{"id":2241,"date":"2012-01-09T00:39:17","date_gmt":"2012-01-09T00:39:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2241"},"modified":"2012-01-09T00:39:17","modified_gmt":"2012-01-09T00:39:17","slug":"12-mitos-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2241","title":{"rendered":"12 mitos do capitalismo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00e3o muitos e variados os tipos e meios de manipula\u00e7\u00e3o em que a ideologia burguesa se foi alicer\u00e7ando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes s\u00e3o os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas \u00e0 exaust\u00e3o, acriticamente, ao longo de gera\u00e7\u00f5es, se tornam verdades insofism\u00e1veis aos olhos de muitos.<\/strong><\/p>\n<p>Um coment\u00e1rio amargo, e frequente ap\u00f3s os per\u00edodos eleitorais, \u00e9 o de que \u201ccada povo tem o governo que merece\u201d. Trata-se de uma cr\u00edtica err\u00f3nea, que pode levar ao conformismo e \u00e0 in\u00e9rcia e castiga os menos culpados. N\u00e3o existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por m\u00e1quinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores.<\/p>\n<p>A mentira e a manipula\u00e7\u00e3o s\u00e3o hoje armas de opress\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, t\u00e3o eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasi\u00f5es s\u00e3o complementares destas. Tanto servem para ganhar elei\u00e7\u00f5es como para invadir e destruir pa\u00edses insubmissos.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos e variados os tipos e meios de manipula\u00e7\u00e3o em que a ideologia capitalista se foi alicer\u00e7ando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes s\u00e3o os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas \u00e0 exaust\u00e3o, acriticamente, ao longo de gera\u00e7\u00f5es, se tornam verdades insofism\u00e1veis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma cred\u00edvel perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus ve\u00edculos mais importantes s\u00e3o a informa\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, a educa\u00e7\u00e3o escolar, as tradi\u00e7\u00f5es familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*)<\/p>\n<p>Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista.<\/p>\n<p><strong>\u2022 No capitalismo qualquer pessoa pode enriquecer \u00e0 custa do seu trabalho.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito.<\/p>\n<p>O objectivo oculto \u00e9 obter o apoio acr\u00edtico dos trabalhadores no sistema e a sua submiss\u00e3o, na esperan\u00e7a ilus\u00f3ria e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser tamb\u00e9m, patr\u00f5es de sucesso.<\/p>\n<p>Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidad\u00e3o comum \u00e9 igual \u00e0 de lhe sair a lotaria. O \u201csucesso capitalista\u201d \u00e9, com raras excep\u00e7\u00f5es, fruto da manipula\u00e7\u00e3o e falta de escr\u00fapulos dos que disp\u00f5em de mais poder e influ\u00eancia. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este mito de que o sucesso \u00e9 fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de f\u00e9 e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, \u00e9 um dos mitos que tem levado mais gente a acreditar no sistema e a apoi\u00e1-lo. Mas tamb\u00e9m, ap\u00f3s as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhan\u00e7o pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferen\u00e7a. Trata-se dos t\u00e3o apregoados empreendedorismo e competitividade.<\/p>\n<p><strong>\u2022 O capitalismo gera riqueza e bem-estar para todos <\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que a f\u00f3rmula capitalista de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza por uma minoria dar\u00e1 lugar, mais tarde ou mais cedo, \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o da mesma.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 permitir que os patr\u00f5es acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mant\u00eam nestes a esperan\u00e7a de mais tarde serem recompensados pelo seu esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, j\u00e1 Marx tinha conclu\u00eddo nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo n\u00e3o \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza mas a sua acumula\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o. O agravamento das diferen\u00e7as entre ricos e pobres nas \u00faltimas d\u00e9cadas, nomeadamente ap\u00f3s o neo-liberalismo, provou isso claramente.