{"id":2259,"date":"2012-01-14T23:25:05","date_gmt":"2012-01-14T23:25:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2259"},"modified":"2012-01-14T23:25:05","modified_gmt":"2012-01-14T23:25:05","slug":"e-preciso-ter-olho-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2259","title":{"rendered":"\u00c9 preciso ter &#8216;Olho Vivo&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>O volume de dados dispon\u00edveis ao ser humano \u00e9 praticamente ilimitado. Na Internet, sobretudo, somos bombardeados por informa\u00e7\u00f5es, o que pode confundir nossa capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, o portal do PCB lan\u00e7a a se\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Olho Vivo<\/strong>. Divulgaremos not\u00edcias e opini\u00f5es pin\u00e7adas desse grande universo virtual e de outras fontes que n\u00e3o expressem necessariamente a opini\u00e3o do PCB sobre os assuntos tratados.<\/p>\n<p>Temos certeza de que a leitura do\u00a0<strong>Olho Vivo<\/strong> contribuir\u00e1 na an\u00e1lise da conjuntura e no conhecimento da realidade concreta.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea leu na imprensa ou em outras m\u00eddias e fontes uma not\u00edcia que acredita ser importante, ou tem acesso a bancos de dados que ajudem na interpreta\u00e7\u00e3o de fatos, colabore conosco: envie sua sugest\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o para o e-mail\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/mail.google.com\/mail\/h\/18s1wwr8rmldh\/?&amp;v=b&amp;cs=wh&amp;to=olhovivo.pcb@gmail.com\" target=\"_blank\">olhovivo.pcb@gmail.com<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Triste Judici\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><em>Marco Antonio Villa<\/em><\/p>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u00e9\u00a0formado por 33 ministros. Foi criado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Poucos conhecem ou acompanham sua atua\u00e7\u00e3o, pois as<\/p>\n<p>aten\u00e7\u00f5es nacionais est\u00e3o concentradas no Supremo Tribunal Federal. No site oficial est\u00e1\u00a0escrito que \u00e9\u00a0o tribunal da cidadania. Ser\u00e1?<\/p>\n<p>Um simples passeio pelo site permite obter algumas informa\u00e7\u00f5es preocupantes. O tribunal tem 160 ve\u00edculos, dos quais 112 s\u00e3o autom\u00f3veis e os restantes 48 s\u00e3o vans, furg\u00f5es e \u00f4nibus. \u00c9\u00a0dif\u00edcil entender as raz\u00f5es de tantos ve\u00edculos para um simples tribunal. Mais estranho \u00e9\u00a0o n\u00famero de funcion\u00e1rios. S\u00e3o 2.741 efetivos.<\/p>\n<p>Muitos, \u00e9\u00a0ineg\u00e1vel. Mas o n\u00famero total \u00e9\u00a0maior ainda. Os terceirizados representam 1.018. Desta forma, um simples tribunal tem 3.759 funcion\u00e1rios, com a m\u00e9dia aproximada demais de uma centena de trabalhadores por ministro!! Mesmo assim, em um s\u00f3\u00a0contrato, sem licita\u00e7\u00e3o, foram destinados quase R$2 milh\u00f5es para servi\u00e7o de secretariado.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0por falta de recursos que os processos demoram tantos anos para serem julgados. Dinheiro sobra. Em 2010, a dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria foi de R$940 milh\u00f5es. O dinheiro foi mal gasto. S\u00f3\u00a0para comunica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o institucional foram reservados R$11 milh\u00f5es, para assist\u00eancia m\u00e9dica a dota\u00e7\u00e3o foi de R$47 milh\u00f5es e mais 45 milh\u00f5es de aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o. Os funcion\u00e1rios devem viver com muita sede, pois foram destinados para compra de \u00e1gua mineral R$170 mil. E para reformar uma cozinha foram gastos R$114 mil. Em um acesso digno de Oswaldo Cruz, o STJ consumiu R$225 mil em vacinas. \u00c0\u00a0conserva\u00e7\u00e3o dos jardins &#8211; que, presumo, devem estar muito bem conservados &#8211; o tribunal reservou para um simples sistema de irriga\u00e7\u00e3o a m\u00f3dica quantia de R$286 mil.<\/p>\n<p>Se o passeio pelos gastos do tribunal \u00e9\u00a0aterrador, muito pior \u00e9\u00a0o cen\u00e1rio quando analisamos a folha de pagamento. O STJ fala em transpar\u00eancia, por\u00e9m n\u00e3o discrimina<\/p>\n<p>o nome dos ministros e funcion\u00e1rios e seus sal\u00e1rios. S\u00f3\u00a0\u00e9\u00a0poss\u00edvel saber que um ministro ou um funcion\u00e1rio (sem o respectivo nome) recebeu em certo m\u00eas um<\/p>\n<p>determinado sal\u00e1rio bruto. E s\u00f3. Mesmo assim, vale muito a pena pesquisar as folhas de pagamento, mesmo que nem todas, deste ano, estejam disponibilizadas. A m\u00e9dia salarial \u00e9\u00a0 muito alta. Entre centenas de funcion\u00e1rios efetivos \u00e9\u00a0muito dif\u00edcil encontrar algum que ganhe menos de 5 mil reais.<\/p>\n<p>Mas o que chama principalmente a aten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos sal\u00e1rios, s\u00e3o os ganhos eventuais, denomina\u00e7\u00e3o que o tribunal d\u00e1\u00a0para o abono, indeniza\u00e7\u00e3o e antecipa\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias, a antecipa\u00e7\u00e3o e a gratifica\u00e7\u00e3o natalinas, pagamentos retroativos e servi\u00e7o extraordin\u00e1rio e substitui\u00e7\u00e3o. Ganhos rendosos. Em mar\u00e7o deste ano um ministro recebeu, neste item, 169 mil reais. Infelizmente h\u00e1\u00a0outros dois que receberam quase que o triplo: um, R$404 mil; e outro, R$435 mil. Este \u00faltimo, somando o sal\u00e1rio e as vantagens pessoais, auferiu quase meio milh\u00e3o de reais em apenas um m\u00eas! Os outros dois foram &#8220;menos aquinhoados&#8221;, um ficou com R$197 mil e o segundo, com 432 mil. A situa\u00e7\u00e3o foi muito mais grave em setembro. Neste m\u00eas, seis ministros receberam sal\u00e1rios astron\u00f4micos: variando de R$190 mil a R$228 mil.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios (assim como os ministros) acrescem ao sal\u00e1rio (designado, estranhamente, como &#8220;remunera\u00e7\u00e3o paradigma&#8221;) tamb\u00e9m as&#8221;vantagens eventuais&#8221;, al\u00e9m das vantagens pessoais e outros aux\u00edlios (sem esquecer as di\u00e1rias). Assim, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0incomum um funcion\u00e1rio receber R$21 mil, como foi o caso do assessor-chefe CJ-3, do ministro 19, os R$25,8 mil do assessor-chefe CJ-3 do ministro 22, ou, ainda, em setembro, o assessor chefe CJ-3 do do desembargador 1 recebeu R$39 mil<\/p>\n<p>(seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico: at\u00e9\u00a0parece identifica\u00e7\u00e3o do seriado &#8220;Agente 86&#8221;).<\/p>\n<p>Em meio a estes privil\u00e9gios, o STJ deu outros p\u00e9ssimos exemplos. Em 2010, um ministro, Paulo Medina, foi acusado de vender senten\u00e7as judiciais. Foi condenado pelo CNJ. Imaginou-se que seria preso por ter violado a lei sob a prote\u00e7\u00e3o do Estado, o que \u00e9\u00a0ign\u00f3bil. N\u00e3o, nada disso. A pena foi a aposentadoria compuls\u00f3ria. Passou a receber R$25 mil. E que pode ser extensiva \u00e0\u00a0vi\u00fava como pens\u00e3o. Em outubro do mesmo ano, o presidente do STJ, Ari Pargendler, foi denunciado pelo estudante Marco Paulo dos Santos. O estudante, estagi\u00e1rio no STJ, estava numa fila de um caixa eletr\u00f4nico da ag\u00eancia do Banco do Brasil existente naquele tribunal. Na frente dele estava o presidente do STJ.<\/p>\n<p>Pargendler, aos gritos, exigiu que o rapaz ficasse distante dele, quando j\u00e1 estava aguardando, como todos os outros clientes, na fila regulamentar. O presidente daquela Corte avan\u00e7ou em dire\u00e7\u00e3o ao estudante, arrancou o seu crach\u00e1 e gritou: &#8220;Sou presidente do STJ e voc\u00ea est\u00e1 demitido. Isso aqui acabou para voc\u00ea.&#8221; E cumpriu a amea\u00e7a. O estudante, que dependia do est\u00e1gio &#8211; recebia R$750 -, foi sumariamente demitido.<\/p>\n<p>Certamente o STJ vai argumentar que todos os gastos e privil\u00e9gios s\u00e3o legais. E devem ser. Mas s\u00e3o imorais, dignos de uma rep\u00fablica bufa. Os ministros deveriam ter vergonha de receber 30, 50 ou at\u00e9\u00a0480 mil reais por m\u00eas. Na verdade devem achar que \u00e9\u00a0uma intromiss\u00e3o indevida examinar seus gastos. Muitos, inclusive, podem at\u00e9\u00a0usar o seu poder legal para coagir os cr\u00edticos. Triste Judici\u00e1rio. Depois de tanta luta para o estabelecimento do estado de direito, acabou confundindo independ\u00eancia com a gastan\u00e7a irrespons\u00e1vel de recursos p\u00fablicos, e autonomia com prepot\u00eancia. Deixou de lado a raz\u00e3o da sua exist\u00eancia: fazer justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><em>MARCO ANTONIO VILLA \u00e9\u00a0historiador e professor da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (SP)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Mineradora Vale pode ser considerada a pior empresa do mundo<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Pulsar<\/em><\/p>\n<p>A Vale est\u00e1\u00a0entre as concorrentes ao pr\u00eamio Public Eye Award (Olho do P\u00fablico), organizado pelas ONGs Declara\u00e7\u00e3o de Berna e Greenpeace. Viola\u00e7\u00f5es ambientais e dos direitos humanos podem levar a empresa ao posto de pior do mundo.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a nos Trilhos, a International Rivers e a Amazon Watch fizeram a indica\u00e7\u00e3o da mineradora. De acordo com as organiza\u00e7\u00f5es, 16 comunidades \u00e0s margens da Estrada de Ferro Caraj\u00e1s, no Maranh\u00e3o, s\u00e3o afetadas pela empresa. As cerca de 6,5 mil fam\u00edlias sofrem com a polui\u00e7\u00e3o do ar, com o aterro de igarap\u00e9s, a contamina\u00e7\u00e3o de c\u00f3rregos e o assoreamento de a\u00e7udes.<\/p>\n<p>Em Bom Jesus das Selvas, com a chegada dos 2 mil homens para as obras de duplica\u00e7\u00e3o da ferrovia, houve aumento da explora\u00e7\u00e3o sexual infantil, segundo o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos do munic\u00edpio. Adolescentes se prostituem em troca de roupas, sapatos ou quantias de 30 a 50 reais.<\/p>\n<p>No Esp\u00edrito Santo, o projeto da Companhia Sider\u00fargica do Ubu, previsto para ser instalado em Anchieta, deve ocupar as terras da Comunidade Ind\u00edgena da Chapada do A. A Funai reconheceu a tradicionalidade do povo Tupinikim, mas a demarca\u00e7\u00e3o das terras ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, em 2010 a emiss\u00e3o total de material particulado foi de 6,6 mil toneladas, um aumento de 29% em rela\u00e7\u00e3o a 2009. A emiss\u00e3o total de \u00f3xidos de nitrog\u00eanio foi de 110 mil toneladas e a de \u00f3xidos de enxofre chegou a 403 mil toneladas neste mesmo ano.