{"id":22650,"date":"2019-03-24T20:37:19","date_gmt":"2019-03-24T23:37:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22650"},"modified":"2019-03-29T22:23:01","modified_gmt":"2019-03-30T01:23:01","slug":"a-face-nua-e-cruel-do-mercado-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22650","title":{"rendered":"A face nua e cruel do mercado no poder"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/XX6cwkKyU4LWPJCZrR_73Sr1eqYyfhcBm7yuod8mhFWKMLqwXw7Fu9gByvnsfRbUakB8-ftHHn1j59SYN6a5EJWrw0s5eo-c9_qQp0JmF-5ZPJ3DmvxgvA9jEbUwijCBwWVgSwaYLb37JQvBAdm1gphLZ_3ZIPrPAGfMyH34MNuDbi_fQos5YDtu13HnszjflqfERnRRoYVovDRCATAMHB6OIF11m34m2XuPn7QdI5ynqfPbPzpUoeyCeUC_hElJ_1e3uowWXrWysJ-X0wnvzzHpQiuObjfa1SX2RyCrwlez49IMcsgquT3OiPPMZu-QBJJl_VhhdjdbmtquqLHj4eUyYFFBXtj0uHo9WtXdg7cUyYjVxpQ3AhksLj0Wd_n5AqKpjFiBEDTrf_elIbkoe5IABLhrrMKeAsbnh8VI6dLs09NRFZPZCc5PpbBX26d9AdNSRvsoZqQzN_6OELS5hjPVV5WcXtKbnv161pp-W-cxVBg9ysEjcOlpLYiDZzT8tNeMi9QMnokTRFi2xaVWF0stdmuG3rPSxmfzJiK8wpuxzRt_uDxRMZYno8gIp4q1U_gwJRYWKkET1RIuo-0It7QySdN7I7RVSj5jD0MugC2PYlQDxF7BkeTN2k--6wmjxgSFqopI-XXA2zt9WGPIlfr5DFaDCymW=w903-h299-no\"\/><!--more-->Paulo Guedes: assassino social a servi\u00e7o dos rentistas, grandes empres\u00e1rios e do imperialismo\n<\/p><p>\nEdmilson Costa*\n<\/p><p>\nO governo Bolsonaro n\u00e3o pode ser considerado um governo cl\u00e1ssico de direita. Cada dia algu\u00e9m em sua equipe fala uma barbaridade, toma uma decis\u00e3o absurda, publica uma not\u00edcia falsa, provoca um esc\u00e2ndalo ou diz alguma coisa que gera chacota pelo mundo afora. Parece uma trupe alucinada constitu\u00edda por folcl\u00f3ricos e desqualificados, o que tem certo sentido de verdade. \n<\/p><p>\nNo entanto, n\u00e3o se pode pautar esse governo pela cortina de fuma\u00e7a que diariamente inventa para fidelizar sua tropa e distrair a oposi\u00e7\u00e3o. Mesmo sabendo que \u00e9 um condom\u00ednio constitu\u00eddo por assassinos sociais, fundamentalistas, corruptos, milicianos, lumpesinato pol\u00edtico e t\u00edteres do imperialismo, n\u00e3o se pode subestimar seus verdadeiros objetivos, pois est\u00e3o a servi\u00e7o de uma poderosa classe dominante que bancou politicamente e financiou a elei\u00e7\u00e3o desse governo.\n \nA l\u00f3gica do circo \u00e9 um m\u00e9todo funcional para esconder o essencial, que \u00e9 a violenta ofensiva do grande capital nacional e internacional contra os trabalhadores, a juventude e as massas pobres urbanas e rurais, para rebaixar o custo de m\u00e3o de obra, saquear o fundo p\u00fablico e entregar o patrim\u00f4nio nacional ao capital privado, cujo s\u00edndico \u00e9 o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele n\u00e3o se exp\u00f5e diariamente, prefere manter o estilo discreto para n\u00e3o se queimar, mas \u00e9 eficiente na conspira\u00e7\u00e3o \u00e0s sombras, com chantagens, clientelismo, argumentos falaciosos e oferta de vantagens aos parlamentares e governadores, de forma a atingir os objetivos da burguesia brasileira e do imperialismo, mesmo que para isso tenha que rasgar a Constitui\u00e7\u00e3o, destruir os direitos e garantias dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o em geral, implodir as conquistas democr\u00e1ticas e implantar a barb\u00e1rie social no Pa\u00eds. \n<\/p><p>\nPaulo Guedes foi o escolhido pelo mercado para realizar o trabalho sujo. Considerado um intelectual med\u00edocre, apelidado pelos colegas economistas de Beato Salu (personagem folcl\u00f3rico de uma novela brasileira, que anunciava o fim dos tempos), nunca produziu um trabalho acad\u00eamico substancial (sua tese de doutorado tem apenas 63 p\u00e1ginas, nunca foi publicada ou teve alguma repercuss\u00e3o), mas \u00e9 muito esperto nas opera\u00e7\u00f5es de especula\u00e7\u00e3o financeira, onde fez fortuna e dirigiu at\u00e9 recentemente um fundo gestor de recursos financeiros, a Bozano Investimentos. Guedes comanda agora um superminist\u00e9rio, que absorveu parte dos antigos minist\u00e9rios da ind\u00fastria e com\u00e9rcio, do Trabalho, Planejamento e Fazenda. Portanto, se tornou o czar da maior parte do Produto Interno Bruto brasileiro, respons\u00e1vel pelos principais setores que comandam a economia. N\u00e3o \u00e9 pouco para quem sempre viveu marginalizado entre seus pares porque n\u00e3o tinha perfil acad\u00eamico nem uma obra substancial.\n<\/p><p>\nConsiderado um neoliberal radical, com doutorado pela Universidade de Chicago, de todos conhecida pela trag\u00e9dia que gerou nos pa\u00edses onde seus Chicago Boys comandaram a economia, escolheu a dedo a sua equipe, formada pelo que h\u00e1 de mais ortodoxo no pensamento neoliberal, muitos com forma\u00e7\u00e3o em Chicago, como Joaquim Levy, presidente do BNDEs, Rubens Novaes, do Banco do Brasil e Roberto Castelo Branco, presidente da Patrobr\u00e1s, al\u00e9m de banqueiros, grandes empres\u00e1rios, ex-participantes da equipe de Temer e burocratas que rezam por essa cartilha. Trata-se de uma casta que representa o que h\u00e1 de mais antipopular e antinacional de toda a hist\u00f3ria do \u00faltimo meio s\u00e9culo.  Um conjunto de fundamentalistas que, se n\u00e3o forem derrotados pelas massas nas ruas, ir\u00e3o implantar a devasta\u00e7\u00e3o social, esfrangalhar as institui\u00e7\u00f5es e entregar as riquezas nacionais para o capital privado nacional e o imperialismo.\n<\/p><p>\nServindo a ditadura e governos autorit\u00e1rios\n<\/p><p>\nAli\u00e1s, \u00e9 importante ressaltar que Guedes, assim como todos os neoliberais, n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos em rela\u00e7\u00e3o a governos autorit\u00e1rios. Eles prosperam muito melhor entre as ditaduras e governos antidemocr\u00e1ticos porque seus projetos antinacionais e antipopulares necessitam de repress\u00e3o e restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas para serem aplicados. Guedes serviu \u00e0 ditadura Pinochet nos anos 80 e deu aulas na Universidade do Chile, levado \u00e0quele Pa\u00eds por um colega chileno de Chicago, que se tornou Diretor de Or\u00e7amento da ditadura pinochetista e depois grande empres\u00e1rio ap\u00f3s as negociatas com o programa de privatiza\u00e7\u00f5es, do qual tamb\u00e9m era diretor de opera\u00e7\u00f5es. Quando questionado sobre o fato de ter servido a uma ditadura sanguin\u00e1ria, ele responde cinicamente: \u201cEu sabia que era uma ditadura, mas para mim isso era irrelevante do ponto de vista intelectual\u201d.  