{"id":22778,"date":"2019-04-09T21:33:00","date_gmt":"2019-04-10T00:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22778"},"modified":"2019-04-12T20:27:45","modified_gmt":"2019-04-12T23:27:45","slug":"38o-congresso-do-andes-sn-balanco-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22778","title":{"rendered":"38\u00ba Congresso do Andes-SN: balan\u00e7o e perspectivas"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/homologacao.andes.org.br\/diretorios\/images\/_MG_3541.jpg\"\/><!--more-->Luis Acosta\nAdufrj-SSind\/Andes-SN\nUnidade Classista\/PCB\n<\/p><p>\nO 38\u00ba Congresso do ANDES-SN foi realizado em Bel\u00e9m (PA) entre os dias 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2019. O evento foi organizado pela Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da Universidade Federal do Par\u00e1 (Adufpa \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sindical do ANDES-SN). O tema central foi \u201cPor Democracia, Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia, Tecnologia e Servi\u00e7os P\u00fablicos: em defesa do trabalho e da carreira docente, pela revoga\u00e7\u00e3o da EC\/95\u201d.\n<\/p><p>\nFoi o primeiro congresso da nossa entidade sindical neste novo ciclo de lutas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es que consagrou o governo protofascista de Bolsonaro. Entendemos que o sindicato neste congresso, com seus altos e baixos, com seus longos e \u00e0s vezes cansativos debates, deu um salto de qualidade muito importante especialmente com a vota\u00e7\u00e3o da paridade de g\u00eanero na composi\u00e7\u00e3o da diretoria nacional. Evidentemente, como em toda a\u00e7\u00e3o coletiva, h\u00e1 dificuldades e problemas, mas aqui vamos repassar brevemente os principais t\u00f3picos que consideramos merecem o maior destaque para a categoria docente. Entretanto, antes vamos fazer uma breve refer\u00eancia sobre o coletivo docente que n\u00f3s integramos, Andes de Luta e pela Base, e sobre nossa pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, a Unidade Classista.\n<\/p><p>\nO coletivo docente Andes de Luta e pela Base se reuniu e debateu a conjuntura, o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da corrente e os assuntos pol\u00eamicos do pr\u00f3prio congresso. H\u00e1 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, compartilhada por todos n\u00f3s, pela fragmenta\u00e7\u00e3o do campo da esquerda docente. Com efeito, ao longo do congresso, houve an\u00fancios de constitui\u00e7\u00e3o de novos coletivos, alguns ligados a correntes pol\u00edtico partid\u00e1rias, e outros integrados por \u201cindependentes\u201d, com participa\u00e7\u00e3o de figuras hist\u00f3ricas do nosso sindicato.\n<\/p><p>\nTamb\u00e9m aconteceram reuni\u00f5es da Unidade Classista, com significativa participa\u00e7\u00e3o de professoras e professores. Reafirmamos nossa identidade e autonomia pol\u00edtica como coletivo docente, e nossos compromissos com as lutas da categoria, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato e, com o coletivo Andes de Luta e pela Base, do qual fazemos parte desde sua funda\u00e7\u00e3o. Trocamos ideias com outros coletivos e pretendemos continuar conversando para enfrentar o processo de fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da milit\u00e2ncia, buscar converg\u00eancias e fortalecer o movimento docente.