger\u00eancia estadunidense.<\/p>\n<p>Calloni \u00e9 uma jornalista experiente; escritora e poetisa. Foi correspondente de guerra na Am\u00e9rica Central e se especializou em pol\u00edtica internacional. Em sua vasta obra publicada est\u00e3o inclu\u00eddas cr\u00f4nicas, ensaios e livros, entre outros, como Torrijos y el Canal de Panam\u00e1 (1975); La guerra encubierta contra Contadora (1993); Nicaragua: el tercer d\u00eda (1986); Panam\u00e1, peque\u00f1a Hiroshima (1992); Los a\u00f1os del lobo: Operaci\u00f3n C\u00f3ndor (1999); Operaci\u00f3n C\u00f3ndor, pacto criminal (2001); Argentina: de la crisis a la resistencia (2002); la invasi\u00f3n a Irak, guerra imperial y resistencia (2002); Am\u00e9rica Latina siglo XXI (2004); Evo en la mira. CIA y DEA en Bolivia (2009).<\/p>\n<p>Atualmente, \u00e9 correspondente do Cone Sul para o di\u00e1rio La Jornada , do M\u00e9xico e tamb\u00e9m atua como docente universit\u00e1ria. Entre as m\u00faltiplas distin\u00e7\u00f5es que recebeu, destacam-se o Premio Latinoamericano Jos\u00e9 Mart\u00ed (1986); Premio Madres de Plaza de Mayo (1998); Premio Margarita Ponce Derechos Humanos de la Uni\u00f3n de Mujeres Argentinas y Premio Latinoamericano de Periodismo Samuel Chavkin, da revista Nacla Report of the Americas de Nueva York, ambos em 2001; al\u00e9m do Premio Escuela de Comunicaciones de la Universidad de la Plata , Argentina (2002).<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, percorreu praticamente toda a Am\u00e9rica Latina, bem como v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, da \u00c1frica. Portanto, suas an\u00e1lises s\u00e3o feitas a partir de apalpar a realidade no pr\u00f3prio terreno. \u00c9 conferencista internacional sobre temas de geopol\u00edtica latino-americana e sobre direitos humanos.<\/p>\n<p>A INVAS\u00c3O SILENCIOSA DOS EUA NA AM\u00c9RICA LATINA<\/p>\n<p>&#8211; A senhora considera que a inger\u00eancia dos Estados Unidos tem se configurado de maneira mais sutil, ou continua sendo mantida a mesma estrat\u00e9gia de finais de s\u00e9culo XX para dominar os povos?<\/p>\n<p>&#8211; Se eles, em todos os seus documentos de pol\u00edtica exterior, come\u00e7aram a considerar que deviam levar em conta a Doutrina Monroe (&#8220;Am\u00e9rica para os americanos\u201d) equivale assinalar que ela continua sendo a base de muitas coisas que eles fazem, com algo muito mais grave: agora o lema \u00e9 &#8220;o mundo para os americanos\u201d. Tudo isso, mais a reconfigura\u00e7\u00e3o que aconteceu ap\u00f3s as Torres G\u00eameas, que \u00e9 um fato que ainda n\u00e3o sabemos quem \u00e9 o respons\u00e1vel; pois, poder\u00e3o dizer o que queiram, mas provas n\u00e3o existem de nenhuma esp\u00e9cie; \u00e9 como se voc\u00ea me dissesse que algu\u00e9m possa me dar uma prova de que a pessoa que mataram no Paquist\u00e3o era Bin Laden. N\u00e3o h\u00e1 provas; n\u00e3o existem e o que Estados Unidos digam, para mim n\u00e3o tem nenhuma veracidade, porque mentem eternamente. Ap\u00f3s a configura\u00e7\u00e3o dessa doutrina de seguran\u00e7a hemisf\u00e9rica, come\u00e7a tamb\u00e9m a nova doutrina de guerra preventiva, de guerra sem fronteiras e sem limites; desconhecendo as soberanias nacionais, ao mesmo tempo em que executam outra vertente de trabalho, que \u00e9 sutil: o envio de todas essas funda\u00e7\u00f5es que nasceram durante o esplendor conservador de Reagan para evitar a presen\u00e7a direta da CIA, sobretudo depois de 1975, quando se formou a Comiss\u00e3o Church no Senado estadunidense para investigar o papel