{"id":22138,"date":"2019-01-29T23:42:47","date_gmt":"2019-01-30T01:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22138"},"modified":"2019-01-29T23:42:52","modified_gmt":"2019-01-30T01:42:52","slug":"no-rio-de-janeiro-a-milicia-nao-e-poder-paralelo-e-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22138","title":{"rendered":"No Rio de Janeiro a mil\u00edcia n\u00e3o \u00e9 poder paralelo. \u00c9 o Estado"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/milicia-700x360_c.jpg\"\/><!--more-->P\u00fablica<\/p><p>Em entrevista, soci\u00f3logo que estuda as mil\u00edcias h\u00e1 26 anos explica as rela\u00e7\u00f5es entre legisladores e milicianos e diz que a fam\u00edlia Bolsonaro \u00e9 herdeira pol\u00edtica de deputados ligados a grupos de exterm\u00ednio nos anos 90. <\/p><p>Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Souza Alves \u00e9 autor do livro Dos Bar\u00f5es ao exterm\u00ednio: a hist\u00f3ria da viol\u00eancia na Baixada Fluminense.<\/p><p>Mariana Sim\u00f5es<\/p><p>Na semana passada, a opera\u00e7\u00e3o \u201cOs Intoc\u00e1veis\u201d prendeu integrantes da mil\u00edcia que opera em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um dos alvos da opera\u00e7\u00e3o foi o ex-capit\u00e3o da PM Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega, acusado de chefiar a mil\u00edcia de Rio das Pedras e integrar o grupo de exterm\u00ednio Escrit\u00f3rio do Crime \u2013 atualmente investigado pela morte de Marielle Franco. Sua m\u00e3e e sua esposa j\u00e1 trabalharam no gabinete de Fl\u00e1vio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Fl\u00e1vio tamb\u00e9m havia homenageado Adriano com a Medalha Tiradentes, a maior honraria concedida pela Alerj.<\/p><p>Mas a not\u00edcia n\u00e3o surpreendeu o autor do livro Dos Bar\u00f5es ao exterm\u00ednio: a hist\u00f3ria da viol\u00eancia na Baixada Fluminense, Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Souza Alves. Soci\u00f3logo e ex-pr\u00f3-reitor de Extens\u00e3o da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Jos\u00e9 Cl\u00e1udio estuda as mil\u00edcias h\u00e1 26 anos. Em entrevista \u00e0 P\u00fablica, ele resume, com veem\u00eancia: \u201cA mil\u00edcia \u00e9 o Estado.\u201d<\/p><p>\u201cS\u00e3o formadas pelos pr\u00f3prios agentes do Estado. \u00c9 um matador, \u00e9 um miliciano que \u00e9 deputado, que \u00e9 vereador. \u00c9 um miliciano que \u00e9 Secret\u00e1rio de Meio Ambiente. Sem essa conex\u00e3o direta com a estrutura do Estado n\u00e3o haveria mil\u00edcia na atua\u00e7\u00e3o que ela tem hoje,\u201d acrescenta.<\/p><p>Segundo Jos\u00e9 Cl\u00e1udio, \u00e9 comum familiares de milicianos serem empregados em gabinetes de deputados e vereadores. \u201cIsso \u00e9 muito comum. Esse v\u00ednculo lhe d\u00e1 poder naquela comunidade. Ele vai ser chamado agora na comunidade: \u2018Olha \u00e9 o cara que tem um poder junto l\u00e1 ao Deputado, qualquer coisa a gente resolve, fala com ele, que ele fala com a m\u00e3e e com a esposa e elas falam diretamente com o Fl\u00e1vio e isso \u00e9 resolvido\u2019\u201d.<\/p><p>Nessa entrevista, ele explica a origem desses grupos e suas liga\u00e7\u00f5es com a pol\u00edtica: \u201cCinco d\u00e9cadas de grupo de exterm\u00ednio resultaram em 70% de vota\u00e7\u00e3o em Bolsonaro na Baixada.<\/p><p>Como nasceram as mil\u00edcias do Rio de Janeiro?