{"id":22520,"date":"2019-03-09T20:08:03","date_gmt":"2019-03-09T23:08:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22520"},"modified":"2019-03-09T20:13:55","modified_gmt":"2019-03-09T23:13:55","slug":"cuba-luta-das-mulheres-e-um-dos-pilares-da-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22520","title":{"rendered":"Cuba: luta das mulheres \u00e9 um dos pilares da Revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jovencuba.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/mujer_cubana.jpg?fit=550%2C375&#038;ssl=1\"\/><!--more-->BRASIL DE FATO\n<\/p><p>\n\u201cAs mulheres, antes do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas analfabetas&#8221;, conta Elp\u00eddia Moreno\nMayara Paix\u00e3o &#8211; Havana (Cuba) \n<\/p><p>\nAntes mesmo de pisar em solo cubano pela primeira vez, vem \u00e0 mente a lembran\u00e7a da luta das mulheres dessa pequena ilha caribenha. Vilma Esp\u00edn, Celia Sanch\u00e9z e Hayd\u00e9e Santamar\u00eda s\u00e3o algumas das combatentes que lutaram pela revolu\u00e7\u00e3o socialista, iniciada em 1959.\n<\/p><p>\nElas, e tantas outras, protagonistas da luta armada e das transforma\u00e7\u00f5es educacionais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas que permitiram Cuba ser refer\u00eancia para a Am\u00e9rica Latina e o mundo.\n<\/p><p>\nVivenciar o pa\u00eds, caminhar pelas ruas de Havana e outras cidades, conversar com o povo trazem uma convic\u00e7\u00e3o. Nesses 60 anos, a organiza\u00e7\u00e3o e a luta das mulheres cubanas \u00e9 um dos pilares de resist\u00eancia e continuidade da revolu\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nAtualmente, Cuba \u00e9 a segunda na\u00e7\u00e3o do mundo com maior n\u00famero de mulheres no parlamento. Dos 605 representantes na Assembleia Nacional do Poder Popular, 322 s\u00e3o mulheres \u2013 um total de 53,22%. De acordo com dados oficiais de 2016, elas representam 65,6% dos quadros profissionais e t\u00e9cnicos, sendo a maioria na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade e nas \u00e1reas de desenvolvimento tecnol\u00f3gico.\n<\/p><p>\nA marca das cubanas na constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds leva aos questionamentos: como se organizam as mulheres ao longo destas seis d\u00e9cadas socialistas? Quais os desafios que ainda enfrentam?\n<\/p><p>\n<\/p><p>\nPara entender o cen\u00e1rio, fomos at\u00e9 uma das principais organiza\u00e7\u00f5es populares fundadas em meio ao processo revolucion\u00e1rio: a Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Cubanas (FMC). Foi em uma manh\u00e3 de sexta-feira, no bairro de Vedado, na capital Havana, que Elp\u00eddia Moreno Hern\u00e1ndez recebeu a reportagem do Brasil de Fato, na sede nacional da institui\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nLeia tamb\u00e9m:\n<\/p><p>\n60 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: C\u00e9lia, a mulher por tr\u00e1s do triunfo da guerrilha de Fidel\n<\/p><p>\nMulher, negra, aos 61 anos, sua presen\u00e7a potente se iguala \u00e0 gentileza com que nos recebe para uma conversa. Al\u00e9m de fazer parte da FMC, ela tamb\u00e9m coordena a Marcha Mundial das Mulheres em Cuba.\n<\/p><p>\nE pelo papel na constru\u00e7\u00e3o de articula\u00e7\u00f5es internacionais, Moreno atrasa alguns minutos para a entrevista. Ela estava em contato com militantes do Chile, nos preparativos para o 8 de mar\u00e7o, Dia Internacional de Luta das Mulheres.\n<\/p><p>\nSurge a representa\u00e7\u00e3o das cubanas\n\u201cA partir do ano de 1959, quando triunfa a revolu\u00e7\u00e3o, muda a situa\u00e7\u00e3o de Cuba, e muda a situa\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d, afirma Moreno logo no in\u00edcio da conversa.\n<\/p><p>\nEssa mudan\u00e7a \u00e9 fruto da massiva participa\u00e7\u00e3o das mulheres na luta contra o ditador Fulgencio Batista. Elas participaram dos combates que assaltaram o quartel Moncada, integraram a dire\u00e7\u00e3o nacional do Movimento Revolucion\u00e1rio 26 de Julho e o Ex\u00e9rcito Rebelde na Sierra Maestra.