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos tamb\u00e9m\u00a0\u00e9\u00a0posta como problema pelas organiza\u00e7\u00f5es. Em seus neg\u00f3cios, a Vale utiliza 1,2 bilh\u00f5es de metros cubos de \u00e1gua por ano, o que corresponde ao consumo m\u00e9dio de 18 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Conhecido como o \u201cOscar da Vergonha\u201d, o pr\u00eamio anual das piores empresas do mundo tem vota\u00e7\u00e3o\u00a0 pela internet. A Vale, que responde a 111 processos judiciais e 151 administrativos, concorre este ano com a Samsung, a Barclays, a Freeport, a Syngenta e a Tepco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00c9 no canavial que a gente v\u00ea a cara do diabo<\/strong><\/p>\n<p><em>Diplo Brasil<\/em><\/p>\n<p>Document\u00e1rio &#8220;\u00c0\u00a0Sombra de um Del\u00edrio Verde&#8221; denuncia a presen\u00e7a de transnacionas no massacre dos ind\u00edgenas guarani kaiow\u00e1 no Mato Grosso do Sul<\/p>\n<p>por Renato Santana<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o nascer do sol no acampamento Tekoha Guaiviry do povo guarani kaiow\u00e1, no dia 18 de novembro, um bando armado tomou de assalto a comunidade. Era o in\u00edcio de mais um epis\u00f3dio de viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas na regi\u00e3o sul de Mato Grosso do Sul, estado com a segunda maior popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do pa\u00eds \u2013 75 mil \u2013 e l\u00edder em assassinatos de \u00edndios. Segundo relatos de ind\u00edgenas, esse novo massacre terminou com a execu\u00e7\u00e3o do cacique N\u00edsio Gomes e o sequestro de seu corpo pelos pistoleiros.<\/p>\n<p>O jornalista Cristiano Navarro conhece bem tal realidade. Atuou junto aos guarani, residindo em Mato Grosso do Sul durante quase tr\u00eas anos, entre 2006 e 2009, e viu de perto massacres t\u00e3o covardes e violentos quanto esse. Foi nos canaviais das fazendas instaladas em territ\u00f3rios tradicionais dos guarani kaiow\u00e1 que o jornalista encontrou foco para, com a rep\u00f3rter belga An Baccaert e o cinegrafista argentino Nicolas Mu\u00f1oz, realizar o document\u00e1rio \u00c0 sombra de um del\u00edrio verde, den\u00fancia contundente da a\u00e7\u00e3o das transnacionais do agroneg\u00f3cio da cana-de-a\u00e7\u00facar e seus efeitos no contexto de viol\u00eancia no estado.<\/p>\n<p>Por esse fio condutor, os diretores comprovam que a realidade de fome, mis\u00e9ria, morte, resist\u00eancia e luta pela terra dos kaiow\u00e1 est\u00e1 atrelada aos efeitos da a\u00e7\u00e3o devastadora de um modelo de desenvolvimento que serve de combust\u00edvel ao capital nacional e internacional. \u201c\u00c9 l\u00e1 [nos canaviais] que os guarani kaiow\u00e1 se alcoolizam, se matam e s\u00e3o escravizados. S\u00e3o os filhos desses trabalhadores que morrem de fome. \u00c9 na sua terra, com sua \u00e1gua e com seu suor que o combust\u00edvel \u00e9 produzido\u201d, diz Navarro na entrevista a seguir.<\/p>\n<p><strong>LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL \u2013\u00a0Como surgiu a ideia do document\u00e1rio e a quais realidade e conjuntura ele est\u00e1 submetido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 Em 2008, uma comiss\u00e3o internacional da Fian [sigla em ingl\u00eas de Rede de A\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o pelo Direito a se Alimentar] foi a Mato Grosso do Sul verificar a quest\u00e3o das viol\u00eancias contra os guarani kaiow\u00e1 na regi\u00e3o de Dourados, especialmente a situa\u00e7\u00e3o de subnutri\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Poucos meses antes havia ocorrido o massacre de Kurusu Amba, pior do que o que aconteceu na semana passada. Nele, homens e mulheres foram mortos, feridos e, ainda por cima, injustamente presos. Bem, acompanhavam a comiss\u00e3o internacional An, uma jornalista belga, e Nico, um cinegrafista argentino. Foi a\u00ed que tivemos nosso primeiro contato e rapidamente acordamos em fazer o document\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0Qual foi a metodologia utilizada para fazer o filme?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 N\u00f3s partimos para as filmagens sem um roteiro predefinido. O que t\u00ednhamos era a vontade de filmar e a situa\u00e7\u00e3o grave para abordar. Como base para as filmagens e entrevistas, utilizamos os relat\u00f3rios de viola\u00e7\u00f5es de direitos ind\u00edgenas publicados pelas entidades de apoio e as orienta\u00e7\u00f5es das lideran\u00e7as e professores guarani kaiow\u00e1. Por fim, havia minha experi\u00eancia de fazer reportagens na regi\u00e3o, o que ajudou a definir o roteiro e a edi\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0\u00a0 Por que a escolha das planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar como linha da constru\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica da produ\u00e7\u00e3o? Qual \u00e9\u00a0o impacto da a\u00e7\u00e3o das transnacionais do agroneg\u00f3cio entre os ind\u00edgenas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 Poder\u00edamos ter falado do boi, da soja ou de todas as outras culturas que s\u00e3o t\u00e3o mal\u00e9ficas aos guarani quanto a cana. Mas o filme busca uma leitura dial\u00e9tica. E \u00e9 no canavial que a gente v\u00ea a cara do diabo. \u00c9 l\u00e1, naquele trabalho, que os guarani kaiow\u00e1 se alcoolizam, se matam e s\u00e3o escravizados. S\u00e3o os filhos desses trabalhadores que morrem de fome. \u00c9 na sua terra, com sua \u00e1gua e com seu suor que o combust\u00edvel \u00e9 produzido. Numa terra que n\u00e3o tem mais \u00e1rvore nenhuma e que de noite queima em chamas. \u00c9 com esse inferno que as transnacionais enriquecem gente daqui, dos Estados Unidos, da Europa, da China e de n\u00e3o sei onde. S\u00e3o esses diabos que esse governo de babacas chamou de her\u00f3is.<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0A regi\u00e3o sul de Mato Grosso do Sul, onde se passa \u00c0\u00a0sombra de um del\u00edrio verde, foi nomeada pela vice-procuradora da Rep\u00fablica, Deborah Duprat, como uma das principais trag\u00e9dias humanas envolvendo ind\u00edgenas de que se tem not\u00edcia no mundo. Que trag\u00e9dias o document\u00e1rio revela e por quais raz\u00f5es elas acontecem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 As trag\u00e9dias s\u00e3o de todas as ordens: assassinatos, desnutri\u00e7\u00e3o infantil, trabalho escravo, desassist\u00eancia, falta de perspectiva. E as raz\u00f5es s\u00e3o realmente profundas. V\u00eam do nosso colonialismo. Da ideia de evolucionismo cultural que ensinam para as crian\u00e7as nas escolas, que a hist\u00f3ria come\u00e7a com a escrita ou que a democracia nasceu na Gr\u00e9cia e vem evoluindo at\u00e9 os dias de hoje. S\u00e3o essas coisas que servem de combust\u00edvel para a gan\u00e2ncia, para o preconceito, para o \u00f3dio. Nas cidades pr\u00f3ximas \u00e0s aldeias, as pessoas odeiam os \u00edndios sem nunca ter trocado uma palavra com eles. \u00c9 assim, n\u00e3o sabem o porqu\u00ea, apenas odeiam e pronto!<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0A vers\u00e3o de \u00c0\u00a0sombra de um del\u00edrio verde em HD para a internet foi lan\u00e7ada dias depois de mais um massacre contra os guarani kaiow\u00e1 da comunidade Tekoha Guaiviry, no \u00faltimo dia 18 de novembro. O document\u00e1rio mostra que h\u00e1 d\u00e9cadas tais massacres s\u00e3o constantes, tanto que nos \u00faltimos oito anos mais de duzentos ind\u00edgenas foram assassinados em Mato Grosso do Sul. Por que tal realidade \u00e9 intermitente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 Essa realidade \u00e9 fruto de conflito desigual, em que praticamente tudo \u00e9 desfavor\u00e1vel, sobretudo o Poder Judici\u00e1rio, que n\u00e3o pune os assassinos de lideran\u00e7as. Mas veja bem, os guarani enfrentaram os ex\u00e9rcitos de Espanha e Portugal, em seu apogeu como imp\u00e9rio, por mais de 150 anos. Eles resistiram bravamente e escreveram uma das mais belas, se n\u00e3o a mais bela, hist\u00f3rias de resist\u00eancia de nosso continente. O problema hoje \u00e9 que a resist\u00eancia continua, o Estado e o poder econ\u00f4mico permanecem colonialistas, mas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as piorou. Pois as comunidades est\u00e3o ultrafragilizadas, sem seu espa\u00e7o, sem ter como fazer suas ro\u00e7as, plantar o que comer; isso tira qualquer poder de rea\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma dos guarani kaiow\u00e1.<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0H\u00e1\u00a0um trecho em que \u00e9\u00a0mostrado um ind\u00edgena assassinado. Como foi fazer essa cena e lidar com tamanha viol\u00eancia, posto que durante o per\u00edodo em que o filme foi rodado est\u00e3o os maiores \u00edndices de mortes \u2013\u00a0n\u00e3o s\u00f3\u00a0 resultado de assassinatos, mas tamb\u00e9m de desnutri\u00e7\u00e3o, fome, doen\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 Foi dif\u00edcil\u2026 Ali\u00e1s, \u00e9 dif\u00edcil. Porque essas cenas reaparecem, e n\u00e3o como fantasmas na minha cabe\u00e7a ou no document\u00e1rio. Elas ressurgem em casos como o que vimos semana passada e chocam as pessoas por um tempo, mas logo em seguida somem e depois reaparecem com a mesma crueldade. Como se fosse um pesadelo que leva nossa sociedade a um trauma de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>DIPLOMATIQUE \u2013\u00a0Os acampamentos tamb\u00e9m s\u00e3o outra dura realidade mostrada no document\u00e1rio. De 2009 para c\u00e1, eles saltaram de 22 para 31 \u2013\u00a0abrigando 1.200 fam\u00edlias \u00e0s margens de rodovias. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias disso para a vida dos ind\u00edgenas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CRISTIANO NAVARRO<\/strong> \u2013 Na verdade, os acampamentos j\u00e1 s\u00e3o uma consequ\u00eancia da quest\u00e3o central. Pois com ou sem o reconhecimento dos territ\u00f3rios por parte do governo, os guarani kaiow\u00e1 precisam voltar para sua terra, seja por falta de espa\u00e7o nas reservas que est\u00e3o superlotadas e onde a vida se tornou invi\u00e1vel, seja porque os caciques mais velhos percebem que est\u00e3o morrendo e querem retornar para o lugar onde nasceram. De qualquer forma, a vida nos acampamentos \u00e9 ainda pior que nas aldeias, por causa dos crimes de pistolagem aos quais as pessoas est\u00e3o expostas e da total falta de assist\u00eancia do governo federal, como \u00e9 o caso da Funasa [Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade, que atualmente est\u00e1 em transi\u00e7\u00e3o para a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena \u2013 Sesai], que muitas vezes se nega a atender os doentes desses acampamentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Novos casos de escravid\u00e3o urbana entram na lista suja<\/strong><\/p>\n<p><em>Pulsar Brasil<\/em><\/p>\n<p>Casos de explora\u00e7\u00e3o em um restaurante, em um hotel e de vendedores de redes nas ruas est\u00e3o entre os 52 novos registros da chamada lista suja do trabalho escravo. O cadastro do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego chegou a 294 nomes na \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rter Brasil. Segundo o auditor fiscal Renato Bignami, assessor da Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (SIT), a inspe\u00e7\u00e3o vem concentrando a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o naind\u00fastria t\u00eaxtil e na constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Por isso, o n\u00famero de empresas e empregadores desses setores na lista suja deve crescer nos pr\u00f3ximos anos. No entanto, Bignami ressalta que a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 relacionada a setores espec\u00edficos, mas sim ao aumento da terceiriza\u00e7\u00e3o nas cadeias produtivas.