{"id":2228,"date":"2012-01-05T12:08:01","date_gmt":"2012-01-05T15:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2228"},"modified":"2017-11-09T16:51:56","modified_gmt":"2017-11-09T19:51:56","slug":"intervencao-da-secretaria-geral-do-kke-aleka-papariga-no-13o-encontro-internacional-de-partidos-comunistas-e-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2228","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o da Secret\u00e1ria-Geral, do KKE, Aleka Papariga, no 13\u00ba Encontro Internacional de Partidos comunistas e do Trabalho"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-sH4e0bwSMmU\/TvlI8pAZDEI\/AAAAAAAABTw\/AUwUbUdvhOQ\/s1600\/Aleka_Papariga_antepithesi.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Queridos Camaradas.<\/p>\n<p>N\u00f3s, novamente, queremos expressar, a todos, nossas calorosas boas vindas a Atenas. Como \u00e9 de conhecimento geral, o primeiro encontro dos partidos comunistas e oper\u00e1rios come\u00e7ou aqui, em 1998, por iniciativa de nosso Partido, visando a coordena\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o conjuntas de nosso movimento, bem como o reagrupamento do Movimento Comunista Internacional que enfrenta uma crise pol\u00edtico-ideol\u00f3gica e organizativa.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00e3o da Secret\u00e1ria-Geral, do KKE, Aleka Papariga, no 13\u00ba Encontro Internacional de Partidos comunistas e do Trabalho<\/p>\n<p>Em 2005, aqui em Atenas, coletivamente decidimos que nossos encontros internacionais poderiam ocorrer em outros pa\u00edses e continentes, na Europa, na Am\u00e9rica Latina, no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1sia e na \u00c1frica. Estamos de volta \u00e0 Atenas, hoje, para trocar experi\u00eancias, esbo\u00e7ar conclus\u00f5es sobre o importante rumo dos acontecimentos, intensificando nossos esfor\u00e7os na compreens\u00e3o das novas condi\u00e7\u00f5es da crise capitalista que se aprofunda e dos velhos e novos m\u00e9todos de guerras para a redistribui\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/p>\n<p>Quando apareceram os primeiros sinais da crise em nosso pa\u00eds, j\u00e1\u00a0est\u00e1vamos, ideol\u00f3gica e politicamente, preparados para levar a bom termo, atrav\u00e9s de um ajuste r\u00e1pido, as grandes tarefas, na especializa\u00e7\u00e3o de nossa estrat\u00e9gia e t\u00e1tica, para contribuir na organiza\u00e7\u00e3o e no incremento da milit\u00e2ncia das for\u00e7as populares e dos trabalhadores com demandas radicais e formas avan\u00e7adas de luta. Esta prepara\u00e7\u00e3o se deve, em nossa opini\u00e3o, a duas raz\u00f5es relacionadas entre si que, permitam que se diga, t\u00eam uma import\u00e2ncia que vai al\u00e9m do n\u00edvel nacional:<\/p>\n<ol type=\"1\">\n<li>O KKE, at\u00e9 mesmo nas condi\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis, defendeu o socialismo e a contribui\u00e7\u00e3o da URSS \u00e0 luta dos povos contra a furiosa ofensiva anticomunista. Mas, n\u00e3o se limitou a isso. Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, priorizamos o estudo cient\u00edfico, necessariamente longo e profundo, com base em documentos arquivados, da vit\u00f3ria da contra-revolu\u00e7\u00e3o na URSS e nos demais pa\u00edses socialistas. Depois de 18 anos de estudos, enquanto continuamos a aprofundar os temas da superestrutura pol\u00edtica, dos \u00f3rg\u00e3os de poder, do controle oper\u00e1rio, estabelecemos nossas conclus\u00f5es na Resolu\u00e7\u00e3o de nosso 18\u00ba Congresso. \u00c9 verdade que a experi\u00eancia adquirida destaca a necessidade do poder oper\u00e1rio, a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a planifica\u00e7\u00e3o centralizada em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de um \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d ou de um \u201csocialismo de mercado\u201d que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o socialismo cient\u00edfico e a experi\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o socialista.\u00a0 Quando as leis do mercado foram promovidas na constru\u00e7\u00e3o socialista e as rela\u00e7\u00f5es socialistas de produ\u00e7\u00e3o e o controle oper\u00e1rio se enfraqueceram, a\u00ed iniciou a contagem regressiva para a contra revolu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Ao mesmo tempo, estabelecemos particular import\u00e2ncia ao estudo dos desenvolvimentos pol\u00edtico e econ\u00f4mico na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, no sistema imperialista, suas contradi\u00e7\u00f5es e rivalidades e, \u00e9 claro, nos acontecimentos econ\u00f4micos na Gr\u00e9cia, focando nas conseq\u00fc\u00eancias de sermos um estado-membro da UE, quando, hoje, tend\u00eancias centr\u00edfugas se apresentam n\u00edtidas. Ademais, ficou demonstrada a utilidade, inclusive nos dias atuais, do estudo dos vinte anos da hist\u00f3ria do Partido e do movimento na Gr\u00e9cia durante o per\u00edodo 1949-1968. Esse per\u00edodo \u00e9 adequado para o estudo cr\u00edtico e avalia\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do Partido por ocasi\u00e3o do desenvolvimento do capitalismo grego e de sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Comunidade Europ\u00e9ia. Vimos tratando esse assunto de maneira cr\u00edtica e autocr\u00edtica e, ainda, desde o ponto de vista do impacto no movimento comunista internacional do qual somos parte integrante.