<\/p><p>Isso estourou na \u00e9poca da ditadura militar com muita for\u00e7a. Em 1967 surge a Pol\u00edcia Militar nos moldes atuais de for\u00e7a ostensiva e auxiliar aos militares naquela \u00e9poca. E a partir da\u00ed h\u00e1 o surgimento dos esquadr\u00f5es da morte. No final dos anos 1960, as mil\u00edcias surgiram como grupos de exterm\u00ednio compostos por Policiais Militares e outros agentes de seguran\u00e7a que atuavam como matadores de aluguel.<\/p><p>Esses esquadr\u00f5es da morte v\u00e3o estar funcionando a pleno vapor nos anos 1970. Depois come\u00e7a a surgir a atua\u00e7\u00e3o de civis como lideran\u00e7as de grupos de exterm\u00ednio, mas sempre em uma rela\u00e7\u00e3o com os agentes do Estado. Isso ao longo dos anos 1980. Com a democracia, esses mesmos matadores dos anos 1980 come\u00e7am a se eleger nos anos 1990. Se elegem prefeitos, vereadores, deputados.<\/p><p>De 1995 at\u00e9 2000, voc\u00ea tem o prot\u00f3tipo do que seriam as mil\u00edcias na Baixada, Zona Oeste e no Rio de Janeiro. Elas est\u00e3o associadas a ocupa\u00e7\u00f5es urbanas de terras. S\u00e3o lideran\u00e7as que est\u00e3o emergindo dessas ocupa\u00e7\u00f5es e est\u00e3o ligadas diretamente \u00e0 quest\u00e3o das terras na Baixada Fluminense. A partir dos anos 2000, esses milicianos j\u00e1 est\u00e3o se constituindo como s\u00e3o hoje. S\u00e3o Policiais Militares, Policiais Civis, bombeiros, agentes de seguran\u00e7a, e atuam em \u00e1reas onde antes tinha a presen\u00e7a do tr\u00e1fico, em uma rela\u00e7\u00e3o de confronto com o tr\u00e1fico. Mas ao mesmo tempo estabelecem uma estrutura de poder calcado na cobran\u00e7a de taxas, na venda de servi\u00e7os e bens urbanos como \u00e1gua, aterro, terrenos.<\/p><p>H\u00e1 apoio da popula\u00e7\u00e3o \u00e0s mil\u00edcias?<\/p><p>A mil\u00edcia surge com o discurso que veio para se contrapor ao tr\u00e1fico. E esse discurso ainda cola. S\u00f3 que com o tempo a popula\u00e7\u00e3o vai vendo que quem se contrap\u00f5e a eles, eles matam. E eles passam a controlar os v\u00e1rios com\u00e9rcios. Ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7a a ficar assustada e j\u00e1 n\u00e3o apoia tanto. \u00c9 sempre assim a hist\u00f3ria das mil\u00edcias.<\/p><p>Qual a hist\u00f3ria de Rio das Pedras?<\/p><p>Rio das Pedras \u00e9 uma comunidade em expans\u00e3o onde vivem nordestinos muito pobres. Existem terrenos l\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o pode construir porque s\u00e3o inadequados, s\u00e3o muito movedi\u00e7os. Ent\u00e3o s\u00f3 tem uma faixa espec\u00edfica de terra onde voc\u00ea pode construir. S\u00e3o terras irregulares, devolutas da Uni\u00e3o, ou terras de particulares que n\u00e3o conseguiram se manter naquele espa\u00e7o. Ent\u00e3o a mil\u00edcia passa a controlar, toma e legaliza \u2013 \u00e0s vezes at\u00e9 via Prefeitura mesmo, pagando IPTU desses im\u00f3veis. Como o sistema fundi\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 regulado, facilmente os milicianos t\u00eam acesso a informa\u00e7\u00f5es e v\u00e3o tomar essas \u00e1reas. E passam a vend\u00ea-las.<\/p><p>Rio das Pedras foi a primeira mil\u00edcia do Rio?<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 bem assim. Ao meu ver a mil\u00edcia surgiu em diferentes lugares ao mesmo tempo, simultaneamente. Ent\u00e3o tem Rio das Pedras, mas tem Zona Oeste do Rio e tem, por exemplo, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.