Agora serve novamente a um governo autorit\u00e1rio. Nada de novo em sua trajet\u00f3ria.\n<\/p><p>\nGuedes sempre foi um apaixonado pelos ideais dos Chicago Boys chilenos, mas n\u00e3o conseguiu aplicar seu projeto no Brasil porque sempre foi marginalizado pelos economistas do mainstream em fun\u00e7\u00e3o de suas ideias extremistas. Foi exatamente no per\u00edodo da ditadura de Pinochet que Guedes recolheu o ide\u00e1rio e a experi\u00eancia que est\u00e1 tentando implantar no Brasil com a reforma da previd\u00eancia, o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o privada, a privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e a abertura econ\u00f4mica. Os chilenos j\u00e1 constataram amargamente o fracasso das pol\u00edticas neoliberais e agora lutam para reconquistar seus direitos, como educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e uma previd\u00eancia decente, porque as v\u00e1rias d\u00e9cadas de experimentos neoliberais significaram uma trag\u00e9dia para os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o em geral do Chile. \n<\/p><p>\nMas esse frio e calculista economista ultraortodoxo n\u00e3o \u00e9 apenas um limpinho, cheiroso e grande especulador na \u00f3rbita das finan\u00e7as, que considera todos os governos eleitos ap\u00f3s a ditadura brasileira como construtores de um Estado dirigista, assistencialista e um obst\u00e1culo ao seu projeto autorit\u00e1rio. Como todo neoliberal que se preze, Guedes tamb\u00e9m tem seu lado obscuro e podre: est\u00e1 sendo investigado pela Pol\u00edcia Federal na Opera\u00e7\u00e3o Greenfield por suspeitas de movimenta\u00e7\u00f5es fraudulentas em fundos de pens\u00e3o de companhias estatais que eram administrados pela empresa de consultoria que dirigia antes de ser ministro. A opera\u00e7\u00e3o investiga ainda a suspeita de que outro fundo administrado por Guedes, o FIP Brasil de Governan\u00e7a Participativa, emitiu e negociou t\u00edtulos sem lastro ou garantias. Ali\u00e1s, \u00e9 raro encontrar um economista neoliberal que n\u00e3o tenha feito fortuna manejando influ\u00eancia, informa\u00e7\u00e3o privilegiada ou opera\u00e7\u00f5es il\u00edcitas nos meandros do mercado financeiro ou em governos autorit\u00e1rios.\n<\/p><p>\nMas os problemas de Guedes n\u00e3o se restringem apenas \u00e0 cr\u00f4nica policial: h\u00e1 s\u00e9rios ind\u00edcios de atua\u00e7\u00e3o suspeita entre o per\u00edodo de afastamento das atividades na Bozano Investimentos e a posse no Minist\u00e9rio da Economia. Antes de sair, Guedes deixou os participantes dos fundos que administrava e, possivelmente seus pr\u00f3prios investimentos, muito bem posicionados no que se refere \u00e0s \u00e1reas que poder\u00e3o ser privatizadas. A raposa vai cuidar do galinheiro. Um levantamento feito por The Intercept em rela\u00e7\u00e3o a 23 empresas que negociam a\u00e7\u00f5es na Bolsa, e nas quais a Bozano se posicionou, demonstra a esperteza do agora ministro. Entre os setores em que a Bozano aplicou na Bolsa est\u00e3o as \u00e1reas de Educa\u00e7\u00e3o (onde espera implantar os volchers para os estudantes, como no Chile) e Sa\u00fade (onde possui interesses em hospitais e laborat\u00f3rios), dois setores com grande aporte de recursos e que Guedes pretende ver privatizados. Tamb\u00e9m h\u00e1 fortes aplica\u00e7\u00f5es da Bozano na \u00e1rea de energia (na qual se projeta a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s) e constru\u00e7\u00e3o civil, \u00e1rea na qual Bolsonaro j\u00e1 anunciou que vai ampliar o programa que deve se chamar de Casa Brasileira. Portanto, em breve se poder\u00e1 saber se as apostas de Guedes e seus parceiros em tais investimentos correspondem a uma esperteza especulativa ou se foi uma miragem que esperamos ser desfeita pelo movimento social.\n<\/p><p>\nA natureza da ofensiva mundial do capital\n<\/p><p>\nO que est\u00e1 acontecendo no Brasil, com o governo Bolsonaro e sua pol\u00edtica de terra arrasada, n\u00e3o \u00e9 um fato isolado. Trata-se de uma ofensiva mundial do capital, uma declara\u00e7\u00e3o de guerra aberta contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre da cidade e do campo, que vem se aprofundando de maneira radical desde a crise sist\u00eamica de 2007-2008. Como a crise vem castigando o sistema capitalista h\u00e1 mais de 10 anos, com a maior parte das economias capitalistas em lento crescimento ou na estagna\u00e7\u00e3o (algumas com desenvolvimento alavancado por maci\u00e7as inje\u00e7\u00f5es de dinheiro sem lastro que alimenta a \u00f3rbita das finan\u00e7as), as classes dominantes precisam esconder a crise econ\u00f4mica e evitar que o povo tome conhecimento da realidade. A crise \u00e9 real, apesar da cortina de fuma\u00e7a constru\u00edda pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que o ex-secret\u00e1rio do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, mais realista que os propagandistas de segunda linha do grande capital e suas not\u00edcias otimistas plantadas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, reconhece que, ap\u00f3s a crise de 2007-2008, o sistema capitalista est\u00e1 vivendo uma \u201cestagna\u00e7\u00e3o secular\u201d.\n \nMas as ideias que buscam implantar no mundo j\u00e1 foram derrotadas em v\u00e1rios momentos hist\u00f3ricos. A Grande Depress\u00e3o sepultou o ide\u00e1rio liberal praticado pela maioria dos governos capitalistas antes dos anos 30. A partir da Segunda Guerra Mundial as pol\u00edticas keynesianas, de interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, al\u00e9m de pol\u00edticas redistributivas conquistadas tanto pelo movimento oper\u00e1rio quanto realizadas como instrumento para se contrapor \u00e0s conquistas sociais da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, se tornaram hegem\u00f4nicas nos pa\u00edses centrais, especialmente na Europa. Essa constru\u00e7\u00e3o perdeu for\u00e7a a partir da segunda metade de d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado e foi substitu\u00edda por pol\u00edticas neoliberais que rapidamente envolveram a grande maioria dos pa\u00edses capitalistas \u2013 marcando assim uma virada radical na economia mundial.