{"id":22523,"date":"2019-03-09T20:11:21","date_gmt":"2019-03-09T23:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22523"},"modified":"2019-03-09T20:14:03","modified_gmt":"2019-03-09T23:14:03","slug":"carnaval-e-e-sempre-sera-instrumento-de-subversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22523","title":{"rendered":"Carnaval \u00e9 e sempre ser\u00e1 instrumento de subvers\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.brasil247.com\/images\/cache\/1000x357\/crop\/images%7Ccms-image-000579374.jpg\"\/><!--more-->Di\u00e1logos do Sul\n<\/p><p>\nMaura Silva\n<\/p><p>\nS\u00e3o Paulo (SP)\n<\/p><p>\nEm entrevista, Luiz Ant\u00f4nio Simas ressalta que &#8220;quem diz que o carnaval \u00e9 um momento de aliena\u00e7\u00e3o devia estudar melhor a hist\u00f3ria da festa&#8221;\n<\/p><p>\nA folia tomou as ruas de Norte a Sul do pa\u00eds. Nos blocos, passarelas e avenidas, as marchinhas e samba-enredos embalaram a maior festa brasileira. O Carnaval cr\u00edtico e sat\u00edrico nos mostrou a cara do Brasil do golpe, do retrocesso e tamb\u00e9m da injusti\u00e7a e da resist\u00eancia, que segundo o historiador, escritor e pesquisador Luiz Ant\u00f4nio Simas \u00e9 pilar de nossa hist\u00f3ria.\n<\/p><p>\nEm entrevista, o autor de 16 livros sobre a cultura popular, entre eles o recente Almanaque Brasilidades e o ganhador do Pr\u00eamio Jabuti: &#8220;A Hist\u00f3ria Social do Samba\u201d, fala sobre a maior festa popular do planeta.\n<\/p><p>\nLeia a \u00edntegra da entrevista:\n<\/p><p>\nMaura Silva: N\u00f3s sabemos que o carnaval tem origem popular, mas, com o passar do tempo, a festa foi ficando cada vez mais mercantilizada (vide grandes desfiles e patroc\u00ednios). Na sua opini\u00e3o, ainda \u00e9 poss\u00edvel encontrar a cara do povo no carnaval?\n<\/p><p>\nLuiz Antonio Simas: Eu costumo dizer uma coisa que eu acho que \u00e9 chave para que possamos entender o carnaval que, ao contr\u00e1rio do que a gente imagina, \u00e9 uma festa com uma tradi\u00e7\u00e3o muito politizada na hist\u00f3ria brasileira. Ent\u00e3o, voc\u00ea pega, por exemplo, os carnavais do s\u00e9culo 19, eram festas que problematizavam a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e a disputa pela terra. Ainda no s\u00e9culo 19 t\u00ednhamos tamb\u00e9m o entrudo \u2014  uma festa extremamente popular de origem portuguesa \u2014  e, ao mesmo tempo, t\u00ednhamos o carnaval mais elitista, dos sal\u00f5es, as festas das grandes sociedades. A rigor,  o carnaval \u00e9 uma festa disputada. Ele pode ser mais elitista ou mais popular. Particularmente, eu n\u00e3o acho que  seja uma coisa ou outra. Ele \u00e9 tensionado, existe uma disputa pelo carnaval, sempre foi assim.\n<\/p><p>\nNo ano passado a escola de samba Para\u00edso do Tuiuti, no Rio de Janeiro, trouxe um enredo marcado por cr\u00edticas sociais e governamentais. Esse ano a Mangueira foi campe\u00e3 com uma homenagem \u00e0 vereadora Marielle Franco, isso significa uma mudan\u00e7a do olhar social das escolas de samba?\n<\/p><p>\nQuando a gente fala de carnaval de escola de samba \u00e9 importante entender o seguinte: a escola de samba n\u00e3o \u00e9 exatamente uma institui\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia convencional como a gente imagina que seja uma institui\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia. Desde suas origens, na d\u00e9cada de 1930, as escolas negociam com o Estado, com a contraven\u00e7\u00e3o, com o turismo, com a m\u00eddia, com o mercado. As agremia\u00e7\u00f5es alteram momentos de resist\u00eancia, momentos de negocia\u00e7\u00e3o e de ades\u00e3o.