{"id":2266,"date":"2012-01-17T11:13:55","date_gmt":"2012-01-17T11:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2266"},"modified":"2012-01-17T11:13:55","modified_gmt":"2012-01-17T11:13:55","slug":"olho-vivo-001","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2266","title":{"rendered":"Olho Vivo 001"},"content":{"rendered":"\n<p>No centro de uma pequena igreja no extremo oeste do Amazonas, em Tabatinga (regi\u00e3o da tr\u00edplice fronteira Brasil-Col\u00f4mbia-Peru), a figura de um homem chama a aten\u00e7\u00e3o. Ele caminha de um lado para o outro, fala espanhol e tenta dar uma palavra de conforto a cerca de cem haitianos que chegam ao local todos os dias por volta das 12 horas. A par\u00f3quia est\u00e1 lotada, mas o grupo de estrangeiros n\u00e3o quer rezar. Famintos, buscam a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o que conseguir\u00e3o durante o dia.<\/p>\n<p>\u201cTodo dia \u00e9 assim, eles v\u00eam para matar a fome. Muitos chegam aqui sem comer h\u00e1 dois, tr\u00eas dias. S\u00e3o alimentos que a gente consegue arrecadar com conhecidos, com frequentadores da par\u00f3quia, com nosso pr\u00f3prio dinheiro\u201d, diz o padre colombiano Gonzalo Franco, durante uma visita realizada em outubro \u00e0 localidade.<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o dos haitianos, Gonzalo \u00e9\u00a0o \u201cprotetor\u201d deles em Tabatinga. O \u201canjo da guarda\u201d. Para Gabriel, de 27 anos, que aguarda sentado em um dos bancos da igreja, se o padre n\u00e3o vivesse em Tabatinga, grande parte de seus compatriotas chegados \u00e0 cidade \u201cj\u00e1 teria morrido de fome\u201d.<\/p>\n<p>A casa do religioso \u00e9\u00a0separada da igreja por um corredor. Nele os primeiros haitianos reunidos \u00e0\u00a0 sombra da par\u00f3quia esperam na \u201cfila da fome\u201d. Em pouco tempo, homens, mulheres e crian\u00e7as aguardam em p\u00e9, disciplinados, um prato de arroz, feij\u00e3o, frango e salada. A comida \u00e9 racionada.<\/p>\n<p>No refeit\u00f3rio improvisado, o padre Gonzalo conta que para os haitianos o Brasil equivale aos Estados Unidos para os brasileiros. \u201cA Copa do Mundo, as Olimp\u00edadas, tudo isso na cabe\u00e7a deles cria um mundo de oportunidades. S\u00f3 que chegam aqui e ficam sem emprego, sem moradia, sem alimenta\u00e7\u00e3o, sofrendo uma outra calamidade.\u201d<\/p>\n<p>Em Tabatinga, os haitianos vivem em algumas casas que, por interm\u00e9dio do padre, conseguiram encontrar. Uma \u201ccasa-base\u201d, emprestada pelo propriet\u00e1rio, fica a seis quadras da par\u00f3quia. Na curta caminhada, as roupas ficam ensopadas com o calor de 40 graus. No interior do im\u00f3vel, com tr\u00eas c\u00f4modos, h\u00e1 apenas uma pequena janela. N\u00e3o h\u00e1 luz nem \u00e1gua. O calor \u00e9 sufocante.<\/p>\n<p>Numa \u00fanica casa, cerca de cem haitianos se amontoam pelo ch\u00e3o sobre len\u00e7\u00f3is velhos e papel\u00e3o. Todos t\u00eam algo em comum: deixaram para tr\u00e1s um pa\u00eds dizimado pelo terremoto. E tamb\u00e9m o t\u00famulo de parentes mortos na trag\u00e9dia. Desde a cat\u00e1strofe que arrasou o Haiti e matou mais de 220 mil pessoas, em janeiro de 2010, cerca de 2 mil habitantes daquele pa\u00eds j\u00e1 chegaram ao munic\u00edpio amazonense (em todo o Brasil, s\u00e3o 4 mil, mais da metade deles irregulares). Seguem em Tabatinga pelo menos 1,2 mil, nas contas do padre. \u201cMas todo dia chegam outros.\u201d<\/p>\n<p>Um deles, Ernesto, de 34 anos, morador da capital, Porto Pr\u00edncipe, reconstitui o roteiro de sua viagem. \u201cSa\u00ed de Porto de \u00f4nibus at\u00e9 a Rep\u00fablica Dominicana. De l\u00e1, dois avi\u00f5es, um para o Panam\u00e1 e outro at\u00e9 o Equador. Ap\u00f3s chegar ao Equador peguei outro \u00f4nibus, at\u00e9 o Peru, de onde cruzei de barco at\u00e9 Tabatinga.\u201d<\/p>\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es que chegam do Peru atravessam o Rio Solim\u00f5es e alcan\u00e7am o lado brasileiro, aparentemente sem problemas. O pre\u00e7o da viagem: 3 mil d\u00f3lares, pagos a \u201ccoiotes\u201d (traficantes de pessoas) que prometem uma vida de oportunidades no Brasil. A presen\u00e7a dos haitianos em Tabatinga mudou a paisagem da pobre cidade de 52 mil habitantes, com consequ\u00eancia no atendimento dos postos de sa\u00fade e do hospital. \u00c9 comum encontrar grupos vagando pela cidade, sem nada para fazer, ou dormindo em pra\u00e7as. Alguns conseguem subempregos como vendedores de picol\u00e9 ou de jornal. O que mais se v\u00ea s\u00e3o haitianos pedindo trabalho, quase nunca esmola.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos haitianos em Tabatinga chamou a aten\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria internacional M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF). Foi o maior refor\u00e7o para os trabalhos do padre Gonzalo desde o in\u00edcio da di\u00e1spora. Desde dezembro, a entidade iniciou a distribui\u00e7\u00e3o de 1,3 mil kits de higiene pessoal e de limpeza. O primeiro passo para melhorar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida dos imigrados, diz a coordenadora do trabalho da ONG no munic\u00edpio, Renata de Oliveira Silva. \u201cIsso \u00e9 essencial para evitar a deteriora\u00e7\u00e3o de sua sa\u00fade e uma s\u00e9rie de dist\u00farbios psicol\u00f3gicos.\u201d<\/p>\n<p>Em uma das casas visitadas pela ONG, cerca de 40 pessoas dividiam uma \u00fanica latrina.<\/p>\n<p>Tabatinga n\u00e3o\u00a0\u00e9, obviamente, o ponto principal. O objetivo \u00e9\u00a0um s\u00f3: seguir viagem em dire\u00e7\u00e3o a Manaus, em busca de trabalho e oportunidades. Precisam, para tanto, de uma autoriza\u00e7\u00e3o do governo federal. Opera\u00e7\u00e3o demorada, o n\u00famero de entrevistas da Pol\u00edcia Federal sediada em Tabatinga com estrangeiros gira em torno de 25 por semana, o que \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil em que vivem os haitianos no Brasil se repete tamb\u00e9m no Acre, na cidade de Brasileia. L\u00e1, cerca de 1,2 mil enfrentam as mesmas dificuldades. A Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica promete acolher os haitianos que est\u00e3o nos estados do Amazonas e do Acre. \u201c\u00c9 um compromisso de humanismo\u201d. No entanto, para o padre Gonzalo, o governo federal precisa \u201ccom urg\u00eancia\u201d agilizar os tr\u00e2mites na libera\u00e7\u00e3o da entrada dos haitianos no Pa\u00eds. \u201cTabatinga representa uma esp\u00e9cie de limbo aos haitianos, eles n\u00e3o t\u00eam como seguir viagem sem a autoriza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podem voltar, j\u00e1 que n\u00e3o disp\u00f5em de dinheiro algum.\u201d<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira 10 o governo federal anunciou uma s\u00e9rie de medidas ap\u00f3s reuni\u00e3o entre a presidenta Dilma Rousseff e quatro ministros. Uma das medidas visa a conter o fluxo de deslocamento deles ao Brasil. Para isso, determinou que s\u00f3 ser\u00e3o aceitos os haitianos que tenham visto concedido pela Embaixada do Brasil no Haiti. Quem estiver em situa\u00e7\u00e3o irregular poder\u00e1 ser deportado. Os vistos permitir\u00e3o a perman\u00eancia no Brasil por cinco anos para quem vier para atividade de trabalho regular, segundo o ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo. \u201cAqueles que entrarem depois estar\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o irregular e, como qualquer outro estrangeiro nessa condi\u00e7\u00e3o, -ser\u00e3o -notificados e extraditados\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m decidiu que os haitianos n\u00e3o poder\u00e3o entrar no Pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de refugiados pol\u00edticos, por decis\u00e3o do Conselho Nacional para os Refugiados (Conare). O entendimento \u00e9\u00a0que os haitianos deixam o pa\u00eds em raz\u00e3o da vulnerabilidade econ\u00f4mica local. O patrulhamento nas \u00e1reas de fronteiras dever\u00e1 tamb\u00e9m ser refor\u00e7ado.<\/p>\n<p>A presidenta tem viagem marcada ao Haiti para 1\u00ba\u00a0de fevereiro. Na pauta com o presidente Michel Martelly estar\u00e3o acordos de coopera\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Mas em Tabatinga a esperan\u00e7a \u00e9 que ao menos um tema seja priorizado pelos chefes de Estado: o sofrimento de -haitianos em solo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Avan\u00e7o da Embraer no campo militar depende do governo, diz analista<\/strong><\/p>\n<p><em>BBC Brasil<\/em><\/p>\n<p>Por Jo\u00e3o Fellet<\/p>\n<p>Embora a venda in\u00e9dita de vinte Super Tucanos da Embraer para os Estados Unidos reforce o sucesso comercial dessa aeronave militar, o avan\u00e7o da empresa no mercado de armamentos requer um maior endosso do governo brasileiro, segundo Thomaz Costa, professor da National Defense University, em Washington.<\/p>\n<p>&#8220;A compra \u00e9\u00a0epis\u00f3dica, n\u00e3o significa que marque alguma tend\u00eancia (de maior participa\u00e7\u00e3o da Embraer no mercado militar)&#8221;, disse ele \u00e0\u00a0BBC Brasil. Segundo Costa, que \u00e9\u00a0brasileiro, o avan\u00e7o da empresa no setor depende de encomendas do governo brasileiro e do que ela pode fazer para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de componentes no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O desenvolvimento de equipamentos militares leva v\u00e1rios anos e \u00e9\u00a0muito custoso; o governo precisaria banc\u00e1-lo&#8221;, afirma. Ele acrescenta, no entanto, que o Planalto n\u00e3o tem demonstrado inten\u00e7\u00e3o de investir no setor militar, citando como exemplo a indefini\u00e7\u00e3o para a compra de ca\u00e7as para as for\u00e7as brasileiras.<\/p>\n<p>Em 2010, ap\u00f3s v\u00e1rios anos de especula\u00e7\u00f5es, surgiram rumores de que Brasil e Fran\u00e7a haviam fechado um acordo para a venda de 36 ca\u00e7as franceses Rafale \u00e0 For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB), ao custo de cerca de US$ 6 bilh\u00f5es (R$ 11 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>No entanto, a negocia\u00e7\u00e3o jamais foi concretizada e gerou pol\u00eamica, j\u00e1\u00a0que um relat\u00f3rio t\u00e9cnico da FAB teria revelado que o Rafale era inferior aos seus dois concorrentes na disputa \u2013 o ca\u00e7a sueco Gripen e o americano F-18, da Boeing.<\/p>\n<p>Para Costa, sem o endosso do governo brasileiro, o avan\u00e7o da Embraer no mercado dependeria de parcerias com empresas estrangeiras e oportunidades pontuais.<\/p>\n<p>&#8220;Como a Embraer \u00e9\u00a0uma empresa de capital aberto, os investidores buscar\u00e3o sempre as melhores oportunidades, n\u00e3o necessariamente no campo militar&#8221;. Ele afirma ainda que a expectativa de que a companhia amplie nos pr\u00f3ximos anos as vendas para o governo dos EUA poder\u00e1 ser frustrada por cortes no or\u00e7amento militar do pa\u00eds, que tornariam o mercado americano ainda mais competitivo.<\/p>\n<p><strong>Aeronave &#8216;madura&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo que considere incerta a evolu\u00e7\u00e3o da Embraer no setor de armamentos, o professor diz que o acordo para a venda de Super Tucanos aos Estados Unidos &#8220;demonstra a maturidade&#8221; da aeronave, desenvolvida h\u00e1 cerca de 30 anos.<\/p>\n<p>Segundo o Pent\u00e1gono, os avi\u00f5es ser\u00e3o repassados ao Corpo A\u00e9reo do Ex\u00e9rcito Nacional do Afeganist\u00e3o, onde ser\u00e3o usados para combater grupos insurgentes.<\/p>\n<p>De acordo com Costa, o emprego dos Super Tucanos no pa\u00eds se justifica pelo sucesso obtido pela aeronave em opera\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s Farc (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia) em territ\u00f3rio colombiano. &#8220;Como o Afeganist\u00e3o, a Col\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds de vales. A compra faz sentido, porque o apoio aproximado para ataques em solo de vales requer avi\u00f5es com grande capacidade de carga, velocidade baixa e capacidade de manobra eficiente \u2013 todas essas s\u00e3o caracter\u00edsticas do Super Tucano&#8221;.<\/p>\n<p>Firmado ao custo de US$ 355 milh\u00f5es (R$ 650 milh\u00f5es), o contrato para a venda dos vinte avi\u00f5es foi o primeiro entre a Embraer e a Defesa americana e prev\u00ea\u00a0ainda o treinamento de pilotos e a manuten\u00e7\u00e3o das aeronaves. A companhia ter\u00e1\u00a060 meses para entregar os equipamentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Estados Unidos e Israel adiam exerc\u00edcios militares conjuntos<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>JERUSAL\u00c9M &#8211; Os EUA e Israel adiaram at\u00e9\u00a0o fim do ano um exerc\u00edcio militar conjunto que seria realizado nas pr\u00f3ximas semanas, informou uma fonte de seguran\u00e7a israelense \u00e0 Reuters, neste domingo. &#8220;Posso confirmar que o exerc\u00edcio foi adiado, provavelmente para o final de 2012&#8221;, disse a fonte, que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio de defesa a\u00e9rea, chamada &#8220;Desafio Austere 12&#8221;, deve ser o maior exerc\u00edcio j\u00e1\u00a0 feito entre os dois aliados, que organizam regularmente manobras militares conjuntas. A imprensa israelense disse que originalmente a movimenta\u00e7\u00e3o foi cancelada devido a restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, mas alguns analistas especularam que a verdadeira raz\u00e3o foi evitar aumentar ainda mais as tens\u00f5es com o Ir\u00e3, embora a fonte do governo tenha negado a informa\u00e7\u00e3o, quando questionada. &#8220;\u00c9 por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es, principalmente log\u00edsticos, mas n\u00e3o pela raz\u00e3o que voc\u00ea citou (tens\u00f5es com o Ir\u00e3). Israel e os EUA devem divulgar uma declara\u00e7\u00e3o conjunta em breve&#8221;, disse a fonte.<\/p>\n<p>Israel v\u00ea\u00a0os resultados do enriquecimento de ur\u00e2nio do Ir\u00e3\u00a0e os projetos de m\u00edsseis como uma amea\u00e7a mortal, e os l\u00edderes do Estado judeu n\u00e3o descartam o uso da for\u00e7a militar para det\u00ea-lo. O Ir\u00e3\u00a0diz que seu programa nuclear \u00e9 para fins exclusivamente pac\u00edficos.<\/p>\n<p>Tens\u00f5es entre Washington e Teer\u00e3\u00a0 t\u00eam aumentado nas \u00faltimas semanas, depois que presidente dos EUA, Barack Obama, assinou uma lei na v\u00e9spera do Ano Novo. Se ela for totalmente implementada, tornar\u00e1 imposs\u00edvel para a maioria dos pa\u00edses pagar pelo petr\u00f3leo iraniano. O Ir\u00e3 amea\u00e7ou fechar o Estreito de Hormuz, uma das mais importantes rota de navega\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera do mundo, se as san\u00e7\u00f5es impedirem o pa\u00eds de exportar petr\u00f3leo. Os EUA avisaram que n\u00e3o ir\u00e3o tolerar tal movimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil avan\u00e7a lentamente na classifica\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de rating<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>RIO \u2014 Enquanto os pa\u00edses europeus mais endividados podem sofrer novos cortes em suas notas de classifica\u00e7\u00e3o de risco, o Brasil segue escalando lentamente pelas tabelas das ag\u00eancias de rating. Segundo economistas, o pouco tempo de estabilidade macroecon\u00f4mica, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica de contratos e problemas sociais ainda impedem notas melhores para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pela ag\u00eancia Standard &amp; Poor&#8217;s (S&amp;P), a mesma que rebaixou as notas dos pa\u00edses europeus na \u00faltima sexta-feira, o Brasil tem um rating BBB. Essa nota \u00e9 menor que a atribu\u00edda aos t\u00edtulos do \u00c1frica do Sul (BBB+), Chile (A+) e China (AA-). \u00c9 maior, por outro lado, que a nota da \u00cdndia (BBB-). E empata com M\u00e9xico e R\u00fassia, ambos com BBB.<\/p>\n<p>Essas notas refletem a capacidade de cada pa\u00eds de pagar suas d\u00edvidas. Elas s\u00e3o usadas por investidores como refer\u00eancia sobre o risco dos t\u00edtulos soberanos que est\u00e3o comprando. Quanto pior a nota, mais juros um pa\u00eds precisa pagar para conseguir captar recursos no mercado.<\/p>\n<p>Segundo Cristiano Souza, economista do Banco Santander, o controle de infla\u00e7\u00e3o brasileiro tem se provado eficaz no Brasil, mas segue muito recente para os crit\u00e9rios adotados pelas ag\u00eancias. O Plano Real completa 18 anos em julho pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u2014 Entre os emergentes, o Brasil est\u00e1 com uma fotografia boa. O controle de infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 se provando, e ainda tem o que se provar. Existem ainda avan\u00e7os a serem feitos em \u00e9tica p\u00fablica, seguran\u00e7a. Mas o caminho est\u00e1 correto.<\/p>\n<p>Souza chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de a nota de classifica\u00e7\u00e3o de risco brasileira ser melhor que a do M\u00e9xico, que foi durante muitos anos a menina dos olhos dos investidores na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u2014 O pa\u00eds sofreu um dessaranjo macroecon\u00f4mico, com problemas graves de viol\u00eancia e tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds\u00a0\u00e9\u00a0grau de investimento &#8211; n\u00edvel seguro para se investir &#8211; nas tr\u00eas principais ag\u00eancias: Standard &amp; Poor&#8217;s (BBB), Fitch (BBB) e Moodys (B3).<\/p>\n<p>Para Alex Agostini, economista da Austin Ratings, o avan\u00e7o brasileiro nas tabelas das ag\u00eancias ser\u00e1 cada vez mais lento. Segundo ele, o pa\u00eds precisa aumentar sua participa\u00e7\u00e3o na corrente de com\u00e9rcio mundial e reduzir sua d\u00edvida interna l\u00edquida.<\/p>\n<p>\u2014 Com tempo, melhora do rating tende a ser menor do que no passado. N\u00e3o vamos ver saltos no rating. Mas o Brasil vai ter uma classifica\u00e7\u00e3o melhor do que muitos pa\u00edses europeus \u2014 explica Agostini.