<\/p><p>Eu percebo dos anos 1995 a 2000, grosso modo, um per\u00edodo de emerg\u00eancia dessas ocupa\u00e7\u00f5es urbanas de terras, ainda n\u00e3o no prot\u00f3tipo de mil\u00edcias, mas com lideran\u00e7as comunit\u00e1rias pr\u00f3ximas ao que seria um controle pela viol\u00eancia, um controle pol\u00edtico mais autorit\u00e1rio.<\/p><p>S\u00f3 que Rio das Pedras ela emerge mais rapidamente. Ent\u00e3o ali come\u00e7a esse v\u00ednculo da cobran\u00e7a de taxa, que nas outras ainda n\u00e3o tinha. E s\u00e3o os comerciantes que pagam a eles.<\/p><p>\u00c9 uma comunidade miser\u00e1vel, empobrecida, que est\u00e1 se constituindo a partir de uma rede migrat\u00f3ria de nordestinos. E ela fica diante de um grupo de milicianos que est\u00e3o sendo chamados para dar prote\u00e7\u00e3o, impedir que o tr\u00e1fico entre. Mas na verdade \u00e9 para proteger os interesses comerciais desses lojistas que est\u00e3o se instalado l\u00e1 em Rio das Pedras e est\u00e3o financiando esses caras.<\/p><p>Hoje s\u00e3o quantas as mil\u00edcias do Rio de Janeiro?<\/p><p>Eu tenho no\u00e7\u00e3o que s\u00e3o muitas. Por exemplo, s\u00e3o v\u00e1rias que atuam em S\u00e3o Bento e no Pilar, que \u00e9 o segundo maior distrito de Duque de Caxias. Tem em Nova Igua\u00e7u, tem em Queimados. Praticamente cada munic\u00edpio da Baixada Fluminense voc\u00ea tem a presen\u00e7a de mil\u00edcias. Serop\u00e9dica, por exemplo, hoje \u00e9 uma cidade dominada por milicianos. Eles controlam taxas de seguran\u00e7a que cobram do com\u00e9rcio. Aqui tem os areais, de onde se extrai muita areia \u2013 e muitos s\u00e3o clandestinos. Ent\u00e3o eles tamb\u00e9m cobram dali. Moto-t\u00e1xi tem que pagar 80 reais por semana para funcionar. Pipoqueiro paga 50 reais por semana. \u00c9 uma loucura.<\/p><p>Dizem que \u00e9 para a seguran\u00e7a, prote\u00e7\u00e3o, eles est\u00e3o supostamente protegendo esse com\u00e9rcio. Mas depois controlam a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, de g\u00e1s, de cigarro, de bebida. E h\u00e1 hist\u00f3rias de assassinato de gente que n\u00e3o aceitou, por exemplo.<\/p><p>Al\u00e9m disso, eles s\u00e3o pagos para fazer execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias. Ent\u00e3o h\u00e1 um mercado que movimenta milh\u00f5es j\u00e1 h\u00e1 algum tempo.<\/p><p>Eles tamb\u00e9m lidam com tr\u00e1fico de drogas, com algumas fac\u00e7\u00f5es especificas. O Terceiro Comando Puro funciona aqui em algumas cidades da baixada a partir de acordos com milicianos. Eles fazem acordo com o tr\u00e1fico e v\u00e3o ganhar dinheiro tamb\u00e9m disso. Cobram aluguel de \u00e1reas. \u00c9 a mesma rela\u00e7\u00e3o que a pol\u00edcia tem com o tr\u00e1fico: s\u00f3 funciona ali se voc\u00ea pagar s<\/p><p>Na cobertura feita pelos jornais sobre a opera\u00e7\u00e3o \u201cOs Intoc\u00e1veis\u201d, eles citam o Escrit\u00f3rio da Morte, um grupo de exterm\u00ednio que \u00e9 contratado para matar. Isso \u00e9 comum?<\/p><p>Sim. Nunca ouvi falar de mil\u00edcia que n\u00e3o tivesse a pr\u00e1tica de execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria. Normalmente a mil\u00edcia tem uma equipe ou um grupo respons\u00e1vel por execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias. O comerciante que n\u00e3o quiser pagar, o morador que n\u00e3o se sujeitar a pagamento do im\u00f3vel que ele comprou, qualquer neg\u00f3cio e discord\u00e2ncia com os interesses da mil\u00edcia, esse bra\u00e7o armado \u00e9 acionado e vai matar.