{"id":22702,"date":"2019-03-31T23:22:51","date_gmt":"2019-04-01T02:22:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22702"},"modified":"2019-04-07T19:46:51","modified_gmt":"2019-04-07T22:46:51","slug":"100-dias-de-governo-witzel-a-barbarie-instituida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22702","title":{"rendered":"100 dias de governo Witzel: a barb\u00e1rie institu\u00edda"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsnewse3bec4e264a069995b0-700x460xfit-8e9ad.jpg\"\/><!--more-->Coletivo Negro Minervino de Oliveira &#8211; RJ\n<\/p><p>\nEra 30 de setembro de 2018. A uma semana do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es, a bizarra imagem do governador Wilson Witzel vibrando enquanto Rodrigo Amorim (PSL) quebrava a placa em homenagem \u00e0 Marielle Franco pode ser tomada como a s\u00edntese mais clara do atual governo do Rio de Janeiro. A afirma\u00e7\u00e3o de que a investiga\u00e7\u00e3o sobre o assassinato da vereadora n\u00e3o seria a sua prioridade, caso vencesse as elei\u00e7\u00f5es, se revelava n\u00e3o apenas como uma promessa vazia de um pol\u00edtico fanfarr\u00e3o, mas tamb\u00e9m como o pren\u00fancio de um estilo de pol\u00edtica que n\u00e3o poupa aqueles que amea\u00e7am combater os abusos da pol\u00edcia e a viola\u00e7\u00e3o de direitos da popula\u00e7\u00e3o moradora das comunidades. Em outras palavras, a barb\u00e1rie cotidiana enfrentada pela classe trabalhadora, em sua maioria negra e pobre, \u00e9 agora escancarada como um projeto de Estado terrorista e criminoso, que garante \u00e0 bala um n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que de outra forma pareceria insuport\u00e1vel.\n<\/p><p>\nAo ser questionado sobre a quebra da placa, Fl\u00e1vio Bolsonaro disse \u00e0 imprensa que os envolvidos estariam \u201crestaurando a ordem\u201d. Ap\u00f3s 100 dias de governo Witzel e um ano do assassinato de Marielle e Anderson, pode-se chegar a algumas conclus\u00f5es sobre que ordem est\u00e1 sendo restaurada no Rio de Janeiro. Se a viol\u00eancia do Estado, a criminaliza\u00e7\u00e3o e o assassinato da popula\u00e7\u00e3o negra na cidade n\u00e3o \u00e9 novidade, ela parece ganhar contornos cada vez mais grotescos sob os novos governos estadual e federal.\n<\/p><p>\nSurfando na onda bolsonarista, as pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es de Witzel demonstram uma hipocrisia deliberada e um sadismo de classe reveladores. O ex-ju\u00edz ao ser empossado declarou que em nossa sociedade \u201ctodos tivemos oportunidade\u201d, portanto, para aqueles que n\u00e3o as aproveitaram, o governador defende o \u201cabate\u201d. A promessa n\u00e3o caiu no vazio e no dia 8 de fevereiro, a pol\u00edcia executou a pol\u00edtica do governador na chacina do Fallet-Fogueteiro, deixando 13 mortos na a\u00e7\u00e3o policial mais violenta em 12 anos. Se suas promessas n\u00e3o ficam nas promessas, a mem\u00f3ria de curto prazo nos congela a espinha: n\u00e3o foi um simples disparate do ex-juiz afirmar em campanha a necessidade de fornecer assist\u00eancia e cobertura para qualquer policial que precisasse enfrentar o tribunal de justi\u00e7a por auto de resist\u00eancia. Era o an\u00fancio da tentativa de legitima\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie!\n<\/p><p>\nOutra pol\u00edtica do governador se concretizou em Manguinhos, onde atiradores de elite posicionados na torre da Cidade da Pol\u00edcia assassinaram pelo menos cinco moradores. Os tiros vieram sem aviso, investiga\u00e7\u00e3o, acusa\u00e7\u00e3o, defesa ou direitos. A pris\u00e3o de Guant\u00e2namo \u00e9 outra refer\u00eancia frequente do governador. Conhecida pelas b\u00e1rbaras torturas perpetradas pelos soldados americanos nos prisioneiros de guerra, tornou-se s\u00edmbolo da crueldade do imperialismo americano.