{"id":22346,"date":"2019-02-15T23:10:59","date_gmt":"2019-02-16T01:10:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22346"},"modified":"2019-02-15T23:11:04","modified_gmt":"2019-02-16T01:11:04","slug":"o-odio-de-classe-e-a-mobilizacao-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22346","title":{"rendered":"O \u00f3dio de classe e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"\n<img data-recalc-dims=\"1\" height=\"419\" width=\"747\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/size_810_16_9_favela-sao-paulo-768x431.jpg?resize=747%2C419&#038;ssl=1\"\/><!--more-->Juliano Baltazar Pereira*\n<\/p><p>\nA luta de classes tem sido o motor da hist\u00f3ria e para os comunistas \u00e9 central a supera\u00e7\u00e3o de qualquer forma de rela\u00e7\u00e3o social marcada pela explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Tal estrat\u00e9gia perpassa por uma an\u00e1lise da realidade, das condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas para o socialismo. Diante disso, compreender o funcionamento psicol\u00f3gico dos sujeitos e seu impacto pol\u00edtico \u00e9 tarefa importante para uma estrat\u00e9gia e t\u00e1tica correta rumo ao nosso objetivo.\n<\/p><p>\n Mesmo em per\u00edodos de acirramento da luta de classes &#8211; como o que estamos vivendo &#8211;  posi\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter \u201cpacifistas\u201d, expl\u00edcitas ou impl\u00edcitas,  disputam a hegemonia dos setores progressistas e revolucion\u00e1rios. Esses campos por vezes, acabam trazendo uma vis\u00e3o idealista e fantasiosa da luta de classes \u2013 isso quando se reconhece em uma \u2013, acreditando ser poss\u00edvel superar essa contradi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do apelo moral, de um sentimentalismo abstrato, que no per\u00edodo das elei\u00e7\u00f5es se expressou com o discurso de grande parte da esquerda contra a \u201cpol\u00edtica do \u00f3dio\u201d de Bolsonaro. Buscaremos de forma sint\u00e9tica demonstrar que: as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas importantes para nossa vida independente de seu car\u00e1ter; ao longo de nossa rela\u00e7\u00e3o com o meio constitu\u00edmos uma cadeia emocional, no qual certos conte\u00fados despertaram certos afetos, por vezes independentes de nossa vontade; o \u00f3dio como um sentimento, pode ser um ser importante motivador para mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rumo a sua liberta\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nEmo\u00e7\u00f5es e Sentimentos\n<\/p><p>\n            Discutir emo\u00e7\u00f5es \u00e9 demasiadamente complexo dentro da psicologia \u2013 ou em outras \u00e1reas da ci\u00eancia que tratem sobre o tema \u2013 j\u00e1 que existem centenas de abordagens, que partem de diferentes campos epistemol\u00f3gicos. Buscaremos nos aproximar de uma abordagem que tenha como base o materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico, entendendo que esse m\u00e9todo nos d\u00e1 ferramentas para superar concep\u00e7\u00f5es biologizantes, mecanicistas e idealistas de sujeito e como esse se configura.\n<\/p><p>\n            Vigotski, psic\u00f3logo sovi\u00e9tico do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, tem grandes contribui\u00e7\u00f5es para a psicologia e para pensar o tema aqui tratado, entre elas:\n<\/p><p>\n\u00b7         Diante da dificuldade das abordagens em psicologia em construir uma psicologia integral e geral por conta de seu m\u00e9todo baseado em uma l\u00f3gica formal, Vigotski faz uma revis\u00e3o cr\u00edtica das principais teorias da \u00e9poca a partir do materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico.\n<\/p><p>\n\u00b7         Ao buscar superar o \u201cbeco sem sa\u00edda\u201d[1] que a psicologia se encontrava, no qual de um lado haviam teorias que concebiam a ess\u00eancia humana a partir do esp\u00edrito, da metaf\u00edsica e do outro o viam como uma mera extens\u00e3o biol\u00f3gica, prop\u00f5em que h\u00e1 duas linhas de desenvolvimento: biol\u00f3gica e social [2] [3]. O processo ontogen\u00e9tico, na rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre os dois desenvolvimentos \u00e9 sa\u00edda para compreender o ser humano concreto. Todas fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas superiores (aten\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, voli\u00e7\u00e3o etc.) incluindo as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, tem de ser compreendidas dentro de uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre biol\u00f3gico e social\/cultural [4].