{"id":22263,"date":"2019-02-09T22:00:45","date_gmt":"2019-02-10T00:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22263"},"modified":"2019-02-09T22:00:54","modified_gmt":"2019-02-10T00:00:54","slug":"chove-em-caracas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22263","title":{"rendered":"Chove em Caracas"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/9132.jpg?itok=lyOLugjW\"\/><!--more-->Retrato de grafite com mulher. Caracas, Venezuela, 9 de Mar\u00e7o de 2015. Cr\u00e9ditos: Jorge Silva \/ Reuters\nOs EUA tinham acabado de emitir san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela, a pretexto de que o pa\u00eds seria uma \u00abamea\u00e7a \u00e0 sua Seguran\u00e7a Nacional&#8221;. \n<\/p><p>\nPor Agostinho Lopes &#8211; ABRIL ABRIL\n<\/p><p>\nOu o Chile outra vez. \u00c9 preciso que a mem\u00f3ria n\u00e3o seja curta, ou a amn\u00e9sia seletiva: os que hoje golpeiam ou apoiam o golpe de Estado contra o povo venezuelano s\u00e3o os mesmos que em 1973 apoiaram o golpe fascista de Pinochet no Chile de Allende, de Neruda e da Unidade Popular.\n<\/p><p>\nE n\u00e3o julguem alguns que podem ficar oportunisticamente, face ao rolo compressor da onda midi\u00e1tica golpista, sentados em cima da ponte, no dilema Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana versus Imp\u00e9rio do Norte. Que \u00e9 o que significa afirmar n\u00e3o escolher entre Maduro e Trump. Que se lembrem se poderiam n\u00e3o ter optado por Allende. Ou, mais l\u00e1 para tr\u00e1s, optar pela \u00abneutralidade\u00bb da Fran\u00e7a e Inglaterra no avan\u00e7o do fascismo contra a Rep\u00fablica Espanhola. Ou, em dias pr\u00f3ximos, dizer como alguns disseram, \u00abNem Dilma nem Temer, elei\u00e7\u00f5es!\u00bb\n<\/p><p>\nH\u00e1 diferen\u00e7as. O imperialismo norte-americano n\u00e3o conseguiu, at\u00e9 hoje, convocar as for\u00e7as armadas bolivarianas para afogar em sangue e repress\u00e3o o povo da Venezuela, como fez no Chile. Mas n\u00e3o foi por falta de tentativas, a come\u00e7ar pelo golpe militar contra Ch\u00e1vez de 2002\u2026 (1)\n<\/p><p>\nMas todo o resto \u00e9 um filme bem conhecido, encenado e desenvolvido pela CIA &#038; Cia. E \u00e9 absolutamente espantosa a credibilidade ou a hipocrisia com que tanta boa gente repete chav\u00f5es e refr\u00f5es de letras e m\u00fasicas do disco rachado de todos os golpes e subvers\u00f5es do imperialismo norte-americano, incluindo na hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina do s\u00e9culo XX.\n<\/p><p>\nFaltam alimentos, e os que choram l\u00e1grimas de crocodilo com a fome dos venezuelanos s\u00e3o os mesmos que aplaudem o cerco e bloqueio econ\u00f4mico e financeiro, o confisco ilegal de bens e recursos financeiros da Venezuela pelo imperialismo e comparsas, com sabotagem da importa\u00e7\u00e3o de bens de primeira necessidade pelo Estado Venezuelano. Faltam medicamentos, e os que invocam a urg\u00eancia de uma interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria s\u00e3o os mesmos que nada dizem sobre o boicote da compra pela Rep\u00fablica Bolivariana, inclusive pela chantagem sobre empresas farmac\u00eauticas, dos rem\u00e9dios destinados a doentes oncol\u00f3gicos, diab\u00e9ticos ou necessitados de di\u00e1lise.\n<\/p><p>\nFalam de democracia e mentem. Mentem com quantos dentes t\u00eam, sempre confiantes na m\u00e1xima de Goebbels de que a mentira repetida se fa\u00e7a verdade, sobre as muitas elei\u00e7\u00f5es realizadas com Ch\u00e1vez e Maduro, sobre o sistema eleitoral e a liberdade de imprensa na Venezuela. Mentiras sobre a \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial, antecipada para 20 de maio de 2018 por exig\u00eancia da oposi\u00e7\u00e3o e seguida por mais de 150 observadores internacionais, confirmando que \u00abas elei\u00e7\u00f5es foram muito transparentes e de acordo com as normas internacionais e a legisla\u00e7\u00e3o nacional\u00bb. Mentiras quando transfiguram a subvers\u00e3o terrorista interna, apoiada e paga pelos EUA, em for\u00e7as da democracia e da liberdade.\n<\/p><p>\nAs dificuldades, contradi\u00e7\u00f5es, problemas da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, em grande medida fomentadas pelo imperialismo e por for\u00e7as internas que nunca se conformaram com a vit\u00f3ria de Ch\u00e1vez e da Revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem ser transformadas em raz\u00f5es para a destruir, nem para transformar em aliados os que, de fora e de dentro, sabotam a Rep\u00fablica Bolivariana. Os interesses soberanos do povo da Venezuela exigem, pelo contr\u00e1rio, a defesa da sua Revolu\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nPretendem continuar a rasgar as \u00abveias abertas\u00bb das terras de Bol\u00edvar e Sucre, de Sandino e Zapata e Pancho Villa, de Luiz Carlos Prestes e Fidel, de Guevara e tantos outros combatentes pela soberania e liberdade dos seus povos.