{"id":2217,"date":"2011-12-31T00:28:47","date_gmt":"2011-12-31T00:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2217"},"modified":"2011-12-31T00:28:47","modified_gmt":"2011-12-31T00:28:47","slug":"governo-colombo-repassa-gestao-de-escola-publica-a-iniciativa-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2217","title":{"rendered":"Governo Colombo repassa gest\u00e3o de escola p\u00fablica a iniciativa privada!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Os ataques a educa\u00e7\u00e3o publica catarinense seguem se aprofundando no estado. Ap\u00f3s os ataques aos direitos dos trabalhadores em educa\u00e7\u00e3o, da acelera\u00e7\u00e3o do processo de municipaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o fundamental, da terceiriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de limpeza e manuten\u00e7\u00e3o das escolas, agora Colombo abre uma nova ofensiva contra a escola p\u00fablica. Repassa para a Rede Marista, a\u00a0Escola de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica L\u00facia do Livramento Mayvorne, do Maci\u00e7o do Morro da Cruz, em Florian\u00f3polis. Abrindo assim um precedente perigoso de privatiza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas em Santa Catarina. Abaixo seguem um relato da jornalista Elaine Tavares e a nota oficial da Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o sobre o \u201cconv\u00eanio\u201d.<\/em><\/p>\n<p>GOVERNO CATARINENSE FECHA ESCOLAS EM FLORIAN\u00d3POLIS<\/p>\n<p>Uda Gonzaga tem 73 anos e sempre foi educadora. Formou-se no ano de 1963 e logo iniciou o trabalho de ensinar a crian\u00e7ada na sua comunidade, o Mont Serrat, no maci\u00e7o do Morro da Cruz, em Florian\u00f3polis. As poucas fam\u00edlias que ent\u00e3o l\u00e1 viviam constru\u00edram, elas mesmas, duas pequenas salas, onde a gurizada aprendia as primeiras letras. O tempo passou, a comunidade cresceu e o governo acabou construindo mais duas salas na \u00e1rea da caixa d\u00b4\u00e1gua. Mais fam\u00edlias chegaram e foi preciso alugar tr\u00eas casas para transform\u00e1-las em escola, at\u00e9 que as aulas passaram a ser dentro da Copa Lord, a escola de samba da comunidade. De novo as fam\u00edlias se mobilizaram e o governo alugou outras casas, maiores, para abrigar os alunos. \u201cTudo sempre foi na luta, tudo sempre teve de ser arrancado\u201d, diz Uda.<\/p>\n<p>Mais tarde, a escola foi para a creche, que era um espa\u00e7o maior, e logo em seguida para o terreno em frente \u00e0 igreja. Havia aulas da primeira a quarta s\u00e9rie e eram mais de 500 alunos, tudo registrado nos livros da escola. Foi s\u00f3 em 1978 que se construiu o pr\u00e9dio da que hoje \u00e9 a Escola L\u00facia do Livramento Mayvorne e ali as demais crian\u00e7as do morro aprenderam a ler e escrever, sempre perto de casa e com o acompanhamento das fam\u00edlias. S\u00e3o 49 anos de hist\u00f3ria e de muita batalha para que esse direito pudesse ser vivido.<\/p>\n<p>Pois neste dia 20 de dezembro, alguns dias antes do Natal, o governo do Estado, comandado por Raimundo Colombo (PSD, ex-DEM), desativa a escola (com mais de 200 alunos) e repassa o pr\u00e9dio para uma congrega\u00e7\u00e3o religiosa, a dos Maristas. A comunidade do Mont Serrat est\u00e1 chocada. Ningu\u00e9m jamais poderia esperar algo assim. \u201cA not\u00edcia chegou no dia 24 de novembro. O diretor estava na escola e recebeu um telefonema dizendo assim: j\u00e1 tens lugar para ficar? E ele ficou sem saber o que dizer. N\u00e3o sabia de nada. Ningu\u00e9m sequer avisou, ningu\u00e9m veio falar com os professores, com os alunos, com a comunidade. Foi um choque\u201d, conta dona Uda.