{"id":22810,"date":"2019-04-12T20:26:32","date_gmt":"2019-04-12T23:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22810"},"modified":"2019-04-12T20:26:39","modified_gmt":"2019-04-12T23:26:39","slug":"o-imperio-move-se-a-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22810","title":{"rendered":"O imp\u00e9rio move-se a petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/9572.jpg?itok=2EnEz7oE\"\/><!--more-->ABRIL ABRIL &#8211; Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p><p>\nO controle dos fluxos de energia permite dominar o mundo, sobretudo se n\u00e3o tiver absoluta confian\u00e7a na supremacia militar. Os EUA travam uma guerra para domesticar o mercado dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.\n<\/p><p>\nSempre que os Estados Unidos da Am\u00e9rica desencadeiam uma guerra h\u00e1 um exerc\u00edcio pr\u00e1tico que pode fazer-se para identificar motiva\u00e7\u00f5es, prever desenvolvimentos e avaliar consequ\u00eancias: seguir o rastro do petr\u00f3leo.\n<\/p><p>\nCertamente que \u00e9 uma pr\u00e1tica um pouco prim\u00e1ria e redutora; outros \u2013 provavelmente a esmagadora maioria, tendo em conta o n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o de ideias e consci\u00eancias atingido pela informa\u00e7\u00e3o mainstream \u2013 dir\u00e3o que se trata de estabelecer a democracia, proteger direitos humanos e instaurar uma verdadeira democracia de mercado.\n<\/p><p>\nA cada qual as suas raz\u00f5es. Que n\u00e3o se perca de vista nos c\u00e1lculos e an\u00e1lises, contudo, a exist\u00eancia de uma elaborada pol\u00edtica energ\u00e9tica a servi\u00e7o do complexo militar, industrial e tecnol\u00f3gico que governa os Estados Unidos da Am\u00e9rica, que vem sendo aprofundada e afinada durante as administra\u00e7\u00f5es Obama e Trump. Essa estrat\u00e9gia tem hoje amplitude mundial e traduz o apogeu do globalismo do ponto de vista energ\u00e9tico. Nesse dom\u00ednio, Washington manipula os cord\u00e9is que realmente contam e ainda n\u00e3o tem rivais, raz\u00e3o pela qual fez da luta pelo controle das fontes de combust\u00edveis f\u00f3sseis a m\u00e3e de todas as estrat\u00e9gias \u2013 \u00e0 qual se submete, de bom grado, o aparelho militar imperial.\n<\/p><p>\nO imp\u00e9rio move-se, de fato, a petr\u00f3leo e a g\u00e1s natural, de prefer\u00eancia liquefeito.\n<\/p><p>\nUma reviravolta em 11 anos\n<\/p><p>\nOs Estados Unidos s\u00e3o, atualmente, os maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos. Atingiram essa posi\u00e7\u00e3o, ultrapassando a Ar\u00e1bia Saudita e a R\u00fassia, em apenas uma d\u00e9cada gra\u00e7as ao investimento bilion\u00e1rio interno \u2013 com repercuss\u00f5es externas \u2013 na explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto atrav\u00e9s de uma atividade designada fracking, altamente contaminadora de \u00e1guas e poluente de terrenos, al\u00e9m de bastante dispendiosa.\n<\/p><p>\nA posi\u00e7\u00e3o de primeiro classificado na produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um trunfo, mas n\u00e3o um triunfo. Da\u00ed que os grandes arautos da livre concorr\u00eancia e do mercado capaz de se regular a si pr\u00f3prio estejam agora envolvidos na guerra \u2013 \u00e9 disso que se trata \u2013 para domesticar o mercado dos combust\u00edveis f\u00f3sseis em seu proveito.\n<\/p><p>\nPor um lado, porque \u00e9 preciso rentabilizar o elevado investimento feito no fracking; por outro, porque o controle dos fluxos de energia permite dominar o mundo, sobretudo se n\u00e3o tiver absoluta confian\u00e7a na supremacia militar.