\n<\/p><p>\nA centralidade da luta e a reorganiza\u00e7\u00e3o das lutas da classe trabalhadora\n<\/p><p>\nO congresso apontou corretamente na vota\u00e7\u00e3o a centralidade da luta na constru\u00e7\u00e3o de uma ampla unidade em defesa das liberdades democr\u00e1ticas, dos direitos sociais e na continuidade dos esfor\u00e7os de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora que t\u00eam tido no Andes-SN um reconhecido protagonista. Este empenho tem sido coroado com a recente constitui\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum sindical, popular e de juventudes de luta por direitos e liberdades democr\u00e1ticas. A centralidade da luta pautou a defesa das liberdades democr\u00e1ticas, dos direitos sociais, da previd\u00eancia p\u00fablica, da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita, laica, da universidade p\u00fablica, da liberdade acad\u00eamica, enfim, a defesa de uma universidade que na nossa perspectiva deve apontar para uma Universidade Popular como projeto estrat\u00e9gico da juventude trabalhadora.\n<\/p><p>\nFoi um congresso de reconhecimento dos avan\u00e7os na complexa constru\u00e7\u00e3o do mencionado F\u00f3rum sindical, popular e de juventudes como um embri\u00e3o do Enclat que muitos militantes docentes, junto conosco da Unidade Classista, defendemos como estrat\u00e9gia priorit\u00e1ria da pol\u00edtica sindical do Andes-SN. Evidentemente, o ponto mais alto foi a reafirma\u00e7\u00e3o, num patamar superior, das lutas antipatriarcais e feministas, com a vota\u00e7\u00e3o da paridade integral de g\u00eanero na composi\u00e7\u00e3o da diretoria nacional, j\u00e1 a partir da pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o em 2020.\n<\/p><p>\nA vota\u00e7\u00e3o da paridade de g\u00eanero na composi\u00e7\u00e3o da diretoria\n<\/p><p>\nCom efeito, o maior destaque desde nossa perspectiva pol\u00edtica, foi a aprova\u00e7\u00e3o da paridade integral de g\u00eanero na composi\u00e7\u00e3o da diretoria. Dos 83 diretores que comp\u00f5em a diretoria nacional, 42 t\u00eam que ser mulheres, podendo ser at\u00e9 mais, nunca menos, ou at\u00e9 a totalidade da diretoria. Nas 12 secretarias regionais, das duas vice-presid\u00eancias, uma tem que ser ocupada por uma companheira mulher sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o a que sejam ocupadas ambas vice-presid\u00eancias por mulheres. As outras vagas seguem a mesma l\u00f3gica, assim como no bloco da presid\u00eancia, secretaria e tesouraria. Assim, das 11 vagas do bloco mencionado, 6 t\u00eam que ser ocupadas por mulheres. Foi aprovado quase que por unanimidade num ambiente de comemora\u00e7\u00e3o e combatividade. Setores que tinham posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, recuaram diante das express\u00f5es de apoio da imensa maioria das(os) congressistas, e n\u00e3o se manifestaram no debate da plen\u00e1ria. Atitude deplor\u00e1vel, j\u00e1 que em algumas assembleia de base, estes grupos pol\u00edticos, pautaram e ganharam a vota\u00e7\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 esta pol\u00edtica, criando um enorme constrangimento, com companheiras(os), at\u00e9 com camaradas nossas, que tiveram que defender e votar nos grupos e na plen\u00e1ria do congresso contra suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, em respeito \u00e0s delibera\u00e7\u00f5es de base.\n<\/p><p>\nTemos consci\u00eancia do significado pol\u00edtico desta decis\u00e3o na atual conjuntura e tamb\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica de representa\u00e7\u00e3o. O sindicato, sua dire\u00e7\u00e3o, os diversos coletivos que apoiaram esta proposta, nossas(os) camaradas, estamos todas(os) de parab\u00e9ns! Esta decis\u00e3o coroa um conjunto de lutas que o sindicato tem encaminhado no sentido de, por assim dizer, despatriarcalizar o sindicato, a pol\u00edtica e a sociedade, assim como combater o racismo, somando for\u00e7as para a luta unit\u00e1ria em conjunto com as(os) trabalhadoras(es), a juventude, as camadas populares da sociedade, em forma articulada com os enfrentamentos por direitos e as lutas anticapitalistas. Sabemos da necessidade de muita disputa pol\u00edtica e trabalho pedag\u00f3gico para enfrentar o patriarcado, o machismo, a homofobia, a LGBTfobia, o racismo e outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o no cotidiano do sindicato, no trabalho, na fam\u00edlia e na vida social.