{"id":21948,"date":"2019-01-15T23:11:41","date_gmt":"2019-01-16T01:11:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=21948"},"modified":"2019-01-15T23:24:07","modified_gmt":"2019-01-16T01:24:07","slug":"mulheres-na-india-e-o-muro-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21948","title":{"rendered":"Mulheres na \u00cdndia e o muro da liberdade"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gz.diarioliberdade.org\/media\/k2\/items\/cache\/55c163753f0ad7b09eda5c5cb84aa130_L.jpg.pagespeed.ce.x9h98OzYZl.jpg\"><!--more-->Elaine Tavares<br><\/p>\n\n\n\n<p>Di\u00e1rio Liberdade<br>Fonte: IELA<\/p>\n\n\n\n<p>A luta das mulheres contra as j\u00e1 insustent\u00e1veis tradi\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 coisa simples na \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os costumes ainda s\u00e3o muito arraigados e n\u00e3o s\u00e3o poucos os assassinatos de mulheres por conta disso. Mas, com o fortalecimento das for\u00e7as de esquerda no pa\u00eds, esses pressupostos come\u00e7am a ser questionados.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00eandulo da pol\u00edtica segue seu incans\u00e1vel vai e vem. Por isso, enquanto em alguns espa\u00e7os do planeta conquistas s\u00e3o perdidas e avan\u00e7a o retrocesso, em outros a luta por transforma\u00e7\u00e3o assoma, com surpreendente for\u00e7a. Um exemplo disso foi o que aconteceu na \u00cdndia, esse imenso pa\u00eds asi\u00e1tico, ainda t\u00e3o desconhecido para os latino-americanos. De l\u00e1, o que sabe o senso comum? Que \u00e9 a terra de Gandhi, que tem muita pobreza, que tem templos bonitos, muitos deuses e espiritualidade latente. Raros s\u00e3o os que compreendem as raz\u00f5es da pobreza extrema bem, fruto de uma tradi\u00e7\u00e3o ultraconservadora somado com a destrui\u00e7\u00e3o colonial, bem como a estranha divis\u00e3o da sociedade por castas, que se configuram em espa\u00e7os intranspon\u00edveis. Ou seja: quem nasce numa casta ali permanece, e tampouco pode conviver com outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes dramas na \u00cdndia \u00e9 o das mulheres, principalmente o das de casta dita \u201cinferior\u201d. No geral s\u00e3o tratadas como propriedade de pais, irm\u00e3os, parentes e maridos. N\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de estupro coletivo registrado no pa\u00eds e a viol\u00eancia contra elas \u00e9 generalizada. Em muitos lugares elas s\u00e3o impedidas at\u00e9 de entrar nos templos para reverenciar seus deuses. Direito \u00e9 algo que parece inimagin\u00e1vel para a maioria.<br>E foi justamente a batalha das mulheres para ter acesso a um complexo de templos, no estado de Kerala, que detonou um movimento gigantesco de luta por direitos. At\u00e9 ent\u00e3o, por conta de regras p\u00e9treas da chamada \u201ctradi\u00e7\u00e3o imemorial\u201d elas n\u00e3o podiam entrar no templo de Sabrimala, dedicado a Ayyapann, filho de Shiva, ao qual acorrem mais de 17 milh\u00f5es de pessoas durante o ano. Depois de muitas lutas a Suprema Corte da \u00cdndia suspendeu a decis\u00e3o da justi\u00e7a do estado de Kerala, que j\u00e1 havia reiterado essa proibi\u00e7\u00e3o em nome da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o da Suprema Corte da \u00cdndia foi tomada em 28 de setembro de 2018 e determinava que as mulheres poderiam entrar no templo, alegando que essa discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o fazia parte essencial do hindu\u00edsmo, mas de um arraigado \u201cpatriarcado religioso\u201d. Com base nessa decis\u00e3o o governo da Frente Democr\u00e1tica de Esquerda do estado de Kerala liberou o acesso, enfrentando por isso uma s\u00e9rie de protestos de rua realizados por grupos reacion\u00e1rios de direita, incluindo a\u00ed o partido Bharatiya Janata (BJP).<br>O clima seguiu bastante tenso em Kerala e, em outubro, o chefe dos ministros do estado, Pinarayi Vijayan, que tamb\u00e9m \u00e9 l\u00edder do Partido Comunista da \u00cdndia fez um discurso p\u00fablico na defesa da ruptura de determinados costumes. Ele afirmou: \u201cSe uma tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um grilh\u00e3o, devemos romp\u00ea-la\u201d. E ent\u00e3o convocou as mulheres a constituir um muro vivo de protesto e de luta. A partir da\u00ed, conta o jornalista Vijay Prashad, do s\u00edtio Sinpermiso, as pessoas foram se mobilizando. \u201cForam realizadas mais de cem reuni\u00f5es p\u00fablicas nos \u00faltimos meses de 2018 para impulsionar o apoio e mais de 170 organiza\u00e7\u00f5es progressistas da \u00cdndia se uniram \u00e0 campanha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim que no dia primeiro de janeiro, a partir das quatro horas da manh\u00e3, come\u00e7ou a se formar o muro humano que juntou cinco milh\u00f5es e 500 mil mulheres, ombro a ombro, por 620 quil\u00f4metros, em luta pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres. \u201cAquele n\u00e3o era um muro da intoler\u00e2ncia, como o de Trump, mas um muro de liberdade, contra tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fazem mais do que humilhar as mulheres\u201d, diz Vijay Prashad.<br>Prashad informa que K. K. Shailaja, ministra da Sa\u00fade de Kerala e dirigente do Partido Comunista da \u00cdndia esteve a frente do muro em Kasaragod, no norte do estado. O muro terminou em Thiruvananthapuram, a capital do estado, onde a \u00faltima pessoa na cadeia humana era a dirigente comunista Brinda Karat, que reiterou: \u201cEste muro de liberdade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para as mulheres de Kerala, mas para as mulheres de todo o pa\u00eds\u201d. Os movimentos de esquerda estiveram unificados nessa importante manifesta\u00e7\u00e3o de for\u00e7a.<br>A luta das mulheres contra as j\u00e1 insustent\u00e1veis tradi\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 coisa simples na \u00cdndia. Os costumes ainda s\u00e3o muito arraigados e n\u00e3o s\u00e3o poucos os assassinatos de mulheres por conta disso. Mas, com o fortalecimento das for\u00e7as de esquerda no pa\u00eds, esses pressupostos come\u00e7am a ser questionados e deslegitimados inclusive legalmente, abrindo caminhos importantes para que os direitos sejam respeitados, de fato, na vida real.<\/p>\n\n\n\n<p>A incr\u00edvel coluna feminina de 620 quil\u00f4metros que se expressou no primeiro dia do ano sabe que h\u00e1 muitas coisas mais a conquistar do que o direito de entrar num templo. Mas, devagar, elas v\u00e3o acumulando for\u00e7as, coletivamente, para avan\u00e7ar em outros terrenos. O passo desse primeiro de janeiro \u00e9 s\u00f3 mais um.<br><br><\/p>\n\n\n\nhttps:\/\/gz.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/item\/266445-mulheres-na-india-e-o-muro-da-liberdade.html\ufeff\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21948\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[261],"tags":[227],"class_list":["post-21948","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-india","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5I0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}