\n<\/p><p>\nPolitizou o governo Floriano Peixoto (1839-1895), o governo Hermes da Fonseca (1910-1914), satirizou poderosos, t\u00eam enredos que foram adesistas ao Estado Novo de Get\u00falio Vargas e \u00e0 ditadura militar. Ao mesmo tempo, voc\u00ea tem enredos cr\u00edticos a todo esse processo. Ent\u00e3o, o que acontece em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas de samba \u00e9 que a crise que atingiu os barrac\u00f5es nos \u00faltimos anos foi terr\u00edvel, mas, ao mesmo tempo, foi positiva no seguinte sentido: as escolas de samba vinham aderindo a enredos muito marcados pela for\u00e7a do mercado porque voc\u00ea tinha uma marca que patrocinava a escola que, por sua vez, aceitava o dinheiro, mas o que aconteceu? Isso come\u00e7ou a mudar porque esse dinheiro sumiu e quando esse dinheiro some, as  escolas de samba precisam mudar e a\u00ed vem, por exemplo, carnavalescos como Leandro, da Mangueira, Jacques Vasconcelos, da Para\u00edso do Tuiuti, que s\u00e3o pessoas com uma pegada mais progressista, mais de esquerda, e prop\u00f5em enredo com cunho social mais efetivo.\n<\/p><p>\nAl\u00e9m disso, hoje n\u00f3s podemos ver um avan\u00e7o muito significativo nas pautas comportamentais, que foram respondidas com um discurso de retrocesso. Os festejos de Rio, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte t\u00eam apresentado uma grande novidade, que \u00e9 o protagonismo da mulher brincando o Carnaval. Em 2019, as pautas do campo comportamental, que envolvem  toler\u00e2ncia contra o obscurantismo, t\u00eam sido uma marca muito efetiva.\n<\/p><p>\nO atual governo e sua composi\u00e7\u00e3o parece querer acabar com o carnaval e com quaisquer manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Como lidar com mais esse golpe?\n<\/p><p>\nO carnaval satiriza, lida com a galhofa, com o simulacro, ent\u00e3o eu acho que quem diz que o carnaval \u00e9 um momento de aliena\u00e7\u00e3o devia estudar melhor a hist\u00f3ria da festa porque essa sempre foi uma festa que esteve relacionada \u00e0 pol\u00edtica seja como ades\u00e3o ou como resist\u00eancia. \n<\/p><p>\nEnt\u00e3o, voc\u00ea tem um momento como esse em que temos governos reacion\u00e1rios, o Rio de Janeiro tem que lidar como uma prefeitura neopentecostal da igreja Universal do Reino de Deus que demoniza o carnaval. O governo federal rec\u00e9m-eleito \u00e9 um governo que demonstra claramente que n\u00e3o tem a menor aptid\u00e3o para gostar do carnaval, da festa, e \u00e9 por isso mesmo que ele tem que ser criticado. De certa forma, os carnavais em momentos de crise s\u00e3o mais potentes porque a festa \u00e9 um instrumento de subvers\u00e3o, \u00e9 um exerc\u00edcio de cidadania por canais que n\u00e3o s\u00e3o formais, \u00e9 cultura de fresta. Diante disso, me parece que politizar o carnaval, foi, \u00e9 e vai continuar sendo fundamental na hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds.\n<\/p><p>\nhttps:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/cultura\/55175\/carnaval-e-e-sempre-sera-instrumento-de-subversao-a-cultura-de-fresta-diz-historiador\n<\/p><p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22523\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[225],"class_list":["post-22523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Rh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}