{"id":21897,"date":"2019-01-11T23:25:36","date_gmt":"2019-01-12T01:25:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21897"},"modified":"2019-01-13T06:23:29","modified_gmt":"2019-01-13T08:23:29","slug":"magda-soares-nunca-vi-um-periodo-tao-assustador-como-este-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21897","title":{"rendered":"Magda Soares: &#8220;Nunca vi um per\u00edodo t\u00e3o assustador como este na Educa\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/nova-escola-producao.s3.amazonaws.com\/mgqGfpQXCgGrMZqufJKKYfQZAeVHV8dhBj2GbJGTj7bbxwJYsW8Rv3agvJQp\/magda-soares-lancamento-do-livro.jpg?w=747&#038;ssl=1\"><!--more-->Uma das maiores autoridades em Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Magda Soares considera as ideias do novo governo um retrocesso sobre o tema<br \/>\nPOR La\u00eds Semis &#8211; Nova Escola<\/p>\n<p>Magda Soares: \u201cPromover o m\u00e9todo f\u00f4nico \u00e9 mais do que um retrocesso: \u00e9 um atraso de 50 anos na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d      Foto: Ronaldo Guimar\u00e3es<br \/>\nMagda Becker Soares tem 86 anos e n\u00e3o costuma perder o sono \u00e0 toa. Recuperando-se de uma cirurgia delicada, uma das maiores autoridades brasileiras em Alfabetiza\u00e7\u00e3o diz que nem mesmo o fato de encarar a mesa de cirurgia a deixou preocupada. \u201cMas quando saiu o an\u00fancio sobre essa Secretaria de Alfabetiza\u00e7\u00e3o com o Carlos Nadalim, eu passei noites e noites em claro. N\u00e3o conseguia dormir. N\u00e3o sei o que vai ser\u201d, diz a professora em\u00e9rita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das criadoras da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o nessa institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisadora do Centro de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Leitura e Escrita (Ceale), ela tem uma longa trajet\u00f3ria entre escolas e universidades. Magda introduziu no Brasil o conceito de letramento e, entre livros acad\u00eamicos e did\u00e1ticos, publicou mais de 40 t\u00edtulos. Seu \u00faltimo livro, \u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o dos m\u00e9todos\u201d, levou o Pr\u00eamio Jabuti de melhor livro de Educa\u00e7\u00e3o e Pedagogia e tamb\u00e9m de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o do ano de 2017. Ainda hoje, Magda mant\u00e9m contato com escolas e professores trabalhando voluntariamente com o desenvolvimento profissional de alfabetizadores na rede municipal de Lagoa Santa, na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, onde h\u00e1 11 anos lidera o N\u00facleo de Alfabetiza\u00e7\u00e3o e Letramento. Parte desse trabalho no munic\u00edpio foi registrado em uma s\u00e9rie de v\u00eddeos produzida pela Atta M\u00eddia e Educa\u00e7\u00e3o com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Lemann, mantenedora de NOVA ESCOLA, e que pode ser conferida aqui.<\/p>\n<p>Em 2018, as ideias de Magda foram alvo de cr\u00edticas pelo rec\u00e9m-nomeado secret\u00e1rio de Alfabetiza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), Carlos Nadalim, pasta criada pelo novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Ricardo V\u00e9lez Rodr\u00edguez. Para Nadalim, o letramento seria o \u201cvil\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 preciso ir muito al\u00e9m das letrinhas, dos grafemas. Voc\u00ea est\u00e1 certa [Magda]. Mas o fato, Doutora Magda, \u00e9 que as nossas crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o aprendendo nem isso\u201d, diz ele em um dos v\u00eddeos de seu canal \u201cComo Educar seus Filhos\u201d, no YouTube.