{"id":2243,"date":"2012-01-10T20:22:35","date_gmt":"2012-01-10T20:22:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2243"},"modified":"2012-01-10T20:22:35","modified_gmt":"2012-01-10T20:22:35","slug":"a-semana-no-olhar-comunista-0024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2243","title":{"rendered":"A Semana no Olhar Comunista &#8211; 0024"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil: a fal\u00e1cia do ranking do PIB<\/strong><\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es no \u201cranking\u201d das economias nacionais, com a subida de posi\u00e7\u00f5es do Brasil, acenderam na imprensa e na maior parte da sociedade um tom de orgulho nacional. Sexta economia do mundo, acima de Inglaterra (s\u00e9tima) e It\u00e1lia (oitava), o Brasil teria \u201cacertado\u201d em sua pol\u00edtica econ\u00f4mica dos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>Seria a confirma\u00e7\u00e3o do acerto das privatiza\u00e7\u00f5es de empresas p\u00fablicas, da internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, dos cortes de direitos trabalhistas, previdenci\u00e1rios e sociais (tamb\u00e9m pela via da privatiza\u00e7\u00e3o, como na Sa\u00fade), al\u00e9m da elimina\u00e7\u00e3o dos instrumentos de controle do Estado.<\/p>\n<p>Demonstraria ainda, por outro lado, que a atual crise econ\u00f4mica internacional, cujo epicentro est\u00e1 nos EUA e na Europa, trouxe efeitos ben\u00e9ficos para os pa\u00edses chamados \u201cemergentes\u201d, como a entrada de capitais para investimentos.<\/p>\n<p>A propaganda \u00e9 a realmente a &#8220;alma do neg\u00f3cio&#8221;. Nada mais artificial e falacioso que tal an\u00e1lise hegem\u00f4nica. Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n<p>&#8211; A eleva\u00e7\u00e3o brasileira no ranking ocorreu muito mais pela crise nos pa\u00edses ultrapassados que por nossos m\u00e9ritos pr\u00f3prios;<\/p>\n<p>&#8211; A maior parcela do crescimento econ\u00f4mico brasileiro v\u00eam de setores prim\u00e1rio-exportadores \u2013 produtos agr\u00edcolas e min\u00e9rios (que, por sua vez, dependem das importa\u00e7\u00f5es das regi\u00f5es em crise) \u2013 e do setor financeiro; e<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 decr\u00e9scimo da parcela do PIB por habitante \u2013 o chamado PIB per capita \u2013 referente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>\u00c9 pelos claros ind\u00edcios de queda na taxa de lucro dos capitalistas que a imprensa, mesmo com essa eleva\u00e7\u00e3o, defende ardorosamente a id\u00e9ia de que \u00e9 hora de \u201caprofundar as reformas\u201d. Em portugu\u00eas claro, de reduzir o tamanho do funcionalismo, cortar gastos sociais e reduzir sal\u00e1rios (no Brasil, o sal\u00e1rio m\u00ednimo aumentou pouco menos de 10%, em termos reais, ao passo que os demais sal\u00e1rios perderam poder de compra mesmo com a oferta de mais cr\u00e9dito).<\/p>\n<p>Se estamos com vi\u00e9s de alta, por que a retirada de direitos? Afinal de contas, outro ranking exp\u00f5e o Brasil real: em PIB per capita, estamos no 73\u00ba lugar, abaixo de Chile, Argentina, Venezuela, L\u00edbia e at\u00e9 o Gab\u00e3o.<\/p>\n<p>Ocorre que mesmo no caso de haver uma fase de recupera\u00e7\u00e3o no centro do sistema, ele est\u00e1 prestes a \u201cbater no teto\u201d: t\u00e3o cedo EUA e Europa n\u00e3o recuperar\u00e3o seus n\u00edveis de emprego e renda. Na Espanha, Gr\u00e9cia, Portugal, It\u00e1lia e outros pa\u00edses perif\u00e9ricos da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, a crise j\u00e1 explodiu e s\u00e3o aplicadas \u201cpol\u00edticas de ajuste\u201d, de cortes de gastos sociais e de recess\u00e3o, que s\u00e3o alardeadas como necessidades, como verdades intoc\u00e1veis e inquestion\u00e1veis.<\/p>\n<p>O que vale l\u00e1, vale aqui &#8211; e com um complicador: o capitalismo brasileiro \u00e9 marcado pela total aus\u00eancia de pol\u00edticas sociais. Os setores que mais crescem refletem este quadro: min\u00e9rios, soja (para exporta\u00e7\u00e3o), bancos, um modelo capitalista que explora as riquezas naturais e que tende a concentrar (como, de resto, em todo o mundo) cada vez mais renda nas m\u00e3os de cada vez menos grupos econ\u00f4micos e pessoas.