{"id":2236,"date":"2012-01-07T16:29:20","date_gmt":"2012-01-07T16:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2236"},"modified":"2012-01-07T16:29:20","modified_gmt":"2012-01-07T16:29:20","slug":"a-palestina-vai-de-novo-a-onu-dessa-vez-contra-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2236","title":{"rendered":"A Palestina vai de novo \u00e0 ONU. Dessa vez, contra Israel"},"content":{"rendered":"\n<p>Palestina denunciar\u00e1 na ONU viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de direitos humanos, expans\u00e3o das col\u00f4nias em terras palestinas \u2013 col\u00f4nias j\u00e1 consideradas ilegais pela Corte Internacional de Justi\u00e7a, em 2004 \u2013 e a viol\u00eancia de ex\u00e9rcito, pol\u00edcia e colonos israelenses contra a popula\u00e7\u00e3o palestina, suas planta\u00e7\u00f5es, seus meios de vida e seus bens.<\/p>\n<p><strong>Por Baby Siqueira Abr\u00e3o*<\/strong><\/p>\n<p>A Palestina se prepara para levar outro pleito \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas. E agora o alvo \u00e9 Israel. Os motivos j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidos de todos os que acompanham o dia a dia na regi\u00e3o: viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de direitos humanos, expans\u00e3o das col\u00f4nias sionistas em terras palestinas \u2013 col\u00f4nias consideradas ilegais pela Corte Internacional de Justi\u00e7a em documento elaborado em 2004 \u2013 e a viol\u00eancia de ex\u00e9rcito, pol\u00edcia e colonos israelenses contra a popula\u00e7\u00e3o palestina, suas planta\u00e7\u00f5es, seus meios de vida e seus bens.<\/p>\n<p>Segundo Riyad Al-Malki,\u00a0<strong>(foto)<\/strong> ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que anunciou a medida no domingo, 11 de dezembro, o objetivo \u00e9 obter a condena\u00e7\u00e3o de Israel. Os diplomatas j\u00e1 est\u00e3o trabalhando para obter o apoio de 140 pa\u00edses, a maioria dos quais reconheceu o Estado palestino dentro das fronteiras anteriores \u00e0 Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, quando Israel invadiu e tomou Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m oriental. Ryad Mansour, embaixador palestino na ONU, j\u00e1 iniciou conversa\u00e7\u00f5es com os governos \u00e1rabes, visando \u00e0 nova iniciativa. N\u00e3o se sabe ainda, por\u00e9m, se ela ser\u00e1 levada \u00e0 Assembleia Geral ou ao Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na Palestina, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada dia mais tensa. Apenas na primeira semana de dezembro, de acordo com dados do Centro Palestino de Direitos Humanos, uma pessoa morreu e outras tr\u00eas ficaram feridas em consequ\u00eancia de um bombardeio em Gaza. Tamb\u00e9m em Gaza, a marinha israelense continua amea\u00e7ando os pescadores e atirando contra seus barcos, impedindo-os de trabalhar. A press\u00e3o tamb\u00e9m existe em outros pontos da faixa costeira: agricultores e pastores s\u00e3o alvos de atiradores do ex\u00e9rcito israelense, que n\u00e3o lhes permitem circular nas pr\u00f3prias terras, cuidar de seus animais e de suas planta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o bloqueio a postos de passagem de produtos comerciais levou ao fechamento de armaz\u00e9ns, causando desemprego, desabastecimento e crise no setor de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Na Cisjord\u00e2nia, 61 incurs\u00f5es militares em vilas e cidades e ataques \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o violentas contra o muro e as col\u00f4nias, realizadas \u00e0s sextas-feiras, levaram \u00e0 pris\u00e3o 53 palestinos (8 crian\u00e7as), 2 jornalistas e 3 ativistas de direitos humanos estrangeiros, al\u00e9m de provocar ferimentos em 4 pessoas e asfixia em dezenas delas. Em 10 de dezembro, dia em que se comemora a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, morria Mustaf\u00e1 Tamimi, um dos l\u00edderes da resist\u00eancia popular da vila de Nabi Saleh, v\u00edtima de uma granada atirada contra seu rosto um dia antes por um soldado israelense.