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fran\u00e7a rejeita novas medidas de austeridade ap\u00f3s rebaixamento<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>BERLIM &#8211; A Fran\u00e7a n\u00e3o v\u00ea\u00a0necessidade de lan\u00e7ar novas medidas de austeridade, ap\u00f3s perder sua classifica\u00e7\u00e3o m\u00e1xima AAA da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Standard and Poor&#8217;s, informou o ministro das Finan\u00e7as do pa\u00eds, Fran\u00e7ois Baroin, a um jornal alem\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Estamos confiantes de que as medidas j\u00e1\u00a0tomadas ser\u00e3o suficientes para atingir as metas para a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit p\u00fablico em 2012 &#8211; disse Baroin ao Frankfurter Allgemeine Zeitung. -Assim, n\u00e3o haver\u00e1 novas medidas para a consolida\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria- disse ele, acrescentando que Paris vai se concentrar em reformas estruturais para melhorar a competitividade, incluindo a redu\u00e7\u00e3o de custos trabalhistas.<\/p>\n<p>A S&amp;P rebaixou a classifica\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de nove pa\u00edses da zona do euro na sexta-feira. Fran\u00e7a e a \u00c1ustria perderam seus cobi\u00e7ados status AAA. Em sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica desde o an\u00fancio do rebaixamento da classifica\u00e7\u00e3o de risco do pa\u00eds, o presidente Nicolas Sarkozy disse que a Fran\u00e7a deve ter coragem e calma para tomar decis\u00f5es dif\u00edceis para superar a crise financeira. Ele ainda prometeu fazer um pronunciamento \u00e0 na\u00e7\u00e3o no fim do m\u00eas sobre o assunto, durante uma cerim\u00f4nia na cidade de Amboise marcando os cem anos de nascimento de Michel Debr\u00e9, pai da atual Constitui\u00e7\u00e3o francesa.<\/p>\n<p>Mesmo apelando para a coragem dos franceses a fim de enfrentar a crise, Sarkozy n\u00e3o citou a decis\u00e3o da S&amp;P nem rebateu as cr\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o, de que o rebaixamento seria uma das pol\u00edticas do governo, n\u00e3o do pa\u00eds. Com o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais em abril, os demais candidatos voltaram a artilharia contra Sarkozy, culpando-o pelo rebaixamento.<\/p>\n<p>Na entrevista ao jornal alem\u00e3o, Baroin tamb\u00e9m disse que os rebaixamentos n\u00e3o impediriam a Europa de acelerar o lan\u00e7amento de seu fundo de resgate permanente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES), este ano.<\/p>\n<p>&#8211; Essa acelera\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0poss\u00edvel, sem alterar substancialmente o equil\u00edbrio financeiro da Fran\u00e7a &#8211; disse ele, acrescentando estar confiante de que o atual Fundo Europeu de Estabilidade Financeira vai operar sem restri\u00e7\u00f5es devido aos rebaixamentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Tesouro Direto rende at\u00e9\u00a0 16% e cresce na crise<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>RIO &#8211; Com as fortes perdas na Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo (Bovespa) por causa da crise, o Tesouro Direto foi um dos destinos favoritos das pessoas f\u00edsicas no ano passado. O programa criado para popularizar os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica \u2014 e que completou dez anos no come\u00e7o de janeiro \u2014 encerrou 2011 com vendas de R$ 3,5 bilh\u00f5es, um crescimento de 58% em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O retorno dos t\u00edtulos variaram de 9,26% a 16,35%, um desempenho at\u00e9 superior aos juros b\u00e1sicos do pa\u00eds, a Selic, hoje em 11% ao ano. Segundo especialistas, o Tesouro Direto vai continuar uma das melhores aplica\u00e7\u00f5es neste ano, mesmo com os cortes previstos para os juros brasileiros.<\/p>\n<p>Para quem quer investir no Tesouro Direto, o caminho \u00e9\u00a0abrir uma conta em uma corretora de valores e se informar sobre os t\u00edtulos p\u00fablicos que tendem a render mais nos pr\u00f3ximos meses. Uma dica \u00e9 montar a carteira com diferentes tipos de t\u00edtulos, entre prefixados e p\u00f3s-fixados, e com variados vencimentos de m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>A \u00c1gora Corretora, por exemplo, recomenda aos clientes aplicar 60% do dinheiro em NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional da s\u00e9rie B), com vencimento em maio de 2015 e maio de 2017. Esses t\u00edtulos rendem a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo e mais uma taxa de juros prefixada, acertada da hora da compra. Outros 20% em LTNs (Letras do Tesouro Nacional), que s\u00e3o prefixados, com vencimento em janeiro de 2015. E, por fim, mais 20% em LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), p\u00f3s-fixados, com vencimento em mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p><strong>Mercado prev\u00ea\u00a0 corte da Selic em 0,5 ponto nesta semana<\/strong><\/p>\n<p>Segundo H\u00e9lio Pio, gerente comercial da \u00c1gora, a estrat\u00e9gia da carteira \u00e9\u00a0proteger o investidor dos riscos inflacion\u00e1rios existentes e, ao mesmo tempo, buscar oportunidades de ganhos nos t\u00edtulos prefixados.<\/p>\n<p>\u2014 Com a expectativa de queda dos juros para incentivar a economia, a LTN est\u00e1 tendo uma procura grande. E se a perspectiva de corte dos juros se concretizar, esse t\u00edtulo pode ter um rentabilidade superior \u2014 explica o gerente. \u2014 Mas sempre lembramos os clientes que, nesses t\u00edtulos prefixados, o investidor precisa aguardar o vencimento para ter todo o retorno previsto. Se vend\u00ea-lo antes do vencimento, o ganho \u00e9 menor.<\/p>\n<p>Flavio Lemos, diretor da Trader Brasil Escola de Investidores, recomenda uma carteira com 40% de LFT, 10% de LTN e 50% de NTN-B Principal. Neste \u00faltimo caso, a prefer\u00eancia pela NTN-B do tipo Principal \u00e9 tribut\u00e1rio: esse papel n\u00e3o paga os juros semestrais, que sofrem recolhimento de 22,5% de Imposto de Renda (IR).<\/p>\n<p>\u2014 Em vez de virar imposto, os juros semestrais continuam rendendo. \u00c9 uma aplica\u00e7\u00e3o melhor \u2014 explica Lemos.<\/p>\n<p>O mercado financeiro prev\u00ea\u00a0atualmente a Selic em 9,5% ao fim deste ano, o que implica corte de 1,5 ponto percentual na taxa at\u00e9\u00a0dezembro. O primeiro corte deve ocorrer na reuni\u00e3o do Comit\u00ea\u00a0de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) que termina nesta quarta-feira. O corte previsto para a reuni\u00e3o \u00e9 de 0,5 ponto percentual. J\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e1 projetada em 5,31% ao fim deste ano, segundo as estimativas compiladas pelo boletim Focus, do Banco Central (BC).<\/p>\n<p>Especialista em finan\u00e7as, o professor Alexandre Esp\u00edrito Santo, da ESPM, tem uma recomenda\u00e7\u00e3o um pouco diferente dos colegas de mercado. Ele sugere concentrar as compras em t\u00edtulos prefixados, as LTN, em vez de diversificar a carteira. Isso porque o professor acredita num corte da Selic para 9% ao fim do ano, maior que a do mercado.<\/p>\n<p>\u2014 Quem estiver com esses t\u00edtulos vai ter um retorno bom \u2014 explica o especialista.<\/p>\n<p>Site do programa tem lista de corretoras participantes<\/p>\n<p>Segundo os dados do Tesouro Nacional, 61.716 novos investidores se cadastraram no Tesouro Direto no ano passado, elevando para 276.373 o total de investidores do programa. Isso representa um aumento de quase 30% sobre o ano anterior.<\/p>\n<p>Entre os novos investidores do Tesouro Direto, a economista Bruna Deboni, de 28 anos, comprou t\u00edtulos p\u00fablicos prefixados, com vencimento em 2015, acreditando que a taxa b\u00e1sica de juros ser\u00e1 cortada.<\/p>\n<p>\u2014 Fiquei surpresa pela facilidade de investir e pelos custos menores em compara\u00e7\u00e3o a um fundo de investimento oferecido por bancos, que cobra tarifas de 2,5% a 3% \u2014 explica Bruna, cliente da \u00c1gora Corretora, e que vendeu suas a\u00e7\u00f5es em 2011.<\/p>\n<p>O primeiro passo para investir no Tesouro Direto \u00e9\u00a0estar cadastrado em uma corretora. No site do programa (<a href=\"http:\/\/www.tesourodireto.gov.br\/\" target=\"_blank\">www.tesourodireto.gov.br<\/a>) h\u00e1 uma listas das corretoras participantes e os custos de opera\u00e7\u00e3o. As corretoras n\u00e3o cobram taxa de administra\u00e7\u00e3o para a compra do t\u00edtulo, apenas de corretagem (algumas n\u00e3o cobram nem mesmo essa taxa).<\/p>\n<p>Quando vender os t\u00edtulos ou eles vencerem, o investidor precisa lembrar que vai pagar imposto. Essa tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 por uma tabela regressiva, que come\u00e7a em 22,5% dos lucros das aplica\u00e7\u00f5es de at\u00e9 180 dias corridos. Essa al\u00edquota cai para 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% para 361 a 720 dias e 15% para investimentos por mais de 720 dias.<\/p>\n<p>Neste ano, o Tesouro Direto deve ganhar novas regras que v\u00e3o facilitar mais o acesso aos pequenos investidores. O valor m\u00ednimo de aplica\u00e7\u00e3o vai cair de R$ 100 para R$ 30 e ser\u00e1\u00a0 poss\u00edvel deixar programada a compra e venda dos t\u00edtulos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Economia voltou a crescer em novembro, diz BC<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO e BRAS\u00cdLIA \u2014 A economia brasileira voltou a crescer em novembro, interrompendo uma sequ\u00eancia de tr\u00eas meses de queda, mostraram dados do Banco Central nesta segunda-feira. Os n\u00fameros foram divulgados a dois dias da decis\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria, na qual espera-se que a Selic sofra novo corte de 0,5 ponto percentual. O IBC-BR, \u00edndice criado pelo Banco Central para estimar a evolu\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB), indica que o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds experimentou recupera\u00e7\u00e3o em novembro de 2011. Na vers\u00e3o dessazonalizada, o IBC-BR subiu 1,15% em novembro, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>No acumulado dos primeiros onze meses de 2011, o IBC-BR indica crescimento econ\u00f4mico, por\u00e9m, modesto. O avan\u00e7o foi de apenas 2,84% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2010, na s\u00e9rie sem ajustes sazonais, o que refor\u00e7a a revis\u00e3o feita pelo Banco Central na proje\u00e7\u00e3o para o PIB do ano passado.<\/p>\n<p>No \u00faltimo relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o, divulgado em dezembro, o BC informou que projeta para 2011 um crescimento de 3%, percentual inferior aos 3,5% projetados no relat\u00f3rio de setembro. O dado referente ao per\u00edodo de doze meses terminado em novembro de 2011 aponta na mesma dire\u00e7\u00e3o. O IBC-BR aumentou, na s\u00e9rie sem ajustes, 2,97% sobre os doze meses anteriores, divulgou ainda o BC.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio Focus do BC, o mercado espera que a economia tenha crescido 2,84%, segundo a mediana das estimativas. Se confirmado, o n\u00famero marcar\u00e1\u00a0uma forte desacelera\u00e7\u00e3o ante o crescimento de 7,5% registrado em 2010.<\/p>\n<p>O IBC-Br incorpora vari\u00e1veis para o desempenho dos tr\u00eas setores b\u00e1sicos da economia: agropecu\u00e1ria, ind\u00fastria e servi\u00e7os. Devido a essa abrang\u00eancia, o c\u00e1lculo mensal do BC antecipa um indicador similar ao PIB, soma das riquezas produzidas no pa\u00eds e medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>No terceiro trimestre, o PIB brasileiro ficou estagnado ante os tr\u00eas meses anteriores, levando o governo a anunciar um pacote de medidas para dar novo est\u00edmulo \u00e0 economia, sobretudo pelo canal do consumo das fam\u00edlias, que nos \u00faltimos anos tem sustentado o crescimento e que registrou queda entre julho e setembro.<\/p>\n<p>O BC tamb\u00e9m agiu para dar suporte \u00e0\u00a0 atividade ao iniciar em agosto um ciclo de afrouxamento monet\u00e1rio, surpreendendo parte dos agentes e utilizando como justificativa as incertezas no cen\u00e1rio internacional. Desde ent\u00e3o, a autoridade monet\u00e1ria j\u00e1 cortou o juro em tr\u00eas ocasi\u00f5es, cada uma em 0,5 ponto, em meio \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o na economia brasileira diante do agravamento na crise de d\u00edvida na Europa.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea\u00a0de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) inicia na ter\u00e7a-feira o encontro que decidir\u00e1\u00a0no dia seguinte o rumo da Selic, juro b\u00e1sico da economia. Com base no relat\u00f3rio Focus e a curva futura de juros, o mercado financeiro prev\u00ea um corte de 0,5 ponto percentual, que levaria a taxa -hoje em 11%- para 10,5%, menor n\u00edvel desde julho de 2010, quando estava em 10,25%.A d\u00favida de investidores recai sobre as pr\u00f3ximas duas reuni\u00f5es, em mar\u00e7o e abril. O relat\u00f3rio Focus mostra mais duas quedas de 0,5 ponto cada, mas a curva futura de DI indica um mercado ainda dividido entre um corte de 0,25 ponto e de 0,5 ponto, e sem expectativa de redu\u00e7\u00e3o na taxa no restante do ano.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil quer facilitar vistos para profissionais estrangeiros<\/strong><\/p>\n<p><em>O Globo<\/em><\/p>\n<p>RIO e MADRI &#8211; Em vez de fila de espera, tapete vermelho. Se depender da equipe formada pela Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SAE) para elaborar uma pol\u00edtica nacional de imigra\u00e7\u00e3o, \u00e9\u00a0assim que o governo pretende tratar o profissional estrangeiro altamente qualificado que demonstrar interesse em trabalhar no Brasil. Por outro lado, a fila do visto ser\u00e1 mantida para o imigrante sem qualifica\u00e7\u00e3o, como boa parte dos haitianos que chegaram recentemente pela fronteira norte do pa\u00eds (Acre e Amazonas).<\/p>\n<p>Coordenador do projeto, o economista Ricardo Paes de Barros disse que, se o governo for cuidadoso, poder\u00e1\u00a0 abrir um novo ciclo de imigra\u00e7\u00e3o europeia para o Brasil. Para isso, ter\u00e1\u00a0de remover as dificuldades que emperram o processo de concess\u00e3o de vistos. Embora alterado por atos administrativos ao longo dos anos, \u00e9 ainda o Estatuto dos Estrangeiros, uma lei de 1980, quando o pa\u00eds ainda vivia sob o regime militar, que define as regras de autoriza\u00e7\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 Como o Brasil \u00e9 agora uma ilha de prosperidade no mundo, h\u00e1 muita gente de boa qualidade que quer vir. Mas a fila do visto \u00e9 a mesma para todos. N\u00e3o estamos olhando clinicamente para ver quem vai trazer tecnologia \u2014 disse Ricardo.<\/p>\n<p>De janeiro a setembro do ano passado, o Minist\u00e9rio do Trabalho concedeu 51.353 autoriza\u00e7\u00f5es de trabalho a estrangeiros, um aumento de 32% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Para obter o visto, o interessado, entre outras exig\u00eancias, \u00e9 obrigado a comprovar sua qualifica\u00e7\u00e3o com documentos autenticados pela rede de consulados brasileiros. Para especialistas, as regras s\u00e3o rigorosas e subjetivas demais.<\/p>\n<p>\u2014 Se quisesse trazer o Pablo Picasso, que tipo de documento eu teria de apresentar para provar que ele \u00e9 pintor? \u2014 ironizou o advogado Giovani Lara dvos Santos, s\u00f3cio de um escrit\u00f3rio especializado na regulariza\u00e7\u00e3o de estrangeiros.<\/p>\n<p>O espanhol Javier Garc\u00eda-Ramos, de 41, refor\u00e7ar\u00e1\u00a0em breve as estat\u00edsticas sobre o crescimento de imigrantes. Dentro de duas semanas, se o visto sair, ele decolar\u00e1 de Madri para tentar uma vida nova em S\u00e3o Paulo. Por causa dos \u00faltimos quatro anos de crise econ\u00f4mica, o n\u00famero de espanh\u00f3is no Brasil cresceu, pelo menos, 45%. \u00c9 um perfil de profissional que escapa entre os dedos da castigada Espanha e que parece interessar \u00e0s empresas brasileiras, que os recebem com bons sal\u00e1rios e participam, junto com o futuro empregado, do laborioso tr\u00e2mite de solicita\u00e7\u00e3o de visto.<\/p>\n<p>\u2014 A burocracia \u00e9 mais complicada do que eu imaginava. O consulado brasileiro n\u00e3o serviu muito \u2014- queixou-se Garc\u00eda-Ramos.<\/p>\n<p>O espanhol resolveu contratar uma empresa brasileira de consultoria jur\u00eddica em imigra\u00e7\u00e3o, indicada pela C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Espanha, para agilizar o processo:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o atrasarei minha viagem por causa do visto. Enquanto isso, vou aprendendo portugu\u00eas e conhecendo melhor o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>SAE quer propor processo seletivo<\/strong><\/p>\n<p>A primeira vers\u00e3o do projeto da SAE, elaborada por uma equipe formada por economistas, juristas, dem\u00f3grafos e soci\u00f3logos, dever\u00e1\u00a0sair em dois meses. Os respons\u00e1veis admitem que o objetivo \u00e9 propor o que Paes de Barros chama de processo de imigra\u00e7\u00e3o seletiva, que priorize a &#8220;drenagem de c\u00e9rebros&#8221;, mas estabele\u00e7a limites para os estrangeiros que chegam fugindo da pobreza de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 preciso definir at\u00e9 onde ir\u00e1 a nossa generosidade. Como vamos contribuir para aliviar a pobreza do mundo e absorver essas pessoas. Solidariedade tem de ter limite e caber dentro do que o Brasil pode ajudar \u2014 disse Ricardo.<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o para o projeto, explicou o economista, \u00e9 a pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o praticada pelo Canad\u00e1 e pela Austr\u00e1lia, pa\u00edses que mant\u00eam as portas abertas para os profissionais estrangeiros:<\/p>\n<p>\u2014 Na d\u00e9cada de 30, S\u00e3o Paulo recebeu muitos imigrantes europeus. E eles chegaram com a capacidade de fazer coisas, como operar as m\u00e1quinas a vapor.<\/p>\n<p>Para o ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, conceder vistos \u00e9\u00a0tamb\u00e9m transferir tecnologia.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o se transfere comprando produtos l\u00e1 fora. \u00c9 preciso drenar os c\u00e9rebros. Tecnologia est\u00e1 na cabe\u00e7a das pessoas \u2014 observou, de olho na massa de desempregados produzida pela crise na Europa.<\/p>\n<p>Executiva de uma ag\u00eancia de viagens, Maria Sanches est\u00e1\u00a0entre os 87 mil espanh\u00f3is registrados como residentes no Brasil. Ela chegou em S\u00e3o Paulo em 2008 e vai renovar pela quarta vez o visto de trabalho:<\/p>\n<p>\u2014 A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que a Espanha est\u00e1 se desintegrando.