<\/p>\n<p>Nos flagrantes que resultaram na atualiza\u00e7\u00e3o mais recente do cadastro, os empregados eram mantidos em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e sofriam viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Nos tr\u00eas casos de trabalho escravo urbano recentemente inclu\u00eddos, 11 pessoas foram libertadas. Entre elas, uma adolescente de apenas 13 anos.<\/p>\n<p>Na nova lista suja do trabalho escravo entraram alguns dos principais grupos usineiros do pa\u00eds, madeireiras, empres\u00e1rios e at\u00e9\u00a0uma empreiteira envolvida na constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Jirau. Ap\u00f3s serem flagrados, todos tiveram chance de defesa em processos administrativos. Somente depois de esgotados os recursos, foram inclu\u00eddos no cadastro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Navios de guerra dos Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia nas costas iranianas e s\u00edrias.<\/strong><\/p>\n<p><em>Debkafile<\/em><\/p>\n<p>For\u00e7as a\u00e9reas e navais dos Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia se dirigiram \u00e0s costas s\u00edrias e iranianas durante o fim de semana, em guarda, para novos acontecimentos no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O porta-avi\u00f5es russo Almirante Kuznetsov, ancorado antes do planejado no porto Tartus da S\u00edria, no Mediterr\u00e2neo, no domingo, 8 de janeiro, chegou junto com o destr\u00f3ier Almirante Chabanenko e a fragata Yaroslav Mudry.<\/p>\n<p>Somando-se a este movimento, a Fran\u00e7a alocou um destr\u00f3ier de defesa a\u00e9rea Forbin nas \u00e1guas de Tartus.<\/p>\n<p>Fontes militares informam um aumento, nas \u00faltimas 48 horas, de for\u00e7as navais ocidentais frente ao Ir\u00e3, no Golfo P\u00e9rsico e no mar Ar\u00e1bico, aguardando que Teer\u00e3\u00a0execute sua advert\u00eancia de fechar o Estreito de Ormuz.<\/p>\n<p>A Gr\u00e3-Bretanha despachou o HMS Daring, um destr\u00f3ier armado, Tipo 45, com nova tecnologia para derrubar m\u00edsseis, para o mar de Om\u00e1n, programado para chegar juntamente ao porta-avi\u00f5es franc\u00eas Charles de Gaulle.<\/p>\n<p>As fontes militares tamb\u00e9m informam que no s\u00e1bado, o gigante RQ-4 Global Hawk UAV, decolou do porta-avi\u00f5es USS Stenning para vigiar as costas iranianas. O Stennis e seu grupo de ataque est\u00e3o navegando no mar de Om\u00e1n, na entrada do Estreito de Ormuz, desde que Teer\u00e3 anunciou que n\u00e3o ser\u00e1 permitido cruz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Esta foi a primeira vez que os EUA decolou ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados sobre o Ir\u00e3\u00a0desde que seu avi\u00e3o n\u00e3o tripulado RQ-170 foi derrubado pelo Ir\u00e3, em 4 de dezembro. Tamb\u00e9m foi a primeira vez que se ordenou a decolagem do enorme avi\u00e3o n\u00e3o tripulado de um porta-avi\u00f5es para uma Ampla Miss\u00e3o de Vigil\u00e2ncia A\u00e9rea-Mar\u00edtima (BAMS \u2013 sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Fontes militares norte-americanas informaram na segunda-feira, 9 de janeiro, que a miss\u00e3o Global Hawk \u00e9 \u201cmonitorar o tr\u00e1fico mar\u00edtimo da costa iraniana e o Estreito de Ormuz\u201d. A for\u00e7a naval norte-americana recebeu a ordem de manter uma vigil\u00e2ncia do tr\u00e1fico, tamb\u00e9m pela primeira vez, depois de que o Chefe da Marinha Naval iraniana, o Almirante Habibollah Sayyari, disse numa transmiss\u00e3o televisiva no domingo \u00e0 noite, que o Estreito de Ormuz estava sob o controle total do Ir\u00e3 e vem sendo assim h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no domingo, o General do Ex\u00e9rcito dos EUA, Martin Dempsey, advertiu em termos inequ\u00edvocos que o Ir\u00e3 possui a capacidade de bloquear o Estreito de Ormuz \u201cpor um determinado per\u00edodo de tempo\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acrescentou numa entrevista \u00e0\u00a0CBS: \u201cTemos investido em recursos para assegurar que, caso isso ocorra, possamos impedir\u201d.<\/p>\n<p>O General Dempsey enfatizou: \u201cSim, eles podem bloquear. Descrevemos isso como um ato intoler\u00e1vel e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 intoler\u00e1vel para n\u00f3s. \u00c9 intoler\u00e1vel para o mundo. No entanto, tomaremos medidas de a\u00e7\u00f5es e reabriremos o Estrito\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Conab: safra de gr\u00e3os ser\u00e1\u00a0 2,8% menor; soja avan\u00e7a sobre arroz<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Carta Maior<\/em><\/p>\n<p>Nova previs\u00e3o para a safra 2011\/12 \u00e9\u00a0 divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento. H\u00e1\u00a0aumento da \u00e1rea plantada de soja e milho, e redu\u00e7\u00e3o da de arroz e feij\u00e3o no pa\u00eds. T\u00e9cnicos ouvidos pela Carta Maior acreditam que ainda \u00e9\u00a0 cedo para prever alta de pre\u00e7os. No Rio Grande do Sul, 80 mil hectares de arroz s\u00e3o convertidos em soja, cujos pre\u00e7os est\u00e3o em alta no mercado internacional.<\/p>\n<p>Marcel Gomes<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013\u00a0As dificuldades enfrentadas pelos arrozeiros no Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro do gr\u00e3o, geraram um fen\u00f4meno raro: a convers\u00e3o de \u00e1rea do produto em lavouras de soja.<\/p>\n<p>Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que divulgou nesta ter\u00e7a-feira (10) seu quarto levantamento da safra 2011\/12, cerca de 80 mil hectares foram convertidos em v\u00e1rias regi\u00f5es ga\u00fachas. No pa\u00eds, a \u00e1rea plantada de arroz deve cair 9,5%.<\/p>\n<p>\u201cO produtor fez essa op\u00e7\u00e3o por causa da falta d\u2019\u00e1gua nos mananciais e para executar a limpeza do arroz vermelho\u201d, explica Carlos Roberto Bestetti, gerente de safras da Conab. Em meio ao cultivo de arroz branco, a variedade vermelha \u00e9 tratada como praga. Uma das formas de combat\u00ea-la \u00e9 fazer rota\u00e7\u00e3o de cultura.<\/p>\n<p>Para Bestetti, a convers\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria. Ele acredita que essas \u00e1reas voltar\u00e3o a ter arroz, t\u00e3o logo as dificuldades h\u00eddricas sejam superadas.<\/p>\n<p>Segundo Luc\u00edlio Alves, professor da Esalq-USP e pesquisador do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (Cepea), os arrozeiros tamb\u00e9m tentam aproveitar os bons pre\u00e7os da soja, quem seguem acima de seus patamares hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o da saca desse gr\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 cotado hoje a R$ 48 no Paran\u00e1, 20% acima da m\u00e9dia de 2010. A produ\u00e7\u00e3o de soja do pa\u00eds deve atingir 71,7 milh\u00f5es de hectares em 2012, 4,7% a menos do que no per\u00edodo anterior \u2013\u00a0um preju\u00edzo tamb\u00e9m causado pela seca. A \u00e1rea plantada de soja subiu 1,9%.<\/p>\n<p>No caso do milho, os pre\u00e7os tamb\u00e9m animam o produtor. A \u00e1rea plantada cresceu 5,9% e a produ\u00e7\u00e3o deve avan\u00e7ar 2,9%, para 60,3 milh\u00f5es de toneladas. A Conab estima que a safra total de gr\u00e3os do pa\u00eds deve alcan\u00e7ar 158,4 milh\u00f5es de toneladas neste ano, 2,8% a menos do que no per\u00edodo anterior.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7os em alta?<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada de arroz, ainda \u00e9\u00a0cedo para dizer se o pre\u00e7o desse item b\u00e1sico da dieta dos brasileiros subir\u00e1\u00a0em 2012.<\/p>\n<p>\u201cOs estoques de arroz do pa\u00eds est\u00e3o altos. Na safra anterior n\u00f3s tivemos dois milh\u00f5es de toneladas a mais, e na atual teremos duas a menos. Uma compensa a outra\u201d, afirma Bestetti. A saca \u00e9 vendida hoje a cerca de R$ 24 no Rio Grande do Sul, ante R$ 35 em 2010.<\/p>\n<p>De acordo com a Conab, a produ\u00e7\u00e3o na safra 2010\/11 chegou a 13,6 milh\u00f5es de toneladas, ante as 11,4 milh\u00f5es previstas para este ano. O consumo de arroz no pa\u00eds est\u00e1\u00a0estabilizado em 12,5 milh\u00f5es de toneladas por ano.<\/p>\n<p>Para Luc\u00edlio Alves, o recuo da produ\u00e7\u00e3o \u201cpode ajudar os pre\u00e7os\u201d, mas a quantidade a ser colhida, somada com o arroz importado do Mercosul, tendem a jogar no sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cO consumo est\u00e1 estabilizado h\u00e1 cinco anos no Brasil. No ano passado, produtores tiveram de exportar produto porque a liquidez interna estava baixa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No caso do feij\u00e3o, apesar da menor produ\u00e7\u00e3o prevista pela Conab (3,7%), tamb\u00e9m\u00a0\u00e9\u00a0cedo para prever alta de pre\u00e7os. Para Bestetti, o pr\u00f3prio dinamismo dessa lavoura, que tem v\u00e1rias safras no ano, ajuda a segurar as cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO pa\u00eds est\u00e1 bem abastecido. E, se houver falta de feij\u00e3o, o produtor faz o plantio e eleva a oferta em poucos meses\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Sem BNDES, Brasil n\u00e3o financiava sua ind\u00fastria, diz economista<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o que diz o keynesiano Jan Kregel que discute o desenvolvimento econ\u00f4mico da AL<\/p>\n<p>Jo\u00e3o\u00a0Sorima Neto<\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO \u2014\u00a0O economista americano Jan Kregel, professor da Universidade do Missouri, disse em entrevista ao GLOBO que se o Brasil tivesse um controle mais efetivo do capital financeiro, o pa\u00eds poderia sofrer menos os impactos da crise europeia e da desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa. O resultado seria uma taxa de c\u00e2mbio menos apreciada, diz o economista. Kregel, um dos principais acad\u00eamicos keynesianos dos Estados Unidos, avalia que se o BNDES n\u00e3o existisse, o Brasil praticamente n\u00e3o teria nenhum financiamento de longo prazo para desenvolver sua ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O americano afirma ainda que o capital financeiro, ao contr\u00e1rio de contribuir para o desenvolvimento, tem sido um fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e das economias da Am\u00e9rica Latina, nos \u00faltimos anos:<\/p>\n<p>\u2014 O capital especulativo s\u00f3 trouxe riqueza para gente do pr\u00f3prio mercado financeiro.<\/p>\n<p>Kregel chega a S\u00e3o Paulo, nesta ter\u00e7a-feira, para participar do Programa Avan\u00e7ado de Reavalia\u00e7\u00e3o de Macroeconomia e Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina (Laporde, na sigla em ingl\u00eas), um programa de debates sobre os novos rumos do desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e Ordem dos Economistas do Brasil.