dessa Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia no golpe de Estado no Chile, o que motivou que, nos anos 80, a renova\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de conflitos e de guerra de baixa intensidade, que tem como base a contrainsurg\u00eancia, que, em linguagem norte-americana, \u00e9 a permiss\u00e3o aberta para todo tipo de ilegalidade no plano militar, pol\u00edtico, cultural, social, econ\u00f4mico etc. Quando j\u00e1 se recicla para o per\u00edodo dos anos 90, s\u00e3o conformadas a NED (National Endowment for Democracy, funda\u00e7\u00e3o para a democracia; por\u00e9m, ter\u00edamos que perguntar-nos que tipo de democracia), a Usaid (a ag\u00eancia internacional para o desenvolvimento, que nunca teve esse papel). Mas, sabemos que onde se instala esse organismo, h\u00e1 uma interfer\u00eancia direta dos Estados Unidos e a CIA est\u00e1 por tr\u00e1s. Com isso, conseguiram a invas\u00e3o silenciosa na Am\u00e9rica Latina. Pude verificar isso diretamente no pr\u00f3prio terreno, por exemplo, na Bol\u00edvia, e observei como essas funda\u00e7\u00f5es trabalham, criando ONGs, que cumprem um papel chave na guerra de baixa intensidade; isto \u00e9, desestabiliza\u00e7\u00e3o de governos; intromiss\u00e3o em lugares; trabalho com grupos ind\u00edgenas, como \u00e9 o caso boliviano, no qual buscaram um l\u00edder ind\u00edgena para faz\u00ea-lo aparecer, com o prop\u00f3sito de substituir a Evo Morales. Infelizmente, os governos latino-americanos ainda s\u00e3o muito d\u00e9beis e n\u00e3o t\u00eam a suficiente clareza no sentido de que devem deter esse intervencionismo que pode levar a situa\u00e7\u00f5es muito complicadas. De fato, no golpe de Estado na Venezuela, estavam a NED, a Usaid e outras funda\u00e7\u00f5es, inclusive socialdemocratas da Europa, que ficaram metidas no esquema internacional da CIA.<\/p>\n<p>A ULTRADIREITA MILITAR LATINO-AMERICANA<\/p>\n<p>&#8211; E no golpe de Estado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya?<\/p>\n<p>&#8211; Em Honduras, tamb\u00e9m; e a\u00ed a interven\u00e7\u00e3o teve tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de Unoam\u00e9rica, sobre a qual a Col\u00f4mbia deve ter muito cuidado e estar bem atenta \u00e0s suas atua\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma funda\u00e7\u00e3o que nasceu na Col\u00f4mbia, com um grupo de militares da ultradireita e com v\u00e1rios ex-militares de todas as ditaduras da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&#8211; Qual \u00e9 seu prop\u00f3sito?<\/p>\n<p>&#8211; O prop\u00f3sito \u00e9 praticamente executar a Opera\u00e7\u00e3o Condor levada a outro plano. Apesar de que a Opera\u00e7\u00e3o Condor n\u00e3o pode ser repetida. Unoam\u00e9rica coincide no trabalho supranacional para poder mover-se sem nenhum limite nos v\u00e1rios pa\u00edses. Esses militares de ultradireita sustentam o mesmo que na \u00e9poca do Plano Condor, no sentido de que assim como o Cone Sul tinha que combater a coordenadora guerrilheira que havia se integrado nos anos 70, agora tem que enfrentar tanto os governos de esquerda, que participam no F\u00f3rum S\u00e3o Paulo, quanto a Unasul, a qual consideram igualmente uma organiza\u00e7\u00e3o supranacional; portanto, eles devem atuar para evitar o comunismo, porque falam do comunismo como se fosse no tempo da Guerra Fria. Por isso, nuclearam ao pior que encontram de militares envolvidas nas ditaduras latino-americanas e realizam um trabalho especial dentro dos grupos de seguran\u00e7a dos ex\u00e9rcitos e das pol\u00edcias, reciclando o discurso