{"id":22077,"date":"2019-01-25T23:31:24","date_gmt":"2019-01-26T01:31:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22077"},"modified":"2019-01-26T00:04:56","modified_gmt":"2019-01-26T02:04:56","slug":"novo-crime-ambiental-em-mg-o-capitalismo-mata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22077","title":{"rendered":"Novo crime ambiental em MG: o capitalismo mata"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acheiusa.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Barragem-se-rompe-em-Brumadinho-MG-\u2014-Foto-Corpo-de-Bombeiros-Divulga\u00e7\u00e3o.jpeg\"\/><!--more-->Ap\u00f3s tr\u00eas anos do crime de Mariana, nova barragem da Vale se rompe em Minas Gerais\nReda\u00e7\u00e3o &#8211; Brasil de Fato<\/p><p>\nA barragem Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, da mineradora Vale, se rompeu nesta sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade da regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. <\/p><p>As primeiras informa\u00e7\u00f5es indicam que os rejeitos atingiram a \u00e1rea administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. A Vale confirmou que havia empregados na \u00e1rea administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade de v\u00edtimas. O Corpo de Bombeiros resgatou, at\u00e9 o final da tarde, quatro pessoas feridas, que foram encaminhadas ao hospital Jo\u00e3o XXIII, em Belo Horizonte. <\/p><p>O Instituto Inhotim, o museu a c\u00e9u aberto de arte contempor\u00e2nea localizado no munic\u00edpio, foi evacuado por precau\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O rompimento da barragem em Brumadinho ocorre pouco mais de tr\u00eas anos do crime ambiental em Mariana, tamb\u00e9m em Minas Gerais \u2013 acidente que, em novembro de 2015, liberou cerca de 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e deixou 19 mortos ap\u00f3s rompimento de barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco.<\/p><p>Maria J\u00falia Gomes de Andrade, coordenadora do Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM), afirma que o licenciamento foi concedido a toque de caixa pelo governo estadual, em dezembro.<\/p><p>&#8220;Eles tramitaram, nesta expans\u00e3o, as tr\u00eas licen\u00e7as juntas (pr\u00e9via, de instala\u00e7\u00e3o e de opera\u00e7\u00e3o), que \u00e9 uma forma de acelerar o processo. Toda a popula\u00e7\u00e3o do entorno do projeto estava com terror do que significaria essa expans\u00e3o. Temos agora a confirma\u00e7\u00e3o que o medo das pessoas se materializou&#8221; , pontua.<\/p><p>J\u00e1 o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) prestou solidariedade com os atingidos pelo rompimento da barragem. &#8220;Denunciamos o atual modelo de minera\u00e7\u00e3o, com empresas privatizadas e multinacionais que visam o lucro a qualquer custo que afeta a vida de milhares de pessoas&#8221;, diz nota do movimento.<\/p><p>&#8220;A Barragem tem capacidade de 1 milh\u00e3o de m\u00b3 de rejeitos, que agora ser\u00e3o derramados sobre o Rio Paraopeba, deixando um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e morte e colocando em risco o abastecimento de milhares de fam\u00edlias em mais de 48 munic\u00edpios da Bacia do Paraopeba.&#8221;<\/p><p>O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor do PL 3650\/2015, que pro\u00edbe barragens molhadas e incentiva a ado\u00e7\u00e3o de barragens secas tamb\u00e9m se posicionou sobre o desastre ambiental. <\/p><p>\u201c\u00c9 uma irresponsabilidade criminosa, porque estamos tratando do mesmo grupo, em menos de tr\u00eas anos novamente e na mesma regi\u00e3o. \u00c9 inaceit\u00e1vel que uma irresponsabilidade com a vida das pessoas e com o meio ambiente possa continuar dessa forma\u201d, disse o parlamentar.