{"id":22327,"date":"2019-02-14T00:54:03","date_gmt":"2019-02-14T02:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22327"},"modified":"2019-02-14T00:54:09","modified_gmt":"2019-02-14T02:54:09","slug":"38o-congresso-do-andes-sn-um-passo-importante-do-feminismo-classista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22327","title":{"rendered":"38\u00ba Congresso do Andes-SN: um passo importante do feminismo classista"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/51178926_2341300965880443_9144650487524491264_o-600x400.jpg\"\/><!--more-->Avan\u00e7a a luta contra o patriarcado e pela reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora!<\/p><p>\nUnidade Classista Nacional<\/p><p>\nPor Qelli Rocha\n<\/p><p>\nMilitante do PCB, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Unidade Classista, 1\u00aa vice-presidente do Andes-SN (gest\u00e3o 2018-2020) e professora da UFMT\nNo dia 02 de fevereiro de 2019, durante seu 38\u00ba Congresso, o ANDES-SN aprovou \u2013 ap\u00f3s 40 anos de hist\u00f3ria de lutas \u2013 a paridade de g\u00eanero para a composi\u00e7\u00e3o de sua diretoria nacional. A decis\u00e3o hist\u00f3rica, aprovada por maioria, determina que, no m\u00ednimo, seis dos onze cargos do bloco da presid\u00eancia, secretaria e tesouraria, e que 50% de cada vice-presid\u00eancia regional sejam ocupadas por mulheres. A resolu\u00e7\u00e3o busca garantir, por meio da pol\u00edtica de representa\u00e7\u00e3o, uma mudan\u00e7a significativa nas rela\u00e7\u00f5es sociais dentro do sindicato como contribui\u00e7\u00e3o para as mudan\u00e7as estruturais da nossa sociedade.\n<\/p><p>\nNa sociedade capitalista burguesa patriarcal a constru\u00e7\u00e3o das identidades das mulheres, bem como dos homens, tem partido das diferen\u00e7as biol\u00f3gicas, estas fornecem subs\u00eddios para justificar a naturaliza\u00e7\u00e3o das distin\u00e7\u00f5es dos pap\u00e9is sociais masculinos e femininos, que tem imposto \u00e0s mulheres seu aprisionamento no espa\u00e7o (dom\u00e9stico) privado das rela\u00e7\u00f5es sociais.\n<\/p><p>\nEstas rela\u00e7\u00f5es sociais, comparecem no cotidiano de forma imediata como rela\u00e7\u00f5es naturais, mascarando a a\u00e7\u00e3o da cultura sobre os grupos sociais, promovendo a transmuta\u00e7\u00e3o de machos e f\u00eameas em homens e mulheres, bem como a constru\u00e7\u00e3o dos \u201cvalores\u201d do feminino e do masculino em cada momento hist\u00f3rico, o que inscreve mudan\u00e7as estruturais nos ordenamentos sociais. S\u00e3o essas determina\u00e7\u00f5es culturais que orientam e definem os pap\u00e9is e os significados do que seja masculino e feminino e n\u00e3o o seu destino biol\u00f3gico.\n<\/p><p>\nNeste sentido, compreender essas rela\u00e7\u00f5es como  hist\u00f3ricas e determinadas, apreendidas a partir da  categoria g\u00eanero, ajuda a vislumbrar uma nova perspectiva sobre a realidade social, tamb\u00e9m a compreender o  confinamento da pessoa (mulher) ao espa\u00e7o privado, acarretando sua invisibilidade, visto n\u00e3o ser percebida pelos outros, compelidas \u00e0 car\u00eancia  de relev\u00e2ncia social, invisibilidade e apagamento na hist\u00f3ria.\n<\/p><p>\nDesta forma, assim como as diferencia\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas justificaram a naturaliza\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is sociais representados por homens e mulheres, levando-as \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o e ao confinamento do espa\u00e7o privado provocando sua invisibilidade, o sistema patriarcal, por sua vez, potencializou as rela\u00e7\u00f5es de poder desempenhado pelo homem  e a subjuga\u00e7\u00e3o da mulher de modo a fomentar os estere\u00f3tipos de \u201chisteria\u201d e \u201cneurose\u201d, recalcando e salientando a sua inferioridade intelectual e cognitiva, destarte, desistoricizando, a depend\u00eancia emocional, social e econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o ao homem, de modo a engessar seu aprisionamento ao espa\u00e7o privado e o seu des\u00edgnio biol\u00f3gico reprodutivo e agorafobia pol\u00edtica.\n<\/p><p>\nSuperar o sistema patriarcal que se consubstancia nas rela\u00e7\u00f5es capitalistas, machistas, racistas e heteronormativas, exige-nos enquanto corrente sindical \u2013 Unidade Classista \u2013 que constitui parte da diretoria do sindicato do ANDES-SN, e contribui para a constru\u00e7\u00e3o deste, apontar como, dialeticamente, \u00e9 importante a defesa de t\u00e1ticas que possam contribuir para a reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.