<\/p><p>A novidade da mil\u00edcia \u00e9 o leque de servi\u00e7os que eles abrem al\u00e9m da execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria e da seguran\u00e7a. A\u00ed \u00e9 tudo: \u00e1gua, buj\u00e3o de g\u00e1s, \u201cgatonet\u201d, transporte clandestino de pessoas, terra, terrenos, im\u00f3veis. A mil\u00edcia n\u00e3o fica agora fixa em grandes comerciantes ou grandes empres\u00e1rios. Ela pulveriza isso. Eles v\u00e3o sofisticando tamb\u00e9m na administra\u00e7\u00e3o do gerenciamento.<\/p><p>Em que outros neg\u00f3cios ilegais os milicianos atuam?<\/p><p>L\u00e1 em Duque de Caxias eles roubam petr\u00f3leo dos oleodutos da Petrobras e fazem mini destilarias nas casas das pessoas. Tudo ilegal, com um risco imenso. A\u00ed vendem combust\u00edvel adulterado. Eles fazem aterros clandestinos no meio daquela regi\u00e3o com dragas e tratores e v\u00e3o enterrando o lixo de quem pagar. \u00c9 mil reais por caminh\u00e3o. N\u00e3o importa a origem. Pode ser lixo contaminante, lixo industrial, lixo hospitalar. Eles fazem aterros clandestinos nesta regi\u00e3o.<\/p><p>A mil\u00edcia tem controle tamb\u00e9m sobre bens p\u00fablicos, como aterros, e eles se apropriam desses espa\u00e7os para fazer atividades ilegais\u2026<\/p><p>A base de uma mil\u00edcia \u00e9 o controle militarizado de \u00e1reas geogr\u00e1ficas. Ent\u00e3o o espa\u00e7o urbano, em si se transforma em uma fonte de ganho. Se voc\u00ea controla militarmente, com armas por meio da viol\u00eancia esse espa\u00e7o urbano, voc\u00ea vai ent\u00e3o ganhar dinheiro com esse espa\u00e7o urbano. De que maneira? Voc\u00ea vende im\u00f3veis. Por exemplo, voc\u00ea tem um programa do governo federal chamado Minha Casa Minha Vida. Voc\u00ea constr\u00f3i habita\u00e7\u00f5es. A\u00ed a mil\u00edcia vai e controla militarmente aquela \u00e1rea e vai determinar quem \u00e9 que vai ocupar a casa. E inclusive vai cobrar taxa desses moradores.<\/p><p>Em outra \u00e1rea eles est\u00e3o vendendo im\u00f3veis e est\u00e3o ganhando dinheiro com essa terra, que \u00e9 terra da Uni\u00e3o ou terra de particulares. Ent\u00e3o esse controle militarizado desses espa\u00e7os, \u00e9 a base da mil\u00edcia. A\u00ed como eles sabem dessas informa\u00e7\u00f5es? Eles sabem dentro da estrutura do Estado.<\/p><p>Voc\u00ea pode ter um respaldo pol\u00edtico para fazer isso. Vou dar um exemplo para voc\u00ea. Em Duque de Caxias, um n\u00famero razo\u00e1vel de escolas p\u00fablicas n\u00e3o \u00e9 abastecido pelo sistema de \u00e1gua da CEDAE. A \u00e1gua n\u00e3o chega l\u00e1. Como que essas escolas funcionam? Elas compram caminh\u00f5es pipa de \u00e1gua. Quem \u00e9 o vendedor? Quem \u00e9 que ganhou a licita\u00e7\u00e3o para distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em um pre\u00e7o absurdo por meio desses caminh\u00f5es pipa? Gente ligada aos milicianos. Ent\u00e3o a\u00ed voc\u00ea tem um v\u00ednculo com os servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 e \u00e9 uma grana pesada \u2013 a que passa pelo interesse pol\u00edtico daquele grupo dentro daquela prefeitura que vai se beneficiar de uma informa\u00e7\u00e3o e vai ganhar dinheiro com isso.<\/p><p>A Baixada e o Rio de Janeiro s\u00e3o grandes laborat\u00f3rios de ilicitudes e de ilegalidades que se associam para fortalecer uma estrutura de poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico, cultural, geograficamente estabelecido e calcado na viol\u00eancia, no controle armado.<\/p><p>A mil\u00edcia surgiu no Rio de Janeiro pela aus\u00eancia do Estado?