{"id":22460,"date":"2019-02-28T23:08:02","date_gmt":"2019-03-01T02:08:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22460"},"modified":"2019-02-28T23:08:07","modified_gmt":"2019-03-01T02:08:07","slug":"krupskaia-deve-se-ensinar-coisas-de-mulher-aos-meninos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22460","title":{"rendered":"Kr\u00fapskaia: Deve-se ensinar \u2018coisas de mulher\u2019 aos meninos?"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/02\/krups.jpg?w=620&#038;h=620\"\/><!--more-->Blog da Boitempo\n<\/p><p>\n150 anos atr\u00e1s, dia 26 de fevereiro de 1869, nascia Nadi\u00e9jda Konstant \u00cdnovna Kr\u00fapskaia. Pedagoga, militante revolucion\u00e1ria e uma das pioneiras da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o feminina na R\u00fassia sovi\u00e9tica. Em homenagem a essa figura excepcional, o Blog da Boitempo recupera uma breve interven\u00e7\u00e3o dela escrita no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, mas que possui atualidade redobrada em uma era de \u201cmeninas vestem rosa, meninos vestem azul\u201d. Publicado originalmente em Svob\u00f3dnoie Vozpit\u00e1nie\/\u0421\u0432\u043e\u0431\u043e\u0434\u043d\u043e\u0435 \u0432\u043e\u0441\u043f\u0438\u0442\u0430\u043d\u0438\u0435 [Educa\u00e7\u00e3o Livre], n. 10, 1909\u20111910, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de Priscila Marques e integra antologia A revolu\u00e7\u00e3o das mulheres: emancipa\u00e7\u00e3o feminina na R\u00fassia sovi\u00e9tica, organizada por Graziela Schneider.\n<\/p><p>\n* * *\n<\/p><p>\nPor Nadi\u00e9jda Kr\u00fapskaia\n<\/p><p>\nNo relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Popular de S\u00e3o Petersburgo no ano de 1908, um dos especialistas, ao emitir um parecer sobre o ensino de bordado, diz:\n<\/p><p>\nAcerca dos bordados, devo atestar com a mais profunda alegria que em quase todas as escolas mistas eles eram apreciados n\u00e3o apenas por meninas, mas por meninos, e os \u00faltimos desempenhavam essa tarefa com tanto gosto que em algumas escolas seus resultados superavam o das meninas, por exemplo, na costura e no tran\u00e7ado.\n<\/p><p>\nEsse trecho do relat\u00f3rio supracitado foi inserido na edi\u00e7\u00e3o de dezembro do ano passado do boletim de educa\u00e7\u00e3o, na se\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas; o autor da cr\u00f4nica expressa certa d\u00favida quanto \u00e0 utilidade de se ensinar meninos a costurar.\n<\/p><p>\nGostaria de dizer algumas palavras sobre esse tema.\n<\/p><p>\nAntes de tudo, colocarei a quest\u00e3o de forma mais geral: deve-se ensinar aos meninos aqueles trabalhos que at\u00e9 ent\u00e3o eram considerados exclusivamente femininos, como costurar, cozinhar, lavar, cuidar de crian\u00e7as etc.?\n<\/p><p>\nNa sociedade contempor\u00e2nea, a vida familiar est\u00e1 ligada \u2013 e isso provavelmente continuar\u00e1 assim por muito tempo \u2013 a uma s\u00e9rie de pequenos cuidados que se relacionam com a concretiza\u00e7\u00e3o de afazeres dom\u00e9sticos isolados. A futura reformula\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e a altera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es da vida em sociedade introduzir\u00e3o significativas mudan\u00e7as nesse \u00e2mbito, mas enquanto a vida familiar estiver ligada a tarefas como cozinhar o almo\u00e7o, limpar a casa, remendar o uniforme, educar os filhos etc., todo esse trabalho recair\u00e1 integralmente sobre a mulher.\n<\/p><p>\nNas fam\u00edlias que possuem meios, esse trabalho cabe a uma empregada contratada: cozinheira, faxineira, bab\u00e1. A mulher de posses liberta-se de tais tarefas, encarregando outra mulher que n\u00e3o tem, ela mesma, chance de se libertar. De uma forma ou de outra, todo o trabalho dom\u00e9stico recai exclusivamente sobre a mulher. No meio oper\u00e1rio, o marido \u00e0s vezes contribui com a esposa nos afazeres. A necessidade o obriga. Ao retornar do trabalho, nos feriados, nos dias de folga, o trabalhador por vezes vai at\u00e9 a mercearia, varre o ch\u00e3o e cuida das crian\u00e7as. \u00c9 claro, nem sempre e nem todos fazem isso; al\u00e9m do mais, muitos nem sequer sabem faz\u00ea-lo (costurar, lavar), e a esposa, que \u00e0s vezes tamb\u00e9m passa o dia trabalhando fora de casa, quando volta, p\u00f5e-se a lavar roupa, a limpar o ch\u00e3o e fica at\u00e9 tarde da noite costurando, quando o marido h\u00e1 muito est\u00e1 dormindo. Mas se entre os trabalhadores \u00e0s vezes ocorre de o marido ajudar a esposa com o trabalho dom\u00e9stico, nas assim chamadas fam\u00edlias da intelligentsia, por mais desprovidas que sejam, o homem nunca participa desse servi\u00e7o, deixando que a esposa fa\u00e7a suas \u201ccoisas de mulher\u201d da maneira como ela sabe. Um \u201cintelligent\u201d limpando o ch\u00e3o ou remendando a roupa branca seria alvo de goza\u00e7\u00e3o de todos \u00e0 sua volta.