<\/p><p>Alerta\nNo fim de 2018, o Brasil de Fato publicou uma mat\u00e9ria que alertava sobre a amplia\u00e7\u00e3o da mina na cidade. <\/p><p>No dia 11 de dezembro, o Conselho Estadual de Pol\u00edtica Ambiental  (Copam) aprovou a amplia\u00e7\u00e3o da mina em Brumadinho e de outra em Sarzedo, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte. As minas est\u00e3o localizadas na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Rola Mo\u00e7a e enfrentavam forte resist\u00eancia dos moradores.<\/p><p>A continuidade das opera\u00e7\u00f5es nas duas minas foi aprovada com apenas um voto contr\u00e1rio e duas absten\u00e7\u00f5es, segundo Maria Teresa Viana, integrante do Copam. \u201cSe eles est\u00e3o fazendo isso em uma \u00e1rea que \u00e9 t\u00e3o perto da popula\u00e7\u00e3o, em locais mais afastados \u00e9 uma tratoragem, uma atr\u00e1s da outra\u201d, declarou, na \u00e9poca, a ambientalista Maria Teresa Viana.<\/p><p>Em nota, o governo do estado de Minas Gerais informou que uma for\u00e7a-tarefa est\u00e1 no local do rompimento para acompanhar e tomar as primeiras medidas. J\u00e1 a Vale informou que \u201ca prioridade total da empresa, neste momento, \u201c\u00e9 preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade\u201d.<\/p><p>O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, no Twitter, lamentou o acidente e disse que a maior preocupa\u00e7\u00e3o no momento \u00e9 &#8220;atender eventuais v\u00edtimas desta grave trag\u00e9dia&#8221;. No in\u00edcio da semana, no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos, Bolsonaro afirmou que &#8220;somos o pa\u00eds que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro pa\u00eds do mundo tem tantas florestas como n\u00f3s\u201d.<\/p><p>Edi\u00e7\u00e3o: Tayguara Ribeiro<\/p><p>Rompimento das barragens j\u00e1 era esperado por moradores de Brumadinho (MG)\nH\u00e1 anos, Movimento das \u00c1guas de Casa Branca realiza a\u00e7\u00f5es contra o avan\u00e7o da atividade na regi\u00e3o\nWallace Oliveira &#8211; Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)\nDuas barragens da Vale romperam nesta sexta (25) em Brumadinho (MG) &#8211; Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o de WhatsApp\nDuas barragens da Vale romperam nesta sexta (25) em Brumadinho (MG) \/ Reprodu\u00e7\u00e3o de WhatsApp\nO rompimento de duas barragens da Vale em Brumadinho (MG), na tarde desta sexta-feira (25), possivelmente \u00e9 um dos maiores crimes ambientais da hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o no Brasil, ao lado do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG), em 2015. Segundo Clara Paiva Izidoro, consultora de empresas e moradora de Casa Branca, distrito de Brumadinho, j\u00e1 havia entre os moradores um temor de que um desastre dessa natureza ocorresse.<\/p><p>\u201cN\u00f3s vamos ter um impacto imenso. N\u00f3s j\u00e1 v\u00ednhamos reconhecendo que v\u00e1rias barragens andavam com risco e isso tem rela\u00e7\u00e3o com abalos s\u00edsmicos pequenos que est\u00e3o acontecendo na regi\u00e3o. Isso significa que, se houve um sismo nessa regi\u00e3o, que tem muitas barragens, ainda podemos ter outros eventos. Ent\u00e3o, esta \u00e9 uma \u00e1rea de muito risco\u201d, explica.<\/p><p>Den\u00fancia publicada no Brasil de Fato no m\u00eas passado mostrou que os moradores se opuseram fortemente \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o do governo de Minas para que as empresas Minera\u00e7\u00f5es Brasileiras Reunidas S.A. e Vale operassem nos munic\u00edpios de Brumadinho e Sarzedo.<\/p><p>H\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, o Movimento das \u00c1guas de Casa Branca realiza in\u00fameras a\u00e7\u00f5es contra o avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o. O grupo tem alertado para o fato de que a as mineradoras operam nas proximidades do Parque Estadual da Serra do Rola Mo\u00e7a e de seis mananciais que abastecem 40% da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, fornecendo \u00e1gua para mais de 2 milh\u00f5es de pessoas. Um abaixo-assinado chegou a ser feito, com 82 mil assinaturas.