\n<\/p><p>\nDa\u00ed que a administra\u00e7\u00e3o de Donald Trump tenha estabelecido uma nova fase da estrat\u00e9gia petrol\u00edfera, orientada sobretudo para o controle dos fluxos e um balan\u00e7o harm\u00f4nico entre os mercados internos e internacional. Embora pouco midiatizada, essa preocupa\u00e7\u00e3o tem sido determinante, vis\u00edvel at\u00e9 no preenchimento das cadeiras governamentais e de outras em proeminentes ag\u00eancias.\n<\/p><p>\nA designa\u00e7\u00e3o de Rex Tillerson, presidente da Exxon Mobil, como primeiro secret\u00e1rio de Estado e, sobretudo, a nomea\u00e7\u00e3o de Michael Pompeo como diretor da CIA e, posteriormente, como secret\u00e1rio de Estado, t\u00eam tudo a ver com a guerra da energia. Sem esquecer que Trump n\u00e3o pode deixar de cumprir as promessas eleitorais feitas aos investidores e produtores de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto. As suas doa\u00e7\u00f5es ajudam qualquer campanha pol\u00edtica.\n<\/p><p>\nO papel de Pompeo\n<\/p><p>\nMichael Pompeo, com anos de experi\u00eancia em \u00e1reas petrol\u00edferas, com relevo para o fornecimento de equipamentos de explora\u00e7\u00e3o1 2, \u00e9 hoje a pe\u00e7a-chave da guerra norte-americana da energia. Os seus passos diplom\u00e1ticos como secret\u00e1rio de Estado deixam pegadas de petr\u00f3leo.\n<\/p><p>\nHoje n\u00e3o h\u00e1 reserva de g\u00e1s ou petr\u00f3leo que n\u00e3o esteja cadastrada em Washington para cair sob al\u00e7ada norte-americana \u2013 dos Montes Gol\u00e3 ao I\u00eamen, do L\u00edbano \u00e0 Venezuela, da S\u00edria \u00e0 L\u00edbia e \u00e0s costas do Brasil; e n\u00e3o h\u00e1 movimento \u00abdiplom\u00e1tico\u00bb junto da Uni\u00e3o Europeia, de grandes e m\u00e9dias pot\u00eancias mundiais que n\u00e3o implique reivindica\u00e7\u00f5es \u2013 leia-se exig\u00eancias &#8211; em torno dos fluxos planet\u00e1rios de hidrocarbonetos.\n<\/p><p>\nNo Departamento de Estado, Michael Pompeo criou um gabinete de recursos energ\u00e9ticos dirigido por um secret\u00e1rio adjunto, Francis Fannon, que orienta a estrat\u00e9gia global de Washington, coordenando-a com a poderosa ind\u00fastria norte-americana do setor.\n<\/p><p>\nEm termos gerais, a estrat\u00e9gia energ\u00e9tica global dos Estados Unidos baseia-se numa estabiliza\u00e7\u00e3o do mercado mundial de hidrocarbonetos alcan\u00e7ada com uma cota rent\u00e1vel de mat\u00e9ria-prima produzida pelo sistema de fracking em territ\u00f3rio norte-americano. Para que esse volume seja alcan\u00e7ado e garanta pre\u00e7os compensadores \u00e9 necess\u00e1rio que o g\u00e1s e o petr\u00f3leo de xisto internos sejam essencialmente para exporta\u00e7\u00e3o, substitu\u00eddos, em n\u00edvel nacional, pela extra\u00e7\u00e3o convencional e, sobretudo, pela dinamiza\u00e7\u00e3o de novas formas de produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, incluindo as renov\u00e1veis; e, ao n\u00edvel global, \u00e9 imprescind\u00edvel abrir espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos de xisto made in America, nem que seja \u00absecando\u00bb algumas das maiores fontes, controlando a produ\u00e7\u00e3o de outras, travando projetos de distribui\u00e7\u00e3o prometedores para mercados concorrenciais, sobretudo o russo, e manipulando os pre\u00e7os em conjunto com as petroditaduras \u00e1rabes.\n<\/p><p>\nDas san\u00e7\u00f5es \u00e0s guerras\n<\/p><p>\nExistem exemplos abundantes de todas estas vari\u00e1veis, que dever\u00e3o convergir num sentido \u00fanico: o controle energ\u00e9tico global por Washington.\n<\/p><p>\nComo se secam algumas das principais fontes de hidrocarbonetos que n\u00e3o s\u00e3o manipul\u00e1veis pelos Estados Unidos?\n<\/p><p>\nOs m\u00e9todos s\u00e3o v\u00e1rios.