\n<\/p><p>\nNa imprensa burguesa (em especial do Ocidente), fala-se muito que o trabalho dom\u00e9stico \u00e9 um campo no qual a mulher pode empregar suas for\u00e7as de maneira mais produtiva. A pessoa s\u00f3 cria algo verdadeiramente grandioso atuando na esfera que melhor corresponde \u00e0 sua individualidade, e os pequenos cuidados dom\u00e9sticos s\u00e3o os mais apropriados \u00e0 individualidade da mulher. Ela deve se preocupar em ser uma dona de casa exemplar, e n\u00e3o se esfor\u00e7ar para deixar a vida familiar nem concorrer com o homem no campo do trabalho intelectual. N\u00e3o se trata de desprezar a fun\u00e7\u00e3o de tirar o p\u00f3 e remendar meias-cal\u00e7as; s\u00e3o tarefas que merecem todo respeito e de forma alguma desprezo.\n<\/p><p>\nA hipocrisia desse discurso \u00e9 evidente, uma vez que os homens que saem por a\u00ed anunciando seu grande respeito pelo trabalho dom\u00e9stico jamais se rebaixam a efetivamente realiz\u00e1-lo. Por qu\u00ea? Pois, no fundo de sua alma, desprezam essa tarefa, consideram-na coisa de seres menos evolu\u00eddos, possuidores de necessidades mais simpl\u00f3rias.\n<\/p><p>\nTodas essas conversas sobre a mulher ser \u201cnaturalmente predestinada\u201d \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos afazeres dom\u00e9sticos s\u00e3o bobagens semelhantes ao discurso que, na \u00e9poca, os donos de escravos faziam sobre estes serem \u201cnaturalmente predestinados\u201d \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de escravos.\n<\/p><p>\nEm ess\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 nada no trabalho dom\u00e9stico que fa\u00e7a com que ele seja uma ocupa\u00e7\u00e3o mais adequada para a individualidade da mulher do que para a do homem. Certos trabalhos que exigem grande for\u00e7a f\u00edsica est\u00e3o acima da capacidade das mulheres, mas por que o homem n\u00e3o pode realizar afazeres dom\u00e9sticos junto com a esposa? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que esse trabalho seja inerente \u00e0 esfera das mulheres, mas sim que o marido precisa trabalhar durante a maior parte do tempo fora de casa para garantir o sustento. Enquanto isso acontecer, haver\u00e1 algum fundamento para que as tarefas de casa sejam realizadas exclusivamente pelas for\u00e7as femininas. Mas, \u00e0 medida que a mulher \u00e9 cada vez mais for\u00e7ada a tamb\u00e9m se dedicar a assegurar seu ganha-p\u00e3o, os afazeres dom\u00e9sticos tomam um tempo adicional, e n\u00e3o \u00e9 justo que os homens n\u00e3o contribuam para a sua realiza\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, se a profiss\u00e3o do marido permite que ele tenha muito tempo livre, n\u00e3o \u00e9 justo que ele considere indigno se dedicar ao trabalho dom\u00e9stico em p\u00e9 de igualdade com a esposa.\n<\/p><p>\nA escola livre luta contra todos os preconceitos que arru\u00ednam a vida das pessoas. O preconceito de que a tarefa dom\u00e9stica \u00e9 digna apenas de seres com necessidades menores abala a rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, introduzindo nela um princ\u00edpio de desigualdade. Tal preconceito n\u00e3o martirizou apenas uma mulher, n\u00e3o gerou aliena\u00e7\u00e3o e disc\u00f3rdia em apenas uma fam\u00edlia. A escola livre \u00e9 uma ardente defensora da educa\u00e7\u00e3o conjunta, uma vez que considera que o trabalho coletivo e as condi\u00e7\u00f5es iguais de desenvolvimento favorecem a compreens\u00e3o m\u00fatua e a aproxima\u00e7\u00e3o espiritual dos jovens de ambos os sexos e, assim, servem de garantia para rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis entre homens e mulheres. A partir desse ponto de vista, a escola livre, ao ensinar trabalhos manuais, n\u00e3o deve diferenciar crian\u00e7as de sexos distintos. \u00c9 preciso que meninos e meninas aprendam da mesma forma a fazer todo o necess\u00e1rio no trabalho dom\u00e9stico e n\u00e3o se considerem indignos de realiz\u00e1-lo.