<\/p><p>&#8220;Meu sentimento de moradora e cidad\u00e3 \u00e9 de n\u00e3o estar sendo ouvida nem respeitada. Quando a gente se levanta contra a minera\u00e7\u00e3o, ouvimos que somos doidos, como se a gente fosse criminoso. N\u00e3o temos mais portas para bater&#8221;, relatou Clara Paiva.<\/p><p>Edi\u00e7\u00e3o: Larissa Costa<\/p><p>Onda de lama da Vale deve atingir 19 munic\u00edpios de MG, afirmam especialistas\nEspecialistas alertam sobre medidas para evitar um dano ainda maior, ap\u00f3s o rompimento da barragem em Brumadinho (MG)\nLeonardo Fernandes &#8211; Brasil de Fato | S\u00e3o Paulo\nEmbora a quantidade de rejeito de minera\u00e7\u00e3o vazada da barragem localizada no munic\u00edpio de Brumadinho, regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte (MG), seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce em dezembro de 2015, os danos socioambientais ser\u00e3o grandes. O alerta \u00e9 feito pelo bi\u00f3logo Renato Ramos. <\/p><p>\u201cAs informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito desencontradas no momento. A gente v\u00ea informa\u00e7\u00f5es de que s\u00e3o um milh\u00e3o de metros c\u00fabicos de rejeito, outras de que pode chegar a at\u00e9 13 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito. \u00c9 uma propor\u00e7\u00e3o muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas tamb\u00e9m \u00e9 um desastre severo\u201d, alerta.<\/p><p>Ramos \u00e9 respons\u00e1vel por um estudo, em parceria com o ge\u00f3logo S\u00f3focles de Assis, e que aponta que 19 munic\u00edpios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. S\u00e3o eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixl\u00e2ndia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarap\u00e9, Juatuba, Maravilhas, M\u00e1rio Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Par\u00e1 de Minas, Paraopeba, Pequi, Pomp\u00e9u, S\u00e3o Joaquim de Bicas e S\u00e3o Jos\u00e9 da Varginha. Segundo os pesquisadores, \u00e9 poss\u00edvel que a pluma chegue at\u00e9 a barragem de UHE Retiro Novo, pr\u00f3ximo a Tr\u00eas Marias. <\/p><p><\/p><p>Ao Brasil de Fato, os especialistas afirmaram que j\u00e1 vinham trabalhando no estudo das consequ\u00eancias do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova trag\u00e9dia. Esses estudos poderiam, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio S\u00e3o Francisco, provocando um dano ainda maior. <\/p><p>\u201cA gente est\u00e1 pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama \u00e9 fechar a barragem de Tr\u00eas Marias. Ali tem um reservat\u00f3rio muito grande e talvez a quantidade de \u00e1gua que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservat\u00f3rio. Isso ajudaria a n\u00e3o impactar o restante do Rio S\u00e3o Francisco\u201d. <\/p><p>Estudos apontam que h\u00e1 mais de 400 barragens de rejeitos no territ\u00f3rio mineiro, sendo que 50 apresentam n\u00e3o tem garantia de estabilidade e apresentam riscos.<\/p><p>O rompimento ocorreu no come\u00e7o da tarde desta sexta-feira. O governo de Minas Gerais afirmou que a Defesa Civil do Estado j\u00e1 enviou uma equipe para o local. Anda n\u00e3o h\u00e1 estimativa sobre o n\u00famero de pessoas atingidas.<\/p><p>Edi\u00e7\u00e3o: Luiz Felipe Albuquerque\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22077\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239],"tags":[224],"class_list":["post-22077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5K5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22077\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}