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No mesmo per\u00edodo, n\u00e3o houve quest\u00e3o pol\u00edtica de muita ou pouca relev\u00e2ncia e, especialmente, nenhum problema s\u00f3cio-econ\u00f4mico da classe trabalhadora que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos tentado, com um do trabalho desde nossas bases, reunindo for\u00e7as com um estrato social e classista, esclarecer, amplamente,\u00a0 as pessoas sobre a crise, seu car\u00e1ter e o caminho para a sa\u00edda, organizando e escalando a luta de classe em todas as suas formas desde cima para baixo e inversamente, de modo a atrair novas categorias de trabalhadores e as massas populares. Foi realizado um esfor\u00e7o, sem precedentes, para organizar a resist\u00eancia coletiva com novas formas de luta e palavras de ordem de desobedi\u00eancia e desafio para que, por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pague ped\u00e1gios nos finais de semana do ver\u00e3o, nem os t\u00edquetes de entrada nas praias privadas e a recente taxa de propriedade inclu\u00edda na conta de luz, que \u00e9 acompanhada por uma amea\u00e7a inaceit\u00e1vel de corte de luz, independente do montante do consumo ter sido pago. A principal frente de luta \u00e9 direcionada, obviamente, contra o desemprego, contra a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e pens\u00f5es, demiss\u00f5es nos setores p\u00fablicos e privados, contra a aboli\u00e7\u00e3o dos acordos coletivos, contra as formas tempor\u00e1rias e flex\u00edveis de trabalho, contra a esmagadora redu\u00e7\u00e3o de financiamentos dos fundos de seguran\u00e7a social, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, preven\u00e7\u00e3o e bem estar, contra os cortes com as despesas das pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica, contra a redu\u00e7\u00e3o e aboli\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios maternidade, o financiamento de creches, etc.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, realizamos um extensivo trabalho ideol\u00f3gico-pol\u00edtico, com discuss\u00f5es e leituras sobre as principais quest\u00f5es tais como o socialismo, a hist\u00f3ria do partido, a crise econ\u00f4mica do capitalismo e o reagrupamento do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o no debate foi organizada dentro do partido desde as Organiza\u00e7\u00f5es de Base do Partido e se estendeu aos \u00f3rg\u00e3os da KNE (Juventude Comunista da Gr\u00e9cia) e suas Organiza\u00e7\u00f5es de Base, de v\u00e1rias maneiras.<\/p>\n<p>Hoje, prestamos especial aten\u00e7\u00e3o e monitoramos de perto o perigo de um conflito, relativamente mais generalizado, nas \u00e1reas geoestrat\u00e9gicas do Mar Negro, do Oriente M\u00e9dio, do leste do Mediterr\u00e2neo e, \u00e9 claro, elaboramos uma posi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica contra a guerra imperialista, independente dos pretextos que ser\u00e3o usados e, sobretudo, elaboramos a estrat\u00e9gia de transformar tal guerra em luta pelo poder. A classe burguesa do nosso pa\u00eds estar\u00e1 ao lado de uma ou de outra linha, ou p\u00f3lo imperialista, com o objetivo de fazer parte da redistribui\u00e7\u00e3o de mercados e, desta forma, n\u00e3o se encontrar\u00e1 na margem do processo. O povo n\u00e3o deve derramar seu sangue pelos interesses imperialistas, sejam da Gr\u00e9cia ou de outros pa\u00edses. O mesmo \u00e9 verdade para todos os povos.<\/p>\n<p>Trata-se de uma quest\u00e3o que demanda uma postura comum dos partidos comunistas e dos movimentos de trabalhadores, uma quest\u00e3o onde a unidade \u00e9 de crucial import\u00e2ncia. Devemos ter a oportunidade, talvez na pr\u00f3xima reuni\u00e3o regional ou local, de trocar opini\u00f5es sobre essa s\u00e9ria quest\u00e3o, fortalecendo, de qualquer maneira, a frente contra o chamado \u201cmundo multipolar\u201d, que constitui um esfor\u00e7o de manipula\u00e7\u00e3o das pessoas e de incorpor\u00e1-las ao sistema imperialista e as suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio, hoje em dia, que h\u00e1 um impasse na administra\u00e7\u00e3o burguesa da crise; as receitas cl\u00e1ssicas n\u00e3o podem ser aplicadas, como o foram no passado, ainda que com dificuldades;\u00a0 \u00e9 imposs\u00edvel a administra\u00e7\u00e3o das conseq\u00fc\u00eancias da crise, particularmente, o desemprego e a pobreza. Pensamos que a recupera\u00e7\u00e3o, se ela vier, ser\u00e1 an\u00eamica e, talvez, antes que ela venha, ocorrer\u00e1 haver\u00e1 um novo ciclo de crise.<\/p>\n<p>O movimento dos trabalhadores e de seus aliados, em especial os trabalhadores aut\u00f4nomos e outros pequenos empres\u00e1rios empobrecidos que enfrentam a fal\u00eancia, os pequenos produtores agr\u00edcolas, tamb\u00e9m empobrecidos, devem demonstrar resist\u00eancia frente \u00e0 complexidade da luta, diante da intransig\u00eancia do inimigo. A a\u00e7\u00e3o defensiva, hoje, n\u00e3o tem resultado porque vivemos a condi\u00e7\u00e3o de um ataque que deseja abolir os direitos adquiridos no s\u00e9culo XX, particularmente depois da Segunda Guerra Mundial, na Europa.