{"id":22527,"date":"2019-03-09T21:03:40","date_gmt":"2019-03-10T00:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22527"},"modified":"2019-03-09T21:03:47","modified_gmt":"2019-03-10T00:03:47","slug":"economia-no-brasil-o-insistente-ramerrao-dos-mediocres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22527","title":{"rendered":"Economia no Brasil: o insistente ramerr\u00e3o dos med\u00edocres"},"content":{"rendered":"\n<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/190308-Cegos.jpg?w=747&#038;ssl=1\"\/><!--more-->Paulo Kliass &#8211; Outras Palavras\n<\/p><p>\nImagem: Pieter Bruegel, A par\u00e1bola dos cegos (1568), detalhe\n<\/p><p>\nDesde Dilma II, governos ouvem a \u201csensatez\u201d dos mercados, adotam pol\u00edticas convencionais e\u2026 mant\u00eam pa\u00eds chafurdando. N\u00fameros da economia em 2018 exp\u00f5em a farsa, mas sociedade segue pasma.\n<\/p><p>\nAlguns dias antes do in\u00edcio do Carnaval, o IBGE divulgou o resultado oficial das Contas Nacionais para 2018. Como era de se esperar, os n\u00fameros vieram a confirmar aquilo que j\u00e1 se anunciava como o fracasso da pol\u00edtica econ\u00f4mica implementada desde o in\u00edcio do austeric\u00eddio em 2015.\n<\/p><p>\nE aqui n\u00e3o custa nada fazer um pouco de recupera\u00e7\u00e3o de nossa Hist\u00f3ria recente. Dilma havia sido reeleita em outubro de 2014, depois de um apertado embate com A\u00e9cio Neves no segundo turno. Um dos temas mais debatidos na campanha havia sido justamente o legado dos 3 mandatos a partir de 2003. Ocorre que depois de anunciada a vit\u00f3ria, ela se deixou levar pelo discurso ortodoxo e monetarista do financismo a respeito da suposta necessidade de uma conduta mais rigorosa na quest\u00e3o fiscal.\n<\/p><p>\nAssim, acuada pela press\u00e3o do establishment, ela decide convocar para chefiar sua equipe econ\u00f4mica ningu\u00e9m menos do que Joaquim Levy, um leg\u00edtimo representante do sistema financeiro e adepto de um choque abrupto na economia. A ideia maluca de estra\u00e7alhar a demanda para conter riscos inflacion\u00e1rios. Uma dentre as in\u00fameras consequ\u00eancias negativas desse vergonhoso estelionato eleitoral foi o resultado do desempenho econ\u00f4mico a partir daquele per\u00edodo. O Brasil afundou na maior recess\u00e3o jamais experimentada em nossas terras: quedas sucessivas do PIB de -3,8% em 2015 e de -3,6% em 2016.\n<\/p><p>\nA insist\u00eancia obtusa em seguir o manual obsoleto do conservadorismo (j\u00e1 ultrapassado nos pr\u00f3prios centros do capitalismo internacional, diga-se de passagem) na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica tem impedido nosso Pa\u00eds de sair dessa armadilha do \u201cequil\u00edbrio fiscal a qualquer pre\u00e7o\u201d. N\u00e3o bastassem o aprofundamento gritante da crise social e a liquida\u00e7\u00e3o da capacidade do setor p\u00fablico em oferecer servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros do PIB tamb\u00e9m s\u00e3o desoladores.\n<\/p><p>\n2018: mais do mesmo\n<\/p><p>\nOs art\u00edfices do golpeachment sem a menor base jur\u00eddica e os defensores da solu\u00e7\u00e3o Temer, Meirelles &#038; Goldfajn juravam de p\u00e9s juntos que bastava tirar a Dilma para que o Brasil adentrasse as portas do para\u00edso. Pois a economia permaneceu praticamente estagnada desde ent\u00e3o. Ao longo de 2017 o PIB cresceu apenas 1,0%. Tendo em vista o crescimento da popula\u00e7\u00e3o ao longo dos 12 meses, o PIB per capita registrou a rid\u00edcula marca de 0,2% de avan\u00e7o. Um quase nada.\n<\/p><p>\nPois agora ficamos sabendo oficialmente que o desempenho no ano passado foi similar. O PIB cresceu 1,1%, com um crescimento per capita de 0,3%. No jarg\u00e3o do financ\u00eas, estamos andando de lado. E a tend\u00eancia \u00e9 repetir algo muito semelhante para os 10 meses que faltam para completar 2019. Na verdade, a economia s\u00f3 voltar\u00e1 acrescer a ritmo mais robusto caso haja mudan\u00e7a expressiva no que se refere \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o oferecida pelas autoridades governamentais para os respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica.\n<\/p><p>\nPor mais que os representantes do sistema financeiro tenham apoiado de forma enf\u00e1tica a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro em outubro passado, isso n\u00e3o significa que o empresariado e o grande capital voltem imediatamente a promover investimentos, como ocorreu durante os governos Lula. Vale lembrar que entre 2003 e 2010, por exemplo, o PIB cresceu a uma taxa m\u00e9dia superior a 4% ao ano. \n<\/p><p>\nA conhecida admira\u00e7\u00e3o por Paulo Guedes como algu\u00e9m que pode representar de forma mais adequada os desejos mais aut\u00eanticos e profundos do \u201cinstinto selvagem\u201d do empreendedor n\u00e3o resolve tudo. Afinal, o capital se move por interesses bem concretos em busca de retornos econ\u00f4micos e n\u00e3o apenas por mera identifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. E at\u00e9 o mais inseguro dos alunos de gradua\u00e7\u00e3o em economia sabe que n\u00e3o existe perspectiva de aumento da demanda em vista, at\u00e9 o momento, que venha a justificar uma enxurrada de novos investimentos.