<\/p>\n<p>Em muitos lugares, os trabalhadores v\u00eam se organizando para enfrentar os efeitos da crise. Em alguns pa\u00edses, come\u00e7am a colocar de p\u00fablico a quest\u00e3o da necessidade de construir-se uma alternativa socialista.<\/p>\n<p>Os exemplos da Gr\u00e9cia, da R\u00fassia e de outros pa\u00edses em que trabalhadores v\u00e3o para as ruas, em diferentes formas de mobiliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sinais de que come\u00e7am a se formar as condi\u00e7\u00f5es para, em um horizonte hist\u00f3rico ainda n\u00e3o definido, a \u201cvirada do jogo\u201d, com organiza\u00e7\u00e3o, disputa de id\u00e9ias e a coloca\u00e7\u00e3o, de forma clara, da quest\u00e3o do poder. Fa\u00e7amos o mesmo no Brasil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>&#8220;D\u00edvida&#8221; consumiu 44,93% do or\u00e7amento de 2010<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias circulou nas redes sociais o gr\u00e1fico abaixo, com informa\u00e7\u00f5es consolidadas do or\u00e7amento geral da uni\u00e3o no exerc\u00edcio de 2010.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.divida-auditoriacidada.org.br\/config\/Orcam2010.jpg?resize=522%2C365\" border=\"0\" width=\"522\" height=\"365\" \/><\/p>\n<pre>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.divida-auditoriacidada.org.br\/config\/artigo.2011-03-02.0541123379\/document_view\">http:\/\/www.divida-auditoriacidada.org.br\/config\/artigo.2011-03-02.0541123379\/document_view<\/a><\/pre>\n<p>Como se pode observar, do total de R$ 1,414 trilh\u00e3o de recursos dispon\u00edveis, cerca de R$ 635 bilh\u00f5es (44,93%) do Or\u00e7amento foi destinado ao pagamento de juros, refinanciamento e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica brasileira. \u00c9 o estado a servi\u00e7o de fra\u00e7\u00f5es de classe que se beneficiam do financismo para engordar suas fortunas. para a popula\u00e7\u00e3o, a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, restaram apenas 0,04% do Saneamento, 2,89% da Educa\u00e7\u00e3o, 2,74% de Assist\u00eancia Social e 3,91% da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Um novo modelo de interven\u00e7\u00e3o imperialista<\/strong><\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia de Defesa dos Estados Unidos, anunciada por Obama, demonstra a nova estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o imperialista. N\u00e3o \u00e0 toa, o presidente norte-americano mandou o recado. Mesmo com or\u00e7amento mais apertado e com uso mais moderado, &#8220;as for\u00e7as militares ser\u00e3o mais enxutas, mas o mundo precisa saber que os EUA manter\u00e3o a superioridade militar, com For\u00e7as Armadas \u00e1geis, flex\u00edveis e prontas para toda a gama de conting\u00eancias e amea\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia \u00e9 ter cada vez menos interven\u00e7\u00f5es como a no Iraque e Afeganist\u00e3o. Mesmo sendo uma derrota para a ultra-direita daquele pa\u00eds, que faz oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, os EUA passam a concentrar sua a\u00e7\u00f5es em for\u00e7as de deslocamento r\u00e1pido, de menor porte, super-equipadas e de espionagem, com avi\u00f5es n\u00e3o tripulados e outros instrumentos. Os porta-avi\u00f5es s\u00e3o mantidos, como instrumentos de proje\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>Para o &#8220;consumo interno&#8221;, traz a garantia de menos resist\u00eancia interna \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares, por ser cada vez mais dif\u00edcil justificar a morte de soldados. Externamente, fica cada vez mais evidente a preocupa\u00e7\u00e3o com a China e a posi\u00e7\u00e3o de insuflar e financiar t\u00edteres, como na L\u00edbia, para serem a &#8220;bucha de canh\u00e3o&#8221; de seus interesses.