{"id":22340,"date":"2019-02-15T22:59:20","date_gmt":"2019-02-16T00:59:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22340"},"modified":"2019-02-15T22:59:25","modified_gmt":"2019-02-16T00:59:25","slug":"canada-corporacoes-por-tras-do-apoio-ao-golpe-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22340","title":{"rendered":"Canad\u00e1: corpora\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s do apoio ao golpe na Venezuela"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/kf7q8byLYNw5CdQHrXUKVWWkgUh2pF-OFjyaBceQn0v6MMRh3M5fcDzd26FFhufHwJ3l3cazzs257rGt4EcZV-agPhuGMN3LIQwY_eV910EgiEEPxHrTxGmGQxkPopvgXS8Q6M5ba71RiuXlLlzwvn5cC0S9JQtifeSA5u0sojLoWcDpjISMcaNg78TLL4a0uQmlAz7nbzSygfQWqKhzTT8IcTJGCMbEwo6u1D_IZM0DAcrcxFX2N4qULGTAaDVUFQydnS_sD7CM-f2L7dXDtYAa__p5tekvnaobc_1NjSYP1zdrz4GICvJt1JnnzX4vjzUTqikvik8i_VBRnaql3pr9V2-hjQQMQovIb7Lnj1El1a9A2dVLsRI9L_07bHInk3qANMYZVIN0VlDDYqzTgVi5copLF-hKsDZPJdnwM81IdgGXJ1u8jZ5zvfcjTCy1RL2F7YKVcVQqA4PkzPcQkmVbQ-gDvLZXxCvBw3egtKuOSBJPe2x9bMWRlSMNO4Bb_D5515C1vysmS5LX2hjtSAk5a3Piuuvi8qgLIEUmY-FcMD15wZ6YtpwpHCrtUWs3L3E0ZgLU4dyauon_sPTJGKwTRbjUx2A2emRRHprJRTSw_wBoobpzXXN3oXfjfLzS41cXTAqBSaPMjxa1yHJo8YxlXkO0rMHV=w1440-h900-no\"\/><!--more-->\u00c9 conveniente, por\u00e9m incorreto simplesmente culpar os Estados Unidos pelo papel nefasto de Ottawa (capital do Canad\u00e1) na tentativa de golpe em curso na Venezuela.\n<\/p><p>\nAs cr\u00edticas \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do governo do partido Liberal por uma mudan\u00e7a de regime na Venezuela geralmente est\u00e3o focadas em sua submiss\u00e3o a Washington. Contudo, a hostilidade de Ottawa a Caracas \u00e9 tamb\u00e9m motivada por segmentos importantes das corpora\u00e7\u00f5es canadenses, as quais j\u00e1 travaram grandes embates com os governos bolivarianos.\n<\/p><p>\nPara garantir uma maior parte dos lucros provenientes do petr\u00f3leo, a Venezuela for\u00e7ou as companhias privadas de petr\u00f3leo a se tornarem parceiros menores na companhia estatal, a PDVSA, em 2007. Isso levou a PetroCanada, baseada na cidade de Calgary, a vender sua por\u00e7\u00e3o em um projeto de que participava no pa\u00eds. Pol\u00edticos canadenses reclamaram privadamente sobre se sentirem \u201cqueimados\u201d pelo governo venezuelano.\n<\/p><p>\nA Venezuela tem a maior reserva reconhecida de petr\u00f3leo do mundo. O pa\u00eds tamb\u00e9m possui enormes quantidades de ouro.\n<\/p><p>\nDiversas companhias canadenses entraram em conflito com o governo de Hugo Ch\u00e1vez em seu lance para ganhar maior controle sobre a extra\u00e7\u00e3o de ouro. Crystallex, Vanessa Ventures, Gold Reserve Inc. e Rusoro Mining todas tiveram longas batalhas judiciais com o governo venezuelano. Em 2016 Rusoro Mining ganhou uma a\u00e7\u00e3o de $1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares debaixo do tratado de investimento Canada-Venezuela. Naquele mesmo ano, a Crystallex foi compensada com $1.2 bilh\u00f5es sob o mesmo tratado. Ambas as empresas continuam buscando por pagamentos e obtiveram o dinheiro da Citgo, a subsidi\u00e1ria da PDVSA nos Estados Unidos de propriedade do governo venezuelano.