<\/p>\n<p>O que se faz necess\u00e1rio, hoje em dia, \u00e9\u00a0o planejamento e a escalada da luta de classes, para erigir \u2013 na medida do poss\u00edvel &#8211;\u00a0 obst\u00e1culos \u00e0s medidas tomadas pela burguesia, para atrasar as novas decis\u00f5es que se avizinham para o contra-ataque cujo desenlace deve se dirigir \u00e0 derrocada do poder dos monop\u00f3lios, do sistema pol\u00edtico burgu\u00eas, por um poder oper\u00e1rio e popular, pelo socialismo. As medidas estabelecidas em virtude da crise, ou da regulamenta\u00e7\u00e3o da crise em favor dos monop\u00f3lios, v\u00e3o al\u00e9m dos limites da pr\u00f3pria crise; s\u00e3o medidas que t\u00eam como objetivo o rein\u00edcio de ganhar mais lucros no per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o que os pr\u00f3prios pa\u00edses capitalistas n\u00e3o consideram que ser\u00e1 est\u00e1vel e que ter\u00e1 \u00edmpeto. Na Gr\u00e9cia se estabelece uma fal\u00eancia controlada, posto que \u00e9 poss\u00edvel uma fal\u00eancia sem controle, como tamb\u00e9m a retirada da zona do euro, um euro internamente desvalorizado e um euro externo, a ser determinado pela UE e pelo FMI, visando proteger os credores internacionais, tanto quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Nenhuma proposta pol\u00edtica burguesa, liberal, social-democr\u00e1tica, de esquerda, de \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d, pode constituir uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a favor do povo\u00a0 ou proteg\u00ea-lo da indig\u00eancia,\u00a0 nem mesmo a curto prazo e muito menos, ainda, a longo prazo, se n\u00e3o estabelecer como quest\u00e3o de princ\u00edpio a ruptura com os monop\u00f3lios &#8211; industriais, banc\u00e1rios, da constru\u00e7\u00e3o naval, comerciais \u2013 isto \u00e9, o rompimento com a propriedade capitalista, suas institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e pol\u00edticas, suas alian\u00e7as internacionais.<\/p>\n<p>O que \u00e9\u00a0importante hoje, no nosso pa\u00eds, como tamb\u00e9m na Europa, \u00e9 enfrentar, sob um ponto de vista de classe, ao\u00a0\u00a0 engano a que submete totalmente o povo no sentido de que experimentamos uma crise da d\u00edvida p\u00fablica, uma crise dos \u00edndices financeiros, que\u00a0 a crise surgiu por causa de uma m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o ou pelos excessivos gastos com servi\u00e7os sociais, dinheiro esse que deveria ser utilizado em invers\u00f5es produtivas. Essa mentira que se passa ao povo afirma que a crise \u00e9 resultado do modelo produtivo de desenvolvimento e \u00e0 baixa competitividade, afirma que todos, todas as classes e camadas sociais consomem mais do que lhes permite a renda que possuem ou que tudo se deve \u00e0 m\u00e1 constru\u00e7\u00e3o da unidade europ\u00e9ia, segundo afirmam, com pequenas diferen\u00e7as, tanto os partidos burgueses quanto os partidos reformistas e oportunistas.<\/p>\n<p>Todas essas vers\u00f5es distorcem a realidade, ocultam que se trata de uma crise de super-acumula\u00e7\u00e3o do capital, o que expressa o acirramento da contradi\u00e7\u00e3o fundamental do capitalismo. Eles separam a economia da pol\u00edtica; eles impedem o desenvolvimento de uma consci\u00eancia radical antimonopolista e anticapitalista. Os trabalhadores na Gr\u00e9cia e na Zona do Euro devem rejeitar a teoria que diz ser objetivo nacional a interven\u00e7\u00e3o estatal para evitar fal\u00eancias e que sacrif\u00edcios se fazem necess\u00e1rios se atingir aquele objetivo, chamado, hoje, de patriotismo contempor\u00e2neo. Os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pela divida p\u00fablica e nem devem pag\u00e1-la.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o \u00e9 o suficiente para levar a bom termo o contra-ataque popular se n\u00e3o adquirir um conte\u00fado antimonopolista essencialmente anticapitalista. N\u00e3o se deve subestimar a experi\u00eancia da burguesia e de seus partidos quando desviam e desarmam o descontentamento popular, isso ficou evidente no caso da chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, com uma ou outra particularidade nos v\u00e1rios pa\u00edses em que ocorreu. Consequentemente, a quest\u00e3o \u201cruptura ou subjuga\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 absolutamente oportuna.<\/p>\n<p><strong>A chamada Frente Anti-Memorando<\/strong><\/p>\n<p>No nosso pa\u00eds, at\u00e9 mesmo as for\u00e7as pol\u00edticas burguesas, assim como os oportunistas e especialmente os intelectuais apologistas do sistema capitalista e de sua renova\u00e7\u00e3o criticam o Memorando, denunciando-o como ineficaz para a sa\u00edda da crise, argumentando que ele imp\u00f5e sacrif\u00edcios unilaterais. Denunciam o Memorando que foi criado pela UE, pelo BCE e pelo FMI porque, como sustentam, ele quebra a \u201ccoes\u00e3o social\u201d, traz para mais perto a amea\u00e7a \u2013 como eles dizem caracteristicamente \u2013 da explos\u00e3o social, provando suas hostilidades \u00e0 luta de classes. Promovem diferentes vers\u00f5es para a gest\u00e3o burguesa que, supostamente, trar\u00e1 equil\u00edbrio e coes\u00e3o para que os capitalistas e os monop\u00f3lios, de um