\n<\/p><p>\nAs pol\u00edticas atuais  do neoliberalismo implementadas pelos governos capitalistas a partir dos anos 80, como a transforma\u00e7\u00e3o do mercado em agente exclusivo de regula\u00e7\u00e3o da vida social, a retirada do Estado da economia e privatiza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas, a desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, a livre mobilidade dos capitais, a iniciativa privada como operadora exclusiva do sistema econ\u00f4mico, tamb\u00e9m foram derrotadas pela vida e fracassaram com a crise  sist\u00eamica global de 2007-2008. Isso porque a crise come\u00e7ou exatamente na iniciativa privada e atingiu em cheio  o sistema financeiro, que era o cora\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas. O mercado n\u00e3o regulou nada. \n<\/p><p>\nA desregulamenta\u00e7\u00e3o e as chamadas inova\u00e7\u00f5es financeiras especulativas foram as principais detonadoras da crise. Teoricamente, mais uma vez essas ideias faliram, mas os neoliberais, sem qualquer cerim\u00f4nia, foram se agasalhar justamente nas asas do Estado para os salvar da bancarrota. Coer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o forte dos neoliberais.\nQuem imaginava que as classes dominantes iriam refletir sobre a conjuntura e corrigir as pol\u00edticas que fracassaram, enganaram-se redondamente. Pelo contr\u00e1rio, a elite parasit\u00e1ria que hoje hegemoniza o capital financeiro internacional est\u00e1 realizando uma fuga para a frente, radicalizando ainda mais as pol\u00edticas neoliberais e impondo a todos os povos subordinados \u00e0 economia l\u00edder uma agenda predat\u00f3ria que retroage os direitos e garantias para os per\u00edodos do inicio da revolu\u00e7\u00e3o industrial e avan\u00e7a de maneira impressionante sobre o fundo p\u00fablico, atrav\u00e9s dos mecanismos de pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica e envolvimento das empresas produtivas na especula\u00e7\u00e3o financeira, uma vez que os fundos de investimento que essa elite dirige est\u00e3o bem posicionados nas dire\u00e7\u00f5es empresariais para exigir retornos de curto prazo semelhantes aos que obt\u00eam na \u00f3rbita das finan\u00e7as.\n<\/p><p>\nFascismo de mercado, nova fase neoliberal\n<\/p><p>\nNessa conjuntura, cada vez mais se torna claro que a pol\u00edtica da elite parasit\u00e1ria est\u00e1 se tornando incompat\u00edvel com a democracia formal dos tempos do capitalismo monopolista de Estado, porque as medidas neoliberais s\u00e3o predat\u00f3rias, antipopulares ao extremo, geram resist\u00eancia e luta. Por isso, o capital est\u00e1 apelando com frequ\u00eancia para as solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias, com intensas restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, e muitas vezes recorre aos grupos paramilitares declaradamente fascistas. Neoliberalismo e fascismo articulam uma comunh\u00e3o de interesses em v\u00e1rias partes do mundo e as classes dominantes t\u00eam  sido obrigadas a tirar a m\u00e1scara e mostrar seus verdadeiros interesses. O que est\u00e1 acontecendo no Brasil atualmente \u00e9 parte desse processo de mudan\u00e7a de m\u00e9todo do capital financeiro internacional nessa nova fase ultraliberal.\n<\/p><p>\nDessa forma, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar o projeto radical de Paulo Guedes. Ele tem um enorme desprezo pelos seres humanos que n\u00e3o fazem parte da elite que hoje domina o governo brasileiro. S\u00e3o os fascistas de mercado, para os quais os direitos sociais dos trabalhadores, os direitos humanos, as liberdades democr\u00e1ticas e os movimentos sociais e populares s\u00e3o obst\u00e1culos para os seus lucros e, portanto, devem ser criminalizados, reprimidos e destru\u00eddos. As declara\u00e7\u00f5es recentes de Guedes \u00e0 imprensa sobre os objetivos da reforma da previd\u00eancia revelam muito bem sua personalidade. Candidamente, ele afirmou que n\u00e3o importa se as pessoas possam morrer antes de se aposentar, o importante \u00e9 que a reforma renda \u00e0 economia R$ 1 trilh\u00e3o \u2013 para continuar engordando os lucros do grande capital e dos rentistas mediante o pagamento dos juros da d\u00edvida interna. Um ministro que faz publicamente uma declara\u00e7\u00e3o com esse teor n\u00e3o \u00e9 um estadista,  \u00e9 uma esc\u00f3ria humana.\n<\/p><p>\nA pol\u00edtica que Paulo Guedes est\u00e1 planejando implantar no Brasil pode ser considerada tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de genoc\u00eddio lento e gradual das futuras gera\u00e7\u00f5es e sofrimento e dificuldades para os que est\u00e3o atualmente no mercado de trabalho. Com uma equipe de tecnocratas arrogantes e sem escr\u00fapulos, s\u00e3o os c\u00e3es de guarda a servi\u00e7o do que h\u00e1 de mais conservador e parasit\u00e1rio na economia brasileira. Eles est\u00e3o querendo implantar um estado de exce\u00e7\u00e3o permanente contra os direitos e garantias dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o pobre. S\u00e3o mais perigosos que os marginais que infernizam a vida da popula\u00e7\u00e3o nas favelas e periferias porque, com os programas econ\u00f4micos-sociais que est\u00e3o querendo impor aos trabalhadores, v\u00e3o aumentar a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza nas m\u00e3os dos ricos, ampliar a mis\u00e9ria entre a maioria da popula\u00e7\u00e3o e matar silenciosamente milh\u00f5es de pessoas de fome, mis\u00e9ria e desamparo. \n<\/p><p>\nEstamos vivendo um dos mais tensos momentos de luta de classe aberta em nosso Pa\u00eds, uma ofensiva brutal para devastar os direitos sociais e trabalhistas, com a destrui\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) e das conquistas da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Eles querem impor aos trabalhadores a terceiriza\u00e7\u00e3o generalizada, o trabalho intermitente com a chamada carteira verde-amarela, a flexibiliza\u00e7\u00e3o generalizada e os sal\u00e1rios ainda mais baixos. Para dificultar a luta organizada do movimento social, est\u00e3o tentando emplacar um conjunto de medidas draconianas para asfixiar os sindicatos, como a proibi\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas e aos \u00f3rg\u00e3os governamentais de repassarem, por meio do desconto na folha de pagamento, a contribui\u00e7\u00e3o dos associados, al\u00e9m de outras medidas buscando criminalizar todas as a\u00e7\u00f5es do movimento popular.