<\/p><p>H\u00e1 uma continuidade do Estado. O matador se elege, o miliciano se elege. Ele tem rela\u00e7\u00f5es diretas com o Estado. Ele \u00e9 o agente do Estado. Ele \u00e9 o Estado. Ent\u00e3o n\u00e3o me venha falar que existe uma aus\u00eancia de Estado. \u00c9 o Estado que determina quem vai operar o controle militarizado e a seguran\u00e7a daquela \u00e1rea. Porque s\u00e3o os pr\u00f3prios agentes do Estado. \u00c9 um matador, \u00e9 um miliciano que \u00e9 deputado, que \u00e9 vereador, \u00e9 um miliciano que \u00e9 Secret\u00e1rio de Meio Ambiente.<\/p><p>Eu sempre digo: n\u00e3o use isso porque n\u00e3o \u00e9 poder paralelo. \u00c9 o poder do pr\u00f3prio Estado.<\/p><p>Eu estou falando de um Estado que avan\u00e7a em opera\u00e7\u00f5es ilegais e se torna mais poderoso do que ele \u00e9 na esfera legal. Porque ele vai agora determinar sobre a sua vida de uma forma totalit\u00e1ria. E voc\u00ea n\u00e3o consegue se contrapor a ela.<\/p><p>Mas, por outro lado, quem elege os pol\u00edticos milicianos \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o\u2026.<\/p><p>N\u00e3o venha dizer que o morador \u00e9 conivente, \u00e9 c\u00famplice do crime. Esse pessoal elegeu o Fl\u00e1vio Bolsonaro, que agora se descobriu que ele tem possivelmente v\u00ednculos com esses grupos? Elegeu. Mas que condi\u00e7\u00f5es que essas pessoas vivem para chegar nisso? Essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o submetidas a condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, de pobreza e de viol\u00eancia que se imp\u00f5em sobre elas.<\/p><p>Cinco d\u00e9cadas de grupo de exterm\u00ednio resultaram em 70% de vota\u00e7\u00e3o em Bolsonaro na Baixada.<\/p><p>Tr\u00eas gest\u00f5es do PT no governo federal, 14 anos no poder, n\u00e3o arranharam essa estrutura. Deram Bolsa Fam\u00edlia, v\u00e1rios grupos pol\u00edticos se vincularam ao PT e se beneficiaram, mas o PT n\u00e3o alterou em nada essa estrutura. O PT fez alian\u00e7a eleitoral, buscou apoio desses grupos.<\/p><p>Como voc\u00ea mencionou a hist\u00f3ria do Fl\u00e1vio Bolsonaro: o que liga o gabinete de um pol\u00edtico a um miliciano, como foi no caso dele com a m\u00e3e e a esposa do Adriano Magalh\u00e3es da N\u00f3brega?<\/p><p>O discurso da fam\u00edlia Bolsonaro, a come\u00e7ar pelo pai j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, e posteriormente o pai projetando nos filhos politicamente. Eles s\u00e3o os herdeiros do discurso de um delegado Sivuca [Jos\u00e9 Guilherme Godinho Sivuca Ferreira, eleito deputado federal pelo PFL em 1990], que \u00e9 o cara que que cunhou a express\u00e3o \u201cBandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, de um Emir Larangeira [eleito deputado estadual em 1990], do pessoal da velha guarda, do bra\u00e7o pol\u00edtico dos grupos de exterm\u00ednio.<\/p><p>Esse discurso se perpetuou e se consolidou. \u00c9 claro que os milicianos v\u00e3o respaldar esse discurso e v\u00e3o se fortalecer a partir dele. \u00c9 o plano de seguran\u00e7a p\u00fablica defendida na campanha eleitoral do Bolsonaro. Ele diz o seguinte: Policiais Militares s\u00e3o os her\u00f3is da na\u00e7\u00e3o. Policial Militar tem que ser apoiado, respaldado, vai ganhar placa de her\u00f3i.<\/p><p>E ser\u00e1 respaldado pela lei, atrav\u00e9s do excludente de ilicitude. Est\u00e1 l\u00e1 no programa do Bolsonaro. Ent\u00e3o voc\u00ea tem setores que desde a ditadura militar sempre operaram na ilegalidade, na execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, v\u00e3o escutar esse discurso. \u00c9 m\u00fasica para o ouvido deles.