\n<\/p><p>\nAs lutas antipatriarcais no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe\n<\/p><p>\nConsideramos que as lutas antipatriarcais e \u00e9tnico-raciais s\u00e3o um elemento fundamental no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, j\u00e1 que aponta para compreender mais adequadamente a atual composi\u00e7\u00e3o social e cultural da classe. Al\u00e9m de estar precarizada e fragmentada pelas transforma\u00e7\u00f5es p\u00f3s-fordista, a classe trabalhadora \u00e9 m\u00faltipla e diversa etnicamente, assim como tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es de identidade e orienta\u00e7\u00e3o sexual. A classe, empiricamente considerada, n\u00e3o pode ser tida fundamentalmente como aquela da ind\u00fastria fordista do ramo metal\u00fargico que emergiu como sujeito pol\u00edtico no final dos anos 70 do s\u00e9culo passado no ABC paulista e que se expressou no PT e na CUT e que teve, e ainda tem, no \u201cLula\u201d a principal refer\u00eancia pol\u00edtica. Dizemos que a classe empiricamente considerada mudou substantivamente, por\u00e9m, do ponto de vista l\u00f3gico e ontol\u00f3gico, continua a ser a classe expropriada, explorada e oprimida, produtora de valor, antagonista principal do capital, com potencialidades emancipat\u00f3rias humano-gen\u00e9ricas universais. Isto \u00e9, mudou muito sua forma exterior, por\u00e9m continua a ser o sujeito pol\u00edtico principal das lutas sociais e anticapitalistas.\n<\/p><p>\nPor isso pensamos, que n\u00e3o podemos continuar tratando empiricamente a classe como fordista, homog\u00eanea, branca, masculina, heterossexual, monog\u00e2mica, enfim, \u201ceuropeia\u201d. Isto vale tamb\u00e9m para a nossa categoria profissional, as(os) docentes universit\u00e1rias(os) e das outras institui\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a base do Andes-SN. Assim sendo, consideramos, que estes debates quando encaminhados corretamente, desde uma perspectiva classista, n\u00e3o devem ser secundarizadas por outros que ainda que sejam relevantes, acabam desviando a aten\u00e7\u00e3o para quest\u00f5es que n\u00e3o tem a mesma centralidade na atual conjuntura. Nossa tarefa pol\u00edtica priorit\u00e1ria hoje, \u00e9 a reorganiza\u00e7\u00e3o sindical, social e pol\u00edtica desta classe trabalhadora, n\u00e3o daquela dos anos 80. Isto vale tamb\u00e9m para o movimento docente. Temos que organizar, mobilizar e enraizar o sindicato nesta categoria docente. Infelizmente muitas vezes, este desvio nos debates \u00e9 motivado pelo interesse pol\u00edtico imediato da pequena pol\u00edtica, como se evidenciou em algumas atitudes e falas de congressistas.\n<\/p><p>\nO debate equivocado\n<\/p><p>\nUma leitura que consideramos errada tem hierarquizado o debate que efetivamente aconteceu no congresso em torno da proposta do coletivo Renova-Andes de incorporar a consigna \u201cLula livre\u201d, no plano geral de lutas. Isto n\u00e3o foi aprovado.\n<\/p><p>\nO debate acontece porque, mesmo que rejeitada a consigna, foi aceita, no plano geral de lutas, fazer alian\u00e7as at\u00e9 com for\u00e7as pol\u00edticas que tenham essa bandeira, junto com outras que o sindicato defende. No nosso entendimento esta vota\u00e7\u00e3o foi uma posi\u00e7\u00e3o correta, soberana, de leg\u00edtima converg\u00eancia de posi\u00e7\u00f5es, ampla, sem sectarismo, que dialoga com setores importantes da categoria docente, e reafirma o compromisso do sindicato com a formula\u00e7\u00e3o de uma Frente Ampla, tese que nosso partido e a Unidade Classista defendem.