\n<\/p><p>\n\u00b7         O trabalho \u00e9 o processo base para compreender a rela\u00e7\u00e3o do ser humano com a natureza e seus pares. A partir da internaliza\u00e7\u00e3o das formas culturais, nos \u201chominizamos\u201d, incorporando a tese de Marx e Engels de que n\u00e3o existe uma \u201cess\u00eancia\u201d humana \u2013 biol\u00f3gica ou do esp\u00edrito \u2013  mas rela\u00e7\u00f5es sociais no qual o homem \u00e9 produtor e produto, e assim o ser social constitui sua consci\u00eancia, e n\u00e3o ao contr\u00e1rio.\n<\/p><p>\n\u00b7         O fim das dicotomias, como pensamento e linguagem, emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o etc. inserindo a compreens\u00e3o de unidades que s\u00f3 podem ser analisadas dialeticamente.\n<\/p><p>\nPortanto, o ser humano para suprir suas necessidades, se relaciona com a natureza mediante o trabalho modificando o mundo ao mesmo tempo que \u00e9 modificado por esse. Tal processo o permite superar a determina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e passar a controlar seu pr\u00f3prio comportamento \u2013 atrav\u00e9s da consci\u00eancia e autoconsci\u00eancia \u2013 e a natureza. A partir da internaliza\u00e7\u00e3o da cultura, o sujeito se desenvolve plenamente, se transforma de fato em um \u201cser humano\u201d.\n<\/p><p>\nA supera\u00e7\u00e3o dos dualismos (emo\u00e7\u00e3o\/cogni\u00e7\u00e3o, pensamento\/linguagem, mem\u00f3ria\/imagina\u00e7\u00e3o) nos permite compreender o funcionamento psicol\u00f3gico como unidades e n\u00e3o elementos. Busquemos exemplificar utilizando as emo\u00e7\u00f5es. Embora nascemos com certas emo\u00e7\u00f5es, o social ir\u00e1 modific\u00e1-la, configur\u00e1-la. Essa configura\u00e7\u00e3o ir\u00e1 depender do meio em que essa pessoa est\u00e1 inserida, ou seja, as emo\u00e7\u00f5es se configuram de maneira hist\u00f3rico-social. \u00c9 verdade por exemplo, que nascemos com a capacidade de sentir medo, uma atividade psicol\u00f3gica acompanhada de uma rea\u00e7\u00e3o org\u00e2nica que libera adrenalina, o c\u00e9rebro aumenta o fluxo sangu\u00edneo nos m\u00fasculos para que o corpo reaja com maior velocidade ao perigo. Por\u00e9m, o que o meio social ir\u00e1 configurar s\u00e3o os conte\u00fados pelo qual teremos essa rea\u00e7\u00e3o emocional. Seria medo de palha\u00e7o?  De falar em p\u00fablico? Pelo qu\u00ea e quanto dessa emo\u00e7\u00e3o emergir\u00e1 depender\u00e1 da rela\u00e7\u00e3o sujeito-meio. Emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o atuam juntos, como unidade. O conte\u00fado intelectual de algo influencia as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, por\u00e9m, o contr\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: os afetos influenciam o modo de percebermos ou compreendermos algo.\n<\/p><p>\nBozhovich [5], psic\u00f3loga que se prop\u00f5em a pesquisar a forma\u00e7\u00e3o da personalidade a partir dos pressupostos da psicologia Hist\u00f3rico-Cultural, identifica que os afetos est\u00e3o entrela\u00e7ados com as necessidades e motivos (englobando aspira\u00e7\u00f5es, desejos, sonhos etc.) do sujeito, constituindo portanto a for\u00e7a motriz da a\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a de determinada emo\u00e7\u00e3o ou sentimento est\u00e1 ligada a for\u00e7a desta necessidade para a pessoa.   \n<\/p><p>\nO \u00f3dio \u00e9 um sentimento complexo no qual seu conte\u00fado \u00e9 constitu\u00eddo socialmente. Sentimos \u00f3dio pela trai\u00e7\u00e3o de um companheiro ou companheira, porque em nossa sociedade a monogamia tem uma centralidade e hegemonia nas rela\u00e7\u00f5es de nossa cultura. Portanto, n\u00e3o \u00e9 algo natural, mas cultural. Os valores ligados a rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica por todo seu significado tem for\u00e7a para emergir sentimentos de grande intensidade, como o amor e o \u00f3dio. Em uma sociedade em que a monogamia n\u00e3o tenha tal destaque, o termo \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d poderia perder seu sentido em rela\u00e7\u00f5es e o \u00f3dio pelo companheiro(a) se relacionar com outra pessoa provavelmente n\u00e3o existiria. Isso porque n\u00e3o ter\u00edamos uma forte necessidade de ter a exclusividade do outro, entre outras necessidades que est\u00e3o ligadas a essa forma de relacionamento. O exemplo da monogamia nos parece did\u00e1tico para apresentar alguns elementos, n\u00e3o \u00e9 objetivo aqui entrar no debate das formas de relacionamentos e muito menos afirmar que as pessoas que se relacionam de outra maneira est\u00e3o \u201cmais felizes\u201d ou em melhor situa\u00e7\u00e3o do ponto de vista psicol\u00f3gico.