{"id":22504,"date":"2019-03-08T00:52:22","date_gmt":"2019-03-08T03:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22504"},"modified":"2019-03-08T00:52:24","modified_gmt":"2019-03-08T03:52:24","slug":"8-de-marco-dia-da-mulher-trabalhadora-e-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22504","title":{"rendered":"8 de mar\u00e7o: dia da mulher trabalhadora e revolucion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/REVOLUCIO%CC%81N-LUCHA-CONTRA-PATRIARCADO-MUJER-TRABAJADORA-512x400.jpg\"\/><!--more-->Por Cecilia Zamudio, Resumen Latinoamericano\n<\/p><p>\nNo dia 8 de mar\u00e7o se comemora a luta da mulher trabalhadora, revolucion\u00e1ria. A comunista Clara Zetkin prop\u00f4s a comemora\u00e7\u00e3o na Confer\u00eancia das Mulheres Socialistas de 1910, para honrar a luta das mulheres contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista. \u00c9 lembrado o assassinato, pelas m\u00e3os da grande capital, de 129 trabalhadoras queimadas vivas em uma f\u00e1brica cujos donos haviam fechado as portas (nos EUA). Comemora-se a luta pela justi\u00e7a social, a luta contra o patriarcado e o capitalismo, cujos mecanismos se articulam perfeitamente.\n<\/p><p>\nO dia 8 de mar\u00e7o foi escolhido como data eminentemente revolucion\u00e1ria pelos acontecimentos de 8 de Mar\u00e7o de 1917 na R\u00fassia czarista: milhares de mulheres foram \u00e0s ruas exigindo seus direitos, contra a explora\u00e7\u00e3o e a guerra que a burguesia impunha ao povo. Elas foram grandemente respons\u00e1veis por desatar a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Com a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista, as mulheres conquistaram direitos econ\u00f4micos, sociais, sexuais e reprodutivos: o direito de voto para todas as mulheres (e n\u00e3o apenas para os propriet\u00e1rios, como na Gr\u00e3-Bretanha), direito ao div\u00f3rcio, ao aborto, direitos plenos ao estudar e ao trabalho, \u00e0 moradia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, etc. Todos esses direitos ainda s\u00e3o motivo de muita luta na grande maioria dos pa\u00edses capitalistas.\n<\/p><p>\nAs mulheres somos a parte mais atacada da classe explorada. Somos v\u00edtimas das guerras imperialistas, dos saques capitalistas que empobrecem regi\u00f5es e pa\u00edses inteiros, das privatiza\u00e7\u00f5es e precariza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m somos v\u00edtimas do machismo promovido incessantemente pela m\u00eddia e por toda a ind\u00fastria cultural do capitalismo. Porque o capitalismo se sustenta fragmentando e dividindo a classe explorada: por essa raz\u00e3o, a ind\u00fastria cultural do capitalismo constantemente dissemina paradigmas de discrimina\u00e7\u00e3o como o machismo e o racismo.\n<\/p><p>\nSomos as trabalhadoras exploradas, estudantes, artistas, desempregadas e aposentadas que estamos sendo privadas de uma vida decente, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo de alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0 sa\u00fade, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, etc. Somos privadas de condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho e remunera\u00e7\u00e3o pelos capitalistas que extraem a mais-valia do nosso trabalho. Somos m\u00e3es cujo trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o \u00e9 reconhecido; vivemos em situa\u00e7\u00e3o extremamente prec\u00e1ria, sem pens\u00e3o.\n<\/p><p>\nSomos as mulheres migrantes for\u00e7adas a padecer as piores explora\u00e7\u00f5es: nas f\u00e1bricas maquiladoras; nas fazendas do agroneg\u00f3cio, sendo borrifadas de veneno; na prostitui\u00e7\u00e3o, condenadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ou a ser coisificadas e saqueadas como &#8220;barrigas de aluguel&#8221;. N\u00f3s somos as meninas estupradas e for\u00e7adas a dar \u00e0 luz. Somos designadas pelo sistema a ser o alvo das frustra\u00e7\u00f5es aberrantes que o capitalismo provoca e da misoginia que promove. Por isso cresce de forma galopante o feminic\u00eddio: porque a m\u00eddia banaliza a tortura e toda a discrimina\u00e7\u00e3o alienante funcional ao capitalismo, porque a viol\u00eancia exercida de forma estrutural arrasta seu \u00f3dio contra n\u00f3s. Somos v\u00edtimas do capitalismo e de sua barb\u00e1rie, v\u00edtimas do machismo que o pr\u00f3prio capital promove, mas tamb\u00e9m somos lutadoras e mulheres revolucion\u00e1rias.\n<\/p><p>\nO 8 de Mar\u00e7o n\u00e3o \u00e9 o dia das princesas, nem das mulheres exploradoras. As mulheres exploradas, as Christine Lagarde, as Thatcher, Hillary Clinton e outras &#8230; as que lucram devastando florestas, oprimindo popula\u00e7\u00f5es, escravizando nas f\u00e1bricas milhares de trabalhadoras; as que lucram tamb\u00e9m ao incentivar o machismo atrav\u00e9s de seus meios de aliena\u00e7\u00e3o em massa, estas fazem parte da classe exploradora, tal qual os homens da classe capitalista.