lado e os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o por outro \u00e2ngulo, possam viver em consenso um com os outros e, todos juntos, sirvam ao desenvolvimento capitalista, prevendo uma Gr\u00e9cia forte na Zona do Euro, no n\u00facleo duro da UE. Fomentam a ilus\u00e3o de que os interesses podem ser unificados no caminho para a supera\u00e7\u00e3o da crise. O maior servi\u00e7o que os oportunistas prestam,\u00a0 na busca de estabilidade para o sistema pol\u00edtico burgu\u00eas, consiste em sustentar que o caminho para a supera\u00e7\u00e3o da crise e o al\u00edvio das pessoas n\u00e3o deve ter como objetivo a luta em n\u00edvel do Estado Na\u00e7\u00e3o, mas em n\u00edvel europeu, pois consideram que nenhuma ruptura pode ser alcan\u00e7ada, em n\u00edvel nacional, mediante o incremento da luta de classes e a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do poder.<\/p>\n<p>Diante dos impasses administrativos para gerir a crise, ocorreu, para os defensores do sistema capitalista,\u00a0 algo\u00a0 totalmente previs\u00edvel e absolutamente normal, isto \u00e9, formou-se uma coaliz\u00e3o governamental, atrav\u00e9s dos procedimentos parlamentares e com a interven\u00e7\u00e3o ativa da UE, entre os dois principais partidos burgueses e um pequeno partido de ultradireita que, nos \u00faltimos anos, foi respons\u00e1vel pelo trabalho sujo da provoca\u00e7\u00e3o e do anti-comunismo, por parte principalmente do PASOK (partido do Movimento Socialista Pan-Hel\u00eanico)\u00a0 e, tamb\u00e9m, da ND (partido da Nova Democracia).<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o dos partidos burgueses, frente ao movimento emergente, intensificou os questionamentos sobre a possibilidade de o sistema pol\u00edtica burgu\u00eas conseguir\u00e1 administrar a situa\u00e7\u00e3o, mediante a coopera\u00e7\u00e3o direta dos partidos burgueses ou se devem ser formados\u00a0 dois p\u00f3los de coopera\u00e7\u00e3o, um de centro-direita e outro de centro-esquerda. A burguesia, \u00e9 claro, deseja que o n\u00facleo dessa coopera\u00e7\u00e3o se forme em torno de dois partidos burgueses, o liberal e o social-democrata. Ao mesmo tempo, ele est\u00e1 preocupada com a possibilidade de tal coopera\u00e7\u00e3o facilitar a libera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as das classes trabalhadora e popular dos dois partidos, especialmente do social-democrata PASOK. Recentemente, discute, abertamente, a proposta de criar uma frente ampla para impor o consentimento popular e com o objetivo de bloquear a ampla dissemina\u00e7\u00e3o e o impacto da proposta pol\u00edtica do KKE.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar a agilidade aventureira da corrente oportunista no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica de alian\u00e7as que modifica de um dia para o outro. Algumas vezes, falam da unidade das for\u00e7as de esquerda, outras vezes, da unidade de for\u00e7as progressistas e de esquerda, outras, ainda,\u00a0 da unidade de for\u00e7as patri\u00f3ticas e progressistas e, em outros momentos, da unidade\u00a0 das for\u00e7as democr\u00e1ticas, numa tentativa de se aproximar \u00e0s for\u00e7as do espectro do partido liberal burgu\u00eas. Entretanto, ela se mant\u00e9m est\u00e1vel quando apresenta, como alternativas pol\u00edticas, propostas que foram adotadas no quadro da competi\u00e7\u00e3o entre as pot\u00eancias capitalistas. Uma proposta caracter\u00edstica \u00e9 a suposta solu\u00e7\u00e3o do Eurobond, de empr\u00e9stimos exclusivos do BCE, do cancelamento parcial da d\u00edvida mediante renegocia\u00e7\u00e3o entre os governos. Insistem em dizer que \u00e9 de interesse popular a salva\u00e7\u00e3o e a unidade da Zona do Euro, adotam tese variadas, inclusive sobre a pr\u00f3pria governabilidade econ\u00f4mica, promovem, como tema crucial, o aumento da competitividade, a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos, e por vezes s\u00e3o atra\u00eddos pelo exemplo da Argentina, ou destacam o caso da Hungria, ou, tamb\u00e9m, consideram que outra dire\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia\u00a0 teria tratado tais assuntos de uma forma mais adequada, demonstrando, claramente, que pode ser administradores confi\u00e1veis do sistema. Isso \u00e9 v\u00e1lido, tamb\u00e9m, para o Partido da Esquerda Europ\u00e9ia, que projeta vis\u00f5es similares.<\/p>\n<p>A frente progressista contra o Memorando, proposta pelas for\u00e7as oportunistas, n\u00e3o representa nenhuma amea\u00e7a ao sistema, \u00e9 uma simples varia\u00e7\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o burguesa. Ao mesmo tempo, eles promovem a quest\u00e3o da inst\u00e2ncia patri\u00f3tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha e \u00e0 Fran\u00e7a e essas for\u00e7as\u00a0 fingem que n\u00e3o compreendem o fato de as uni\u00f5es inter-estados capitalistas, uni\u00f5es regionalmente ou mais amplas, assim como todo tipo de coopera\u00e7\u00e3o, s\u00e3o regidas pela lei do desenvolvimento desigual, o que em implica desigualdades na rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Fingem n\u00e3o vislumbrar o antagonismo entre os pa\u00edses capitalistas, entre os monop\u00f3lios de um mesmo setor.