\n<\/p><p>\nEm 2011 o Financial Post publicou \u201canos ap\u00f3s empurrar para fora os investimentos estrangeiros para o setor de minera\u00e7\u00e3o de ouro, o presidente Ch\u00e1vez est\u00e1 continuando com seu pr\u00f3ximo passo: nacionaliza\u00e7\u00e3o completa\u201d. Destacando sua import\u00e2ncia para o capital canadense, o editorial da Globe and Mail criticou a decis\u00e3o em um artigo intitulado \u201cCh\u00e1vez nacionaliza todas as minas de ouro na Venezuela\u201d.\n<\/p><p>\nEm sinal de hostilidade ao governo venezuelano do setor de minera\u00e7\u00e3o canadense, o fundador da Barrick Gold, Peter Munk, escreveu uma carta em 2007 ao Financial Times intitulada \u201cParem a demagogia de Ch\u00e1vez antes que seja tarde\u201d: &#8220;Seu editorial &#8216;Ch\u00e1vez no controle&#8217; foi uma muito gentil descri\u00e7\u00e3o de um ditador perigoso \u2013 o \u00faltimo do tipo que lidera uma na\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do processo democr\u00e1tico, e a\u00ed perverte e abole a democracia para perpetuar seu pr\u00f3prio poder&#8230; n\u00e3o estamos ignorando as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria e esquecendo que os ditadores Hitler, Mugabe, Pol Pot entre outros se tornaram l\u00edderes de na\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um processo democr\u00e1tico?&#8230; demagogos autocr\u00e1ticos do estilo Ch\u00e1vez passam despercebidos at\u00e9 que seus pa\u00edses se tornem regimes totalit\u00e1rios como a Alemanha nazista, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ou a S\u00e9rvia de Slobodan Milo\u0161evi\u0107&#8230; N\u00e3o podemos dar a chance de o presidente Ch\u00e1vez fazer a mesma transforma\u00e7\u00e3o na Venezuela\u201d. Um ano antes, o capitalista canadense disse aos acionistas da Barrick Gold que ele preferia investir na parte ocidental do Paquist\u00e3o (controlada pelo Taliban) do que na Venezuela ou Bol\u00edvia. &#8220;Se eu tivesse a op\u00e7\u00e3o de colocar meu dinheiro em um dos pa\u00edses latino-americanos governados por Evo Morales ou Hugo Ch\u00e1vez, eu sei onde eu colocaria minha grana\u201d, disse Munk, se referindo ao fato de ambos os pa\u00edses terem aumentado a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica na extra\u00e7\u00e3o de recursos minerais em detrimento dos investidores estrangeiros.\n<\/p><p>\nBeneficiando-se da privatiza\u00e7\u00e3o de companhias estatais de minera\u00e7\u00e3o e brandas restri\u00e7\u00f5es para investimento estrangeiro, os investimentos do setor de minera\u00e7\u00e3o canadense explodiu na Am\u00e9rica Latina desde os anos 1990. Nenhuma empresa de minera\u00e7\u00e3o canadense operava no Peru ou M\u00e9xico no come\u00e7o dos anos 1990; j\u00e1 em 2010 havia aproximadamente 600 empresas nos dois pa\u00edses. Essas empresas possuem dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos nas Am\u00e9ricas. Qualquer governo da regi\u00e3o que reverta as reformas neoliberais que permitiram esse crescimento \u00e9 uma amea\u00e7a para os lucros do setor minerador canadense.\n<\/p><p>\nO setor mais poderoso das corpora\u00e7\u00f5es canadenses n\u00e3o ficou nem um pouco feliz com as pol\u00edticas nacionalizantes de Ch\u00e1vez. Juntamente com o crescimento do setor de minera\u00e7\u00e3o, os bancos canadenses expandiram suas opera\u00e7\u00f5es para uma s\u00e9rie de pa\u00edses latino-americanos para realizar mais neg\u00f3cios com os clientes canadenses da minera\u00e7\u00e3o. Os bancos canadenses se beneficiaram da liberaliza\u00e7\u00e3o das regras para investimento estrangeiro e das