<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Fl\u00e1vio Bolsonaro fez men\u00e7\u00f5es na Assembleia legislativa, deu honrarias para dois desses milicianos presos.<\/p><p>Para al\u00e9m desse discurso simb\u00f3lico, voc\u00ea v\u00ea tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o financeira dos milicianos com os pol\u00edticos?<\/p><p>Voc\u00ea tem uma opera\u00e7\u00e3o por dentro da estrutura oficial pol\u00edtica. Por exemplo, em Duque de Caxias voc\u00ea tem registro geral de im\u00f3veis de terra que s\u00e3o da Uni\u00e3o. Tem milicianos que v\u00e3o levantar no cadastro geral de im\u00f3veis da prefeitura, os im\u00f3veis que est\u00e3o irregulares, sem pagamento h\u00e1 muito tempo de IPTU. Esse miliciano come\u00e7a a pagar o IPTU, parcela a d\u00edvida, quita e pede para transferir para o nome dele aquele im\u00f3vel. A prefeitura transfere. \u00c9 um processo simples isso. A\u00ed depois aquele propriet\u00e1rio n\u00e3o vai ter nunca coragem de exigir aquele im\u00f3vel de volta, porque est\u00e1 controlado militarmente.<\/p><p>Sem esses elementos, sem esses indiv\u00edduos, sem essa conex\u00e3o direta com a estrutura do Estado, n\u00e3o haveria mil\u00edcia na atua\u00e7\u00e3o que ela tem hoje. \u00c9 determinante. Por isso que eu digo, que n\u00e3o \u00e9 paralelo, \u00e9 o Estado.<\/p><p>E tem pol\u00edticos que est\u00e3o sendo eleitos com essa grana. A grana da mil\u00edcia vai financiar o poder de um pol\u00edtico como Fl\u00e1vio Bolsonaro e o poder pol\u00edtico de um Fl\u00e1vio Bolsonaro vai favorecer o ganho de dinheiro do miliciano. Isso roda em duas m\u00e3os. \u00c9 determinante ent\u00e3o que essa estrutura seja assim. Ela s\u00f3 se perpetua porque \u00e9 assim.<\/p><p>\u00c9 comum casos como a m\u00e3e e a esposa de Adriano Magalh\u00e3es de N\u00f3brega, que foram contratadas como assessoras no gabinete de Fl\u00e1vio Bolsonaro?<\/p><p>Sim. Isso \u00e9 muito comum. Voc\u00ea cria um v\u00ednculo de poder e de grana com essas pessoas. Esse cara, a partir de sua esposa e de sua m\u00e3e, cria um v\u00ednculo imediato com o Fl\u00e1vio Bolsonaro e isso lhe d\u00e1 for\u00e7a. Essas duas pessoas est\u00e3o fazendo um elo imediato, pessoal, familiar do Adriano com Fl\u00e1vio Bolsonaro. Esse v\u00ednculo lhe d\u00e1 poder naquela comunidade. Ele vai ser chamado agora na comunidade \u201cOlha \u00e9 o cara que tem um poder junto l\u00e1 ao Deputado, qualquer coisa a gente resolve, fala com ele, que ele fala com a m\u00e3e e com a esposa e eles falam diretamente com o Fl\u00e1vio e isso \u00e9 resolvido\u201d.<\/p><p>Assim voc\u00ea est\u00e1 criando uma estrutura de poder, que \u00e9 familiar. Veja bem: \u00e9 o que eles defendem. Eles [os Bolsonaro] defendem a estrutura familiar. E se voc\u00ea investigar um pouco mais vai ser religioso tamb\u00e9m. S\u00e3o igrejas evang\u00e9licas, eles t\u00eam v\u00ednculo com essa estrutura. Ent\u00e3o \u00e9 uma estrutura perfeita, ela \u00e9 tradicional, conservadora, ela tem a linguagem religiosa, que \u00e9 linguagem de grande credibilidade.<\/p><p>Isso tamb\u00e9m demonstra uma forma de atuar dessas pessoas. Eles n\u00e3o atuam pelo ocultamento. O Adriano, Fl\u00e1vio Bolsonaro, o pr\u00f3prio Bolsonaro, os matadores da Baixada. Todos esses grupos que lidam com a viol\u00eancia, com a execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, com o crime organizado, eles n\u00e3o atuam com baixo perfil.