{"id":22662,"date":"2019-03-26T20:54:01","date_gmt":"2019-03-26T23:54:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22662"},"modified":"2019-03-26T20:54:09","modified_gmt":"2019-03-26T23:54:09","slug":"o-assassinato-de-marielle-o-que-pode-estar-por-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22662","title":{"rendered":"O assassinato de Marielle: o que pode estar por tr\u00e1s"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mari-1.jpg\"\/><!--more--><\/p><p>\nREVISTA F\u00d3RUM &#8211; Por Cid Benjamin\nReportagem publicada no \u201cEstado de S.Paulo\u201d em 20 de mar\u00e7o pode lan\u00e7ar novas luzes sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. At\u00e9 agora conhecem-se apenas os dois prov\u00e1veis executores. Falta o mais importante: a identifica\u00e7\u00e3o dos mandantes, as raz\u00f5es do crime e o conhecimento de suas vincula\u00e7\u00f5es com outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas e com o mundo da pol\u00edtica.\n<\/p><p>\nEmbora com quase toda a certeza se possa afirmar que os assassinos de Marielle sejam milicianos, em sua a\u00e7\u00e3o como vereadora ela n\u00e3o incomodou as mil\u00edcias de forma significativa. Muito atuante na den\u00fancia da viol\u00eancia policial contra os pobres, Marielle n\u00e3o tinha atua\u00e7\u00e3o marcante em \u00e1reas dominadas por mil\u00edcias. Tampouco a sua a\u00e7\u00e3o no parlamento fazia supor que pudesse ser alvo dos paramilitares, como foi o caso, por exemplo, do hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), que se tornou um alvo preferencial por ter sido o criador e a principal figura da CPI das Mil\u00edcias na Assembleia Legislativa do Rio em 2008. Por conta disso, Freixo \u00e9 obrigado, at\u00e9 hoje, mais de dez anos depois, a viver protegido por seguran\u00e7a armada.\n<\/p><p>\n\u00c9 preciso saber quem foi o mandante da execu\u00e7\u00e3o de Marielle e qual o motivo da execu\u00e7\u00e3o. De in\u00edcio, pode ser descartada uma hip\u00f3tese levantada pela pol\u00edcia: a de que o crime teria sido motivado por \u00f3dio individual dos assassinos a esquerdistas, mulheres, negros ou homossexuais. Ali\u00e1s, esta hip\u00f3tese \u00e9 c\u00f4moda para quem encomendou a execu\u00e7\u00e3o. Crime de \u00f3dio \u00e9 crime isolado, sem mandantes.\n<\/p><p>\nAssim, a investiga\u00e7\u00e3o deve, agora, levar aos mandantes da morte de Marielle e come\u00e7ar a desvendar a infinidade de crimes cometidos por milicianos (entre eles a origem e o destino dos 117 fuzis encontrados com um parceiro do principal acusado, o ex-PM Ronnie Lessa).\n<\/p><p>\nInvestiga\u00e7\u00f5es sobre Lessa mostraram que ele fizera um levantamento da vida de outros poss\u00edveis alvos, alguns dos quais tiveram seus nomes divulgados: Freixo e alguns de seus parentes; o deputado estadual Fl\u00e1vio Serafini (PSol); a soci\u00f3loga Julita Lemgruber, coordenadora do CESeC (Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania) da Universidade C\u00e2ndido Mendes; a antrop\u00f3loga Alba Zaluar, coordenadora do N\u00facleo de Pesquisas das Viol\u00eancias (Nupevi) da Universidade do Rio de Janeiro (Uerj); duas ativistas da ONG Redes da Mar\u00e9, uma delas Eliane Souza Silva; uma pesquisadora da Anistia Internacional; e uma ativista da ONG Mulheres.\n<\/p><p>\nAl\u00e9m desses nomes, todos com alguma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica p\u00fablica, teve tamb\u00e9m a vida investigada pelo matador o professor Pedro Mara, diretor do Ciep 210, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A diferen\u00e7a, neste caso, o alvo n\u00e3o tem essa atua\u00e7\u00e3o. No entanto, teve uma discuss\u00e3o com Fl\u00e1vio, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, tornando-se seu desafeto.\n<\/p><p>\nDo dito acima, podem-se tirar duas conclus\u00f5es.\n<\/p><p>\nA primeira, desconfort\u00e1vel para a fam\u00edlia Bolsonaro, \u00e9 que surge mais um indicador da proximidade dela com paramilitares. \u00c9 grave que um desafeto pessoal de um dos filhos do presidente esteja na mira de um matador profissional, ligado \u00e0s mil\u00edcias. A que isso se deve? Ser\u00e1 que, pela desaven\u00e7a com o 01 (ou o 02? Ou o 03? N\u00e3o sei bem a que filho de Bolsonaro esses n\u00fameros se referem) ele entrou na rela\u00e7\u00e3o dos investigados pelo miliciano? Isso seria grav\u00edssimo.