<\/p>\n<p>Hoje em dia, na Gr\u00e9cia e em outros pa\u00edses capitalistas, especialmente no velho mundo capitalista europeu, est\u00e3o sendo derrubados os tabus e os mitos que exerceram grande influencia sobre as popula\u00e7\u00f5es. O n\u00facleo principal desses mitos consiste na propalada inevitabilidade da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia; ainda, que \u00e9 inconceb\u00edvel que um povo n\u00e3o queira aderir ou que queira retirar-se da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, ou, tamb\u00e9m, que a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia pode transformar-se numa Europa popular, mediante a elei\u00e7\u00e3o de governos de esquerda ou mediante a coaliz\u00e3o de for\u00e7as de esquerda e de for\u00e7as progressistas. Quais mitos foram desmascarados:<\/p>\n<p><strong>Primeiro<\/strong>: que a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia \u00e9 uma fam\u00edlia, uma alian\u00e7a com solidariedade social e unidade permanente e que, para al\u00e9m da UE, s\u00f3 pode haver caos.<\/p>\n<p>Os estados burgueses est\u00e3o absolutamente unidos e solid\u00e1rios uns com os outros no que diz respeito \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em golpear o movimento de resist\u00eancia. Est\u00e3o divididos e competem uns com os outros pela distribui\u00e7\u00e3o dos lucros, nos per\u00edodos de desenvolvimento acelerado, como tamb\u00e9m na distribui\u00e7\u00e3o das perdas nos per\u00edodos de crise.<\/p>\n<p><strong>Segundo<\/strong>: o per\u00edodo que compreende 2008 at\u00e9 hoje \u00e9 suficiente para destruir o que eles vem dizendo todos esses anos, apoiando-se em teorias burguesas e oportunistas, isto \u00e9 que os estados podem controlar o capital, os monop\u00f3lios e o dom\u00ednio dos mesmos na economia. Essa experi\u00eancia invalida o slogan do controle dos mercados pelo poder pol\u00edtico, sobre a preced\u00eancia da pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos mercados e a palavra de ordem oportunista, supostamente inovadora, das \u201cpessoas antes dos lucros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Terceiro:<\/strong> que a chamada globaliza\u00e7\u00e3o, mais especificamente, a economia capitalista mundial, refor\u00e7a a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e garante o mesmo ritmo e converg\u00eancia entre os pa\u00edses capitalistas. Inclusive, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, diziam que as guerras foram abolidas e que a solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para os conflitos se tornara priorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A guerra nunca foi abolida, desde que terminou a Segunda Guerra Mundial. Desenvolveu-se na forma de dezenas, centenas de guerras localizadas, enquanto uma nova rodada pela redistribui\u00e7\u00e3o dos mercados est\u00e1 em andamento. A profunda crise que experimentamos prenuncia n\u00e3o s\u00f3 novos focos de guerra, como tamb\u00e9m um conflito generalizado entre as pot\u00eancias imperialistas num futuro pr\u00f3ximo. O envolvimento da Gr\u00e9cia nesse quadro trar\u00e1 maior perigo para seu povo. O envolvimento j\u00e1 \u00e9 um fato por causa da participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia em guerras locais atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de suas bases militares, pelo transito de tropas, pela participa\u00e7\u00e3o em for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quarto<\/strong>: \u00e9 poss\u00edvel que perda, significativamente, seu valor, a chamada obedi\u00eancia \u00e0 legitimidade burguesa, \u00e0 disciplina e a submiss\u00e3o \u00e0s leis da classe draconianas da classe dominante, que foram adotadas pelo parlamento burgu\u00eas grego, e aos \u00f3rg\u00e3os diretivos da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. H\u00e1 v\u00e1rios exemplos, como no caso caracter\u00edstico dos marinheiros ou dos motoristas de t\u00e1xis e de caminh\u00f5es cisternas, que continuaram suas greves, apesar dos tribunais as declararem ilegais e apesar da ordem de mobiliza\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Somente o poder popular pode assegurar a soberania popular e a real liberta\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as imperialistas, tais como a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e a OTAN (tratado militar de pa\u00edses do norte do Atl\u00e2ntico ao qual a Gr\u00e9cia aderiu).<\/p>\n<p>N\u00f3s promovemos a seguinte plataforma, com tr\u00eas eixos: poder popular \u2013 retirada (da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia) \u2013 cancelamento unilateral da d\u00edvida. A retirada sem socializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 destrutiva para os interesses populares, enquanto a socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel sem a retirada.<\/p>\n<p>Hoje em dia, mais do que nunca, o povo se conscientiza de que n\u00e3o compartilha\u00a0 mesma p\u00e1tria com o capital, os monop\u00f3lios e com o poder destes. Isto porque a burguesia coloca seus lucros acima do idioma nacional e de nosso legado hist\u00f3rico e pol\u00edtico. Eles formam suas alian\u00e7as de acordo com o lucro, sacrificando tudo e a todos pela gan\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, o termo p\u00e1tria adquire um conte\u00fado substancial para as pessoas somente com o poder oper\u00e1rio, com as institui\u00e7\u00f5es de defesa, prote\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria-popular.