\n<\/p><p>\nO \u00f3dio, como os diversos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, tem uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de guiar nossa rela\u00e7\u00e3o com o ambiente. Como diria Vinicius de Morais, \u00e9 \u201cmelhor ser alegre que ser triste\u201d, por\u00e9m, ambas as emo\u00e7\u00f5es cumprem duas \u2013 dentre v\u00e1rias \u2013 fun\u00e7\u00f5es importantes: refletir uma necessidade do sujeito, seja do est\u00f4mago ou da fantasia, para que esse busque algo que supra tal car\u00eancia, desejo ou aspira\u00e7\u00e3o, constituindo ent\u00e3o um motivo para a conduta do sujeito; tamb\u00e9m reflete o resultado de tal atividade ou sua possibilidade de sucesso ou insucesso. Vamos novamente recorrer a um exemplo. Se jogar futebol \u00e9 algo que me deixa alegre por conta do prazer que tal atividade faz emergir, sentirei necessidade de exercer esse esporte e provavelmente o farei, mesmo que para isso tenha que levantar. Se vejo uma pessoa sendo injusti\u00e7ada, sinto tristeza, a necessidade de me livrar deste afeto poder\u00e1 ser suprida pela conduta de intervir na injusti\u00e7a ou simplesmente sair do contexto. As emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, nos estimula a algo e mant\u00e9m nossa orienta\u00e7\u00e3o para uma determinada atividade. Do ponto de vista da fun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, nenhum sentimento \u00e9 bom ou ruim em si, todas tem uma fun\u00e7\u00e3o para orientar o sujeito. O car\u00e1ter das emo\u00e7\u00f5es depender\u00e1 das necessidades e da possibilidade de sua realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. Aqui j\u00e1 podemos ter uma ideia de que aqueles que tem menos possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o de suas necessidades, pertence as classes subalternas.\n<\/p><p>\nO \u00f3dio em uma sociedade de classes\n<\/p><p>\nA sociedade em que vivemos, \u00e9 a sociedade capitalista, na qual o meio de se produzir os produtos necess\u00e1rios para a reprodu\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 realizado pelo interc\u00e2mbio de mercadorias. As rela\u00e7\u00f5es sociais hegem\u00f4nicas perpassam principalmente por duas classes sociais antag\u00f4nicas: burgueses e trabalhadores assalariados. Enquanto o primeiro det\u00e9m os meios privados de produ\u00e7\u00e3o (terras, ferramentas, f\u00e1bricas, empresas, mat\u00e9rias-primas etc.), o segundo, tem apenas a sua for\u00e7a de trabalho para vender aos primeiros.\n<\/p><p>\nEssa cis\u00e3o entre classes sociais antag\u00f4nicas, ir\u00e1 constituir uma determinada subjetividade diferente entre os sujeitos desses dois grupos. O burgu\u00eas ter\u00e1 certos costumes que o trabalhador n\u00e3o tem, uma educa\u00e7\u00e3o diferenciada, possibilidades diferenciadas e, portanto, ter\u00e1 um sistema psicol\u00f3gico particular [6] e uma tend\u00eancia a um maior desenvolvimento pelo seu acesso a riqueza cultural historicamente criada. A ideologia busca mascarar tais diferen\u00e7as e na sociedade capitalista colocar\u00e1 que somos todos iguais, inclusive nossos interesses e possibilidades para supri-los. Uma das formas da ideologia agir \u00e9 colocar que certas situa\u00e7\u00f5es e medidas, far\u00e3o emergir sentimentos iguais para toda popula\u00e7\u00e3o, como nas medidas para sa\u00edrem de um crise.