\n<\/p><p>\nCom a ativa atua\u00e7\u00e3o, logo surge a necessidade de unificar a milit\u00e2ncia pol\u00edtica feminina. Em 23 de agosto de 1960, em um ato apresentado pelo ent\u00e3o primeiro-ministro Fidel Castro, nasce a Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Cubanas. A miss\u00e3o de presidi-la \u00e9 dada a Vilma Esp\u00edn, uma das principais dirigentes do Movimento 26 de Julho.\n<\/p><p>\n\u00c0 nova organiza\u00e7\u00e3o se juntam a Coluna Feminina Agr\u00e1ria, as Brigadas Femininas Revolucion\u00e1rias, as se\u00e7\u00f5es femininas do 26 de Julho e dos sindicatos. A FMC passaria a ser a entidade que, at\u00e9 hoje, organiza a totalidade das cubanas.\n<\/p><p>\n\u201cAs mulheres, antes do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas mulheres analfabetas. O triunfo da revolu\u00e7\u00e3o nos deu direitos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gratuita\u201d, relata Moreno.\n<\/p><p>\nMudan\u00e7as estruturais\nO nascimento da FMC possibilitou maior organiza\u00e7\u00e3o das cubanas para participar da vida econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social do pa\u00eds. \u201cAs mulheres, em conjunto com os processos e programas da revolu\u00e7\u00e3o que v\u00e3o surgindo, participam da campanha de alfabetiza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 como alfabetizadas, mas tamb\u00e9m como alfabetizadoras\u201d, relembra a dirigente.\n<\/p><p>\nEsse processo majoritariamente constru\u00eddo pelas mulheres levou com que, em 22 de dezembro de 1961, em um grande ato na Pra\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o, Fidel Castro declarasse Cuba um Territ\u00f3rio Livre de Analfabetismo.\n<\/p><p>\nA Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o era constru\u00edda por meio de brigadas de educadores e educadoras, que eram enviadas aos rinc\u00f5es do pa\u00eds e chegaram a 707 mil cubanos e 25 mil haitianos, principalmente na parte oriental e mais carente da ilha.\n<\/p><p>\n\u00c0 nova organiza\u00e7\u00e3o se juntam a Coluna Feminina Agr\u00e1ria, as Brigadas Femininas Revolucion\u00e1rias, as se\u00e7\u00f5es femininas do 26 de Julho e dos sindicatos. A FMC passaria a ser a entidade que, at\u00e9 hoje, organiza a totalidade das cubanas.\n<\/p><p>\n\u201cAs mulheres, antes do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham emprego, tinham que se prostituir para poder viver, e havia muitas mulheres analfabetas. O triunfo da revolu\u00e7\u00e3o nos deu direitos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gratuita\u201d, relata Moreno.\n<\/p><p>\nMudan\u00e7as estruturais\nO nascimento da FMC possibilitou maior organiza\u00e7\u00e3o das cubanas para participar da vida econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social do pa\u00eds. \u201cAs mulheres, em conjunto com os processos e programas da revolu\u00e7\u00e3o que v\u00e3o surgindo, participam da campanha de alfabetiza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 como alfabetizadas, mas tamb\u00e9m como alfabetizadoras\u201d, relembra a dirigente.\n<\/p><p>\nEsse processo majoritariamente constru\u00eddo pelas mulheres levou com que, em 22 de dezembro de 1961, em um grande ato na Pra\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o, Fidel Castro declarasse Cuba um Territ\u00f3rio Livre de Analfabetismo.\n<\/p><p>\nA Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o era constru\u00edda por meio de brigadas de educadores e educadoras, que eram enviadas aos rinc\u00f5es do pa\u00eds e chegaram a 707 mil cubanos e 25 mil haitianos, principalmente na parte oriental e mais carente da ilha.\n<\/p><p>\nPensando nas mulheres trabalhadoras, surgem, em 1962, os C\u00edrculos Infantis. \u201cInstitui\u00e7\u00f5es onde v\u00e3o os meninos e as meninas por todo o dia para que as m\u00e3es possam trabalhar. Isso foi fundamental para que as mulheres sa\u00edssem de suas casas e se empoderassem. Tiveram um sal\u00e1rio e tamb\u00e9m puderam se vincular com todas as tarefas sociais\u201d, explica Moreno.\n<\/p><p>\nOutro projeto da FMC \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da mulher, como na preven\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de mama, tipo da doen\u00e7a que mais mata mulheres no mundo. Em conjunto com a pasta de Sa\u00fade do governo, a Federa\u00e7\u00e3o desenvolve programas de preven\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer mam\u00e1rio e intrauterino.