{"id":22835,"date":"2019-04-16T06:26:23","date_gmt":"2019-04-16T09:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22835"},"modified":"2019-04-16T06:26:29","modified_gmt":"2019-04-16T09:26:29","slug":"general-explica-a-paranoia-dos-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22835","title":{"rendered":"General explica a paranoia dos militares"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.extraclasse.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/abre_entrevista-1024x392.jpg\"\/><!--more-->O general Bol\u00edvar em tr\u00eas momentos distintos: ainda cadete, em 1964 e hoje\nFotos: Arquivo Pessoal\/Reprodu\u00e7\u00e3o\n<\/p><p>\nExtra Classe\n<\/p><p>\nENTREVISTA | BOLIVAR MARINHO SOARES DE MEIRELLES\n<\/p><p>\nPor Marcelo Menna Barreto\n<\/p><p>\nCom a propriedade de quem veio de uma fam\u00edlia com tios participantes do movimento tenentista, um que foi lutar na Guerra Civil Espanhola e outro que participou do levante da Alian\u00e7a Nacional Libertadora em 1935, o general de Brigada reformado Bolivar Marinho Soares de Meirelles diz: \u201cEu acho que eu entrei pra escola de cadetes j\u00e1 rebelado\u201d.  Expulso do Ex\u00e9rcito seis meses ap\u00f3s o golpe de 1964, por n\u00e3o concordar com a ruptura institucional, fez sua carreira fora das For\u00e7as Armadas at\u00e9 ter o reconhecimento de sua patente devida pelo Supremo Tribunal Federal. Uma carreira, ali\u00e1s, bem extensa. Licenciado em Ci\u00eancias Sociais, mestre em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, doutor em Ci\u00eancias em Engenharia e p\u00f3s-doutor em Hist\u00f3ria Pol\u00edtica, o general Bolivar diz ter uma d\u00edvida com o povo brasileiro: apresentar com clareza o que foi o per\u00edodo de exce\u00e7\u00e3o vivido no Brasil de 1964 a 1985. \u201cQuem me fez general, na realidade, foi o povo. Foi dentro das institui\u00e7\u00f5es da democracia e do Estado de Direito que eu cheguei a general\u201d.\n<\/p><p>\nExtra Classe \u2212 Como o senhor viu a determina\u00e7\u00e3o do presidente Bolsonaro para que os quart\u00e9is comemorassem a data do 31 de mar\u00e7o?\nBolivar Meirelles \u2212 Eu acho que isso foi um absurdo! Inclusive utilizando recursos do povo brasileiro para festejar algo que foi nitidamente um golpe de Estado, reconhecido por quase todos os historiadores. \u00c9 uma vergonha para o Brasil esse \u201cfestejo\u201d a\u00ed do capit\u00e3o Bolsonaro. Mas o absurdo e a vergonha para o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 internacional e caracterizou-se no rep\u00fadio \u00e0 visita que ele fez ao Chile, relembrando os tempos do Pinochet, festejando, n\u00e3o \u00e9? E no Paraguai tamb\u00e9m com aquele eterno ditador, o Strossner. Um homem que disse que queria 30 mil mortos no Brasil e defende tortura, e torturador \u00e9 um retrocesso muito grande.\n<\/p><p>\nEC \u2013 O senhor diz que \u00e9 de uma \u00e9poca que ainda existiam militares nacionalistas. O que aconteceu com eles?\nMeirelles \u2212 Foi feita uma raspagem ideol\u00f3gica com o golpe de 1964 que expulsou das For\u00e7as Armadas, por reforma, por demiss\u00e3o, v\u00e1rios quadros militares. Eu sa\u00ed como segundo-tenente, com 24 anos de idade. Quer dizer, o Brasil investiu em mim e eu fui fazer a minha carreira que chegou a general de Brigada aqui fora, reconhecido pelas leis brasileiras at\u00e9 no Supremo Tribunal Federal. Por isso eu tenho uma d\u00edvida com o povo brasileiro: colocar essas quest\u00f5es com clareza porque quem me fez general, na realidade, foi o povo. Foi dentro das institui\u00e7\u00f5es da democracia e do Estado de Direito que eu cheguei a general.\n<\/p><p>\nEC \u2013 E antes do golpe?