{"id":22683,"date":"2019-03-29T22:14:41","date_gmt":"2019-03-30T01:14:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22683"},"modified":"2019-04-01T22:56:21","modified_gmt":"2019-04-02T01:56:21","slug":"em-memoria-de-edson-luis-de-lima-souto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22683","title":{"rendered":"Em mem\u00f3ria de Edson Lu\u00eds de Lima Souto"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/memorialdademocracia.com.br\/publico\/thumb\/1981\/740\/440\"\/><!--more-->Os velhos no poder, os jovens no caix\u00e3o\u201d[1]: a vida da juventude em xeque\n<\/p><p>\nLucila Zanelli e Brenda Soares Rodrigues*\n<\/p><p>\nNo dia 28 de mar\u00e7o de 1968, h\u00e1 51 anos, tiros ecoaram no Restaurante Calabou\u00e7o. Em meio \u00e0s vozes da juventude que expressavam reivindica\u00e7\u00f5es justas e inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, dois jovens foram v\u00edtimas fatais do Estado. O \u00f3dio de classe ceifou, \u00e0 queima roupa, a vida do estudante secundarista Edson Lu\u00eds de Lima Souto. A segunda v\u00edtima foi o tamb\u00e9m estudante Benedito Fraz\u00e3o Dutra, que, igualmente atingido pelas balas dos policiais, chegou a ser levado ao hospital, mas faleceu.\n<\/p><p>\nEpis\u00f3dios como estes \u2013 que diga-se de passagem, n\u00e3o s\u00e3o raros na hist\u00f3ria das organiza\u00e7\u00f5es populares \u2013 s\u00e3o dolorosos e nos convocam \u00e0 reflex\u00e3o sobre o significado das lutas em prol de mudan\u00e7as necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade em que crimes que atentam contra a vida e tentam impedir a pluralidade de ideias e concep\u00e7\u00f5es n\u00e3o se perpetuem.\n<\/p><p>\nEdson tinha apenas 18 anos. \u201cNa \u00e9poca, os estudantes organizavam uma passeata para protestar contra o alto pre\u00e7o e a m\u00e1 qualidade da comida servida no restaurante. A pol\u00edcia militar, que outras vezes j\u00e1 havia reprimido os estudantes no local, chegou ao restaurante com muita repress\u00e3o\u201d[2].\n<\/p><p>\nEste assassinato se consumou em um per\u00edodo marcado por sangue e nega\u00e7\u00e3o de direitos civis, pol\u00edticos e sociais, somando-se, tristemente, \u00e0 imensa lista de crimes cometidos contra aqueles e aquelas que enfrentavam a ditadura. Tratava-se de um per\u00edodo no qual o Estado brasileiro assumia, de forma radical, a op\u00e7\u00e3o pela coer\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para garantir os interesses imperialistas de uma burguesia sempre pronta a financiar os meios cab\u00edveis para impor a sua pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o no poder.\n<\/p><p>\nCovardes, ao menor ind\u00edcio de mudan\u00e7as (em pontuais benef\u00edcios aos trabalhadores\/as) nos conflitos entre capital e trabalho representados pelo conjunto de propostas de Jo\u00e3o Goulart e sua base social, as classes dominantes soltaram as coleiras dos seus c\u00e3es de ca\u00e7a para que, alegadamente em favor do &#8220;povo brasileiro\u201d, na verdade, se defendessem daquilo que diziam representar uma \u201camea\u00e7a\u201d ao que lhes custa mais caro: a propriedade privada.\n<\/p><p>\nA partir de estudos pautados nas in\u00fameras pesquisas e sistematiza\u00e7\u00e3o\/documenta\u00e7\u00e3o das lutas e reivindica\u00e7\u00f5es daquele per\u00edodo e posterior a ele, compreendemos os motivos pelos quais militantes como Edson Lu\u00eds tamb\u00e9m tiveram suas vidas retiradas. Para garantir a sua condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia, este modo de produ\u00e7\u00e3o vigente se vale da vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o: explorando-a, transformando-a em mercadoria, controlando-a partir dos interesses da classe dominante, decidindo at\u00e9 quando (e se) deve viver. \n<\/p><p>\nO Partido Comunista Brasileiro (PCB) por exemplo, representa desde sua origem, um instrumento revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora; para a classe dominante, sempre foi um perigo eminente ao exerc\u00edcio de sua domina\u00e7\u00e3o. Em nossas fileiras, militantes colocaram suas vidas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana, tais como Jos\u00e9 Montenegro de Lima. \u201cMagr\u00e3o, como era conhecido o dirigente da Juventude Comunista, [\u2026] desafiou as for\u00e7as da rea\u00e7\u00e3o um m\u00eas depois de o ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, ter noticiado com j\u00fabilo, em cadeia nacional de transmiss\u00e3o, a queda da estrutura gr\u00e1fica do PCB.