\n<\/p><p>\nA ThyssenKrupp, um dos maiores grupos industriais da Alemanha, com uma receita l\u00edquida mundial no primeiro semestre de \u20ac 20,34 bilh\u00f5es e lucro operacional de \u20ac 501,00 milh\u00f5es [7]. A empresa est\u00e1 inserida nos setores de mat\u00e9rias primas, sider\u00fargica, elevadores entre outros, tendo tamb\u00e9m no Brasil um lucro bilion\u00e1rio. No per\u00edodo de \u201couro\u201d da economia brasileira, a receita do grupo era de 5% a 7% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 receita mundial. Em entrevista realizada pela Valor Econ\u00f4mico, o presidente da empresa da companhia demonstra grande entusiasmo por compreender que a economia brasileira estava \u201cvoltando aos trilhos\u201d. Hoje, podem ser otimistas com um crescimento de 2 d\u00edgitos [8]. A \u201cestabilidade\u201d a que se refere o presidente do grupo, ocorre justamente em um momento em que ostent\u00e1vamos 13% de desemprego, cortes na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outros direitos sociais. Seu otimismo vem a partir da elei\u00e7\u00e3o de um governo de extrema-direita que enfatiza que n\u00e3o hesitar\u00e1 em destruir qualquer organiza\u00e7\u00e3o de esquerda. Um per\u00edodo de imenso desespero para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, no qual a tristeza, raiva, ang\u00fastia s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es e sentimentos amplamente presentes no dia a dia e sobretudo na situa\u00e7\u00e3o atual. Por\u00e9m para o grupo Thyssen, a alegria \u00e9 o que emerge, pois gra\u00e7as \u00e0s a\u00e7\u00f5es do governo \u2013 medidas para sair da crise em que os capitalistas nos enfiaram \u2013, est\u00e1 de algum modo abrindo a possibilidade de se voltar a taxa de lucro, voltar os 7% da receita mundial.\n<\/p><p>\nO sorriso dos acionistas da TyssenKrupp, parece ser para os trabalhadores, desespero e precariza\u00e7\u00e3o.  Se encararmos as particularidades do trabalhador, analisando de maneira mais concreta, veremos que para os negros e negras, popula\u00e7\u00e3o LGBT, mulheres etc. a dimens\u00e3o do sofrimento ser\u00e1 ainda mais intensa. O bem-estar do burgu\u00eas \u00e9 nosso sofrimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico.\n<\/p><p>\nSeria porque essencialmente o burgu\u00eas \u00e9 mal, a encarna\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio enquanto os trabalhadores nasceram para serem submissos? \u201cUns nasceram para sofrer enquanto o outro ri\u201d? Evidente que n\u00e3o! Pela pr\u00f3pria natureza do sistema capitalista, no qual n\u00e3o daremos conta de expor de maneira mais detalhada, essa oposi\u00e7\u00e3o entre capitalista e trabalhador, determinar\u00e1 o antagonismo na forma de sentir os efeitos da crise.  Embora a ideologia fa\u00e7a ocorrermos no erro de pensar que na crise capitalista todos perdem e, portanto, temos que trabalhar juntos para superar esse momento ruim, na verdade, quando n\u00f3s trabalhadores sentimos o efeito mais nocivo da crise \u2013 desemprego, baixo poder de compra, endividamento, cortes de recursos pelo Estado etc. \u2013 para os capitalistas essa j\u00e1 \u00e9 sa\u00edda da recess\u00e3o. Para estes, a crise ocorre muito antes com a redu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro. Por motivos de limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, n\u00e3o iremos discorrer sobre causas, entradas e sa\u00eddas da crise econ\u00f4mica. O fundamental \u00e9 compreender que nestes momentos podemos ver de forma mais clara que estamos em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s classes dominantes.\n<\/p><p>\nDiante disso, o \u00f3dio tem uma fun\u00e7\u00e3o importante para a mobiliza\u00e7\u00e3o? A resposta \u00e9 sim! O \u00f3dio, como j\u00e1 exposto, \u00e9 um sentimento complexo, ele pode ser entendido como um conjunto de emo\u00e7\u00f5es negativas, que saltam a um n\u00edvel superior. N\u00e3o falamos em \u201cnegativo\u201d num sentido moral, mas de seu processo, pois ele emerge justamente como resposta a determinado conte\u00fado que lhe cause amea\u00e7a, desgosto, dano etc. [9]. Para ficar mais compreens\u00edvel, vamos a um exemplo: a linha 7 da CPTM, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 muito conhecida pela sua grande extens\u00e3o e recorrentes problemas, que geram atrasos, paralisa\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de intensa lota\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios de pico \u2013 e as vezes al\u00e9m. N\u00e3o raro, voc\u00ea ver\u00e1 pessoas relatando seu \u00f3dio com o trem, com a linha 7 etc. Por tantas viv\u00eancias negativas com o trem, essa pessoa desenvolveu um \u00f3dio referente a este. O \u00f3dio nesse sentido, vem a ser um desdobramento de outras emo\u00e7\u00f5es negativas, que tem como fun\u00e7\u00e3o alertar o sujeito na sua rela\u00e7\u00e3o com o meio sobre algo amea\u00e7ador ou nefasto. A perturba\u00e7\u00e3o dessas emo\u00e7\u00f5es, provoca uma rea\u00e7\u00e3o do sujeito para a elimina\u00e7\u00e3o desse est\u00edmulo perturbador, ou seja, cria uma necessidade de mobiliza\u00e7\u00e3o da pessoa. Emo\u00e7\u00f5es negativas portanto, costumam ter esse efeito \u201cdespertador\u201d porque fazem romper com uma \u201cnormalidade\u201d.