<\/p>\n<p>Em vez de enfrentar a burocracia dos vistos, a empresa de engenharia Technip optou por montar uma filial em Lisboa. Aberta no ano passado, ela j\u00e1\u00a0trabalha com 45 profissionais portugueses empregados no desenvolvimento de projetos ligados \u00e0s \u00e1reas de \u00f3leo e g\u00e1s no Brasil, sem perder o conte\u00fado nacional.<\/p>\n<p>Diretor de RH da Technip, Nelson Prochet disse que a empresa enfrenta dificuldade para contratar engenheiros brasileiros porque o mercado est\u00e1 aquecido e falta gente.<\/p>\n<p>O governo passado tamb\u00e9m tentou criar uma pol\u00edtica nacional de imigra\u00e7\u00e3o. O secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, disse que o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a chegou a encaminhar o projeto \u00e0\u00a0Casa Civil, mas o presidente Lula n\u00e3o o assinou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Previd\u00eancia de empresas cresce mais que individual<\/strong><\/p>\n<p><em>Folha Online<\/em><\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es nos planos de previd\u00eancia empresariais cresceram, em 2011, em ritmo maior que as feitas nos planos individuais, informa reportagem de Carolina Matos publicada na edi\u00e7\u00e3o desta segunda-feira da Folha.<\/p>\n<p>A \u00edntegra est\u00e1\u00a0dispon\u00edvel para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que isso acontece desde que o modelo PGBL (Plano Gerador de Benef\u00edcio Livre) come\u00e7ou a ser vendido no pa\u00eds, em 1998. Este plano \u00e9 o que permite o abatimento no IR. J\u00e1 o VGBL (Vida Gerador de Benef\u00edcio Livre) n\u00e3o prev\u00ea o desconto.<\/p>\n<p>Segundo dados da Fenaprevi (Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Previd\u00eancia Privada e Vida), a capta\u00e7\u00e3o dos planos corporativos de janeiro a novembro de 2011 foi de R$ 5,8 bilh\u00f5es, 25,4% maior que no mesmo per\u00edodo de 2010.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0a aplica\u00e7\u00e3o nos planos individuais, que n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculo com empregadores, subiu 16,9% &#8211;percentual menor, embora o total investido nesses produtos seja bem mais alto, R$ 39 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Pa\u00eds tem pacto antiliberal entre elites e governo, diz Persio Arida<\/strong><\/p>\n<p><em>Folha Online<\/em><\/p>\n<p>O Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds a ter escravid\u00e3o. Foi o \u00faltimo a ter hiperinfla\u00e7\u00e3o e tem um regime de remunera\u00e7\u00e3o do FGTS que prejudica os trabalhadores. Demorou muito para criar a Comiss\u00e3o da Verdade para apurar crimes da ditadura. Por detr\u00e1s desses fatos est\u00e1 um pacto antiliberal formado entre elites e governo.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise \u00e9\u00a0do economista Persio Arida, 59, um dos idealizadores do Plano Real, que enxerga um denominador comum entre escravid\u00e3o, hiperinfla\u00e7\u00e3o e FGTS: &#8220;os mais prejudicados s\u00e3o os mais pobres, sempre&#8221;.<\/p>\n<p>Ex-presidente do Banco Central e hoje s\u00f3cio do banco BTG Pactual, ele avalia que o primeiro ano do governo Dilma Rousseff foi bem-sucedido do ponto de vista macroecon\u00f4mico. &#8220;\u00c9 um governo mais austero&#8221;, declara. Mas diz n\u00e3o gostar do que define como &#8220;uma tend\u00eancia protecionista&#8221;, revelada do caso do aumento do IPI para os autom\u00f3veis importados. &#8220;Se est\u00e1 protegendo um grupo de multinacionais contra outro grupo de multinacionais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Arida ataca tamb\u00e9m o novo reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo que, para ele, n\u00e3o distribui renda nem dinamiza a economia e vai &#8220;na contram\u00e3o de tudo que o pa\u00eds precisa&#8221;.<\/p>\n<p>Ex-presidente do BNDES, ele discorda da atual pol\u00edtica da institui\u00e7\u00e3o de fortalecer os chamados &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221;, os grandes grupos. Na sua vis\u00e3o, &#8220;quem tem acesso ao mercado de capitais privado n\u00e3o deveria usar recursos do BNDES&#8221;.<\/p>\n<p>Arida prev\u00ea\u00a0uma trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos e acha que a desacelera\u00e7\u00e3o suave na China n\u00e3o vai ter impacto dram\u00e1tico para o Brasil. O maior problema, para ele, est\u00e1 na Europa e no seu sistema banc\u00e1rio. L\u00e1 pa\u00edses podem sair do euro isoladamente ou a situa\u00e7\u00e3o pode ser empurrada com a barriga. H\u00e1 tamb\u00e9m possibilidade de nacionaliza\u00e7\u00e3o de bancos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1\u00a0que salvar os bancos&#8221;, defende, lembrando que o grande drama da recess\u00e3o de 1929 foi a quebra dos bancos. &#8220;N\u00e3o se pode repetir os erros de 29&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>A seguir, a entrevista.<\/p>\n<p><strong>Folha: Qual avalia\u00e7\u00e3o do governo Dilma?<\/strong><\/p>\n<p>Persio Arida: O governo Dilma teve o desafio de enfrentar o legado de uma economia excessivamente aquecida em 2009\/2010. Optou por fazer um &#8220;soft landing&#8221;, baixando ao m\u00ednimo a infla\u00e7\u00e3o, para evitar que uma desinfla\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida sacrificasse por demais o n\u00edvel de emprego. O resultado de 2010 foi bom nesse sentido do &#8220;soft landing&#8221;. A infla\u00e7\u00e3o reverteu a trajet\u00f3ria de alta, embora ainda esteja no topo da banda. A atividade econ\u00f4mica est\u00e1 desacelerando para a taxa de crescimento brasileira de longo prazo, que \u00e9 algo entre 3,5% e 4%. Desse ponto de vista, o desafio macroecon\u00f4mico, que era como lidar com o aquecimento excessivo de 2010, foi bem resolvido para esse ano de 2011.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o foi um erro ter segurado a economia em demasia no in\u00edcio do ano passado; agora o governo quer estimul\u00e1-la novamente. O desaquecimento tem mais a ver com essas medidas do que com a crise no exterior, certo?<\/strong><\/p>\n<p>O desaquecimento \u00e9\u00a0primordialmente ditado pelas medidas; \u00e9\u00a0um desaquecimento intencional e necess\u00e1rio e foi numa boa medida. A economia brasileira n\u00e3o cresce a taxas de 2010 _s\u00e3o insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Porque \u00e9\u00a0muito acima da taxa de crescimento normal, leva a sobreaquecimento, press\u00e3o inflacion\u00e1ria excessiva, gargalos de infraestrutura, falta de poupan\u00e7a dom\u00e9stica. H\u00e1 in\u00fameros fatores que fazem com que a economia n\u00e3o possa crescer a 7% ao ano de forma sustentada.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o normal \u00e9\u00a0um crescimento baixo?<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento \u00e9\u00a0o que \u00e9. Na economia brasileira hoje a taxa sustent\u00e1vel de crescimento \u00e9 algo em torno de 3,5%, 4%. Sustent\u00e1vel no sentido de capaz de manter a infla\u00e7\u00e3o sob controle e evitar gargalos maiores nos processos de infraestrutura. Para crescer mais do que isso, se precisaria ou ter mais poupan\u00e7a dom\u00e9stica ou ter mais poupan\u00e7a externa. Mais poupan\u00e7a externa n\u00e3o seria prudente, pois j\u00e1 estamos com d\u00e9ficit de conta-corrente. Para ter mais poupan\u00e7a dom\u00e9stica teriam que ser feitas reformas estruturais que n\u00e3o vejo sendo encaminhadas no momento. Do ponto de vista macroecon\u00f4mico foi um ano muito bem sucedido. Essa desacelera\u00e7\u00e3o recente da economia brasileira no \u00faltimo trimestre \u00e9 um pouco enganosa; a economia vai acelerar de novo este ano, ao longo do ano. Acho que 2012, se n\u00e3o houver um percal\u00e7o maior l\u00e1 fora, teremos de novo uma taxa de crescimento de 3,5%, 4%.<\/p>\n<p><strong>E infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio, juros?<\/strong><\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o deve seguir com a tend\u00eancia moderada de queda. C\u00e2mbio \u00e9\u00a0a vari\u00e1vel mais dif\u00edcil de imaginar. \u00c9\u00a0a vari\u00e1vel mais suscet\u00edvel a eventos externos. Depende muito do que acontecer no resto do mundo.<\/p>\n<p>A economia norte-americana est\u00e1\u00a0 em trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o, o que tende a fortalecer o d\u00f3lar. Se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a pol\u00edtica muito radical nos EUA, a recupera\u00e7\u00e3o vai continuar. A pol\u00edtica de juro zero com &#8220;quantitative easing&#8221; norte-americana vai ser suficiente para, ao longo do tempo, fazer com que os EUA voltem \u00e0 trajet\u00f3ria de crescimento de longo prazo. A China tem outra trajet\u00f3ria de &#8220;soft landing&#8221;, que acho que tamb\u00e9m vai ser bem-sucedida. Sou mais otimista, acho que a China vai crescer perto de 8,5% neste ano, o que para a China \u00e9 um &#8220;soft landing&#8221;. O grande desafio \u00e9 a Europa. \u00c9 a grande incerteza que tem no cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Como este &#8220;soft landing&#8221; da China vai afetar o Brasil, j\u00e1\u00a0 que a liga\u00e7\u00e3o entre as economias \u00e9\u00a0muito grande?<\/strong><\/p>\n<p>Menos do que as pessoas pensam. Porque o &#8220;sotf landing&#8221; chin\u00eas n\u00e3o implica nenhuma redu\u00e7\u00e3o abrupta da demanda de mat\u00e9rias-primas brasileiras. Tem muito mais a ver com a transforma\u00e7\u00e3o da China de uma economia primordialmente exportadora para uma economia voltada para o mercado dom\u00e9stico. A China, por raz\u00f5es de demografia e do pr\u00f3prio desenvolvimento, n\u00e3o consegue mais sustentar taxas de crescimento de 10%, 11% sem press\u00e3o inflacion\u00e1ria. Os sal\u00e1rios na China est\u00e3o claramente subindo. A China, que foi uma for\u00e7a deflacion\u00e1ria para o mundo, hoje est\u00e1 deixando de s\u00ea-la. A desacelera\u00e7\u00e3o da China \u00e9 consequ\u00eancia do pr\u00f3prio crescimento, primordialmente do mundo e dela em especial. Mas \u00e9 uma desacelera\u00e7\u00e3o relativamente suave, acho que n\u00e3o vai ter impacto dram\u00e1tico nenhum.<\/p>\n<p><strong>Sobre EUA, alguns acham os dados recentes pouco conclusivos para assegurar uma recupera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>O problema norte-americano \u00e9\u00a0muito parecido com o problema japon\u00eas. Acontece quando se tem bolhas imobili\u00e1rias e bancos se tornam invi\u00e1veis por problema de cr\u00e9dito. O problema dos bancos nos EUA foi em cr\u00e9dito. Foi uma gigantesca bolha de cr\u00e9dito, como no Jap\u00e3o. A pergunta que geralmente se faz \u00e9: uma vez que voc\u00ea entra numa bolha de cr\u00e9dito e a bolha explode, se tem um per\u00edodo recessivo prolongado necessariamente ou se consegue encurtar o per\u00edodo recessivo com pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal, principalmente monet\u00e1ria? Dependendo de como se responde, se v\u00ea o futuro dos EUA. As pol\u00edticas de juro zero e um agressivo &#8220;quantitative easing&#8221; do BC norte-americano v\u00e3o abreviar o per\u00edodo, digamos, recessivo. Em 2013, 2014 vai come\u00e7ar a haver uma certa revers\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria norte-americana. Sou muito mais otimista com os EUA.<\/p>\n<p><strong>E o emprego vai se recuperar?<\/strong><\/p>\n<p>No emprego a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0mais lenta porque os setores que voltam n\u00e3o s\u00e3o os setores que desempregaram. Setores onde o desemprego tende a ser maci\u00e7o, o financeiro e o &#8220;real state&#8221;, n\u00e3o s\u00e3o os setores que se beneficiam na volta. Tem um aspecto estrutural no desemprego, porque \u00e9 dif\u00edcil para as pessoas mudarem de trabalho, mudar de ramo. Mas vai ser caudat\u00e1rio do processo. Se houver uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sustent\u00e1vel, mais cedo ou mais tarde o emprego se recupera tamb\u00e9m. O grande desafio do mundo est\u00e1 na Europa.<\/p>\n<p><strong>E o que vai acontecer por l\u00e1? Qual a origem da crise?<\/strong><\/p>\n<p>Como em toda a crise, \u00e9\u00a0tentador achar uma \u00fanica origem. Mas \u00e9\u00a0um fen\u00f4meno muito complexo. O euro foi uma constru\u00e7\u00e3o, antes de mais nada, pol\u00edtica, n\u00e3o econ\u00f4mica. \u00c9\u00a0um projeto de, via unifica\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e atrav\u00e9s da zona do euro, via unifica\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria, permitindo livre migra\u00e7\u00e3o, se criar um cimento econ\u00f4mico entre pa\u00edses que evitasse a repeti\u00e7\u00e3o das trag\u00e9dias do s\u00e9culo 20, as duas Grandes Guerras. Como projeto pol\u00edtico \u00e9 um extraordin\u00e1rio sucesso. A ideia de integrar economicamente e de forma quase mais pr\u00f3xima da irreversibilidade para evitar as tens\u00f5es pol\u00edticas que levaram \u00e0s guerras e conflitos, se demonstrou uma proposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta. Como proposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 um projeto muito bem sucedido, ao contr\u00e1rio do que as pessoas imaginam. A quest\u00e3o \u00e9 que para fazer sentido economicamente teria que ter sido acompanhada de medidas que n\u00e3o ocorreram.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os desafios?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, o federativo. Desafios federativos s\u00e3o muito dif\u00edceis de lidar. O Brasil tem uma quest\u00e3o federativa, mas ela n\u00e3o existe politicamente. Exemplos simples: h\u00e1 transfer\u00eancias maci\u00e7as de renda entre regi\u00f5es do Brasil, de uma regi\u00e3o para outra, entre Estados do Brasil. A regra um homem\/um voto n\u00e3o vale no Brasil, porque um votante num Estado vale mais do que de outro. No debate pol\u00edtico brasileiro, esses desequil\u00edbrios federativos n\u00e3o fazem parte da agenda. O pa\u00eds, por raz\u00f5es de hist\u00f3ria, de cultura etc tem convido bem com isso. Mas poderia n\u00e3o conviver. Num pa\u00eds abstrato, a quest\u00e3o da regra de um homem\/um voto e a magnitude das transfer\u00eancias de renda seriam um conflito federativo monumental. S\u00f3 que o pa\u00eds n\u00e3o existe em abstrato, existe numa hist\u00f3ria. E na nossa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica isso n\u00e3o tem import\u00e2ncia politicamente. No Brasil, a cidadania n\u00e3o de define localmente, ao contr\u00e1rio do que ocorre na Europa.<\/p>\n<p>Na Europa, a quest\u00e3o federativa, que no Brasil \u00e9\u00a0oculta, \u00e9\u00a0aparente e vis\u00edvel desde a partida. Porque os pa\u00edses continuam independentes e n\u00e3o existe um mecanismo coercitivo entre eles. N\u00e3o h\u00e1\u00a0um mecanismo de ajuda sistem\u00e1tica entre pa\u00edses. At\u00e9 hoje os v\u00e1rios bancos centrais t\u00eam contabilidades internas entre eles etc. Essa quest\u00e3o federativa \u00e9 uma dimens\u00e3o muito complexa no problema europeu.<\/p>\n<p>Porque o problema n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0o mesmo nos v\u00e1rios Estados. H\u00e1\u00a0pa\u00edses que sempre foram menos respons\u00e1veis fiscalmente do que outros. H\u00e1 uma dimens\u00e3o fiscal\/federativa. H\u00e1 uma dimens\u00e3o de balan\u00e7o de pagamentos entre pa\u00edses que sistematicamente conseguiram lidar bem com a aprecia\u00e7\u00e3o da moeda conjunta do euro, enquanto outros lidaram mal. E h\u00e1 problemas de condu\u00e7\u00e3o do processo. A resist\u00eancia alem\u00e3 no caso da Gr\u00e9cia \u00e9 desastrosa. Se voc\u00ea insiste em que haja perdas para os credores de determinado pa\u00eds, como voc\u00ea imagina que seja a rea\u00e7\u00e3o dos credores do pa\u00eds vizinho? A Europa enfrenta uma crise que \u00e9, antes de mais nada, de governan\u00e7a interna.<\/p>\n<p>Se aquilo fosse um pa\u00eds, a Europa teria estat\u00edsticas melhores do que os norte-americanos. Teria menos d\u00edvida e menos d\u00e9ficit. \u00c9\u00a0uma abstra\u00e7\u00e3o &#8211;aquilo n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 um pa\u00eds, mas \u00e9\u00a0preciso ter isso em vista. O problema \u00e9\u00a0 federativo, que est\u00e1 desde a partida e nunca foi resolvido. O problema confluiu quando houve a explos\u00e3o da bolha por raz\u00f5es completamente d\u00edspares. A Irlanda era um pa\u00eds com d\u00edvida p\u00fablica muito baixa, que tem uma trajet\u00f3ria fiscal invej\u00e1vel, que se tornou um pa\u00eds problematizado por conta de seus bancos. Na outra ponta, a Gr\u00e9cia sempre teve uma trajet\u00f3ria fiscal reprovada por toda a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, mas que de alguma forma a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia permitiu&#8230;<\/p>\n<p><strong>E os bancos tamb\u00e9m, porque emprestaram&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>E os bancos tamb\u00e9m\u00a0porque emprestaram. Irlanda e Gr\u00e9cia s\u00e3o dois extremos. Como um todo, na Europa hoje h\u00e1 um problema banc\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9\u00a0a dimens\u00e3o banc\u00e1ria do problema?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil fazer essa conta porque o teste de estresse que o Banco Central Europeu rodou ficou muito desmoralizado. Fizeram o teste e logo em seguida o Dexia&#8230; Falhou. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma boa medida. Por outro lado, os requerimentos de Basil\u00e9ia, que seriam uma outra medida, t\u00eam uma dificuldade. Se pode calcular assim: para cumprir os requisitos de Basil\u00e9ia, quanto os bancos deveriam ter de capital. Essa \u00e9 uma medida que se entende. O que o mercado normalmente olha \u00e9 quanto os bancos precisam levantar de dinheiro para se financiar. O que \u00e9 uma medida torta do problema. O problema \u00e9 a insufici\u00eancia de capital. A quest\u00e3o \u00e9 que lidar com uma crise soberana e uma crise banc\u00e1ria ao mesmo tempo \u00e9 um problema de extraordin\u00e1ria complexidade. Porque as duas crises s\u00e3o ligadas.<\/p>\n<p>Vamos ter como exemplo um t\u00edtulo italiano de dez anos que est\u00e1\u00a0hoje vendido a 7%, digamos. Um t\u00edtulo do governo italiano, naturalmente, \u00e9 um t\u00edtulo que qualquer banco italiano tem como mais l\u00edquido, como em qualquer lugar do mundo. Se voc\u00ea perguntar qual o t\u00edtulo mais l\u00edquido dos bancos brasileiros, a resposta ser\u00e1: os t\u00edtulos do governo brasileiro. Se voc\u00ea obriga no teste de estresse que haja um requerimento de capital suficiente a fazer face a um &#8220;default&#8221; soberano dificilmente os bancos v\u00e3o conseguir levantar o dinheiro.