\n<\/p><p>\nQuem j\u00e1 observou crian\u00e7as sabe que na primeira inf\u00e2ncia os meninos se disp\u00f5em com tanto gosto quanto as meninas a ajudar a m\u00e3e a cozinhar, a lavar a lou\u00e7a e a realizar quaisquer tarefas dom\u00e9sticas. Isso parece t\u00e3o interessante! Mas, em geral, desde os primeiros anos come\u00e7a a haver uma diferencia\u00e7\u00e3o no interior da fam\u00edlia. As meninas recebem a incumb\u00eancia de lavar as x\u00edcaras, de arrumar a mesa, enquanto para os meninos dizem: \u201cO que voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui na cozinha? Por acaso isso \u00e9 coisa de homem?\u201d. As meninas s\u00e3o presenteadas com bonecas e lou\u00e7as; os meninos, com trens e soldadinhos. Na idade escolar, eles j\u00e1 aprenderam em suficiente medida a desprezar \u201cas meninas\u201d e suas tarefas. \u00c9 verdade que esse desprezo ainda \u00e9 muito superficial e, se a escola seguir outra abordagem, essa deprecia\u00e7\u00e3o por \u201ccoisas de mulher\u201d rapidamente desaparecer\u00e1. Com tais objetivos, \u00e9 preciso ensinar aos meninos, juntamente com as meninas, a costurar, a fazer croch\u00ea, a remendar a roupa branca, ou seja, tudo aquilo sem o qual n\u00e3o se pode viver e cujo desconhecimento torna a pessoa impotente e dependente de outros. Se essa aprendizagem ocorrer como se deve, h\u00e1 raz\u00f5es para pensar que os meninos a realizem com prazer, como se pode observar no exemplo das escolas de Petersburgo (\u00e9 caracter\u00edstico que esse experimento tenha sido realizado em escolas mistas). Sendo assim, \u00e9 preciso encarregar alternadamente as pr\u00f3prias crian\u00e7as (sem separa\u00e7\u00e3o do trabalho entre meninos e meninas) da tarefa de preparar o caf\u00e9 da manh\u00e3 coletivo, de lavar a lou\u00e7a, de arrumar as salas, de limp\u00e1-las etc. O desejo de ser \u00fatil, de realizar bem a fun\u00e7\u00e3o que lhe foi atribu\u00edda, o entusiasmo pelo trabalho far\u00e3o com que o menino logo se esque\u00e7a do seu desd\u00e9m pelas \u201ccoisas de mulher\u201d.\n<\/p><p>\n\u00c9 claro que seria rid\u00edculo esperar grandes consequ\u00eancias de se ensinar \u201ccoisas de mulher\u201d aos meninos, mas trata-se de um daqueles detalhes que comp\u00f5em o esp\u00edrito geral da escola e aos quais \u00e9 preciso atentar.\n<\/p><p>\n<a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2019\/02\/26\/krupskaia-versus-damares-deve-se-ensinar-coisas-de-mulher-aos-meninos\/\">Kr\u00fapskaia versus Damares: Deve-se ensinar &#8216;coisas de mulher&#8217; aos&nbsp;meninos?<\/a>\n<\/p><p>\nNadi\u00e9jda Kr\u00fapskaia nasceu em S\u00e3o Petersburgo, em uma fam\u00edlia aristocr\u00e1tica, foi pedagoga, cr\u00edtica liter\u00e1ria, memorialista e revolucion\u00e1ria. Iniciou sua atividade revolucion\u00e1ria nos anos 1890 frequentando c\u00edrculos de estudantes marxistas e oper\u00e1rios e logo entrou para a Uni\u00e3o da Luta pela Liberta\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria. Em 1896, foi presa e, em 1898, no ex\u00edlio, casou\u2011se com L\u00eanin. A partir de 1903, passou a atuar no Partido Oper\u00e1rio Social\u2011Democrata Russo como secret\u00e1ria da reda\u00e7\u00e3o do \u00cdskra [Fa\u00edsca], jornal do partido, e, em 1905, do Comit\u00ea Central. Retornou \u00e0 R\u00fassia por um breve per\u00edodo, mas, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1905, mudou\u2011se para a Fran\u00e7a, onde passou v\u00e1rios anos. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, tornou\u2011se deputada do Comissariado para a Educa\u00e7\u00e3o, mais especificamente da Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o para Adultos. Em 1920, assumiu o Comit\u00ea de Educa\u00e7\u00e3o; em 1924, ingressou no Comit\u00ea Central do Partido Comunista e, em 1927, na Comiss\u00e3o de Controle. Entre 1929 e 1939, trabalhou como Comiss\u00e1ria da Educa\u00e7\u00e3o e, em 1931, entrou para o Soviete Supremo e recebeu o t\u00edtulo de cidad\u00e3 honor\u00e1ria. Colaborou tamb\u00e9m para a funda\u00e7\u00e3o do Komsomol e do movimento dos escoteiros. Seus textos est\u00e3o reunidos na antologia A revolu\u00e7\u00e3o das mulheres: emancipa\u00e7\u00e3o feminina na R\u00fassia sovi\u00e9tica (Boitempo, 2017), organizada por Graziela Schneider.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22460\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,180,33],"tags":[221],"class_list":["post-22460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-feminista","category-c34-marxismo","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Qg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}