<\/p>\n<p>Nadalim \u00e9 formado em Direito, com especializa\u00e7\u00f5es em Hist\u00f3ria e Teorias da Arte e Filosofia Moderna e Contempor\u00e2nea, al\u00e9m de ser mestre em Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 coordenador pedag\u00f3gico na escola Mundo do Bal\u00e3o M\u00e1gico, que \u00e9 de sua fam\u00edlia, em Londrina (PR). A institui\u00e7\u00e3o, que de acordo com o Censo Escolar 2017 contava com 12 funcion\u00e1rios, 47 alunos na pr\u00e9-escola e 94 estudantes do 1\u00ba ao 5\u00ba ano, foi uma das tr\u00eas ganhadoras do pr\u00eamio Darcy Ribeiro de Educa\u00e7\u00e3o em 2018, por indica\u00e7\u00e3o do deputado federal Diego Garcia (PODEMOS\/PR).<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 NOVA ESCOLA, Magda Soares fala sobre as cr\u00edticas ao seu trabalho, tece considera\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de uma secretaria dedicada \u00e0s pol\u00edticas de alfabetiza\u00e7\u00e3o, avalia a proposta de um Brasil que alfabetize apenas usando o m\u00e9todo f\u00f4nico e comenta sobre os equ\u00edvocos frequentemente cometidos quando o assunto \u00e9 alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alfabetizar \u00e9 uma quest\u00e3o de m\u00e9todo? H\u00e1 muitos professores que relatam usar mais de um m\u00e9todo no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o e mesmo considerando um deles \u201cmelhor\u201d, eles dizem que nem sempre funciona com toda a turma. Voc\u00ea acredita que h\u00e1 um \u00fanico m\u00e9todo que seja o \u201cmodelo ideal\u201d e que possa atender a heterogeneidade de uma sala de aula no Brasil de hoje?<\/p>\n<p>Alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de m\u00e9todo. O grande equ\u00edvoco na \u00e1rea de Alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 que, historicamente, sempre se considerou que alfabetiza\u00e7\u00e3o era uma quest\u00e3o de m\u00e9todo. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco porque nenhuma outra disciplina \u2013 Geografia, Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias e Matem\u00e1tica \u2013 trata de um s\u00f3 m\u00e9todo. S\u00e3o campos de conhecimento que o professor deve conhecer bem para saber como agir para transformar esse conhecimento em um objeto do qual o aluno possa se apropriar. N\u00f3s temos mudado de m\u00e9todo a todo momento ao longo das d\u00e9cadas e nunca conseguimos resolver nosso problema de alfabetizar todas as crian\u00e7as ou, pelo menos, a maioria delas no tempo certo. Os professores alfabetizadores sempre perguntam: que m\u00e9todo usar? E eles s\u00e3o t\u00e3o espertos e l\u00facidos que falam \u201cEu uso o m\u00e9todo ecl\u00e9tico\u201d. Ou seja, eles misturam v\u00e1rios e tiram de cada um aquilo que est\u00e1 dando certo para seus alunos.<\/p>\n<p>Existe um consenso internacional sobre um m\u00e9todo que funcione para todo um pa\u00eds ou para a maioria deles? Ou isso varia muito de l\u00edngua para l\u00edngua?<\/p>\n<p>Eu considero que nos outros pa\u00edses, pelo menos nos mais avan\u00e7ados, essa quest\u00e3o do m\u00e9todo j\u00e1 est\u00e1 superada. Como eu achava que tamb\u00e9m estava superada entre n\u00f3s \u2013 at\u00e9 que esse governo come\u00e7ou a dar declara\u00e7\u00f5es extremamente perigosas. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve por muito tempo a chamada \u201cGuerra do M\u00e9todos\u201d, que era fundamentalmente entre o m\u00e9todo global e o m\u00e9todo f\u00f4nico, como se fossem duas coisas que se opusessem. Praticamente, essa guerra j\u00e1 est\u00e1 vencida nos Estados Unidos. H\u00e1 algum tempo n\u00e3o vejo nas bibliografias uma discuss\u00e3o sobre essa quest\u00e3o. Na Finl\u00e2ndia, que \u00e9 tida como uma das melhores na\u00e7\u00f5es do mundo na Educa\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea perguntar qual \u00e9 o m\u00e9todo que eles usam para alfabetizar, voc\u00ea n\u00e3o consegue uma resposta pra isso. N\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo, a quest\u00e3o est\u00e1 em outro lugar.