<\/p>\n<p><strong>V\u00e3o ter que ser socorridos pelos Estados.<\/strong><\/p>\n<p>Ou estatizados.<\/p>\n<p><strong>E o sr. enxerga essa estatiza\u00e7\u00e3o acontecendo de forma mais forte?<\/strong><\/p>\n<p>A estatiza\u00e7\u00e3o de bancos \u00e9\u00a0sempre o \u00faltimo recurso. Mas \u00e9\u00a0melhor estatizar os bancos do que deixar os bancos quebrarem.<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9\u00a0um cen\u00e1rio poss\u00edvel na Europa, uma onda de estatiza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar&#8230; \u00c9 muito f\u00e1cil e tentador tra\u00e7ar cen\u00e1rios, e muito dif\u00edcil, ao mesmo tempo, tra\u00e7\u00e1-los. Voc\u00ea pode tra\u00e7ara cen\u00e1rios da Europa dissolvendo coletivamente o euro, todos os pa\u00edses saem ao mesmo tempo&#8230;<\/p>\n<p><strong>E volta o dracma, a lira, o marco&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Volta o dracma. Tem artigo recente do Robert Barro que sugere uma URV para dissolver o euro.<\/p>\n<p><strong>Um plano Larida [elaborado por Andr\u00e9\u00a0 Lara Resende e Persio Arida, que resultou no Plano Real]?<\/strong><\/p>\n<p>Um plano Larida para dissolver o euro. Seria um Larida para outro prop\u00f3sito. Voc\u00ea tem perspectivas de pa\u00edses sa\u00edrem do euro isoladamente. Voc\u00ea tem perspectiva de nacionaliza\u00e7\u00e3o de bancos. Voc\u00ea tem perspectiva de empurrar com a barriga por mais um tempo.<\/p>\n<p>O Estado do bem-estar social vai ser desmontado? H\u00e1\u00a0os que dizem que as causas da crise da d\u00edvida soberana est\u00e3o no socorro a bancos, no regime tribut\u00e1rio regressivo e houve uma redu\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do Estado do bem-estar na Europa \u00e9\u00a0pouco entendida. Vou dar um exemplo. A Fran\u00e7a tem tr\u00eas vezes mais funcion\u00e1rios p\u00fablicos per capita do que a Alemanha. Nada consta de que o Estado de bem-estar social seja muito pior na Alemanha do que na Fran\u00e7a. Outro dado. Se voc\u00ea tem seguro-desemprego muito generoso, como \u00e9 o caso da Espanha, \u00e9 contraproducente, porque torna o desemprego mais r\u00edgido. Um pa\u00eds com seguro-desemprego generoso de mais n\u00e3o \u00e9 melhor do ponto de vista do bem-estar do que um pa\u00eds com seguro-desemprego menos generoso. Por detr\u00e1s da discuss\u00e3o de Estado de bem-estar ou n\u00e3o tem uma quest\u00e3o de efici\u00eancia do Estado.<\/p>\n<p>Faz parte do pacto social europeu um certo Estado de bem-estar que foi maior do que o norte-americano. A hist\u00f3ria tem que ser respeitada. Isso sempre foi assim e provavelmente sempre ser\u00e1\u00a0assim. O que est\u00e1\u00a0em jogo n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 uma americaniza\u00e7\u00e3o da Europa. N\u00e3o\u00a0vejo isso acontecendo. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma moderniza\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar. Tem que dar mais efici\u00eancia, tornar os seguros-desempregos menores.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 o dinheiro da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo cortado, da Gr\u00e3-Bretanha \u00e0 Gr\u00e9cia.<\/strong><\/p>\n<p>Tem aspectos a\u00ed. A Inglaterra tem um sistema de sa\u00fade socializado. Funciona surpreendentemente bem para um sistema de sa\u00fade p\u00fablico. Mas voc\u00ea tem que racionalizar o tempo todo. A despesa de sa\u00fade, se n\u00e3o tiver racionaliza\u00e7\u00e3o, vai ao infinito. Para voc\u00ea acertar um diagn\u00f3stico, com 90% de chance, \u00e9 relativamente barato. Se voc\u00ea quiser acertar um diagn\u00f3stico com 99% de chance, o custo sobe exponencialmente.<\/p>\n<p>Em sa\u00fade p\u00fablica voc\u00ea\u00a0sempre tem que ter um c\u00e1lculo econ\u00f4mico de custo e benef\u00edcio. \u00c9\u00a0triste falar assim, quando se fala de vidas humanas, mas, se n\u00e3o, o sistema n\u00e3o tem limite. N\u00e3o acho que v\u00e1 haver na Europa o fim do Estado de bem-estar. Voc\u00ea vai ter uma enorme racionaliza\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar.<\/p>\n<p>Outro exemplo. Morei muitos anos na Inglaterra. A Inglaterra j\u00e1\u00a0n\u00e3o permite o tratamento de fertilidade em mulheres obesas. A mulher \u00e9 for\u00e7ada a emagrecer antes, por causa do risco de perder o beb\u00ea. Evidentemente, se a mulher est\u00e1 numa idade mais cr\u00edtica do ponto de vista da fertilidade, ela pode legitimamente argumentar que n\u00e3o vai dar tempo, que precisa fazer. Outros pa\u00edses da Europa permitem. S\u00e3o decis\u00f5es dif\u00edceis, mas h\u00e1 um enorme espa\u00e7o na Europa para racionaliza\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar. Isso \u00e9 muito diferente da americaniza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o faz parte da cultura e da hist\u00f3ria europ\u00e9ia.<\/p>\n<p><strong>Mas as medidas contra a crise n\u00e3o est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o errada ao sufocar os gastos p\u00fablicos e reduzir a renda. N\u00e3o deveria ser feito o contr\u00e1rio, como aumento de sal\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n<p>Vai ter uma pol\u00edtica fiscal mais apertada, demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, redu\u00e7\u00e3o de gastos do Estado, racionaliza\u00e7\u00e3o do Estado do bem-estar. Mas precisa ter medida na coisas. N\u00e3o se pode pedir para um pa\u00eds fazer um ajuste de menos 4 para 4 positivo do PIB. Vai gerar uma crise no tecido social que torna o pa\u00eds ingovern\u00e1vel. Precisa ter limites no processo, bom-senso. Mas fazer o ajuste fiscal em si no momento de crise \u00e9 at\u00e9 bom, porque a sociedade toma consci\u00eancia da necessidade do ajuste.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0junto com o ajuste fiscal fazer uma pol\u00edtica monet\u00e1ria muito mais flex\u00edvel. A Europa poderia expandir o balan\u00e7o do BC europeu, idealmente, muito mais do que faz hoje. Em outras palavras, uma impress\u00e3o de moeda, taxa de juros zero e uma emiss\u00e3o monet\u00e1ria muito mais radical, mais acentuada do que tem sido feito at\u00e9 agora. Falo a mesma coisa nos dois contextos [Brasil e mundo]. O mundo precisa ir na dire\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas fiscais mais contracionistas e pol\u00edticas monet\u00e1rias mais expansionistas.<\/p>\n<p><strong>E aumentar sal\u00e1rio? O sal\u00e1rio n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0uma parte importante na din\u00e2mica capitalista?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se deve aumentar sal\u00e1rio. O sal\u00e1rio tem um elemento c\u00edclico. A economia capitalista tem ciclos. Quando est\u00e1 na fase alta o sal\u00e1rio aumenta sozinho. Na fase baixa, ele tem uma enorme resist\u00eancia. Ele fica e acaba tendo desemprego. O sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um pre\u00e7o flex\u00edvel, digamos. Sal\u00e1rio funciona um pouco diferente dos demais pre\u00e7os. Por conta disso, n\u00e3o \u00e9 preciso estimulo para fazer aumentos salariais para melhorar a vida das pessoas. A melhor maneira de aquecer uma economia nas condi\u00e7\u00f5es atuais da Europa, dos EUA e do pr\u00f3prio Brasil, com as devidas adapta\u00e7\u00f5es, \u00e9 sempre pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>O sr. n\u00e3o concorda com a an\u00e1lise que aponta no socorro a bancos, na regressividade do sistema tribut\u00e1rio e na corte dos impostos para os ricos como causas da crise da d\u00edvida soberana? A salva\u00e7\u00e3o dos bancos n\u00e3o tem a ver com essa crise da d\u00edvida soberana?<\/strong><\/p>\n<p>Obviamente tem. Toda a crise banc\u00e1ria sist\u00eamica associada a bolhas ou de ativos ou no mercado imobili\u00e1rio ou no mercado acion\u00e1rio tipicamente p\u00f5e os governos diante de uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Se pode permitir que os bancos quebrem, o que \u00e9 um trauma extraordin\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a ao longo do tempo. Ou salvar os bancos. E para salvar os bancos, ou o governo injeta dinheiro ou absorve parte do portf\u00f3lio podre dos bancos. \u00c9 sempre melhor a segunda solu\u00e7\u00e3o do que a primeira. O grande drama da grande recess\u00e3o, n\u00e3o foi a queda da bolsa de 1929 ou o folclore de algu\u00e9m que se jogou pela janela. O drama foi a quebra dos bancos. Foi a quebra dos bancos que provocou o trauma e a perda de confian\u00e7a no padr\u00e3o fiduci\u00e1rio. N\u00e3o pode repetir os erros de 1929. Se pode dizer que n\u00e3o deviam ter deixado a situa\u00e7\u00e3o ter chegado \u00e0quele ponto. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica e que outros governantes sejam eleitos. Uma vez que se est\u00e1 diante da situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que salvar os bancos.<\/p>\n<p>Se pode salvar os bancos de in\u00fameras formas diferentes. Penalizando os acionistas dos bancos, que \u00e9\u00a0 a forma correta, nem sempre adotada na Europa. Sempre o primeiro a ser penalizado tem que ser o acionista do banco. Mas salvar bancos, n\u00e3o penalizar o credor dos bancos. Penalizar o acionista e n\u00e3o penalizar o credor.<\/p>\n<p>Mas mesmo que se tire todo o capital do acionista, numa crise banc\u00e1ria de grandes propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o d\u00e1\u00a0 para salvar o credor. Se precisa colocar mais dinheiro. Ent\u00e3o s\u00e3o crises que levam ao aumento da d\u00edvida p\u00fablica. \u00c9 uma certa transfer\u00eancia, de um excesso de endividamento privado, para um gradual excesso de endividamento p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a socializa\u00e7\u00e3o das perdas.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma socializa\u00e7\u00e3o de perdas, por assim dizer. O termo \u00e9 meio enganoso. Porque a grande socializa\u00e7\u00e3o de perdas \u00e9 uma quest\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es. O governo tem duas alternativas: pode deixar todos os bancos quebrarem e a\u00ed ele socializa todas as perdas hoje. Porque o depositante, o trabalhador que tem dinheiro no banco perde a sua poupan\u00e7a, zera. Ou ele pode aumentar a d\u00edvida p\u00fablica, com o que ele socializa a d\u00edvida entre a gera\u00e7\u00e3o atual e as futuras. A d\u00favida n\u00e3o e socializar a perda ou n\u00e3o: ela vai haver de qualquer forma. \u00c9 se quem paga \u00e9 s\u00f3 a gera\u00e7\u00e3o atual ou se de alguma forma divide o peso do pagamento entre as gera\u00e7\u00f5es atual e as futuras. Quando se divide o peso, se aumenta a d\u00edvida p\u00fablica, porque algu\u00e9m vai ter que pagar isso em algum momento para frente. N\u00e3o necessariamente o trabalhador de hoje, mas o trabalhador do futuro.<\/p>\n<p><strong>O capitalismo assim fica sem riscos?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, o capitalismo tem riscos.<\/p>\n<p><strong>Sim, mas se alguma coisa sai errada, o Estado vai l\u00e1\u00a0e ajuda, n\u00e3o\u00a0 \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Tem dois aspectos a\u00ed. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9\u00a0melhor do que a demais. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9\u00a0baseada no princ\u00edpio de que a responsabilidade do controlador e do estatut\u00e1rio \u00e9 ilimitada. Esse \u00e9 o princ\u00edpio correto, porque mesmo se o governo tiver que socorrer o banco, a sociedade tem uma garantia de que o administrador do banco e o acionista do banco perdem tudo. E se for o acionista perde n\u00e3o s\u00f3 as a\u00e7\u00f5es do banco como todos os seus bens.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o norte-americana foi criada sobre outro pressuposto. Esse debate houve nos EUA, se devia ter responsabilidade ilimitada ou n\u00e3o. Os EUA optaram pela responsabilidade limitada dos dirigentes, sob o argumento de que se a responsabilidade fosse ilimitada seria t\u00e3o arriscado que s\u00f3 aventureiros topariam ter institui\u00e7\u00f5es financeiras. Isso nos anos 1920.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o para tornar o sistema financeiro mais s\u00f3lido optou-se pela responsabilidade limitada.<\/p>\n<p><strong>Mas essa discuss\u00e3o n\u00e3o ressurgiu agora com essas manifesta\u00e7\u00f5es de rua?<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente n\u00e3o. Existe um mal-estar p\u00fablico contra o que aconteceu nos bancos, mas ele \u00e9\u00a0difuso, n\u00e3o se transladou para uma proposta. O debate nos EUA sobre bancos n\u00e3o \u00e9 sobre se deveria introduzir a regra brasileira ou n\u00e3o. O debate \u00e9 politizado, busca aumentar o controle, refor\u00e7ar a margem de seguran\u00e7a dos bancos. Mas ningu\u00e9m fala em tornar a responsabilidade ilimitada. O sistema brasileiro \u00e9 muito mais avan\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>Qual o significado do rebaixamento de pa\u00edses europeus definido na \u00faltima sexta-feira?<\/strong><\/p>\n<p>O rebaixamento era esperado, n\u00e3o h\u00e1\u00a0 surpresa. As ag\u00eancias erraram muito nas avalia\u00e7\u00f5es de risco em 2008. No cr\u00e9dito provado erraram muito, falharam. Para investidores institucionais criou-se uma cultura pela qual os investimentos s\u00e3o feitos de acordo com o &#8220;rating&#8221; das ag\u00eancias _ o que \u00e9 conveniente para os administradores dos fundos. Essa cultura n\u00e3o mudou apesar dos erros das ag\u00eancias. Por isso, h\u00e1 consequ\u00eancias no rebaixamento, mas n\u00e3o h\u00e1 nada surpreendente.<\/p>\n<p><strong>A crise vai resultar num maior controle das finan\u00e7as globais? O sistema financeiro vai passar por alguma redu\u00e7\u00e3o? Muitos dizem que os governos ficaram submetidos aos seus desejos das finan\u00e7as. O que o sr. acha?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0clich\u00eas de todo o tipo. Esse \u00e9 um clich\u00ea, que existe um sistema financeiro globalizado.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe isso?<\/strong><\/p>\n<p>Em bom portugu\u00eas\u00a0\u00e9\u00a0bobagem. Voc\u00ea\u00a0tem um mundo crescentemente globalizado, com integra\u00e7\u00e3o financeira, comercial, tem uma difus\u00e3o cultural maior. E os grandes benefici\u00e1rios da globaliza\u00e7\u00e3o foram os pobres. Foi a globaliza\u00e7\u00e3o que permitiu a ascens\u00e3o dos emergentes. A integra\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio e financeira \u00e9 extremamente ben\u00e9fica aos pobres do mundo. Do ponto de vista das pol\u00edticas nacionais, ela coloca um problema, porque os Estados se percebem cada vez mais interdependentes. H\u00e1 uma certa ilus\u00e3o. Na Grande Depress\u00e3o havia um grau de interdepend\u00eancia similar. Criou-se a percep\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o mais interdependentes hoje do que anteriormente, o que \u00e9 at\u00e9 duvidoso. Mas h\u00e1, de fato, la\u00e7os de com\u00e9rcio crescentes, grau de interdepend\u00eancia comercial entre pa\u00edses crescente, fluxos de capitais crescentes, fluxos financeiros crescentes.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os desafios que isso coloca na esfera nacional?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, o mais \u00f3bvio, que \u00e9\u00a0 a taxa de c\u00e2mbio, processos muito dram\u00e1ticos de aprecia\u00e7\u00e3o ou deprecia\u00e7\u00e3o causados por fluxos financeiros. Segundo, desafios na \u00e1rea comercial. Terceiro, na \u00e1rea de investimento. Grosso modo, se est\u00e1 falando, tanto na \u00e1rea comercial quanto na de investimentos, da quest\u00e3o protecionista: se os pa\u00edses devem se defender, at\u00e9 que ponto se sentem atacados. Press\u00f5es protecionistas s\u00e3o naturais. Em contextos recessivos elas aumentam; na prosperidade diminuem. Portanto, as press\u00f5es protecionistas s\u00e3o c\u00edclicas. Mas quase sempre s\u00e3o p\u00e9ssimo conselheiro. \u00c9 rar\u00edssimo o caso que voc\u00ea consegue justificar de fato a medida protecionista do ponto de vista do bem estar social do pa\u00eds que est\u00e1 implementando a medida. Normalmente as press\u00f5es protecionistas beneficiam lobbies. Beneficia um lobby empresarial e prejudica outro lobby empresarial. Mas do ponto de vista do bem-estar da sociedade, elas fazem mais mal do que bem.<\/p>\n<p><strong>Essa crise mundial vai durar dez anos, como afirmam alguns?<\/strong><\/p>\n<p>O mundo tem l\u00f3gicas muito distintas, apesar de globalizado. Os EUA est\u00e3o numa trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o. Vai haver uma elei\u00e7\u00e3o presidencial. Como a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 fr\u00e1gil, \u00e9 muito importante saber se as pol\u00edticas governamentais v\u00e3o continuar. Economia n\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio econom\u00e9trico, porque as pessoas pensam, os governos agem, a pol\u00edtica existe. Ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil fazer previs\u00f5es. Mas os EUA, se n\u00e3o tiver nenhum desacerto na pol\u00edtica econ\u00f4mica maior, tende a se recuperar. A China tem um &#8220;soft landing&#8221;, mas n\u00e3o \u00e9 nada desastroso. O grande desafio para o mundo para a frente \u00e9 a Europa.<\/p>\n<p><strong>E n\u00e3o h\u00e1\u00a0 um horizonte de tempo?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil prever. Uma coisa \u00e9 uma tend\u00eancia econ\u00f4mica. Se voc\u00ea me perguntar se a economia brasileira, tudo o mais constante, estar\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o no segundo trimestre de 2012 comparado ao \u00faltimo trimestre de 2011, a resposta \u00e9 provavelmente sim. Porque estou falando de um processo com uma din\u00e2mica basicamente econ\u00f4mica. Na Europa n\u00e3o estou falando de uma din\u00e2mica econ\u00f4mica mais. \u00c9 tamb\u00e9m econ\u00f4mica, mas, antes de mais nada, \u00e9 pol\u00edtica de decis\u00e3o. Tem elei\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a. Tem uma situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia complicad\u00edssima. A atual gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes europeus, do ponto de vista econ\u00f4mico, \u00e9 extraordin\u00e1ria. Todos eles. T\u00eam extraordin\u00e1rias lideran\u00e7as hoje na Europa: na Gr\u00e9cia, na It\u00e1lia, em Portugal, na Espanha, na Irlanda. De primeir\u00edssima qualidade. A pergunta \u00e9 a seguinte: v\u00e3o sobreviver ao pr\u00f3ximo teste das urnas? A Europa tem hoje um desafio essencialmente pol\u00edtico de governan\u00e7a. Esse \u00e9 muito dif\u00edcil de prever.