regula\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias na regi\u00e3o. Poucos dias depois da morte de Ch\u00e1vez em 2013, a coluna de neg\u00f3cios do Globe and Mail publicou uma hist\u00f3ria na capa sobre os lucros do banco Scotiabank na Venezuela, que foram comprados pouco antes a chegada do ex-presidente ao poder. O artigo dizia: \u201cO banco da Nova Scotia [Scotiabank] \u00e9 geralmente admirado por sua grande expans\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, tendo completado grandes aquisi\u00e7\u00f5es na Col\u00f4mbia e Peru. Mas quando se trata da Venezuela, o banco fez pouco nos \u00faltimos quinze anos \u2013 principalmente porque o governo do Presidente Hugo Ch\u00e1vez foi hostil aos investimentos estrangeiros de larga escala\u201d. Enquanto o Scotiabank \u00e9 poderoso na Am\u00e9rica Latina, outros grandes bancos canadenses tamb\u00e9m possuem neg\u00f3cios significativos na regi\u00e3o.\n<\/p><p>\nNo pico da competi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica entre a esquerda e a direita na regi\u00e3o, o governo de Stephen Harper \u2013 ex-primeiro-ministro do Canad\u00e1 \u2013 dedicou um esfor\u00e7o significativo para fortalecer os governos de direita da regi\u00e3o. Ottawa aumentou os financiamentos na Am\u00e9rica Latina especialmente para estancar a crescente rejei\u00e7\u00e3o do capitalismo neoliberal e em 2010 o ministro do com\u00e9rcio Peter Van Loan admitiu que o objetivo \u201csecund\u00e1rio\u201d do acordo de livre com\u00e9rcio do Canad\u00e1 com a Col\u00f4mbia era apoiar o governo de direita do pa\u00eds contra seus vizinhos venezuelanos. O Globe and Mail explicou: \u201cO desejo do governo canadense de apoiar as novas democracias liberais na Am\u00e9rica Latina em uma competi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica com a esquerda, nacionalistas autorit\u00e1rios como a Venezuela de Hugo Ch\u00e1vez \u00e9 raramente expressada com for\u00e7a, ainda que esteja no centro da iniciativa de Ottawa\u201d. Um conservador an\u00f4nimo disse ao jornal: \u201cPara pa\u00edses como Peru e Col\u00f4mbia que est\u00e3o tentando ser parceiros na regi\u00e3o, eu acho que todo mundo est\u00e1 tentando mant\u00ea-los juntos ao lado do livre com\u00e9rcio no debate latino-americano, em vez de jog\u00e1-los para o lado bolivariano\u201d.\n<\/p><p>\nOttawa quer acabar com a independ\u00eancia\/desenvolvimento socialista na Venezuela. Mais especificamente, o crescimento da minera\u00e7\u00e3o, dos bancos e de outros setores na Am\u00e9rica Latina empurrou o Canad\u00e1 a uma postura mais agressiva na regi\u00e3o. Ent\u00e3o, enquanto \u00e9 verdade que o Canad\u00e1 geralmente cumpre o papel de marionete dos EUA, capitalistas no Gigante Nevado do Norte tamb\u00e9m s\u00e3o atores independentes buscando encher seus pr\u00f3prios bolsos ao mesmo tempo em que buscam atacar a soberana vontade do povo venezuelano.\n<\/p><p>\nTexto de Yves Engler, militante de esquerda e autor do livro \u201cLeft, Right \u2014 Marching to the Beat of Imperial Canada\u201d para o site www.yvesengler.com. Traduzido por Igor Galv\u00e3o.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22340\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[228],"class_list":["post-22340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ok","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}