{"id":22465,"date":"2019-03-03T10:54:36","date_gmt":"2019-03-03T13:54:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22465"},"modified":"2019-03-03T10:54:42","modified_gmt":"2019-03-03T13:54:42","slug":"cucuta-colombia-um-campo-de-experimentacao-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22465","title":{"rendered":"C\u00facuta (Col\u00f4mbia): um campo de experimenta\u00e7\u00e3o neoliberal"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-6WONIMtHXUk\/VR9QRapOGzI\/AAAAAAAAAFI\/f5tZ3MzpjLc\/s1600\/foto%2B%2Bcerro.jpg\"\/><!--more-->ODIARIO.INFO\n<\/p><p>\nVia Granma &#8211; Miss\u00e3o Verdade\n<\/p><p>\nA opera\u00e7\u00e3o contra a Venezuela do passado fim de semana teve por base a cidade colombiana de C\u00facuta. A cidade paup\u00e9rrima longamente abandonada pela oligarquia tornou-se uma base operacional da guerra econ\u00f4mica: contrabando de bens e de divisas, mecanismos criminosos de sabotagem e ruptura cambial. E o departamento em que se situa tem uma das mais elevadas taxas de assassinatos de l\u00edderes sociais.\n<\/p><p>\n \nC\u00facuta \u00e9 a cidade dos sonhos para as elites neoliberais, e quando o dizemos n\u00e3o exageramos. Aquilo que eles chamam neoliberalismo baseia-se em diluir o Estado para o converter em bilheteira do interesse para-econ\u00f4mico, esse que exerce o poder de fato chamando de \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d o seu modo mais confort\u00e1vel de saquear tudo o que se move. Seja for\u00e7a de trabalho, vida n\u00e3o humana (ou natureza) ou recursos financeiros.\n<\/p><p>\nA cidade do abandono e do isolamento\n<\/p><p>\nNenhum presidente colombiano tinha ido \u00e0 capital do departamento Norte de Santander at\u00e9 que, em agosto de 2015, o ex-presidente Juan Manuel Santos foi o primeiro, obrigado a isso pelo encerramento da fronteira ordenado pelo presidente Nicolas Maduro. N\u00e3o \u00e9 casual que nesta cidade de fronteira os mais graves \u00edndices de exclus\u00e3o da Col\u00f4mbia concorram com o papel de base operacional de uma guerra continuada e multiforme contra um processo que procura a inclus\u00e3o como o venezuelano. Esta competi\u00e7\u00e3o foi imposta pela oligarquia mais cruel da Am\u00e9rica Latina: a colombiana.\n<\/p><p>\nA exclus\u00e3o em C\u00facuta tornou-se mais evidente ap\u00f3s terem fortemente aflorado as contradi\u00e7\u00f5es entre o Comandante Ch\u00e1vez e \u00c1lvaro Uribe Velez. O abandono da popula\u00e7\u00e3o cucute\u00f1a por parte de uma elite hiperacumuladora intensificou-se at\u00e9 se tornar uma das cidades com o maior \u00edndice de desemprego da Col\u00f4mbia, e a realidade desta cidade \u00e9 t\u00e3o inocult\u00e1vel que at\u00e9 mesmo um \u00f3rg\u00e3o como o El Espectador a evidencia.\n<\/p><p>\nCom uma taxa de desemprego que n\u00e3o baixa de 14% desde 2009, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estat\u00edstica (DANE) colombiano, a economia do departamento come\u00e7ou a depender \u00fanica e exclusivamente \u201cda situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\u201d Assim observou a empres\u00e1ria Lina Iscal\u00e1, do Observat\u00f3rio Econ\u00f4mico da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio de C\u00facuta ao jornal La Opinion. Isso evidencia que, antes desse ano e com tr\u00e2nsito terrestre oficial, se vivia em C\u00facuta o mel do cadivismo.\n<\/p><p>\nO DANE registra tamb\u00e9m que C\u00facuta ocupa o primeiro posto nacional no que diz respeito \u00e0 economia informal, com 69,8%, acima da m\u00e9dia nacional (48%) e de cidades com alta densidade populacional como Bogot\u00e1 (41,3%), Medell\u00edn (40,6%) e Manizales (38,5 %).