\n<\/p><p>\nDepois da viragem \u00e0 direita na Argentina e no Chile, depois do golpe no Brasil que destituiu Dilma e impediu Lula, pela pris\u00e3o, de se candidatar, abrindo portas para o golpe maior da elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, o imperialismo achou oportuno o momento. Reconstitu\u00eddo o arco de governos da Opera\u00e7\u00e3o Condor (agora batizados de Grupo de Lima), o imperialismo decidiu avan\u00e7ar. E a toque de caixa l\u00e1 vai a sucursal da Europa, a Uni\u00e3o Europeia, dirigida por Merkel, Macron e May. Nada os ensina, porque \u00e9 da sua natureza imperialista. Assim foi com a Iugosl\u00e1via, o Iraque, a L\u00edbia, a S\u00edria e tantos outros crimes!\n<\/p><p>\nL\u00e1 v\u00e3o, cantando e rindo, com Trump e Bolsonaro para defender a democracia na Venezuela. Na Ar\u00e1bia Saudita, a defesa da democracia passa pela venda de armas e visitas de amizade eterna de Trump e Merkel, de S\u00e1nchez e Macron.\n<\/p><p>\nE o que faz, para vergonha nossa, Portugal nessa caterva de salteadores da soberania dos povos?\n<\/p><p>\nVale tudo? Vale pois, como diz, o ex-marxista-leninista-maoista e fundamentalmente anticomunista, Vicente Jorge da Silva, \u00abPor vezes, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es quimicamente puras para ultrapassar becos sem sa\u00edda\u00bb (P\u00fablico, 3 de Fevereiro de 2019) e logo, o golpe de Estado, a invas\u00e3o militar, o apelo \u00e0 subvers\u00e3o das for\u00e7as armadas, podem ser necess\u00e1rios como foram no Chile! Mesmo se o sangue jorrar do cora\u00e7\u00e3o aberto de um povo. Mesmo se for para montar uma tenebrosa ditadura! Tudo em nome da democracia\u2026 e, naturalmente, do petr\u00f3leo!\n<\/p><p>\nE de cambulhada com essa tropa alinhada, mas desprez\u00edvel, contra a Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa, contra o Direito Internacional, contra a ordem internacional da Carta da ONU, l\u00e1 v\u00e3o Ant\u00f4nio Costa disfar\u00e7ado de Dur\u00e3o Barroso e Augusto Santos Silva de Martins da Cruz. L\u00e1 v\u00e3o, para vergonha nossa!\n<\/p><p>\nSe amanh\u00e3 \u00abChover em Caracas\u00bb (2) saberemos a quem cobrar!\n<\/p><p>\n(1) Em 13 de abril de 2018 o jornal Brasil de Fato publicou um artigo sobre o 16.\u00ba anivers\u00e1rio do golpe contra o presidente Hugo Ch\u00e1vez, quando protagonistas da resist\u00eancia pr\u00f3-Ch\u00e1vez explicaram a articula\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias componentes do golpe (meios de informa\u00e7\u00e3o, empres\u00e1rios, poder judicial, militares, confrontos de rua, manipula\u00e7\u00e3o de imagens) e contaram como devolveram Ch\u00e1vez ao poder. No fim do artigo, o Brasil de Fato publica o document\u00e1rio A verdade n\u00e3o ser\u00e1 televisionada (The Revolution Will Not Be Televised no original), dos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O\u2019Brian. A equipe, que estava no pa\u00eds para filmar um document\u00e1rio sobre a Venezuela, reagiu imediatamente ao golpe e produziu um extraordin\u00e1rio documento sobre a crua verdade dos interesses econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos por tr\u00e1s do golpe e como o seu insucesso apenas foi poss\u00edvel pela din\u00e2mica mobiliza\u00e7\u00e3o popular em defesa das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana. Os pretextos, as mentiras, as manipula\u00e7\u00f5es, os confrontos e as provoca\u00e7\u00f5es foram em tudo semelhantes \u00e0quelas a que hoje assistimos.\n<\/p><p>\n(2) O t\u00edtulo do artigo remete para \u00abChove em Santiago\u00bb, nome de c\u00f3digo da CIA para a opera\u00e7\u00e3o contra Salvador Allende e o governo de Unidade Popular no Chile, que culminou no golpe militar fascista, desferido em 11 de setembro de 1973, encabe\u00e7ado pelo futuro ditador Augusto Pinochet, que cobriu de sangue aquele pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul e amorda\u00e7ou por d\u00e9cadas o movimento popular chileno, permitindo ao capitalismo ianque e local explorar \u00e0 r\u00e9dea solta o pa\u00eds e o seu povo, com consequ\u00eancias grav\u00edssimas, que ainda hoje perduram, muito depois de tombar a ditadura. Chove em Santiago \u00e9 tamb\u00e9m o nome do corajoso filme realizado em 1975, dois anos depois do golpe, por Helvio Soto (1930-2001), numa coprodu\u00e7\u00e3o franco-b\u00falgara que contou com o concurso de atores como Jean-Louis Trintignant, Annie Girardot, John Abgey, ou Bibi Andersson, e a m\u00fasica foi assegurada por Astor Piazzola. Rodado na Bulg\u00e1ria, onde o autor se encontrava exilado, Il pleut sur Santiago (t\u00edtulo original) foi o primeiro filme a retratar, denunciando-o, o processo do golpe de estado chileno. Portugal, onde foi acolhido nos primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, foi um dos pa\u00edses em que o filme teve maior \u00eaxito. Segundo a Biblioteca Nacional do Chile, o filme constituiu uma homenagem \u00e0 Unidade Popular e ao jornalista Augusto Olivares, que escolheu morrer de armas na m\u00e3o ao lado de Salvador Allende, defendendo o Pal\u00e1cio Presidencial de La Moneda contra os tanques e soldados golpistas.\n<\/p><p>\nFonte: https:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/chove-em-caracas\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22263\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[227],"class_list":["post-22263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5N5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}