anticomunista do passado. Fazem um trabalho nas For\u00e7as Militares da regi\u00e3o porque t\u00eam suas velhas conex\u00f5es e, por isso, jogaram um papel determinante no golpe de Estado em Honduras. Alejandro Pe\u00f1a Esclusa, que hoje est\u00e1 preso na Venezuela e que \u00e9 o presidente de Unoam\u00e9rica, foi condecorado por Roberto Micheletti por sua colabora\u00e7\u00e3o efetiva para dar o golpe. Unoam\u00e9rica prov\u00ea mercen\u00e1rios, faz contrainsurg\u00eancia para as necessidades da CIA, se move por toda a Am\u00e9rica Latina; v\u00e1rios de seus integrantes estiveram na Bol\u00edvia metidos no golpe de Estado que tentaram contra Evo Morales e, sobretudo, na tentativa de assassin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Conhecendo\u00a0o\u00a0ex-presidente colombiano,\u00a0o t\u00e3o questionado \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez, que papel ele joga em Unoam\u00e9rica, de acordo com suas investiga\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>&#8211; V\u00e1rios militares que fazem parte de Unoam\u00e9rica, segundo os registros que tenho, ap\u00f3iam aos grupos paramilitares na Col\u00f4mbia e s\u00e3o muito pr\u00f3ximos a Uribe. Na Argentina, temos j\u00e1 a lista dos vinculados a essa funda\u00e7\u00e3o, que \u00e9 encabe\u00e7ada pelo coronel do grupo de caras-pintadas, Jorge Mones Ruiz, bem como h\u00e1 militares da ultradireita boliviana, uruguaia; eles buscaram os remanescentes das velhas ditaduras latino-americanas e se ap\u00f3iam politicamente em grupos ultradireitistas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Geopoliticamente falando, nas atuais circunst\u00e2ncias, quais s\u00e3o os aliados mais importantes dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina?<\/p>\n<p>&#8211; Geopoliticamente, enquanto est\u00e1 a invas\u00e3o silenciosa, por cima est\u00e3o mandando tropas e o porta-avi\u00f5es dos Estados Unidos na regi\u00e3o obviamente \u00e9 a Col\u00f4mbia com todas as suas bases militares e com sua estrutura. Al\u00e9m disso, o golpe de Honduras conservou a base de Palmerola e as novas como a Base de Gracia de Dios, que lhes permite controlar a Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui na Argentina, existe o convencimento de que na Col\u00f4mbia est\u00e3o operando as sete bases que o governo de Uribe entregou ao Comando Sul dos Estados Unidos. No entanto, a Corte Constitucional proibiu a utiliza\u00e7\u00e3o dessas bases. Segundo suas investiga\u00e7\u00f5es, ditas bases militares est\u00e3o realmente operando?<\/p>\n<p>&#8211; Na realidade est\u00e3o a\u00ed. \u00c9 algo muito similar ao que acontece com a Base Mariscal Estigarribia, do Paraguai, ou com a Base de Palmerola, em Honduras. A\u00ed , o que existem s\u00e3o pistas onde podem aterrizar avi\u00f5es grandes, como t\u00eam feito na Col\u00f4mbia. Essas bases n\u00e3o est\u00e3o ocupadas permanentemente por soldados norte-americanos porque eles nunca se metem em lugares fechados. Agora, os Estados Unidos n\u00e3o necessitam enviar soldados para fazer funcionar as bases militares; mas as t\u00eam \u00e0 sua inteira disposi\u00e7\u00e3o. Obviamente, t\u00eam tudo preparado para se acaso necessitam mandar tropas. Ou, como acontecia na Bol\u00edvia, em que metiam uma estrutura da DEA dentro de uma base, que utilizaram quando quiseram matar Evo Morales, na \u00e9poca em que era deputado. Algo parecido est\u00e3o fazendo na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>JUAN MANUEL SANTOS E SUA RELA\u00c7\u00c3O COM O MOSSAD<\/p>\n<p>&#8211; Na Col\u00f4mbia tamb\u00e9m operam o Mossad (Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Israelita) e o Mi6 (Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia Ingl\u00eas). Em outros pa\u00edses latino-americanos tamb\u00e9m operam?