<\/p>\n<p>Ainda na Cisjord\u00e2nia, Ahmed Attoun, membro do Conselho Legislativo Palestino, foi deportado de Jerusal\u00e9m para Ramala. O governo israelense demoliu uma f\u00e1brica e seis casas de fam\u00edlias palestinas, obrigando outras duas a destruir as pr\u00f3prias moradias. Novos checkpoints foram colocados dentro de Jerusal\u00e9m e ao redor da cidade, tornando ainda mais dif\u00edcil a vida dos palestinos que moram l\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 13 de dezembro, um grupo de 20 das mais importantes organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias e de direitos humanos condenou, em documento conjunto, as viola\u00e7\u00f5es cometidas pelo governo israelense. \u00c0s v\u00e9speras de mais uma reuni\u00e3o do Quarteto (R\u00fassia, Uni\u00e3o Europeia, ONU e EUA) em Jerusal\u00e9m, para tentar negociar um acordo entre Israel e Palestina, essas entidades revelaram dados preocupantes, computados pela ONU e pelo Peace Now: mil palestinos tiveram de abandonar suas moradias em 2011, o dobro de pessoas que passaram pelo mesmo drama em 2010. Metade s\u00e3o crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Mais de 500 casas, po\u00e7os de \u00e1gua e outras estruturas foram destru\u00eddas este ano, acompanhadas da expans\u00e3o das col\u00f4nias judaicas ilegais na Palestina (4 mil unidades s\u00f3 em Jerusal\u00e9m oriental, o maior n\u00famero desde 2006) e do aumento da viol\u00eancia dos colonos contra a popula\u00e7\u00e3o palestina. Mais de 10 mil oliveiras e outras \u00e1rvores foram destru\u00eddas este ano. Como cada oliveira rende cerca de U$ 100 quando seus frutos s\u00e3o transformados em azeite, a economia das fam\u00edlias dos vilarejos sofreu uma perda estimada em U$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da expans\u00e3o das col\u00f4nias e da demoli\u00e7\u00e3o de casas est\u00e1 levando a Palestina ao limite, destruindo seus meios de vida e as perspectivas de paz justa e duradoura\u201d, afirmou Jeremy Hobbs, diretor executivo da Oxfam International, \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Ma\u2019an. \u201cH\u00e1 uma crescente desconex\u00e3o entre o discurso do Quarteto e a situa\u00e7\u00e3o real. O Quarteto precisa revisar de maneira radical sua abordagem e mostrar que pode mesmo mudar a vida de palestinos e israelenses\u201d, acrescentou ele.<\/p>\n<p>Apesar de todos esses graves problemas, a Assembleia Geral da ONU aprovou, no come\u00e7o de dezembro, seis resolu\u00e7\u00f5es condenando apenas a expans\u00e3o das col\u00f4nias, que s\u00e3o somente parte \u2013 embora importante \u2013 da quest\u00e3o. O fato \u00e9 que a ONU j\u00e1 condenou Israel centenas de vezes, por meio de resolu\u00e7\u00f5es, e os governos sionistas nunca se abalaram com isso. Continuam firmes no plano de expandir seus dom\u00ednios para toda a Palestina hist\u00f3rica, criando um \u201cEstado judeu\u201d em toda ela, o que implica, for\u00e7osamente, a limpeza \u00e9tnica e religiosa da regi\u00e3o. Para impedir que esse plano se concretize s\u00e3o necess\u00e1rias medidas muito mais convincentes do que discursos ret\u00f3ricos. Mas at\u00e9 agora nenhum governo se atreveu a propor e a aprovar san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas contra os governos de Israel.<\/p>\n<p>Se a nova iniciativa palestina nas Na\u00e7\u00f5es Unidas conseguir\u00e1 interromper a sanha sionista, \u00e9 dif\u00edcil avaliar. Como fato pol\u00edtico, a atitude \u00e9 bem-vinda: criar\u00e1 mais espa\u00e7o para que a indigna\u00e7\u00e3o do mundo se volte contra a pol\u00edtica dos governantes de Israel e exija o fim de ocupa\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, entretanto, \u00e9 quase certo que as coisas continuem como est\u00e3o. A menos que a comunidade internacional decida tomar medidas realmente definitivas para deter o monstro que ela mesma criou ao ceder \u00e0s press\u00f5es dos lobbies sionistas e aprovar a recomenda\u00e7\u00e3o da partilha da Palestina, em 1947, os palestinos continuar\u00e3o a sofrer as consequ\u00eancias dessa decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, a julgar pela sa\u00edda diplom\u00e1tica do Conselho de Seguran\u00e7a, ao reconhecer-se incapaz de um consenso sobre a admiss\u00e3o da Palestina como Estado-membro da ONU, muitos anos ainda se passar\u00e3o antes que a popula\u00e7\u00e3o palestina consiga ter seus direitos mais elementares assegurados e respeitados. At\u00e9 l\u00e1, ela, assim como a maioria dos povos da \u00c1sia e da \u00c1frica, continuar\u00e1 vivendo a condi\u00e7\u00e3o de p\u00e1ria num mundo cada vez mais \u00e0 merc\u00ea dos senhores da guerra e do dinheiro.<\/p>\n<p>(*)\u00a0Baby Siqueira Abr\u00e3o, correspondente do jornal Brasil de Fato no Oriente M\u00e9dio, veio ao Brasil sob os ausp\u00edcios da Embaixada Palestina, para uma s\u00e9rie de palestras com Abdallah Abu Rahmah, l\u00edder do comit\u00ea popular de Bil\u2019in, e para participar do I Encontro Brasileiro em Solidariedade ao Povo Palestino, realizado na Escola Florestan Fernandes, em Guararema, SP.<\/p>\n<p>Fonte: Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: P\u00e1tria Latina\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2236\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-2236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-A4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}