{"id":22096,"date":"2019-01-26T20:35:13","date_gmt":"2019-01-26T22:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22096"},"modified":"2019-01-26T20:35:19","modified_gmt":"2019-01-26T22:35:19","slug":"as-ligacoes-do-cla-bolsonaro-com-as-milicias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22096","title":{"rendered":"As liga\u00e7\u00f5es do cl\u00e3 Bolsonaro com as mil\u00edcias"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/theintercept.imgix.net\/wp-uploads\/sites\/1\/2019\/01\/12650328-high-1548191967.jpeg?auto=compress%2Cformat&#038;q=90&#038;fit=crop&#038;w=1200&#038;h=800\"\/><!--more-->THE INTERCEPT BRASIL<\/p><p>Cec\u00edlia Oliveira<\/p><p>Quanto mais se descobre, mais pr\u00f3xima fica a rela\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com milicianos do RJ. E ela vai bem al\u00e9m de medalhas e homenagens. Foto: Mateus Bonomi\/Agif\/Folhapress.<\/p><p>\u201cHoje \u00e9 no amor!\u201d A cena do miliciano Major Rocha feliz\u00e3o em um churrasco, em que ele comemora com tiros para o alto os quatro anos do centro comunit\u00e1rio em \u201cRio das Rochas\u201d, no filme Tropa de Elite 2, \u00e9 um bom retrato da realidade das mil\u00edcias no Rio de Janeiro. \u201c\u00c9 tudo nosso!\u201d, ele grita. Mas um dia a casa cai. E foi o que aconteceu hoje, quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Pol\u00edcia Civil anunciaram a pris\u00e3o de cinco milicianos acusados de grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. N\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o \u2013 mas, por tabela, a opera\u00e7\u00e3o, batizada de Intoc\u00e1veis, tamb\u00e9m esbarrou em dois suspeitos da execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco e Anderson Gomes.<\/p><p>Um deles, preso na opera\u00e7\u00e3o, \u00e9 o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira. Segundo a pol\u00edcia, ele \u00e9 grileiro nos bairros de Vargem Grande e Vargem Pequena e chefe da mil\u00edcia de Muzema, no bairro do Itanhang\u00e1 \u2013 de onde o carro usado no assassinato de Marielle partiu. O outro \u00e9 Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega, chefe da mil\u00edcia de Rio das Pedras e ex-policial do Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais, o Bope, que est\u00e1 foragido. Expulso da PM por envolvimento com um dos principais cl\u00e3s da m\u00e1fia do jogo do bicho no Rio, o ex-capit\u00e3o investiu na carreira de mercen\u00e1rio, trabalhando para bicheiros, pol\u00edticos e para quem mais pagasse bem.<\/p><p>O envolvimento do ex-caveira com o assassinato da vereadora e seu motorista foi revelado pelo Intercept na semana passada. Ao menos seis testemunhas citam o policial como o assassino. A escolha da arma, o uso de muni\u00e7\u00e3o de uso restrito e a compet\u00eancia t\u00e9cnica na execu\u00e7\u00e3o do crime apontaram para o Bope ainda em maio de 2018.<\/p><p>Diga-me com quem andas e eu te direi quem \u00e9s<\/p><p>Devido ao \u00f3timo \u201cperfil t\u00e9cnico\u201d, em 2005 Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega recebeu a medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Legislativo fluminense, por indica\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o deputado estadual, hoje senador eleito, Fl\u00e1vio Bolsonaro, do PSL, o filho 02 de Jair Bolsonaro. O ex-caveira tamb\u00e9m recebeu outras duas honrarias, de louvor e congratula\u00e7\u00f5es por servi\u00e7os prestados \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o, por atuar \u201cdireta e indiretamente em a\u00e7\u00f5es promotoras de seguran\u00e7a e tranquilidade para a sociedade\u201d.<\/p><p>Fl\u00e1vio Bolsonaro tamb\u00e9m condecorou o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, que recebeu mo\u00e7\u00e3o honrosa quando j\u00e1 era investigado como um dos autores de uma chacina de cinco jovens na antiga boate Via Show, em 2003, na Baixada Fluminense.