{"id":2263,"date":"2012-01-16T23:43:16","date_gmt":"2012-01-16T23:43:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2263"},"modified":"2012-01-16T23:43:16","modified_gmt":"2012-01-16T23:43:16","slug":"o-imperialismo-e-o-anti-imperialismo-dos-tolos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2263","title":{"rendered":"O imperialismo e o \u201canti-imperialismo\u201d dos tolos"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Um dos grandes paradoxos da hist\u00f3ria s\u00e3o os pol\u00edticos imperialistas que apregoam estar empenhados numa grande cruzada humanit\u00e1ria, um &#8220;miss\u00e3o civilizadora&#8221; hist\u00f3rica destinada a libertar na\u00e7\u00f5es e povos, enquanto praticam as mais b\u00e1rbaras conquistas, guerras destrutivas e banhos de sangue em grande escala de povos conquistados de que h\u00e1 mem\u00f3ria hist\u00f3rica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na moderna era capitalista, as ideologias dos dominadores imperiais variaram ao longo do tempo, desde os primitivos apelos ao \u201cdireito\u201d \u00e0 riqueza, poder, col\u00f4nias e grandeza at\u00e9 as afirma\u00e7\u00f5es posteriores de uma \u201cmiss\u00e3o civilizadora\u201d. Mais recentemente os dominadores imperiais t\u00eam propalado justifica\u00e7\u00f5es muito diversas, adaptadas a contextos, advers\u00e1rios, circunst\u00e2ncias e p\u00fablicos espec\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Este ensaio estar\u00e1 concentrado na an\u00e1lise dos argumentos ideol\u00f3gicos contempor\u00e2neos do imp\u00e9rio estadunidense para legitimar guerras e san\u00e7\u00f5es a fim de manter a domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Contextualizando a ideologia imperial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A propaganda imperialista varia consoante seja dirigida contra um competidor pelo poder global ou como uma justifica\u00e7\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es ou ainda a entrada em guerra aberta contra um advers\u00e1rio s\u00f3cio-pol\u00edtico local ou regional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Em rela\u00e7\u00e3o a competidores imperiais estabelecidos (Europa) ou em ascens\u00e3o na economia mundial (China), a propaganda imperial dos EUA variou ao longo do tempo. Antigamente, no s\u00e9culo XIX, Washington proclamou a \u201cDoutrina Monroe\u201d, denunciando esfor\u00e7os europeus para colonizar a Am\u00e9rica Latina, privilegiando os seus pr\u00f3prios des\u00edgnios imperiais naquela regi\u00e3o. No s\u00e9culo XX, quando os decisores imperiais dos EUA estavam deslocando a Europa dos recursos prim\u00e1rios baseados nas col\u00f4nias no Oriente M\u00e9dio e \u00c1frica, aproveitou-se de v\u00e1rios temas. Condenou \u201cformas de domina\u00e7\u00e3o colonial\u201d e promoveu transi\u00e7\u00f5es \u201cneo-coloniais\u201d que acabaram com monop\u00f3lios europeus e facilitaram a penetra\u00e7\u00e3o corporativa de multinacionais estadunidenses. Isto ficou claramente evidente durante e ap\u00f3s a IIa. Guerra Mundial, nos pa\u00edses petrol\u00edferos do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Durante a d\u00e9cada de 1950, quando os EUA assumiram o primado imperial e surgiu o nacionalismo anti-colonial, Washington forjou alian\u00e7as com pot\u00eancias coloniais em decl\u00ednio para combater um inimigo comum e incentivar poderes p\u00f3s coloniais a combat\u00ea-lo. Mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica p\u00f3s IIa. Guerra Mundial, com o crescimento e unifica\u00e7\u00e3o da Europa, ela ainda atuou em conjunto e sob a lideran\u00e7a dos EUA na repress\u00e3o militar de insurg\u00eancias e regimes nacionalistas. Quando se verificavam conflitos e competi\u00e7\u00e3o entre os EUA e regimes, bancos e empresas europeias, os mass media (IMPRENSA) de cada regi\u00e3o publicavam \u201cdescobertas de investiga\u00e7\u00e3o\u201d revelando as fraudes e malfeitorias dos seus competidores \u2013 e as ag\u00eancias reguladoras dos EUA impunham multas pesadas sobre os seus colegas europeus, fazendo vistas grossas \u00e0 pr\u00e1ticas semelhantes das firmas financeiras da\u00a0<em>Wall Street<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Em tempos recentes a mar\u00e9 ascendente do imperialismo militarista e