\n<\/p><p>\nOs dirigidos contra o Ir\u00e3 e a Venezuela est\u00e3o \u00e0 vista: san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com repercuss\u00f5es tamb\u00e9m na ind\u00fastria petrol\u00edfera, sabotagem pol\u00edtica interna, conspira\u00e7\u00f5es para mudar os governos e amea\u00e7as de guerra convencional.\n<\/p><p>\nO Ir\u00e3 tem um potencial que o coloca entre os principais exportadores da OPEP, em p\u00e9 de igualdade com o Iraque e logo depois da Ar\u00e1bia Saudita. Atualmente est\u00e1 submetido a congestionamentos de exporta\u00e7\u00e3o devido ao cerco internacional, n\u00e3o sendo de excluir a possibilidade de ser v\u00edtima de uma guerra de agress\u00e3o conduzida por Israel e os Estados Unidos. Os resultados das elei\u00e7\u00f5es israelenses refor\u00e7am essa possibilidade.\n<\/p><p>\nA Venezuela tem as maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo e est\u00e1, neste momento, praticamente fora do mercado internacional devido \u00e0s press\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e militares norte-americanas. Os Estados Unidos encaram esta situa\u00e7\u00e3o como uma fase transit\u00f3ria at\u00e9 que haja em Caracas um governo que mere\u00e7a confian\u00e7a absoluta de Washington.\n<\/p><p>\nUma confian\u00e7a como a que merece agora o governo de Bras\u00edlia. O fascista Bolsonaro, um s\u00fadito \u00e0s ordens de Trump, chegou ao poder na sequ\u00eancia de um golpe pol\u00edtico desencadeado quando se tornou claro que as reservas petrol\u00edferas \u2013 o pr\u00e9-sal \u2013 detectadas em \u00e1guas territoriais do Brasil catapultaram o pa\u00eds para terceiro potencial do ranking global. \u00c9 fac\u00edlimo prever o que lhes vai acontecer.\n<\/p><p>\nNa S\u00edria existem reservas de hidrocarbonetos que multiplicam em muito o potencial de explora\u00e7\u00e3o que existia antes da guerra. Est\u00e3o agora em m\u00e3os de empresas estatais russas; e foi a a\u00e7\u00e3o de Pompeo, enquanto secret\u00e1rio de Estado, que invalidou a promessa de retirada das tropas norte-americanas do pa\u00eds. Elas v\u00e3o continuar, possivelmente refor\u00e7adas, sobretudo nas zonas leste e nordeste, precisamente onde se situa o man\u00e1 petrol\u00edfero.\n<\/p><p>\nA R\u00fassia, por seu lado, n\u00e3o d\u00e1 sinais de come\u00e7ar a explora\u00e7\u00e3o dessas reservas, que seria essencial para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a melhoria da situa\u00e7\u00e3o do povo. Mais do que isso: n\u00e3o d\u00e1 sinais de levar at\u00e9 ao fim a opera\u00e7\u00e3o de liquida\u00e7\u00e3o dos terroristas alimentados pela OTAN, designadamente em Idleb.\n<\/p><p>\nDesde 2016, ano em que se tornou membro da OPEP+ (jun\u00e7\u00e3o de dez pa\u00edses ao n\u00facleo original da OPEP), que a R\u00fassia acompanha o processo de estabelecimento de pre\u00e7os internacionais e evita inundar o mercado para n\u00e3o fazer baixar os pre\u00e7os \u2013 o que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o lhe permite contrariar os Estados Unidos nesta \u00e1rea. Da\u00ed a imobilidade quanto \u00e0 explora\u00e7\u00e3o na S\u00edria e os claramente insuficientes apoios ao Ir\u00e3 e \u00e0 Venezuela para que ven\u00e7am as barreiras \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos.\n<\/p><p>\nNo Iraque, pa\u00eds fragmentado em consequ\u00eancia da invas\u00e3o norte-americana, tropas do Pent\u00e1gono mant\u00eam-se no terreno apesar de as riquezas petrol\u00edferas terem sido privatizadas e, no essencial, estarem sob controle de Washington. Trata-se, sobretudo, de manter a produ\u00e7\u00e3o e dominar os fluxos de hidrocarbonetos no Curdist\u00e3o iraquiano, uma tarefa que tem repercuss\u00f5es colaterais, como as de apoiar os curdos na S\u00edria, nas zonas deste pa\u00eds onde se situam as reservas de petr\u00f3leo. Apesar de essa op\u00e7\u00e3o ter envenenado as tradicionalmente fraternais e atlantistas rela\u00e7\u00f5es entre os Estados Unidos e a Turquia. Ao que parece, a escolha vale o pre\u00e7o a pagar.