{"id":2218,"date":"2011-12-31T00:34:02","date_gmt":"2011-12-31T00:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2218"},"modified":"2011-12-31T00:34:02","modified_gmt":"2011-12-31T00:34:02","slug":"balanco-do-ano-velho-e-perspectivas-para-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2218","title":{"rendered":"Balan\u00e7o do ano velho e perspectivas para 2012"},"content":{"rendered":"\n<p>Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil<\/p>\n<p>Adital<\/p>\n<p>O ano termina e, mais uma vez, temos o sentimento de dever cumprido por todas as nossas lutas, atividades e alian\u00e7as que conseguimos construir e aprofundar com diversos setores da classe trabalhadora. Em mais um ano muito duro, tivemos que travar grandes lutas contra o latif\u00fandio do agroneg\u00f3cio, que continua a sua ofensiva sobre as nossas terras, recursos naturais e investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio, que \u00e9 formado pela alian\u00e7a dos fazendeiros capitalistas com empresas transnacionais e o capital financeiro, controla a nossa agricultura e tenta aprofundar a sua domina\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando m\u00e3o de iniciativas em v\u00e1rias frentes.<\/p>\n<p>Uma das prioridades do agroneg\u00f3cio foi a flexibiliza\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal. A legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira, que \u00e9 avan\u00e7ada no sentido da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, da produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e da gera\u00e7\u00e3o de renda, \u00e9 uma barreira para o avan\u00e7o do capital na agricultura. Os conceitos de Reserva Legal e as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente s\u00e3o obst\u00e1culos para que as empresas transnacionais avancem sobre as nossas terras para implementar a produ\u00e7\u00e3o de monoculturas para a exporta\u00e7\u00e3o, baseada na expuls\u00e3o das fam\u00edlias do campo e na utiliza\u00e7\u00e3o sem limites de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/clk.atdmt.com\/FRC\/go\/369194500\/direct\/01\/\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n<p>O projeto do senador Luiz Henrique, aprovado no Senado Federal, herdeiro do texto do deputado federal Aldo Rebelo, anistia os fazendeiros que desmataram e desobriga a recomposi\u00e7\u00e3o de grande parte dessas \u00e1reas, cria a possibilidade de que, por meio de uma auto-declara\u00e7\u00e3o, qualquer um seja desobrigado de recuperar a \u00e1rea de Reserva Legal e n\u00e3o tem mecanismos para impedir mais desmatamentos.<\/p>\n<p>Fizemos parte de uma grande articula\u00e7\u00e3o, que re\u00fane os movimentos do campo, a agricultura familiar, o movimento sindical, as entidades de defesa do meio ambiente, cientistas, artistas e setores da Igreja Cat\u00f3lica, das entidades de advogados e do Poder Judici\u00e1rio para enfrentar o ofensiva do capital na agricultura e seus representantes, a bancada ruralista. No entanto, n\u00e3o tivemos for\u00e7a para tirar esse projeto da pauta e pressionar para que o governo tivesse uma posi\u00e7\u00e3o firme para cumprir os compromissos de campanha da presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Est\u00e1 prevista a vota\u00e7\u00e3o do projeto na C\u00e2mara dos Deputados para o come\u00e7o de mar\u00e7o. Nesse per\u00edodo, temos a tarefa de fazer uma grande jornada de lutas, com a participa\u00e7\u00e3o de todos os setores articulados na defesa das florestas, para impedir a aprova\u00e7\u00e3o do texto e pressionar para que a presidenta vete as mudan\u00e7as que criem condi\u00e7\u00f5es para ampliar o desmatamento e a controle do capital sobre a nossa agricultura.<\/p>\n<p>Agrot\u00f3xicos<\/p>\n<p>A sociedade brasileira est\u00e1 a cada dia mais atenta com os problemas causados com a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e problemas na sa\u00fade, especialmente com a contamina\u00e7\u00e3o pelos agrot\u00f3xicos. Os venenos s\u00e3o um dos eixos de sustenta\u00e7\u00e3o do modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, como o latif\u00fandio, a monocultura e a expuls\u00e3o das fam\u00edlias campo, para uma produ\u00e7\u00e3o voltada para o exterior.<\/p>\n<p>O Brasil ocupa desde 2008 o primeiro lugar no ranking mundial da utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Mais de 1 bilh\u00e3o de litros s\u00e3o jogados nas lavouras. Em 2010, foi constru\u00edda a campanha nacional contra os agrot\u00f3xicos, com a participa\u00e7\u00e3o de entidades importantes como o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), a Fiocruz e a Ag\u00eancia de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p>Especialistas t\u00eam apontado a rela\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos com o c\u00e2ncer. Nos pr\u00f3ximos dois anos, mais de 1 milh\u00e3o de brasileiros receber\u00e3o o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer, de acordo com o Inca. Apenas 60% dos afetados conseguir\u00e3o se recuperar. As contradi\u00e7\u00f5es causadas na sa\u00fade de toda a popula\u00e7\u00e3o pelo uso sem limites de agrot\u00f3xicos levar\u00e1 a sociedade a questionar o modelo do agroneg\u00f3cio, que al\u00e9m de impor a concentra\u00e7\u00e3o das terras, a devasta\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a expuls\u00e3o das fam\u00edlias do campo, contamina o organismo de toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reforma Agr\u00e1ria<\/p>\n<p>A ofensiva das for\u00e7as do capital e a falta de iniciativa pol\u00edtica do governo federal fizeram de 2011 mais um ano ruim para a Reforma Agr\u00e1ria. Apenas 35 \u00e1reas foram transformadas em assentamentos, beneficiando apenas 6 mil fam\u00edlias. Os n\u00fameros correspondem a 20% do que o ex-presidente Lula realizou em seu primeiro ano de mandato, quando 135 assentamentos foram criados, assentando 9.195 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, 90 processos de desapropria\u00e7\u00e3o de terras amarelam nas mesas da Casa Civil e da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Para que estes processos, tecnicamente conclu\u00eddos, transformem-se em assentamentos basta a assinatura da presidenta Dilma.