\n<\/p><p>\n\u201cSabemos que \u00e0s vezes n\u00f3s, mulheres, nos cuidamos menos para cuidar mais da fam\u00edlia. Mas temos um trabalho nas comunidades, com os m\u00e9dicos da fam\u00edlia, vinculado \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres Cubanas nas bases, para que as mulheres aprendam a fazer o autoexame de mama\u201d, explica Moreno.\n<\/p><p>\nBloqueio econ\u00f4mico\nSeis d\u00e9cadas ap\u00f3s o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o, um dos principais desafios enfrentados pelo pa\u00eds, e consequentemente pelas mulheres, \u00e9 o bloqueio econ\u00f4mico decretado pelos Estados Unidos em fevereiro de 1962.\n<\/p><p>\nA proibi\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o de produtos fabricados ou com mat\u00e9ria-prima cubana, al\u00e9m do bloqueio naval, causa preju\u00edzos que tentam ser driblados pelo governo \u2013 como na ind\u00fastria farmac\u00eautica, levando a dificuldades para se obter medicamentos.\n<\/p><p>\n\u201cO governo dos EUA nos impede de comprar muitas coisas e, \u00e0s vezes, temos que recorrer a quil\u00f4metros para obter um medicamento para uma pessoa doente, como um menino ou uma menina com c\u00e2ncer\u201d, explica Moreno.\n<\/p><p>\nApesar disso, a dirigente da FMC ressalta que as mulheres cubanas seguem enfrentando as dificuldades, tendo como fonte de inspira\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de suas antepassadas.\n<\/p><p>\n\u201cNos afeta muito, mas, frente a esse bloqueio, n\u00f3s, mulheres, engrandecemos. Enfrentamos [o bloqueio] porque somos da estirpe de Mariana Grajales, de C\u00e9lia Sanch\u00e9z, de Vilma Esp\u00edn, e n\u00e3o vamos parar. Nossos princ\u00edpios s\u00e3o revolucion\u00e1rios, seguimos abra\u00e7ando a bandeira do socialismo, da revolu\u00e7\u00e3o cubana, e nada vai nos deter.\u201d\n<\/p><p>\nSolidariedade latino americana\nA solidariedade e o internacionalismo. S\u00e3o esses alguns dos valores fundamentais na Cuba socialista, e que seu governo e seu povo pretendem levar adiante, a outros povos. De acordo com Elp\u00eddia Moreno, 62% da m\u00e3o de obra profissional cubana enviada a outros pa\u00edses \u2013 como m\u00e9dicos e professores \u2013 \u00e9 composta por mulheres.\n<\/p><p>\nO Brasil \u00e9 um dos casos em que esse compromisso chegou. Foram milhares os profissionais cubanos que aportaram a essas terras em parcerias entre pa\u00edses, como no caso do Mais M\u00e9dicos. Compromisso esse que s\u00f3 findou ap\u00f3s ataques \u00e0 ilha vindos do atual mandat\u00e1rio brasileiro \u2013 que vem atacando todo e qualquer projeto de soberania dos povos.\n<\/p><p>\nE em um cen\u00e1rio de adversidades para a maioria dos povos latino-americanos, chega um recado de for\u00e7a das mulheres cubanas, vocalizado por uma de suas grandes representantes.\n<\/p><p>\nNo m\u00eas que simboliza a luta das mulheres pelo mundo, a combatente cubana Elp\u00eddia Moreno nos deixa uma mensagem: \u201cSomos anticapitalistas, anti-imperialistas e, portanto, qualquer pa\u00eds e organiza\u00e7\u00e3o de mulheres sempre vai contar com a solidariedade das mulheres cubanas.\u201d\n<\/p><p>\nDa longa conversa com essa forte cubana, a sensa\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 que \u201cningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m\u201d em toda a Am\u00e9rica Latina.\n<\/p><p>\n(Informa\u00e7\u00f5es do texto tamb\u00e9m foram retiradas da obra \u201cVilma Esp\u00edn: La flor universal de la Revoluci\u00f3n Cubana\u201d, de L\u00edgia Trujillo Aldama, 2010.)\n<\/p><p>\nEdi\u00e7\u00e3o: Vivian Fernandes | Fotos: Mayara Paix\u00e3o (entrevistada), Arquivo CubaDebate (Hist\u00f3ricas)\n<\/p><p>\nhttps:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/03\/07\/marco-das-mulheres-or-a-luta-das-mulheres-cubanas-em-60-anos-de-revolucao\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22520\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[47],"tags":[227],"class_list":["post-22520","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Re","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22520\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}