{"id":22329,"date":"2019-02-14T00:57:09","date_gmt":"2019-02-14T02:57:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22329"},"modified":"2019-02-14T00:57:14","modified_gmt":"2019-02-14T02:57:14","slug":"aposentadoria-e-para-viver-nao-para-receber-a-beira-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22329","title":{"rendered":"Aposentadoria \u00e9 para viver, n\u00e3o para receber \u00e0 beira da morte"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2019\/02\/aposentadoria-e-para-viver-nao-para-receber-so-a-beira-da-morte\/aposentados\/image_large\"\/><!--more-->REDE BRASIL ATUAL\n<\/p><p>\nProposta de &#8220;reforma&#8221; da Previd\u00eancia do governo Bolsonaro s\u00f3 leva em conta expectativa de vida, como se o trabalhador tivesse de morrer ap\u00f3s se aposentar para n\u00e3o despesa para o governo\n<\/p><p>\nRoberto Parizotti\/CUT<\/p><p>\nO tempo de vida saud\u00e1vel precisa ser levado em conta, ou a aposentadoria servir\u00e1 somente para adoecer e morrer\n<\/p><p>\nS\u00e3o Paulo \u2013 A reforma da Previd\u00eancia do governo de Jair Bolsonaro quer acabar com a aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o e obrigar todo mundo a se aposentar com 65 anos de idade. Atualmente, os trabalhadores podem se aposentar ap\u00f3s 35 anos de pagamentos ao INSS, e as trabalhadoras ap\u00f3s 30 anos de contribui\u00e7\u00e3o; ou por idade (65 anos para os homens e 60 para as mulheres, com no m\u00ednimo 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o).\n<\/p><p>\nPara fazer papel do &#8220;bonzinho&#8221;, Bolsonaro faz um contraponto ao ministro da Economia, Paulo Guedes, defendendo que ser\u00e1 preciso considerar as diferen\u00e7as regionais do pa\u00eds para estabelecer uma idade m\u00ednima. Mais uma proposi\u00e7\u00e3o absurda, ao ignorar que dentro de uma mesma cidade existem diferentes expectativas de vida, de acordo com os desgastes provocados pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e por doen\u00e7as.\n<\/p><p>\nNo entanto, como informa o Portal da CUT, em reportagem de Rosely Rocha,  o principal interesse das pessoas n\u00e3o \u00e9 levado em conta pelos defensores dessa reforma: o tempo de sobrevida depois da aposentadoria, que \u00e9 mais importante para o trabalhador do que a expectativa de vida estimada na hora do nascimento \u2013 que \u00e9 uma m\u00e9dia atualizada todos os anos pelo IBGE.\n<\/p><p>\nSegundo o estudo Expectativa de Dura\u00e7\u00e3o de Aposentadoria em Anos, da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o e de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), de 2014, o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses em que os aposentados menos usufruem o tempo do seu benef\u00edcio.\n<\/p><p>\nTempo de dura\u00e7\u00e3o da aposentadoria\n<\/p><p>\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2019\/02\/aposentadoria-e-para-viver-nao-para-receber-so-a-beira-da-morte\/grafico.jpg\"\/>\u201cEnquanto a m\u00e9dia brasileira \u00e9 de 13,4 anos de sobrevida ap\u00f3s a aposentadoria, na It\u00e1lia \u00e9 de mais de 21 anos. O Brasil s\u00f3 fica acima de pa\u00edses como M\u00e9xico, \u00c1frica do Sul e China\u201d, afirma a economista Esther Dweck, que foi chefe da Assessoria Econ\u00f4mica e Secret\u00e1ria de Or\u00e7amento Federal do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o, entre 2011 e 2016.\n<\/p><p>\nAposentar e viver com sa\u00fade\nSe a proposta de reforma da Previd\u00eancia de Bolsonaro passar, o per\u00edodo de vida saud\u00e1vel que o aposentado ter\u00e1 para usufruir do seu benef\u00edcio ser\u00e1 de apenas cinco anos, j\u00e1 que o trabalhador brasileiro usufruiria de sua aposentadoria com sa\u00fade no m\u00e1ximo dos 65 anos aos 70 anos.\n<\/p><p>\n\u201cUma pessoa que chega aos 65 anos no Brasil tem uma expectativa de vida de 80. No entanto, o governo n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o que a sa\u00fade dele estar\u00e1 extremamente prejudicada. Ele vai viver bem, com sa\u00fade, no m\u00e1ximo at\u00e9 os 70 anos. Ora, a aposentadoria \u00e9 um direito que a pessoa tem de usufruir com uma vida saud\u00e1vel, n\u00e3o apenas para pagar por rem\u00e9dios\u201d, diz Esther Dweck.\n<\/p><p>\nO diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenci\u00e1rio (IBDP), Diego Cherulli, especialista em Direito Previdenci\u00e1rio Tribut\u00e1rio e Econ\u00f4mico, defende que se mantenha o atual sistema de pontua\u00e7\u00e3o 86\/96, explicado abaixo.\n<\/p><p>\nEntenda a chamada F\u00f3rmula 85\/95\n<\/p><p>\nA F\u00f3rmula 85\/95 surgiu por lei de 2015, entrou em vigor em janeiro de 2017 e a partir de janeiro deste anos subiu para 86\/96. Confira a tabela de evolu\u00e7\u00e3o:\n<\/p><p>\n\u2022 Em 31 de dezembro de 2018 mudou para 86\/96 \u2013 mulheres se aposentam quando a idade + contribui\u00e7\u00e3o = 86, e homens = 96\n\u2022 Em 31 de dezembro de 2020 muda para 87\/97\n\u2022 Em 31 de dezembro de 2022 muda para 88\/98\n\u2022 Em 31 de dezembro de 2024 muda para 89\/99\n\u2022 Em 31 de dezembro de 2026 muda para 90\/100\n<\/p><p>\nO modelo \u00e9 considerado mais justo. Leva em conta n\u00e3o somente a idade, mas o tempo de contribui\u00e7\u00e3o: ou seja, quem ingressa mais cedo no mercado de trabalho, geralmente os mais pobres, n\u00e3o necessariamente prejudicado com a obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar no m\u00ednimo at\u00e9 os 65 anos.\n<\/p><p>\nPara o advogado Pedro Saglion de Faria Fonseca, do Instituto de Estudos Previdenci\u00e1rios (IEP), o governo n\u00e3o deveria mexer nas regras atuais de idade e contribui\u00e7\u00e3o para a aposentadoria, alegando um suposto d\u00e9ficit. Decis\u00f5es relacionadas a direitos sociais n\u00e3o podem ser tomadas apenas com uma calculadora na m\u00e3o, diz o advogado.\n<\/p><p>\nA legisla\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria foi estabelecida para dar dignidade \u00e0s pessoas, e ao mudar a idade m\u00ednima de aposentadoria o governo rompe um contrato. \u201c\u00c9 um contrato social ao qual as pessoas aderem obrigatoriamente e se ele \u00e9 unilateralmente alterado para atender apenas a uma das partes, no caso o governo, fere o princ\u00edpio de confian\u00e7a\u201d, afirma Saglioni.\n<\/p><p>\nhttps:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2019\/02\/aposentadoria-e-para-viver-nao-para-receber-so-a-beira-da-morte\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22329\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[241],"tags":[222],"class_list":["post-22329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-previdencia-social","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5O9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}