<\/p>\n<p>Durante todo o ano, realizamos mobiliza\u00e7\u00f5es para denunciar a lentid\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria, a inoper\u00e2ncia do Incra e os crimes do agroneg\u00f3cio. No m\u00eas de abril, foram mais de 70 ocupa\u00e7\u00f5es de latif\u00fandios, al\u00e9m de marchas e acampamentos em 19 estados. Em agosto, os movimentos organizados pela a Via Campesina realizaram um acampamento com 4 mil trabalhadores rurais em Bras\u00edlia, somado a mobiliza\u00e7\u00e3o de 50 mil agricultores em 20 estados. Essa jornada arrancou compromissos importantes do governo federal, que ainda n\u00e3o sa\u00edra do papel, e conquistou a suplementa\u00e7\u00e3o de R$ 400 milh\u00f5es para o or\u00e7amento da obten\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Perspectivas<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o do capital na agricultura, a realiza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria depende tanto da luta dos trabalhadores rurais, com as nossas ocupa\u00e7\u00f5es, marchas e protestos, como tamb\u00e9m de uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira por reformas estruturais, que ser\u00e3o impulsionadas a partir da organiza\u00e7\u00e3o e luta do povo brasileiro em torno de um projeto popular para o Brasil.<\/p>\n<p>Por isso, temos acompanhado com bons olhos o aumento da quantidade de greves e mobiliza\u00e7\u00f5es de diversas categorias por aumento de sal\u00e1rios e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, assim como os protestos dos estudantes nas universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>As grandes empresas t\u00eam lucrado muito no \u00faltimo per\u00edodo, com o crescimento da economia, o que cria melhores condi\u00e7\u00f5es de luta para os trabalhadores. Embora essas greves tenham na sua maioria um car\u00e1ter economicista, demonstram que a classe trabalhadora est\u00e1 em movimento, abrindo um horizonte para intensificar as lutas e criando perspectivas de um debate pol\u00edtico com a sociedade brasileira sobre a necessidade de transforma\u00e7\u00f5es profundas no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas implementadas pelo governo desde 2003 conseguiram melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o foram realizadas mudan\u00e7as estruturais que transformassem o nosso pa\u00eds. Para enfrentar essas quest\u00f5es, as organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora t\u00eam constru\u00eddo um programa pol\u00edtico, tendo como pontos principais a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas sem redu\u00e7\u00e3o salarial, medidas para garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e menor rotatividade, a destina\u00e7\u00e3o de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para educa\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria e a proibi\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, uma Reforma Urbana que garanta moradia, reorganiza\u00e7\u00e3o do sistema de transporte e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida nas grandes metr\u00f3poles, uma Reforma Tribut\u00e1ria Progressiva para taxar aqueles que concentram a renda, a riqueza e o lucro e a democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 construir a partir das lutas de todos os setores que defendem essas bandeiras um grande movimento de massas, que tenha organiza\u00e7\u00e3o e for\u00e7a para enfrentar a ofensiva do capital e garantir conquistas para o povo brasileiro. No pr\u00f3ximo per\u00edodo, vamos participar dessas lutas e cobrar esses compromissos assumidos pelo governo, com muitas lutas, ocupa\u00e7\u00f5es, marchas e mobiliza\u00e7\u00f5es. Temos tamb\u00e9m a tarefa de avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o dos nossos assentamentos para serem refer\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o de alimentos de qualidade e sem venenos para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, organizar os pobres em novos acampamentos e ocupa\u00e7\u00f5es e realizar alian\u00e7as ainda mais fortes com a classe trabalhadora em todos os espa\u00e7os. Os compromissos assumidos s\u00f3 se converter\u00e3o em conquistas concretas com press\u00e3o social e unidade no programa e na luta com outros setores da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Se o lema desse governo \u00e9 &#8220;Pa\u00eds rico \u00e9 pa\u00eds sem pobreza\u201d, temos que abrir os olhos da popula\u00e7\u00e3o brasileira que o modelo de desenvolvimento do agroneg\u00f3cio, baseado no latif\u00fandio, na exporta\u00e7\u00e3o, na exclus\u00e3o social, no envenenamento da natureza e na destrui\u00e7\u00e3o das florestas n\u00e3o poder\u00e1 acabar com a pobreza no campo, pois \u00e9 a pr\u00f3pria raiz da pobreza. Com nossos lutas e campanhas, vamos avan\u00e7ar nas conquistas e a sociedade compreender\u00e1 que combater a pobreza no campo \u00e9 fazer a Reforma Agr\u00e1ria. O ano novo ser\u00e1 feliz com a for\u00e7a e mobiliza\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>Secretaria Nacional do MST.<a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/Stedile-balanco-do-ano-velho-e-perspectiva-para-2012\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\/node\/12804\" target=\"_blank\">Boas Festas! Veja cart\u00e3o de final de ano do MST<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: MST\n\n\n\n\n\n\n\n\nMST\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2218\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-2218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-zM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}