<\/p><p>Os dois s\u00e3o suspeitos de integrar o \u201cEscrit\u00f3rio do Crime\u201d, um grupo de exterm\u00ednio apontado como respons\u00e1vel pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Quatro PMs ligados ao grupo j\u00e1 foram presos. Pereira ser\u00e1 julgado em 10 de abril deste ano. O grupo \u00e9 acusado ainda de extors\u00e3o de moradores e comerciantes, agiotagem e pagamento de propina.<\/p><p>Segundo o MP, o grupo de milicianos presos na opera\u00e7\u00e3o Intoc\u00e1veis agia na regi\u00e3o das comunidades de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foi justamente para l\u00e1 que Fabr\u00edcio Queiroz, o ex-PM e ex-assessor do senador eleito do PSL Fl\u00e1vio Bolsonaro foi se esconder depois que estourou o esc\u00e2ndalo sobre sua movimenta\u00e7\u00e3o financeira suspeita.<\/p><p>O Coaf detectou uma movimenta\u00e7\u00e3o de R$ 7 milh\u00f5es, incompat\u00edvel com a renda do ex-assessor. O dinheiro era depositado por outros assessores de Fl\u00e1vio Bolsonaro e de seu pai, Jair Bolsonaro. A primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a receber um cheque de R$ 24 mil de Queiroz. J\u00e1 Fl\u00e1vio Bolsonaro recebeu 48 dep\u00f3sitos suspeitos no valor de R$ 2 mil cada.\nFam\u00edlia, a sagrada base de tudo<\/p><p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Bolsonaro com a fam\u00edlia \u00e9 tocante. Al\u00e9m de arranjar emprego para a esposa e filhas de Fabr\u00edcio Queiroz \u2013 uma delas como assessora fantasma de seu pai \u2013, ele empregou tamb\u00e9m a m\u00e3e e a esposa do ex-Bope Adriano N\u00f3brega. Sim, o mesmo que \u00e9 apontado como um dos assassinos de Marielle Franco.<\/p><p>A m\u00e3e do ex-policial, Raimunda Veras Magalh\u00e3es, tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cia de um restaurante que fica longe da Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio de Janeiro, mas em frente \u00e0 do Banco Ita\u00fa onde foram feitos 17 dep\u00f3sitos em dinheiro vivo na conta de Queiroz. Ela \u00e9 citada nas movimenta\u00e7\u00f5es suspeitas detectadas pelo Coaf.<\/p><p>Fl\u00e1vio Bolsonaro segue a cartilha de dizer que \u201cn\u00e3o sabia de nada\u201d. Nem do que faziam seus pr\u00f3prios funcion\u00e1rios.<\/p><p>Fl\u00e1vio Bolsonaro disse em nota que n\u00e3o sabia de nada e que, devido \u00e0s \u00faltimas not\u00edcias, se sente perseguido. \u201cQuanto ao parentesco constatado da funcion\u00e1ria, que \u00e9 m\u00e3e de um foragido, j\u00e1 condenado pela Justi\u00e7a, reafirmo que \u00e9 mais uma ila\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel daqueles que pretendem me difamar\u201d. O senador eleito jogou no colo do ex-assessor Queiroz a responsabilidade pelas indica\u00e7\u00f5es de seus assessores. Seu ex-funcion\u00e1rio aceitou de bom grado, enviando at\u00e9 uma nota \u00e0 imprensa esclarecendo que, de fato, conhecida o ex-caveira Adriano e foi o respons\u00e1vel por indicar suas parentes para trabalhar para Bolsonaro.<\/p><p>Fl\u00e1vio ostenta no pr\u00f3prio Instagram sua foto com o pai, Jair Bolsonaro, e com os PMs Alan e Alex, presos na opera\u00e7\u00e3o Quarto Elemento.<\/p><p>Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel que Fl\u00e1vio Bolsonaro tamb\u00e9m n\u00e3o soubesse a ficha t\u00e9cnica de outros dois policiais que participaram de sua campanha e foram presos na Opera\u00e7\u00e3o Quarto Elemento, tamb\u00e9m desencadeada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, que investigava uma quadrilha de policiais especializada em extors\u00f5es. Pode ser que ele tamb\u00e9m n\u00e3o soubesse que, de acordo com o MP, a mil\u00edcia de S\u00e3o Gon\u00e7alo organizou um ato de campanha em favor do Coronel Salema, seu colega de partido, eleito deputado estadual com quase 100 mil votos.<\/p><p>Ah, essa \u00faltima \u00e9 dif\u00edcil de negar: al\u00e9m dos dois terem feito campanha juntos, Fl\u00e1vio Bolsonaro chegou a anunciar: \u201cmais um guerreiro ao nosso lado!