<\/p>\n<p>Que lugar seria esse?<\/p>\n<p>Com essa posi\u00e7\u00e3o de achar que a quest\u00e3o era s\u00f3 de como fazer, deixou-se de lado o que \u00e9 aprender a ler na escrita. Esse \u00e9 o ponto importante. As pesquisas e teorias a respeito de como a crian\u00e7a aprende um objeto \u2013 no caso, a l\u00edngua escrita, extremamente abstrata \u2013 \u00e9 um objeto cultural. Isso se justifica tamb\u00e9m porque as teorias psicol\u00f3gicas e lingu\u00edsticas demoraram a se voltar para essa quest\u00e3o dos processos cognitivos e lingu\u00edsticos por meio dos quais a crian\u00e7a se apropria desse objeto que \u00e9 a l\u00edngua escrita. A quest\u00e3o continua a ser tratada como se fosse uma quest\u00e3o da Pedagogia \u2013 e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da Pedagogia. Pedagogia entra depois que voc\u00ea tem fundamentos para definir como a crian\u00e7a aprende e, portanto, como eu, enquanto professora, vou ensinar. Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o moderna e atual e devemos isso ao grande desenvolvimento da ci\u00eancia lingu\u00edstica a partir do momento em que considerou tamb\u00e9m as teorias psicol\u00f3gicas, principalmente a Psicog\u00eanese, que \u00e9 chamada incorretamente de Construtivismo e agora falam no \u201cm\u00e9todo construtivista\u201d, h\u00e1 escolas que se dizem construtivistas&#8230; Isso distorce inteiramente a quest\u00e3o porque \u00e9 uma teoria que virou um m\u00e9todo.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Em\u00edlia Ferreiro [que desenvolveu a Psicog\u00eanese da l\u00edngua escrita] reage bravamente contra isso, refor\u00e7ando que ela n\u00e3o prop\u00f5e um m\u00e9todo. Ela estudou o desenvolvimento psicog\u00eanico da crian\u00e7a na intera\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua escrita. Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Voc\u00ea tem as teorias cognitivas propriamente para entender quais s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es cognitivas que a crian\u00e7a desenvolve ou precisa desenvolver para entender a l\u00edngua escrita, que depende primeiro da crian\u00e7a descobrir uma coisa que a humanidade levou milhares de anos para descobrir: que a gente pode registrar, visualizar os sons da l\u00edngua, ao inv\u00e9s de desenhar. Esse \u00e9 o elemento fundamental da crian\u00e7a no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Quando se fala em m\u00e9todo f\u00f4nico,  d\u00e1-se um salto enorme em cima de etapas que a crian\u00e7a precisa passar at\u00e9 esse ponto \u2013 que eu diria que \u00e9 quase o ponto final \u2013 de relacionar a letra com o som. Antes disso, ela precisaria ver que o som ou o que a gente fala pode ser transformado em tracinhos no papel. Esse \u00e9 o ponto chave.<\/p>\n<p>A maior parte das crian\u00e7as que s\u00e3o classificadas como tendo \u201cdificuldade de aprendizagem\u201d na alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2013 e eu tenho experi\u00eancia pessoal de pesquisa \u2013 \u00e9 de crian\u00e7as que ainda n\u00e3o descobriram, n\u00e3o se deram conta porque ningu\u00e9m as ajudou a ver que a gente escreve o som das palavras. Quando voc\u00ea fala em m\u00e9todo, voc\u00ea tem que considerar todas essas teorias lingu\u00edsticas, psicogen\u00e9ticas e articular porque a crian\u00e7a vivencia tudo isso ao mesmo tempo quando est\u00e1 aprendendo a l\u00edngua escrita. No meu \u00faltimo livro, \u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o dos m\u00e9todos\u201d, eu acabo o livro falando isso: a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ter m\u00e9todo para alfabetizar. A quest\u00e3o \u00e9 alfabetizar com m\u00e9todo. E alfabetizar com m\u00e9todo exige o conhecimento de como a crian\u00e7a aprende cognitivamente, como se d\u00e1 o desenvolvimento psicogen\u00e9tico, em que momento voc\u00ea pode entrar com cada um dos aspectos da alfabetiza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 esse objeto lingu\u00edstico.