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil de Dilma reduz com\u00e9rcio com Ir\u00e3 em 73%<\/strong><\/p>\n<p>O atual posicionamento do Brasil sobre o Ir\u00e3 &#8211; ao gosto de Washington &#8211; fez com que o com\u00e9rcio bilateral com o pa\u00eds asi\u00e1tico tenha se reduzido em 73% de janeiro a novembro de 2010. Pouco ap\u00f3s assumir a presid\u00eancia, Dilma ordenou que a diplomacia brasileira votasse a favor, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao envio de inspetores para apurar pretensos abusos naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>O Brasil como destino, e n\u00e3o como partida<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Localizada na fronteira do Brasil com a Bol\u00edvia e o Peru, a pequena Brasileia est\u00e1 tomada por haitianos. Eles est\u00e3o nas ruas, nas lojas, atr\u00e1s de artigos de higiene pessoal, sentados nas pra\u00e7as a conversar sorridentes ou, em massa, na Pra\u00e7a Hugo Poli, uma das principais da cidade, que, aos poucos, foi sendo ocupada pelos inesperados moradores tempor\u00e1rios. Eles s\u00e3o a ponta de uma cadeia de tr\u00e1fico de pessoas que come\u00e7a no Haiti, passa pelo Equador e chega ao Brasil. Os mesmos coiotes que ajudam a levar brasileiros e mexicanos para os Estados Unidos agora trabalham na rota em que o Brasil n\u00e3o \u00e9 mais origem, mas chegada&#8221;.<\/p>\n<p>O texto, do jornal\u00a0<strong><em>O Globo<\/em><\/strong>, demonstra que a imigra\u00e7\u00e3o para o Brasil pode crescer. \u00c9 preciso lutar para que essas pessoas tenham reconhecidos seus direitos como trabalhadores e por um um projeto de integra\u00e7\u00e3o de novo tipo, n\u00e3o capitalista, com investimentos e pol\u00edticas sociais comuns na busca pela igualdade e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Ped\u00e1gio urbano para quem???<\/strong><\/p>\n<p>A Lei de Mobilidade Urbana, sancionada pela presidente, permitir\u00e1 aos munic\u00edpios cobrar ped\u00e1gio para diminuir o tr\u00e2nsito de autom\u00f3veis. De acordo com o governo, um dos principais objetivos \u00e9 estimular o transporte coletivo e reduzir a emiss\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o foste esse um governo umbilicalmente ligado \u00e0s montadoras de autom\u00f3veis, poder\u00edamos at\u00e9 crer em tais boas inten\u00e7\u00f5es. Restam as seguintes d\u00favidas: qual a garantia de que esses ped\u00e1gios n\u00e3o ser\u00e3o administrados pela iniciativa privada? Qual a garantia de que esses recursos realmente ser\u00e3o destinados para o transporte coletivo? As passagens ser\u00e3o subsidiadas? O lobby das m\u00e1fias dos transportes por todo o pa\u00eds ser\u00e3o enfrentados? Essa pol\u00edtica n\u00e3o visa privatizar bairros e vias p\u00fablicas, no sentido de limitar a circula\u00e7\u00e3o de trabalhadores que n\u00e3o tenham condi\u00e7\u00f5es de arcar com os valores dos ped\u00e1gios? Partindo da atual l\u00f3gica dos governos de plant\u00e3o a resposta mais prov\u00e1vel \u00e9 a de que quem vai pagar esse pre\u00e7o, duplamente, mais uma vez ser\u00e3o os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Cresce a inadimpl\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A inadimpl\u00eancia do consumidor brasileiro cresceu 21,5% em 2011 na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, segundo informou a\u00a0<strong><em>Serasa Experian<\/em><\/strong>. Trata-se do maior n\u00edvel de aumento desde 2002, quando a eleva\u00e7\u00e3o registrou 24,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2001<\/p>\n<p>Em nota, o \u00f3rg\u00e3o atribui a amplia\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia em 2011 ao aumento da infla\u00e7\u00e3o, que reduziu o rendimento do trabalhador, e aos juros elevados que reduziram a capacidade de pagamento das d\u00edvidas. &#8220;O ac\u00famulo de d\u00edvidas, de m\u00e9dio e longo prazos, vem desde 2010, ano em que as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e do or\u00e7amento do consumidor foram mais favor\u00e1veis do que em 2011&#8221;, ressalta a empresa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nSobre o PIB e o or\u00e7amento\nO Brasil como sexta economia do mundo e o or\u00e7amento do Governo Federal s\u00e3o os destaques da primeira edi\u00e7\u00e3o de 2012 do Olhar Comunista. Saiba porque os financistas sempre ganham.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2243\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[],"class_list":["post-2243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ab","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}