\n<\/p><p>\nEnfim, podemos ter alguns elementos para definir o que chamamos de \u00f3dio de classe. O \u00f3dio, como j\u00e1 pontuamos \u00e9 um sentimento que se constitui a partir de uma s\u00e9rie de emo\u00e7\u00f5es negativas sobre algo. Importante salientar que n\u00e3o necessariamente o sujeito precisa passar por uma s\u00e9rie de experi\u00eancias negativas com determinado objeto \u2013 como no exemplo acima, falamos do trem \u2013 para que ela desperte o \u00f3dio sobre alguma coisa. A ideologia, em suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es (estere\u00f3tipos, hist\u00f3rias, arte etc.) podem criar o sentimento de \u00f3dio sem sequer passar por uma experi\u00eancia direta, tal como podemos amar algo sem nunca nos defrontado diretamente com algum de nossos sentidos. No per\u00edodo da escravid\u00e3o o \u00f3dio contra a popula\u00e7\u00e3o negra era internalizado t\u00e3o precocemente nas pessoas, que parecia natural odiar-nos. A ideologia e o imagin\u00e1rio pode criar monstros, mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque na pr\u00f3pria realidade h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es que servem de base para o surgimento dessas ideias, ideias da classe dominante.\n<\/p><p>\nO que queremos dizer com \u00f3dio de classes, \u00e9 o sentimento de \u00f3dio para a estrutura de classes sociais, em geral, e para a sociedade capitalista em particular, j\u00e1 que \u00e9 essa a que vivemos. O \u00f3dio contra esse sistema econ\u00f4mico-pol\u00edtico-social, ainda \u00e9 abstrato, insuficiente para que se possa agir no sentido de destru\u00ed-lo. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio focar no \u00f3dio contra a classe burguesa, pois essa \u00e9 a classe social fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista.\n<\/p><p>\nN\u00e3o cabe aqui dizer que estamos com isso \u201cdisseminando o \u00f3dio\u201d, buscando introjetar esse sentimento nas pessoas. Isso seria uma distor\u00e7\u00e3o, uma invers\u00e3o. O que estamos buscando realizar \u00e9 a destitui\u00e7\u00e3o do v\u00e9u ideol\u00f3gico, para que possamos compreender a raiz de nosso sofrimento. O \u00f3dio j\u00e1 existe e \u00e9 produzido e reproduzido pelas rela\u00e7\u00f5es sociais em que vivemos. Ele est\u00e1 presente quando o trabalhador tem de pegar condu\u00e7\u00e3o lotada pela manh\u00e3 e no fim do dia, com 4h di\u00e1rias no transporte; quando lhe falta dinheiro para conseguir suprir suas necessidades mais b\u00e1sicas; com a falta de seguran\u00e7a e o abuso da PM; com a necessidade de cozinhar seus alimentos com \u201clenha\u201d por conta do aumento do g\u00e1s de cozinha [10]; as pessoas que tem suas casas queimadas nas v\u00e1rias favelas que convenientemente pegaram fogo, em bairros com claros interesses para o capital imobili\u00e1rio, entre in\u00fameros motivos no cotidiano das pessoas no qual certas situa\u00e7\u00f5es objetivas nos fazem constituir o sentimento de \u00f3dio. A tarefa colocada \u00e9 justamente direcionar esse \u00f3dio para a estrutura que o fez emergir e que por conta da ideologia em suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o aparece de forma expl\u00edcita: a sociedade dividida em classes como consequ\u00eancia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.\n<\/p><p>\nO \u00f3dio de classe e a mobiliza\u00e7\u00e3o enquanto classe\n<\/p><p>\nComo j\u00e1 pontuado, emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma unidade. Isto quer dizer que o \u00f3dio sempre tem um conte\u00fado, \u00e9 sempre \u00f3dio por algo, mesmo que esse algo n\u00e3o seja integralmente consciente[11]. Direcionar para a luta de classes esse \u00f3dio constitu\u00eddo pelos sujeitos no cotidiano b\u00e1rbaro de nossa sociedade \u00e9 dar um significado mais claro para esse sentimento que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 refletido pelo trabalhador ou refletindo a partir da ideologia dominante, sendo assim portanto apenas reprimido ou direcionado para outras coisas, por vezes a si mesmo (fonte de diversos problemas psicol\u00f3gicos).