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma vis\u00e3o no imagin\u00e1rio de muitos brasileiros que as cartilhas deram conta do processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o no passado e que os m\u00e9todos utilizados hoje s\u00e3o ineficazes e produzem analfabetos. Sua trajet\u00f3ria profissional na escola come\u00e7ou em 1953 e segue at\u00e9 hoje acompanhando a rede municipal de Lagoa Santa (MG). Como a senhora enxerga essa quest\u00e3o de um passado que alfabetizava \u201cmais\u201d ou \u201cmelhor\u201d?<\/p>\n<p>Isso \u00e9 uma ilus\u00e3o. Dois principais fatores explicam essa nostalgia do passado: uma \u00e9 que a escola p\u00fablica servia \u00e0s classes m\u00e9dias e altas. N\u00e3o havia ainda a conquista da Educa\u00e7\u00e3o pelas camadas populares. Eram crian\u00e7as que j\u00e1 tinham em casa um ambiente alfabetizador, acesso a materiais escritos, pais e m\u00e3es alfabetizados, fam\u00edlias que desde cedo iam ensinando a crian\u00e7a a ler. Todas essas etapas precedem a aprendizagem das rela\u00e7\u00f5es fonema-grafema j\u00e1 eram muito desenvolvidas em casa. Isso acontece at\u00e9 hoje. S\u00e3o as camadas sociais mais privilegiadas que tiram os primeiros lugares no Enem [Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio] e entram nas universidades mais facilmente.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma ilus\u00e3o dizer que no passado a alfabetiza\u00e7\u00e3o era melhor ou que as crian\u00e7as aprendiam mais&#8221;<\/p>\n<p>Uma segunda quest\u00e3o \u00e9 que mesmo quando a escola come\u00e7ou a servir \u00e0s camadas populares nos anos 1960, 1970 \u2013 o que \u00e9 recente \u2013, numerosas pesquisas da \u00e9poca mostraram que as crian\u00e7as repetiram o 1\u00ba ano diversas vezes at\u00e9 aprender. N\u00e3o porque o professor a cada ano mudasse as pr\u00e1ticas para resolver os problemas que a crian\u00e7a estava enfrentando. Ele s\u00f3 repetia a cartilha at\u00e9 que o aluno aprendesse. Em uma pesquisa, eu tive a experi\u00eancia de encontrar uma crian\u00e7a que estava h\u00e1 11 anos repetindo o 1\u00ba ano. V\u00e1rias estavam h\u00e1 tr\u00eas, quatros anos repetindo a mesma s\u00e9rie at\u00e9 conseguirem aprender \u2013 era isso ou desistiam da escola. Sergio Costa Ribeiro [pioneiro na abordagem de temas como repet\u00eancia e medi\u00e7\u00e3o da qualidade do ensino no Brasil] tem pesquisas que demonstram estatisticamente as quest\u00f5es da repet\u00eancia e evas\u00e3o nesse per\u00edodo. Quando as pessoas falam que \u201cantigamente aprendiam\u201d \u00e9 porque pertenciam a camadas sociais mais favorecidas e, portanto, j\u00e1 traziam um contexto cultural que avan\u00e7ava a compreens\u00e3o da l\u00edngua escrita ou porque ficaram na escola repetindo at\u00e9 que conseguissem aprender ou desistissem da escola. \u00c9 uma ilus\u00e3o dizer que no passado a alfabetiza\u00e7\u00e3o era melhor ou que as crian\u00e7as aprendiam mais. N\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>A briga de m\u00e9todos de alfabetiza\u00e7\u00e3o ganhou destaque recentemente no campo das pol\u00edticas p\u00fablicas. Carlos Nadalim, o secret\u00e1rio de Alfabetiza\u00e7\u00e3o do MEC, critica o letramento (que ele considera um \u201cvil\u00e3o\u201d da alfabetiza\u00e7\u00e3o), e faz refer\u00eancias cr\u00edticas diretamente tamb\u00e9m ao seu trabalho \u2013 partindo da ideia de que se a crian\u00e7a n\u00e3o consegue nem aprender as letras, ela n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de se alfabetizar num contexto social. Como a senhora enxerga essas cr\u00edticas?