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: Qual ser\u00e1\u00a0 o impacto da crise europeia e da desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa para o Brasil e o demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JAN KREGEL<\/strong>: O impacto vir\u00e1 principalmente da queda da demanda da China por produtos agroindustriais da Am\u00e9rica Latina. A China j\u00e1 enfrenta problemas como queda na produ\u00e7\u00e3o industrial e baixa no pre\u00e7o dos im\u00f3veis. A Europa tamb\u00e9m vai sofrer com a desacelera\u00e7\u00e3o chinesa, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 o principal mercado de exporta\u00e7\u00e3o para os europeus. Al\u00e9m disso, muitas economias latinoamericanas j\u00e1 sofrem com taxas de c\u00e2mbio sobrevalorizadas e haver\u00e1 uma deteriora\u00e7\u00e3o dos saldos externos.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: O que os pa\u00edses latinoamericanos poderiam fazer para minimizar os impactos da crise?<\/strong><\/p>\n<p><strong>KREGEL:<\/strong> O controle sobre o capital financeiro \u00e9 necess\u00e1rio para que os pa\u00edses latinoamericanos administrem a taxa de c\u00e2mbio e retenham competitividade. Al\u00e9m disso, a maioria dos pa\u00edses da regi\u00e3o n\u00e3o tomou nenhuma atitude para fortalecer ou expandir seu mercado interno e tornou-se mais exposta aos ciclos internacionais e ao capital externo. Am\u00e9rica Central e M\u00e9xico ainda t\u00eam excessiva depend\u00eancia dos EUA para exporta\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica do Sul j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dependente dos americanos para exporta\u00e7\u00e3o, mas tem depend\u00eancia financeira. O Brasil poderia escapar dos efeitos diretos da crise se tivesse um mercado consumidor mais forte. A Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m precisa de pol\u00edticas mais agressivas para melhorar o equil\u00edbrio entre a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em suas economias. O Brasil tem feito isso, mas n\u00e3o avan\u00e7ou no controle de capitais financeiros.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: Por que o senhor defende o controle de capitais financeiros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>KREGEL<\/strong>: N\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia te\u00f3rica ou estat\u00edstica que a abertura financeira dos mercados latinoamericanos tenha produzido ganhos ao emprego ou na renda real das pessoas. Os ganhos t\u00eam sido principalmente para quem trabalha no setor financeiro. As perdas ficaram com a economia real. No Brasil, por exemplo, houve perdas nos \u00faltimos anos para empresas. A Sadia perdeu milh\u00f5es para cobrir cotratos futuros de d\u00f3lar (usados para se proteger de varia\u00e7\u00f5es cambiais) e a Aracruz teve preju\u00edzo de bilh\u00f5es pelo mesmo motivo. Havia, aparentemente, mais de cem empresas em posi\u00e7\u00f5es semelhantes com contratos de derivativos para compensar o impacto da enorme valoriza\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio causada pelo aumento deste capital especulativo.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: Mas o mercado de capitais n\u00e3o tem a fun\u00e7\u00e3o de desenvolver a ind\u00fastria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>KREGEL<\/strong>: Sim, essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do mercado de capitais. Mas esse capital que est\u00e1 chegando est\u00e1 \u00e0 procura de ganhos de curto prazo, seja pela taxa de juro ou pela varia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. Esse capital n\u00e3o tem nenhum interesse no desenvolvimento de longo prazo da ind\u00fastria nacional. Quanto mais forte a entrada de capitais especulativos, menos eficiente \u00e9 a capacidade de um pa\u00eds de desenvolver um mercado de capitais dom\u00e9stico. Se o BNDES n\u00e3o existisse o Brasil n\u00e3o teria tido praticamente nenhum financiamento de longo prazo para desenvolver sua ind\u00fastria.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: Nesse caso, o senhor acha que o capital financeiro est\u00e1\u00a0 sendo um fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o das economias da Am\u00e9rica Latina e do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>KREGEL<\/strong>: Isso me parece muito claro a partir da experi\u00eancia da d\u00e9cada perdida dos anos 1980. Come\u00e7ou com a crise mexicana, depois veio a crise asi\u00e1tica, da R\u00fassia e a crise cambial brasileira na d\u00e9cada de 1990. Em seguida, veio o colapso da Argentina.<\/p>\n<p><strong>O GLOBO: O Brasil ainda tem a taxa de juro mais alta do mundo. Sem reduzi-la o pa\u00eds n\u00e3o pode iniciar um c\u00edrculo virtuoso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>KREGEL<\/strong>: Com juro alto, o Brasil n\u00e3o pode evitar a excessiva entrada de capital financeiro e a taxa de c\u00e2mbio sobrevalorizada que penaliza a ind\u00fastria. O Banco Central, sob o comando do seu novo presidente, tem estado muito mais disposto a operar uma pol\u00edtica de taxas de juros mais flex\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para que n\u00e3o possa fazer mais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>In\u00e9dito no mundo: McDonald&#8217;s sai da Bol\u00edvia devido ao desinteresse do p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p><em>Adital<\/em><\/p>\n<p>Todos os esfor\u00e7os desenvolvidos pela cadeia McDonald&#8217;s para inserir-se no mercado boliviano foram infrut\u00edferas. De nada valeu preparar o molho Ilajwa, favorito do altiplano, nem apresentar os melhores conjuntos locais ao vivo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 14 anos de presen\u00e7a no pa\u00eds e apesar de todas as campanhas feitas e por fazer, a cadeia se viu obrigada a fechar os oito restaurantes que mantinha abertos nas tr\u00eas principais cidades do pa\u00eds: La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra.<\/p>\n<p>Trata-se do primeiro pa\u00eds latino-americano que ficar\u00e1\u00a0sem McDonald&#8217;s e o primeiro pa\u00eds no mundo onde a empresa fecha por ter seus n\u00fameros no vermelho por mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O impacto para os chefes de marketing tem sido de tal for\u00e7a que foi gravado um document\u00e1rio sob o t\u00edtulo &#8220;Por que McDonald&#8217;s quebrou na Bol\u00edvia\u201d (assista ao v\u00eddeo em espanhol, clicando na imagem acima), onde tentam explicar de algum modo as raz\u00f5es que levaram os bolivianos a continuar preferindo as empanadas, ao inv\u00e9s dos hamb\u00fargueres.<\/p>\n<p>Recha\u00e7o cultural<\/p>\n<p>O document\u00e1rio inclui reportagens com cozinheiros, soci\u00f3logos, nutricionistas, educadores, historiadores&#8230; Todos coincidem que o recha\u00e7o n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0aos hamb\u00fargueres, nem ao sabor; o recha\u00e7o est\u00e1\u00a0na mentalidade dos bolivianos. Tudo indica que, literalmente, o &#8220;fast-food\u201d \u00e9 a ant\u00edtese da concep\u00e7\u00e3o que um boliviano tem de como se deve preparar uma comida.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, para ser boa, al\u00e9m de gosto, a comida requer esmero, higiene e muito tempo de prepara\u00e7\u00e3o. Assim \u00e9\u00a0como um consumidor avalia a qualidade do que leva ao est\u00f4mago: tamb\u00e9m avalia o tempo entre a prepara\u00e7\u00e3o e o consumo de qualquer alimento.<\/p>\n<p>A comida r\u00e1pida n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0para essa gente, conclu\u00edram os norte-americanos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Reportagem do NY Times diz que Am\u00e9rica Latina tem fluxo interno<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>RIO &#8211; A crise americana, somada a fatores como o relativo crescimento latino-americano, est\u00e3o modificando os padr\u00f5es migrat\u00f3rios, mostra reportagem da \u00faltima quinta-feira do jornal &#8220;New York Times&#8221;. As levas de estrangeiros que chegavam aos Estados Unidos agora se espalham por cidades ou pa\u00edses da pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Segundo o jornal, em 2011, as pris\u00f5es na fronteira americana atingiu o menor n\u00edvel desde 1972, confirmando que a imigra\u00e7\u00e3o ilegal alcan\u00e7ou o que os especialistas descrevem hoje como pausa significativa ou o fim de uma era.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a no fluxo migrat\u00f3rio \u00e9\u00a0 mais em rela\u00e7\u00e3o ao destino das pessoas. Segundo especialistas ouvidos pelo &#8220;New York Times&#8221;, as partidas permanecem altas na Guatemala, M\u00e9xico, El Salvador, Peru e outros pa\u00edses latino americanos que, tradicionalmente, perdiam popula\u00e7\u00e3o. Mas, agora, os migrantes t\u00eam outros alvos.<\/p>\n<p>Mexicanos t\u00eam buscado cidades menores e mais seguras. Chile, Argentina e Brasil tamb\u00e9m atraem cada vez mais gente. O n\u00famero de bolivianos na Argentina cresceu 48% desde 2001, salto dado tamb\u00e9m por paraguaios e peruanos<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>No Chile, governo decide que curr\u00edculos das escolas n\u00e3o usar\u00e3o mais express\u00e3o ditadura militar<\/strong><\/p>\n<p><em>Amanda Cieglinski, rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013\u00a0O governo chileno decidiu alterar o curr\u00edculo das escolas de ensino fundamental sobre os conte\u00fados relacionados \u00e0\u00a0ditadura militar que o pa\u00eds viveu durante 17 anos. Agora, os alunos n\u00e3o aprender\u00e3o mais que o Chile passou por uma \u201cditadura militar\u201d, mas por um \u201cregime militar\u201d. A mudan\u00e7a foi anunciada pelo novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o do Chile, Harald Beyer.<\/p>\n<p>Segundo o ministro, em outras partes do mundo, se usa a defini\u00e7\u00e3o mais geral que \u00e9\u00a0regime militar e n\u00e3o ditadura. O novo texto do curr\u00edculo indica que devem ser comparadas \u201cas diferentes vis\u00f5es sobre a quebra da democracia no Chile, o regime militar e o processo de recupera\u00e7\u00e3o da democracia ao final do s\u00e9culo 20, considerando os diferentes atores, experi\u00eancias e pontos de vista\u201d, disse Beyer.<\/p>\n<p>O governo do general Augusto Pinochet, de1973 a 1990, foi um dos mais violentos da Am\u00e9rica Latina. O militar liderou o golpe de Estado que derrubou e assassinou o presidente socialista Salvador Allende. Pelos dados oficiais, foram 28 mil pessoas torturadas e outras 2.279 desaparecidas e mortas. As chamadas comiss\u00f5es da Verdade identificaram 180 crian\u00e7as e adolescentes assassinados, al\u00e9m de 1.283 presos e torturados.<\/p>\n<p>O ministro defendeu que a mudan\u00e7a passou por todas as inst\u00e2ncias encarregadas do assunto e por um conselho nacional de educa\u00e7\u00e3o, que aprovou a altera\u00e7\u00e3o sem reparos. \u201cN\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 um governo democr\u00e1tico [o de Pinochet], mas o termo regime militar tamb\u00e9m tem esse significado\u201d, alegou Beyer.