<\/p>\n<p>Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de \u201cbem-estar social\u201d p\u00f3s guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do \u00e9mulo sovi\u00e9tico, o capitalismo deixou tamb\u00e9m cair a m\u00e1scara e perdeu credibilidade.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Estamos todos no mesmo barco.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que n\u00e3o h\u00e1 classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises s\u00e3o igualmente atribu\u00eddas a todos e portanto pagas por todos.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribui as despesas por todo o povo.<\/p>\n<p>Na verdade, o pequeno numero de multimilion\u00e1rios, porque det\u00e9m o poder, \u00e9 sempre auto-beneficiado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tr\u00e1fico de influ\u00eancias, quer na especula\u00e7\u00e3o financeira, quer em off-shores, quer na corrup\u00e7\u00e3o e nepotismo, etc. Esse n\u00facleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que \u00e9 o \u00fanico e exclusivo respons\u00e1vel para situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria dos povos e que deve pagar por isso.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos mitos mais ideol\u00f3gicos do capitalismo ao negar a exist\u00eancia de classes.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Liberdade \u00e9 igual a capitalismo.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade s\u00f3 se atinge com o capitalismo, atrav\u00e9s da chamada auto-regula\u00e7\u00e3o proporcionada pelo mercado.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 tornar o capitalismo uma esp\u00e9cie de religi\u00e3o em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decis\u00f5es macro-econ\u00f3micas, indiscut\u00edveis. A liberdade de negociar sem peias seria o m\u00e1ximo da liberdade.<\/p>\n<p>Na verdade, sabe-se que as estrat\u00e9gias pol\u00edtico econ\u00f3micas, muitas delas planeadas com grande antecipa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o quase sempre tomadas por um pequeno n\u00famero de pessoas poderosas, \u00e0 revelia dos povos e dos poderes institu\u00eddos, a quem ditam as suas orienta\u00e7\u00f5es. Nessas reuni\u00f5es, em cimeiras restritas e mesmo secretas, s\u00e3o definidas as grandes decis\u00f5es financeiras e econ\u00f3micas conjunturais ou estrat\u00e9gicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resolu\u00e7\u00f5es, s\u00e3o fruto de negocia\u00e7\u00f5es e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado \u00e9 pois manipulado e n\u00e3o auto-regulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos.<\/p>\n<p>Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, interven\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses n\u00e3o submissos ao capitalismo, argumentando n\u00e3o haver neles liberdade, porque h\u00e1 regras.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Capitalismo igual a democracia.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo h\u00e1 democracia.<\/p>\n<p>O objectivo deste mito, que \u00e9 complementar do anterior, \u00e9 impedir a discuss\u00e3o de outros modelos de sociedade, afirmando n\u00e3o haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropria\u00e7\u00e3o pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia.<\/p>\n<p>Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultra minorit\u00e1ria, domina sobre todas as outras. Trata-se da nega\u00e7\u00e3o da democracia que, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 o governo do povo, logo da maioria. Esta \u201cdemocracia\u201d n\u00e3o passa pois de uma ditadura disfar\u00e7ada. As \u201creformas democr\u00e1ticas\u201d n\u00e3o s\u00e3o mais que retrocessos, reac\u00e7\u00f5es ao progresso. Da\u00ed deriva o termo reaccion\u00e1rio, o que anda para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Tal como o anterior este mito tamb\u00e9m serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de pa\u00edses n\u00e3o capitalistas.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Elei\u00e7\u00f5es igual a Democracia. <\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral \u00e9 o sinonimo da democracia e esta se esgota nele.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 denegrir ou diabolizar e impedir a discuss\u00e3o de outros sistemas politico-eleitorais em que os dirigentes s\u00e3o estabelecidos por formas diversas das elei\u00e7\u00f5es burguesas, como por exemplo pela idade, experiencia, aceita\u00e7\u00e3o popular, etc.