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1\u00a0 os que afirmam que h\u00e1\u00a0um governo Goldman Sachs na Europa porque v\u00e1rios desses l\u00edderes que voc\u00ea aponta passaram pelo banco. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um clich\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o faz sentido nenhum. Alguns deles passaram pela Goldman, que era um empregador de excel\u00eancia, que melhor pagava. Pessoas talentosas, 15 anos atr\u00e1s, naturalmente preferiram trabalhar na Goldman a trabalhar em bancos que pagavam menos.<\/p>\n<p><strong>Como o sr. define o governo Dilma do ponto de vista da pol\u00edtica econ\u00f4mica? \u00c9\u00a0desenvolvimentista, ortodoxa?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dar um resumo. O &#8220;soft landing&#8221; foi muito bem sucedido. Do ponto de vista fiscal, a performance de 2011 foi melhor do que a de 2010. \u00c9 um governo mais austero. Houve uma contra\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os do BNDES, o que \u00e9 um lado positivo de ajuste. Tem v\u00e1rias dimens\u00f5es que aconteceram em 2011 inequivocamente positivas. Todas sendo vistas como contraponto da heran\u00e7a de 2010 e 2009. Por outro lado, tem uma tend\u00eancia protecionista que n\u00e3o me parece boa.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>Autom\u00f3veis. No caso voc\u00ea\u00a0est\u00e1\u00a0 protegendo um grupo de multinacionais contra outro grupo de multinacionais. \u00c9 dif\u00edcil de entender a racionalidade.<\/p>\n<p><strong>Emprego no Brasil n\u00e3o seria uma justificativa?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, \u00e9\u00a0dif\u00edcil. As medidas protecionistas como um todo dificilmente tem justificativa. A tend\u00eancia intervencionista tem que ser contida, porque ela d\u00e1\u00a0uma satisfa\u00e7\u00e3o imediata e faz um desacerto no longo prazo.<\/p>\n<p><strong>Mas todos os pa\u00edses adotam medidas assim.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe pa\u00eds perfeito no mundo. Quando se faz gest\u00e3o econ\u00f4mica, voc\u00ea\u00a0tem que evitar errar. Se outros erram \u00e9\u00a0problema deles. Na parte macroecon\u00f4mica [Dilma] foi bem sucedida. Tem uma tend\u00eancia protecionista que n\u00e3o \u00e9 ideal. H\u00e1 uma s\u00e9rie de reformas estruturais que poderiam ser feitas em sistemas como FGTS, FAT etc.<\/p>\n<p><strong>Que \u00e9\u00a0a sua proposta.<\/strong><\/p>\n<p>Que \u00e9\u00a0a minha proposta. Poupan\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o cresceu. Voc\u00ea\u00a0tem uma diminui\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos. O Brasil tem uma trajet\u00f3ria preocupante em gastos p\u00fablicos, que n\u00e3o \u00e9 de agora. Uma trajet\u00f3ria pela qual a arrecada\u00e7\u00e3o cresce porque o pa\u00eds cresce. O pa\u00eds se formaliza, felizmente, isso \u00e9 um \u00f3timo sinal. Ao mesmo tempo os gastos p\u00fablicos crescem pari passu. N\u00e3o estou falando de super\u00e1vit, estou falando da contra\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos. O Brasil teria muito a ganhar com contra\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos e desonera\u00e7\u00e3o fiscal. Sei que \u00e9 uma plataforma impopular, que ningu\u00e9m fala. As duas coisas t\u00eam que ser feitas pari passu. Teria um enorme ganho de efici\u00eancia na economia se essa linha fosse seguida.<\/p>\n<p><strong>Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o desempenho do BNDES? O sr. concorda com essa linha dos &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Eu entendo a racionalidade dessa linha dos &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221;, mas acho que a l\u00f3gica que deveria nortear \u00e9 um pouco diferente. H\u00e1 setores onde se t\u00eam um argumento de falhas do mercado. Basicamente porque o Brasil vem de uma hist\u00f3ria traum\u00e1tica de alta infla\u00e7\u00e3o ainda tem horizontes de empr\u00e9stimos relativamente curtos. H\u00e1 \u00e1reas onde n\u00e3o o pre\u00e7o do custo de empr\u00e9stimo, mas a dura\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo provida pelo mercado privado \u00e9 relativamente limitada. Nesse sentido se pode dizer que tem uma falha de mercado.<\/p>\n<p>Mas a an\u00e1lise tem que ser a partir das falhas de mercado e n\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o de grupos. \u00c9 um outro enfoque. Como conceito b\u00e1sico, que \u00e9 o conceito de falha de mercado, o que deveria nortear \u00e9 mercado de capitais privado. Quem tem acesso ao mercado de capitais privado n\u00e3o deveria usar recursos do BNDES. O conceito certo \u00e9 enfocar para onde o mercado de capitais n\u00e3o supre. \u00c9 para onde as coisas deveriam ser orientadas. Mais do que a \u00f3tica dos &#8220;campe\u00f5es nacionais&#8221; gosto da \u00f3tica de entrar onde o mercado de capitais n\u00e3o entra.<\/p>\n<p>Tem tr\u00eas aspectos sobre BNDES. Tem o tamanho do balan\u00e7o, que est\u00e1 diminuindo, o que \u00e9 muito positivo. Tem a precifica\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos, dos juros direcionados. Tem o aspecto de qual \u00e9 a \u00f3tica de quem recebe o empr\u00e9stimo. Se \u00e9 uma \u00f3tica dos campe\u00f5es, da forma\u00e7\u00e3o de grandes grupos. Esse racioc\u00ednio tem seus m\u00e9ritos. Coreia do Sul e v\u00e1rios pa\u00edses adotaram essa abordagem. Dever\u00edamos adotar uma outra, que \u00e9 estar presente onde o mercado de capitais privados n\u00e3o est\u00e1. Se tem uma falha do mercado de capitais tenho um argumento para concess\u00e3o de empr\u00e9stimo forte. \u00c9 a vis\u00e3o liberal.Se o mercado estiver falhando, eu entendo. Agora se o mercado n\u00e3o estiver falhando n\u00e3o tem porqu\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Mas o mercado andou falhando demais nesses \u00faltimos tempos, n\u00e3o? N\u00e3o ficou prejudicada essa linha de pensamento?<\/strong><\/p>\n<p>A crise de 2008 \u00e9\u00a0uma gigantesca falha regulat\u00f3ria. \u00c9\u00a0uma crise de cr\u00e9dito. Os bancos concederam cr\u00e9dito excessivamente inventando certas estruturas de cr\u00e9dito paralelas ao sistema banc\u00e1rio. A banca internacional passou um drible no regulador. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0que as leis estavam erradas. O que houve foi uma gigantesca falha regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Mas crise n\u00e3o foi gerada pela queda de renda, que levou as pessoas a buscarem mais cr\u00e9dito?<\/strong><\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio. A origem \u00e9\u00a0o cr\u00e9dito. As pessoas sempre t\u00eam limita\u00e7\u00e3o de renda. O sistema hipotec\u00e1rio norte-americano induz as pessoas a se endividarem. De outro lado, se tem os bancos que deram um drible no regulador e concederam cr\u00e9dito. Juntou a fome com a vontade de comer. Na raiz o problema \u00e9 a falha regulat\u00f3ria. Isso gerou uma enorme confus\u00e3o. As pessoas dizendo que a crise de 2008 provou que o capitalismo tinha falhado. Na pr\u00e1tica houve uma desregulamenta\u00e7\u00e3o sem consentimento do regulador.<\/p>\n<p><strong>E o investimento p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>Depende de uma contra\u00e7\u00e3o de gastos correntes. Se houver redu\u00e7\u00e3o de gastos correntes, voc\u00ea consegue. O grande desafio \u00e9 diminuir gastos correntes em mat\u00e9rias n\u00e3o relacionadas a investimentos. \u00c9 um desafio de efici\u00eancia, de gest\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 do governo Dilma, vem de muito tempo. A m\u00e1quina p\u00fablica cresce sem medida.<\/p>\n<p><strong>Qual vai ser o impacto deste aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9\u00a0desastroso. \u00c9\u00a0uma regra desprovida totalmente de qualquer sentido. \u00c9\u00a0uma superindexa\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9\u00a0uma indexa\u00e7\u00e3o pela infla\u00e7\u00e3o passada e mais ajuste do PIB. \u00c9\u00a0uma regra na contram\u00e3o de tudo que o pa\u00eds precisa. \u00c9 uma regra que visa recompor o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas que na verdade tem um efeito prejudicial do ponto de vista de custos do trabalho, exerce uma press\u00e3o inflacion\u00e1ria. Tem um efeito danoso sobre os or\u00e7amentos de Estados e munic\u00edpios que empregam muita gente com sal\u00e1rio m\u00ednimo. E particularmente danoso sobre a Previd\u00eancia, porque as aposentadorias s\u00e3o relacionadas ao m\u00ednimo.<\/p>\n<p><strong>Mas esse aumento n\u00e3o dinamiza a economia, j\u00e1\u00a0que aumenta a renda?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Se voc\u00ea\u00a0quer dinamizar a economia, voc\u00ea\u00a0diminui a taxa de juros e diminui impostos. \u00c9 a maneira certa de dinamizar a economia. Essa \u00e9 a maneira errada.<\/p>\n<p><strong>Mas o aumento do m\u00ednimo n\u00e3o distribui renda?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Isso provoca press\u00e3o inflacion\u00e1ria, de um lado. Aumenta os gastos com inativos da Uni\u00e3o. Aumenta o gasto p\u00fablico na veia.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0distribui\u00e7\u00e3o de renda?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda que o Brasil pode fazer, de um lado, \u00e9\u00a0a ajuda direta aos mais necessitados, com bolsas fam\u00edlia. De resto, suba o sal\u00e1rio m\u00ednimo de acordo com a infla\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea quiser chegar a tanto. Deixa o mercado funcionar. A melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 diminuir a taxa de juros, permitir o desenvolvimento do sistema de hipotecas no Brasil, reajustar bem o FGTS, que \u00e9 um roubo dos trabalhadores. Evite que os trabalhadores sejam roubados. Quer melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda do que esta? Posso dar v\u00e1rios exemplos. Mas essa regra [de reajuste do m\u00ednimo] est\u00e1 na contram\u00e3o de tudo o que o Brasil precisa. O problema \u00e9 que, uma vez criada a regra, entendo que seja politicamente dif\u00edcil escapar dela.<\/p>\n<p><strong>E o que o PSDB e a oposi\u00e7\u00e3o deveriam propor?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o quero falar sobre pol\u00edtica. N\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0a minha especialidade.<\/p>\n<p><strong>Mas voc\u00ea\u00a0 prop\u00f4s ao PSDB mudar a quest\u00e3o dos juros subsidiados.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um certo tabu no Brasil. Temos sistemas hoje que foram montados na \u00e9poca do governo militar ainda, que tinham uma certa racionalidade. O Brasil do Plano Real para c\u00e1 evoluiu extraordinariamente. Hoje esses sistemas se tornaram contra-produtivos. Basicamente se voc\u00ea eliminar os chamados cr\u00e9ditos direcionados a taxa de juros para a economia como um todo vai ser menor. Melhora a distribui\u00e7\u00e3o de renda e melhora a aloca\u00e7\u00e3o de recursos. S\u00f3 tem vantagens. Mas \u00e9 um gigantesco tabu, parte porque a quest\u00e3o \u00e9 complexa e parte por causa de lobbies empresariais que se beneficiam do atual sistema.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o Brasil n\u00e3o deveria ter pol\u00edtica industrial?<\/strong><\/p>\n<p>Pol\u00edtica industrial pode ter ou pode n\u00e3o ter. Pol\u00edtica industrial n\u00e3o tem nada a ver com o que est\u00e1\u00a0 acontecendo. Pol\u00edtica industrial se faz da maneira usual. Tem um or\u00e7amento. Se voc\u00ea quer beneficiar determinado setor, se faz isen\u00e7\u00e3o fiscal espec\u00edfica. Transparente, consta do or\u00e7amento, as pessoas sabem do que se trata, se tem objetivos claros: esse setor tem isen\u00e7\u00e3o fiscal por determinado tempo. N\u00e3o estou dizendo que pol\u00edtica industrial seja justificado ou n\u00e3o. Se o pa\u00eds optar por fazer pol\u00edtica industrial, essa \u00e9 a maneira certa de fazer.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o via BNDES?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o por uma via torta que distorce a forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros. No caso do FGTS, concentra renda. H\u00e1\u00a0 distor\u00e7\u00f5es de todos os lados. Qualquer que seja a o objetivo, ele tem que ser feito de outra maneira. Dar um incentivo no or\u00e7amento. \u00c9 a maneira correta, p\u00fablica transparente _se quiser usar uma palavra que nem gosto muito: republicana de fazer isso. Quando voc\u00ea faz pol\u00edtica industrial por vias tortas, penalizando trabalhadores na aplica\u00e7\u00e3o do FGTS, distorcendo a forma\u00e7\u00e3o da taxa de juros, fazendo com que a Selic seja mais alta, voc\u00ea cria uma nuvem de complica\u00e7\u00f5es que emba\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o do problema e gera distor\u00e7\u00f5es por todos os lados. No final, voc\u00ea nem sabe avaliar se a pol\u00edtica industrial \u00e9 bem sucedida ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O sr. foi preso e torturado na ditadura militar. Como analisa a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre fui a favor da instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade. H\u00e1 in\u00fameras cr\u00edticas sobre como foi instaurada, conduzida, seus limites etc. Ainda \u00e9 cedo para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Gostaria de fazer parte dela?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que h\u00e1\u00a0pessoas mais significativas do que eu para fazer parte.<\/p>\n<p><strong>No relato sobre aquele per\u00edodo, o sr. fala da teia de interesses que se formou entre empres\u00e1rios, pol\u00edticos, gestores do Estado naquela \u00e9poca e que resultou num sil\u00eancio prolongado sobre a ditadura. Como o sr. analisa essa quest\u00e3o hoje? A lei da anistia deveria ser revista?<\/strong><\/p>\n<p>A revis\u00e3o da lei da anistia \u00e9 um t\u00f3pico mais dif\u00edcil. \u00c9 pena que a discuss\u00e3o esteja acontecendo apenas agora.<\/p>\n<p><strong>Por que o sr. acha que s\u00f3\u00a0 acontece agora? Por que a demora?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem seus pactos de sil\u00eancio. Falei h\u00e1\u00a0pouco sobre FGTS, FAT, que \u00e9\u00a0outro pacto de sil\u00eancio. Se voc\u00ea pensar sobre a hist\u00f3ria brasileira, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds do mundo a terminar com a escravid\u00e3o. Ou foi o \u00faltimo pa\u00eds do mundo a terminar com a hiperinfla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como explicar isso?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 mais uma pergunta para um historiador do que para um economista. Existe um pacto entre Estado e grupos empresariais e elites no Brasil que \u00e9 um pacto, digamos, n\u00e3o-liberal, antiliberal.<\/p>\n<p><strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p>A plataforma liberal..<\/p>\n<p><strong>Liberal no sentido norte-americano.<\/strong><\/p>\n<p>Liberal no sentido norte-americano, que \u00e9\u00a0plataforma da diminui\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o estatal e das liberdades civis. Essa plataforma foi cronicamente fraca no Brasil. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds do novo mundo. Nesse sentido, \u00e9 mais semelhante aos EUA do que qualquer outro. A terminologia dos Brics \u00e9 muito enganadora. O Brasil tem poucas similaridades com a China, que \u00e9 uma civiliza\u00e7\u00e3o milenar. A similaridade brasileira \u00e9 com os EUA. S\u00e3o pa\u00edses de dimens\u00e3o continental, com sistemas democr\u00e1ticos, formados pela imigra\u00e7\u00e3o basicamente europ\u00e9ia e africana, um pouco asi\u00e1tica. Pa\u00edses cuja cultura ind\u00edgena local desapareceu. N\u00e3o s\u00e3o pa\u00edses, como na Am\u00e9rica espanhola, que tem o substrato de uma outra cultura. Mas, contrariamente aos EUA, \u00e9 um pa\u00eds onde o liberalismo foi sempre fraco. Acho que por detr\u00e1s dessas v\u00e1rias quest\u00f5es _escravid\u00e3o, FGTS ou hiperinfla\u00e7\u00e3o _ se tem um denominador comum: os mais prejudicados s\u00e3o os mais pobres, sempre. Numa hiperinfla\u00e7\u00e3o o prejudicado \u00e9 quem nem conseguia ter conta banc\u00e1ria. Na escravid\u00e3o, n\u00e3o preciso nem falar. O FGTS hoje \u00e9 de quem trabalha.<\/p>\n<p><strong>A escravid\u00e3o financiava o governo do imperador&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Escravid\u00e3o houve em outros pa\u00edses, outros tiveram servid\u00e3o. Interessante \u00e9\u00a0que o Brasil foi o \u00faltimo. Chamo aten\u00e7\u00e3o sobre isso porque o pa\u00eds tem um pacto entre elites e governo antiliberal. \u00c9 um pacto a favor do Estado e que sempre se pautou por uma certa repress\u00e3o de liberdades civis.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um pacto a favor do Estado, do empresariado e contra os mais pobres, \u00e9 isso? \u00c9 um pacto conservador?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea\u00a0disser que \u00e9\u00a0contra os pobres voc\u00ea\u00a0est\u00e1\u00a0falando uma coisa errada. Ningu\u00e9m \u00e9 contra os pobres.<\/p>\n<p><strong>Mas a resultante \u00e9\u00a0essa?<\/strong><\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio. O pacto \u00e9\u00a0feito para tentar beneficiar. Quando voc\u00ea\u00a0faz pol\u00edticas protecionistas, cr\u00e9ditos direcionados, quando privilegia determinados grupos, quem est\u00e1\u00a0implementando e quem recebe benef\u00edcios genuinamente pensam que est\u00e3o fazendo o bem comum.<\/p>\n<p><strong>Pelo menos o discurso \u00e9\u00a0esse.<\/strong><\/p>\n<p>O discurso \u00e9\u00a0esse e muitas vezes as pessoas pensam assim. O interessante n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0o discurso, mas, historicamente falando, \u00e9\u00a0[pensar] porque a tradi\u00e7\u00e3o liberal foi sempre t\u00e3o fraca no Brasil e continua sendo fraca. Isso se aplica inclusive para liberdades civis. O caso da Comiss\u00e3o da Verdade \u00e9 um exemplo.