\n<\/p><p>\nConsideramos que centrar a avalia\u00e7\u00e3o do congresso na pol\u00eamica sobre o t\u00f3pico do \u201cLula livre\u201d acaba objetivamente secundarizando aquilo que consideramos a maior conquista deste congresso que foi a vota\u00e7\u00e3o sobre a paridade de g\u00eanero na composi\u00e7\u00e3o da diretoria nacional. Evidentemente, o debate plural e qualificado sobre qualquer t\u00f3pico \u00e9 necess\u00e1rio e salutar, por\u00e9m, h\u00e1 uma hierarquia, e as for\u00e7as pol\u00edticas e os militantes independentes precisamos avaliar e dizer quais s\u00e3o as principais tarefas desta etapa da luta pol\u00edtica.\n<\/p><p>\nContinuamos a entender que a pris\u00e3o do Lula \u00e9 um ato pol\u00edtico, express\u00e3o da seletividade da justi\u00e7a, posi\u00e7\u00e3o esta que n\u00f3s colocamos no sindicato j\u00e1 desde a primeira condena\u00e7\u00e3o em 2017 no 62\u00ba Conad. Tamb\u00e9m est\u00e1 claro que nossa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o significa nenhuma solidariedade com as a\u00e7\u00f5es de governo do PT e seus aliados de retirada de direitos das(os) trabalhadoras(es), pol\u00edticas que temos denunciado e combatido.\n<\/p><p>\nEste debate, junto com a vota\u00e7\u00e3o sobre a centralidade da luta, a rejei\u00e7\u00e3o da consigna \u201cLula livre\u201d, a concord\u00e2ncia com a realiza\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as amplas e o teor das restantes resolu\u00e7\u00f5es aprovadas demonstram quanto tem amadurecido a milit\u00e2ncia do nosso sindicato. Evidentemente \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar mais, a partir do patrim\u00f4nio \u00e9tico-pol\u00edtico conquistado ao longo de toda a hist\u00f3ria do nosso sindicato, na supera\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas voluntaristas, vanguardistas, de isolamento pol\u00edtico, que ainda est\u00e3o muito arraigadas na cultura pol\u00edtica da milit\u00e2ncia docente que participa dos congressos e dos Conads. Estas atitudes al\u00e9m de equivocadas, dificultam o di\u00e1logo com as(os) professoras(es), o enraizamento do sindicato na categoria (tarefa permanente e absolutamente priorit\u00e1ria) e a constru\u00e7\u00e3o de uma amplia unidade de luta de massas com setores organizados do movimento social, popular e das juventudes.\n<\/p><p>\nA crise da estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular e a pol\u00edtica de alian\u00e7as do sindicato\n<\/p><p>\nO debate que colocamos anteriormente sobre a constitui\u00e7\u00e3o de uma Frente Ampla e a (re)defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de alian\u00e7as do sindicato, est\u00e1 relacionado com o quadro pol\u00edtico que se configurou ao longo deste \u00faltimo pleito eleitoral, assim como tamb\u00e9m com a crise da estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular, o processo do impeachment da ex-presidente Dilma e a recomposi\u00e7\u00e3o do campo da esquerda classista. H\u00e1 companheiras(os) no Andes-SN que tratam de forma indiferenciada o democr\u00e1tico-popular e ainda pior, identificam a estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular com a pol\u00edtica de pacto social que vigorou nos governos do PT e seus aliados. Por\u00e9m, entendemos que precisamos distinguir entre o democr\u00e1tico-popular e a concilia\u00e7\u00e3o de classes e, no interior do democr\u00e1tico-popular, demarcar diferentes perspectivas.\n<\/p><p>\nNo campo democr\u00e1tico-popular, quando formulado ao longo dos anos 70 e 80, havia uma proposta de ac\u00famulo de for\u00e7as, de amplia\u00e7\u00e3o da democracia, de aumento da capacidade de consumo, de desenvolvimento do mercado interno, de transforma\u00e7\u00f5es por dentro da institucionalidade burguesa, que poderia, em circunst\u00e2ncias muito particulares e dif\u00edceis de se verificar no curto e m\u00e9dio prazo, colocar em crise a \u201cautocracia burguesa\u201d e abrir um caminho de transforma\u00e7\u00f5es socialistas. Isto n\u00e3o pressupunha necessariamente a concilia\u00e7\u00e3o de classes nem, muito menos, o apassivamento dela. A pol\u00edtica de pacto social e apassivamento da classe, veio depois, ao longo dos anos 90 e particularmente no governo do PT e seus aliados. Portanto, \u00e9 verdade, que amplos setores do democr\u00e1tico-popular, particularmente a partir da chegada do PT ao governo nacional, optaram pela concilia\u00e7\u00e3o de classes e a pol\u00edtica de apassivamento. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que outros, sem abrir m\u00e3o do democr\u00e1tico-popular, recusaram a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes e at\u00e9 fundaram um novo partido, o PSOL, para continuar a defender e aggiornar aquelas ideias. Lembremos que o democr\u00e1tico-popular teve na sua formula\u00e7\u00e3o inicial a participa\u00e7\u00e3o de destacados militantes do PCB (antes da crise de 1992), e logo, a estrat\u00e9gia foi adotada maioritariamente pelo PT, at\u00e9 que finalmente, parcialmente, foi para o PSOL, chegado a sua forma atual na qual est\u00e1 presente de forma diferente em correntes internas de ambas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Portanto, atualmente, h\u00e1 setores do democr\u00e1tico-popular que mesmo gravitando em torno do PT e do Lula, ou ainda do PSOL e do Buolos, recusaram, romperam ou tendem a romper com a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Ali\u00e1s, estes setores est\u00e3o fundamente organizados na Frente Povo Sem Medo, que n\u00f3s do PCB e da Unidade Classista integramos. Alguns desses setores, comp\u00f5em a Frente de Esquerda Socialista conosco.\n<\/p><p>\nPara n\u00f3s, o ciclo democr\u00e1tico-popular como estrat\u00e9gia para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 encerrado e por isso estamos empenhados em contribuir com as lutas da classe trabalhadora, produzindo novas formula\u00e7\u00f5es que superem esta concep\u00e7\u00e3o. Neste sentido estamos colocando inicialmente o debate sobre o Poder Popular. Mas estamos cientes que para determinados setores pol\u00edticos, a estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular, nas suas diferentes formas, ainda \u00e9 um caminho em aberto. Al\u00e9m disto, esta estrat\u00e9gia influencia efetivamente \u00e0s grandes organiza\u00e7\u00f5es das massas populares. Por isso, entendemos que a alian\u00e7a, na forma cl\u00e1ssica, da tradi\u00e7\u00e3o leninista, da Frente \u00danica, com setores do campo democr\u00e1tico-popular, ou seja, com aqueles que recusaram, romperam ou podem vir a romper com a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, \u00e9 uma realidade concreta na etapa atual de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe e da esquerda classista. Vai ser na luta cotidiana, sem vetos a priori, que se processar\u00e1 o debate. Ao longo deste processo ir\u00e3o decantando as formula\u00e7\u00f5es ideopol\u00edticas mais adequadas para o avan\u00e7o ideol\u00f3gico, pol\u00edtico e organizativo da classe trabalhadora.\n<\/p><p>\nA luta pela Universidade Popular\n<\/p><p>\nInfelizmente, n\u00e3o teve aprova\u00e7\u00e3o uma proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma Escola de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Fica para uma outra oportunidade fazer o debate de uma forma mais esclarecida com a base da categoria docente.\n<\/p><p>\nEsta iniciativa faz parte das a\u00e7\u00f5es de luta por um projeto de Universidade Popular. Ela pr\u00f3pria, a Escola, poderia se constituir num laborat\u00f3rio social pr\u00e1tico, seguindo a melhor tradi\u00e7\u00e3o da universidade latino-americana e do movimento estudantil, na busca da realiza\u00e7\u00e3o da &#8220;miss\u00e3o social&#8221; (como se falava na Reforma de C\u00f3rdoba) da universidade e da intelectualidade.