<\/p>\n<p>Na verdade \u00e9 no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto \u00e9 condicionado e as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minorit\u00e1ria vencer sempre as elei\u00e7\u00f5es demonstra o seu car\u00e1cter n\u00e3o representativo.<\/p>\n<p>O mito de que, onde h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es h\u00e1 democracia, \u00e9 um dos mais enraizados, mesmo em algumas for\u00e7as de esquerda.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Partidos alternantes igual a alternativos. <\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder t\u00eam pol\u00edticas alternativas.<\/p>\n<p>O objectivo deste mito \u00e9 perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia est\u00e1 reduzida ao acto eleitoral.<\/p>\n<p>Na verdade este aparente sistema pluri ou bi-partid\u00e1rio \u00e9 um sistema mono-partid\u00e1rio. Duas ou mais fac\u00e7\u00f5es da mesma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, partilhando pol\u00edticas capitalistas id\u00eanticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com pol\u00edticas alternativas. O que \u00e9 dado escolher aos povos n\u00e3o \u00e9 o sistema que \u00e9 sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partid\u00e1rios que est\u00e3o de turno como seus guardi\u00f5es e continuadores.<\/p>\n<p>O mito de que os partidos burgueses t\u00eam politicas independentes da classe dominante, chegando at\u00e9 a ser opostas, \u00e9 um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar.<\/p>\n<p><strong>\u2022 O eleito representa o povo e por isso pode decidir tudo por ele.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que o pol\u00edtico, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser.<\/p>\n<p>O objectivo deste mito \u00e9 iludir o povo com promessas v\u00e3s e escamotear as verdadeiras medidas que ser\u00e3o levadas \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na verdade, uma vez no poder, o eleito auto-assume novos poderes. N\u00e3o cumpre o que prometeu e, o que \u00e9 ainda mais grave, p\u00f5e em pr\u00e1tica medidas n\u00e3o enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e at\u00e9 inconstitucionais. Frequentemente s\u00e3o eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos j\u00e1 atingiram \u00edndices de popularidade m\u00ednimos. Nestes casos de aus\u00eancia ou perda progressiva de representatividade, o sistema n\u00e3o contempla quaisquer formas constitucionais de destitui\u00e7\u00e3o. Esta perda de representatividade \u00e9 uma das raz\u00f5es que impede as \u201cdemocracias\u201d capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfar\u00e7adas.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica sistem\u00e1tica deste processo de falsifica\u00e7\u00e3o da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente absten\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p><strong>\u2022 N\u00e3o h\u00e1 alternativas \u00e0 pol\u00edtica capitalista. <\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora n\u00e3o sendo perfeito, \u00e9 o \u00fanico regime politico\/econ\u00f3mico poss\u00edvel e portanto o mais adequado.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a for\u00e7a, para afastar a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na realidade existem outros sistemas politico econ\u00f3micos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo h\u00e1 modalidades que v\u00e3o desde o actual neo-liberalismo aos reformistas do \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d ou social-democrata.<\/p>\n<p>Este mito faz parte da tentativa de intimida\u00e7\u00e3o dos povos de impedir a discuss\u00e3o de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento \u00fanico.<\/p>\n<p><strong>\u2022 A austeridade gera riqueza<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que a culpa das crises econ\u00f3micas \u00e9 originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o pa\u00eds enriquece.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 fundamentalmente transferir para o sector publico, para o povo em geral e para os trabalhadores a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na cren\u00e7a de que dias melhores vir\u00e3o mais tarde. Destina-se tamb\u00e9m a facilitar a privatiza\u00e7\u00e3o dos bens p\u00fablicos, \u201cemagrecendo\u201d o Estado, logo \u201cpoupando\u201d, sem referir que esses sectores eram os mais rent\u00e1veis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma.<\/p>\n<p>Na verdade, constata-se que estas politicas conduzem, ano ap\u00f3s ano, a uma empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminui\u00e7\u00e3o das regalias, direitos e do n\u00edvel de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Menos Estado, melhor Estado.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector p\u00fablico.<\/p>\n<p>O objectivo dos capitalistas \u00e9, \u201cdourar a p\u00edlula\u201d para facilitar a apropria\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio, das fun\u00e7\u00f5es e dos bens rent\u00e1veis dos estados. \u00c9 complementar do anterior.<\/p>\n<p>Na verdade o que acontece em geral \u00e9 o contr\u00e1rio: os servi\u00e7os p\u00fablicos privatizados n\u00e3o s\u00f3 se tornam piores, como as tributa\u00e7\u00f5es e as presta\u00e7\u00f5es s\u00e3o agravadas. O balan\u00e7o dos resultados dos servi\u00e7os prestados ap\u00f3s passarem a privados \u00e9 quase sempre pior que o anterior. Na \u00f3ptica capitalista a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o passa de mera oportunidade de neg\u00f3cio. Neste mito \u00e9 um dos mais \u201cideol\u00f3gicos\u201d do capitalismo neoliberal. Nele est\u00e1 subjacente a filosofia de que quem deve governar s\u00e3o os privados e o Estado apenas d\u00e1 apoio.<\/p>\n<p><strong>\u2022 A actual crise \u00e9 passageira e ser\u00e1 resolvida para o bem dos povos.<\/strong><\/p>\n<p>Pretende-se fazer crer que a actual crise econ\u00f3mico-financeira \u00e9 mais uma crise c\u00edclica habitual do capitalismo e n\u00e3o uma crise sist\u00e9mica ou final.<\/p>\n<p>O objectivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, \u00e9 continuarem a pilhagem dos Estados e a explora\u00e7\u00e3o dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns pol\u00edticos se manterem no poder, alimentando a esperan\u00e7a junto dos povos de que melhores dias vir\u00e3o se continuarem a votar neles.<\/p>\n<p>Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata \u00e9 da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradi\u00e7\u00e3o entre o car\u00e1cter social da produ\u00e7\u00e3o e o lucro privado at\u00e9 se tornar insol\u00favel.<\/p>\n<p>Alguns, entre os quais os \u201csocialistas\u201d e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos pol\u00edticos, da gan\u00e2ncia dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos \u00e9 ao agravamento permanente do n\u00edvel de vida dos povos sem que esteja \u00e0 vista qualquer esperan\u00e7a de melhoria. Dentro do sistema capitalista j\u00e1 nada mais h\u00e1 a esperar de bom.<\/p>\n<p><strong>Nota final: <\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo h\u00e1-de acabar, mas s\u00f3 por si tal decorrer\u00e1 muito lentamente e com imensos sacrif\u00edcios dos povos. Ter\u00e1 que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilus\u00f5es, quer daqueles que julgam o capitalismo reform\u00e1vel, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cair\u00e1 de podre, O capitalismo tudo far\u00e1 para vender cara a derrota. Por isso quanto mais r\u00e1pido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel mais sacrif\u00edcios in\u00fateis se poder\u00e3o evitar.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio criar barreiras ao assalto final da barb\u00e1rie capitalista, e inverter a situa\u00e7\u00e3o, quer apresentando claramente outras solu\u00e7\u00f5es politicas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos.<\/p>\n<p>(*) Os mitos criados pelas religi\u00f5es crist\u00e3s t\u00eam muito peso no pensamento \u00fanico capitalista e s\u00e3o avidamente apropriados por ele para facilitar a aceita\u00e7\u00e3o do sistema pelos mais cr\u00e9dulos. Exemplos: \u201cA pobreza \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o passageira da vida terrena\u201d. \u201cSempre houve ricos e pobres\u201d. \u201cO rico ser\u00e1 castigado no ju\u00edzo final\u201d. \u201cDeve-se aguentar o sofrimento sem revolta para mais tarde ser recompensado.\u201d<\/p>\n<p>Fonte:<a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2334\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2334<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nGuilherme Alves Coelho\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2241\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-A9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}