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Cons\u00f3rcio dispensa 2.700 trabalhadores no canteiro de obras<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado do Maranh\u00e3o <\/em><\/p>\n<p>O Cons\u00f3rcio Galv\u00e3o-Serveng-Fidens, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da Refinaria Premium I, concluir\u00e1 esta semana a demiss\u00e3o em massa de 2.700 dos 3.000 trabalhadores contratados para atuar no canteiro de obras do empreendimento, em Bacabeira. O blog divulgou a informa\u00e7\u00e3o, em primeira m\u00e3o, em post publicado em 29 de novembro, e agora a not\u00edcia se confirma.<\/p>\n<p>As dispensas foram motivadas pela paralisa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de terraplenagem, que n\u00e3o podem ter andamento no per\u00edodo chuvoso, cujo in\u00edcio ocorre sempre em janeiro. Apenas 300 funcion\u00e1rios, lotados em cargos de gest\u00e3o, em fun\u00e7\u00f5es administrativas, no restaurante e um contingente reduzido de oper\u00e1rios manter\u00e3o os empregos.<\/p>\n<p>Entre os demitidos est\u00e3o engenheiros, encarregados, mestres de obras, pedreiros, eletricistas, motoristas, escavadeiristas, entre outros profissionais. As rescis\u00f5es tiveram in\u00edcio no per\u00edodo entre 15 e 22 de dezembro, semana que antecedeu o Natal. Em oito dias, 1.200 trabalhadores tiveram o contrato rescindido.<\/p>\n<p>Segundo uma fonte do blog, a demiss\u00e3o em massa ser\u00e1\u00a0conclu\u00edda na pr\u00f3xima quarta-feira com a dispensa de mais 1.500 t\u00e9cnicos e oper\u00e1rios. Ainda de acordo com a fonte, o cons\u00f3rcio informou que recontratar\u00e1\u00a0os trabalhadores ora dispensados a partir da segunda quinzena de maio, quando as obras de terraplenagem ser\u00e3o retomadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Justi\u00e7a anula demiss\u00f5es de funcion\u00e1rios da Azaleia na Bahia<\/strong><\/p>\n<p><em>Correio 24 Horas<\/em><\/p>\n<p>Cerca de 1.800 funcion\u00e1rios foram demitidos e deveriam escolher se seriam transferidos para outras f\u00e1bricas ou receberiam gratifica\u00e7\u00e3o financeira<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a do Trabalho decidiu, nesta quarta-feira (21), anular as demiss\u00f5es sem justa causa realizadas pela Vulcabr\u00e1s\/ Azaleia. As demiss\u00f5es foram anunciadas na \u00faltima sexta-feira (16), depois do fechamento de seis f\u00e1bricas no interior da Bahia.<\/p>\n<p>Em comunicado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) informou que a empresa tem prazo de dez dias para estabelecer negocia\u00e7\u00e3o com o sindicato dos trabalhadores e definir um plano de demiss\u00e3o que reduza os efeitos da decis\u00e3o de encerrar as atividades.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o judicial determina que todas as demiss\u00f5es feitas este m\u00eas perdem os efeitos e a empresa est\u00e1\u00a0 proibida de realizar qualquer outro desligamento ou transfer\u00eancia de funcion\u00e1rio at\u00e9\u00a0que sejam estabelecidos &#8220;os termos, prazos e medidas mitigadoras da dispensa em massa com o sindicato dos trabalhadores&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de suspensas as demiss\u00f5es, a Azaleia ter\u00e1 ainda que manter o pagamento dos sal\u00e1rios a todos os empregados, al\u00e9m dos demais benef\u00edcios. Caso a decis\u00e3o sejam descumprida, foi estabelecida multa de R$ 5 mil por cada trabalhador afetado pelo que o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho chama de &#8220;medidas abusivas&#8221;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do MPT de entrar na Justi\u00e7a do Trabalho contra a Vulcabr\u00e1s\/Azaleia ocorreu ap\u00f3s ter sido realizada audi\u00eancia na sede do \u00f3rg\u00e3o em Vit\u00f3ria da Conquista, na \u00faltima sexta-feira.<\/p>\n<p>Chamada a prestar esclarecimento sobre a onda de demiss\u00f5es que determinou em suas 18 unidades espalhadas por 11 munic\u00edpios baianos, a empresa antecipou-se e, horas antes da audi\u00eancia, anunciou o fechamento de seis f\u00e1bricas.<\/p>\n<p><strong>Demiss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A Azaleia anunciou o fechamento de seis f\u00e1bricas na Bahia, nos munic\u00edpios de Potiragu\u00e1, Itarantim, Maiquinique, Ibicu\u00ed, Igua\u00ed e Itati. Em comunicado, a empresa informou que as demais unidades de produ\u00e7\u00e3o no estado ser\u00e3o mantidas e que os 1.800 empregados das unidades onde as opera\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo encerradas ser\u00e3o transferidos para essas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>&#8220;Aos 1.800 colaboradores oferecemos a possibilidade de transfer\u00eancia para as demais unidades fabris da companhia que seguir\u00e3o em atividade no estado (Itapetinga, Bandeira, Itamb\u00e9,\u00a0Macarani, Firmino Alves, Itaia, Itoror\u00f3, Rio do Meio e Caatiba), e que contam com disponibilidade de capacidade de produ\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m disponibilizaremos transporte diariamente para estas localidades&#8221;, disse presidente da companhia, o Milton Cardoso, em nota.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos 1.800 funcion\u00e1rios que seriam relocados, a onda de cerca de 1.500 demiss\u00f5es desde novembro deste ano j\u00e1 vinha causando pol\u00eamica e motivou a instaura\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9rito por parte do MPT.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Cai otimismo da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o para 2012<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Estado<\/em><\/p>\n<p>Com desempenho fraco este ano e pressionada por ambiente de incertezas no exterior, as previs\u00f5es da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o para 2012 s\u00e3o menos favor\u00e1veis do que as proje\u00e7\u00f5es para 2011 apuradas no final do ano passado. \u00c9\u00a0o que mostra a edi\u00e7\u00e3o de outubro-novembro da Sondagem de Investimentos da Ind\u00fastria da Transforma\u00e7\u00e3o, divulgada nesta quarta-feira, 21, pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>O levantamento abrange 880 empresas, com vendas somadas em torno de R$ 539,9 bilh\u00f5es, entrevistadas entre os dias 5 de outubro e 30 de novembro deste ano. No universo de pesquisados, a parcela de empresas que apostam em elevar investimentos em capital fixo para o pr\u00f3ximo ano caiu de 55% em 2010 para 50% este ano. No mesmo per\u00edodo, subiu de 15% para 17% a fatia de companhias que projetam investir menos.<\/p>\n<p>Entre as cinco categorias de uso da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o pesquisadas pela funda\u00e7\u00e3o, quatro apresentaram proje\u00e7\u00f5es menos favor\u00e1veis de investimentos. A maior queda foi percebida pela ind\u00fastria de dur\u00e1veis. Neste segmento, a fatia de empresas que pretendem investir mais no ano seguinte caiu de 61% para 49%. J\u00e1\u00a0 a parcela das que pretendem investir menos no pr\u00f3ximo ano, dentro da ind\u00fastria de dur\u00e1veis, saltou de 9% para 22% de 2010 para 2011.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1\u00a0 otimista quanto ao mercado de trabalho. A fatia de pesquisadas que planejam elevar n\u00famero de contrata\u00e7\u00f5es no ano seguinte caiu de 43% para 36% de 2010 para 2011. J\u00e1\u00a0a parcela das que preveem redu\u00e7\u00e3o na m\u00e3o de obra subiu de 8% para 10%.<\/p>\n<p>O faturamento industrial em 2012 deve sentir os efeitos da atual conjuntura desfavor\u00e1vel. O porcentual de empresas que esperam alta no faturamento no ano seguinte caiu de 72% para 69% de 2010 para 2011. No mesmo per\u00edodo, subiu de 6% para 8% a fatia de companhias que aguardam redu\u00e7\u00e3o nas vendas. Entre as que esperam aumento para faturamento, a maior parcela de entrevistadas (42%) aguardam alta nas vendas entre 5,1% e 10% para 2012.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Brasil quer aumentar logo imposto de importa\u00e7\u00e3o para Mercosul, diz MDIC<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Estado<\/em><\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA &#8211; O Brasil pretende elevar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel o Imposto de Importa\u00e7\u00e3o para at\u00e9\u00a0100 produtos, por meio do mecanismo aprovado ontem pelos pa\u00edses do Mercosul. J\u00e1 no in\u00edcio de janeiro, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (MDIC) vai iniciar a defini\u00e7\u00e3o das regras para requerimento das empresas e escolha dos produtos. O protocolo assinado pelo Mercosul prev\u00ea que as regras ter\u00e3o que ser incorporadas \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds em um prazo de 60 dias.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Com\u00e9rcio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, disse que a expectativa \u00e9\u00a0de que os pedidos do setor privado superem as 100 vagas abertas. &#8220;Existe uma demanda reprimida&#8221;, afirmou. Ela disse que a escolha dos produtos ir\u00e1\u00a0 considerar o impacto das importa\u00e7\u00f5es no setor.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o de c\u00fapula do Mercosul, ontem em Montevid\u00e9u, no Uruguai, foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo paralelo \u00e0 chamada Lista de Exce\u00e7\u00e3o, a\u00a0 Tarifa Externa Comum (TEC), para impedir importa\u00e7\u00f5es consideradas predat\u00f3rias \u00e0 ind\u00fastria local. &#8220;Este mecanismo aumenta a margem de manobra para os pa\u00edses fazerem uma melhor gest\u00e3o da pol\u00edtica tarif\u00e1ria \u00e0 luz de um ambiente de crise&#8221;, afirmou a secret\u00e1ria. O imposto de importa\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 em m\u00e9dia de 12% a 13%, poder\u00e1 checar a 35%, o m\u00e1ximo permitido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a\u00a0\u00e9\u00a0que, na Lista de Exce\u00e7\u00e3o, que j\u00e1\u00a0funciona e na qual cada pa\u00eds tamb\u00e9m pode ter at\u00e9\u00a0100 itens, a altera\u00e7\u00e3o na al\u00edquota do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o pode ser para elevar ou reduzir o custo dos importados. Segundo o MDIC, dos 100 produtos na Lista de Exce\u00e7\u00e3o brasileira, 65 t\u00eam a al\u00edquota do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o menor que a praticada pelo Mercosul (TEC). Somente 35 itens est\u00e3o com a al\u00edquota majorada.<\/p>\n<p>O novo mecanismo permite apenas a eleva\u00e7\u00e3o do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o. A secret\u00e1ria, no entanto, argumenta que a medida n\u00e3o pode ser considerada protecionista. &#8220;\u00c9\u00a0leg\u00edtimo o uso dessa margem de manobra. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0s\u00f3\u00a0direito, mas obriga\u00e7\u00e3o do governo acessar todos os mecanismos permitidos pela OMC para enfrentar este momento de crise&#8221;, afirmou. Segundo ela, o movimento do Mercosul deve ser entendido como pontual para lidar com a situa\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Em discurso esta manh\u00e3, a presidente Dilma Rousseff tamb\u00e9m defendeu a decis\u00e3o do Mercosul, chamada pela presidente de &#8220;uma grande conquista&#8221;.