<\/p>\n<p>\u201cTiraram o nosso ch\u00e3o\u201d diz a mais conhecida professora da comunidade. Ela j\u00e1 perdeu a conta de quantas vezes desceu o morro atr\u00e1s das autoridades para que o Mont Serrat pudesse educar seus filhos. E toda a gente sabe que essa n\u00e3o \u00e9 uma comunidade qualquer. \u00c9 a mais tradicional de toda a ilha, ber\u00e7o do samba, espa\u00e7o de incont\u00e1veis lutas. \u201cN\u00e3o \u00e9 justo o governo fazer isso com a educa\u00e7\u00e3o, leiloar, fazer um quem d\u00e1 mais. N\u00f3s seguramos essa escola essas d\u00e9cadas todas, sem ajuda, sem apoio. E agora, eles entregam para a iniciativa privada. Quem n\u00e3o gostaria de ganhar um pr\u00e9dio daqueles? Estamos muito tristes. No pr\u00f3ximo ano a escola completaria 50 anos. N\u00e3o h\u00e1 palavras para descrever a dor\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o foi s\u00f3 no morro<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p>A dor da dona Uda n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1ria na cidade. Desde o ano de 2007, o governo estadual fechou mais quatro escolas. A primeira foi a Antonieta de Barros, no centro da cidade, que tinha problemas estruturais, n\u00e3o foi consertada e jamais se devolveu \u00e0 cidade, virou um almoxarifado da secretaria de educa\u00e7\u00e3o. Abrigava mais de 252 alunos, a maioria oriunda dos morros da capital. Depois foi a Silveira de Souza, fundada em 1913, a segunda escola p\u00fablica do estado de Santa Catarina, que funcionava num pr\u00e9dio bel\u00edssimo no centro. Ela foi municipalizada em 2009 sob a alega\u00e7\u00e3o de que tinha poucos alunos (224) e entregue \u00e0 prefeitura que fez parceria com a iniciativa privada e transformou o lugar em espa\u00e7o cultural. Em seguida fechou a Celso Ramos, no p\u00e9 do Morro do Mocot\u00f3, outra comunidade tradicional da ilha. O pr\u00e9dio seria doado para a Assembleia Legislativa e s\u00f3 acabou se transformando em creche porque a comunidade empreendeu uma luta gigantesca para isso. E depois atacou a n\u00e3o menos tradicional comunidade da Coloninha, na \u00e1rea continental, fechando a hist\u00f3ria escola Ot\u00edlia Cruz, com o projeto de construir ali uma cadeia. E agora, isso, mais uma cartada, entregando a escola do Mont Serrat para os padres maristas.<\/p>\n<p>Todos esses fatos n\u00e3o aconteceram sem luta. Entre os professores que levaram uma greve hist\u00f3rica esse ano, essa era uma den\u00fancia recorrente, e a reabertura das escolas pauta de reivindica\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, o governo permaneceu surdo. Os argumentos usados pelo governador s\u00e3o os mais absurdos poss\u00edveis. Segundo ele, as escolas foram fechadas porque havia muita evas\u00e3o. Ora, mas por que acontece a evas\u00e3o nas escolas das periferias? Qual estudo foi empreendido pelo estado para saber por que os jovens empobrecidos deixam a escola? Por que a secretaria de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o realizou uma campanha de matr\u00edculas? Por que n\u00e3o foi conversar com os pais, com a comunidade? N\u00e3o. Em vez de se preocupar em trazer de volta para a escola os jovens que evadem prefere fech\u00e1-las. Ou ainda melhor, entrega-las para as m\u00e3os privadas, repassando assim, sem maiores custos um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, muitas vezes constru\u00eddo com as m\u00e3os, o sangue e o suor da comunidade.<\/p>\n<p>O mais incr\u00edvel nessa hist\u00f3ria de terror da educa\u00e7\u00e3o catarinense \u00e9 que o mesmo governo aprovou na Assembleia Legislativa uma verba de 360 milh\u00f5es de reais para uso em propaganda em 2012. Isso significa o gasto de um milh\u00e3o por dia para falar das belezas do governo, enquanto para a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 recursos. Tamb\u00e9m se sabe que dos 7% do PIB que deveriam ser investidos na educa\u00e7\u00e3o, apenas 2,9% recebem esse destino, conforme lembra a dirigente do Sindicato dos Professores \u2013 regional de Florian\u00f3polis \u2013 Rosane de Souza. Segundo ela, o governo provocou a