{"id":22025,"date":"2019-01-23T00:24:32","date_gmt":"2019-01-23T02:24:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22025"},"modified":"2019-01-23T00:24:38","modified_gmt":"2019-01-23T02:24:38","slug":"governo-bolsonaro-ameaca-fechar-escolas-do-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22025","title":{"rendered":"Governo Bolsonaro amea\u00e7a fechar escolas do MST"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" alt=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.redebrasilatual.com.br\/educacao\/2019\/01\/governo-bolsonaro-ameaca-fechar-escolas-do-mst-que-atendem-200-mil-alunos\/escola-jose-marti-pr\/image_large\"><!--more-->Escolas atendem 200 mil alunos. Nos 35 anos de exist\u00eancia do MST, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 esteio da organiza\u00e7\u00e3o e qualifica a para produ\u00e7\u00e3o.\n\nCl\u00e1udia Motta\n\nBrasil de Fato<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 35 anos, em 21 de janeiro de 1984, era oficialmente fundado o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante seu primeiro encontro nacional. Quem n\u00e3o conhece de perto o trabalho do MST e se informa pela imprensa comercial ou pelas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, pode at\u00e9 consider\u00e1-lo uma amea\u00e7a ao pa\u00eds. A realidade, no entanto, \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O MST tem hoje um foco de atua\u00e7\u00e3o na defesa da agroecologia, do manejo sustent\u00e1vel da terra e no consumo consciente como parte da seguran\u00e7a alimentar. Abrange a instala\u00e7\u00e3o de 96 agroind\u00fastrias, 1.900 associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais e mais de 350 mil fam\u00edlias assentadas, produzindo toneladas de alimentos provenientes de localidades onde antes s\u00f3 havia terra improdutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa comida, quase toda, \u00e9 produzida sem veneno, os agrot\u00f3xicos que representam amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e enriquecem a ind\u00fastria farmac\u00eautica e os chamados &#8220;defensivos agr\u00edcolas&#8221;. Na base desse conhecimento que passa de acampamento em acampamento, de assentamento em assentamento, est\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o, pilar na organiza\u00e7\u00e3o e no fortalecimento do MST.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vida no assentamento garante \u00e0s fam\u00edlias direitos sociais que n\u00e3o s\u00e3o garantidos a todo o povo brasileiro, como casa, escola e comida\u201d, afirma o movimento em seu site.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de fazer com que os filhos dos assentados e acampados pudessem ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de cerca de 1.500 escolas para jovens de 7 a 14 anos \u2013 1.100 delas j\u00e1 reconhecidas pelos conselhos estaduais de educa\u00e7\u00e3o e cultura. Elas abrigam em torno de 200 mil alunos e 4 mil professores, al\u00e9m dos 250 educadores que trabalham nas Cirandas Infantis \u2013 educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as at\u00e9 seis anos ou na faixa da alfabetiza\u00e7\u00e3o. O MST mant\u00e9m ainda 320 cursos divididos em 40 institui\u00e7\u00f5es de n\u00edvel fundamental, m\u00e9dio, t\u00e9cnico, superior e educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos (EJA).<\/p>\n\n\n\n<p>MST inaugura curso de especializa\u00e7\u00e3o em Agroecologia voltada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo o esfor\u00e7o do MST em levar educa\u00e7\u00e3o de qualidade aos acampados e assentados rendeu bons frutos ao longo dos anos\u201d, afirma a organiza\u00e7\u00e3o, em nota. \u201cSegundo o \u00cdndice de Desenvolvimento na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (IDEB), duas escolas do MST no Piau\u00ed obtiveram em 2018 os maiores \u00edndices na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Andressa Pellanda, coordenadora de pol\u00edticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, as escolas do MST n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o importantes porque atendem uma quantidade imensa de estudantes, como tamb\u00e9m atingem uma popula\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, adolescentes, jovens e adultos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, que muitas vezes o poder p\u00fablico n\u00e3o alcan\u00e7a e at\u00e9 criminaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o trabalho pedag\u00f3gico desenvolvido nas escolas do MST \u00e9 um trabalho de qualidade \u00edmpar: h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel com a inclus\u00e3o, com as diversidades e com uma pedagogia de qualidade\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Governo ataca e amea\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da qualidade reconhecida, as escolas do MST correm risco. O secret\u00e1rio especial de Assuntos Fundi\u00e1rios do governo de Jair Bolsonaro, Luiz Ant\u00f4nio Nabhan Garcia, afirmou que vai trabalhar para fechar as escolas chamadas por ele de \u201cfabriquinhas de ditadores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Contraditoriamente \u00e0 sua preocupa\u00e7\u00e3o com posturas ditatoriais, defendeu o direito de o fazendeiro reagir a bala quando tem sua propriedade &#8220;invadida&#8221;. O presidente eleito tamb\u00e9m j\u00e1 disse que n\u00e3o tem di\u00e1logo com o movimento e amea\u00e7ou colocar fim aos processos de reforma agr\u00e1ria \u2013 medida entre as tantas das quais teve de recuar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para o Brasil admitir em pleno s\u00e9culo 21 fabriquinhas de ditadores. N\u00e3o d\u00e1 para admitir escolas de marxistas, de leninistas, de bolivarianos, que ensinam crian\u00e7as a invadir e cometer crimes. Vamos fechar as escolas e punir os respons\u00e1veis pela doutrina\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, isso tem de ser qualificado como crime. Crime de lesa p\u00e1tria\u201d, disse Nabhan que \u00e9 presidente licenciado da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista (UDR), representante dos latifundi\u00e1rios brasileiros. <\/p>\n\n\n\n<p>O movimento afirma que n\u00e3o &#8220;doutrina&#8221; crian\u00e7as e que todas as escolas de assentamentos s\u00e3o p\u00fablicas e cumprem as diretrizes aprovadas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o do MST \u00e9 um trabalho estrutural para uma transforma\u00e7\u00e3o das zonas rurais do pa\u00eds em busca da justi\u00e7a social e ambiental. Isso certamente \u00e9 alvo dos grandes interesses ruralistas\u201d, avalia Andressa. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o foi vivida pela jovem D\u00e9bora Makoski Francelino, que d\u00e1 aulas numa das escolas do MST, no assentamento Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, na regi\u00e3o de Quedas do Igua\u00e7u, no Rio Grande do Sul. Durante a passagem da Caravana Lula pelo Brasil relatou \u00e0 reportagem da RBA seu orgulho por fazer parte do movimento. \u201c\u00c9 algo que a gente est\u00e1 conquistando para n\u00f3s, para o Brasil, para estar melhorando tanto na alimenta\u00e7\u00e3o, quanto na educa\u00e7\u00e3o\u201d, disse a professora, defensora da agroecologia e do manejo sustent\u00e1vel da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o tem impacto positivo imenso na vida daquelas crian\u00e7as, que valorizam a terra, a sustentabilidade e a resid\u00eancia no campo, diminuindo inclusive os \u00eaxodos rurais.\u201d (Andressa Pellanda, da da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9bora lembra do tempo em que tamb\u00e9m tinha preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao MST, at\u00e9 seu pai decidir abandonar a vida de \u201cviver para trabalhar e n\u00e3o trabalhar para viver, sem tempo nem para a fam\u00edlia\u201d e decidir seguir ao lado do movimento. \u201cEu tinha 16 anos e n\u00e3o queria vir. Todo mundo falava mal dos sem-terra e eu n\u00e3o sabia o que era. Tinha esse preconceito que t\u00eam os que n\u00e3o t\u00eam tempo ou dedica\u00e7\u00e3o para pesquisar o que \u00e9 de fato.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegou, viu uma realidade toda diferente. \u201cAqui n\u00e3o existe uma pessoa s\u00f3 para comandar o movimento, todos n\u00f3s comandamos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Educa\u00e7\u00e3o que semeia futuro<\/p>\n\n\n\n<p>Para Andressa Pellanda, o trabalho de educa\u00e7\u00e3o no campo, nas escolas do MST, \u00e9 realizado por educadores que compreendem profundamente as realidades locais e t\u00eam senso de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso gera um impacto positivo imenso na educa\u00e7\u00e3o daquelas crian\u00e7as, que valorizam a terra, a sustentabilidade e a resid\u00eancia no campo, diminuindo inclusive os \u00eaxodos rurais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00f3s-graduada em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e mestranda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Andressa considera que essas s\u00e3o perspectivas absolutamente alinhadas com o que tem de mais avan\u00e7ado nos debates globais para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u201cOs estudantes das escolas do MST aprendem n\u00e3o s\u00f3 os conte\u00fados curriculares, como tamb\u00e9m senso de comunidade, do trabalho com a terra, dos direitos humanos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Viveiro de Mudas Silvino Gouveia \u00e9 uma mostra disso. Localizado no assentamento Liberdade, em Periquito, Vale do Rio Doce (MG) proporciona aos agricultores um aprendizado por meio do qual o MST pretende reflorestar assentamentos da reforma agr\u00e1ria: o projeto Semeando Agroflorestas.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta, como explicou o jovem assentado Davy Pereira Paix\u00e3o, \u00e9 fazer um trabalho de recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas que est\u00e3o muito degradadas. \u201cSeja em fun\u00e7\u00e3o da atividade anterior, do fazendeiro que explorou muito, seja pelo pastoreio e pelo mau uso da terra.\u201d A t\u00e9cnica alia o plantio de \u00e1rvores \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cPelas hist\u00f3rias contadas pelos mais velhos, a gente se sente muito triste. Est\u00e3o acabando com tudo e a monocultura aumentando\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Pereira da Paix\u00e3o trabalha como coletor de sementes no viveiro de mudas Silvino Gouveia. Depois leva mudas para outros assentamentos. T\u00e9cnico em administra\u00e7\u00e3o de cooperativas, estudou na escola do MST. \u201cDesde sempre gostei de estudar a quest\u00e3o da agroecologia. Pra gente que conhece outras regi\u00f5es, \u00e9 triste voltar aqui e ver esses morros todos pelados, essa degrada\u00e7\u00e3o. O trabalho do viveiro rejuvenesce a gente. Quando chegamos nos assentamentos somos recebidos com muito carinho e as pessoas entendem a import\u00e2ncia que tem isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o quatro viveiros no estado e mais de 600 fam\u00edlias assentadas e mais de 300 acampadas. \u201cCada assentamento tem um n\u00facleo que contribui com o trabalho no viveiro, a tarefa de coleta de sementes, e estuda essa quest\u00e3o do SAF, como fazer para recuperar as \u00e1reas, as nascentes. Tem muita gente envolvida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Rede Brasil Atual<\/p>\n\n\n\nhttps:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/01\/22\/governo-bolsonaro-ameaca-fechar-escolas-do-mst-que-atendem-200-mil-alunos\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22025\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[118],"tags":[224],"class_list":["post-22025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c131-reforma-agraria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Jf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22025"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22025\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}