\n<\/p><p>\nA segunda conclus\u00e3o a que se pode chegar \u00e9 que a morte de Marielle n\u00e3o seria um atentado isolado. Ela fazia parte de uma lista de alvos. Por alguma raz\u00e3o, teria sido a primeira a ser eliminada.\n<\/p><p>\nE aqui surge uma hip\u00f3tese extremamente preocupante: a de que as mil\u00edcias estejam se conformando num embri\u00e3o de algo semelhante \u00e0 Triple A (Alian\u00e7a Anticomunista Argentina), grupo paramilitar que eliminou ativistas de esquerda naquele pa\u00eds vizinho. Segundo relat\u00f3rios de entidades de defesa dos direitos humanos, a organiza\u00e7\u00e3o criminosa assassinou 1.122 pessoas, entre militantes, artistas, parlamentares, estudantes, historiadores, ju\u00edzes e outros funcion\u00e1rios p\u00fablicos.\n<\/p><p>\nCome\u00e7ando a operar em 1973, quando do retorno do presidente Juan Domingo Per\u00f3n ao pa\u00eds, a Triple A esteve em franca atividade at\u00e9 a derrubada de Isabelita Per\u00f3n em 1976, por um golpe de estado instaurou uma sangrenta ditadura militar. A partir da\u00ed as pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas se encarregaram do exterm\u00ednio de militantes e simpatizantes da esquerda.\n<\/p><p>\nO exposto acima \u00e9 apenas uma hip\u00f3tese. Seja ela confirmada ou n\u00e3o, uma tarefa se imp\u00f5e: combater de forma radical as mil\u00edcias, tratando de elimin\u00e1-la o mais rapidamente poss\u00edvel. E, al\u00e9m disso, claro, desvendar suas liga\u00e7\u00f5es no mundo da pol\u00edtica e condenar os respons\u00e1veis pelos crimes cometidos.\n<\/p><p>\nAs mil\u00edcias no Rio j\u00e1 passaram de um dom\u00ednio territorial localizado para voos mais altos e diversificados, fora de suas regi\u00f5es de influ\u00eancia originais. Tornaram-se quadrilhas de pistoleiros de aluguel, sem preju\u00edzo de outras atividades criminosas que cometem em suas \u00e1reas de origem.\n<\/p><p>\nElas t\u00eam experi\u00eancia militar, acesso a armamento de qualidade e coniv\u00eancia de determinados setores da pol\u00edcia. Sabe-se, por exemplo, que milicianos foram contratados para intervir, como matadores de aluguel, nas disputas do jogo do bicho. Outras mortes fora das \u00e1reas de origem teriam sido tamb\u00e9m de responsabilidade desses paramilitares. E h\u00e1 registros da exist\u00eancia de um tal Escrit\u00f3rio do Crime, chefiado por ex-PMs milicianos com rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 fam\u00edlia Bolsonaro.\n<\/p><p>\nVamos ser claros: no universo do chamado crime organizado (estamos deixando de lado os crimes cometidos por gente de palet\u00f3 e gravata), as mil\u00edcias s\u00e3o a principal amea\u00e7a.\n<\/p><p>\nDa\u00ed ser preocupante que no pacote de combate \u00e0 viol\u00eancia apresentado pelo ministro S\u00e9rgio Moro, em fevereiro, o combate \u00e0s mil\u00edcias n\u00e3o tivesse lugar de destaque. \u00c9 dif\u00edcil compreender a omiss\u00e3o.\n<\/p><p>\nMas, pensando bem, levando-se em conta certas liga\u00e7\u00f5es de milicianos com gente do poder, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil compreender a omiss\u00e3o.\n<\/p><p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"iIqfGYPKHl\"><a href=\"https:\/\/www.revistaforum.com.br\/o-assassinato-de-marielle-o-que-pode-estar-por-tras\/\">O assassinato de Marielle: o que pode estar por tr\u00e1s<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/www.revistaforum.com.br\/o-assassinato-de-marielle-o-que-pode-estar-por-tras\/embed\/#?secret=iIqfGYPKHl\" data-secret=\"iIqfGYPKHl\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;O assassinato de Marielle: o que pode estar por tr\u00e1s&#8221; &#8212; Revista F\u00f3rum\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22662\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[224],"class_list":["post-22662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Tw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}