\n<\/p><p>\nA Universidade Popular, n\u00e3o \u00e9 uma entidade, \u00e9 um processo de lutas no interior das universidades p\u00fablicas e particulares, para garantir o acesso e perman\u00eancia da juventude trabalhadora aos estudos \u201csuperiores&#8221;. Mas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, \u00e9 tamb\u00e9m igualmente, um processo de lutas por uma outra organiza\u00e7\u00e3o institucional, financiamento p\u00fablico, bolsas, cotas, assim como pelos conte\u00fados e pelo curr\u00edculo, pelo reconhecimento do saber na sua dimens\u00e3o universal e dos saberes espec\u00edficos dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, dos movimentos sociais, dos grupos sociais oprimidos e, fundamentalmente das(os) trabalhadoras(es), na longa batalha para se constituir em sujeitos. \u00c9 portanto, uma luta que se trava, tanto por dentro das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas e particulares, \u201clutas dentro da ordem\u201d, quanto por fora e contra elas, \u201clutas contra a ordem\u201d.\n<\/p><p>\nAs(os) trabalhadoras(es), no processo de auto-organiza\u00e7\u00e3o como classe social, precisamos, na luta pela supera\u00e7\u00e3o da nossa subalternidade secular, tanto de apropriarmos do melhor da cultura e da ci\u00eancia (mesmo que venha com as marcas sociais da origem de classe) disputando por dentro das institui\u00e7\u00f5es, quanto de criar nossas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e culturais, para lutar contra a ordem burguesa estabelecida. \u00c9 aqui que se inscrevem, as pr\u00e1ticas de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e a cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es culturais e educacionais pr\u00f3prias e autogestion\u00e1rias. Por isso parece muito importante que a pr\u00f3pria categoria docente que luta por dentro das institui\u00e7\u00f5es educacionais, trave tamb\u00e9m a luta contra elas, criando, como se fosse um laborat\u00f3rio social, as institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas educacionais pelas quais ela luta. A experi\u00eancia do CPC da UNE nos anos sessenta do s\u00e9culo passado, pode ser um indicador daquilo que estamos querendo propor para nossa categoria incorporar como projeto pol\u00edtico-educacional para a classe e juventude trabalhadora, obviamente de uma forma bastante mais atualizada. De fato, atualmente muitas(os) professoras(es) atrav\u00e9s da pol\u00edtica de extens\u00e3o universit\u00e1ria realizam a\u00e7\u00f5es que apontam nesta mesma dire\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nDe fato a proposta hist\u00f3rica do nosso sindicato, condensada no Caderno 2, privilegia a luta por uma outra pol\u00edtica educacional, por\u00e9m atrav\u00e9s das lutas dentro da ordem. Lutas por autonomia, maior dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, carreira \u00fanica, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, padr\u00e3o unit\u00e1rio de qualidade, etc. Estas lutas por dentro da ordem, de amplia\u00e7\u00e3o de direitos, revelam em \u00faltima inst\u00e2ncia, o v\u00ednculo da pol\u00edtica educacional hist\u00f3rica, com a estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular a qual fizemos refer\u00eancia num ponto anterior. Trata-se agora de avan\u00e7ar, superando essa estrat\u00e9gia, incorporando uma proposta educacional de lutas contra a ordem do capital (sem abandonar as lutas de amplia\u00e7\u00e3o de direitos por dentro da ordem burguesa) que entendemos que o projeto de Universidade Popular contempla.