\nMeirelles \u2212 Existiam militares nacionalistas no pr\u00e9-golpe de 1964 e, se olharmos a hist\u00f3ria do Brasil, grande parte da luta pelo monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo foi no Clube Militar. Ali se tinha um general Horta Barbosa, o l\u00edder da corrente que  propugnou a luta pela implanta\u00e7\u00e3o da Petrobras. Mas por outro lado, entreguista, voc\u00ea tamb\u00e9m via um Golbery do Couto e Silva, o general Juarez T\u00e1vora que, com receio do \u201ccomunismo internacional\u201d, como eles colocavam, pretendiam entregar nossas riquezas estrat\u00e9gicas ao imp\u00e9rio norte-americano. Uma vis\u00e3o consolidada no golpe de 1964 pela figura, ao meu ver, execr\u00e1vel, do marechal Castello Branco, que era um entreguista not\u00f3rio.\n<\/p><p>\nEC \u2212 Coexistiam, ent\u00e3o?\nMeirelles \u2212 Sim. Mas veja s\u00f3: entre os golpistas de 1964 tamb\u00e9m tinha uma corrente que era contra o entreguismo. O pr\u00f3prio Geisel, que era uma pessoa de direita e que matou grande parte dos dirigentes do PCB \u2212 ali\u00e1s partido que n\u00e3o participou da luta armada \u2212 tinha um vi\u00e9s nacionalista. Ele acabou com o acordo militar Brasil-Estados Unidos e fez acordo com a Alemanha para implantar a quest\u00e3o nuclear no Brasil. Ent\u00e3o, existem essas contradi\u00e7\u00f5es dentro das For\u00e7as Armadas.\n<\/p><p>\nEC \u2013 O senhor diz que n\u00e3o v\u00ea hoje nenhum oficial de patente superior confrontar a chamada corrente entreguista. O que houve com a mentalidade nacionalista dos militares brasileiros?\nMeirelles \u2212 O que houve nas For\u00e7as Armadas foi um processo de lavagem cerebral. A realidade \u00e9 esta. No meu tempo de cadete, nos idos de 1959 a 1962, eu j\u00e1 sentia que estava havendo uma mudan\u00e7a. Quando entrei em 1956 na preparat\u00f3ria de cadetes em S\u00e3o Paulo, a tese principal de conflito era do Brasil com a Argentina. Veja que imagina\u00e7\u00e3o! Depois com o passar do tempo, quando Fidel Castro faz a revolu\u00e7\u00e3o em Cuba, reavivam a tese do anticomunismo e vem sendo criada uma expectativa de que inimigos internos seriam potenciais formadores da revolu\u00e7\u00e3o no Brasil. \u00c9 uma mentira deslavada que vem sendo repetida aos jovens n\u00e3o s\u00f3 nas escolas militares de n\u00edvel superior, mas tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o dos pra\u00e7as.\n<\/p><p>\nEC \u2212 A ideia do \u201cinimigo interno\u201d vem da\u00ed, ent\u00e3o?\nMeirelles \u2212 Na realidade, esse res\u00edduo anticomunista \u00e9 n\u00edtido na forma\u00e7\u00e3o do militar desde 1935, quando h\u00e1 o levante da Alian\u00e7a Nacional Libertadora, onde inventaram que mataram gente dormindo nos quart\u00e9is para tumultuar. Ora, j\u00e1 havia acontecido no Nordeste dois levantes, j\u00e1 tinha arrebentado um movimento nos quart\u00e9is na Praia Vermelha; ningu\u00e9m estava mais dormindo. A tropa estava em alta prontid\u00e3o e vigil\u00e2ncia. Houve her\u00f3is dos dois lados.\n<\/p><p>\nEC \u2013 E a dita \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de 1964\u201d?\nMeirelles \u2212 N\u00e3o houve revolu\u00e7\u00e3o nenhuma! N\u00e3o se mudou o estabelecimento do regime burgu\u00eas; o que eles mataram foi a democracia burguesa e o Estado de Direito. Agora \u2212 veja voc\u00ea a contradi\u00e7\u00e3o \u2212 a defini\u00e7\u00e3o de guerra revolucion\u00e1ria era tra\u00e7ada exatamente para atacar os levantes de car\u00e1ter marxista-leninista, como eles colocavam; mas quando  deram o golpe de Estado em 1964,  n\u00e3o quiseram assumir a posi\u00e7\u00e3o de golpistas. Chamaram de revolu\u00e7\u00e3o. Realmente foi um golpe de Estado formulado pelo imp\u00e9rio norte-americano, com os grandes monop\u00f3lios nacionais e internacionais vinculados com as estruturas das For\u00e7as Armadas no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, onde ocorreram v\u00e1rios golpes.