\n<\/p><p>\nContrareformas, entreguismo e implos\u00e3o institucional\n<\/p><p>\nDiante de todo esse conjunto de quest\u00f5es, \u00e9 fundamental n\u00e3o perdermos de vista o car\u00e1ter de classe desse governo e fundamentalmente entender suas t\u00e1ticas operacionais para melhor combat\u00ea-lo. Nessa l\u00f3gica, \u00e9 importante compreender que os fundamentalistas med\u00edocres como a ministra Damares Alves e os ministros Ricardo Velez e Ernesto Ara\u00fajo s\u00e3o funcionais ao capital porque, al\u00e9m de desviar o foco das discuss\u00f5es centrais que interessam realmente \u00e0s classes dominantes e manter a agenda conservadora junto \u00e0s bases sociais, servem tamb\u00e9m para desqualificar as lutas contra as opress\u00f5es, justificar a persegui\u00e7\u00f5es \u00e0s mulheres, negros e negras, LGBts e pobres em geral. Al\u00e9m disso, realizam  um alinhamento subserviente  com os Estados Unidos na pol\u00edtica exterior e buscam impor o obscurantismo nas escolas e universidades. \n<\/p><p>\nMas o centro dos interesses das classes dominantes pode ser expresso em quatro pontos fundamentais: a) a reforma da previd\u00eancia; b) a desvincula\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento das regras constitucionais; c) o aprofundamento da reforma trabalhista e d) a entrega das empresas p\u00fablicas e do patrim\u00f4nio nacional ao capital privado nacional e estrangeiro. Por isso, \u00e9 estrat\u00e9gico o papel de Paulo Guedes no Minist\u00e9rio da Economia, o que explica tamb\u00e9m sua sustenta\u00e7\u00e3o por todas as fra\u00e7\u00f5es da burguesia, do imperialismo e dos meios de comunica\u00e7\u00f5es, que diariamente envenenam o povo brasileiro com manipula\u00e7\u00f5es e mentiras para que as classes dominantes atinjam os seus objetivos. Nesse artigo n\u00e3o vou me ater a quest\u00e3o t\u00e9cnicas envolvendo esses quatro temas, mas \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas e de classe, procurando desmistificar a fal\u00e1cia dos argumentos da burguesia e mostrando claramente seus interesses em cada um desses temas.\n<\/p><p>\nReforma da previd\u00eancia \u2013 Nunca uma mentira foi repetida tantas vezes, da maneira mais sem cerim\u00f4nia poss\u00edvel, para ludribriar o povo como essa lorota de que a previd\u00eancia \u00e9 deficit\u00e1ria. Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 divulgado diariamente  por autoridades governamentais e reproduzido incessantemente pela m\u00eddia, a previd\u00eancia brasileira n\u00e3o \u00e9 deficit\u00e1ria. N\u00e3o existe rombo da previd\u00eancia nem problema fiscal em rela\u00e7\u00e3o a esse tema. \u00c9 tudo manipula\u00e7\u00e3o para encher o cofre dos banqueiros e dos capitalistas em geral que vivem do rentismo. Recente relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim, provou isso de maneira cristalina, com n\u00fameros irrefut\u00e1veis. Mas n\u00e3o importa a verdade: o objetivo \u00e9 desinformar, mentir para alcan\u00e7ar as metas do grande capital. A cat\u00e1strofe financeira que eles anunciam se a reforma n\u00e3o for aprovada \u00e9 terrorismo midi\u00e1tico, um fantasma artificial, uma fantasia criada para enganar a popula\u00e7\u00e3o e justificar o assalto ao fundo p\u00fablico.\n<\/p><p>\nO problema fiscal existe realmente, mas est\u00e1 localizado em outro ponto do or\u00e7amento. O rombo nas contas p\u00fablicas brasileiras est\u00e1 exatamente ligado ao pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica brasileira, especialmente a d\u00edvida interna. Toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira est\u00e1 subordinada, h\u00e1 d\u00e9cadas, ao pagamento dessa d\u00edvida, que funciona como uma bomba de suc\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos para saciar o apetite voraz dos abutres financeiros. Segundo dados do pr\u00f3prio Tesouro, nos \u00faltimos 10 anos a d\u00edvida mais que dobrou, passando de R$ 1,33 trilh\u00e3o em 2007 para 3,55 trilh\u00f5es em 2017. E o pagamento dos juros dessa d\u00edvida equivale a um verdadeiro saque contra os cofres p\u00fablicos: \u201cDesde que a s\u00e9rie hist\u00f3rica passou a ser registrada no MF (Minist\u00e9rio da Fazenda) em 1997, o Brasil destinou o equivalente a R$ 4,7 trilh\u00f5es a valores atuais de seu or\u00e7amento federal para o pagamento de juros. Isso nos d\u00e1 uma m\u00e9dia anual ao longo desses 21 anos correspondente a R$ 221 bi\u201d.  Esse \u00e9 o centro do problema fiscal brasileiro e respons\u00e1vel por toda essa trag\u00e9dia social e econ\u00f4mica que estamos vivendo.\n<\/p><p>\nTodos sabem, especialmente o governo e seus ministros, que a previd\u00eancia faz parte da seguridade social, juntamente com a sa\u00fade e a assist\u00eancia social. Para financi\u00e1-la, os constituintes estabeleceram, no artigo 194 da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, um conjunto de receitas para garantir o aporte de recursos \u00e0 previd\u00eancia. As receitas envolvem a contribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios trabalhadores para o INSS, impostos sobre o lucro l\u00edquido dos empres\u00e1rios (CSLL) e a parte empresarial sobre a folha de sal\u00e1rios, impostos sobre importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, venda de produ\u00e7\u00e3o rural, receitas do PIS, entre outros. O mais impressionante \u00e9 a const\u00e2ncia das mentiras propagadas pelo governo e meios de comunica\u00e7\u00e3o, numa permanente manipula\u00e7\u00e3o dos fatos: desde a aprova\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, a seguridade foi superavit\u00e1ria at\u00e9 2015. \n<\/p><p>\nVejamos alguns n\u00fameros: \u201cA sobra de recursos foi, por exemplo, de 72,7 bilh\u00f5es em 2005; 53,9 bilh\u00f5es em 2010; R$ 76,1 bilh\u00f5es em 2011; R$ 82,8 em 2012; R$ 76,4% em 2013; R$ 55,7 em 2014; e R$ 11,7 em 2015\u201d. A crise econ\u00f4mica, o desemprego, a informalidade e as desonera\u00e7\u00f5es fiscais, a partir de 2015, reduziram drasticamente a arrecada\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, mas os super\u00e1vits obtidos desde 1989 compensam plenamente pequenos d\u00e9ficits em per\u00edodos de crise aguda. Acontece que, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, parcela expressiva dos recursos da seguridade social foram desviados para pagamento dos servi\u00e7os da d\u00edvida interna.  \n<\/p><p>\nNa verdade, o que se busca com a reforma da previd\u00eancia \u00e9 retroagir os direitos sociais para os tempos da Rep\u00fablica Velha (quando a quest\u00e3o social era tratada como caso de pol\u00edcia), transformar em mendigos as futuras gera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poder\u00e3o se aposentar, rebaixar as aposentadorias dos que est\u00e3o no sistema atual, mediante uma s\u00e9rie de artif\u00edcios como o reajuste abaixo da infla\u00e7\u00e3o e jogar na lata de lixo as conquistas democr\u00e1ticas obtidas com a Constituinte de 88. Para se ter uma ideia da barb\u00e1rie em marcha, basta dizer que, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), 90% dos agricultores familiares n\u00e3o poder\u00e3o se aposentar com as novas regras. Da mesma forma, s\u00e3o poucos os que conseguir\u00e3o trabalhar 40 anos para se aposentar com o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Tudo isso est\u00e1 sendo realizado com o objetivo de transferir para a gest\u00e3o do sistema financeiro privado os cerca de R$ 640 bilh\u00f5es que s\u00e3o movimentados anualmente pela previd\u00eancia social no Brasil. \n<\/p><p>\nEm termos pr\u00e1ticos, eles querem acabar com o sistema de reparti\u00e7\u00e3o, que criou um v\u00ednculo de solidariedade entre as v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es (os que contribuem hoje viabilizam as gera\u00e7\u00f5es anteriores e estes, quando se aposentarem, receber\u00e3o contribui\u00e7\u00f5es das novas gera\u00e7\u00f5es), bem como definiu a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, dos empres\u00e1rios e governo na constitui\u00e7\u00e3o do fundo previdenci\u00e1rio. Em seu lugar pretendem implantar o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, no qual empres\u00e1rios e governo n\u00e3o mais contribuir\u00e3o para a previd\u00eancia e somente o trabalhador ser\u00e1 respons\u00e1vel pelo que vai ganhar na sua aposentadoria futura, de acordo com o que poupou individualmente. Toda essa montanha de recursos deixa de ser gerida pelos bancos p\u00fablicos e vai proporcionar enormes lucros para o sistema financeiro privado, como ocorreu com a implanta\u00e7\u00e3o do sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o na previd\u00eancia chilena em 1981, em plena ditadura de Pinochet.\n<\/p><p>\nUma r\u00e1pida an\u00e1lise do que aconteceu no Chile nas mais de tr\u00eas d\u00e9cadas naquele Pa\u00eds nos d\u00e1 a dimens\u00e3o do que pode ocorrer no Brasil se esta reforma for aprovada. L\u00e1 cinco fundos financeiros privados administram os recursos depositados pelos trabalhadores e cobram altas taxas de administra\u00e7\u00e3o para gerir esses recursos. Se por acaso aplicarem mal as contribui\u00e7\u00f5es, azar dos trabalhadores. Perdem parte do que foi depositado, como aconteceu com v\u00e1rios fundos de pens\u00e3o na crise de 2007-2008. De acordo com dados da Funda\u00e7\u00e3o Sol, organiza\u00e7\u00e3o no Chile que analisa economia e trabalho, 90,9% dos aposentados chilenos ganham menos que um sal\u00e1rio m\u00ednimo local, que n\u00e3o d\u00e1 para bancar a alimenta\u00e7\u00e3o e a compra de rem\u00e9dios. Diante do desespero de uma vida na mis\u00e9ria preferem acabar com a pr\u00f3pria vida. Por isso, o Chile \u00e9 o campe\u00e3o mundial de suic\u00eddio de idosos. Nos \u00faltimos tempos t\u00eam sido constantes as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de rua para mudar esse sistema previdenci\u00e1rio perverso. \u00c9 esse tipo de barbaridade que est\u00e3o querendo implantar no Brasil.\n<\/p><p>\nDesvincula\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o \u2013 Outro pilar das contrareformas de Paulo Guedes visa a desmontar o pacto federativo da Constitui\u00e7\u00e3o mediante a desvincula\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria da Uni\u00e3o. Como se sabe, a Constitui\u00e7\u00e3o estabelece um percentual obrigat\u00f3rio das verbas or\u00e7ament\u00e1rias tanto dos governos federal, estadual e municipal para investimento em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outras \u00e1reas, com vistas a garantir um m\u00ednimo de recursos para estes setores fundamentais. Caso n\u00e3o houvesse esse v\u00ednculo, interesses paroquiais ou oportunistas poderiam muito bem desviar esses recursos para \u00e1reas clientelistas. Por exemplo, o governo \u00e9 obrigado a investir 17% do or\u00e7amento em educa\u00e7\u00e3o, enquanto os Estados e Munic\u00edpios devem aplicar em educa\u00e7\u00e3o pelo menos 25% das receitas e repasses. Agora, Guedes quer implodir o pacto federativo e voltar ao per\u00edodo da pol\u00edtica dos coron\u00e9is como na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo passado.