\n<\/p><p>\nQuando por diversas vezes ouvimos o ex-juiz declarar n\u00e3o ver problemas na utiliza\u00e7\u00e3o de helic\u00f3pteros como plataformas de tiro nas opera\u00e7\u00f5es em comunidades (em refer\u00eancia \u00e0 desastrosa opera\u00e7\u00e3o na favela do Jacarezinho, em janeiro de 2018), n\u00e3o t\u00ednhamos a dimens\u00e3o da rapidez com a qual seus anseios se materializariam no cotidiano da vida dos trabalhadores das regi\u00f5es mais perif\u00e9ricas. Antes mesmo de completar tr\u00eas meses de governo, o que se via era n\u00e3o somente o aumento da viol\u00eancia desvairada nos confrontos armados terrestres das opera\u00e7\u00f5es policiais em \u00e1reas residenciais (como a opera\u00e7\u00e3o no Complexo do Alem\u00e3o, em mar\u00e7o). Percebia-se, tamb\u00e9m, a banaliza\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de helic\u00f3pteros da pol\u00edcia com atiradores, os quais, segundo relatos de ativistas e moradores, dispararam \u00e0 esmo em pelo menos 7 opera\u00e7\u00f5es nas favelas cariocas (Morro do Timbau, Complexo da Cor\u00e9ia, AP, Complexo do S\u00e3o Carlos, Complexo do Alem\u00e3o, Karat\u00ea e Morro do Borel \u2013 neste \u00faltimo, em pleno hor\u00e1rio de sa\u00edda escolar).\n<\/p><p>\nO abate e a tortura como pol\u00edtica de Estado n\u00e3o nasceu com Witzel, mas com ele torna-se mais descarada e orgulhosa de si, em um movimento que dissolve os limites entre o Estado e o crime organizado. No Rio de Janeiro, as mil\u00edcias s\u00e3o extens\u00f5es de quart\u00e9is e mandatos parlamentares, chegando ao governo do estado e \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.\n<\/p><p>\nA burguesia parece ter chegado ao consenso de que a retirada de direitos dos trabalhadores n\u00e3o pode ser feita sem um constante aumento da viol\u00eancia e do controle sobre estes. Para isso, o Estado de Direito n\u00e3o \u00e9 suficiente. Os golpes parlamentares, as pris\u00f5es pol\u00edticas e as reformas operados da c\u00fapula s\u00e3o complementados pela pol\u00edtica do \u201cabate\u201d e da tortura na base, na qual o verniz da legalidade \u00e9 deixado, muitas vezes, de lado.\n<\/p><p>\nA virada de 31 de mar\u00e7o para 01 de abril n\u00e3o somente ser\u00e1 marcada pela necessidade de impedirmos as tentativas toscas de pressionar, bem ao estilo da caserna, a necessidade de \u201ccomemora\u00e7\u00e3o\u201d do golpe militar de 1964. Deixar\u00e1 marcada, tamb\u00e9m, a certeza de que os 100 dias de governo Witzel igualmente n\u00e3o s\u00e3o dignos de exig\u00eancias de comemora\u00e7\u00e3o. Pois a hist\u00f3ria nos prova que a ditadura tamb\u00e9m se revela e \u00e9 revivida quando, sob marcos supostamente democr\u00e1ticos, aqueles que lutam s\u00e3o torturados e mortos pelas m\u00e3os treinadas e contratadas pelo Estado.\n<\/p><p>\nAssim como \u00e9 na base que a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o se mostram com mais crueza, \u00e9 nela que podem se organizar as for\u00e7as de resist\u00eancia e a contraofensiva. \u00c9 a partir da classe trabalhadora e do conjunto de explorados e oprimidos que um outro projeto de sociedade pode surgir e se contrapor \u00e0 atual barb\u00e1rie. Apenas a organiza\u00e7\u00e3o do Poder Popular pode deter a viol\u00eancia do Estado burgu\u00eas. Como dizia o bom e saudoso Luiz Gonzaga Jr.: \u201cLabutar \u00e9 preciso, \u00f4 menino! Lutar \u00e9 preciso!\u201d.\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22702\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,244],"tags":[221],"class_list":["post-22702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular","category-violencia","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ua","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}