{"id":22700,"date":"2019-03-31T23:18:32","date_gmt":"2019-04-01T02:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22700"},"modified":"2019-03-31T23:18:38","modified_gmt":"2019-04-01T02:18:38","slug":"os-eua-e-a-intervencao-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22700","title":{"rendered":"Os EUA e a interven\u00e7\u00e3o na Venezuela"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/puntosinapsis.files.wordpress.com\/2015\/02\/736.jpg?w=700&#038;h=525\"\/><!--more-->por Carlos Fazio\n<\/p><p>\nNo \u00e2mbito de uma guerra global de classes expansionista e agressiva, nos \u00faltimos 20 anos, durante quatro sucessivas presid\u00eancias de democratas e republicanos na Casa Branca &#8211; William Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump -, a diplomacia de guerra dos EUA tem impulsionado uma pol\u00edtica de mudan\u00e7a de regime na Venezuela contra os governos constitucionais e leg\u00edtimos de Hugo Ch\u00e1vez e Nicol\u00e1s Maduro. \n<\/p><p>\nA a\u00e7\u00e3o aberta e clandestina dos EUA inscreve-se na domina\u00e7\u00e3o de espectro amplo, no\u00e7\u00e3o concebida pelo Pent\u00e1gono antes dos atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001, que abarca uma pol\u00edtica combinada em que o militar, o pol\u00edtico, o econ\u00f4mico, o jur\u00eddico\/para-institucional, o midi\u00e1tico e o cultural t\u00eam objetivos comuns e complementares. Uma vez que o espectro \u00e9 geogr\u00e1fico, espacial, social e cultural, para impor a domina\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso fabricar o consentimento. Ou seja, colocar na sociedade determinados sentidos comuns que de tanto repetirem-se incorporam-se ao imagin\u00e1rio colectivo e introduzem, como \u00fanica, a vis\u00e3o do mundo do poder hegem\u00f4nico. Isso implica a forma\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica (doutrinamento) de um grupo e\/ou uma opini\u00e3o p\u00fablica legitimadores do modelo. \n<\/p><p>\nPara a fabrica\u00e7\u00e3o do consenso tornam-se chaves as imagens e a narrativa dos meios de difus\u00e3o em massa, com seus mitos, meias verdades, mentiras e falsidades. Apelando \u00e0 psicologia de massas e \u00e0 propaganda negra imp\u00f5e-se \u00e0 sociedade a cultura do medo. A fabrica\u00e7\u00e3o social do temor inclui a constru\u00e7\u00e3o de inimigos internos. \n<\/p><p>\nManuais do Pent\u00e1gono d\u00e3o grande import\u00e2ncia \u00e0 luta ideol\u00f3gica no campo da informa\u00e7\u00e3o e ao papel dos media e das redes sociais (Internet e telefones m\u00f3veis) como armas estrat\u00e9gicas e pol\u00edticas para gerar viol\u00eancia e caos planificado. Um desses documentos assinala que as guerras modernas t\u00eam lugar em espa\u00e7os que v\u00e3o al\u00e9m de simplesmente os elementos f\u00edsicos do campo de batalha. Um dos mais importantes s\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o nos quais ocorrer\u00e1 a batalha da narrativa. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante para o seu \u00eaxito como o pr\u00f3prio evento. No final das contas, a percep\u00e7\u00e3o do que aconteceu importa mais do que o que se passou realmente. \n<\/p><p>\nA percep\u00e7\u00e3o pode ser criada com base numa not\u00edcia falsa e ser imposta \u00e0s massas mediante campanhas de opera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas nos media e\/ou nas redes da Internet (guerra social em rede), ou mediante tanques de pensamento (thinktank), centros acad\u00eamicos, funda\u00e7\u00f5es, ONG e intelectuais org\u00e2nicos, a partir de matrizes de opini\u00e3o elaborados por peritos de intelig\u00eancia e