das guerras coloniais alimentadas por procuradores israelenses no estado dos EUA levaram a algumas s\u00e9rias diverg\u00eancias entre o imperialismo estadunidense e o europeu. Com a exce\u00e7\u00e3o da Inglaterra, a Europa assumiu um m\u00ednimo compromisso simb\u00f3lico com as guerras dos EUA e a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e Afeganist\u00e3o. A Alemanha e a Fran\u00e7a concentraram-se em expandir seus mercados de exporta\u00e7\u00e3o e suas capacidades econ\u00f4micas, deslocando os EUA em grandes mercados e locais com recursos. A converg\u00eancia dos EUA e de imp\u00e9rios europeus levou \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es financeiras e \u00e0s subsequentes crises e colapso comuns mas sem qualquer pol\u00edtica coordenada de recupera\u00e7\u00e3o. Ide\u00f3logos dos EUA propagaram a ideia de uma \u201cUni\u00e3o Europeia em decl\u00ednio e decad\u00eancia\u201d, ao passo que ide\u00f3logos europeus enfatizaram os fracassos dos \u201cmercados livres\u201d anglo-americanos e as fraudes da\u00a0<em>Wall Street.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Ideologia imperial, pot\u00eancias econ\u00f4micas em ascens\u00e3o e desafios nacionalistas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">H\u00e1 uma longa hist\u00f3ria de \u201canti-imperialismo\u201d imperialista, condena\u00e7\u00f5es, revela\u00e7\u00f5es e indigna\u00e7\u00f5es morais patrocinadas oficialmente dirigidas exclusivamente contra rivais imperialistas, pot\u00eancias emergentes ou simplesmente competidoras, as quais em alguns casos est\u00e3o simplesmente a seguir as pegadas das pot\u00eancias imperiais estabelecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">No seu auge, os imperialistas ingleses justificavam sua pilhagem em escala mundial de tr\u00eas continentes perpetuando a &#8220;Lenda negra&#8221; da \u201ccrueldade excepcional\u201d do imp\u00e9rio espanhol para com povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina, enquanto empenhava-se no maior e mais lucrativo tr\u00e1fico africano de escravos. Enquanto os colonialistas espanh\u00f3is escravizavam os povos ind\u00edgenas, os colonizadores anglo-americanos exterminavam-nos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na prepara\u00e7\u00e3o para a IIa. Guerra Mundial, as pot\u00eancias imperiais europeias e dos EUA, enquanto exploravam col\u00f4nias asi\u00e1ticas condenavam a invas\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o da China pela pot\u00eancia imperial japonesa. O Jap\u00e3o, por sua vez, afirmava estar a liderar for\u00e7as da \u00c1sia no combate contra o imperialismo ocidental e projetava uma esfera de \u201cco-prosperidade\u201d p\u00f3s colonial de parceiros asi\u00e1ticos em p\u00e9 de igualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A utiliza\u00e7\u00e3o imperialista da ret\u00f3rica moral \u201cantiimperialista\u201d foi concebida para enfraquecer rivais e era destinada a diversos p\u00fablicos. De fato, em momento algum a ret\u00f3rica antiimperialista serviu para \u201clibertar\u201d qualquer dos povos colonizados. Em quase todos os casos a pot\u00eancia imperial vitoriosa apenas substitu\u00eda uma forma de dom\u00ednio colonial ou neocolonial por outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O \u201cantiimperialismo\u201d dos imperialistas \u00e9 destinado aos movimentos nacionalistas dos pa\u00edses colonizados e ao seu p\u00fablico interno. Imperialistas brit\u00e2nicos fomentaram levantamentos entre as elites agro-mineiras na Am\u00e9rica Latina prometendo \u201ccom\u00e9rcio livre\u201d contra o dom\u00ednio mercantilista espanhol; eles apoiaram a \u201cautodetermina\u00e7\u00e3o\u201d dos propriet\u00e1rios escravocratas de planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o nos Sul dos EUA contra a Uni\u00e3o; eles apoiaram as reivindica\u00e7\u00f5es territoriais dos l\u00edderes tribais iroqueses contra os revolucion\u00e1rios anticoloniais estadunidenses explorando agravos leg\u00edtimos para fins imperiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Durante a IIa. Guerra Mundial, os imperialistas japoneses apoiaram um setor movimento nacionalista anticolonial na \u00cdndia contra o Imp\u00e9rio brit\u00e2nico. Os EUA condenaram o dom\u00ednio