\n<\/p><p>\nAo construir uma nova compreens\u00e3o da realidade, para al\u00e9m da ideologia que nos \u00e9 imposta mediante diversos mecanismos do Estado e privados, se abre um novo campo de possibilidades para esses sujeitos, como se organizarem para agirem contra esses males que o matam aos poucos.\n<\/p><p>\nO trabalhador que odeia a CPTM e quer v\u00ea-la privatizada, poder\u00e1 direcionar seu \u00f3dio contra os setores dominantes interessados no sucateamento da empresa para justificar sua privatiza\u00e7\u00e3o; assim como as pessoas que passam a odiar a si mesmos, por n\u00e3o serem bons o suficientes e por isso serem demitidos e estarem desempregados, poder\u00e3o compreender que sua situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas de sua vontade ou qualidade, mas de um processo muito maior que envolve a din\u00e2mica do capital de crises c\u00edclicas; assim como os trabalhadores que odeiam uns aos outros e acreditam que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 esmagar seu companheiro para conseguir o emprego, utilizando-se das opress\u00f5es (racismo, machismo, LGBTfobia etc.) estruturadas na sociedade para se valer de vantagem, mas ao contr\u00e1rio, se veria como classe e o outro trabalhador como aliado fundamental para a supera\u00e7\u00e3o desse sistema que o coloca como explorado, ele passaria a ter um \u00f3dio de classe, ou seja, um \u00f3dio direcionado \u00e0 classe que o explora.\n<\/p><p>\nPortanto, o \u00f3dio de classe seria um grande motivador para a transforma\u00e7\u00e3o desta sociedade. O \u00f3dio de classe n\u00e3o \u00e9 apenas um sentimento, \u00e9 uma unidade entre sentimento\/concep\u00e7\u00e3o de mundo, que faz a pessoa se inconformar com o status quo, e por isso tem de agir. Esta unidade n\u00e3o \u00e9 passiva, emo\u00e7\u00e3o e raz\u00e3o est\u00e3o em conflito para quem guiar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o. Por isso a necessidade da educa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para o m\u00e1ximo equil\u00edbrio entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. O sentimento tem que estar submetido a uma estrat\u00e9gia, um planejamento. Para chegar nesse est\u00e1gio, a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que envolve tanto pr\u00e1tica quanto teoria se faz crucial, j\u00e1 que ao aprofundarmos a compreens\u00e3o sobre a realidade, nos aproximamos mais de uma vis\u00e3o de totalidade. Assim, o \u00f3dio em abstrato ganha mais concretude, e poder\u00e1 se transformar em \u00f3dio de classe.\n<\/p><p>\nContr\u00e1ria \u00e0 concep\u00e7\u00e3o que v\u00ea o \u00f3dio de classes como necess\u00e1rio para a luta contra o sistema capitalista, est\u00e3o correntes \u201cpacifistas\u201d, muito comuns na esquerda pequeno-burguesa. Imaginam que um dia a humanidade tomar\u00e1 consci\u00eancia dos males e juntos iremos procurar uma sa\u00edda, ou que a educa\u00e7\u00e3o, pura e simplesmente, ir\u00e1 fazer as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es serem \u201cmais humanas\u201d. A empatia e o amor seriam os \u00fanicos sentimentos necess\u00e1rios para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nada mais est\u00fapido. As ditaduras empresarial-militares na Am\u00e9rica Latina mostraram do que a classe dominante \u00e9 capaz, tal como j\u00e1 haviam mostrado na Comuna de Paris no s\u00e9culo XIX, nas experi\u00eancias fascistas do s\u00e9culo XX, agora na elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro em alto e bom tom diz que ir\u00e1 acabar com os \u201cvermelhos\u201d. Mas tal como John Lennon, acreditam que uma hora se juntar\u00e3o todos a eles, e o mundo ser\u00e1 um s\u00f3.\n<\/p><p>\nObviamente, a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o tem como emo\u00e7\u00e3o motivadora, somente o \u00f3dio. Tal sentimento, embora necess\u00e1rio para que reflita o grau da necessidade de se mobilizar para destruir a sociedade de classes, n\u00e3o age sozinho na personalidade e conduta do militante.  O amor se faz presente, amor pela classe trabalhadora, pelos explorados e oprimidos, pela a camaradagem, tudo que a humanidade criou e que \u00e0 ela pertence como a arte, o esporte, entre outras express\u00f5es culturais. \u201cH\u00e1 dois de voc\u00ea: aquele que mata e aquele que ama\u201d [12]. A dial\u00e9tica entre \u00f3dio e amor nos constitui.