\n<\/p><p>\nO Andes-SN colabora com duas importantes experi\u00eancias deste mesmo teor. Pensamos que chegou a hora de, sem deixar de contribuir com estas experi\u00eancias em curso, fazer a nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia pol\u00edtico-educacional, partindo da avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da experi\u00eancia acumulada no Curso Nacional de Forma\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Andes-SN. Evidentemente. sabemos que tem que ser cuidadosamente avaliada, por causa da conjuntura de ataques que estamos sofrendo que sabemos muito bem podem chegar a comprometer at\u00e9 a pr\u00f3pria fonte de financiamento do sindicato. Um caminho para acumular debates e se chegar a materializar esta nova formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica educacional para nosso sindicato s\u00e3o os semin\u00e1rios, as oficinas, os grupos de trabalho. \n<\/p><p>\nAs perspectivas p\u00f3s-congresso\n<\/p><p>\nNo atual governo vigora um bloco de for\u00e7as constitu\u00eddo por uma alian\u00e7a entre uma pauta extremamente conservadora de defesa da fam\u00edlia patriarcal (que precisamos lembrar, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que funciona predominante com base na viol\u00eancia do \u201cchefe de fam\u00edlia\u201d contra a(s) mulher(es) e as crian\u00e7as) de setores evang\u00e9licos de base popular pautados pela teologia da prosperidade, com setores militares protofascistas e, fundamentalmente, com grupos econ\u00f4micos neoliberais do capital financeiro, articuladas pelo imperialismo dos EUA. Este bloco de for\u00e7as heterog\u00eaneo aponta para a destrui\u00e7\u00e3o dos poucos direitos sociais arrancados na lutas oper\u00e1rias, populares e da juventude, rebaixar o sal\u00e1rio direto e indireto ao m\u00ednimo poss\u00edvel (o tal do emprego sem direitos do Bolsonaro), flexibilizar e precarizar o emprego e as condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o, num projeto amplo de espolia\u00e7\u00e3o que remete aos processos de acumula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do capital. Diante deste quadro, o sindicato saiu armado com uma pol\u00edtica de unidade com amplos setores democr\u00e1ticos, populares, oper\u00e1rios e da juventude organizados da sociedade; de cr\u00edtica pr\u00e1tica e radical ao patriarcado que se articula com o importante ac\u00famulo cr\u00edtico sobre racismo e; de uma perspectiva de luta para enfrentar \u00e0s contrarreformas, particularmente a previdenci\u00e1ria (sem menosprezar a contrarreforma moral e intelectual da pauta moral conservadora), as privatiza\u00e7\u00f5es e a destrui\u00e7\u00e3o socioambiental em curso.\n<\/p><p>\nCom esta perspectiva, vamos participar na campanha em defesa da previd\u00eancia p\u00fablica organizada pelas Centrais Sindicais e especialmente pelo F\u00f3rum sindical, popular e de juventudes recentemente criado. Com rela\u00e7\u00e3o especificamente a esta luta, vai ser necess\u00e1rio fazer a mobiliza\u00e7\u00e3o crescer at\u00e9 chegar ao grau de deflagrar as grandes lutas e greves que obriguem ao congresso e o governo a recuar. Vamos participar do III ENE que vai acontecer nos dias 12, 13 e 14 de abril, na cidade de Bras\u00edlia. Pretendemos fazer dele uma plataforma para fortalecer e ampliar o F\u00f3rum sindical, popular e de juventudes de lutas por direitos e liberdades democr\u00e1ticas, construir o projeto de educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico e classista e, batalhar para incorporar \u00e0s lutas das(os) trabalhadoras(as), das(os) educadoras(es) e das(os) estudantes \u00e0 proposta de Universidade Popular como projeto pol\u00edtico-educacional estrat\u00e9gico da juventude trabalhadora. Enfim, temos tamb\u00e9m no horizonte pr\u00f3ximo, o 1o. de Maio, que pretendemos que tamb\u00e9m seja de mais unidade e luta, a ser constru\u00eddo em todos os cantos do Brasil, junto com o F\u00f3rum sindical, popular e de juventudes e com todas(os) as(os) que queiram lutar em forma ampla e unit\u00e1ria com a classe trabalhadora, contra o patriarcado, o racismo, por direitos sociais e liberdades democr\u00e1ticas.