<\/p><p>No Brasil o que voc\u00ea tem \u00e9 a superexposi\u00e7\u00e3o. Eu chego e j\u00e1 digo. \u201cEu sou o cara, eu sou o matador, eu tenho v\u00ednculos com fulano, beltrano e sicrano. Eu ocupo este cargo\u201d. Que \u00e9 pra deixar bem claro se voc\u00ea for tentar alguma coisa \u00e9 isso que voc\u00ea vai enfrentar.<\/p><p>\u00c9 a base total do medo. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do medo: \u00e9 real.<\/p><p>Sobre esse capital pol\u00edtico, eles t\u00eam o poder inclusive de manipular o voto da popula\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo das elei\u00e7\u00f5es? Existe uma rede organizada para isso?<\/p><p>Na verdade, as mil\u00edcias vendem vota\u00e7\u00f5es inteiras de comunidade. Aqui na Baixada como um todo, Zona Oeste. Fecham pacote. Eles t\u00eam controle. Eles t\u00eam controle preciso de t\u00edtulo de eleitor, local de vota\u00e7\u00e3o de cada t\u00edtulo de eleitor, quantos votos vai ter ali. Eles s\u00e3o capazes de identificar quem n\u00e3o votou neles.<\/p><p>Mas n\u00e3o est\u00e1 havendo a\u00e7\u00f5es de desmontagem dessa estrutura, como se viu em Rio das Pedras?<\/p><p>Assim, a Opera\u00e7\u00e3o Intoc\u00e1veis pode estar dentro de um perfil mais de uma opera\u00e7\u00e3o mais hist\u00f3rica. Mas eu tenho sido muito cr\u00edtico a esse tipo de opera\u00e7\u00e3o. Como a mil\u00edcia \u00e9 uma rede, uma rede muito grande, para cada um preso voc\u00ea tem 100 para entrar no lugar. Porque se voc\u00ea mant\u00e9m a estrutura funcionando, economicamente, politicamente ela vai se perpetuar.<\/p><p>Ningu\u00e9m toca nesses caras. Em geral, s\u00f3 est\u00e3o tocando no tr\u00e1fico. E tr\u00e1fico n\u00e3o \u00e9 o mais poderoso. Mil\u00edcia \u00e9 mais poderosa do que o tr\u00e1fico. Mil\u00edcia se elege, tr\u00e1fico n\u00e3o se elege. A base econ\u00f4mica da mil\u00edcia est\u00e1 em expans\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tocada, n\u00e3o \u00e9 arranhada. Traficante n\u00e3o, vive morrendo e sendo morto e matando. Mil\u00edcia \u00e9 o Estado.<\/p><p>Inclusive tem isso. Voc\u00ea olha para a cara dos milicianos presos, h\u00e1 uma tend\u00eancia a serem brancos. N\u00e3o h\u00e1 uma tend\u00eancia a serem negros. Vai aparecer um ou outro no meio, um moreno, pardo. E n\u00e3o s\u00e3o magros, s\u00e3o bem alimentados. Eu tenho certeza que a classe da qual pertencem os milicianos \u00e9 uma classe diferenciada da classe do tr\u00e1fico. N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o pobres assim. N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o negros assim. N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perif\u00e9ricos assim.<\/p><p>Para al\u00e9m desse v\u00ednculo pol\u00edtico de poder existe tamb\u00e9m algum elo financeiro? Como que os milicianos movimentam dinheiro atrav\u00e9s dessas conex\u00f5es com pol\u00edticos? Qual era, por exemplo, o papel do Queiroz ali no Gabinete do Fl\u00e1vio Bolsonaro?<\/p><p>Ah sim, voc\u00ea viu que ele tem uma movimenta\u00e7\u00e3o suspeita alta. Tem 7 milh\u00f5es. A\u00ed voc\u00ea vai por dedu\u00e7\u00e3o. Pode ser que esse cara fazia uma ponte. Ele era um assessor, mas ao mesmo tempo ele cumpria duas fun\u00e7\u00f5es. Ele ganha um respaldo pol\u00edtico do Fl\u00e1vio Bolsonaro. Ele faz o elo direito da mil\u00edcia com esse gabinete. Dos interesses dessa mil\u00edcia e dos que s\u00e3o servidos por essa mil\u00edcia direito com esse gabinete. Ao mesmo tempo ele cresce na estrutura da mil\u00edcia.