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de alian\u00e7as \u00e9\u00a0restrita aos acordos feitos desde cima, com base em um programa m\u00ednimo, enquanto considera que o movimento social \u00e9 meramente uma alavanca para o realinhamento das for\u00e7as pol\u00edticas, para alian\u00e7as de centro-esquerda e para pol\u00edticas de administra\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>N\u00f3s falamos abertamente ao povo sobre a alian\u00e7a s\u00f3cio-pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria com os pequeno-burgueses empobrecidos da cidade e do campo. Falamos sobre o reagrupamento do movimento oper\u00e1rio e popular com uma clara orienta\u00e7\u00e3o antiimperialista, antimonopolista, em \u00faltima an\u00e1lise, anti-capitalista. Ele deve ter uma orienta\u00e7\u00e3o clara, em cada pa\u00eds, para utilizar cada fenda, cada rachadura do governo burgu\u00eas para enfraquec\u00ea-lo, para derrub\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de alian\u00e7as tem, objetivamente, dois aspectos independentes da variedade das formas que ela pode adquirir: ter\u00e1 como objetivo a preserva\u00e7\u00e3o e longevidade do poder pol\u00edtico burgu\u00eas ou haver\u00e1 um acordo b\u00e1sico pela conquista do poder oper\u00e1rio e popular.<\/p>\n<p>Qualquer fissura no sistema pol\u00edtico, nos mecanismos de poder do capital, tudo que enfraquecer o governo burgu\u00eas e tamb\u00e9m os partidos pol\u00edticos burgueses, contribui para o fortalecimento das for\u00e7as\u00a0 da alian\u00e7a popular que vise a derrocada do sistema de explora\u00e7\u00e3o capitalista, da ditadura dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Lutamos, sistematicamente, pontos de vista tais como \u201co problema da economia grega foi a super-acumula\u00e7\u00e3o de lucros no sistema banc\u00e1rio ou nas bolsas de valores em oposi\u00e7\u00e3o ao lucro industrial, produtivo\u201d. Contra opini\u00f5es que separam os lucros entre \u201clegais\u201d e \u201cilegais\u201d; que alegam que o capitalismo supostamente saud\u00e1vel converteu-se num \u201ccassino capitalista\u201d. Requer uma aten\u00e7\u00e3o especial as considera\u00e7\u00f5es que vislumbram o imperialismo como\u00a0 pol\u00edtica externa ou um tipo de rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses, ao inv\u00e9s de trat\u00e1-lo como um sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico, isto \u00e9, o capitalismo monopolista.<\/p>\n<p>Outra variante da percep\u00e7\u00e3o social-democr\u00e1tica adota a posi\u00e7\u00e3o da necessidade de \u201creabilitar\u201d o capitalismo, pela sua humaniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de meios de controle das fun\u00e7\u00f5es mais parasit\u00e1rias do sistema financeiro. Eles n\u00e3o querem e nem podem reconhecer que n\u00e3o h\u00e1 empresa, grupo monopolista, que n\u00e3o ative a maior parte do seu capital no exterior, ou seja, utiliza empr\u00e9stimos de capital, ao inv\u00e9s de usar o pr\u00f3prio, o capital dos seus acionistas. Quando a taxa m\u00e9dia dos lucros\u00a0 tem uma tend\u00eancia decrescente, essas empresas tem dificuldades\u00a0 para obter empr\u00e9stimos e assim\u00a0 se dificulta a expans\u00e3o da produtividade e se produz a recess\u00e3o. Ademais, n\u00e3o querem reconhecer que os bancos n\u00e3o realizam somente empr\u00e9stimos, n\u00e3o invertem somente no mercado do dinheiro, como tamb\u00e9m compram ou participam do capital industrial.\u00a0 N\u00e3o aceitam as fus\u00f5es que ocorrem entre os capitais banc\u00e1rio e industrial.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro para n\u00f3s que, nas condi\u00e7\u00f5es da crise, h\u00e1 possibilidades da luta de classes se agudizar, repentinamente, como pode ocorrer, tamb\u00e9m de s\u00fabito, o ingresso de camadas populares mais amplas sem a necess\u00e1ria experi\u00eancia pol\u00edtica e social. Estamos conscientes do perigo do movimento social se encontrar em retrocesso, quando ele experimenta a barb\u00e1rie do desemprego, da pobreza, da indig\u00eancia, das conseq\u00fc\u00eancias da viol\u00eancia estatal e patronal, como tamb\u00e9m do impacto ideol\u00f3gico da vis\u00e3o burguesa, do reformismo e do oportunismo, sob o choque do anticomunismo desenfreado que promovido pelos \u00f3rg\u00e3os do Estado e seus aparatos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Apesar dessas dificuldades, a campanha para intimidar as pessoas em nome da crise, apesar da intimida\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, da impaci\u00eancia das massas, especialmente daquelas que vieram de setores da pequena burguesia que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinham um relativo padr\u00e3o de vida de qualidade,\u00a0o KKE se manteve firmemente orientado \u00e0 necessidade e \u00e0 atualidade do socialismo.