\n<\/p><p>\nAnt\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es, inimigo hist\u00f3rico de nossa classe (como toda sua fam\u00edlia), dizia que se tornou rei na Bahia com \u201co chicote numa m\u00e3o e o dinheiro em outra\u201d. A inevitabilidade da classe trabalhadora enforc\u00e1-lo com o chicote e socializar seu dinheiro, n\u00e3o nos faria ter sequer \u201c1% da maldade do opressor\u201d [13], at\u00e9 porque como t\u00e3o bem descreve C.L.R. James, \u201cas cruezas da propriedade e do privil\u00e9gio s\u00e3o sempre mais ferozes do que as vingan\u00e7as da pobreza e da opress\u00e3o\u201d [14]. Tal ato n\u00e3o seria por sadismo ou fetiche da viol\u00eancia, mas uma necessidade hist\u00f3rica. N\u00e3o seria proferido contra o indiv\u00edduo Magalh\u00e3es, mas contra sua classe. Caso n\u00e3o fosse necess\u00e1rio lhe darmos \u201cuma boa bala de uma boa espingarda e enterrar-te com uma boa p\u00e1 na boa terra\u201d [15], com nossas boas ferramentas, faria boas obras e viveria como todos.\n<\/p><p>\nSe as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o refletir a rela\u00e7\u00e3o entre sujeito e ambiente e, portanto, servir para o controle e exerc\u00edcio consciente da conduta, sem o \u00f3dio de classes nossa tarefa hist\u00f3rica n\u00e3o se concretizar\u00e1. \u00d3dio que n\u00e3o ser\u00e1 pelos indiv\u00edduos, mas por uma classe espec\u00edfica, essa que nos coloca em uma posi\u00e7\u00e3o de completa explora\u00e7\u00e3o. No Brasil, as classes dominantes t\u00eam uma consci\u00eancia social que traz muitas marcas do per\u00edodo da escravid\u00e3o [16], e essas aparecem no seu autoritarismo. Conhecer a hist\u00f3ria do Brasil nos d\u00e1 grandes pistas para compreender nossa subjetividade.\n<\/p><p>\nO que nos diferenciaria da \u201cpol\u00edtica do \u00f3dio\u201d da extrema direita, podem se perguntar os leitores? O que nos diferencia \u00e9 justamente o conte\u00fado e direcionamento desse sentimento. O que vem sendo chamado de \u201cpol\u00edtica do \u00f3dio\u201d, s\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da extrema direita cujo o conte\u00fado est\u00e3o ligados a valores conservadores. Ele se expressa no \u00f3dio contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT, negra, pobres, mesmo que de uma maneira mais \u201cmaquiada\u201d.\n<\/p><p>\nEm \u00faltima inst\u00e2ncia, o \u00f3dio deles \u00e9 contra o PT e principalmente ao comunismo. N\u00e3o \u00e9 uma novidade hist\u00f3rica o \u00f3dio ao comunismo, tendo em vista que esse \u00e9 um projeto pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social radicalmente oposto ao capitalismo. O \u00f3dio da extrema-direita \u00e9 o \u00f3dio reacion\u00e1rio da burguesia, de ver sua sociedade desmoronar junto ao seu poder. Embora a pequena burguesia propriet\u00e1ria e n\u00e3o propriet\u00e1ria acabe por assumir o protagonismo nas mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a base de seu conte\u00fado \u00e9 conservar a sociedade burguesa. Atacar tudo que se aproxime das pautas da esquerda, mesmo que de esquerda tenha apenas o \u201csimb\u00f3lico\u201d e o \u201cimagin\u00e1rio\u201d, como no caso do PT, a rea\u00e7\u00e3o avan\u00e7a com toda sua ferocidade atacando programas minimamente progressistas \u2013 e n\u00e3o estamos falando de um programa socialista ou de transi\u00e7\u00e3o, mas de um progresso dentro dos marcos capitalistas.\n<\/p><p>\nDiferente da extrema-direita, o \u00f3dio do qual estamos falando tem uma orienta\u00e7\u00e3o radicalmente oposta. Enquanto a extrema-direita utiliza desses sentimentos \u2013 que surgem da pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o social capitalista \u2013 para manter e aprofundar a ordem hoje estabelecida, isto \u00e9, manter a explora\u00e7\u00e3o que leva milh\u00f5es \u00e0 exaust\u00e3o, a misoginia que mata milhares de mulher a cada ano, o racismo que faz milh\u00f5es de negros e negras serem assassinados ou trancafiados, etc, o \u00f3dio de classes de car\u00e1ter revolucion\u00e1rio vem justamente para destruir esta sociedade que em sua ess\u00eancia, produz desigualdade e mis\u00e9ria. Nosso \u00f3dio \u00e9 contra essa estrutura que serve de base para a opress\u00e3o e portanto contra a classe social que tem em sua natureza, uma depend\u00eancia dessa sociedade.