colonial espanhol em Cuba e nas Filipinas e foram \u00e0 guerra para \u201clibertar\u201d os povos oprimidos da tirania e ali permaneceram para impor um reino de terror, explora\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio colonial&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">As pot\u00eancias coloniais procuram dividir os movimentos anticoloniais e criar futuros \u201cdominadores clientes\u201d quando e se tiverem \u00eaxito. A utiliza\u00e7\u00e3o da ret\u00f3rica antiimperialista foi concebida para atrair dois conjuntos de grupos. Um grupo conservador com interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos comuns com a pot\u00eancia imperial, os quais partilhavam a sua hostilidade para com nacionalistas revolucion\u00e1rios e que procuram acumular maior vantagem ligando as suas fortunas a uma pot\u00eancia imperial e ascens\u00e3o. Um setor radical do movimento aliava-se taticamente com a pot\u00eancia imperial em ascens\u00e3o, com a ideia de utiliz\u00e1-la para assegurar recursos (armas, propaganda, ve\u00edculos e ajuda financeira) e, uma vez assegurado o poder, descart\u00e1-lo. Na maioria dos casos, neste jogo de manipula\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre imp\u00e9rio e nacionalistas, os primeiros venceram tanto antes como hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A ret\u00f3rica imperialista \u201cantiimperialista\u201d era igualmente destinada ao p\u00fablico interno, especialmente em pa\u00edses como os EUA que valorizavam sua heran\u00e7a anticolonial do s\u00e9culo XVIII. O objetivo era ampliar a base da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio para al\u00e9m dos empedernidos lealistas, militaristas e benefici\u00e1rios corporativos do imp\u00e9rio. O seu apelo procura incluir liberais, pessoas humanit\u00e1rias, intelectuais progressistas, moralistas religiosos e laicos e outros \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d que tivessem uma certa influ\u00eancia entre o p\u00fablico mais amplo, as pessoas que teriam de pagar com as suas vidas e dinheiro para impostos pelas guerras inter-imperialistas e coloniais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Os porta-vozes oficiais do imp\u00e9rio publicitam atrocidades reais e falsificadas dos seus rivais imperiais e destacam os infort\u00fanios das v\u00edtimas colonizadas. A elite corporativa e os militaristas empedernidos pedem a\u00e7\u00e3o militar para proteger a propriedade, ou tomar recursos estrat\u00e9gicos; as pessoas com sentimentos humanit\u00e1rios e progressistas denunciam os \u201ccrimes contra a humanidade\u201d e refletem os apelos \u201ca fazer algo concreto\u201d para salvar as v\u00edtimas do genoc\u00eddio. Setores da esquerda juntam-se ao coro, descobrindo um setor de v\u00edtimas que se ajusta \u00e0 sua ideologia abstrata e pedem \u00e0s pot\u00eancias imperiais para \u201carmarem o povo para que se liberte\u201d (sic).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Ao conceder apoio moral e um verniz de respeitabilidade \u00e0 guerra imperial, com a degluti\u00e7\u00e3o da \u201cguerra para salvar v\u00edtimas\u201d os progressistas tornam-se o prot\u00f3tipo do \u201canti-imperialismo dos tolos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Tendo assegurado vasto apoio p\u00fablico na base do \u201cantiimperialismo\u201d, as pot\u00eancias imperialistas sentem-se livres para sacrificar vidas de cidad\u00e3os e o tesouro p\u00fablico, para prosseguir a guerra, alimentada pelo fervor moral de uma causa justiceira. Quando a carnificina se arrasta e as baixas crescem e o p\u00fablico aborrece-se com a guerra e o seu custo, o entusiasmo de progressistas e esquerdistas transforma-se em sil\u00eancio ou pior, hipocrisia moral com afirma\u00e7\u00f5es de que \u201ca natureza da guerra mudou\u201d ou \u201cque isto n\u00e3o \u00e9 a esp\u00e9cie de guerra que t\u00ednhamos em mente&#8230;\u201d. Como se os feitores da guerra alguma vez pretendessem consultar os progressistas e a esquerda sobre como e porque deveriam empenhar-se em guerras imperiais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">No per\u00edodo contempor\u00e2neo as guerras imperiais \u201cantiimperialistas\u201d e a agress\u00e3o foram grandemente ajudadas pela cumplicidade de \u201cbases\u201d bem financiadas chamadas \u201corganiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais\u201d(ONGs) as quais atuam na mobiliza\u00e7\u00e3o de movimentos populares que podem \u201cconvidar\u201d \u00e0 agress\u00e3o imperial.