\n<\/p><p>\nO argumento \u00e9 de que as verbas vinculadas engessam o or\u00e7amento, restando poucos recursos para o governo manejar livremente. Portanto, com a desvincula\u00e7\u00e3o, Governo Federal, Estados e Munic\u00edpios estariam livres para aplicar os recursos de acordo com suas conveni\u00eancias. Mas esses argumentos tamb\u00e9m fazem parte de nova cortina de fuma\u00e7a para esconder o verdadeiro objetivo do governo, que \u00e9 retirar legalmente o percentual de recursos definidos para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e verbas sociais, de forma a viabilizar ainda mais o pagamento dos servi\u00e7os da d\u00edvida. Mesmo com as vincula\u00e7\u00f5es, os governos, desde Fernando Henrique Cardoso, encontraram uma f\u00f3rmula de burlar a Constitui\u00e7\u00e3o. Primeiro, aprovaram a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Social de Emerg\u00eancia, a partir do qual poderiam desvincular 20% do or\u00e7amento de sua livre e espont\u00e2nea vontade. Depois esse fundo foi mudando de nome e agora se chama Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o (DRU), pela qual o governo pode dispor livremente de 30% das receitas or\u00e7ament\u00e1ria.\n \nGrande parte dessa desvincula\u00e7\u00e3o tem destino certo: pagar o servi\u00e7o da d\u00edvida. Mas o governo ainda acha pouco. Agora quer desvincular todo o or\u00e7amento para que os banqueiros e rentistas em geral embolsem mais dinheiro do or\u00e7amento p\u00fablico. A desvincula\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho chave para a precariza\u00e7\u00e3o ainda maior da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade p\u00fablicas. Com esses dois setores precarizados e sucateados, est\u00e1 aberto o caminho para as privatiza\u00e7\u00f5es, como \u00e9 o desejo maior do projeto que encabe\u00e7a Paulo Guedes. Ele sonha com uma educa\u00e7\u00e3o privada, na qual o Estado possa transferir os recursos antes vinculados obrigatoriamente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica para  a rede privada atrav\u00e9s de volchers (esp\u00e9cie de cheque que o governo fornece aos alunos para frequentar uma escola privada, como no Chile de Pinochet). Al\u00e9m disso, quer promover a destrui\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para poder implantar a sa\u00fade privada, onde quem n\u00e3o tiver dinheiro morre na porta do hospital. \n<\/p><p>\nEm outras palavras, sem a vincula\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, voltar\u00edamos \u00e0 pol\u00edtica dos coron\u00e9is que vigorou na Rep\u00fablica Velha, na qual governadores e prefeitos atendiam as necessidades p\u00fablicas de acordo com os seus interesses pessoais ou locais. Seriam implodidas as prec\u00e1rias conquistas sociais que o povo brasileiro alcan\u00e7ou com a Constituinte e alterado drasticamente o funcionamento do Estado brasileiro, sempre no sentido de favorecer a elite parasit\u00e1ria em detrimento dos interesses da popula\u00e7\u00e3o pobre. Acabaria a obriga\u00e7\u00e3o Federal, dos Estados e Munic\u00edpios em investir em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, para colocar nas m\u00e3os de tecnocratas federais, governadores e prefeitos clientelistas a decis\u00e3o sobre os percentuais que deveriam investir nesses setores, deixando a popula\u00e7\u00e3o sem direito \u00e0 previd\u00eancia e sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas. Afinal, como diz Guedes com seu habitual desprezo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um \u201cdocumento\u201d escrito h\u00e1 30 anos.\n<\/p><p>\nPrivatizar tudo ou vender aos peda\u00e7os \u2013 O processo de privatiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 bastante avan\u00e7ado no Brasil, pois o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) privatizou todo o setor sider\u00fargico, petroqu\u00edmico, el\u00e9trico, de fertilizantes, ferrovi\u00e1rio, de telecomunica\u00e7\u00f5es, bancos estaduais, marinha mercante e quebrou o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo, entregando assim a maior parte do patrim\u00f4nio p\u00fablico ao setor privado. Posteriormente, ocorreram as privatiza\u00e7\u00f5es disfar\u00e7adas como parcerias p\u00fablico-privadas, as concess\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos, como rodovias e portos, e agora recentemente as privatiza\u00e7\u00f5es dos aeroportos. Como Guedes n\u00e3o se cansa de afirmar, seu desejo \u00e9 privatizar tudo que \u00e9 do Estado, mas como ele mesmo sabe que encontrar\u00e1 resist\u00eancias, j\u00e1 definiu a estrat\u00e9gia: a ordem \u00e9 privatizar aos peda\u00e7os, desossar por dentro as empresas p\u00fablicas, sucate\u00e1-las ao ponto de se tornarem ineficientes porque a\u00ed se tornar\u00e1 mais f\u00e1cil a privatiza\u00e7\u00e3o. Nesse quesito, toda a classe dominante est\u00e1 de acordo, afinal ser\u00e3o os grandes benefici\u00e1rios do desmonte do patrim\u00f4nio p\u00fablico. \n<\/p><p>\nComo sobraram somente quatro grandes empresas p\u00fablicas &#8211; Petrobr\u00e1s, Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica Federal e Eletrobr\u00e1s -, o plano \u00e9 inicialmente vender todas as participa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias que o governo detenha nessas empresas, resultado dos empr\u00e9stimos e participa\u00e7\u00f5es do BNDEs, abrindo m\u00e3o assim de importantes recursos oriundos de dividendos acion\u00e1rios. Posteriormente, o governo vai vender as subsidi\u00e1rias das quatro grandes e, finalmente, preparar o assalto ao que restou do patrim\u00f4nio p\u00fablico. Conforme se p\u00f4de observar em praticamente todas as privatiza\u00e7\u00f5es, esses neg\u00f3cios foram eivados de ilegalidades, falcatruas, negociatas e corrup\u00e7\u00e3o aberta. A maioria absoluta das empresas privatizadas foi vendida a pre\u00e7o de banana, como continua sendo at\u00e9 hoje. Cada um dos aeroportos recentemente privatizados valeu menos que a compra de um Boeing, isso sem falar dos investimentos que o governo fez nesses aeroportos antes da privatiza\u00e7\u00e3o. Portanto, se conseguirem seus intentos, haver\u00e1 novamente um festival de corrup\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds.\n<\/p><p>\nAl\u00e9m das empresas p\u00fablicas e das concess\u00f5es ao capital, est\u00e1 na agenda desse governo antinacional e antipopular a entrega das riquezas naturais brasileiras ao capital privado, especialmente o pr\u00e9-sal, que era a principal riqueza nacional e hoje est\u00e1 passando para as m\u00e3os das companhias transnacionais dos Estados Unidos e da Europa. Vale ressaltar que a entrega do pr\u00e9-sal \u00e9 uma esp\u00e9cie de crime de lesa-p\u00e1tria, pois o Brasil investiu em recursos humanos e desenvolvimento tecnol\u00f3gico nos laborat\u00f3rios da Petrobr\u00e1s e conseguiu alcan\u00e7ar a mais avan\u00e7ada tecnologia de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas. Ap\u00f3s a Petrobr\u00e1s ter descoberto e identificado uma das maiores jazidas de petr\u00f3leo do planeta (o pr\u00e9-sal), os diversos governos, inclusive do Partido dos Trabalhadores, resolveram conceder a explora\u00e7\u00e3o de vastas \u00e1reas \u00e0s grandes multinacionais, marginalizando a Petrobr\u00e1s, que tem melhores condi\u00e7\u00f5es que todas as demais petroleiras para explorar essa riqueza. \n<\/p><p>\nRecentemente, o ministro Guedes, em um gesto servil e desprez\u00edvel na visita que fez aos Estados Unidos, mostrou uma subservi\u00eancia t\u00edpica de um vira-lata de rep\u00fablica de bananas: praticamente ofereceu o Pa\u00eds aos norte-americanos: \u201cSe voc\u00eas forem l\u00e1 podem comprar v\u00e1rias coisas &#8230; N\u00f3s estamos vendendo. Sexta-feira passada n\u00f3s vendemos 12 aeroportos. Daqui tr\u00eas a quatro meses n\u00f3s vamos vender petr\u00f3leo, o pr\u00e9-sal\u201d, declarou o homem de Chicago, mais parecendo um t\u00edtere norte-americano que um ministro de Estado brasileiro. Tamb\u00e9m est\u00e1 no pacote a biodiversidade da Amaz\u00f4nia, os aqu\u00edferos de \u00e1gua doce e a entrega aos Estados Unidos da base estrat\u00e9gica para lan\u00e7amento de sat\u00e9lites de Alc\u00e2ntara, no Maranh\u00e3o, o que vinha sendo perseguindo pelos norte-americanos h\u00e1 d\u00e9cadas sem sucesso. Agora, com Bolsonaro, o Brasil sepulta de vez as possibilidades de desenvolvimento da tecnologia de lan\u00e7amento de foguetes, que era exatamente o objetivo dos Estados Unidos, para continuar mantendo a hegemonia nessa \u00e1rea.\n<\/p><p>\nA devasta\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas \u2013 A burguesia nunca engoliu os direitos trabalhistas e conquistas sociais obtidos com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Viciadas na trucul\u00eancia, no autoritarismo e nas desigualdades sociais, qualquer direito conquistado pelo povo representa uma afronta aos seus privil\u00e9gios. Como a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as logo ap\u00f3s o fim da ditadura n\u00e3o permitia que revelassem plenamente suas garras, afinal fora parceira da ditadura desde os primeiros dias, teve que engolir as conquistas sociais e democr\u00e1ticas da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Mas sempre esperou o momento prop\u00edcio de vir \u00e0 forra, realizar a vingan\u00e7a de classe, destruir os direitos e garantias institu\u00eddos naquele per\u00edodo. A primeira oportunidade veio com FHC que, com sua pol\u00edtica neoliberal e antipopular, tentou acabar com o que chamara de \u201cera Vargas\u201d, promovendo a destrui\u00e7\u00e3o dos direitos institu\u00eddos pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), mas naquele momento a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as n\u00e3o foi suficiente para que obtivesse pleno \u00eaxito, apesar dos estragos que causou aos direitos de nossa classe. \n \nA oportunidade de dar o bote final contra os trabalhadores veio com o golpe parlamentar-judicial que destituiu a presidente Dilma Rousself e imp\u00f4s um governo puro sangue da burguesia. Com uma agenda neoliberal, o governo de Michel Temer conseguiu aprovar uma reforma trabalhista que, na pr\u00e1tica, desmonta a estrutura de direitos conquistados pelos nossos av\u00f3s durante a d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo passado. Essa reforma altera mais de 200 pontos da CLT, imp\u00f5e uma enorme regressividade no mundo do trabalho, generaliza as terceiriza\u00e7\u00f5es, destr\u00f3i a regula\u00e7\u00e3o estatal entre capital e trabalho e legaliza as rela\u00e7\u00f5es de mercado entre patr\u00f5es e empregados, onde o acordado vale mais que o legislado. Ou seja, os acordos entre empresa e trabalhadores valem mais do que a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Num ambiente de ofensiva do capital, desemprego e asfixia do movimento sindical essa norma significa a desestrutura\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e um convite \u00e0 barb\u00e1rie social.\n<\/p><p>\nMas quem imaginava que a burguesia estava satisfeita com a devasta\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho pode se considerar profundamente enganado, pois a f\u00faria neoliberal do ministro Paulo Guedes quer ampliar ainda mais a devasta\u00e7\u00e3o social. Guedes \u00e9 partid\u00e1rio dos mesmos objetivos que Bolsonaro j\u00e1 definiu antes das elei\u00e7\u00f5es: \u201cos trabalhadores t\u00eam que optar se querem mais direitos e nenhum emprego ou n\u00e3o possuir direitos e ter emprego\u201d. Al\u00e9m da desconstru\u00e7\u00e3o implementada pela reforma trabalhista, o ministro da Economia quer ainda o fim do 13\u00ba sal\u00e1rio, reduzir o tempo de f\u00e9rias e o ter\u00e7o que \u00e9 pago al\u00e9m do sal\u00e1rio, acabar com o vale refei\u00e7\u00e3o e vale transporte, o descanso semanal remunerado, encerrar a Justi\u00e7a do Trabalho e rebaixar ainda mais os baixos os sal\u00e1rios dos trabalhadores. Se a sociedade brasileira n\u00e3o reagir \u00e0 altura, regrediremos ao s\u00e9culo XIX em pleno s\u00e9culo XXI. \n<\/p><p>\nResist\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o da nova maioria\n<\/p><p>\nAs pol\u00edticas neoliberais fracassaram em todos os pa\u00edses do mundo em que foram aplicadas, mas isso n\u00e3o importa aos fundamentalistas. A verdade n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta utilizada por esses senhores. S\u00e3o mais propensos \u00e0 mentira, \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e \u00e0s promessas n\u00e3o cumpridas. Quando tudo d\u00e1 errado eles nunca s\u00e3o os culpados. Jogam a culpa no fato de que n\u00e3o foram aplicadas plenamente as medidas receitadas ou que ocorreu interfer\u00eancia do Estado nas leis do mercado. S\u00e3o muito semelhantes aos pastores pentecostais que prometem curas milagrosas aos enfermos e quando isso n\u00e3o ocorre \u00e9 porque n\u00e3o tiveram f\u00e9 suficiente. Um dos exemplos mais pr\u00f3ximos do fracasso das pol\u00edticas neoliberais est\u00e1 ocorrendo num pa\u00eds vizinho, a Argentina, que est\u00e1 com a economia em colapso, aumentou de maneira acentuada o desemprego, a mis\u00e9ria e, para completar a trag\u00e9dia, foi obrigada a cair nos bra\u00e7os do Fundo Monet\u00e1rio Internacional.