\u201d. Parece que agora est\u00e1 ficando claro a qual lado ele estava se referindo.<\/p><p>O Mecanismo<\/p><p>Orgulhosa de ser militarista, a dinastia Bolsonaro nunca escondeu seu apre\u00e7o pela mil\u00edcia, grupos de paramilitares formados por ex-policiais, PMs, bombeiros e agentes penitenci\u00e1rios que torturam, roubam, traficam e dominam economicamente, grande parte do Rio de Janeiro.<\/p><p>Fl\u00e1vio Bolsonaro j\u00e1 prop\u00f4s inclusive a legaliza\u00e7\u00e3o desses grupos paramilitares. No in\u00edcio de seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Rio, em 2007, ele votou contra a instala\u00e7\u00e3o da CPI das mil\u00edcias, que entrou em pauta ap\u00f3s um grupo de milicianos torturar por horas a fio uma equipe de jornalistas do jornal O Dia. A justificativa? Mil\u00edcias n\u00e3o eram t\u00e3o ruins assim e as pessoas s\u00e3o muito felizes em \u00e1reas dominadas por paramilitares.<\/p><p>\u201cSempre que ou\u00e7o relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, n\u00e3o raro \u00e9 constatada a felicidade dessas pessoas que antes tinham que se submeter \u00e0 escravid\u00e3o, a uma imposi\u00e7\u00e3o hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos disp\u00f5em dessa garantia, desse direito constitucional, que \u00e9 a seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d, disse \u00e0 \u00e9poca, na Alerj.<\/p><p>Em casa a banda toca nesse ritmo. Em 27 anos de discursos como deputado na C\u00e2mara, o pai Jair Bolsonaro defendeu milicianos \u201cdo bem\u201d e grupos de exterm\u00ednio pelo menos quatro vezes. A primeira, em 2003, ao defender grupos de exterm\u00ednio:<\/p><p>    \u201cEnquanto o Estado n\u00e3o tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de exterm\u00ednio, no meu entender, ser\u00e1 muito bem-vindo. Se n\u00e3o houver espa\u00e7o para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, ter\u00e3o todo o meu apoio, porque no meu Estado s\u00f3 as pessoas inocentes s\u00e3o dizimadas.\u201d<\/p><p>Em 2008, ao criticar o relat\u00f3rio final da CPI das Mil\u00edcias, Bolsonaro disse que \u201cn\u00e3o se pode generalizar\u201d ao falar de milicianos. Na \u00e9poca, a CPI pediu o indiciamento de 266 pessoas, entre elas sete pol\u00edticos, suspeitas de liga\u00e7\u00e3o com grupos paramilitares no Rio.<\/p><p>    \u201cQuerem atacar o miliciano, que passou a ser o s\u00edmbolo da maldade e pior do que os traficantes. Existe miliciano que n\u00e3o tem nada a ver com \u2018gatonet\u2019, com venda de g\u00e1s. Como ele ganha 850 reais por m\u00eas, que \u00e9 quanto ganha um soldado da PM ou do bombeiro, e tem a sua pr\u00f3pria arma, ele organiza a seguran\u00e7a na sua comunidade. Nada a ver com mil\u00edcia ou explora\u00e7\u00e3o de \u2018gatonet\u2019, venda de g\u00e1s ou transporte alternativo. Ent\u00e3o, Sr. Presidente, n\u00e3o podemos generalizar.\u201d<\/p><p>Quando foi relembrado sobre este apre\u00e7o pelas mil\u00edcias durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro fez a eg\u00edpcia e se disse desinteressado no tema. \u201cHoje em dia ningu\u00e9m apoia mil\u00edcia mais n\u00e3o. Mas n\u00e3o me interessa mais discutir isso\u201d, disse.<\/p><p>Jair Bolsonaro, vale lembrar, foi o \u00fanico presidenci\u00e1vel a n\u00e3o se manifestar sobre a execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco e Anderson Gomes. E Fl\u00e1vio Bolsonaro foi o \u00fanico deputado que votou contra a vereadora assassinada receber a medalha Tiradentes como uma homenagem p\u00f3stuma.<\/p><p>No fim das contas, o brasileiro parece ter eleito o Major Rocha achando que estava votando no Coronel Nascimento. Talvez seus eleitores precisem assistir \u00e0 Tropa de Elite de novo.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22096\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[222],"class_list":["post-22096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ko","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}