\n<\/p><p>\nEC \u2013 O senhor fala em outras contradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Quais?\nMeirelles \u2212 Antes eles (os golpistas) diziam que defendiam o pensamento ocidental crist\u00e3o. Mas perderam o crist\u00e3o porque os crist\u00e3os tamb\u00e9m, alguma parcela deles, se jogaram na luta em defesa da liberdade dentro da p\u00e1tria brasileira. Eu n\u00e3o sou religioso, mas, por exemplo, alguns dominicanos heroicos que nada tinham de marxista-leninistas, vinculados ao pensamento de Jesus de Nazar\u00e9 e daqueles que militavam com ele contra o Imp\u00e9rio Romano e contra o dom\u00ednio das camadas altas da sociedade na defesa do povo, desmascararam essa ideia de guerra de caracter\u00edstica marxista-leninista. O que aconteceu com esses dominicanos? Alguns foram massacrados, como o frei Tito que acabou morrendo na Fran\u00e7a. Ent\u00e3o, como n\u00e3o poderia mais ter a caracter\u00edstica de uma luta contra o comunismo, a\u00ed ent\u00e3o inventaram o termo subvers\u00e3o. Os subversivos.\n<\/p><p>\nEC \u2212 Na Argentina e no Chile h\u00e1  exemplos de militares que foram parar atr\u00e1s das grades ap\u00f3s as respectivas ditaduras. Qual a li\u00e7\u00e3o de casa que esses pa\u00edses fizeram que o Brasil n\u00e3o fez?\nMeirelles \u2212 N\u00f3s n\u00e3o fizemos a revis\u00e3o desse per\u00edodo no Brasil. A anistia que foi feita em 1979 foi uma anistia negociada com o governo Figueiredo. No Chile, na Argentina, os torturadores foram presos. Aqui no Brasil, nenhum desses generais e coron\u00e9is da ditadura foram responsabilizados. At\u00e9 o Supremo Tribunal Federal quis a anistia como um esquecimento. Isso ainda \u00e9 uma m\u00e1cula na hist\u00f3ria do Brasil. Veja s\u00f3, esse capit\u00e3o Bolsonaro e o pr\u00f3prio vice-presidente defendem a figura do torturador Ustra! Um cara que massacrou, que torturou m\u00e3es na frente de filhos; um tarado! E esse capit\u00e3o ainda vai pra fora defender torturadores de l\u00e1. Isso pega mal!\n<\/p><p>\nEC \u2212 Na forma\u00e7\u00e3o de nossos militares ainda est\u00e1 incutida a ideia de que as For\u00e7as Armadas salvaram o pa\u00eds do comunismo em 1964. Por que ap\u00f3s tantos anos de redemocratiza\u00e7\u00e3o isso continua?\nMeirelles \u2212 Porque n\u00f3s fizemos uma transi\u00e7\u00e3o negociada. N\u00f3s n\u00e3o derrotamos, na realidade, os golpistas de 1964. N\u00e3o houve uma interfer\u00eancia nas forma\u00e7\u00f5es militares de forma a apagar essas quest\u00f5es. Voc\u00ea teria que ter uma vis\u00e3o cr\u00edtica, hist\u00f3rico-cr\u00edtica dentro das For\u00e7as Armadas. N\u00e3o s\u00f3 mudan\u00e7a de curr\u00edculo e programas, mas tamb\u00e9m de instrutores. N\u00e3o adianta s\u00f3 mudar a forma, mudar o conte\u00fado, sem saber quem \u00e9 que vai dar as aulas.\n<\/p><p>\nEC \u2212 Diz-se que militares brasileiros que participaram na campanha da Segunda Guerra Mundial voltaram da miss\u00e3o com uma outra vis\u00e3o de mundo: uma gera\u00e7\u00e3o que participou ativamente dos processos pol\u00edticos que culminaram com o golpe de 1964. Qual a sua an\u00e1lise?\nMeirelles \u2212 Olha, precisou vir o presidente dos Estados Unidos aqui, o Roosevelt, para fazer o Brasil se colocar contra o Eixo, contra o nazi-fascismo. Alguns foram pra guerra, alguns se submeteram. O Goes Monteiro era simpatizante do nazi-fascismo, o Dutra era, o Filinto Muller era e o Get\u00falio era aquele vacilante que ora namorava com um, ora com outro. Ganha a guerra, dois fen\u00f4menos v\u00e3o se dar. Um \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o de alguns quadros tipo Castelo Branco, profundamente vinculado ao pensamento norte-americano. Ent\u00e3o, \u00e9 claro que, quando se sai daqui, deixando o Estado Novo instalado, um regime ditatorial ainda remanescente do Get\u00falio, a imagina\u00e7\u00e3o de supera\u00e7\u00e3o disso vai se dar.