<\/p>\n<p>&#8211; O Mossad est\u00e1 no Paraguai, na Bol\u00edvia, na Venezuela e na Guatemala. Na Venezuela, sua presen\u00e7a \u00e9 muito forte e na Col\u00f4mbia opera h\u00e1 muitos anos, inclusive, antes que chegasse seu agente Yair Klein, que treinava e trazia da Jamaica armas para os grupos paramilitares. O problema \u00e9 que o Mossad, atualmente, tem mais for\u00e7a do que a CIA; v\u00e1rios de seus membros se infiltram em comunidades judias dos pa\u00edses latino-americanos; por\u00e9m, al\u00e9m disso, est\u00e3o presentes no Iraque e na L\u00edbia. Nas tarefas e na dire\u00e7\u00e3o de todas as movidas de guerra suja, o Mossad \u00e9 chave. No caso colombiano, o presidente Santos \u00e9 filho do Mossad e ele n\u00e3o pode separar-se de Israel. N\u00e3o se pode esquecer o papel que Santos jogou no ataque a Sucumb\u00edos, quando a soberania equatoriana foi violada, para atacar o acampamento de Ra\u00fal Reyes. Recordo o sorriso de hiena de Santos quando mataram esse chefe guerrilheiro. N\u00e3o creio que Santos queira a paz na Col\u00f4mbia, como Israel tampouco a quer; o que ele deseja terminantemente \u00e9 exterminar de qualquer maneira a um grupo pol\u00edtico-militar insurgente.<\/p>\n<p>&#8211; E no M\u00e9xico, cuja situa\u00e7\u00e3o social \u00e9 muito explosiva?<\/p>\n<p>&#8211; Nessa ocupa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, do Plano Col\u00f4mbia, que \u00e9 um plano de recoloniza\u00e7\u00e3o do continente, passaram para o Plano M\u00e9rida, do M\u00e9xico. Esse plano \u00e9 uma c\u00f3pia do Plano Col\u00f4mbia e, de fato, em seis anos, o M\u00e9xico caiu em uma viol\u00eancia atroz. Nesse lapso, temos o mesmo n\u00famero de mortos que na Col\u00f4mbia e a isso devemos somar a destrui\u00e7\u00e3o do campo mexicano e da cultura profunda dos povos, com o Tratado de Livre Com\u00e9rcio que assinou com os Estados Unidos e com o Canad\u00e1.<\/p>\n<p>DESINFORMA\u00c7\u00c3O, ARMA DE GUERRA<\/p>\n<p>&#8211; Falemos de outro aspecto fundamental para condicionar os povos, que \u00e9 a guerra midi\u00e1tica&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; A guerra midi\u00e1tica \u00e9 parte do projeto contrainsurgente. Hoje, a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma arma de guerra utlizada para armar um projeto de guerra como aconteceu no Iraque, com a inven\u00e7\u00e3o das armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, ou com o que aconteceu na L\u00edbia, onde nunca houve um bombardeio de Gadafi contra a popula\u00e7\u00e3o civil, o que est\u00e1 totalmente provado. Para controlar o mundo, necessitam controlar a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; A senhora denunciou o aproveitamento das m\u00e1fias durante a etapa de esplendor do neoliberalismo&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Um dos aspectos que temos que identificar nesse per\u00edodo hist\u00f3rico \u00e9 a presen\u00e7a mafiosa nos governos. Os Estados Unidos est\u00e3o sob o poder de m\u00e1fias; sempre as usou para seus jogos. Necessitam da m\u00e1fia; n\u00e3o podem sobreviver a esse esquema sem ela. Quem recebe a droga nos Estados Unidos: Onde \u00e9 recebida? Mas, vem matar no lado mexicano; por\u00e9m, por que n\u00e3o se dedicam a pescar do outro lado aos que recebem a droga? Por que os avi\u00f5es carregados de droga chegavam \u00e0s bases do Comando Sul, na Florida? E n\u00e3o era Manuel Antonio Noriega quem a mandava, porque ele n\u00e3o tinha nenhuma capacidade de operar com o Comando Sul. Mentiram de uma forma descarada na invas\u00e3o do Panam\u00e1 (em 20\/12\/1989) e percebi tudo porque eu estava l\u00e1. A g\u00eanese de todas as interven\u00e7\u00f5es tem uma mentira por detr\u00e1s e um aparelho de desinforma\u00e7\u00e3o, que agora \u00e9 mais f\u00e1cil porque controlam tudo.