\u00a0<em>(P. ex., \u00e9 o que a AVAAZ esta fazendo na S\u00edria \u2013 Nota da redecastorphoto)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas o imperialismo estadunidense fomentou pelo menos duas d\u00fazias de movimentos \u201cde base\u201d que destru\u00edram governos democr\u00e1ticos ou dizimaram estados de previd\u00eancia colectivista ou provocaram grandes danos \u00e0s economias de pa\u00edses alvos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">No Chile, durante os anos 1972-73 sob o governo eleito democraticamente de Salvador Allende, a CIA financiou a proporcionou apoio importante \u2013 via AFL-CIO \u2013 a propriet\u00e1rios privados de caminh\u00f5es para paralisar o fluxo de bens e servi\u00e7os. Tamb\u00e9m financiaram uma greve de um setor do sindicato de trabalhadores do cobre (na mina El Teniente) a fim de reduzir a produ\u00e7\u00e3o de cobre e as exporta\u00e7\u00f5es, na prepara\u00e7\u00e3o para o golpe. Depois de os militares tomarem o poder v\u00e1rios respons\u00e1veis do sindicato democrata-crist\u00e3o \u201cda base\u201d participaram no expurgo de ativistas de esquerda eleitos do sindicato. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que imediatamente os propriet\u00e1rios de caminh\u00f5es e trabalhadores do cobre acabaram a greve, abandonaram suas exig\u00eancias e a seguir perderam todos os direitos de negocia\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na d\u00e9cada de\u00a01980 a\u00a0CIA, atrav\u00e9s de canais do Vaticano, transferiu milh\u00f5es de d\u00f3lares para apoiar o \u201cSindicato Solidariedade\u201d na Pol\u00f3nia, transformando num her\u00f3i o l\u00edder dos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, Lech Walesa, o qual atuou como ponta de lan\u00e7a na greve geral para deitar abaixo o regime. Com o seu derrube tamb\u00e9m foram derrubadas a garantia de emprego, a seguran\u00e7a social e a milit\u00e2ncia sindical: os regimes neoliberais reduziram a for\u00e7a de trabalho em Gdansk em cinquenta por cento e finalmente encerraram o estaleiro, dando um pontap\u00e9 em toda a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Walesa aposentou-se com uma magn\u00edfica pens\u00e3o presidencial, enquanto os seus antigos colegas de trabalho vagueavam nas ruas e os novos dominadores \u201cindependentes\u201d da Pol\u00f4nia proporcionavam bases militares para a NATO e mercen\u00e1rios para guerras imperiais no Afeganist\u00e3o e no Iraque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Em\u00a02002 a\u00a0Casa Branca, a CIA, a AFL-CIO e ONGs, apoiadas por militares, homens de neg\u00f3cios e burocratas sindicais venezuelanos dirigiram um golpe \u201cdas bases\u201d que derrubou o presidente Chavez democraticamente eleito. Em 48 horas uma mobiliza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica com um milh\u00e3o de pessoas dos pobres urbanos apoiados por militares constitucionalistas derrotou os ditadores apoiados pelos EUA e rep\u00f4s Ch\u00e1vez no poder. Subsequentemente, executivos do petr\u00f3leo dirigiram um\u00a0<em>lockout<\/em> apoiado por v\u00e1rias ONGs financiadas pelos EUA. Eles foram derrotados pela tomada da ind\u00fastria do petr\u00f3leo pelos trabalhadores. O golpe fracassado e o\u00a0<em>lockout<\/em> custaram \u00e0 economia venezuelana bilh\u00f5es de d\u00f3lares em rendimento perdido e provocaram um decl\u00ednio de dois algarismos no PIB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-1miMoaVdT8E\/TxDnv_4p4dI\/AAAAAAAAE9Q\/9SMuqRZwTsA\/s1600\/camp_bondsteel_kosovo_50pc.jpg\" target=\"_blank\"><img border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Os EUA apoiaram \u201cbases\u201d de jihadistas armados para libertar a \u201cB\u00f3snia\u201d e armaram as \u201cbases\u201d terroristas do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Kosovo para despeda\u00e7ar a Iugosl\u00e1via. Quase toda a esquerda ocidental alegrou-se quando os EUA bombardearam Belgrado, degradaram a economia e afirmaram estar \u201crespondendo a um genoc\u00eddio\u201d. O \u201clivre e independente\u201d Kosovo tornou-se um enorme mercado de escravas brancas, passou a abrigar a maior base militar dos Estados Unidos na Europa, com a mais elevada migra\u00e7\u00e3o per capita de qualquer pa\u00eds da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A estrat\u00e9gia imperial das \u201cbases\u201d combina ret\u00f3rica humanit\u00e1ria, democr\u00e1tica e antiimperialista com ONGs pagas e treinadas, com\u00a0<em>blitzes<\/em> de IMPRENSA para mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica ocidental e especialmente \u201cprestigiosos cr\u00edticos morais de esquerda<em>\u201d (caso t\u00edpico da Anistia Internacional \u201cHuman Rights Watch\u201d\u2013 Nota da redecastorphoto) <\/em>por tr\u00e1s das suas tomadas de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>A consequ\u00eancia de movimentos imperiais promovidos a \u201canti-imperialistas\u201d: Quem ganha e quem perde?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O registo hist\u00f3rico dos movimentos \u201cde base\u201d imperialistas promovidos a \u201cantiimperialistas\u201d e \u201cpr\u00f3 democracia\u201d \u00e9 constantemente negativo. Vamos resumir brevemente os resultados. No Chile a greve \u201cde base\u201d dos propriet\u00e1rios de caminh\u00f5es levou \u00e0 brutal ditadura militar de Augusto Pinochet e a cerca de duas d\u00e9cadas de tortura, assassinatos, pris\u00e3o e ex\u00edlio for\u00e7ados de centenas de milhares, \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de brutais \u201cpol\u00edticas de mercado livre\u201d e \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas imperiais dos EUA. Em resumo, as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais do cobre estadunidenses e a oligarquia chilena foram os grandes vencedores e a massa da classe trabalhadora e os pobres urbanos e rurais os grandes perdedores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Os EUA apoiaram \u201clevantamentos da base\u201d na Europa Oriental contra a domina\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica levou \u00e0 domina\u00e7\u00e3o estadunidense; \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 OTAN ao inv\u00e9s do Pacto de Vars\u00f3via; \u00e0 transfer\u00eancia maci\u00e7a de empresas p\u00fablicas nacionais, bancos e imprensa para multinacionais ocidentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A privatiza\u00e7\u00e3o de empresas nacionais levou a n\u00edveis sem precedentes de desemprego com dois algarismos, disparo de rendas e o crescimento da pobreza entre pensionistas. As crises induziram a fuga de milh\u00f5es dos trabalhadores mais educados e qualificados e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica gratuita, da educa\u00e7\u00e3o superior e estabelecimentos de f\u00e9rias para trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Nos estados hoje capitalistas da Europa Oriental e da URSS\u00a0<em>gangs<\/em> criminosas altamente organizadas desenvolveram prostitui\u00e7\u00e3o em grande escala e redes de droga; \u201cempres\u00e1rios\u00a0<em>gangsters<\/em>\u201d estrangeiros e locais apresaram empresas p\u00fablicas lucrativas e formaram uma nova classe de super oligarcas. Pol\u00edticos de partidos eleitorais, pessoas de neg\u00f3cios locais e profissionais ligadas a \u201cparceiros\u201d ocidentais foram os vencedores socioecon\u00f4micos. Pensionistas, trabalhadores, agricultores coletivos, juventude desempregada foram os grandes perdedores juntamente com os anteriormente subsidiados artistas culturais. Bases militares na Europa Oriental tornaram-se a primeira linha do imp\u00e9rio para ataque militar \u00e0 R\u00fassia e o alvo de qualquer contra-ataque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Se medirmos as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a no poder imperial, \u00e9 claro que os pa\u00edses da Europa Oriental tornaram-se ainda mais subservientes sob os EUA e a UE do que sob a R\u00fassia. Crises financeiras induzidas pelo ocidente devastaram suas economias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Tropas da Europa Oriental serviram em mais guerras imperiais sob a OTAN do que sob a influ\u00eancia sovi\u00e9tica; a IMPRENSA e a cultura est\u00e3o sob o controle comercial do ocidente. Acima de tudo, o