<\/p>\n<p>Estou com 86 anos e entrei na Educa\u00e7\u00e3o quando estava com menos de 20 anos. Estou pelejando h\u00e1 d\u00e9cadas. J\u00e1 passei por v\u00e1rias fases, mas nunca nesse tempo todo \u2013 e olha que eu, como aluna, vivi o Estado Novo e passei, j\u00e1 como professora, pela ditadura \u2013 e nunca vi um per\u00edodo t\u00e3o assustador como esse de agora na Educa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos um ministro inexperiente e que nomeia um secret\u00e1rio de alfabetiza\u00e7\u00e3o com experi\u00eancia m\u00ednima na \u00e1rea. O pr\u00f3prio secret\u00e1rio declarou que sua experi\u00eancia vem de uma escola de fam\u00edlia, pequena e com poucos alunos e que ele criou um m\u00e9todo baseado no m\u00e9todo f\u00f4nico. Com isso, ele vira um especialista em Educa\u00e7\u00e3o? Com a quantidade de pesquisas desenvolvidas s\u00f3 nos \u00faltimos anos em v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o? Para falar a verdade, eu fiquei muito revoltada. Fiquei indignada. N\u00e3o por ele ter me mencionado \u2013 isso tudo bem. Mas pela ignor\u00e2ncia e pela ingenuidade. Eu estou muito assustada com o que pode vir pela frente.<\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa \u00e9 discordar a partir de uma pequena experi\u00eancia em uma escola privada de fam\u00edlia com meia d\u00fazia de alunos. Outra coisa \u00e9 discordar quando voc\u00ea est\u00e1 em um processo de aprendizagem da l\u00edngua escrita como eu estou, desenvolvendo h\u00e1 11 anos em uma rede p\u00fablica inteira&#8221;<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio diz que discorda de mim. Mas uma coisa \u00e9 discordar a partir de uma pequena experi\u00eancia em uma escola privada de fam\u00edlia com meia d\u00fazia de alunos. Outra coisa \u00e9 discordar quando voc\u00ea est\u00e1 em um processo de aprendizagem da l\u00edngua escrita como eu estou, desenvolvendo h\u00e1 11 anos em uma rede p\u00fablica inteira. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em uma escolinha, n\u00e3o. S\u00e3o 25 escolas, todas desenvolvendo alfabetiza\u00e7\u00e3o com um sucesso significativo. Eu tenho as crian\u00e7as alfabetizadas, frequentemente, no fim da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. E, certamente, no 1\u00ba ou no m\u00e1ximo no 2\u00ba ano do Ensino Fundamental. Tem um momento em que elas aprendem a rela\u00e7\u00e3o fonema-grafema [m\u00e9todo f\u00f4nico], mas v\u00e3o muito al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>O atual secret\u00e1rio Nadalim ataca, com frequ\u00eancia, outros m\u00e9todos como o global e o chamado construtivista, que para ele seriam dominantes nas escolas brasileiras e, portanto, a causa dos p\u00e9ssimos resultados de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Entre as prioridades da pasta que lidera est\u00e1 banir m\u00e9todos comumente associados \u00e0 teoria construtivista e promover o f\u00f4nico. Na sua vis\u00e3o, quais s\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es e quais poderiam ser os impactos de uma medida como essa?<\/p>\n<p>Isso \u00e9 mais do que um retrocesso, \u00e9 um atraso de 50 anos na Educa\u00e7\u00e3o no Brasil. No que diz respeito ao m\u00e9todo f\u00f4nico, realmente, h\u00e1 um momento no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o da aprendizagem na l\u00edngua escrita pela crian\u00e7a em que, sim, ela tem que dominar as rela\u00e7\u00f5es das letras com os sons que representam porque isso \u00e9 fundamental da l\u00edngua escrita. Mas transformaram isso em fazer a crian\u00e7a conhecer e pronunciar os fonemas, uma coisa que, linguisticamente, \u00e9 absolutamente imposs\u00edvel. Ningu\u00e9m consegue pronunciar