<\/p>\n<p>O agravamento da crise econ\u00f4mica, as contradi\u00e7\u00f5es da UE, a consci\u00eancia anticapitalista emergente contribuem para que as pessoas compreendam, facilmente, a necessidade de uma mudan\u00e7a radical. Claro que esses processos n\u00e3o levam, automaticamente, para uma escolha de confronta\u00e7\u00e3o, para uma firma participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o da luta de classe. Entretanto, hoje, o terreno para um conflito ideol\u00f3gico-pol\u00edtico profundo \u00e9 mais f\u00e9rtil em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00f5es\u00a0 anteriores quando a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais da classe trabalhadora evolu\u00eda mais lentamente em compara\u00e7\u00e3o com a forma tormentosa de hoje.<\/p>\n<p>O KKE convoca todas as pessoas a lutar para que os meios de produ\u00e7\u00e3o, concentrados nas ind\u00fastrias, se tornem propriedade popular, pela socializa\u00e7\u00e3o da terra, das grandes empresas agr\u00edcolas e do com\u00e9rcio a atacadista. Com base nessas rela\u00e7\u00f5es, a agricultura deve ser reorganizada de acordo com os incentivos para sua concentra\u00e7\u00e3o, inicialmente, em cooperativas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a planifica\u00e7\u00e3o nacional centralizada, baseada cientificamente, liberar\u00e3o grandes possibilidades de produ\u00e7\u00e3o infra-utilizadas,\u00a0 assegurar\u00e3o a prioriza\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o, cientificamente combinadas, das necessidades sociais populares, sob a condi\u00e7\u00e3o de ser ativado um amplo controle popular e oper\u00e1rio para completa satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades sociais b\u00e1sicas, por exemplo, alimenta\u00e7\u00e3o, moradia popular, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, bem estar, obras de infra-estrutura.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do tempo de descanso para os trabalhadores contribuir\u00e1\u00a0 para sua substancial participa\u00e7\u00e3o no controle. O controle oper\u00e1rio e popular come\u00e7ar\u00e1 nas unidades produtivas com elei\u00e7\u00e3o de representantes, com mandatos revog\u00e1veis, e estender\u00e1 a todos os setores e regi\u00f5es. Nos organismos de poder participar\u00e3o trabalhadores, eleitos, das unidades produtivas, garantindo-se a participa\u00e7\u00e3o dos membros de cooperativas, de estudantes e de aposentados e pensionistas. Os representantes eleitos para o mais alto corpo nacional n\u00e3o ter\u00e3o mandatos permanentes, mas revog\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o poder popular, o qual para o KKE \u00e9 o socialismo e n\u00e3o um est\u00e1gio intermedi\u00e1rio entre capitalismo e socialismo, preservar\u00e1 parte significativa dos recursos\u00a0 p\u00fablicos atrav\u00e9s da aboli\u00e7\u00e3o de gastos militares com os planos imperialistas e agressivos da OTAN, pelo cancelamento, real e completo, da d\u00edvida, pela aboli\u00e7\u00e3o dos multifacetados pacotes de apoio aos monop\u00f3lios e aos bancos. Essa \u00e9 a esmagadora superioridade do poder popular que pode assegurar o bem estar social contra o velho capitalismo monopolista que realiza os planos dos diversos grupos e setores do grande capital que competem entre eles pela maior rentabilidade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Somente a planifica\u00e7\u00e3o centralizada pode superar o desenvolvimento desigual das regi\u00f5es dentro do pa\u00eds. O poder popular \u00e9 o \u00fanico que pode realizar acordos comerciais mutuamente ben\u00e9ficos com outros povos, com outras economias populares e erradicar o fen\u00f4meno das competi\u00e7\u00f5es imperialistas sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais do mar e da terra.<\/p>\n<p>Somente essa luta que visa atingir o real inimigo, isto \u00e9, o poder dos monop\u00f3lios, e incorpora as iniciativas\u00a0 de obstaculizar a ofensiva antipopular, de organizar o contra-ataque do movimento popular, assegura a continuidade, a dura\u00e7\u00e3o da luta, alternando, constantemente, as formas de luta, e a perspectiva de vit\u00f3ria para a classe oper\u00e1ria e seus aliados sociais.<\/p>\n<p>Toda reflex\u00e3o, todos os slogans e posicionamentos que entram em conflito com as rela\u00e7\u00f5es de propriedade e de poder capitalistas foram atacados por todos os partidos da burguesia. sob o argumento de que o socialismo fracassou e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 outra solu\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a administra\u00e7\u00e3o dos problemas no capitalismo. Consequentemente, tirar conclus\u00f5es da vit\u00f3ria da contra-revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o crucial e que n\u00e3o diz respeito, meramente, ao per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, ao per\u00edodo de concentra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o h\u00e1 situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na Gr\u00e9cia a ponto de colocar em pr\u00e1tica a destrui\u00e7\u00e3o do sistema capitalista como uma tarefa imediata, mas tudo isso mostra que se o movimento oper\u00e1rio, o setor mais radical do povo, n\u00e3o direcionar a luta para o poder oper\u00e1rio, ele ficar\u00e1 preso em v\u00e1rias vers\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o burguesa e perder\u00e1 toda e qualquer oportunidade de vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Antes da crise, a quest\u00e3o do poder oper\u00e1rio parecia, para muitos, uma quest\u00e3o de mera discuss\u00e3o. Hoje, a realidade mostra que isso \u00e9 um objetivo imperioso de luta, dando um significado \u00e0 luta di\u00e1ria no cen\u00e1rio de uma crise profunda, num cen\u00e1rio em que a burguesia n\u00e3o realiza manobras, nem faz concess\u00f5es.