{"id":22784,"date":"2019-04-09T21:45:20","date_gmt":"2019-04-10T00:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22784"},"modified":"2019-04-09T21:45:25","modified_gmt":"2019-04-10T00:45:25","slug":"mec-um-segundo-olavete-para-gerir-a-terra-arrasada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22784","title":{"rendered":"MEC: um segundo &#8216;olavete&#8217; para gerir a &#8220;terra arrasada&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/\/images\/ihu\/2019\/04\/09_04_abraham_weintraub_novo_ministro_da_educacao_foto_wikimedia_commons.jpg\"\/><!--more-->IHU UNISINOS\n<\/p><p>\nUm professor universit\u00e1rio contra o \u201cmarxismo cultural\u201d, que trata seus opositores como inimigos, especialista em Previd\u00eancia social, que passou pelo mercado financeiro, mas nunca gerenciou nada na \u00e1rea educacional. Foi aluno de Olavo de Carvalho \u2013 o ide\u00f3logo do bolsonarismo. Esse \u00e9 o novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o, o economista Abraham Weintraub. Ao lado de seu irm\u00e3o, o advogado e professor Arthur Weintraub, administrou o Centro de Estudos em Seguridade e prega a bandeira ideol\u00f3gica e conservadora do Governo Jair Bolsonaro (PSL). Chega ao cargo com o desafio de administrar uma \u201cterra arrasada\u201d deixada por seu antecessor Ricardo V\u00e9lez. Entre idas e vindas, V\u00e9lez demitiu mais de dez assessores e quatro secret\u00e1rios-executivos, al\u00e9m de n\u00e3o conseguir dar andamento a quase nenhum projeto em pouco mais de tr\u00eas meses de gest\u00e3o.\n<\/p><p>\nA reportagem \u00e9 de Afonso Benites, publicada por El Pa\u00eds, 08-04-2019.\n<\/p><p>\nAos 47 anos de idade, Abraham Weintraub \u00e9 professor universit\u00e1rio da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) desde 2014. Dois de seus colegas consultados pela reportagem disseram que ele teve uma passagem discreta pela universidade porque parecia se dedicar mais aos seus projetos pessoais do que \u00e0 academia. Em 2014, apoiou a campanha presidencial de Marina Silva (REDE). Antes de abra\u00e7ar a carreira acad\u00eamica, Abraham atuou no Banco Votorantim e na Quest Corretora.\n<\/p><p>\nA aproxima\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Weintraub com presidente se iniciou h\u00e1 quase dois anos, por interm\u00e9dio de Onyx Lorenzoni (DEM), o ministro da Casa Civil. Ao mesmo tempo ganhou a confian\u00e7a do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho mais novo do presidente. Em princ\u00edpio, Abraham atuaria no minist\u00e9rio da Economia como um dos respons\u00e1veis por elaborar a reforma da Previd\u00eancia. Mas o ministro Paulo Guedes preferiu nomear algu\u00e9m com experi\u00eancia legislativa para a fun\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio especial de Previd\u00eancia e Trabalho. Afinal, era necess\u00e1rio convencer parlamentares sobre a necessidade de se aprovar a reforma. Assim, a vaga ficou com o ex-deputado federal Rog\u00e9rio Marinho (PSDB-RN). Abraham acabou, ent\u00e3o, na secretaria executiva da Casa Civil. Enquanto isso, o irm\u00e3o dele, Arthur, tornou-se chefe da assessoria especial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.\n<\/p><p>\nNa C\u00fapula Conservadora das Am\u00e9ricas no ano passado, evento promovido pelo deputado Eduardo, Abraham chamou o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva de sicofanta (mentiroso), disse que o ex-ditador cubano Fidel Castro era um playboy e que o petismo n\u00e3o estava morto, por isso teria de ser combatido. \u201cQuando caiu o muro de Berlim, teve um monte de goiaba que falou: agora o comunismo acabou. Agora, que o Jair Bolsonaro ganhou, tem muita gente dizendo que o PT est\u00e1 derrotado, que podemos ficar tranquilos. N\u00e3o, n\u00e3o podemos\u201d. Ressaltou, ainda, li\u00e7\u00f5es de Carvalho, caso seus colegas professores passassem critic\u00e1-los por serem de direita. \u201cA gente adaptou a teoria do Olavo de Carvalho de como enfrentar eles [comunistas] no debate intelectual. N\u00e3o precisa mandar pastar. Quando eles falam, a ci\u00eancia \u00e9 burguesa, ent\u00e3o v\u00e1 embora daqui porque aqui \u00e9 o templo da ci\u00eancia, seu religioso\u201d.