\n<\/p><p>\nCom a crise econ\u00f4mica venezuelana, em grande parte induzida pela sistem\u00e1tica sabotagem, bloqueio e boicote empresarial, tem sido crescente o n\u00famero de pessoas que emigraram para v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos procurando melhorar a sua situa\u00e7\u00e3o. Segundo um sindicato, Caracol atribuiu o crescimento do desemprego em C\u00facuta \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o da Venezuela e n\u00e3o ao problema estrutural que essa cidade vive por causa do contrabando da Venezuela e da precariedade da rede vi\u00e1ria.\n<\/p><p>\nPor outro lado, a Universidade de Pamplona estudou as causas da inseguran\u00e7a alimentar entre 2007 e 2011, e demonstrou como desde ent\u00e3o os baixos rendimentos dos moradores os impediam de ter acesso a alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a repercuss\u00e3o desse fato na nutri\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia, basicamente. Uma em cada cinco crian\u00e7as dali sofre de desnutri\u00e7\u00e3o grave, que pode levar a um atraso no crescimento e aumenta o risco de contrair doen\u00e7as, em especial as infecciosas. N\u00e3o \u00e9 o \u201cefeito Venezuela\u201d que leva a fome ao Norte de Santander, \u00e9 o programa de ensaios neoliberais impulsionado por antichavistas raivosos como Andr\u00e9s Pastrana, Uribe e Santos h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas.\n<\/p><p>\nAs entrevistas com a popula\u00e7\u00e3o cucute\u00f1a mostram a sua \u201cinquieta\u00e7\u00e3o\u201d perante uma guerra entre Venezuela e Col\u00f4mbia, e pareceria que eles n\u00e3o sabem que essa guerra j\u00e1 vem acontecendo h\u00e1 algum tempo e que as baixas transitam nas suas ruas \u00e0 procura de trabalho ou de emigrar para outros pa\u00edses onde a coisa seja \u2018normal\u2019 . Mais ainda, a guerra contra a Venezuela \u00e9 contra eles pr\u00f3prios: em 2015 o departamento Norte de Santander j\u00e1 exportava para a Venezuela cerca de 95% menos do que em 2009.\n<\/p><p>\nCentro operacional da ilegalidade e da guerra contra a Venezuela\n<\/p><p>\nUm dia em C\u00facuta se vive na presen\u00e7a dos ensaios neoliberais contra a estabilidade venezuelana; a deforma\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio instrumentada para destruir o bol\u00edvar, o contrabando de extra\u00e7\u00e3o e de dinheiro, bem como o tr\u00e1fico de gasolina, s\u00e3o usuais e di\u00e1rios.\n<\/p><p>\nA cidade torna-se atraente para a economia delinquente colombiana conduzida por elites que imp\u00f5em estado de s\u00edtio a cada movimento financeiro, tanto dentro dela como no resto do pa\u00eds.\n<\/p><p>\nPara legalizar as casas de c\u00e2mbio que atacam sistematicamente a moeda venezuelana baseiam-se na Resolu\u00e7\u00e3o Externa m\u00ba 8 do Banco da Rep\u00fablica aprovado sob a administra\u00e7\u00e3o Pastrana em 2000, que estabelece no artigo 70\u00ba que: \u201cOs intermedi\u00e1rios poder\u00e3o conveniar opera\u00e7\u00f5es de compra e venda de moeda em esp\u00e9cie para execu\u00e7\u00e3o dentro de tr\u00eas dias \u00fateis imediatamente a seguir e anunciar\u00e3o diariamente as taxas de compra e venda oferecidas ao p\u00fablico para as suas opera\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de uma janela\u201d.\n<\/p><p>\nN\u00e3o existe qualquer instrumento jur\u00eddico que obrigue as casas de c\u00e2mbio cucute\u00f1as a tomarem como refer\u00eancia a taxa oficial do Banco da Rep\u00fablica, contam com licen\u00e7as e autoridades para desvalorizar o bol\u00edvar e promover o contrabando de notas e de produtos.