\u00a0 &#8220;\u00c9 uma decis\u00e3o corajosa, uma decis\u00e3o s\u00e1bia e uma decis\u00e3o que respeita as regras do jogo da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. Ali\u00e1s, o objetivo dessa decis\u00e3o \u00e9 um s\u00f3: preservar os empregos dentro da regi\u00e3o&#8221;, afirmou Dilma.<\/p>\n<p>O mecanismo vai valer at\u00e9\u00a0o final de 2014. Os produtos inclu\u00eddos na lista podem permanecer com a al\u00edquota de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o elevada por um per\u00edodo de at\u00e9\u00a012 meses, podendo ser prorrogado por igual per\u00edodo. Cada pa\u00eds do bloco ter\u00e1\u00a0 que comunicar aos demais parceiros de Mercosul as circunst\u00e2ncias que motivaram o aumento do tributo. Os pa\u00edses do bloco ter\u00e3o 15 dias \u00fateis para se manifestar contrariamente. Caso n\u00e3o o fa\u00e7am, o pa\u00eds poder\u00e1 adotar a medida de forma imediata.<\/p>\n<p>A margem de manobra do Brasil para conter importa\u00e7\u00f5es estava limitada porque o \u00fanico instrumento, al\u00e9m dos processos por dumping, \u00e9\u00a0a Lista de Exce\u00e7\u00e3o, que j\u00e1\u00a0est\u00e1\u00a0 completa. Isso porque, o Brasil precisa praticar as mesmas tarifas (TEC) que os parceiros do Mercosul para as importa\u00e7\u00f5es de pa\u00edses que n\u00e3o pertencem ao bloco. A secret\u00e1ria informou que o governo ir\u00e1 aproveitar a defini\u00e7\u00e3o da nova rela\u00e7\u00e3o de produtos para revisar a atual Lista de Exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Demanda vai somar US$ 224 bi<\/strong><\/p>\n<p><em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>A demanda da Petrobras, estimada em US$ 224,7 bilh\u00f5es at\u00e9\u00a02015 em seu atual Plano de Neg\u00f3cios, tem o potencial de desenvolver uma cadeia de fornecedores de bens e servi\u00e7os produtiva e competitiva no Brasil. Para garantir a execu\u00e7\u00e3o dos mais de 700 projetos que possui em carteira no prazo e com custos competitivos, a Petrobras a vem implantando uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es com fornecedores nos \u00faltimos anos. Um levantamento feito pela Organiza\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria do Petr\u00f3leo (Onip) mostra que as atividades de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo (E&amp;P) devem gerar uma demanda de US$ 400 bilh\u00f5es em contrata\u00e7\u00f5es at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Lastreada pela demanda gerada pelo pr\u00e9-sal, a Petrobras necessitar\u00e1\u00a0de nada menos do que 54 sistemas de produ\u00e7\u00e3o, 146 barcos de apoio, 40 novas sondas de perfura\u00e7\u00e3o, entre outros equipamentos, at\u00e9\u00a0o final da d\u00e9cada. Isso sem falar nos navios petroleiros j\u00e1\u00a0encomendados pela Transpetro e pela \u00c1rea de Abastecimento da pr\u00f3pria estatal, que somam at\u00e9 o momento 88 embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O presidente da Petrobras, Jos\u00e9\u00a0 Sergio Gabrielli, admite que a capacidade da ind\u00fastria de fornecer bens e servi\u00e7os \u00e0 estatal ser\u00e1 o term\u00f4metro da explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal. O executivo vem sucessivamente se reunindo com empres\u00e1rios e sugerindo a amplia\u00e7\u00e3o do leque de atua\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Temos gigantescas oportunidades de compra, sabemos como fazer, temos tecnologia. Cabe a voc\u00eas tomar decis\u00f5es e se tornarem nossos parceiros&#8221;, disse Gabrielli durante encontro com cerca de 300 empres\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo. Um diagn\u00f3stico feito pela pr\u00f3pria empresa indicou tr\u00eas entraves \u00e0 expans\u00e3o sustent\u00e1vel da cadeira de suprimento. Acesso a tecnologia, qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra e fontes de cr\u00e9dito para investimentos e a obten\u00e7\u00e3o de capital de giro.<\/p>\n<p>Para resolver o \u00faltimo problema, a Petrobras lan\u00e7ou em junho o programa Progredir, que pretende criar um ambiente favor\u00e1vel para a concess\u00e3o de cr\u00e9dito a fortalecedores e ampliar a cadeia produtiva no pa\u00eds. O programa foi desenvolvido em conjunto com Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econ\u00f4mica Federal, Ita\u00fa, HSBC e Santander e com o Programa de Mobiliza\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Nacional de Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural (Prominp).<\/p>\n<p>A expectativa da petrol\u00edfera \u00e9\u00a0 que o Progredir atinja a marca de R$ 1 bilh\u00e3o em financiamentos liberados ainda em 2011. As a\u00e7\u00f5es pretendem ampliar a participa\u00e7\u00e3o do conte\u00fado local nos projetos. Hoje a Petrobras tem uma m\u00e9dia de nacionaliza\u00e7\u00e3o de projetos de E&amp;P variando entre 65% e 85%. Alberto Machado, diretor de \u00d3leo e G\u00e1s da Abimaq, cobra, por\u00e9m das petrol\u00edferas, um detalhamento maior de sua demanda futura e tamb\u00e9m a garantia de contrata\u00e7\u00e3o de demanda anunciada no prazo estabelecido. &#8220;Se voc\u00ea se prepara para uma coisa que vai acontecer em cinco anos e isso acontece em dez anos, voc\u00ea quebra&#8221;, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Amea\u00e7a iminente<\/strong><\/p>\n<p><em>Abimaq<\/em><\/p>\n<p>Acrescente participa\u00e7\u00e3o dos produtos importados no mercado brasileiro est\u00e1\u00a0provocando uma verdadeira atrofia em alguns setores da ind\u00fastria nacional, e j\u00e1\u00a0se fala no in\u00edcio de um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, dono do 11\u00b0\u00a0maior parque industrial do mundo. Diante da competi\u00e7\u00e3o estrangeira, muitas companhias t\u00eam abandonado sua atividade industrial para revender produtos importados, enquanto outras transferem sua produ\u00e7\u00e3o para outros pa\u00edses em busca de maior competitividade. Apesar de solucionar o problema individual da empresa, esse tipo de sa\u00edda causa uma retra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, o que refletir\u00e1\u00a0em preju\u00edzo para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, a crise vivida pela ind\u00fastria atualmente ainda n\u00e3o se traduz em menor n\u00famero de emprego porque o forte crescimento da demanda interna tem mascarado essa realidade. Entre 2004 e 2010, a ind\u00fastria criou 3,3 milh\u00f5es de novos empregos, sendo 1,7 milh\u00e3o de novos postos de trabalho somente na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, excluindo o setor extrativo e de constru\u00e7\u00e3o. Em 2010, o saldo da ind\u00fastria foi positivo em 1 milh\u00e3o de novos empregos, sendo 600 mil na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora a gera\u00e7\u00e3o de empregos na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o tenha sido positiva em 2010, o Departamento de Estudos e Pesquisas Econ\u00f4micas (Depecon) da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) estima que 75 mil empregos deixaram de ser gerados no setor nos primeiros nove meses de 2010 em virtude do aumento das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As perspectivas para o mercado de trabalho n\u00e3o s\u00e3o animadoras porque a tend\u00eancia da ind\u00fastria \u00e9\u00a0de decl\u00ednio. Quando o pa\u00eds come\u00e7ar a crescer mais lentamente ou parar de crescer, esse efeito sobre os empregos ficar\u00e1\u00a0mais vis\u00edvel. Em novembro do ano passado, o emprego industrial amargou o quarto m\u00eas consecutivo de estagna\u00e7\u00e3o, segundo a Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Sal\u00e1rio (Pimes), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Rudney Pereira Junior, gerente de projetos do Grupo Foco, consultoria de recursos humanos, afirma que a ind\u00fastria ainda n\u00e3o d\u00e1 sinais de queda no emprego, e aponta que v\u00e1rios clientes da \u00e1rea industrial est\u00e3o iniciando novos projetos neste momento. Mesmo assim, ele acredita que os sintomas da crise da ind\u00fastria podem ficar mais evidentes em cerca de dois anos, a depender da condi\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor de competitividade da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), M\u00e1rio Bernardini, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria dentre todo o emprego de carteira assinada no pa\u00eds j\u00e1 come\u00e7ou a diminuir. Nos \u00faltimos cinco anos, a fatia da ind\u00fastria passou de 18,5% para 17,7% no total de carteiras assinadas. Segundo ele, os setores industriais mais afetados pelas importa\u00e7\u00f5es s\u00e3o os de m\u00e9dia e alta tecnologia, como m\u00e1quinas e equipamentos, material el\u00e9trico, pl\u00e1stico e autom\u00f3veis. &#8220;Todos dobraram ou triplicaram sua taxa de importa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos cinco anos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, as importa\u00e7\u00f5es representavam 10% h\u00e1\u00a0cinco anos, mas hoje chegam a 25%, o que gera um d\u00e9ficit de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares na balan\u00e7a comercial do setor. Em alguns segmentos, a parcela dos importados chegou at\u00e9\u00a0a 60%, como \u00e9\u00a0o caso das m\u00e1quinas e equipamentos. De acordo com o levantamento da Abimaq, 60% desse mercado era composto por produtos nacionais e 40% de importados h\u00e1 cinco anos, mas hoje a conta se inverteu. No setor automotivo, as importa\u00e7\u00f5es passaram de 8% para 22% do consumo no mesmo intervalo.<\/p>\n<p>Um efeito colateral destrutivo \u00e9\u00a0 a substitui\u00e7\u00e3o de fornecedores nacionais de componentes por estrangeiros. &#8220;Al\u00e9m de deixar de criar empregos, isso destr\u00f3i o setor intermedi\u00e1rio de fornecimento&#8221;, afirma. Com isso, al\u00e9m dos produtos finais importados, existe um grande volume de produtos nacionais feitos com insumos importados, o que compromete toda a cadeia fornecedora.<\/p>\n<p><strong>Importa\u00e7\u00f5es em alta<\/strong><\/p>\n<p>Considerando toda a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, os resultados tamb\u00e9m s\u00e3o preocupantes. Enquanto o consumo aparente cresceu 36% nos \u00faltimos cinco anos, a produ\u00e7\u00e3o cresceu 20%, e as importa\u00e7\u00f5es cresceram 121%, de acordo com a entidade. &#8220;Se o Brasil n\u00e3o lutar pela competitividade da ind\u00fastria, teremos de aprender mandarim&#8221;, diz o representante da Abimaq.<\/p>\n<p>No setor eletroeletr\u00f4nico, o d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial alcan\u00e7ou 27,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2010, registrando recorde hist\u00f3rico, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria El\u00e9trica e Eletr\u00f4nica (Abinee). O resultado foi 56% acima do apontado em 2009 (17,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares) e 23% superior ao de 2008 (22,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares). De acordo com o levantamento, os pa\u00edses do Sudeste da \u00c1sia permaneceram como principal origem das importa\u00e7\u00f5es de produtos do setor, representando 63,5% do total.