\n<\/p><p>\nAinda em rela\u00e7\u00e3o ao controle das fontes, claramente aprofundado com Michael Pompeo como principal agente, h\u00e1 que sublinhar acontecimentos recentes: o reconhecimento norte-americano da anexa\u00e7\u00e3o dos Montes Gol\u00e3 por Israel poucos anos depois de ali terem disso identificadas importantes reservas de g\u00e1s natural3; e a mais recente ofensiva do secret\u00e1rio de Estado norte-americano contra o L\u00edbano, amea\u00e7ando instaurar uma guerra civil se Beirute n\u00e3o marginalizar o Hezbollah, por exemplo, cedendo parte das suas reservas de petr\u00f3leo offshore a Israel, para sa\u00edrem do controle do grupo xiita, logo do Ir\u00e3, segundo a rotulagem de Washington e Telavive.\n<\/p><p>\nDa\u00ed que n\u00e3o surpreenda o envolvimento claro dos Estados Unidos na guerra de destrui\u00e7\u00e3o imposta pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen, onde os agressores querem, no fundo, ter acesso aos important\u00edssimos recursos petrol\u00edferos deste pa\u00eds.\n<\/p><p>\nDa\u00ed que n\u00e3o surpreenda tamb\u00e9m a ofensiva em curso do marechal Khalifa Haftar na L\u00edbia, contra um governo apoiado pela ONU, sobretudo se tivermos em conta que se trata de um militar h\u00e1 muito ligado \u00e0 CIA. Atrav\u00e9s dele, os Estados Unidos \u00abdisciplinar\u00e3o\u00bb a gest\u00e3o do petr\u00f3leo l\u00edbio \u2013 as maiores reservas da \u00c1frica \u2013 que tem estado nas m\u00e3os de mil\u00edcias tribais e fundamentalistas desde que a OTAN destruiu o pa\u00eds em alian\u00e7a com o terrorismo isl\u00e2mico.\n<\/p><p>\nO caso Nord Stream 2\n<\/p><p>\nAo reservar para exporta\u00e7\u00e3o a maior percentagem de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto produzidos internamente, de forma a obter retorno dos enormes investimentos nessa atividade e controlar os fluxos e os pre\u00e7os do mercado internacional, os Estados Unidos necessitam de compradores.\n<\/p><p>\nO que n\u00e3o seria f\u00e1cil, em termos puros de mercado, uma vez que os pre\u00e7os nada t\u00eam de convidativos quando se trata de exporta\u00e7\u00e3o transcontinental via transporte mar\u00edtimo. Ora quando o mercado n\u00e3o se comporta como deve ser, os fundamentalistas do mercado livre d\u00e3o uma ajuda: fazendo imposi\u00e7\u00f5es e manipulando a concorr\u00eancia \u2013 que supostamente tamb\u00e9m deveria ser livre.\n<\/p><p>\nDa\u00ed a oposi\u00e7\u00e3o frontal norte-americana, em termos b\u00e9licos se for necess\u00e1rio, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de gasodutos e oleodutos que escapem ao seu controlo, sobretudo se tiverem participa\u00e7\u00f5es russas ou iranianas.\n<\/p><p>\nA exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e do g\u00e1s de xisto (liquefeito) norte-americanos \u00e9 feita por transporte mar\u00edtimo e exige infraestruturas espec\u00edficas ou adaptadas de recep\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o onerar ainda mais o processo.\n<\/p><p>\nNada que perturbe a estrat\u00e9gia norte-americana.\n<\/p><p>\nO caso mais conhecido passa-se com o gasoduto Nord Stream 2, um neg\u00f3cio entre a R\u00fassia, a Alemanha e outros pa\u00edses europeus que permitir\u00e1 o abastecimento de g\u00e1s natural \u00e0 economia europeia a pre\u00e7os muito favor\u00e1veis.