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do poder afeta, hoje, as formas de luta, prioriza a organiza\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento das iniciativas oper\u00e1ria e\u00a0 popular desde baixo,\u00a0 a recusa em obedecer e acatar as leis burguesas, a forma\u00e7\u00e3o dos germens\u00a0 o novo poder e dos organismos de controle oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o povo n\u00e3o reside no alinhamento com um setor da classe burguesa dom\u00e9stica, com um dos centros imperialistas, abandonando outro, no momento em que suas contradi\u00e7\u00f5es se tornam agudas. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste no apoio aos novos partidos burgueses contra os velhos, \u00e0s governos de coaliz\u00e3o coaliz\u00f5es ao dos governos\u00a0 de um partido.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o se encontra na luta organizada focalizada nos locais de trabalho, nos sindicatos, e ser\u00e1 orientada atrav\u00e9s dos desafios, dos conflitos e da ruptura com os monop\u00f3lios, os partidos, seus governos e suas alian\u00e7as imperialistas com o intuito de destru\u00ed-los. Essa \u00e9 a \u00fanica linha realista de luta.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma pe\u00e7a de um ato, portanto, todos os movimentos, todos os passos, todas as fases n\u00e3o devem ser separadas de seu objetivo.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos meses, no pr\u00f3ximo ano, pode e deve ocorrer uma participa\u00e7\u00e3o massiva nas assembl\u00e9ias, nos locais de trabalho, nas reuni\u00f5es dos bairros oper\u00e1rios e populares, na resist\u00eancia organizada e no contra-ataque contra as conseq\u00fc\u00eancias das leis antipopulares, contra os impostos e os cortes de sal\u00e1rios e pens\u00f5es, na luta pelo seguro desemprego e pela cria\u00e7\u00e3o de unidades de\u00a0 assist\u00eancia m\u00e9dica, de ensino, de bem estar para a prote\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias populares.<\/p>\n<p>O conflito com a domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos monop\u00f3lios e seu poder pol\u00edtico \u00e9 determinado, acima de tudo, pelo lugar onde a mais-valia est\u00e1 sendo produzida e apropriada, aonde o lucro capitalista se realiza, mais especificamente, nas unidades industriais capitalistas, nos centros comerciais, nos hospitais privados, nos bancos, nas empresas onde h\u00e1 grande concentra\u00e7\u00e3o de trabalhadores assalariados, muitos trabalhadores assalariados independentemente de suas especializa\u00e7\u00f5es. Nesses locais, a luta deve se estabelecer, n\u00e3o em assuntos parciais, mas contra a linha pol\u00edtica antipopular em seu conjunto.<\/p>\n<p>O \u00fanico crit\u00e9rio para a confiabilidade de qualquer organiza\u00e7\u00e3o sindical ou pol\u00edtica \u00e9 seu posicionamento diante da necessidade anteriormente referida, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o e do \u00eaxito das greves em cada local de trabalho. As declara\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o suficientes se elas n\u00e3o s\u00e3o acompanhadas por a\u00e7\u00f5es visando \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es de greve.<\/p>\n<p>Nesses locais de trabalho deve se forjar a luta de classes unificada tendo como crit\u00e9rio a luta vanguardista contra o patronato capitalista, o sindicalismo amarelo e pr\u00f3-governo, os partidos e o poder dos monop\u00f3lios. \u00c9 nesses locais que se determinar\u00e1 a continuidade, a perspectiva do enfraquecimento da pol\u00edtica antipopular at\u00e9 sua derrocada final.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que os atuais desenvolvimentos, a crise capitalista e a agressividade imperialista imp\u00f5em o fortalecimento da luta do Movimento Comunista Internacional pelos interesses da classe oper\u00e1ria, das camadas populares, pela destrui\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie capitalista, intensificando seus esfor\u00e7os por uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria unificada. Nessa dire\u00e7\u00e3o o KKE alinha suas for\u00e7as.<\/p>\n<p><em>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2011\/2011-12-13-kke-omilia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2011\/2011-12-13-kke-omilia<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: KKE\n\n\n\n\n\n\n\n\nQueridos Camaradas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2228\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37,242],"tags":[],"class_list":["post-2228","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas","category-eipco"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-zW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2228\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}