<\/p>\n<p>A LIDERAN\u00c7A DE CH\u00c1VEZ<\/p>\n<p>&#8211; Apesar de uma matriz de manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, boa parte das pessoas na Am\u00e9rica Latina j\u00e1 n\u00e3o acreditam, e isso pode ser observado em pa\u00edses como a Venezuela, o Equador, a Bol\u00edvia, a Argentina, o Uruguai&#8230; Que pensa?<\/p>\n<p>&#8211; O que acontece \u00e9 que n\u00e3o entenderam que o processo neoliberal iria trazer uma realidade social terr\u00edvel e as pessoas come\u00e7aram a ter um olhar distinto. Isso aconteceu em pa\u00edses como a Venezuela, com Ch\u00e1vez, cujo povo passou a ser pensante e consciente.<\/p>\n<p>&#8211; Falando da Venezuela, a senhora esteve recentemente em Caracas. Como est\u00e1 a lideran\u00e7a de Ch\u00e1vez? Tem possibilidade de reeleger-se em outubro de 2012?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, tem possibilidade de reeleger-se; inclusive, os \u00edndices de popularidade e de apoio ao seu governo aumentaram. Vejo que h\u00e1 uma grande consci\u00eancia nas pessoas com rela\u00e7\u00e3o aos alcances positivos do processo pol\u00edtico liderado por Ch\u00e1vez. As coisas e os grandes avan\u00e7os que foram feitos na Venezuela n\u00e3o s\u00e3o divulgados; por\u00e9m, h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o do sentido de p\u00e1tria, de defesa, de dignidade; e a enfermidade de Ch\u00e1vez produziu um apressamento nas bases para solidificar a unidade e a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Processos integracionistas que est\u00e3o acontecendo na Am\u00e9rica Latina, como Unasul e Celac constituem uma pedra no sapato de Washington?<\/p>\n<p>&#8211; Sim; qualquer coisa que seja unidade e integra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pedra no sapato. A unidade africana e a inten\u00e7\u00e3o que tinha Gadafi de concretizar uma moeda comum na \u00c1frica incomodam aos Estados Unidos. S\u00e3o coisas que eles n\u00e3o podem aceitar. Agora, tem uma Am\u00e9rica Latina com uns pa\u00edses modelo de algo distinto. No come\u00e7o, n\u00e3o davam import\u00e2ncia porque sempre os Estados Unidos conseguia interferir; por exemplo, em processos como o Mercosul. Por\u00e9m, agora, a coisa \u00e9 diferente, e nisso Ch\u00e1vez teve uma presen\u00e7a hist\u00f3rica, porque foi a cabe\u00e7a para produzir uma federa\u00e7\u00e3o distinta. Essa nova integra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e comercial dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina \u00e9 algo terr\u00edvel para os Estados Unidos e, sobretudo, os fatos protagonizados por presidentes como Ch\u00e1vez e Evo Morales. No caso da Bol\u00edvia, Morales retirou a CIA e a DEA. Desde que a DEA saiu da Bol\u00edvia, e isso para os colombianos \u00e9 essencial, o pa\u00eds deixou de ter uma viol\u00eancia no \u00edndice que tinha; deixou de morrer gente por conta da suposta guerra contra o narcotr\u00e1fico. A embaixada norte-americana contava com um escrit\u00f3rio na casa de governo, junto a do presidente da Bol\u00edvia. Quando Evo Morales assumiu perguntou por uma porta fechada junto ao seu escrit\u00f3rio, que conduzia aos escrit\u00f3rios da DEA e da CIA. Para que saibamos at\u00e9 onde chegou a inger\u00eancia norte-americana sem que os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina o soubessem.