precariza\u00e7\u00e3o das escolas e agora entrega aos privados, sem se importar com a juventude que fica ao deus dar\u00e1. Ela acredita que a proposta de municipaliza\u00e7\u00e3o das escolas b\u00e1sicas deve piorar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o nas comunidades empobrecidas. \u201cSe hoje apenas 18% das crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil s\u00e3o atendidas pelo munic\u00edpio, e isso \u00e9 um dado nacional, do IBGE, como vamos acreditar que o munic\u00edpio vai dar conta da escola b\u00e1sica? Sabe-se que nas comunidades de baixa renda esse n\u00famero cai ainda mais, fica em 11%. Ent\u00e3o, qual ser\u00e1 o futuro da educa\u00e7\u00e3o\u201d? Algu\u00e9m tem alguma d\u00favida?<\/p>\n<p>Segundo Rosane o fechamento da escola do Mont Serrat \u00e9 mais um golpe na popula\u00e7\u00e3o catarinense. E mais ainda, um tremendo golpe nos professores. Imaginem um professor que atua h\u00e1 20 anos numa escola, como \u00e9 o caso de alguns na do Mont Serrat, ser, de repente enviado para outra escola, sem qualquer conversa, sem di\u00e1logo, sem prepara\u00e7\u00e3o? \u201cTodos os efetivos ser\u00e3o distribu\u00eddos pela rede e os contratados em car\u00e1ter tempor\u00e1rio, demitidos. E assim vai agindo o governo. Primeiro ele abandona as escolas, depois deixa \u00e0s baratas e por fim, entrega para a inciativa privada\u201d. Nessa l\u00f3gica, que se danem os professores e que se danem as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas, o Sinte, sindicato dos professores, promete que essa n\u00e3o \u00e9 uma guerra perdida. A luta vai continuar. Nesse final de ano a categoria ainda segue lambendo as feridas de uma longa greve travada para que o governador cumprisse a lei e pagasse o piso nacional. O movimento durou dois meses, foi desgastante e terminou sem maiores vit\u00f3rias. Mas, com a retomada do ano letivo as privatiza\u00e7\u00f5es de escolas estar\u00e3o na pauta de luta. \u201cN\u00e3o estamos vencidos. Se o governo tem dinheiro para aplicar em propaganda e para financiar escolas privadas, haver\u00e1 de ter dinheiro para recuperar as escolas e voltar a atender as comunidades que agora est\u00e3o arrasadas com os fechamentos\u201d.<\/p>\n<p>Esse tamb\u00e9m \u00e9 o sentimento das fam\u00edlias do Mont Serrat, a quem est\u00e1 tocando agora esse momento de estupor. \u201cEstamos no ch\u00e3o\u201d, repete dona Uda. Mas, talvez, seja hora de levantar e lutar. A hist\u00f3ria da escola L\u00facia do Livramento Mayvorne, que completaria 50 anos em 2012, n\u00e3o \u00e9 coisa para ser derrubada assim, numa canetada. Ela \u00e9 fruto da caminhada de toda uma comunidade e precisa ser respeitada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 hora de a sociedade catarinense saber o que se passa, j\u00e1 que esses fechamentos saem na imprensa como drops informativos, sem contexto, sem hist\u00f3rias, sem humanidade. E assumir essa luta junto com as comunidades. Juventude precisa de educa\u00e7\u00e3o, e educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Deix\u00e1-los fugir da escola, sem saber o que se passa, sem compreender esse movimento de evas\u00e3o, fechando as escolas, \u00e9 quase criminoso.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/pcbsc.wordpress.com\/2011\/12\/29\/governo-colombo-repassa-gestao-de-escola-publica-a-iniciativa-privada\/\">http:\/\/pcbsc.wordpress.com\/2011\/12\/29\/governo-colombo-repassa-gestao-de-escola-publica-a-iniciativa-privada\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nSanta Catarina\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2217\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[105],"tags":[],"class_list":["post-2217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c118-privatizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-zL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}