\n<\/p><p>\nO desemprego em torno de 12% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa \u00e9 elevad\u00edssimo e h\u00e1 mais de 27 milh\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es de sub utiliza\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho. Esse quadro d\u00e1 a dimens\u00e3o da dificuldade em se promover o aumento do consumo. N\u00e3o bastasse isso, os juros continuam nas alturas e a capacidade de endividamento de empresas e fam\u00edlias \u00e9 bastante limitada. As despesas e as compras governamentais tamb\u00e9m est\u00e3o reduzidas pela vis\u00e3o restritiva do equil\u00edbrio fiscal e pela EC 95 que impede o crescimento do gasto p\u00fablico por duas d\u00e9cadas. \n<\/p><p>\nUma das alternativas para esse quadro geral de bloqueio seria a sa\u00edda pelo setor externo, por meio do aumento das exporta\u00e7\u00f5es. Mas mesmo a\u00ed as trapalhadas do chanceler Ernesto Ara\u00fajo e a vis\u00e3o tacanha da equipe de Guedes n\u00e3o oferecem alento.\n<\/p><p>\nMudar o modelo para chegar ao crescimento.\n<\/p><p>\nDe mais a mais, \u00e9 bem poss\u00edvel promover o atendimento de eventuais sobressaltos de aumento de consumo localizado sem que se verifique eleva\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o bruta de capital. Isso porque um dos efeitos da estagna\u00e7\u00e3o recente foi reduzir ainda mais aquilo que o econom\u00eas chama de \u201ccapacidade ociosa\u201d. O parque industrial estaria operando em uma faixa inferior a 70% de sua capacidade instalada atualmente. Assim, h\u00e1 espa\u00e7o para se aumentar a produ\u00e7\u00e3o apenas com maior utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra e mat\u00e9ria-prima, sem a necessidade de aumentar o parque produtivo por meio de novos investimentos.\n<\/p><p>\nCada vez fica mais claro que n\u00e3o basta ao grande capital torcer por seus aliados ou sabotar seus advers\u00e1rios nos governos. No primeiro semestre de 2017, por exemplo, os ide\u00f3logos e os patrocinadores do impedimento de Dilma estavam euf\u00f3ricos. A pesquisa Focus do Banco Central retratava exatamente esse sentimento. Essa enquete semanal dirige algumas perguntas apenas aos dirigentes das grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras sobre quais s\u00e3o suas perspectivas para o futuro da economia. E naquele momento eles diziam que o desempenho do PIB em 2018 seria fant\u00e1stico. Afinal, para a nata do financismo tudo havia sido realizado conforme mandava o figurino. Temer no Planalto e Meirelles na Fazenda. Bingo!\n<\/p><p>\nS\u00f3 que n\u00e3o! Duvido que algum deles tenha efetivamente apostado suas fichas nesse desejo idealizado, sem lastro algum em qualquer an\u00e1lise econ\u00f4mica efetuada por seus assessores e empregados. Mas os registros est\u00e3o ali na p\u00e1gina do BC. Nas p\u00e1ginas de economia dos grandes jornais eles esbanjavam um misto de falso otimismo e puxa-saquismo escancarado. Eles diziam que seus modelos de planilha infal\u00edveis lhes asseguravam que o PIB cresceria 2,5%. Uau! J\u00e1 pensou? Pois o equ\u00edvoco foi mastod\u00f4ntico. As previs\u00f5es dos especialistas \u201cfalharam\u201d em apenas 127%. Qualquer operador do mercado financeiro sabe que erros como esse s\u00e3o imperdo\u00e1veis. Mas nesse caso pouco importa. Os seus ganhos continuaram firmes e fortes, gra\u00e7as \u00e0s bondades oferecidas sob a forma de juros nos t\u00edtulos da d\u00edvida e as generosidades de isen\u00e7\u00f5es e desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.\n<\/p><p>\nO caminho para superar a fase estagnacionista e buscar a trilha do crescimento e do desenvolvimento passa por romper com o modelo fiscalista e ortodoxo. Para tanto \u00e9 necess\u00e1rio recuperar o protagonismo do Estado na indica\u00e7\u00e3o dos novos investimentos. Mas isso tudo \u00e9 incompat\u00edvel com a perman\u00eancia do comando da economia em m\u00e3os de algu\u00e9m com a vis\u00e3o de Paulo Guedes.\n<\/p><p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uUYyCvUxhr\"><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/economia-o-ramerrao-dos-mediocres\/\">Economia: o ramerr\u00e3o dos med\u00edocres<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/economia-o-ramerrao-dos-mediocres\/embed\/#?secret=uUYyCvUxhr\" data-secret=\"uUYyCvUxhr\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Economia: o ramerr\u00e3o dos med\u00edocres&#8221; &#8212; Outras Palavras\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22527\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[222],"class_list":["post-22527","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Rl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22527\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}