<\/p>\n<p>O BLOQUEIO A CUBA, DELITO DE LESA HUMANIDADE<\/p>\n<p>&#8211; Falemos de Cuba. Hoje, a revolu\u00e7\u00e3o cubana n\u00e3o \u00e9 nenhuma amea\u00e7a aos Estados Unidos. No entanto, em pleno s\u00e9culo XXI, como se explica que Washington continue mantendo o bloqueio econ\u00f4mico \u00e0 ilha? N\u00e3o \u00e9 o caso de delito de lesa humanidade?<\/p>\n<p>&#8211; Claro! \u00c9 um delito de lesa humanidade. Al\u00e9m disso, tudo o que o bloqueio produziu, as consequ\u00eancias das agress\u00f5es (como a guerra qu\u00edmica e biol\u00f3gica contra Cuba), a cifra de doentes, o n\u00famero de mortes pela dengue hemorr\u00e1gica, mais a invas\u00e3o a Bahia Cochinos, est\u00e1 reconhecido pelo pr\u00f3prio Congresso dos Estados Unidos. Mas Cuba continua sendo um exemplo de como poder resistir a noventa milhas do imp\u00e9rio para manter uma revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o quer sair do socialismo. Em contraste, os Estados Unidos ficaram em m\u00e3os de uma m\u00e1fia que eles mesmos criaram. Uma m\u00e1fia cubana que conta com senadores, representantes, governadores, prefeitos, todos com um passado espantoso e com rela\u00e7\u00f5es profundas com o narcotr\u00e1fico. Tentaram destruir Cuba por todos os meios, o bloqueio foi feito, inclusive, mais forte; por\u00e9m, n\u00e3o puderam asfixi\u00e1-la e n\u00e3o creio que consigam.<\/p>\n<p>AM\u00c9RICA LATINA E SEU MELHOR MOMENTO HIST\u00d3RICO<\/p>\n<p>&#8211; Com exce\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o M\u00e9xico, a Col\u00f4mbia, o Chile e algumas na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Central, a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 passando por um bom momento hist\u00f3rico, que pensa?<\/p>\n<p>&#8211; Historicamente, a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 passando por seu melhor momento; tem conseguido salvar-se da crise econ\u00f4mica e mostrar ao mundo que o rem\u00e9dio que est\u00e3o utilizando na Europa n\u00e3o serviu para nada; portanto, podemos dizer que estamos \u00e0 vanguarda da resist\u00eancia, com lideran\u00e7as como as de Ch\u00e1vez, Kirchner, Evo, Correa que brotaram dentro de um jogo eleitoral que os Estados Unidos impunham como salva\u00e7\u00e3o. Quantas tropas necessitar\u00e3o para poder controlar o mundo? O certo \u00e9 que os Estados Unidos v\u00e3o a caminho de afundar. E em rela\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Latina temos que dizer que nossos governos n\u00e3o podem mostrar nem um pouquinho de debilidade, porque qualquer abertura d\u00e1 p\u00e9 para que se meta esse poder imperial; temos tudo para evitar e uma mostra disso \u00e9 o que aconteceu com a OEA, que j\u00e1 n\u00e3o tem voz; est\u00e1 falando como um af\u00f4nico, porque a Unasul a substituiu mesmo sem ser ainda um organismo totalmente s\u00f3lido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: TC\n\n\n\n\n\n\n\n\nEntrevista a Stella Calloni.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2188\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-2188","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-zi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2188"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2188\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}