\n<\/p><p>\nMas se os interesses das popula\u00e7\u00f5es do continente n\u00e3o coincidem com os dos magnatas norte-americanos do fracking, que se sacrifiquem os primeiros. Washington p\u00f4s a funcionar um arsenal de press\u00f5es contra a Europa, incluindo antagonismos existentes na Uni\u00e3o Europeia, chantagem militar e diplom\u00e1tica, san\u00e7\u00f5es contra empresas e a \u00abamea\u00e7a russa\u00bb para travar o Nord Stream 2 e impor o seu g\u00e1s de xisto a pre\u00e7os exorbitantes. Este vale-tudo tem apanhado pelo meio a Alemanha da Senhora Merkel, onde a grande ind\u00fastria n\u00e3o se importa de consumir g\u00e1s russo, que garante bem melhores resultados econ\u00f4micos.\n<\/p><p>\nMesmo assim, Washington est\u00e1 longe de desistir, ainda que a eventual tempestade tenha dimens\u00e3o para abalar a Uni\u00e3o Europeia. Por isso, d\u00e3o que pensar as manobras intraeuropeias para designar como pr\u00f3ximo presidente da Comiss\u00e3o Europeia o principal rival pol\u00edtico de Merkel, embora seu correligion\u00e1rio, o b\u00e1varo Martin Weber, grande inimigo do Nord Stream 2.\n<\/p><p>\nQuando se trata da guerra pela energia, como se percebe, as apostas s\u00e3o altas, muito altas mesmo. Nesse dom\u00ednio n\u00e3o t\u00eam qualquer valor a vida humana, a soberania dos Estados, a dignidade dos povos, a estabilidade de organiza\u00e7\u00f5es e alian\u00e7as, os mecanismos democr\u00e1ticos, os direitos humanos \u2013 nem sequer a liberdade do mercado, imagine-se.\n<\/p><p>\nTrata-se de poder absoluto e global. Esse n\u00e3o se discute: se imp\u00f5e por quem tem for\u00e7a e despudor para isso.\n<\/p><p>\n1. Michael Pompeo \u00e9, pelo menos antes de 2010, presidente da Sentry International, \u00abuma firma especializada no fabrico e venda de equipamento usado em campos de petr\u00f3leo\u00bb que mant\u00e9m uma parceria com a Koch Industries por interm\u00e9dio do seu distribuidor brasileiro, a GTS Representa\u00e7\u00f5es &#038; Consultoria, mas desde o in\u00edcio que a sua carreira, como homem de neg\u00f3cios e como pol\u00edtico, foi feita \u00e0 sombra dos patr\u00f5es da Koch Industries. Ver Lee Fang, \u00abMeet Mike Pompeo: The Congressional Candidate Spawned By The \u2018Kochtopus\u2019\u00bb, em Thinkprogress, 8 de novembro de 2010. A designa\u00e7\u00e3o do conglomerado, no t\u00edtulo do artigo (\u00abKochtopus\u00bb), remete para a sua estrutura tentacular e perniciosa na sociedade americana.<\/p><p>\n2. Charles e David Koch s\u00e3o os patr\u00f5es da Koch Industries, um dos maiores grupos industriais do mundo e a segunda maior empresa privada dos EUA. Os irm\u00e3os Koch financiam largamente grupos de reflex\u00e3o (think thanks) ligados \u00e0 direita americana. O AbrilAbril tem denunciado, em v\u00e1rios artigos, o papel dos irm\u00e3os Koch como pontas de lan\u00e7a do que de mais reacion\u00e1rio tem a sociedade e a pol\u00edtica americanas. Por exemplo, o financiamento de organiza\u00e7\u00f5es que promovem a desfilia\u00e7\u00e3o de trabalhadores dos sindicatos, ou o financiamento de candidatos pol\u00edticos pr\u00f3-neg\u00f3cios, como \u00e9 o caso de Mike Pompeo.<\/p><p>\n3. Vale a pena ler, como exemplo da mentalidade fan\u00e1tica pol\u00edtico-religiosa da extrema-direita sionista que domina Israel, com a cumplicidade dos EUA, as considera\u00e7\u00f5es e argumentos produzidos no artigo \u00abHuge Oil Discovery on the Golan Heights!\u00bb, da Alian\u00e7a Messi\u00e2nica Judaica da Am\u00e9rica (Messianic Jewish Alliance of America, MJAA).<\/p><p>\nhttps:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/o-imperio-move-se-petroleo\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22810\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[226],"class_list":["post-22810","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5VU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22810"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22810\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}