\n<\/p><p>\nFundamentalmente, vamos tamb\u00e9m construir junto com nossa categoria docente, fazendo o devido trabalho de base, para enraizar efetivamente o sindicato na base da categoria, as lutas, mobiliza\u00e7\u00f5es e greves que possibilitem barrar os ataques aos direitos das(os) professoras(es), \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o art\u00edstico-cultural, \u00e0 teoria e ci\u00eancia sociais e humanas cr\u00edticas, \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia, \u00e0 autonomia das institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, \u00e0 liberdade de c\u00e1tedra, \u00e0 livre organiza\u00e7\u00e3o sindical e ao direito da juventude trabalhadora \u00e0 cultura e ao conhecimento, garantindo o acesso e a perman\u00eancia nas universidades e institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Vamos fortalecer a Unidade Classista, os n\u00facleos do nosso coletivo docente Andes de Luta e pela Base, o sindicato e o movimento docente organizado: sua ativa milit\u00e2ncia e a base da categoria docente como um todo.\n<\/p><p>\nEst\u00e1 na pauta do sindicato, a realiza\u00e7\u00e3o do 64\u00ba Conad, provavelmente no pr\u00f3ximo m\u00eas de julho, que vai ter como uns dos pontos fundamentais definir a pol\u00edtica sindical do Andes-SN com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 CSP-Conlutas. Esta central sindical e popular vai organizar seu IV Congresso no m\u00eas de agosto na cidade de S\u00e3o Paulo e o Andes-SN \u00e9 um dos principais sindicatos que integram esta central. Assim como estamos procurando fazer o debate, sobre a universidade popular, a estrat\u00e9gia democr\u00e1tico-popular, o \u201cnovo sindicalismo\u201d, a estrat\u00e9gia leninista da Frente \u00danica e a pol\u00edtica de alian\u00e7as, vamos fazer, na Unidade Classista, no coletivo docente Andes de Luta e pela Base, nas assembleias de base e no Andes-SN, o necess\u00e1rio balan\u00e7o cr\u00edtico, sobre esta outra experi\u00eancia, em curso, de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe.\n<\/p><p>\nEm resumo, temos um balan\u00e7o bastante positivo do congresso, que nos prepara para enfrentar as batalhas que temos pela frente, com mais unidade e luta. Principalmente, sem o qual a pol\u00edtica sindical perde seu maior sentido para uma entidade que se pretende classista, precisamos caminhar para uma pol\u00edtica sindical de luta de massas, para o qual reiteramos a necessidade de avan\u00e7ar no enraizamento do sindicato na categoria docente, com uma pauta ligada ao cotidiano da(o) professor(a) de defesa dos nossos direitos e das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior. Este congresso, na esteira de uma hist\u00f3ria de lutas da categoria docente, com suas pol\u00eamicas, \u00e0s vezes excessivamente dilatadas e sobre aspectos secund\u00e1rios, com seus momentos altos e baixos, nos armou com uma pauta de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta no rumo estrat\u00e9gico que pretendemos seja na dire\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem opress\u00f5es, nem explorados, nem exploradores.\n<\/p><p>\nRio de Janeiro, 7 de abril de 2019\n<\/p><p>\nFoto: Maycon Nunes &#8211; ANDES\/SN\n<\/p><p>\nhttp:\/\/www.andes.org.br\/conteudos\/noticia\/38o-congresso-do-aNDES-sN-delibera-centralidade-da-luta-para-20191\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22778\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60,31],"tags":[226],"class_list":["post-22778","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-c31-unidade-classista","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Vo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22778\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}