{"id":22675,"date":"2019-03-28T20:37:33","date_gmt":"2019-03-28T23:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22675"},"modified":"2019-03-28T20:37:37","modified_gmt":"2019-03-28T23:37:37","slug":"a-disputa-da-memoria-1964-foi-o-golpe-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22675","title":{"rendered":"A disputa da mem\u00f3ria: 1964 foi o golpe da ditadura"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.brasil247.com\/images\/cache\/1000x357\/crop_0_64_1280_521\/images%7Ccms-image-000614273.jpg\"\/><!--more-->Por Lucas Pedretti*\n<\/p><p>\nComo historiador, tenho duas certezas. Uma \u00e9 que as formas coletivas de lembrar e falar do passado s\u00e3o objeto permanente de disputas pol\u00edticas &#8211; por isso, o revisionismo e o negacionismo s\u00e3o sempre um risco. A outra \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel construir conhecimento sobre o passado, a partir de fontes, m\u00e9todo e cr\u00edtica rigorosos &#8211; de modo que as &#8220;narrativas&#8221; sobre o que aconteceu em outros tempos n\u00e3o s\u00e3o todas equivalentes entre si.\n<\/p><p>\nAssim, penso que que para al\u00e9m de construir conhecimento, precisamos encontrar modos de fazer com que esse conhecimento sirva ao debate p\u00fablico e \u00e0 disputa pol\u00edtica pela mem\u00f3ria. Pensando nisso, uma das minhas DEScomemora\u00e7\u00f5es do golpe de 1964 \u00e9 compartilhar parte dos documentos que recolhi em arquivos p\u00fablicos ao longo dos \u00faltimos anos pesquisando o tema.\n<\/p><p>\nS\u00e3o cinco pastas com dezenas de arquivos cada, conformando milhares de p\u00e1ginas a serem lidas e pesquisadas. As tr\u00eas primeiras pra mim s\u00e3o especialmente importantes, porque permitem questionar frontalmente o mito da &#8220;ditabranda&#8221;. A ditadura n\u00e3o deixou 434 v\u00edtimas. Esse \u00e9 o n\u00famero de mortos e desaparecidos pol\u00edticos oficialmente reconhecidos pelo Estado. Mas h\u00e1 milhares de atingidos que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos pelo Estado ou pelas mem\u00f3rias e hist\u00f3rias mais correntes sobre o per\u00edodo. Moradores de favelas e periferias, a popula\u00e7\u00e3o negra, povos ind\u00edgenas, pessoas LGBT, mulheres, trabalhadores do campo, enfim, aqueles que s\u00e3o o alvo preferencial da viol\u00eancia do Estado antes, durante e depois do regime iniciado em 1964.\n<\/p><p>\n*Pasta 1: Ditadura e pessoas LGBT*. A ditadura n\u00e3o tinha apenas seus inimigos pol\u00edticos &#8211; tinha tamb\u00e9m seus inimigos morais. Quem fugia do padr\u00e3o heteronormativo era perseguido, censurado e sofria diversas formas de viol\u00eancia. Pesquisas como as de James N Green e Renan Quinalha tem demonstrado isso. Link: http:\/\/bit.ly\/ditaduralgbt\n<\/p><p>\n*Pasta 2: Ditadura e favelas*. Foram centenas de milhares de moradores de favelas no Rio de Janeiro e em outras cidades do Brasil removidos de suas casas, em nome de uma pol\u00edtica de limpeza racial e social das \u00e1reas que interessavam ao capital imobili\u00e1rio. Lideran\u00e7as faveladas foram presas, torturadas e desaparecidas por resistirem \u00e0s remo\u00e7\u00f5es. Link: http:\/\/bit.ly\/ditadurafavelas\n<\/p><p>\n*Pasta 3: Ditadura e movimentos negros*. N\u00e3o s\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m as manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras foram duramente perseguidas na ditadura. A militariza\u00e7\u00e3o do Estado e a eleva\u00e7\u00e3o do mito da democracia racial \u00e0 ideologia oficial fizeram com que o hist\u00f3rico racismo institucional se aprofundasse, deixando in\u00fameras v\u00edtimas. Link: http:\/\/bit.ly\/ditaduraracismo\n<\/p><p>\n*Pasta 4: Atas de reuni\u00f5es da Comunidade de Informa\u00e7\u00f5es*. A Comunidade de Informa\u00e7\u00f5es era o encontro dos comandantes das for\u00e7as que se voltavam para a repress\u00e3o pol\u00edtica e para o controle social da popula\u00e7\u00e3o. Essas atas permitem ver como a pr\u00e1tica de viol\u00eancia e arbitrariedade era discutida \u00e0s claras pelos agentes da ditadura, afastando a ideia de as viola\u00e7\u00f5es ocorriam nos &#8220;por\u00f5es&#8221;. Link: http:\/\/bit.ly\/ditadurainfo\n<\/p><p>\n*Pasta 5: Relat\u00f3rios do CISA no momento da transi\u00e7\u00e3o*. S\u00e3o Relat\u00f3rios Peri\u00f3dicos de Informa\u00e7\u00e3o da Aeron\u00e1utica acompanhando v\u00e1rios momentos importantes das Diretas J\u00e1 at\u00e9 a Constituinte. Fica claro que a abertura pol\u00edtica n\u00e3o significava uma mudan\u00e7a nas perspectivas das For\u00e7as Armadas. Link: http:\/\/bit.ly\/relatorioscisa.\n<\/p><p>\nLucas Pedretti \u00e9 doutorando em Sociologia no Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos (IESP\/UERJ). Mestre em Hist\u00f3ria Social da Cultura pela PUC-Rio. Graduado em Hist\u00f3ria pela PUC-Rio em 2015. Foi estagi\u00e1rio da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio), sendo efetivado como assessor em julho de 2015. Foi assessor da Coordenadoria Estadual por Mem\u00f3ria e Verdade de janeiro de 2016 a agosto de 2017. Colaborou com o projeto de pesquisa &#8220;Pol\u00edticas P\u00fablicas de Mem\u00f3ria para o Estado do Rio de Janeiro: pesquisas e ferramentas para a n\u00e3o-repeti\u00e7\u00e3o&#8221;, do N\u00facleo de Direitos Humanos da PUC-Rio.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22675\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[222],"class_list":["post-22675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5TJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}