os fonemas consonantais, s\u00f3 as vogais \u2013 voc\u00ea consegue falar A-E-I-O-U. Mas vai pronunciar um P, um B, um F. S\u00e3o letras que representam fonemas que n\u00e3o se pronunciam isoladamente sem apoio de uma vogal. E, de acordo com o m\u00e9todo [de Nadalim], isso seria poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo f\u00f4nico. H\u00e1 um momento no processo de aprendizagem da crian\u00e7a que ela est\u00e1 pronta para identificar essas rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pronunciar. Esse \u00e9 um ponto, o m\u00e9todo f\u00f4nico tal qual como \u00e9 concebido, \u00e9 linguisticamente equivocado.<\/p>\n<p>&#8220;Outra coisa que tem que ser combatida \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o entre m\u00e9todo f\u00f4nico e construtivismo. Essa \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel porque n\u00e3o s\u00e3o coisas que se op\u00f5em&#8221;<\/p>\n<p>Outra coisa que tem que ser combatida \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o entre m\u00e9todo f\u00f4nico e construtivismo. Essa \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel porque n\u00e3o s\u00e3o coisas que se op\u00f5em. Construtivismo \u00e9 uma teoria que vem l\u00e1 de Piaget, n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o da Em\u00edlia Ferreiro, \u00e9 uma teoria em que a crian\u00e7a constr\u00f3i o conhecimento e a intera\u00e7\u00e3o com esse objeto de conhecimento. Piaget trabalhou principalmente com aspectos da Matem\u00e1tica e de Ci\u00eancias. O que Em\u00edlia Ferreiro fez foi usar essa teoria para a l\u00edngua escrita, o que Piaget n\u00e3o tinha feito. Em\u00edlia Ferreiro mostrou que a crian\u00e7a vai descobrindo o que \u00e9 a l\u00edngua escrita e esse descobrir \u00e9 construir o conhecimento. Olhando do ponto de vista pedag\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 deixar a crian\u00e7a solta para construir conhecimento. O papel do educador \u00e9 orientar a crian\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o desse conhecimento, como acontece na Matem\u00e1tica, nas Ci\u00eancias ou como deveria acontecer em qualquer outra mat\u00e9ria. Dizer que construtivismo \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo f\u00f4nico \u00e9 um erro l\u00f3gico que o Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, que se diz fil\u00f3sofo, comete.<\/p>\n<p>Escolas e professores que se dizem \u201cconstrutivistas\u201d s\u00e3o aqueles que levam em conta que a crian\u00e7a aprende a l\u00edngua escrita tendo bases para essa aprendizagem desde o momento que descobre que escrever n\u00e3o \u00e9 desenhar. Se voc\u00ea pede a uma crian\u00e7a de 3 ou 4 anos para escrever \u201ccasa\u201d, ela desenha uma casa e acha que escreveu. Ela precisa entender que quando lhe pedem para escrever casa, o que ser\u00e1 escrito s\u00e3o os sons da palavra casa. Esse \u00e9 um processo complicado. A crian\u00e7a vai passando por esse processo, entendendo, com a orienta\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o de um professor. Esse processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ter nome, chamar de construtivismo. Aos poucos, a crian\u00e7a aprende a intera\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua escrita, entende que aquelas marquinhas que est\u00e3o no livro s\u00e3o palavras, como as que a professora est\u00e1 falando ou as que est\u00e3o no livro. Eles interpretam mal a alfabetiza\u00e7\u00e3o [no construtivismo].<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a, de banir t\u00e9cnicas ligadas ao construtivismo, poderia ser ser vista com um car\u00e1ter \u201cideol\u00f3gico\u201d \u2013 pensando, por exemplo, na associa\u00e7\u00e3o entre construtivismo e Paulo Freire, educador que, segundo o programa de governo de Jair Bolsonaro (PSL), deveria ser expurgado das escolas?