grau de controle imperial sobre todos os setores econ\u00f4micos excedeu de longe qualquer coisa que tenha existido sob os sovi\u00e9ticos. O movimento \u201cde bases\u201d na Europa Oriental teve \u00eaxito em aprofundar e estender o Imp\u00e9rio dos EUA; os advogados da paz, justi\u00e7a social, independ\u00eancia nacional, de um renascimento cultural e bem-estar social com democracia foram os grandes perdedores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Liberais ocidentais, progressistas e gente de esquerda que se apaixonou pelo \u201cantiimperialismo\u201d promovido pelos imperialistas s\u00e3o tamb\u00e9m grandes perdedores. Seu apoio ao ataque da OTAN \u00e0 Iugosl\u00e1via levou ao despeda\u00e7ar de um estado multinacional e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de enormes bases militares da OTAN e a um para\u00edso para traficantes de escravas no Kosovo. Seu apoio cego \u00e0 promovida \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d imperial da Europa Oriental devastou o estado previd\u00eancia, eliminando a press\u00e3o sobre os regimes ocidentais da necessidade de competir em disposi\u00e7\u00f5es de bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Os principais benefici\u00e1rios dos avan\u00e7os imperiais do ocidente via levantamentos \u201cde base\u201d foram as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais, Pent\u00e1gono e os neoliberais do livre mercado de extrema direita. Quando todo o espectro pol\u00edtico se move para a direita um setor da esquerda e progressistas finalmente salta para o comboio. Os moralistas de esquerda perderam credibilidade e apoio, seus movimentos de paz minguaram, suas \u201ccr\u00edticas morais\u201d perderam resson\u00e2ncia. A esquerda e progressistas que foram a reboque dos \u201cmovimentos de base\u201d apoiados pelo imp\u00e9rio, quer em nome do \u201canti-stalinismo\u201d, \u201cpr\u00f3 democracia\u201d ou \u201cantiimperialismo\u201d nunca se empenharam em qualquer reflex\u00e3o cr\u00edtica; nenhum esfor\u00e7o para analisar as consequ\u00eancias negativas a longo prazo das suas posi\u00e7\u00f5es em termos de perdas de bem-estar social, independ\u00eancia nacional ou dignidade pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A longa hist\u00f3ria da manipula\u00e7\u00e3o imperialista de narrativas \u201cantiimperialistas\u201d encontrou express\u00e3o virulenta nos dias de hoje. A Nova Guerra Fria lan\u00e7ada por Obama contra a China e a R\u00fassia, a guerra quente que fermenta no Golfo sobre a alegada amea\u00e7a militar do Ir\u00e3, a amea\u00e7a intervencionista contra \u201credes de droga\u201d da Venezuela e o \u201cbanho de sangue\u201d da S\u00edria s\u00e3o parte integrante da utiliza\u00e7\u00e3o e abuso do \u201cantiimperialismo\u201d para promover um imp\u00e9rio em decl\u00ednio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Esperan\u00e7osamente, os escritores de esquerda aprender\u00e3o com as ciladas ideol\u00f3gicas do passado e resistir\u00e3o \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de terem acesso \u00e0 IMPRENSA proporcionando uma \u201ccobertura progressista\u201d a d\u00fabios \u201crebeldes\u201d imperiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">J\u00e1 \u00e9 tempo de distinguir entre movimentos antiimperialistas e pr\u00f3 democracia genu\u00ednos e aqueles promovidos por Washington, OTAN e a IMPRENSA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">30\/Dezembro\/2011<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O artigo original, em ingl\u00eas, encontra-se em:\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/petras.lahaine.org\/?p=1886\" target=\"_blank\">Imperialism and the \u201cAnti-Imperialism of the Fools<\/a>\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Esta tradu\u00e7\u00e3o foi extra\u00edda de<strong> <a href=\"http:\/\/resistir.info\/petras\/petras_30dez11.html\" target=\"_blank\">Resistir<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/petras\/petras_30dez11.html\" target=\"_blank\"> <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\npor\u00a0James Petras \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2263\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Av","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}