\n<\/p><p>\nEC \u2212 Mas Get\u00falio inicia nesse per\u00edodo um destensionamento do Estado Novo, n\u00e3o?\nMeirelles \u2013 Sim. O Get\u00falio declara o fim do Estado Novo e abre as pris\u00f5es. O Luis Carlos Prestes \u00e9 colocado em liberdade em 1945 e tem um encontro \u2212 at\u00e9 articulado pelo meu tio, Silvio Meirelles, que tinha sa\u00eddo h\u00e1 pouco tempo da cadeia \u2212 com o Eduardo Gomes e Juarez T\u00e1vora. Queriam que o Prestes participasse de um movimento de derrubada do Get\u00falio. O Prestes diz ent\u00e3o: eu passei esses anos todos preso e voc\u00eas fizeram as suas carreiras; agora que o Get\u00falio deu anistia pol\u00edtica e est\u00e1 liberando a forma\u00e7\u00e3o de todos os partidos, at\u00e9 do Partido Comunista Brasileiro, abre elei\u00e7\u00f5es gerais, com uma Constituinte, como \u00e9 que eu vou participar dessa derrubada? Claro que o Castelo Branco, que tinha v\u00ednculos formados com os comandos norte-americanos, cujo embaixador era tamb\u00e9m um dos articuladores da derrubada de Get\u00falio, vem com essa ideia de participar.\n<\/p><p>\nEC \u2013 O senhor falou de dois fen\u00f4menos. Qual o segundo?\nMeirelles \u2212 O grande prest\u00edgio com que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sai da guerra. Na realidade, quem primeiro chega ao territ\u00f3rio alem\u00e3o, que vai libertando com a passagem do Ex\u00e9rcito Vermelho ali \u00e9 a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Perderam 20 milh\u00f5es de pessoas dentro do processo da guerra. Falam de 6 milh\u00f5es que morreram nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, os judeus em especial, mas pouco se fala das baixas na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.\n<\/p><p>\nEC \u2013 Quais as rea\u00e7\u00f5es a esse prest\u00edgio?\nMeirelles \u2212 Passados os tratados p\u00f3s-Segunda Guerra, o Churchill faz um discurso na cidade de Fulton, nos Estados Unidos, j\u00e1 caracterizando o clima de Guerra Fria. H\u00e1 um rompimento e a\u00ed come\u00e7am a ser elaboradas todas as teorias anticomunistas que j\u00e1 vinham de 1935 aqui, mas mais acirradas contra um companheiro de lutas para derrotar o nazi-fascismo que vira o advers\u00e1rio colocado frente aos  Estados Unidos, ali\u00e1s, sempre retardat\u00e1rios ao entrar nas guerras mundiais. Na primeira e na segunda, quando acabam fazendo aquele crime com ela praticamente acabada: trocam o bombardeio de Pearl Harbor por duas bombas at\u00f4micas jogadas no Jap\u00e3o. Na realidade, uma mensagem que queriam dar para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica que rapidamente tamb\u00e9m foi l\u00e1 e construiu suas bombas at\u00f4micas.\n<\/p><p>\nEC \u2013 E no Brasil?\nMeirelles \u2212 Em 1948, depois da guerra, atrav\u00e9s dos generais Albino e Cordeiro de Farias, que foram golpistas tamb\u00e9m na derrubada do Get\u00falio de 1945, \u00e9 criada a Escola Superior de Guerra, dentro da matriz do War College norte-americano. S\u00f3 que l\u00e1 nos Estados Unidos, a forma\u00e7\u00e3o vai do mundo civil, dos empres\u00e1rios, para as For\u00e7as Armadas; aqui foi transportada das For\u00e7as Armadas americanas para as nossas For\u00e7as Armadas. O Ex\u00e9rcito, principalmente, passa a ter duas caracter\u00edsticas. Uma, de instrumento de repress\u00e3o do Estado e, outra, de aparelho ideol\u00f3gico, porque passa a ser um instrumento que influenciou tamb\u00e9m quadros civis. Carlos Lacerda tirou curso na Escola Superior de Guerra, que \u00e9 aberta a civis tamb\u00e9m. \u00c9 a\u00ed que a conspira\u00e7\u00e3o, antissovi\u00e9tica, vai se colocando na polariza\u00e7\u00e3o entre as duas pot\u00eancias que saem da Segunda Guerra.