\n<\/p><p>\nAssim, compreendemos que a defesa da paridade de g\u00eanero nos auxilia no avan\u00e7ar desta tarefa, pois partirmos da compreens\u00e3o da heterogeneidade da classe trabalhadora em que as mulheres figuram enquanto categoria expropriada. Essa expropria\u00e7\u00e3o se manifesta na desigualdade salarial que se expressa na disparidade salarial em que as mulheres recebem cerca de 30% a menos  do que os homens no exerc\u00edcio da mesma fun\u00e7\u00e3o; na condi\u00e7\u00e3o de dedica\u00e7\u00e3o aos exerc\u00edcios e afazeres relacionados ao cuidado dom\u00e9stico cerca de 3,7 horas \u00e0 mais do que os homens, todo este cen\u00e1rio refletindo na ocupa\u00e7\u00e3o de postos de trabalhos mais precarizados e em tempo parcial, as mulheres atuam 14,1% \u00e0 mais do que os homens trabalhos de tempo parcial.\n<\/p><p>\nDito isto, compreendemos o limite das pol\u00edticas de representa\u00e7\u00e3o, mas ratificamos sua potencialidade enquanto t\u00e1tica no processo dial\u00e9tico e contradit\u00f3rio no cen\u00e1rio das sociedades da luta de classes, visto que a estrutura da opress\u00e3o e da expropria\u00e7\u00e3o das mulheres se fundamenta no sistema (patriarcal, capitalista, machista, heterossexista e racista)  cuja peculiaridade da mulher se gesta na estrutura econ\u00f4mica da sociedade que fundamenta a organiza\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o do trabalho, distinguindo trabalho \u201cprodutivo\u201d pago e trabalho dom\u00e9stico \u201creprodutivo\u201d n\u00e3o pago, permanecendo este como responsabilidade prim\u00e1ria das mulheres.\n<\/p><p>\nQuanto \u00e0 perspectiva do reconhecimento, g\u00eanero \u00e9 compreendido como uma forma de distin\u00e7\u00e3o de status da sociedade, uma vez que o mesmo codifica padr\u00f5es culturais e estruturais de interpreta\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o j\u00e1 disseminados, que s\u00e3o centrais na ordem de status como um todo. O androcentrismo \u00e9 o padr\u00e3o institucionalizado de valor cultural que valoriza os tra\u00e7os identificadores da masculinidade e, em contrapartida, desvaloriza tudo que estiver associado ao paradigma feminino, n\u00e3o se referindo exclusivamente \u00e0s mulheres, sendo, ent\u00e3o, esta, umas das caracter\u00edsticas que incide sobre a injusti\u00e7a de g\u00eanero, vez que a institui\u00e7\u00e3o destes enquadramentos androc\u00eantricos promove verdadeiras clivagens sociais. Desse modo, a injusti\u00e7a de g\u00eanero somente poder\u00e1 ser reparada quando houver uma combina\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de supera\u00e7\u00e3o anti-imperialista e anti-capitalista.\n<\/p><p>\n\u00c9 neste sentido que comemoramos e saudamos mais esta conquista hist\u00f3rica no ANDES-SN! Parabenizamos a diretoria e participantes do 38\u00ba Congresso, destacando a atua\u00e7\u00e3o de nossa milit\u00e2ncia da UC, bem como do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro \u2013 CFCAM \u2013 ao longo desse processo, e todos\/as sindicalizados\/as do ANDES-SN. Entendemos que as lutas feministas tem avan\u00e7ado nos \u00faltimos anos e isso deve estar refletido em um sindicato classista. Que esta vit\u00f3ria estimule outros sindicatos e movimentos sociais a tamb\u00e9m avan\u00e7arem na lutas feministas, antipatriarcais e anticapitalistas, como parte do processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.\n<\/p><p>\nA revolu\u00e7\u00e3o socialista ser\u00e1 feminista ou n\u00e3o ser\u00e1!\n<\/p><p>\nPelo poder popular!\n<\/p><p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"DzfZYBqViO\"><a href=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/3610\">38\u00ba Congresso do Andes-SN: um passo importante do feminismo na luta contra o patriarcado e pela reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora!<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/uc1\/3610\/embed#?secret=DzfZYBqViO\" data-secret=\"DzfZYBqViO\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;38\u00ba Congresso do Andes-SN: um passo importante do feminismo na luta contra o patriarcado e pela reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora!&#8221; &#8212; Unidade Classista\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22327\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60,31],"tags":[226],"class_list":["post-22327","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-c31-unidade-classista","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5O7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}