<\/p>\n<p>Ideol\u00f3gico todo mundo \u00e9. Eles [o atual governo] falam de ideologia como se fosse algo que alguns assumissem, outros n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada mais ideol\u00f3gico do que esse governo que est\u00e1 assumindo agora. Todo o grupo tem ideologia. Mas depende do que voc\u00ea entende como ideologia. A ignor\u00e2ncia desse grupo que vai nos dirigir agora \u00e9 t\u00e3o grande, que eles pensam que ideologia \u00e9 uma coisa negativa, um jeito de voc\u00ea atacar o outro. Tudo no mundo \u00e9 ideol\u00f3gico porque todos n\u00f3s agimos de acordo com certos princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que no campo do ensino da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, estamos falando de um ensino fundamentado em evid\u00eancias cient\u00edficas. Essa \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o atual da Educa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses que t\u00eam desenvolvido pesquisas e procurado evid\u00eancias cient\u00edficas para mostrar como a crian\u00e7a aprende para o alfabetizador acompanhar esse processo de aprendizagem da crian\u00e7a e agir da melhor maneira. Uma coisa \u00e9 a ideologia e outra s\u00e3o as evid\u00eancias cient\u00edficas. A ideologia \u00e9 mais o que te orienta na vida do ponto de vista em rela\u00e7\u00e3o aos outros, em termos de moral, de convic\u00e7\u00f5es, de religi\u00e3o. Mas no ensino \u00e9 uma base cient\u00edfica que n\u00e3o tem a ver com ideologias da pessoa. \u00c9 uma base de evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo no mundo \u00e9 ideol\u00f3gico porque todos n\u00f3s agimos de acordo com certos princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que no campo do ensino da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, estamos falando de um ensino fundamentado em evid\u00eancias cient\u00edficas&#8221;<\/p>\n<p>Levei quatro anos escrevendo \u201cAlfabetiza\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o dos m\u00e9todos\u201d porque meu objetivo era buscar em todas as fontes poss\u00edveis, nacionais e internacionais, as evid\u00eancias cient\u00edficas sobre o processo de aprendizagem da l\u00edngua escrita pelas crian\u00e7as. As evid\u00eancias s\u00e3o muitas e de v\u00e1rias naturezas: psicologia, psicogen\u00e9tica, lingu\u00edstica, fonologia&#8230; \u00e9 preciso articular tudo isso para chegar \u00e0 conclus\u00e3o que eu te falei: n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de m\u00e9todo. \u00c9 uma quest\u00e3o que at\u00e9 agora esse minist\u00e9rio n\u00e3o tocou: a forma\u00e7\u00e3o do professor. A forma\u00e7\u00e3o do alfabetizador no Brasil \u00e9 absolutamente inadequada. Digo mais: ela n\u00e3o existe. Professores, nos cursos de Pedagogia n\u00e3o discutem os fundamentos da alfabetiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o discutem como a crian\u00e7a aprende e, portanto, como se deve ensinar. Meu sonho era ter um novo governo que  colocasse como foco central investir na forma\u00e7\u00e3o dos alfabetizadores. N\u00e3o \u00e9 discutir m\u00e9todo, n\u00e3o \u00e9 discutir ideologia, Escola Sem Partido. Tudo isso \u00e9 de outra natureza.<\/p>\n<p>Dados brasileiros mostram que realmente temos muito a avan\u00e7ar no que diz respeito \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o. O que falta para o pa\u00eds alfabetizar bem as suas crian\u00e7as \u00e9 realmente mudar a forma\u00e7\u00e3o de professores ou h\u00e1 outras quest\u00f5es que ainda precisamos resolver?