\u201d[3]\n<\/p><p>\nAs feridas do que vivemos neste per\u00edodo s\u00e3o chagas abertas ou muito mal cicatrizadas. Os recorrentes e intensos ataques \u00e0 democracia atualmente podem levar a uma interpreta\u00e7\u00e3o que parece ser a mais plaus\u00edvel num primeiro momento: estamos revivendo 1964!  No entanto, precisamos romper os limites ideol\u00f3gicos e lembrar que a fr\u00e1gil democracia que alcan\u00e7amos ainda se ancora em princ\u00edpios burgueses. Na atual conjuntura, avan\u00e7am as ofensivas \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, num contexto de esgotamento do pacto de concilia\u00e7\u00e3o de classes, na fase monopolista do capitalismo. Este sistema se encontra em sua fase madura, e os neoliberais sabem que \u201c[\u2026] prosperam muito melhor entre as ditaduras e governos antidemocr\u00e1ticos, porque seus projetos nacionais e antipopulares precisam de repress\u00e3o e restri\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas para serem aplicados\u201d[4]. \n<\/p><p>\nA cada dia, fica mais evidente os limites desta democracia de fachada. Basta lembrarmos dos in\u00fameros epis\u00f3dios de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, repress\u00e3o e assassinatos de militantes brasileiros \u2013 em sua maioria, sem responsabiliza\u00e7\u00e3o dos culpados, sem resposta. O \u201cvelho\u201d permanece vivo, condenando ao caix\u00e3o, \u00e0 cadeia, aos por\u00f5es e hosp\u00edcios, o novo que insiste em nascer.\n<\/p><p>\nNeste m\u00eas de Mar\u00e7o, lembramos. E a luta de classes permanece pulsando. De luto, na luta continuamos. As manifesta\u00e7\u00f5es do 8M t\u00eam sido cada vez mais intensificadas ao longo do m\u00eas: que possamos nos lembrar de Clara Zetkin e Alexandra Kollontai e das conquistas e lutas das mulheres sovi\u00e9ticas. O 14M representou neste ano a luta por justi\u00e7a e revolta frente ao assassinato de uma mulher negra, favelada, l\u00e9sbica e socialista: que possamos sempre nos lembrar da luta de Marielle. Edson Lu\u00eds lutou pelo direito de viver: viver com dignidade. A juventude, as mulheres, a popula\u00e7\u00e3o negra e a lgbt, os sem-terra, os sem-teto, os povos e comunidades origin\u00e1rias t\u00eam sofrido de forma avassaladora com os ataques que colocam em xeque a sua exist\u00eancia. \n<\/p><p>\nAs contradi\u00e7\u00f5es entre as fra\u00e7\u00f5es da burguesia e no interior do governo Bolsonaro t\u00eam se acentuado e temos a tarefa hist\u00f3rica de avan\u00e7ar para derrotar a Contrarreforma da Previd\u00eancia que, se aprovada, representaria uma enorme perda para a vida e organiza\u00e7\u00e3o da nossa classe. Em mem\u00f3ria de Edson, de todos e todas assassinados pela ditadura militar, sem perder de vista nosso horizonte, no qual meninos n\u00e3o mais ser\u00e3o assassinados ao levantarem suas vozes por comida ou por terra ou por casa, implorando por suas vidas.  \n<\/p><p>\nEdson Lu\u00eds de Lima Souto, presente!\nPelas liberdades democr\u00e1ticas, rumo ao Socialismo!\u2028 Pelo Poder Popular!\n<\/p><p>\n[1] Uma das palavras de ordem das manifesta\u00e7\u00f5es que ocorreram na Assembleia Legislativa, para onde o corpo do estudante foi levado em protesto, ap\u00f3s o assassinato. \n<\/p><p>\n[2] Texto de Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes\/UNE. Edson Lu\u00eds: &#8220;Mataram um estudante. Podia ser seu filho&#8221;.\n<\/p><p>\n[3] Texto do Partido Comunista Brasileiro. &#8220;Jos\u00e9 Montenegro de Lima: a juventude comunista enfrenta a ditadura&#8221;.\n<\/p><p>\n[4] Texto de Edmilson Costa, em Partido Comunista Brasileiro. &#8220;A face Bia e crua do mercado no poder&#8221;.\n<\/p><p>\n* Militantes da UJC e do Coletivo Negro Minervino de Oliveira de Uberaba (MG)\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22683\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[224,247],"class_list":["post-22683","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-3b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5TR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22683\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}