\n<\/p><p>\nO verdadeiro feminismo \u00e9 revolucion\u00e1rio, \u00e9 luta contra a classe exploradora e seu sistema capitalista: contra este sistema que promove incessantemente paradigmas de opress\u00e3o e submiss\u00e3o, como o machismo e o racismo. Ao capital interessa nos manter atadas \u00e0 divis\u00e3o sexual do trabalho, ao trabalho n\u00e3o remunerado, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o salarial por sermos mulheres. Ao capital interessa manter uma classe explorada pulverizada e golpeada, impedida de se unir por causa do machismo, do racismo, do individualismo, do medo e demais aliena\u00e7\u00f5es que a classe exploradora se encarrega de cultivar. \n<\/p><p>\nFrente a uma realidade t\u00e3o brutal, o reformismo, sempre atuando para evitar questionamentos profundos, pretende encapsular nossa luta e superficializ\u00e1-la, ocultando seu car\u00e1ter de classe e deixando de tornar \u00f3bvia a funcionalidade que o machismo tem para o capitalismo. O reformismo procura esconder que nada vai mudar na cultura profundamente machista que prevalece no mundo se n\u00e3o tomarmos os meios de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, os meios de difus\u00e3o das ideias e a educa\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nOs cavalos de Tr\u00f3ia da burguesia tentam fazer acreditar que as mulheres exploradoras s\u00e3o nossas irm\u00e3s, quando elas tamb\u00e9m participam do processo para perpetuar este sistema que devora natureza, explora os seres humanos (a classe trabalhadora) e perpetua o machismo, o racismo, o individualismo, comportamentos e discrimina\u00e7\u00f5es fundamentais para manter este sistema putrefato.\n<\/p><p>\nAs mulheres revolucion\u00e1rias sabemos que a sociedade de classes \u00e9 perpetuada sobre a viol\u00eancia: a viol\u00eancia exercida pela classe exploradora (que det\u00e9m os meios de produ\u00e7\u00e3o) contra a maioria explorada e precarizada. Sabemos tamb\u00e9m o contrapeso que significa o machismo para a unidade da classe explorada. Tamb\u00e9m estamos lutando por um feminismo revolucion\u00e1rio, que se oponha ao uso infame que o sistema est\u00e1 tentando fazer da luta feminista, com seus cavalos de Tr\u00f3ia abomin\u00e1veis e o seu discurso da &#8220;sororidade interclassista&#8221; (como se fosse poss\u00edvel existir uma &#8220;irmandade&#8221; em um sistema capitalista explorador, com proxenetas ou defensoras do complexo militar-industrial, pelo simples fato de serem mulheres!).\n<\/p><p>\nLutamos contra toda forma de explora\u00e7\u00e3o, e nossa luta contra a opress\u00e3o da mulher trabalhadora \u00e9 uma luta antecipada de todos os dias contra o machismo, combatendo a raiz que sustenta as desigualdades sociais: lutamos contra um sistema que fomenta a opress\u00e3o das mulheres porque precisa disso como um mecanismo de domina\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o da classe explorada; lutamos contra um sistema que encoraja a viol\u00eancia machista como forma de controle social, como uma v\u00e1lvula de escape das frustra\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio sistema cria.\n<\/p><p>\nO feminic\u00eddio faz parte da barb\u00e1rie de um sistema econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural, o capitalista, violento em ess\u00eancia e perverso em sua l\u00f3gica. Um sistema baseado na explora\u00e7\u00e3o das trabalhadoras e trabalhadores e na pilhagem da natureza \u00e9 um sistema que precisa banalizar a explora\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a social e a tortura. A luta pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres e a luta contra o capitalismo s\u00e3o insepar\u00e1veis. Por um feminismo revolucion\u00e1rio, que n\u00e3o seja uma foto de capa de revista, mas sim uma luta di\u00e1ria, uma luta contra toda a forma de explora\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nBlog de la autora: www.cecilia-zamudio.blogspot.com\n<\/p><p>\nTradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)\n<\/p><p>\nFonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/03\/06\/de-marzo-dia-de-la-mujer-trabajadora-y-revolucionaria-no-es-dia-de-reinas-y-explotadoras\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22504\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[228],"class_list":["post-22504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5QY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22504\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}