<\/p>\n<p>Basicamente, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do professor. Eu sonharia com um curso especificamente de forma\u00e7\u00e3o para Educa\u00e7\u00e3o Infantil e s\u00e9ries iniciais na \u00e1rea de alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento. O letramento \u00e9 justamente esse envolvimento da crian\u00e7a com o mundo da escrita. A forma\u00e7\u00e3o inicial precisaria ser pensada como algo completamente diferente do que \u00e9. E a forma\u00e7\u00e3o continuada tem sido muito ineficaz em todos os governos anteriores. S\u00e3o cursos que n\u00e3o consideram o que \u00e9 fundamental: a intera\u00e7\u00e3o das teorias com as pr\u00e1ticas dos professores. Essa foi a grande descoberta que eu fiz depois de d\u00e9cadas e d\u00e9cadas, formando professores na UFMG, quando eu me envolvi no trabalho volunt\u00e1rio [com uma rede de ensino em Lagoa Santa]. Eu queria ver por que a gente formava, formava e nada melhorava. Decidi me envolver no trabalho de uma rede municipal. E me envolver mesmo: estar l\u00e1 nas escolas, com os professores, com as crian\u00e7as e fazendo o que eu chamo de desenvolvimento profissional dos professores, que \u00e9 diferente de forma\u00e7\u00e3o continuada. Forma\u00e7\u00e3o continuada s\u00e3o esses cursos \u2013 alguns at\u00e9 de carga hor\u00e1ria longa \u2013 mas que voc\u00ea n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de interagir com as pr\u00e1ticas dos professores. Tem que ser um movimento diferente. Se a gente n\u00e3o mexer a\u00ed, tudo vai continuar igual \u2013 ou piorar se eles treinarem os professores para o m\u00e9todo f\u00f4nico, porque a\u00ed continuaremos o fracasso da alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma subpasta no MEC dedicada \u00e0 Alfabetiza\u00e7\u00e3o, na sua opini\u00e3o, pode contribuir para o avan\u00e7o e melhoria da alfabetiza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, eu acho uma boa ideia ter um departamento exclusivamente para cuidar da alfabetiza\u00e7\u00e3o porque antes integrava a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o (Secadi), que envolvia v\u00e1rias outros temas &#8211; e que foi desmontada. O que tamb\u00e9m n\u00e3o me parece uma coisa boa coisa, j\u00e1 que outros aspectos, al\u00e9m da alfabetiza\u00e7\u00e3o, v\u00e3o ficar em segundo plano ou nenhum. Mas agregaria termos uma secretaria que entendesse do que \u00e9 preciso fazer e que tivesse uma vis\u00e3o clara de experi\u00eancias que foram constru\u00eddas e do que j\u00e1 se fez na \u00e1rea.<\/p>\n<p>A sra. acredita que se a Secretaria de Alfabetiza\u00e7\u00e3o tivesse sido criada h\u00e1 mais tempo teria gerado um avan\u00e7o na aprendizagem?<\/p>\n<p>Com certeza. Na \u00e9poca do Fernando Henrique Cardoso [1995-2003], com o ent\u00e3o ministro Paulo Renato, houve uma preocupa\u00e7\u00e3o grande com a alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas na linha chamada construtivista, com pessoas muito sect\u00e1rias em uma certa linha, o que tamb\u00e9m n\u00e3o adiantou muito. S\u00f3 criou esse mito de um m\u00e9todo construtivista e de escolas construtivistas. De qualquer maneira, foi um per\u00edodo de preocupa\u00e7\u00e3o [com o tema]. Se tiv\u00e9ssemos uma secretaria voltada especificamente para a alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas com boa forma\u00e7\u00e3o no tema, seria um avan\u00e7o, uma novidade muito bem-vinda. Em nenhum governo, nem do Fernando Henrique nem do PT, houve um movimento articulado, s\u00e9rio e bem orientado para resolver a quest\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/15004\/vivi-o-estado-novo-e-passei-pela-ditadura-mas-nunca-vi-um-periodo-tao-assustador-como-este-na-educacao<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21897\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[224],"class_list":["post-21897","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Hb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}