\n<\/p><p>\nO contrabando e a hiperdesvaloriza\u00e7\u00e3o funcionam sinergicamente e est\u00e3o tamb\u00e9m inscritos na vida di\u00e1ria em ambos os lados da fronteira. Daquele lado existem mais de 50 casas de c\u00e2mbio, em muitas das quais se lava dinheiro do narcotr\u00e1fico associado a grupos paramilitares e o peso colombiano \u00e9 indiscriminadamente cotado acima da moeda venezuelana. Tal desequil\u00edbrio monet\u00e1rio induz ao desequil\u00edbrio da taxa de c\u00e2mbio. Esta flutua caprichosamente, embora n\u00e3o seja o mecanismo oficial na Venezuela; as m\u00e1fias decretam a taxa \u201cpelo dinamismo do d\u00f3lar\u201d ou por \u201cacordos que o mercado de c\u00e2mbio estabele\u00e7a\u201d, conforme a quantidade de bol\u00edvares que entre na Col\u00f4mbia.\n<\/p><p>\nAo mesmo tempo, e de forma engrenada com o ataque cambi\u00e1rio, centenas de pessoas atravessam a fronteira para trocar bol\u00edvares em dinheiro e receber uma maior quantia de dinheiro, tendo como principal requisito o de ter uma conta banc\u00e1ria na Venezuela, de prefer\u00eancia no \u201cBanesco Banco Universal\u201d para maiores \u201d benef\u00edcios \u201c. O contrabando de bol\u00edvares acelerou a entrada da moeda venezuelana na Col\u00f4mbia e, portanto, a taxa de c\u00e2mbio diminui. Assim, as pessoas recebem mais bol\u00edvares quando trocam pesos.\n<\/p><p>\nA ilegalidade tomou conta da economia a tal ponto que alguns analistas sugerem que o contrabando e a fraude de c\u00e2mbio mobilizam os d\u00f3lares dez vezes mais do que o interc\u00e2mbio legal. Domina circuitos de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, consumo, rotas mar\u00edtimas de extra\u00e7\u00e3o, terrestre e at\u00e9 mesmo a\u00e9reo criando uma assimetria que se comporta como um v\u00f3rtice que devora todos os produtos fabricados ou importados pela Venezuela e os coloca para fora das suas fronteiras atrav\u00e9s de redes multiformes.\n<\/p><p>\nAlgumas a\u00e7\u00f5es do governo venezuelano t\u00eam procurado diminuir o efeito dessa agress\u00e3o; no entanto, o inimigo muda e procura reagir face a novos cen\u00e1rios, o que torna tudo mais complexo a cada vez.\n<\/p><p>\nCampo de experimenta\u00e7\u00e3o de zumbifica\u00e7\u00e3o neoliberal\n<\/p><p>\nUma cidade onde impor o caos ao pa\u00eds vizinho \u00e9 a raz\u00e3o de ser da economia \u00e9 o modelo que a elite olig\u00e1rquica colombiana vende, \u00e9 onde eles desembarcaram l\u00edderes do Grupo de Lima para ativar as suas baterias midi\u00e1ticas de cerco e descr\u00e9dito contra a Venezuela.\n<\/p><p>\nDa\u00ed induzem outra fase desta guerra j\u00e1 longa e desgastante, que tamb\u00e9m tem um teatro de opera\u00e7\u00f5es local: Norte de Santander \u00e9 um dos departamentos com alta taxa de assassinatos de l\u00edderes sociais: at\u00e9 dezembro de 2018 registraram-se 23 assassinatos de ativistas comunit\u00e1rios .\n<\/p><p>\nO governo colombiano insiste em que o seu interesse em resolver os problemas da Venezuela tem a ver com que assim a Col\u00f4mbia estar\u00e1 melhor. Como de costume n\u00e3o especifica muito sobre este tema, porque tanto Uribe como Santos tiveram a oportunidade de integrar C\u00facuta ao resto do pa\u00eds e preferiram transform\u00e1-la num campo experimental de guerra e neoliberalismo, valha a redund\u00e2ncia.\n<\/p><p>\nFonte: http:\/\/www.granma.cu\/mundo\/2019-02-28\/cucuta-un-campo-de-concentracion-neoliberal-28-02-2019-14-02-49\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22465\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[34],"tags":[234],"class_list":["post-22465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ql","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22465"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22465\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}