<\/p>\n<p>Olhe, por exemplo, para um pequeno, em escala, epis\u00f3dio de viola\u00e7\u00e3o das liberdades civis em Guant\u00e1namo, associado ao governo Bush. Num contexto espec\u00edfico da lei patri\u00f3tica etc, aquilo suscitou uma resposta da sociedade norte-americana liberal em defesa das liberdades civis muito forte. No contexto de uma extraordin\u00e1ria agress\u00e3o contra a civiliza\u00e7\u00e3o norte-americana que foi a barbaridade do 11 de Setembro. Mas a sociedade reagiu ainda assim. A quest\u00e3o liberal no Brasil \u00e9 fraca historicamente nessas duas dimens\u00f5es, na econ\u00f4mica e na pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Isso perpassa governos de diferentes matizes?<\/strong><\/p>\n<p>Claro que certos governos, dependendo da orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, puxam isso um pouco mais ou um pouco menos. T\u00eam matizes, diferen\u00e7as importantes. Mas n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno de hoje. Tem uma hist\u00f3ria que foi feita assim.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica de juros, que faz uma enorme transfer\u00eancia de riqueza para os mais ricos, faz parte desse pacto anti-liberal?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0que as pessoas s\u00e3o antiliberais para fazer maldades. Tem uma certa mentalidade antiliberal. Acho que at\u00e9\u00a0um melhor termo que eu usaria, em vez de pacto antiliberal, uma mentalidade antiliberal. A taxa de juros eu n\u00e3o colocaria nessa linha, embora ela tenha certamente um efeito concentrador de renda. Ela responde a outros fatores.<\/p>\n<p>O Brasil fez enormes viol\u00eancias contra a poupan\u00e7a financeira ao longo do tempo. Desde a manipula\u00e7\u00e3o da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, chegando ao extremo no Plano Collor. Foi gerada uma certa inseguran\u00e7a e um pr\u00eamio de risco associado \u00e0 poupan\u00e7a financeira. Quanto mais tempo passa sem que voc\u00ea fa\u00e7a nenhuma viol\u00eancia contra poupan\u00e7a financeira, menor o trauma do passado e melhora esse pr\u00eamio de risco. O respeito aos contratos, os direitos de propriedade v\u00e3o diminuindo esse temor. A taxa de juros tem um componente pr\u00f3prio, n\u00e3o faz parte dessa mentalidade antiliberal. Se voc\u00ea baixar a taxa de juros, voc\u00ea melhora dramaticamente a distribui\u00e7\u00e3o de renda. N\u00e3o tem a menor d\u00favida. Por isso minha insist\u00eancia de que o ajuste c\u00edclico seja feito sempre via taxa de juros.<\/p>\n<p><strong>O sr. acha que o ritmo atual de redu\u00e7\u00e3o da taxa poderia ser intensificado?<\/strong><\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1\u00a0rodando a 6,5%. Ainda tem um problema inflacion\u00e1rio que est\u00e1 longe de estar bem equacionado. O aumento de sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 uma press\u00e3o altista sobre infla\u00e7\u00e3o. O mercado tem uma proje\u00e7\u00e3o de taxa de juros ainda com uma queda. Para diminuir de uma forma sustentada o elemento cr\u00edtico \u00e9 o controle fiscal. Com o tempo, esse pr\u00eamio de risco causado pelo trauma da poupan\u00e7a financeira vai diminuindo naturalmente, desde que os governantes respeitem contratos. Do Real para c\u00e1, as taxas de juros reais s\u00e3o as menores que o Brasil j\u00e1 teve. Ainda \u00e9 extraordinariamente alta. O tempo joga a favor, desde que voc\u00ea respeite contratos porque as mem\u00f3rias do passado v\u00e3o se diluindo. Mas se voc\u00ea avan\u00e7asse no sentido da consolida\u00e7\u00e3o fiscal mais agressiva, mais firme poderia reduzir mais a taxa de juros e num ritmo mais acelerado.<\/p>\n<p><strong>O sr. leu o &#8220;Privataria Tucana&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o falo sobre isso.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1\u00a0 o seu indiciamento na Satiagraha?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o quero falar sobre isso.<\/p>\n<p><strong>E sobre Daniel Dantas?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o quero falar sobre isso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea\u00a0 que trabalhou dos dois lados, o que acha que deveria mudar na rela\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privado no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem hoje os instrumentos legais adequados: a quarentena, leis que pro\u00edbem o uso de informa\u00e7\u00f5es privilegiadas etc. Do ponto de vista da cultura de gest\u00e3o das coisas p\u00fablicas talvez o pa\u00eds precise amadurecer.<\/p>\n<p><strong>Como o sr. avalia o processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>O Banco foi l\u00edder inconteste neste ano de 2011 no processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es e tenho certeza que ser\u00e1\u00a0 o l\u00edder inconteste em 2012 tamb\u00e9m. \u00c9\u00a0uma \u00e1rea central dentro da nossa atividade. Al\u00e9m da nossa lideran\u00e7a tem o fato de que a economia brasileira em si tem um dinamismo muito grande crescente de mercado de capitais. \u00c0s vezes esse mecanismo se traduz em mais IPOs, \u00e0s vezes em fus\u00f5es em aquisi\u00e7\u00f5es. \u00c9 quase uma gangorra. Este ano [2011] foi um ano em que a bolsa brasileira sofreu muito. Em compensa\u00e7\u00e3o, as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es cresceram muito. Ano que vem acho que a bolsa brasileira deve ter uma performance melhor, dependendo da Europa. Acho que o fluxo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es vai continuar. De um lado o investimento estrangeiro no Brasil est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando. Tem uma atra\u00e7\u00e3o enorme. O Brasil entrou no mapa dos investidores globais. \u00c9 o mapa da aten\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o \u00e9 o da presen\u00e7a de dinheiro colocado. Vai ter uma enorme entrada de investimentos estrangeiros. No ano que passou a bolsa brasileira teve uma performance sofr\u00edvel, mas os investimentos estrangeiros diretos est\u00e3o no pico. Esse processo de entrada maci\u00e7a de investimentos diretos estrangeiros vai continuar e \u00e9 muito bom que continue. T\u00eam fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es dos dois lados. Tem pelo dinamismo crescente no mercado de capitais brasileiro e pela entrada de investidores estrangeiros. Estou muito otimista para este mercado em 2012.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Piora da crise deve afetar demanda por petr\u00f3leo, diz Opep<\/strong><\/p>\n<p><em>Reuters<\/em><\/p>\n<p>A piora da crise da d\u00edvida da zona do euro pode reduzir ainda mais a demanda por petr\u00f3leo da regi\u00e3o e pode impactar o consumo em economias emergentes que est\u00e3o conduzindo o aumento do uso global do combust\u00edvel, disse a Opep nesta segunda-feira.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio mensal, a Opep (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo) rebaixou sua previs\u00e3o do crescimento da demanda global por petr\u00f3leo em 2012 em 10 mil barris por dia (bpd), para 1,06 milh\u00e3o de barris.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio informou ainda que, de acordo com fontes secund\u00e1rias, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Opep subiu em dezembro para 30,82 milh\u00f5es de barris pr dia, o maior valor desde outubro de 2008<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Governo autoriza fatia estrangeira de at\u00e9\u00a030% no capital do Bradesco<\/strong><\/p>\n<p><em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>O Bradesco foi autorizado a aumentar a participa\u00e7\u00e3o estrangeira em seu capital ordin\u00e1rio para at\u00e9 30%, conforme decreto publicado hoje no &#8220;Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Banco Luso Brasileiro poder\u00e1\u00a0 ter participa\u00e7\u00e3o do exterior em at\u00e9\u00a033,33% no capital social.<\/p>\n<p>Outro decreto presidencial aprova participa\u00e7\u00e3o estrangeira no controle total da Sul Am\u00e9rica Investimentos DTVM e da Aporte DTVM.<\/p>\n<p>O Woori Bank, da Coreia do Sul, foi autorizado a abrir filial no Brasil com capital totalmente estrangeiro.<\/p>\n<p>Assim como o Interactive Brokers Group LLC, de Connecticut (EUA), poder\u00e1 constituir corretora de t\u00edtulos e valores mobili\u00e1rios no pa\u00eds, com controle externo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Idosos na for\u00e7a de trabalho sobem 65% em dez anos<\/strong><\/p>\n<p><em>Estad\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO &#8211; Outro recorte nos dados do Censo 2010 mostra forte tend\u00eancia de envelhecimento do trabalhador brasileiro na \u00faltima d\u00e9cada. A quantidade de pessoas com mais de 60 anos que est\u00e1 no mercado de trabalho cresceu 65% desde 2000. O n\u00famero pulou de 3,3 milh\u00f5es para 5,4 milh\u00f5es em 2010.<\/p>\n<p>O crescimento foi registrado em todas as regi\u00f5es. Prova disso \u00e9 que, entre os Estados que lideram o ranking, est\u00e3o locais t\u00e3o distantes quanto Distrito Federal (151%), Amap\u00e1 (135%) e Santa Catarina (104,7%).<\/p>\n<p>Traduzidos na realidade, os n\u00fameros indicam tanto um aumento absoluto na m\u00e9dia de idade da popula\u00e7\u00e3o quanto a disposi\u00e7\u00e3o dos brasileiros em trabalhar por mais tempo, mesmo depois de se aposentar. As regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste, locais de forte crescimento econ\u00f4mico nos \u00faltimos anos e recente formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, concentram a maior propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores acima de 60 anos na sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Nessas duas regi\u00f5es, quase 30% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa tem mais de 60 anos. J\u00e1\u00a0os Estados do Nordeste, com popula\u00e7\u00e3o mais jovem e baixa escolaridade nas gera\u00e7\u00f5es mais velhas, registram m\u00e9dia menor que 25%. Pesa tamb\u00e9m o fato de a qualidade de vida do Brasil aumentar gradativamente, ajudando a elevar a expectativa de vida do brasileiro, hoje em 73,5 anos, segundo a \u00faltima medi\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>S\u00e3o dois os principais motivos que servem de est\u00edmulo para os trabalhadores com mais de 60 anos voltarem ao mercado de trabalho: complemento da renda e satisfa\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>A professora aposentada Maria Gisella Puglisi, de 73 anos, ficou 18 anos sem exercer atividade remunerada e &#8220;depois que os filhos casaram&#8221; voltou a procurar emprego. Hoje, j\u00e1 tem tr\u00eas netos. &#8220;Eu sou dada a mudan\u00e7as, gosto de me manter ativa&#8221;, diz ela, que h\u00e1 oito anos trabalha numa unidade da Pizza Hut. &#8220;Cada dia tem uma novidade. Aqui sempre tem novidade, trabalho com muitos jovens&#8221;, enfatiza. &#8220;Eu falo sempre para eles (os jovens) serem bons profissionais, porque \u00e9 muito importante. Eles est\u00e3o construindo o alicerce da carreira&#8221;, diz Maria Gisella. Ela garante que o ritmo do trabalho n\u00e3o a assusta &#8211; s\u00e3o seis dias por semana, das 11 \u00e0s 17 horas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do sal\u00e1rio complementar, a professora aposentada destaca os benef\u00edcios. &#8220;Al\u00e9m da ajuda (financeira), tem tamb\u00e9m o seguro sa\u00fade, o que acho fant\u00e1stico.&#8221; Desde 2003, a empresa contrata pessoas com mais de 60 anos e essa faixa et\u00e1ria j\u00e1 responde por 10% dos 700 funcion\u00e1rios da rede. O trabalho inicial \u00e9 no atendimento, mas h\u00e1 casos de profissionais que j\u00e1 chegaram a gerente.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos trabalhadores com mais de 60 anos no mercado tamb\u00e9m \u00e9 reflexo da falta da m\u00e3o de obra qualificada. Segundo o diretor de Opera\u00e7\u00f5es da consultoria de RH Human Brasil, Fernando Montero da Costa, com o aquecimento do mercado de trabalho, as empresas est\u00e3o tendo de recorrer aos profissionais mais velhos para preencher vagas de n\u00edvel t\u00e9cnico mais alto.<\/p>\n<p>&#8220;Existia no mercado uma onda dizendo que as pessoas mais jovens t\u00eam mais energia, disposi\u00e7\u00e3o. Depois da crise econ\u00f4mica, houve uma mudan\u00e7a e passou-se a valorizar tamb\u00e9m a experi\u00eancia&#8221;, diz. &#8220;Os selecionadores come\u00e7aram a enxergar as pessoas mais seniores e tamb\u00e9m uma distribui\u00e7\u00e3o maior entre jovens e seniores nas equipes&#8221;, diz Costa.<\/p>\n<p>O aquecimento do mercado de trabalho foi importante para compensar a queda no n\u00famero de empregadores, como indica o \u00faltimo Censo. Enquanto no in\u00edcio da d\u00e9cada 2,9% dos brasileiros empregavam outros trabalhadores, hoje esse porcentual caiu para 1,9%. Isso significa que houve maior concentra\u00e7\u00e3o no tamanho das empresas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Sal\u00e1rio maior e mais empregos formais reduzem jornada de trabalho no Pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p><em>Estad\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO &#8211; O brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase pela metade em uma d\u00e9cada. Em 2000, 44% dos trabalhadores do Pa\u00eds passavam mais tempo que isso no servi\u00e7o, n\u00famero que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em n\u00fameros absolutos, 5 milh\u00f5es de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.<\/p>\n<p>O n\u00famero impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milh\u00f5es de brasileiros &#8211; o equivalente a toda popula\u00e7\u00e3o da Grande S\u00e3o Paulo &#8211; ingressaram no mercado de trabalho nos \u00faltimos dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, cresceu a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana &#8211; o salto foi de 3% para 8,3% do total da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, um ganho de 5 milh\u00f5es de trabalhadores. A maior parcela da popula\u00e7\u00e3o tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho nos \u00faltimos anos est\u00e1\u00a0diretamente ligada ao aumento real no sal\u00e1rio do brasileiro &#8211; hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 &#8211; e tamb\u00e9m\u00a0\u00e0\u00a0formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com carteira assinada pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 &#8211; na contram\u00e3o, os funcion\u00e1rios sem carteira de trabalho ca\u00edram de 24% para 18%. &#8220;A formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador v\u00e3o evitar de pagar hora extra, portanto, v\u00e3o reduzir a jornada para o que \u00e9 oficial&#8221;, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.<\/p>\n<p>Pizza. Isso aconteceu, por exemplo, com grande parte dos entregadores da pizzaria D\u00eddio, da Lapa. A profiss\u00e3o era bastante informal no in\u00edcio da d\u00e9cada, mas pouco a pouco mais vagas com carteira assinada foram surgindo. Hoje, na D\u00eddio, todos os entregadores trabalham em hor\u00e1rio definido, com direito a f\u00e9rias e 13.\u00ba. &#8220;D\u00e1 uma tranquilidade que eu n\u00e3o tinha alguns anos atr\u00e1s, quando trabalhava em outra pizzaria, n\u00e3o tinha hora para sair e ainda ganhava menos que aqui&#8221;, conta Eduardo Evangelista Nunes, de 50 anos.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada j\u00e1\u00a0s\u00e3o maioria da popula\u00e7\u00e3o. Mas alguns Estados ainda mant\u00e9m um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo \u00e9 o Maranh\u00e3o, onde apenas 20,8% s\u00e3o registrados. &#8220;Ainda h\u00e1 um grande contingente de trabalhadores sem regula\u00e7\u00e3o e que pode estar trabalhando jornadas insuport\u00e1veis&#8221;, lembra Nogueira.<\/p>\n<p>Mulheres. O mercado de trabalho mais feminino, tend\u00eancia da \u00faltima d\u00e9cada, tamb\u00e9m colaborou para reduzir a jornada. A diferen\u00e7a da participa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres em postos de trabalho caiu de 20 pontos porcentuais para apenas seis em dez anos. &#8220;As mulheres costumam trabalhar menos horas do que os homens e a inclus\u00e3o delas deve ter reduzido a m\u00e9dia de horas semanais&#8221;, afirmou Regina Madalozzo, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).<\/p>\n<p>No Piau\u00ed, Para\u00edba e Cear\u00e1, a m\u00e3o de obra feminina j\u00e1\u00a0supera a masculina. Os outros Estados do Nordeste tamb\u00e9m lideram a porcentagem de mulheres no mercado. &#8220;Isso ocorreu por causa da melhora econ\u00f4mica da regi\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o dos servi\u00e7os e com\u00e9rcio&#8221;, analisa Nogueira. O professor lembra que essa redu\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a entre g\u00eaneros n\u00e3o reflete uma igualdade salarial. Levantamento de maio do ano passado, tamb\u00e9m do IBGE, mostrou que o sal\u00e1rio m\u00e9dio da mulher \u00e9 20% menor que o do homem.<\/p>\n<p>Qualifica\u00e7\u00e3o. Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, outro fator que pode ter influenciado a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho foi o aumento da quantidade de pessoas que divide o dia entre trabalho e estudos, de olho numa melhor qualifica\u00e7\u00e3o. &#8220;Pode ser que essas pessoas tenham diminu\u00eddo um pouco a carga de trabalho para poder ter mais tempo de estudo.&#8221;<\/p>\n<p>A formaliza\u00e7\u00e3o e o aumento da idade m\u00e9dia dos trabalhadores dever\u00e1\u00a0se acentuar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. A perspectiva do Pa\u00eds de se tornar a quinta maior economia do mundo at\u00e9 2015 dever\u00e1 exigir, sobretudo, um aumento da capacita\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. &#8220;A palavra mais importante nos pr\u00f3ximos anos ser\u00e1 capacita\u00e7\u00e3o. O Pa\u00eds vai precisar de pessoas capacitadas e qualificadas&#8221;, afirma Regina.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Menor peso em Alimentos no IPC reflete desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p><em>Estad\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>RIO &#8211; A perda de participa\u00e7\u00e3o do grupo Alimenta\u00e7\u00e3o dentro do c\u00e1lculo dos \u00cdndices de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPCs), calculados pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) pode ser explicada pela &#8220;lei emp\u00edrica&#8221; que diz que, quanto mais a sociedade se desenvolve, diminui a propor\u00e7\u00e3o de despesas com alimenta\u00e7\u00e3o. Isso porque, com maior renda, as fam\u00edlias deslocam seus gastos para novos tipos de consumo.