<\/p><p>N\u00e3o sei qual \u00e9 o hist\u00f3rico dele. Mas de repente ele j\u00e1 estava na estrutura da mil\u00edcia e j\u00e1 movimentando dinheiro. Ent\u00e3o, por exemplo, se ele for uma frente, um cara que est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o, por exemplo, de cobran\u00e7a de taxa de seguran\u00e7a, ele est\u00e1 movimentando dinheiro. Muito dinheiro. A\u00ed de repente ele vai movimentar parte desse dinheiro dentro da sua conta pessoal. \u00c9 uma estrutura de organiza\u00e7\u00e3o que ele criou. Ent\u00e3o esses 7 milh\u00f5es pode ser isso.<\/p><p>Isso tamb\u00e9m pode ser apenas uma transa\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias?<\/p><p>Isso \u00e9 uma ponta. Isso \u00e9 uma ponta de um iceberg. O que eu gostaria muito \u00e9 que se investigasse isso. Voc\u00ea chegaria em algo muito maior.<\/p><p>Sobre o caso da Marielle. O caso voltou aos holofotes essa semana porque os milicianos, que foram presos na opera\u00e7\u00e3o \u201cOs Intoc\u00e1veis\u201d integravam o Escrit\u00f3rio do Crime, grupo suspeito de envolvimento na morte da Marielle. No final do ano passado, o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio, Richard Nunes, afirmou que o assassinato teria rela\u00e7\u00e3o com grilagem de terras. Voc\u00ea acha que a morte dela se deu porque ela atrapalhava os neg\u00f3cios dos milicianos?<\/p><p>Tem dois v\u00ednculos. H\u00e1 esse v\u00ednculo de incomodar e prejudicar o interesse deles. Ela tinha poder para prejudicar, puxar uma CPI, exigir uma investiga\u00e7\u00e3o para obrigar o Estado e a m\u00eddia como um todo a se voltar para isso. Se ela reproduzisse o que o Marcelo Freixo fez em 2008, dentro da C\u00e2mara dos Vereadores do Rio de Janeiro, ela daria essa express\u00e3o. Ela tinha o respaldo do Marcelo, ent\u00e3o h\u00e1 uma base pol\u00edtica que sustenta Marielle, uma base n\u00e3o comprometida, n\u00e3o vendida. Ent\u00e3o ela \u00e9 uma figura que amea\u00e7a.<\/p><p>E o outro elemento \u00e9 ela ser mulher. E ela ser uma mulher de uma atua\u00e7\u00e3o bastante intensa, verdadeira e n\u00e3o amedront\u00e1vel. Ela encarava, enfrentava. Ela nunca se subordinou. E eles n\u00e3o suportam mulheres com esse perfil, essa \u00e9 a verdade.<\/p><p>Marielle Franco, Patr\u00edcia Acioli, que foi assassinada tamb\u00e9m, e T\u00e2nia Maria Sales Moreira que foi promotora aqui em Duque de Caxias que era jurada de morte, mas morreu de c\u00e2ncer. Essas tr\u00eas, elas t\u00eam esse perfil. S\u00e3o mulheres com muita coragem, muita determina\u00e7\u00e3o, muita verdade do lado delas, elas n\u00e3o se subordinam, n\u00e3o se submetem. Esse tipo de mulher esses caras n\u00e3o suportam. Eles v\u00e3o eliminar. H\u00e1 uma misoginia total a\u00ed que eles n\u00e3o aceitam que qualquer mulher os trate assim.<\/p><p>Desde o in\u00edcio eu cantei a pedra: quem matou s\u00e3o grupos de exterm\u00ednio e est\u00e3o muito associados a milicianos. \u00c9 a pr\u00e1tica desses grupos.<\/p><p>https:\/\/apublica.org\/2019\/01\/no-rio-de-janeiro-a-milicia-nao-e-um-poder-paralelo-e-o-estado\/?fbclid=IwAR2lHmU8l4fUlfElxPuNDHPcHuTvyLyCH1qqXFV-pRWLHlqLN1ldO1chmVY\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22138\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[223],"class_list":["post-22138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5L4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}