\n<\/p><p>\nPor fim, conclu\u00edmos que n\u00e3o devemos lutar contra o \u201c\u00f3dio\u201d em abstrato, que traz implicitamente em maior ou menor grau, uma concep\u00e7\u00e3o pacifista de luta pol\u00edtica. Negar simplesmente o \u00f3dio, como vimos \u00e9 negar as necessidades n\u00e3o supridas, os desejos e sonhos n\u00e3o alcan\u00e7ados, \u00e9 ignorar as frustra\u00e7\u00f5es cotidianas da maioria da popula\u00e7\u00e3o cujo a origem \u00e9 a sociedade burguesa. Odiar essa sociedade n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtimo, como \u00e9 necess\u00e1rio, \u00e9 a \u00fanica alternativa para a humanidade pois o caminho que o capital nos levar\u00e1 \u00e9 o da barb\u00e1rie. Mas para isso, precisamos destruir o v\u00e9u ideol\u00f3gico que nos fazem sentir \u00f3dio de nossos pares e de n\u00f3s mesmos, precisamos direcionar esse sentimento para que possa ser um impulsionador para a destrui\u00e7\u00e3o dessa sociedade. \u00d3dio \u00e0queles que nos atacam, atrav\u00e9s do \u00f3dio de classes.   \n<\/p><p>\n<\/p><p>\n<\/p><p>\n[1] VIGOTSKI, Lev Semenovich. O significado hist\u00f3rico da crise da Psicologia: Uma investiga\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica. In: VIGOTSKI, Lev Semenovich.Teoria e M\u00e9todo e Psicologia. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 203-420\n<\/p><p>\n[2] VYGOTSKI, L.S.. Obras Escogidas 3: Problemas del desarrollo de la psique. Madrid: Machado Libros, 2012.\n<\/p><p>\n[3]  VYGOTSKI, L. S. Manuscrito de 1929. Educa\u00e7\u00e3o &#038; Sociedade, Campinas, v. 71, n. -, p.21-44, jul. 2000.\n<\/p><p>\n[4] VYGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.. A. Madrid: Fundaci\u00f3n Infancia y Aprendizaje, 2007.\n<\/p><p>\n[5] BOZHOVICH, L.I. La personalidad y su formaci\u00f3n en la edad infantil . Habana: Pueblo Y Educaci\u00f3n, 1986.\n<\/p><p>\n[6] VIGOTSKI, L. S.. Sobre os sistemas psicol\u00f3gicos. In: VIGOTSKI, L. S.. Teoria e m\u00e9todo em psicologia. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 103-137.\n<\/p><p>\n[7]http:\/\/www.valor.com.br\/empresas\/5034900\/economia-comecou-estabilizar-no-brasil-diz-thyssenkrupp\n<\/p><p>\n[8]https:\/\/www.valor.com.br\/empresas\/6051569\/thyssenkrupp-preve-crescer-dois-digitos-no-brasil-neste-ano\n<\/p><p>\n[9] Um exemplo que pode facilitar a compreens\u00e3o do sentido empregado \u00e9 a fome. A fome causa uma emo\u00e7\u00e3o negativa, que \u00e9 a dor, irritabilidade etc. e essas emo\u00e7\u00f5es emergem para eliminarmos um est\u00edmulo que est\u00e1 causando problemas ao organismo, esse est\u00edmulo \u00e9 eliminado com a ingest\u00e3o de comida. A paix\u00e3o \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o positiva, no sentido de impulsionar o sujeito a conseguir algo &#8211; seu objeto de paix\u00e3o. Para uma melhor defini\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es positivas e negativas, ver Bozhovich (La Personalidad y Su Formaci\u00f3n En La Edad Infantil,1986)\n<\/p><p>\n[10]https:\/\/www.valor.com.br\/brasil\/5487273\/com-alta-do-gas-12-milhao-de-casas-passam-cozinhar-com-lenha-ou-carvao\n<\/p><p>\n[11 Para uma discuss\u00e3o mais aprofundada sobre o inconsciente na Psicologia Hist\u00f3rico-Cultural, ler: Carl Ratner \u2013 Lo inconsciente Uma perspectiva desde la psicologia sociohistorica (1994), Ligia Martins \u2013 A din\u00e2mica consciente\/inconsciente \u00e0 luz da psicologia hist\u00f3rico-cultural (2016) \n<\/p><p>\n [12] Apocalypse Now. Dire\u00e7\u00e3o de Francis Ford Coppola. 1979.\n<\/p><p>\n[13] Os cravos do Holocausto &#8211; Eduardo Taddeo. 2014.\n<\/p><p>\n[14] JAMES, C.L.R. Os Jacobinos negros: Tooussaint L&#8217;Ouventure e a revolu\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Domingos. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010. \n<\/p><p>\n[15] Perguntas ao um bom homem &#8211; Bertolt Brecht\n<\/p><p>\n[16]https:\/\/lavrapalavra.com\/2018\/10\/25\/as-eleicoes-do-odio-e-os-afetos-na-politica\/\n<\/p><p>\n*Militante do Partido Comunista Brasileiro, Coletivo Negro Minervino de Oliveira e Psic\u00f3logo.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22346\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[222],"class_list":["post-22346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Oq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}