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o comentou ainda que, entre as Pesquisas de Or\u00e7amentos Familiares (POFs) de 2002-2003 a 2008-2009 do IBGE, houve acr\u00e9scimo da renda do trabalho. Isso, na pr\u00e1tica, estimulou perda de frequ\u00eancia no consumo de alimentos dentro de casa, entre os dois levantamentos, o que ajudou a derrubar o peso de Alimenta\u00e7\u00e3o dentro dos IPCs.<\/p>\n<p>O peso da classe de despesa cair\u00e1 de 27,49% para 22,37% nos IPCs a partir de fevereiro, quando a funda\u00e7\u00e3o atualizar\u00e1 as pondera\u00e7\u00f5es dos componentes de todos estes indicadores, a partir dos novos dados fornecidos pela Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) mais recente, de 2008-2009. Antes, a funda\u00e7\u00e3o usava os pesos detectados na pesquisa anterior, referente a 2002-2003.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Juro em 2012<\/strong><\/p>\n<p><em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>As perspectivas para a zona do euro, mais sombrias com a decis\u00e3o da Standard &amp; Poor\u2019s de passar a tesoura no rating de nove pa\u00edses, mant\u00eam o cen\u00e1rio externo com o f\u00f4lego da economia brasileira e o objetivo fiscal do governo Dilma como os principais vetores que devem calibrar o ritmo de ajuste da taxa de juro em 2012.<\/p>\n<p>O pique da infla\u00e7\u00e3o conta. O mandato do Banco Central de perseguir a meta de infla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Mas em meio \u00e0 piora do quadro externo, a disciplina or\u00e7ament\u00e1ria do governo Dilma ser\u00e1 reconhecida e comemorada pelo BC que ter\u00e1, em poucas semanas, a primeira demonstra\u00e7\u00e3o da presidente Dilma de que a ajuda da pol\u00edtica fiscal \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 para valer.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o governo anunciar\u00e1\u00a0 o contingenciamento do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o em algo entre R$ 60 bilh\u00f5es e R$ 70 bilh\u00f5es, decis\u00e3o importante que preceder\u00e1\u00a0a segunda reuni\u00e3o do Comit\u00ea\u00a0de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) em 2012 e que vai dimensionar o esfor\u00e7o fiscal que a presidente Dilma est\u00e1 disposta a bancar para que o BC possa prosseguir na redu\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, o Copom deve estrear o calend\u00e1rio de 2012 com mais um corte da taxa Selic em 0,5 ponto percentual, o que elevar\u00e1 a 2 pontos percentuais o ciclo de al\u00edvio monet\u00e1rio deflagrado em agosto do ano passado. Essa redu\u00e7\u00e3o \u00e9 expressiva. Equivale quase \u00e0 metade da executada pelo BC em fun\u00e7\u00e3o da crise financeira de 2008\/2009, de 5 pontos percentuais.<\/p>\n<p>Mas o ciclo de baixa da Selic pode aproximar-se um pouco mais desses 5 pontos. Os dois maiores bancos privados do pa\u00eds\u00a0 \u2013 Ita\u00fa Unibanco e Bradesco \u2013 veem o juro b\u00e1sico em um d\u00edgito ainda neste ano. Ilan Goldfajn, do Ita\u00fa, espera que a Selic seja reduzida at\u00e9 9% em quatro quedas consecutivas. Octavio de Barros, do Bradesco, aposta em Selic a 9,5%. Ambos fazem observa\u00e7\u00f5es sobre as perspectivas para a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Barros considera necess\u00e1rio reconhecer que na transi\u00e7\u00e3o do primeiro para o segundo trimestre deste ano, o or\u00e7amento total de redu\u00e7\u00e3o da Selic poder\u00e1 ficar apertado, caso se confirme o cen\u00e1rio do Bradesco de uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais consistente.<\/p>\n<p>Goldfajn reconhece que a sinaliza\u00e7\u00e3o mais cautelosa do BC e a possibilidade de que outros instrumentos sejam usados para estimular o crescimento econ\u00f4mico podem levar a um ciclo de al\u00edvio monet\u00e1rio mais curto.<\/p>\n<p>Em tempo: o BC estima, h\u00e1\u00a0tr\u00eas atas do Copom, que a crise europeia na economia brasileira corresponde a 25% do impacto da crise-m\u00e3e\u00a0de 2008\/2009.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Com Lula e Dilma, confer\u00eancias explodem. Mas d\u00e3o resultado?<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Carta Maior<\/em><\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os das confer\u00eancias sobre temas como assist\u00eancia social, gays e juventude j\u00e1\u00a0realizadas no pa\u00eds, ocorreram a partir de 2003. Em 2011, dois milh\u00f5es participaram de oito encontros, e mais seis j\u00e1 est\u00e3o programados para 2012. Ativistas defendem modelo mas reclamam que governo n\u00e3o cumpre decis\u00f5es. Secretaria Geral da Presid\u00eancia diz que h\u00e1 resultados concretos.<\/p>\n<p>Najla Passos<\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA &#8211; A exemplo do ex-presidente Lula, o governo Dilma tem incentivado a realiza\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias nacionais como espa\u00e7os privilegiados de di\u00e1logo com a sociedade na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Em 2011, foram oito (sa\u00fade, gays, juventude, mulheres, assist\u00eancia social, idosos, seguran\u00e7a alimentar e arranjos produtivos), com uma participa\u00e7\u00e3o estimada de dois milh\u00f5es de pessoas. Para 2012, j\u00e1 est\u00e3o convocadas outras seis.<\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os de todas as confer\u00eancias j\u00e1\u00a0ocorridas no pa\u00eds desde a primeira delas, sobre sa\u00fade, em 1941, ocorreu de 2003 em diante. \u201cMais do que uma marca dos governos Lula e Dilma, n\u00f3s queremos que as confer\u00eancias se tornem pol\u00edticas de Estado\u201d, afirma o diretor de Participa\u00e7\u00e3o Popular da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Pedro Pontual.<\/p>\n<p>Se os n\u00fameros mostram que, ao menos em termos quantitativos, n\u00e3o falta debate, as opini\u00f5es dividem-se sobre a influ\u00eancia efetiva das confer\u00eancias nas decis\u00f5es de governo e nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Apesar de defenderem-nas como forma de a\u00e7\u00e3o popular, militantes reclamam do que seria interfer\u00eancia dos governos nas discuss\u00f5es e da falta de compromisso deles em viabilizar as propostas aprovadas.<\/p>\n<p>Membro do Conselho Federal de Servi\u00e7o Social (CFESS), Maur\u00edlio Castro de Matos, professor da Faculdade de Servi\u00e7o Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), participou dos encontros de sa\u00fade, assist\u00eancia social e LGBT. Para ele, as confer\u00eancias s\u00e3o o melhor espa\u00e7o de debates sobre pol\u00edtica social &#8220;num pa\u00eds onde o conhecimento sempre foi das elites&#8221;. Defende, por\u00e9m, que os governos respeitem as suas delibera\u00e7\u00f5es. \u201cDemocracia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, diz.<\/p>\n<p>A primeira Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o (Confecom), promovida em dezembro de 2009, ilustra a falta de efetividade. O encontro aprovou, entre outras coisas, que deveria haver um novo marco regulat\u00f3rio das comunica\u00e7\u00f5es, mas dois anos depois, o assunto continua sendo discutido internamente no governo.<\/p>\n<p>Mais recentemente, entre novembro e dezembro, a XIV Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade deu outro bom exemplo de imposibilidade de interferir na realidade &#8211; ainda mais contra uma posi\u00e7\u00e3o do governo. O encontro defendeu que o governo federal fosse obrigado a investir em sa\u00fade 10% do que arrecada. O Senado estava votando um projeto sobre isso, e n\u00e3o aprovou a vincula\u00e7\u00e3o, por resist\u00eancia do governo.<\/p>\n<p>Autora de vasta obra sobre controle social do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a professora Maria Val\u00e9ria Correia, da Faculdade de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) avalia que as confer\u00eancias, assim como os conselhos, s\u00e3o espa\u00e7os importantes, mas insuficientes, para a garantia da participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o contradit\u00f3rios, podem apenas legitimar gest\u00f5es e serem espa\u00e7os de coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais&#8221;, diz Maria Val\u00e9ria. &#8220;Mas, a depender da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, podem reverter o que est\u00e1 posto.&#8221;<\/p>\n<p>Duas vezes presidente do Conselho Nacional de Sa\u00fade e atual representante da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) no \u00f3rg\u00e3o, Francisco J\u00fanior acredita que a sociedade ainda enfrenta limites de participa\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o dos debates, sobretudo nos pequenos munic\u00edpios, \u201cproduto de toda uma cultura autorit\u00e1ria, centralizadora e que tem na impunidade seu grande instrumento de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica\u201d.<\/p>\n<p>Defensor entusi\u00e1stico das confer\u00eancias, o presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, que participou da Confer\u00eancia Nacional da Juventude em 2011, acredita que o descontentamento de parte da milit\u00e2ncia mostra uma certa incompreens\u00e3o sobre o papel delas.<\/p>\n<p>\u201cElas acumulam opini\u00f5es, aproximam os atores, mas depois \u00e9 preciso pressionar o governo para que as pol\u00edticas sejam efetivadas. E, para isso, o maior instrumento ainda \u00e9 a press\u00e3o das ruas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Diretora do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN) e professora da Faculdade de Farm\u00e1cia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), Maria Suely Soares defende que as confer\u00eancias pautem de fato as a\u00e7\u00f5es do governo. Mas concorda que as confer\u00eancias n\u00e3o podem ser vistas como salvadoras da p\u00e1tria.<\/p>\n<p>\u201cOs governos desenvolvem formas de burlar e desobedecer \u00e0 vontade da popula\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, deixam de investir em sa\u00fade devidamente e modificam as pol\u00edticas. \u00c9 uma luta constante\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Pedro Pontual, da Secretaria Geral da Presid\u00eancia, reconhece que o modelo das confer\u00eancias precisa ser aprimorado, principalmente nas formas de comunica\u00e7\u00e3o dos seus resultados com a sociedade que, muitas vezes, n\u00e3o entende sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Segundo ele, o governo n\u00e3o se intimida com as cr\u00edticas, porque este \u00e9\u00a0tamb\u00e9m o papel dos espa\u00e7os democr\u00e1ticos: permitir que a popula\u00e7\u00e3o acompanhe e avalie as pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas insiste que as confer\u00eancias significam uma forma de di\u00e1logo planejado e sistem\u00e1tico com a sociedade. E que elas produzem, sim, resultados.<\/p>\n<p>\u201cHistoricamente, foram nas confer\u00eancias e nos conselhos que se gestaram as principais pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras, como o Sistema \u00danico de Sa\u00fade [SUS], o Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social [SUAS] e a Lei Org\u00e2nica de Seguran\u00e7a Alimentar [LOAS]\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>SUS: pesquisa mostra insatisfa\u00e7\u00e3o, paradoxos e impasse pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Carta Maior<\/em><\/p>\n<p>Brasileiro que usa aprova mas faz avalia\u00e7\u00e3o geral negativa sobre Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Segundo pesquisa, 95% apoiam ampliar gasto p\u00fablico, mas poucos aceitam solu\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Maioria defende combater corrup\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio. Com 3,5% do PIB em sa\u00fade p\u00fablica, mesmo sem desvios, Brasil aplica metade de sua inspira\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica e \u00e9 72\u00ba no ranking da OMS.<\/p>\n<p>Andr\u00e9\u00a0Barrocal<\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA \u2013 Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12) sobre a opini\u00e3o popular a respeito da sa\u00fade p\u00fablica mostra algo mais ou menos conhecido. A maioria dos brasileiros acha que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tem problemas e faz uma avalia\u00e7\u00e3o negativa dele, embora quem o use tenha mais simpatia. Mas o levantamento tem dados que exp\u00f5em o tamanho do desafio pol\u00edtico que \u00e9 fazer do SUS aquilo que a Constitui\u00e7\u00e3o planejou em qualidade e efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Apesar de desaprovar o sistema, a imensa maioria rejeita criar novas fontes de financiamento e at\u00e9\u00a0mesmo tirar dinheiro que j\u00e1\u00a0existe no or\u00e7amento p\u00fablico e est\u00e1\u00a0 colocado em outras \u00e1reas, para direcion\u00e1-lo \u00e0 sa\u00fade. Na opini\u00e3o p\u00fablica brasileira, h\u00e1 uma consolidada certeza de que combater a corrup\u00e7\u00e3o e o desperd\u00edcio melhora o SUS.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita pelo Ibope a pedido da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) em setembro do ano passado, quando a vota\u00e7\u00e3o, no Congresso, de projeto sobre gasto p\u00fablico em sa\u00fade trouxera de volta o debate sobre a cria\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de novas fontes de recursos para o setor.<\/p>\n<p>Pelo levantamento, 95% dos brasileiros acreditam que \u00e9\u00a0importante e necess\u00e1rio destinar mais recursos \u00e0 sa\u00fade. Ao perguntar o que os governos deveriam fazer para investir mais, a pesquisa deu cinco alternativas, das quais se podia escolher duas, da\u00ed que a soma das respostas n\u00e3o d\u00e1 100%. \u201cAcabar com a corrup\u00e7\u00e3o\u201d recebeu 82% de op\u00e7\u00f5es. \u201cReduzir desperd\u00edcios\u201d, 53%. \u201cTransferir recursos de outras \u00e1reas\u201d, 18%. \u201cAumentar os impostos\u201d, 4%. \u201cOutras medidas\u201d, 1%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 consenso na sociedade que os governos precisam investir mais. O debate \u00e9 onde conseguir os recursos\u201d, disse o gerente de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca.<\/p>\n<p>O combate a corrup\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcios \u00e9\u00a0a op\u00e7\u00e3o preferida dos entrevistados e certamente \u00e9\u00a0capaz de produzir resultados, mas comparado com outros pa\u00edses, o or\u00e7amento da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9, em si mesmo, menor. Segundo o minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Estado brasileiro gasta por ano algo entre 3,5% e 4% do total das riquezas produzidas no pa\u00eds (PIB).<\/p>\n<p>Mesmo que nada fosse desviado por corrup\u00e7\u00e3o ou desperd\u00edcio, e todos os 3,5% fossem aplicados, ainda assim, \u00e9, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a metade do gasto p\u00fablico em sa\u00fade do Reino Unido (7% do PIB), cujo modelo de atendimento gratuito e aberto a todos inspirou o SUS. Na Noruega e Su\u00e9cia, que tamb\u00e9m tem sistemas similares, investe-se cerca de 6% do PIB.<\/p>\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o dos 3,5% do PIB em despesa por habitante, conta que tamb\u00e9m independe de desvios entre o que est\u00e1 separado no or\u00e7amento e o que chega at\u00e9 um hospital, coloca o Brasil na posi\u00e7\u00e3o 72 do ranking da OMS de despesa p\u00fablica per capita.<\/p>\n<p>Dados da pesquisa sugerem que h\u00e1\u00a0 um certo descolamento entre realidade e imagin\u00e1rio, no caso do SUS, que refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de desafio pol\u00edtico. Para 61%, o servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 ruim ou p\u00e9ssimo. Quando se pergunta como \u00e9 no munic\u00edpio da pessoa, a reprova\u00e7\u00e3o cai a 54%. E quando se ouviu quem usou o SUS nos \u00faltimos 12 meses, descobriram-se 48% de bom e \u00f3timo.<\/p>\n<p>Para Renato da Fonseca, s\u00e3o duas as explica\u00e7\u00f5es para o paradoxo. Uma \u00e9\u00a0que a opini\u00e3o mais geral muitas vezes \u00e9\u00a0formulada n\u00e3o s\u00f3\u00a0a partir da experi\u00eancia individual da pessoa, mas tamb\u00e9m com base nas hist\u00f3rias que ela ouve de amigos, vizinhos e parentes. A outra est\u00e1 na m\u00eddia, cujo notici\u00e1rio se concentra em \u2013 e amplifica &#8211; hist\u00f3rias a respeito de problemas da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o \u00e9 que a sociedade est\u00e1 insatisfeita com a dificuldade de atendimento, com a falta de recursos materiais e humanos. Mas a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 simples\u201d, disse Fonseca.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil perde espa\u00e7o para China na America Latina<\/strong><\/p>\n<p><em>Carta Capital<\/em><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio econ\u00f4mico incerto nos Estados Unidos e na Europa, devido \u00e0 crise mundial, deve impulsionar ainda mais os esfor\u00e7os da China para os mercados da Am\u00e9rica Latina em 2012. A rela\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia asi\u00e1tica com a regi\u00e3o, intensificada nos \u00faltimos anos, j\u00e1 reduz a participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais influentes, como Brasil e Argentina, no com\u00e9rcio com os vizinhos latino-americanos.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) apontam que o Brasil deixou de exportar 2,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina entre 2005 e 2009 devido \u00e0\u00a0concorr\u00eancia chinesa.<\/p>\n<p>A Argentina foi o segundo local mais atingido, com 730 milh\u00f5es de d\u00f3lares de exporta\u00e7\u00e3o a menos no mesmo per\u00edodo. Ambos perderam mercado no setor de qu\u00edmicos, inform\u00e1tica, telecomunica\u00e7\u00f5es e m\u00e1quinas e equipamentos.