\n<\/p><p>\nNessa segunda-feira, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse que n\u00e3o precisa seguir na \u00edntegra o que o ide\u00f3logo sugere. \u201cEle tem ideias muito boas, mas n\u00e3o sigo ipsis litteris tudo o que ele fala. N\u00e3o \u00e9 porque gosto de m\u00fasica cl\u00e1ssica que n\u00e3o escute rock and roll de vez em quando\u201d. Dentro do MEC, contudo h\u00e1 a expectativa do retorno de boa parte dos olavetes que foram demitidos nas \u00faltimas semanas por Ricardo V\u00e9lez. Outras declara\u00e7\u00f5es do ministro tamb\u00e9m j\u00e1 provocam repercuss\u00e3o negativa, como a de que &#8220;crack foi introduzido de caso pensado no Brasil&#8221;. &#8220;Em vez de as universidades do Nordeste ficarem a\u00ed fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel&#8221;, disse ele no ano passado, em uma transmiss\u00e3o ao vivo citada no UOL.\n<\/p><p>\nOs desafios na pasta\nEntre seus desafios na pasta est\u00e1 a impress\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (ENEM), j\u00e1 que a gr\u00e1fica que faria o trabalho declarou fal\u00eancia, e a defini\u00e7\u00e3o de uma agenda na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a aproxima\u00e7\u00e3o de \u00e1reas sens\u00edveis, como ci\u00eancia e tecnologia.\n<\/p><p>\nDesde que V\u00e9lez come\u00e7ou a perder for\u00e7a no cargo, h\u00e1 quase duas semanas, uma lista de nomes foi sugerida ao presidente. Al\u00e9m de Abraham, outros dois corriam por fora. O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) foi defendido pela bancada evang\u00e9lica e o empres\u00e1rio e consultor em educa\u00e7\u00e3o Stravos Xanthopoylos foi sugerido por membros do mercado educacional. O que pesou na escolha do presidente foram seus dois padrinhos Olavo e Onyx. Ambos foram consultados por Bolsonaro e a decis\u00e3o anunciada nesta segunda-feira.\n<\/p><p>\nA troca foi vista de maneira positiva por apoiadores de Bolsonaro. \u201cO MEC precisa de um bom gestor e n\u00e3o de um ide\u00f3logo do atraso, que defenda a revolu\u00e7\u00e3o contramarxista do s\u00e9culo XIX\u201d, afirmou o cientista pol\u00edtico Antonio Testa, um antigo colaborador do presidente na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o. Segundo ele, Abraham \u00e9 um t\u00e9cnico capaz de gerenciar a pasta com o segundo maior or\u00e7amento do Governo, com 115 bilh\u00f5es de reais.\n<\/p><p>\nOutros especialistas, contudo, entendem que a troca n\u00e3o dever\u00e1 surtir efeito no Governo. Entendem, por exemplo, que \u00e9 necess\u00e1rio empossar algu\u00e9m com experi\u00eancia na \u00e1rea educacional. \u201cTodo esse jogo de cena, trazendo para o MEC pessoas completamente alheias ao sistema educacional tem como objetivo o desmonte\u201d, afirmou o soci\u00f3logo C\u00e9sar Callegari, ex-membro do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada.\n<\/p><p>\nNa opini\u00e3o de Callegari, o papel de Abraham ser\u00e1 o de defender os planos do minist\u00e9rio da Economia de desvincular a educa\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento da uni\u00e3o. Conforme a Constitui\u00e7\u00e3o, o Governo federal tem de investir 18% de seu or\u00e7amento em educa\u00e7\u00e3o, enquanto que as gest\u00f5es estaduais e municipais s\u00e3o obrigadas a gastar 25%. Uma proposta de emenda constitucional dever\u00e1 ser enviada nas pr\u00f3ximas semanas revisando esses percentuais.\n<\/p><p>\nhttp:\/\/www.ihu.unisinos.br\/588243-abraham-weintraub-um-segundo-olavete-no-mec-para-gerir-a-terra-arrasada\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22784\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[224],"class_list":["post-22784","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Vu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}