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, a Philips fechou sua f\u00e1brica de l\u00e2mpadas automotivas no Recife, com 400 funcion\u00e1rios. A companhia decidiu importar as l\u00e2mpadas de suas unidades em outros pa\u00edses, como a China. Procurada pela reportagem, a empresa confirmou o fechamento da unidade, mas afirmou que tem feito investimentos constantes no Brasil, um de seus principais mercados.<\/p>\n<p>A Paletrans, empresa fabricante de transpallets manuais, equipamento hidr\u00e1ulico para movimenta\u00e7\u00e3o de mercadorias em supermercados, tamb\u00e9m est\u00e1 sofrendo com a concorr\u00eancia chinesa e poder\u00e1 partir para as importa\u00e7\u00f5es caso o cen\u00e1rio cambial n\u00e3o se altere. Segundo o presidente da companhia, Lineu Matos Camargo Penteado, v\u00e1rias empresas do setor desistiram de fabricar o produto no Brasil nos \u00faltimos anos devido ao avan\u00e7o dos concorrentes importados. &#8220;Estamos trabalhando com preju\u00edzo, \u00e0 espera de uma melhora no c\u00e2mbio, mas n\u00e3o afasto a possibilidade de me render ao produto chin\u00eas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, a Paletrans est\u00e1 lutando para evitar essa sa\u00edda porque seria &#8220;um desastre&#8221; para o pa\u00eds. &#8220;Se houvesse um \u00edndice para calcular a balan\u00e7a comercial da m\u00e3o de obra, os n\u00fameros seriam assustadores, porque estamos exportando muitos empregos&#8221;, afirma. O c\u00e2mbio tamb\u00e9m atingiu em cheio as exporta\u00e7\u00f5es da empresa, que h\u00e1 oito anos embarcava 30% da produ\u00e7\u00e3o, mas hoje destina apenas 0,2% para o mercado externo. Apesar dos problemas no setor de transpallets, a companhia, sediada em Cravinhos, interior de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o partiu para demiss\u00f5es devido ao avan\u00e7o da sua \u00e1rea de empilhadeiras el\u00e9tricas, que n\u00e3o enfrenta similares importados. A Paletrans conta com 300 colaboradores, sendo que 120 trabalham no segmento de transpallets.<\/p>\n<p>O segmento de consumo tamb\u00e9m tem sofrido o impacto das importa\u00e7\u00f5es. No setor cal\u00e7adista, o avan\u00e7o dos produtos chineses levou o governo a impor uma tarifa de importa\u00e7\u00e3o de 13,83 d\u00f3lares por par de cal\u00e7ado chin\u00eas em mar\u00e7o do ano passado. No momento, o minist\u00e9rio est\u00e1\u00a0investigando a suspeita de que Mal\u00e1sia, Indon\u00e9sia e Vietn\u00e3\u00a0estariam enviando produtos chineses para o Brasil indiretamente. Caso a triangula\u00e7\u00e3o seja confirmada, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (MDIC) deve estender a tarifa anti dumping para esses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da feroz concorr\u00eancia chinesa, os especialistas alertam que o pa\u00eds tamb\u00e9m sofre com uma agressividade maior de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas que ainda n\u00e3o tiveram uma recupera\u00e7\u00e3o interna depois da crise internacional, e agora buscam escoar sua produ\u00e7\u00e3o por meio das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Com os mercados internos ainda abalados, muitos pa\u00edses est\u00e3o aumentando as exporta\u00e7\u00f5es&#8221;, segundo o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rog\u00e9rio C\u00e9sar de Souza.<\/p>\n<p>Outro indicador da retra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria \u00e9\u00a0sua menor participa\u00e7\u00e3o no Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o Iedi, o setor representava 27% do PIB na d\u00e9cada de 80, mas atualmente representa 16%. Ele explica que o processo ocorreu em todo o mundo, mas n\u00e3o com tanta velocidade. &#8220;Nos EUA, foi um processo de mais de 70 anos&#8221;, afirma. Segundo Souza, a ind\u00fastria continua a ser um importante motor nas economias, tanto nos EUA quanto em pa\u00edses emergentes como Coreia, China e Taiwan. A ind\u00fastria impulsiona a gera\u00e7\u00e3o de empregos no setor de servi\u00e7os porque suas atividades demandam servi\u00e7os associados de alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, sa\u00fade e transporte.<\/p>\n<p>O professor de economia da PUC-SP e membro do conselho econ\u00f4mico da Fiesp e da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Ant\u00f4nio Lacerda, explica que um dos principais benef\u00edcios gerados pela ind\u00fastria \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de valor agregado sobre as mat\u00e9rias-primas, uma vez que o pa\u00eds ganha mais exportando caf\u00e9 sol\u00favel do que caf\u00e9, por exemplo. Por essa raz\u00e3o, o especialista alerta para o risco do desequil\u00edbrio das contas externas, uma vez que as compras do pa\u00eds tendem a ficar muito maiores do que suas vendas para o exterior.<\/p>\n<p>No ano passado, o d\u00e9ficit da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o atingiu o recorde de 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, 125% acima do saldo negativo obtido em 2009, segundo c\u00e1lculos da Secretaria de Desenvolvimento da Produ\u00e7\u00e3o, do MDIC. Se forem considerados apenas os produtos manufaturados, excluindo bens com pouco grau de transforma\u00e7\u00e3o como a\u00e7o ou celulose, o d\u00e9ficit atingiu 70,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2010.<\/p>\n<p>Setor de eletroeletr\u00f4nico registrou d\u00e9ficit hist\u00f3rico da balan\u00e7a comercial<\/p>\n<p><strong>Medidas para recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio sombrio, os economistas acreditam que a crise vivida pela ind\u00fastria brasileira \u00e9\u00a0revers\u00edvel e depende de uma a\u00e7\u00e3o efetiva do governo. O principal tema do momento \u00e9\u00a0o c\u00e2mbio, que tem operado pouco acima de 1,65 real no come\u00e7o deste ano, tornando as importa\u00e7\u00f5es mais baratas e as exporta\u00e7\u00f5es mais caras.<\/p>\n<p>De acordo com Lacerda, um patamar mais adequado para o d\u00f3lar seria de pelo menos 2 reais. Ele explica que o governo tem tomado algumas medidas, mas que o problema central \u00e9\u00a0 a alta taxa de juros brasileira, que atrai capital especulativo para o pa\u00eds. Com isso, a oferta de d\u00f3lares aumenta e o real se valoriza. &#8220;O c\u00e2mbio agrava as piores condi\u00e7\u00f5es de competitividade que o Brasil tem em rela\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A constante alta do real ante o d\u00f3lar e o alto n\u00edvel da taxa de juros levaram as reservas internacionais do pa\u00eds a atingirem um recorde hist\u00f3rico em fevereiro, com 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A aquisi\u00e7\u00e3o de d\u00f3lares pelo Banco Central, na tentativa de impedir a valoriza\u00e7\u00e3o acelerada da moeda brasileira, contribui tamb\u00e9m para a expans\u00e3o das reservas estrangeiras. Outra medida tomada pelo governo para impedir uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da moeda foi o aumento da al\u00edquota do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) de 2% para 6% nas aplica\u00e7\u00f5es de investidores estrangeiras em renda fixa. O governo determinou ainda que as institui\u00e7\u00f5es financeiras que operam com posi\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio vendidas (ou seja, que apostam na valoriza\u00e7\u00e3o do real) dever\u00e3o recolher 60% sobre o valor que exceder 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da Fiesp, essas alternativas ainda s\u00e3o insuficientes. &#8220;O governo tem agido timidamente na utiliza\u00e7\u00e3o dos mecanismos de defesa comercial permitidos pelos acordos comerciais da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC)&#8221;, afirma Paulo Francini, diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econ\u00f4micos (Depecon) da entidade. Ele sugere o uso de barreiras tarifarias e n\u00e3o tarif\u00e1rias, como exig\u00eancias de qualidade ou especifica\u00e7\u00f5es apropriadas, al\u00e9m de medidas contra a pr\u00e1tica de dumping e comercializa\u00e7\u00e3o triangular praticadas principalmente pela China.<\/p>\n<p>O tema da desindustrializa\u00e7\u00e3o foi levado em fevereiro ao governo pelo Grupo de Avan\u00e7o da Competitividade (GAC), fundado em 2009, durante a crise financeira internacional. Al\u00e9m do c\u00e2mbio, a tributa\u00e7\u00e3o sobre os investimentos e projetos de infraestrutura foram as principais queixas dos empres\u00e1rios. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 imprensa, o governo tem se mostrado sens\u00edvel ao tema.<\/p>\n<p>O ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Fernando Pimentel, declarou publicamente que o governo est\u00e1\u00a0preparando medidas de desonera\u00e7\u00e3o do setor produtivo, inclusive da folha de pagamentos, e que poder\u00e1\u00a0aumentar as al\u00edquotas de imposto de importa\u00e7\u00e3o de produtos cujos similares nacionais enfrentam forte concorr\u00eancia de importados devido ao c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>De acordo com o professor Lacerda da PUC-SP, a sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0animadora. Segundo ele, o ministro do Desenvolvimento do governo anterior, Miguel Jorge, defendia a ado\u00e7\u00e3o de medidas compensat\u00f3rias, como a redu\u00e7\u00e3o de impostos para determinados produtos, mas isso era insuficiente. &#8220;\u00c9\u00a0preciso atuar em todas as frentes porque n\u00e3o estamos competindo entre n\u00f3s mesmos, mas com a China&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Outra bandeira do empresariado \u00e9\u00a0 a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros, que frearia a entrada de capital especulativo e estimularia os investimentos na ind\u00fastria. A infraestrutura deficit\u00e1ria, problemas log\u00edsticos e a estrutura tribut\u00e1ria que onera a produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o tidos como vil\u00f5es que precisam ser avaliados pelo governo neste momento.<\/p>\n<p>Mesmo com tantos indicadores desfavor\u00e1veis, a ind\u00fastria nacional tem a seu favor a previs\u00e3o de grandes investimentos nos pr\u00f3ximos anos, impulsionados pela explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, pela Copa do Mundo, pelas Olimp\u00edadas e pelas obras de infraestrutura previstas pelo Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). Segundo o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Fernando Sarti, esses eventos v\u00e3o gerar uma demanda expressiva, e a ind\u00fastria poder\u00e1 se beneficiar.