militares. As campanhas de intoxica\u00e7\u00e3o (des)informativas exploram os preconceitos e as vulnerabilidades psicol\u00f3gicas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas da popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds objectivo e manejam um gui\u00e3o propagand\u00edstico desestabilizador, com eixo em den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o, etiquetando o regime de turno como ditadura e agitando como bandeiras a defesa dos direitos humanos, a liberdade de imprensa e a ajuda humanit\u00e1ria. \n<\/p><p>\nAntes que Hugo Ch\u00e1vez chegasse ao governo, em 2 de Fevereiro de 1999, j\u00e1 se havia come\u00e7ado a construir sua lenda negra e nos media hegem\u00f4nicos classistas e racistas venezuelanos referiam-se a ele como El Mono Ch\u00e1vez,Gorila vermelho, um negro em Miraflores, e os seus seguidores eram chamados de hordas chavistas. \n<\/p><p>\nA seguir, e ao mesmo tempo que a Agencia Central de Intelig\u00eancia (CIA) criava a organiza\u00e7\u00e3o s\u00e9rvia Otpor (Resist\u00eancia) e treinava seus membros nas t\u00e9cnicas do golpe suave com o objectivo de derrubar Slobodan Milosevic na ex-Iugusl\u00e1via, foi-se forjando o golpe de Estado de 2002 na Venezuela, que como parte de uma guerra n\u00e3o convencional e assim\u00e9trica de quarta gera\u00e7\u00e3o, utilizou a Internet e os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa (Venevisi\u00f3n, Globovisi\u00f3n, Radio Caracas Televisi\u00f3n e, entre outros, os jornais Tal Cual, El Nacional e El Universal) para promover matrizes de opini\u00e3o antichavistas e projetar informa\u00e7\u00e3o manipulada, distorcida e falsificada, com a inten\u00e7\u00e3o de desacreditar o governo bolivariano. \n<\/p><p>\nFracassado o golpe, o lockout (encerramento patronal) das corpora\u00e7\u00f5es empresariais da Venezuela agrupadas na Fedec\u00e1maras e Conindustria, e a sabotagem da gerontocracia da PDVSA (a empresa petrol\u00edfera estatal), em 24 de Mar\u00e7o de 2004, ao prestar testemunho perante o Comit\u00e9 de Servi\u00e7os Armados da C\u00e2mara de Representantes estado-unidense, o general James T. Hill, chefe do Comando Sul do Pent\u00e1gono, cunhou a denomina\u00e7\u00e3o populismo radical numa refer\u00eancia clara a Hugo Ch\u00e1vez. De imediato a express\u00e3o foi usada para fins de propaganda maci\u00e7a e adaptou-se no M\u00e9xico a Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador, o messias tropical (E. Krauze dixit ). \n<\/p><p>\nEm dezembro seguinte triunfava na Ucr\u00e2nia a revolu\u00e7\u00e3o laranja de confec\u00e7\u00e3o estadunidense e, em 2005, com financiamento de Washington, eram enviados ao Centro de A\u00e7\u00e3o e Estrat\u00e9gias N\u00e3o Violentas Aplicadas (CANVAS), da Universidade de Belgrado, na S\u00e9rvia, cinco l\u00edderes estudantis venezuelanos para treinarem-se nas pol\u00edticas de mudan\u00e7a de regime segundo as t\u00e9cnicas insurreccionais das revolu\u00e7\u00f5es coloridas e nos golpes suaves de Gene Sharp.   Entre eles figuravam Yon Goicochea, Freddy Guevara e Juan Guaid\u00f3. \n<\/p><p>\n29\/Mar\u00e7o\/2019\nO original encontra-se em www.lahaine.org\/mundo.php\/eeuu-y-el-cambio-de \n<\/p><p>\nEste artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22700\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,38,45],"tags":[227],"class_list":["post-22700","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-c43-imperialismo","category-c54-venezuela","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5U8","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22700\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}