\n<\/p><p>\nEC \u2212 Hoje, temos uma leva de militares nos postos mais importantes da Rep\u00fablica que passaram pela miss\u00e3o brasileira no Haiti. Como o senhor v\u00ea isso? Teriam eles tamb\u00e9m retornado com outra vis\u00e3o de mundo?\nMeirelles \u2212 Eu tenho a impress\u00e3o de que isto \u00e9 uma quest\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o. O militar tamb\u00e9m tem essa ang\u00fastia do nada fazer. N\u00e3o tem miss\u00e3o, n\u00e3o tem guerra; n\u00e3o tem o que fazer. Est\u00e1 sempre se preparando para algo que n\u00e3o vem. Ent\u00e3o fica inventando guerras tamb\u00e9m. Esse \u00e9 um quadro mais amplo que se coloca. A miss\u00e3o no Haiti \u00e9 um fato, mas \u00e9 um quase alinhamento militar brasileiro ao pensamento dessa, que eles chamam, democracia ocidental crist\u00e3. O que Cristo tem a ver com o raio da democracia dita burguesa? A democracia burguesa \u00e9 um est\u00e1gio, uma passagem da luta de classes permanente da burguesia contra o trabalhador. Quando eles n\u00e3o conseguem resolver no est\u00e1gio da democracia burguesa, eles d\u00e3o golpes, como aqui, na Argentina, no Chile. Eles conseguiram conviver com  a democracia de Allende? Allende n\u00e3o estava fazendo revolu\u00e7\u00e3o. Ele era um socialista no governo, mas ele n\u00e3o estava fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no Chile. Jango era um trabalhista no governo, mas n\u00e3o estava fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Isso \u00e9 uma vis\u00e3o distorcida.\n<\/p><p>\nEC \u2212 O senhor falou agora da \u201cang\u00fastia do nada fazer\u201d. Por que, ent\u00e3o, com toda essa incita\u00e7\u00e3o de Trump, Bolsonaro e seus filhos e os militares brasileiros n\u00e3o querem uma interven\u00e7\u00e3o na Venezuela?\nMeirelles \u2212 Primeiro, que uma guerra contra a Venezuela ser\u00e1 um Vietnanz\u00e3o que pode ocasionar guerras nas retaguardas dos pa\u00edses agressores. Quem diz que n\u00e3o vai haver movimentos contr\u00e1rios no Brasil? Quem diz que n\u00e3o vai haver movimentos contr\u00e1rios na Col\u00f4mbia? A Col\u00f4mbia teve as Farcs, com seus 50 anos de luta. E uma luta de floresta  tamb\u00e9m. O americano, se entrar l\u00e1, vai ter \u201cpresunto\u201d americano \u2212 presunto no sentido de morto americano \u2212 devolvido aos Estados Unidos. Vai morrer muita gente. Isso numa quest\u00e3o de curto prazo. Depois, os militares brasileiros t\u00eam uma certa raz\u00e3o. Eles sabem que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de confronto hoje com as For\u00e7as Armadas venezuelanas, sem contar que o povo venezuelano est\u00e1 armado. A mil\u00edcia na Venezuela tem outra caracter\u00edstica. N\u00e3o \u00e9 essa mil\u00edcia de vagabundos que a gente tem aqui, com que o senador filho do presidente est\u00e1 nitidamente vinculado. L\u00e1 a mil\u00edcia \u00e9 civil armada como as mil\u00edcias libert\u00e1rias de Barcelona na guerra civil espanhola.\n<\/p><p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"OFmR9D43X2\"><a href=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/politica\/2019\/04\/general-explica-a-paranoia-dos-militares\/\">General explica a paranoia dos militares<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/politica\/2019\/04\/general-explica-a-paranoia-dos-militares\/embed\/#?secret=OFmR9D43X2\" data-secret=\"OFmR9D43X2\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;General explica a paranoia dos militares&#8221; &#8212; Extra Classe\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22835\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[224],"class_list":["post-22835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Wj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}