<\/p>\n<p>Resta saber o quanto destas encomendas ser\u00e3o abocanhadas pelos fornecedores estrangeiros e quanto ser\u00e1\u00a0 aproveitado pela ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio em Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Os representantes da classe trabalhadora tamb\u00e9m est\u00e3o preocupados com o movimento que afeta a ind\u00fastria brasileira. Segundo Jo\u00e3o Carlos Gon\u00e7alves, o Juruna, secret\u00e1rio-geral da For\u00e7a Sindical, \u00e9 natural que a ind\u00fastria apresente queda no emprego devido \u00e0 entrada de novas tecnologias e modos de produ\u00e7\u00e3o, mas essa tend\u00eancia est\u00e1 sendo acentuada pelo avan\u00e7o desenfreado das importa\u00e7\u00f5es. &#8220;A ind\u00fastria pode ser prejudicada no longo prazo com a facilidade de importa\u00e7\u00e3o e com a concorr\u00eancia desleal&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para combater a crise, ele defende a ado\u00e7\u00e3o de medidas de prote\u00e7\u00e3o pelo governo, como barreiras tarif\u00e1rias. No momento, a For\u00e7a, a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) e a Fiesp est\u00e3o organizando um semin\u00e1rio para discutir o tema da desindustrializa\u00e7\u00e3o, que deve ocorrer em Bras\u00edlia ainda no primeiro semestre deste ano. De acordo com Juruna, a importa\u00e7\u00e3o de produtos industrializados provoca uma redu\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de novas tecnologias nacionais, o que prejudica o pa\u00eds. &#8220;Ao exportar mat\u00e9ria-prima e importar os produtos manufaturados, estamos perdendo todo o ganho de valor agregado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A ideia do semin\u00e1rio ganhou corpo no fim de dezembro do ano passado, quando o presidente da For\u00e7a Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo, Miguel Torres, e representantes CUT se reuniram com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias que impe\u00e7am a invas\u00e3o de produtos importados no pa\u00eds. Na ocasi\u00e3o do encontro, Paulinho afirmou que, embora a economia esteja crescendo e o emprego elevado, &#8220;a importa\u00e7\u00e3o est\u00e1 de assustar&#8221;. Para ele, se continuar assim, os trabalhadores ser\u00e3o os primeiros prejudicados. &#8220;Corremos o risco de virar um pa\u00eds onde o trabalhador servir\u00e1 apenas para apertar parafusos&#8221;, declarou.<\/p>\n<p><strong>Fen\u00f4meno natural<\/strong><\/p>\n<p>O diretor da Change Consultoria de Organiza\u00e7\u00e3o, Luiz Augusto Costa Leite, ressalta que a quest\u00e3o da desindustrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas presa \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 um fen\u00f4meno natural do desenvolvimento dos pa\u00edses. A l\u00f3gica, segundo ele, \u00e9 haver uma transi\u00e7\u00e3o dos empregos na ind\u00fastria manufatureira para a economia de servi\u00e7os, inclusive com\u00e9rcio. &#8220;Foi assim que os EUA fizeram sua grande mudan\u00e7a nas d\u00e9cadas 80\/90 sem reduzir o n\u00famero de empregos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O risco de, nessa transi\u00e7\u00e3o, haver uma parcela de trabalhadores n\u00e3o absorvidos pelo mercado vai depender da sa\u00fade da economia. &#8220;Havendo um fluxo intenso de investimentos, haver\u00e1\u00a0vagas. Conforme o tipo de servi\u00e7o &#8211; veja os call centers, por exemplo -, os novos empregos poder\u00e3o oferecer sal\u00e1rios menores que os da ind\u00fastria. A quest\u00e3o \u00e9 equilibrar o mix dos neg\u00f3cios nas diversas frentes e suas intersec\u00e7\u00f5es: agricultura, commodities, diferentes tipos de ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Lembremo-nos de que, atualmente, nas economias mais avan\u00e7adas, o emprego na agricultura n\u00e3o absorve mais que tr\u00eas por cento da m\u00e3o de obra&#8221;, explica o consultor, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Comit\u00ea Orientador do CONARH 2011.<\/p>\n<p><strong>Capital humano<\/strong><\/p>\n<p>Para ele, a desindustrializa\u00e7\u00e3o por falta de capacidade competitiva em pre\u00e7os \u00e9\u00a0uma grande amea\u00e7a ao emprego, mas deve ser vista dentro de seu contexto. &#8220;\u00c9\u00a0 poss\u00edvel, por exemplo, que o Brasil tenha de deixar de produzir cal\u00e7ados porque n\u00e3o compete com os chineses, mas pode estabelecer um mecanismo de trocas que nos d\u00ea\u00a0dinheiro para compensar isso, al\u00e9m de investir pesado na ind\u00fastria mais sofisticada, por exemplo, na industrializa\u00e7\u00e3o das commodities que exportamos. Valor agregado \u00e9\u00a0a palavra-chave&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, ele gosta de destacar que o mundo moderno \u00e9\u00a0o do capital humano. E n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 s\u00f3\u00a0na ind\u00fastria sofisticada. No que se refere \u00e0\u00a0qualifica\u00e7\u00e3o de pessoal, a carga de conhecimentos exigida a um operador \u00e9\u00a0muito maior, mesmo para fazer opera\u00e7\u00f5es aparentemente simples. &#8220;Basta comparar um cortador de cana \u00e0\u00a0maneira antiga com um operador de colheitadeira cheia de controles eletr\u00f4nicos. N\u00e3o h\u00e1\u00a0nada contra exportar recursos de commodities. A quest\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0o quanto isso beneficia o pa\u00eds comercialmente e em gera\u00e7\u00e3o de empregos. Toda a tecnologia \u00e9\u00a0redutora de m\u00e3o de obra naquele equipamento espec\u00edfico. Quando o empres\u00e1rio substitui um equipamento, o novo produz muito mais com menos gente. Em compensa\u00e7\u00e3o, o aumento de produtividade deve gerar resultados melhores, o que permite novos investimentos e empregos.&#8221;<\/p>\n<p>E por falar em novos empregos, alguns levantamentos v\u00eam mostrando recordes de contrata\u00e7\u00e3o com carteira assinada no pa\u00eds. Bem como alguns especialistas destacam que nossa economia anda aquecida. N\u00e3o haveria uma contradi\u00e7\u00e3o em dizer que vivemos \u00e0s voltas com um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o? Sim, de acordo com o advogado Jos\u00e9\u00a0Eduardo Pastore, do Escrit\u00f3rio Pastore Advogados. &#8220;Na verdade, \u00e9\u00a0um paradoxo. O mercado aquecido e o crescimento da economia promovem dois fen\u00f4menos: aumento do emprego e da competi\u00e7\u00e3o. O paradoxo reside nesse aspecto&#8221;, conta ele, apresentando, em seguida, um problema: como competir, tendo de baixar custo (que \u00e9\u00a0inerente ao processo de concorr\u00eancia) com um custo de m\u00e3o de obra, sem falar nos outros custos, como o tribut\u00e1rio, na ordem de 102% sobre a folha de pagamento?&#8221;Cada vez mais empresas brasileiras sofrem os efeitos da concorr\u00eancia, nacional e internacional, sendo que n\u00e3o podem, por exemplo, contratar m\u00e3o de obra que custe menos que 102% de sua folha de pagamento. Esse \u00e9\u00a0um dos fato<\/p>\n<p>res da &#8216;desindustrializa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Pastore n\u00e3o concorda com a tese de que a quest\u00e3o da desindustrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1\u00a0apenas presa \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, mas \u00e9\u00a0um fen\u00f4meno natural do desenvolvimento dos pa\u00edses. &#8220;Temos o sistema tribut\u00e1rio mais injusto do planeta. Onera a produ\u00e7\u00e3o de forma brutal. Junto a isso, faz pesar sobre a folha de pagamento 102% de encargos sociais. O empreendedor brasileiro, ainda assim \u00e9\u00a0um vitorioso. S\u00f3\u00a0esses dois fatores criam uma situa\u00e7\u00e3o extremamente desigual, em termos de competi\u00e7\u00e3o, quando as empresas brasileiras t\u00eam de enfrentar o mercado globalizado&#8221;, observa.<\/p>\n<p><strong>Pergunta patriota<\/strong><\/p>\n<p>Em alguns casos, algumas empresas acabam, diante desses custos, buscando instalar em outros pa\u00edses sua produ\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, \u00e9\u00a0preciso se perguntar o porqu\u00ea\u00a0do fen\u00f4meno da desindustrializa\u00e7\u00e3o, instiga Pastore. &#8220;Ele, quase sempre, n\u00e3o decorre de uma op\u00e7\u00e3o, mas da falta de op\u00e7\u00e3o, ou seja, a migra\u00e7\u00e3o de empresas para outros pa\u00edses \u00e9\u00a0decorrente de uma crise, dificuldade, e n\u00e3o de uma oportunidade. Voc\u00ea\u00a0pode perguntar para os empres\u00e1rios que foram para a \u00cdndia ou China por que foram para l\u00e1. Ou, se desejar fazer uma pergunta um pouco mais patriota, pergunte para esse empres\u00e1rio se o seu custo de contrata\u00e7\u00e3o ou carga tribut\u00e1ria fosse menor, ele n\u00e3o ficaria aqui no Brasil. Eis o problema&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Costa Leite tamb\u00e9m conta que v\u00e1rias empresas brasileiras est\u00e3o criando opera\u00e7\u00f5es no exterior, como o fizeram as economias maduras ao longo do tempo, sempre em busca de bons ambientes de investimento e retorno. &#8220;H\u00e1\u00a0ind\u00fastrias brasileiras que j\u00e1\u00a0abriram f\u00e1bricas na China. Mas essa migra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece aqui dentro: quando a ind\u00fastria cal\u00e7adista fechou f\u00e1bricas no Rio Grande do Sul para se beneficiar dos incentivos do Nordeste, tamb\u00e9m desempregou gente; em compensa\u00e7\u00e3o, abriu mercado de trabalho naquela regi\u00e3o, talvez at\u00e9\u00a0com um custo menor de pessoal. O chamado Custo Brasil cont\u00e9m, sem d\u00favidas, efeitos perversos, mas tem o atenuante de os sal\u00e1rios serem mais baixos, embora com encargos altos. Foi tamb\u00e9m isso que atraiu multinacionais. N\u00e3o se pode julgar simploriamente a perda para o pa\u00eds porque uma empresa transfere opera\u00e7\u00f5es para o exterior. O jogo da economia \u00e9 mais complexo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>E o que o RH pode fazer? Antecipar-se \u00e0s mudan\u00e7as e jogar pesado em forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento profissional \u00e9\u00a0uma das a\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, segundo Costa Leite que acrescenta, na lista, participar de negocia\u00e7\u00f5es que envolvam conhecimento e utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra. &#8220;Os chineses est\u00e3o financiando obras desde que mandem grandes contingentes de t\u00e9cnicos para montar as ind\u00fastrias. Seria quase que outra forma de desindustrializa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Nada contra a m\u00e3o de obra externa, pelo contr\u00e1rio, desde que n\u00e3o se mate o mercado de trabalho local&#8221;, diz. Al\u00e9m disso, ele conta que RH tamb\u00e9m deve acompanhar os movimentos da macroeconomia, como o debate e as a\u00e7\u00f5es sobre investimentos em atividades geradoras de emprego, como em infraestrutura. &#8220;A migra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra \u00e9 fundamental quando a desindustrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nNova se\u00e7\u00e3o do Portal do PCB traz informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre as realidades brasileira e internacional\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2259\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2259","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ar","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}