\n<\/p><p>\nGuedes vai utilizar todas as artimanhas e chantagens para tentar aprovar a reforma da previd\u00eancia e emplacar posteriormente o sistema de capitaliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das outras medidas antipopulares. Para tanto, j\u00e1 vem articulando tanto nas sombras como publicamente uma s\u00e9rie de t\u00e1ticas para dobrar os parlamentares e a opini\u00e3o p\u00fablica. Recentemente, afirmou que, se a reforma for desidratada em rela\u00e7\u00e3o ao seu objetivo de economizar R$ 1 trilh\u00e3o, ele deixa o governo, porque perderia sentido o seu projeto. Nos bastidores, realiza a mesma pol\u00edtica clientelista dos governos anteriores como, por exemplo, prometer liberar R$ 1 bilh\u00e3o em emendas aos deputados para que esses parlamentares se fortale\u00e7am politicamente em suas regi\u00f5es de influ\u00eancia. Aos governadores e prefeitos promete libera\u00e7\u00e3o de verbas sempre levando em conta o esfor\u00e7o desses executivos para ganhar voto dos deputados para a reforma da previd\u00eancia e acena com a desvincula\u00e7\u00e3o de verbas do or\u00e7amento para dar liberdade a eles gastarem de acordo com seus interesses.\n<\/p><p>\nAt\u00e9 agora, o governo n\u00e3o conseguiu os dois ter\u00e7os de deputados necess\u00e1rios para aprovar a reforma, tanto em fun\u00e7\u00e3o da radicalidade antipopular das medidas, quanto das trapalhadas que o governo vem realizando, bem como de contradi\u00e7\u00f5es sobre as pautas fundamentalistas. \u00c9 importante compreender que, no que se refere \u00e0 contrareforma da previd\u00eancia e o aprofundamento das medidas antitrabalhistas, todas as fra\u00e7\u00f5es da burguesia est\u00e3o unidas, mas em outras pautas, como a quest\u00e3o da hostiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 China e alinhamento com Israel, encontra certa resist\u00eancia em setores empresariais em fun\u00e7\u00e3o dos seus neg\u00f3cios. O Brasil tem grande super\u00e1vit comercial com a China, para onde exporta a maior parte de suas commodities, bem como tamb\u00e9m tem vasta pauta de exporta\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses \u00e1rabes. O desejo de Bolsonaro de apoiar uma interven\u00e7\u00e3o militar norte-americana na Venezuela encontra resist\u00eancia entre os militares, que conhecem muito mais a realidade nesse terreno que o servilismo governamental aos Estados Unidos. Essas s\u00e3o as principais contradi\u00e7\u00f5es no seio das classes dominantes.\n<\/p><p>\nPor seu turno, no campo popular, as pessoas come\u00e7am a sair do coma e acordar do trauma da derrota eleitoral. Ainda n\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a de qualidade na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, mas uma s\u00e9rie de elementos da conjuntura permite compreender que h\u00e1 espa\u00e7o para a retomada das lutas populares. Um dos sintomas desse processo \u00e9 a grande queda de popularidade do governo num per\u00edodo bastante curto. Outros dos sintomas do descontentamento popular foram as manifesta\u00e7\u00f5es do Oito de Mar\u00e7o nas principais cidades do Pa\u00eds e o Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es realizado em 22 de mar\u00e7o, isso sem falar da rebeldia alegre que tomou conta das ruas de todo o Pa\u00eds no carnaval, com marchinhas, fantasias  e enredos de escolas de samba contra Bolsonaro, o que levou o governo a acusar o golpe e divulgar um v\u00eddeo pornogr\u00e1fico (para desqualificar os foli\u00f5es) de uma performance realizada num bloco de carnaval, cuja divulga\u00e7\u00e3o resultou num efeito contr\u00e1rio ao que o governo esperava. N\u00e3o se trata ainda de uma contraofensiva popular, mas pode ser um embri\u00e3o de uma mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que crescer\u00e1 na mesma propor\u00e7\u00e3o do desgaste do governo.\n<\/p><p>\nPortanto, esse \u00e9 o momento em que as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o, especialmente aquelas comprometidas com a perspectiva classista, dever\u00e3o intensificar o trabalho de massas nos bairros, nos locais de trabalho, nas escolas, nas ruas contra a reforma da previd\u00eancia, que \u00e9 um tema de f\u00e1cil entendimento porque atinge toda a popula\u00e7\u00e3o que vive do trabalho. Essa \u00e9 uma batalha que exige a\u00e7\u00e3o paciente de convencimento e di\u00e1logo com as massas porque \u00e9 o nosso futuro e o futuro de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que est\u00e1 em jogo. Por isso, n\u00e3o se pode ter ilus\u00f5es e negociar migalhas com o inimigo: s\u00f3 poderemos mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, com a constru\u00e7\u00e3o de uma nova maioria, se colocarmos as massas em movimento nas ruas de maneira a derrotar essa violenta ofensiva das classes dominantes no Brasil.\n<\/p><p>\nEdmilson Costa \u00e9 doutor em economia pela Unicamp, com p\u00f3s-doutorado no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor, entre outros de A Globaliza\u00e7\u00e3o e o capitalismo contempor\u00e2neo (Express\u00e3o Popular, 2009) e A crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil (Edi\u00e7\u00f5es ICP, 2013), al\u00e9m d v\u00e1rios ensaios publicados no Brasil e no exterior. \u00c9 secret\u00e1rio-geral do PCB.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22650\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[221,246],"class_list":["post-22650","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-2a","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Tk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}