<\/p>\n<p>A China replica no continente, em menor escala, a estrat\u00e9gia utilizada na \u00c1sia e no Pac\u00edfico com base em acordos de livre com\u00e9rcio bilaterais para impulsionar sua rela\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses. Com isso, segundo o seman\u00e1rio brit\u00e2nico The Economist, a Am\u00e9rica Latina hoje \u00e9 o segundo destino mais importante de investimentos para neg\u00f3cios chineses, com mais de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, ou 12,5% de todo o aporte da na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica fora de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Luciana Acioly, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) e especialista em China, revela que a participa\u00e7\u00e3o brasileira na corrente de com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 estagnada h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada em 11%. \u201cEm 2000, os chineses detinham 2,5% de participa\u00e7\u00e3o. Em 2010, esse n\u00famero\u00a0 saltou para 12,5%.\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3\u00a0com o Peru, que faz fronteira com a regi\u00e3o norte brasileira, a expectativa de com\u00e9rcio com a China para 2012 \u00e9 de 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 enquanto, no \u00faltimo ano, o Brasil exportou apenas 2,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o mesmo pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>Para reverter esse cen\u00e1rio, a analista defende que o Pa\u00eds trabalhe para estreitar os la\u00e7os com as na\u00e7\u00f5es vizinhas a fim de fortalecer a regi\u00e3o como um todo. \u201cO crescimento do Brasil n\u00e3o tem sido acompanhado pela melhora no relacionamento com os outros Estados da Am\u00e9rica do Sul\u201d, diz. \u201cPrecisamos fazer mais acordos para conquistar uma complementa\u00e7\u00e3o industrial e exportar mais produtos manufaturados e com valor agregado.\u201d<\/p>\n<p>Esse aprimoramento nas rela\u00e7\u00f5es deve focar principalmente a Argentina, destaca Soraya Rosar, gerente-executiva de negocia\u00e7\u00f5es internacionais da CNI. Segundo ela, o empresariado brasileiro se queixa das restri\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o vizinha \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o nacional sob a alega\u00e7\u00e3o de estimular a recupera\u00e7\u00e3o de sua ind\u00fastria. \u201cMas a fatia do mercado que a Argentina diz proteger est\u00e1 sendo ocupada por produtos chineses.\u201d<\/p>\n<p>Algo evidenciado nos primeiros dez meses de 2011, quando o com\u00e9rcio sino-argentino registrou 14,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Al\u00e9m disso, a China \u00e9\u00a0o segundo maior parceiro econ\u00f4mico do pa\u00eds\u00a0\u2013 atr\u00e1s do Brasil \u2013 e possu\u00ed investimentos na Argentina nos setores de energia, petroqu\u00edmico, transporte e agroneg\u00f3cio, aponta a Economist.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio de Comercio Chin\u00eas, China e Am\u00e9rica Latina realizaram transa\u00e7\u00f5es de mais de 183 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2010, um aumento de 28,4% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Enquanto isso, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para Am\u00e9rica Latina e Caribe somaram 57,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2011.<\/p>\n<p>Para reconquistar a for\u00e7a no mercado latino-americano, Rosar aponta que o Brasil precisa realizar uma reforma tribut\u00e1ria e investir na melhoria da infraestrutura para baixar custos. \u201cA falta de competitividade do Pa\u00eds est\u00e1 densamente relacionada com problemas internos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Planejamento<\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o chin\u00eas na Am\u00e9rica Latina, diz Acioly, deve-se \u00e0\u00a0agilidade do pa\u00eds em fazer neg\u00f3cios e colocar em pr\u00e1tica o plano de opera\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar as metas planejadas de forma r\u00e1pida. Por outro lado, o Brasil tem procedimentos institucionais excessivamente burocr\u00e1ticos que impedem a conclus\u00e3o \u00e1gil de empreendimentos comerciais. \u201cFalta essa estrat\u00e9gia para o Brasil. Nossas pol\u00edticas est\u00e3o fragmentadas e \u00e9 preciso integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisadora do Ipea destaca que o bloco \u00e9\u00a0estrat\u00e9gico para o Brasil tanto no com\u00e9rcio, pela proximidade regional, quanto para investimentos. \u201cDevemos come\u00e7ar a pensar em perder um pouco no saldo comercial e importar mais desses pa\u00edses, procurando outro sistema de compensa\u00e7\u00e3o, como financiar a importa\u00e7\u00e3o de produtos brasileiros, para aproximar as nossas rela\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Outra sa\u00edda para ajudar os manufaturados brasileiros a reconquistar mercado, aponta Rosar, \u00e9 investir em servi\u00e7os que a China tem dificuldades de fornecer.\u00a0 \u201cFalamos uma l\u00edngua pr\u00f3xima, nossos produtos atendem diretamente ao n\u00edvel de exig\u00eancia destes mercados e sempre nos garantimos por uma boa assist\u00eancia t\u00e9cnica\u201d, diz. \u201cIsso poderia ser muito mais explorado.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>C\u00e2mbio alivia queda das commodities em 2011<\/strong><\/p>\n<p><em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>A alta do d\u00f3lar frente o real n\u00e3o foi suficiente para proteger os produtores brasileiros da queda nos pre\u00e7os internacionais de algumas das principais commodities agr\u00edcolas em 2011, mas ajudou a minimizar a press\u00e3o baixista vinda das bolsas internacionais.<\/p>\n<p>Levantamento realizado pelo Valor Data mostra que os pre\u00e7os da soja, do a\u00e7\u00facar, do algod\u00e3o e do trigo, que sofreram recuos expressivos no mercado externo no ano passado, ficaram mais baratos tamb\u00e9m quando convertidos na moeda brasileira.<\/p>\n<p>Afetados principalmente pela crise de confian\u00e7a entre os investidores e pelo desaquecimento da economia mundo afora, os mercados agr\u00edcolas registraram perdas expressivas no ano passado. Em Nova York, os contratos de algod\u00e3o e a\u00e7\u00facar amargaram baixas de 33,3% e 21,7%, respectivamente. J\u00e1 os contratos em d\u00f3lar de soja e trigo mergulharam 13,9% e 18,2% na bolsa de Chicago.<\/p>\n<p>Em contrapartida, tamb\u00e9m influenciado pelo ambiente de avers\u00e3o ao risco, o d\u00f3lar foi na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria e amorteceu o impacto da queda das commodities no mercado interno. A valoriza\u00e7\u00e3o de 12,5% na compara\u00e7\u00e3o com o real n\u00e3o foi suficiente para compensar integralmente as perdas, mas aliviou o pouso.<\/p>\n<p>Convertidos em reais, os pre\u00e7os do algod\u00e3o e do a\u00e7\u00facar ca\u00edram 25% e 11,9%, enquanto as cota\u00e7\u00f5es da soja e do trigo foram reduzidos em 3,1% e 7,9%.<\/p>\n<p>Ao menos do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o pre\u00e7o-c\u00e2mbio, o milho foi o grande vencedor em 2011. Embora tenha encerrado o ano muito abaixo das m\u00e1ximas, a commodity foi a \u00fanica a fechar 2011 no azul no mercado internacional. Nos 12 meses, os contratos em d\u00f3lar avan\u00e7aram 2,87% em Chicago. Convertidos em reais, o avan\u00e7o ficou acima de 15,8%. Os cafeicultores tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam do que reclamar: apesar da queda de 5% em Nova York, os pre\u00e7os em moeda brasileira avan\u00e7aram quase 7%.<\/p>\n<p>Contudo, o c\u00e2mbio teve uma influ\u00eancia decisiva sobre a manuten\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de pre\u00e7o dom\u00e9sticos quando se consideram apenas os \u00faltimos quatro meses do ano, depois que o cen\u00e1rio externo se deteriorou de modo acentuado, e as tend\u00eancias observadas para o c\u00e2mbio e os pre\u00e7os nos nove primeiros meses do ano foram revertidas.<\/p>\n<p>De janeiro a agosto, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar frente o real havia acumulado uma queda de 4,7%, enquanto v\u00e1rias commodities amea\u00e7avam retornar aos n\u00edveis hist\u00f3ricos (pr\u00e9-crise) de 2008. A partir do m\u00eas de setembro, o cen\u00e1rio mudou radicalmente.<\/p>\n<p>Dali at\u00e9\u00a0dezembro, o d\u00f3lar saltou mais de 18% e os mercados agr\u00edcolas sofreram a maior queda desde o colapso de o que se seguiu \u00e0 quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.<\/p>\n<p>A soja resume bem o efeito que o c\u00e2mbio teve sobre a renda dos produtores nos \u00faltimos meses. Embora os pre\u00e7os de refer\u00eancia, em d\u00f3lar, tenham ca\u00eddo mais de 17% desde setembro, os pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o, em real, cederam pouco mais de 2%. Algod\u00e3o, milho, trigo, que tamb\u00e9m sofreram perdas de dois d\u00edgitos no exterior, tiveram oscila\u00e7\u00f5es positivas na convers\u00e3o.<\/p>\n<p>O analista de commodities da Jefferies Bache em Nova York, Vin\u00edcius Ito, observa que um dos efeitos do &#8220;b\u00f4nus cambial&#8221; foi o aumento da competitividade brasileira e o est\u00edmulo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os embarques de soja, que geralmente s\u00e3o residuais no fim de ano, deram um salto de mais de 400% nos meses de novembro e dezembro. S\u00f3 no m\u00eas passado, foram despachadas 1,46 milh\u00e3o de toneladas da oleaginosa, contra 292 mil toneladas um ano antes.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado de c\u00e2mbio \u00e9\u00a0muito maior do que o de commodities, ent\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0natural que o pre\u00e7o da soja se ajuste ao c\u00e2mbio dos maiores produtores &#8211; e n\u00e3o o contr\u00e1rio&#8221;, afirma Ito. Em outras palavras, &#8220;se o real n\u00e3o tivesse se desvalorizado, os pre\u00e7os em d\u00f3lar provavelmente teriam se mantido em n\u00edveis mais altos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A economista da Tend\u00eancias Consultoria, Amaryllis Romano, afirma que, embora tenha dado alguma sustenta\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os dom\u00e9sticos, o d\u00f3lar mais alto ataca a competitividade brasileira pela via dos custos de produ\u00e7\u00e3o. Algumas das principais mat\u00e9rias-primas utilizadas pela agricultura, como fertilizantes e agrot\u00f3xicos, s\u00e3o diretamente afetadas pelo comportamento do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Apesar disso, o efeito ainda n\u00e3o ser\u00e1\u00a0 sentido na safra 2011\/12, j\u00e1\u00a0que os insumos do \u00faltimo plantio foram comprados quando o c\u00e2mbio ainda se encontrava em patamares baixos. &#8220;N\u00e3o houve nenhum grande descompasso na safra atual. De modo geral, o cen\u00e1rio foi positivo para os produtores&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Governan\u00e7a mundial sem lideran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><em>Dani Rodrik &#8211; Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>A economia mundial est\u00e1\u00a0entrando em uma nova fase, na qual obter coopera\u00e7\u00e3o global ser\u00e1\u00a0cada vez mais dif\u00edcil. Os EUA e a Uni\u00e3o Europeia (UE), agora assolada por endividamento elevado e baixo crescimento &#8211; n\u00e3o ser\u00e3o mais capazes de definir regras mundiais e esperar que outros se enquadrem.<\/p>\n<p>Para agravar essa tend\u00eancia, pot\u00eancias emergentes como a China e a \u00cdndia atribuem grande valor \u00e0 soberania nacional e n\u00e3o toleram interfer\u00eancia em assuntos dom\u00e9sticos. Isso faz com que esses pa\u00edses n\u00e3o queiram submeter-se a regras internacionais (ou exigir que os outros obede\u00e7am tais regras), sendo, portanto, improv\u00e1vel que invistam em institui\u00e7\u00f5es multilaterais, como fizeram os EUA na esteira da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, a lideran\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o mundiais continuar\u00e3o a ser limitadas, exigindo uma resposta cuidadosamente calibrada na governan\u00e7a da economia mundial &#8211; especificamente, um conjunto menos denso de regras reconhecendo a diversidade das circunst\u00e2ncias e demandas nacionais por autonomia pol\u00edtica. Mas as discuss\u00f5es no G-20, na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio (OMC) e em outras inst\u00e2ncias multilaterais caminham como se o rem\u00e9dio certo fosse mais do mesmo: mais regras, mais harmoniza\u00e7\u00e3o e mais disciplina em pol\u00edticas nacionais.<\/p>\n<p>Voltando ao b\u00e1sico: o princ\u00edpio da &#8220;subsidiariedade&#8221; proporciona a maneira correta de pensar as quest\u00f5es da governan\u00e7a mundial. Ele nos informa quais tipos de pol\u00edticas devem ser coordenadas ou harmonizadas em n\u00edvel mundial e quais devem ser deixadas em larga medida \u00e0 responsabilidade de processos decis\u00f3rios dom\u00e9sticos. O princ\u00edpio demarca \u00e1reas onde necessitamos governan\u00e7a global extensa, delimitando-as daquelas onde basta uma fina camada de regras mundiais.<\/p>\n<p>Existem basicamente quatro variantes de pol\u00edticas econ\u00f4micas. Num extremo est\u00e3o as pol\u00edticas dom\u00e9sticas que n\u00e3o criam externalidades (ou muito poucas) para al\u00e9m de fronteiras nacionais. Pol\u00edticas educacionais, por exemplo, n\u00e3o necessitam acordos internacionais e podem ser tranquilamente deixadas para formuladores de pol\u00edticas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>No outro extremo est\u00e3o as pol\u00edticas que envolvem &#8220;o quintal comunit\u00e1rio mundial&#8221;: o resultado, para cada pa\u00eds, \u00e9 determinado n\u00e3o por pol\u00edticas internas, mas pela (somat\u00f3ria de) pol\u00edticas de outros pa\u00edses. As emiss\u00f5es de gases estufa s\u00e3o o exemplo. Em tais dom\u00ednios de politica governamental, h\u00e1 fortes justificativas para o estabelecimento de regras vinculativas em n\u00edvel mundial, uma vez que cada pa\u00eds, deixado ao sabor de seus pr\u00f3prios interesses, tender\u00e1 a negligenciar sua parcela de responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1rea comunit\u00e1ria. Sem um acordo mundial, seremos, todos, condenados a um desastre coletivo.<\/p>\n<p>Entre os extremos, existem dois outros tipos de pol\u00edticas que criam externalidades, mas que precisam ser tratadas de forma distinta. Primeiramente, h\u00e1\u00a0as pol\u00edticas do tipo &#8220;empobrecer seu vizinho&#8221;, mediante as quais um pa\u00eds obt\u00e9m um benef\u00edcio econ\u00f4mico \u00e0 custa de outros pa\u00edses. Por exemplo, seus l\u00edderes restringem a oferta de um recurso natural com o objetivo de elevar seu pre\u00e7o nos mercados mundiais ou praticam pol\u00edticas mercantilistas na forma de grandes super\u00e1vits comerciais, especialmente na presen\u00e7a de desemprego e excesso de capacidade.<\/p>\n<p>Pelo fato de pol\u00edticas do tipo empobrecer o vizinho criarem benef\u00edcios impondo custos sobre outros, elas tamb\u00e9m necessitam ser regulamentadas em n\u00edvel internacional. Esse \u00e9\u00a0 o argumento mais forte para submeter as pol\u00edticas monet\u00e1rias chinesas ou grandes desequil\u00edbrios macroecon\u00f4micos, como o excedente comercial alem\u00e3o, a uma maior disciplina mundial.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas visando empobrecer o vizinho devem ser diferenciadas das que poderiam ser denominadas &#8220;empobrecer a si pr\u00f3prio&#8221;, cujos custos econ\u00f4micos s\u00e3o arcados predominantemente no pr\u00f3prio pa\u00eds, embora possam tamb\u00e9m afetar outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Considere os subs\u00eddios agr\u00edcolas, a interdi\u00e7\u00e3o de organismos geneticamente modificados ou frouxa regulamenta\u00e7\u00e3o financeira. Embora essas pol\u00edticas possam impor custos a outros pa\u00edses, s\u00e3o implementadas n\u00e3o para extrair vantagens, mas porque outros motivos para pol\u00edticas dom\u00e9sticas &#8211; como preocupa\u00e7\u00f5es de natureza distribucional, administrativa ou de sa\u00fade p\u00fablica &#8211; prevalecem sobre o objetivo de efici\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A justificativa para disciplina mundial \u00e9\u00a0bem mais fraca no caso de pol\u00edticas de &#8220;empobrecer a si pr\u00f3prio&#8221;. Afinal de contas, n\u00e3o deve caber \u00e0\u00a0&#8220;comunidade mundial&#8221; dizer a cada pa\u00eds como deve ponderar objetivos concorrentes. Impor custos a outros pa\u00edses n\u00e3o \u00e9, em si mesma, causa para regulamenta\u00e7\u00e3o mundial. (Com efeito, os economistas raramente queixam-se quando a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio em um pa\u00eds prejudica os concorrentes.) Democracias, em especial, devem ser autorizadas a cometer seus pr\u00f3prios &#8220;erros&#8221;.<\/p>\n<p>Claro, n\u00e3o h\u00e1\u00a0garantia de que as pol\u00edticas dom\u00e9sticas reflitam com precis\u00e3o as exig\u00eancias sociais; mesmo as democracias s\u00e3o frequentemente tomadas como ref\u00e9ns por interesses especiais. Assim, as justificativas para regulamenta\u00e7\u00e3o mundial assumem uma forma bastante distinta no caso de pol\u00edticas &#8220;empobrecer a si pr\u00f3prio&#8221;, e apelam a requisitos processuais destinados a melhorar a qualidade das pol\u00edticas dom\u00e9sticas. Padr\u00f5es mundiais envolvendo transpar\u00eancia, ampla representatividade, responsabilidade e uso de evid\u00eancias emp\u00edricas, por exemplo, n\u00e3o limitam o resultado final.<\/p>\n<p>Diferentes tipos de pol\u00edticas exigem diferentes respostas em n\u00edvel mundial. Excessivo capital pol\u00edtico mundial \u00e9\u00a0atualmente desperdi\u00e7ado na harmoniza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas &#8220;empobrecer a si pr\u00f3prio&#8221; (em particular nas \u00e1reas de com\u00e9rcio e de regulamenta\u00e7\u00e3o financeira), e esfor\u00e7os insuficientes s\u00e3o dispendidos em pol\u00edticas &#8220;empobrecer seu vizinho&#8221; (como desequil\u00edbrios macroecon\u00f4micos). Esfor\u00e7os excessivamente ambiciosos e mal orientados de governan\u00e7a mundial n\u00e3o ser\u00e3o proveitosos num momento em que a disponibilidade de lideran\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundiais tende a ser limitada. (Tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Blum)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Haiti \u00e9\u00a0aqui\nCarta Capital\nPor Jos\u00e9\u00a0Eduardo Rondon\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2266\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ay","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}