{"id":22840,"date":"2019-04-17T06:13:03","date_gmt":"2019-04-17T09:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22840"},"modified":"2019-04-17T06:13:51","modified_gmt":"2019-04-17T09:13:51","slug":"assembleia-dos-coletes-amarelos-e-preciso-sair-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22840","title":{"rendered":"Assembleia dos Coletes Amarelos: &#8220;\u00e9 preciso sair do capitalismo&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/u6rsDLYC8AISc15DoUhckMBGyYhW00qOr4TIh2R9j2JHizCqe2nINIMn4u5nIlICkHPUSeWRI87PK9LarV2lJSoX5yRt3qde0IvGZQn-FRMtbNP3-Pz91qbXAxx93o6WJbHUo64L1pAJ2RWvIOwBBFTwY5mwnmQC0NgGltDEB8qeoewKni5giqSJVhDe8Kry3kUsYCNhrGNMgX1RAzDnMfq5VtFJH2d2RUv0W3Dpyv2mkjuSCE0jo6uHoJkP5wFNmhh9fEocW3tCn9PJ8XNU0ezhyCmDir1n5x93-ocvo_SOmMRjCTdFxtTHTbNeSJYi2u8hd_vQroyBF-TzB0de8OyX_bJo70GxOFaKA5swW96fB1VuFtZu0Ltg31DhTIgHZw2FQuzwffEPjA8Nv0agf_XBcFoWdlxwHr1cwA1GWeh1o4d9epFe7NrbBMzj2A3f8iqEnvmDEOpVr7RMGCLZ60gEKr_uOmMuQWzqQjlLrY_qipxmOjvT_ia7WCAL-bHCbvYpUUWuDLcjdp1cdrX9_jK4dudimx-_Y1D9_7v1bnR7m4vv9w59fi9xvzN1GzfSgOoFiXjNDKZTRkQStH40hMJxZBGCWAW4_vRd1Ou97HBmwhMtjHNG-ufCdLwYYV8fPcuUPRwxg6jwG1nkMzwkdRW_Hmahn1YD=w268-h188-no\"\/><!--more-->R\u00e9my Herrera  &#8211;  ODIARIO.INFO\n<\/p><p>\nO movimento dos \u201cColetes Amarelos\u201d na Fran\u00e7a prossegue a mobiliza\u00e7\u00e3o. Mas avan\u00e7a igualmente em formas de organiza\u00e7\u00e3o: as assembleias e as \u201cAssembleias das assembleias.\u201d Na segunda, realizada no in\u00edcio de abril, aprovou um conjunto de posi\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es com um claro cunho progressista. Que constituem, al\u00e9m do mais, um encorajador ind\u00edcio da sua autonomia de decis\u00e3o, da sua vontade de avan\u00e7ar e da sua capacidade de resistir tanto \u00e0 repress\u00e3o como \u00e0s tentativas de divis\u00e3o e de manipula\u00e7\u00e3o a partir do seu interior.\n<\/p><p>\nO \u201cAto 21\u2033 dos \u201cColetes Amarelos\u201d ocorreu, como desde h\u00e1 quase cinco meses, num s\u00e1bado, 6 de abril. Mas em paralelo, de 5 a 7, realizou-se em Saint-Nazaire, Loire-Atlantique, um acontecimento que ir\u00e1 certamente influenciar as pr\u00f3ximas lutas no pa\u00eds: a segunda Assembleia das assembleias de coletes amarelos. \u00c9 o ponto central do movimento. A primeira teve lugar em Meuse, Commercy no final de janeiro e tinha j\u00e1 reunido 70 delega\u00e7\u00f5es; quase 200 vieram desta vez a Saint-Nazaire, ou seja, cerca de 800 delegados presentes (dois representantes mais dois observadores por delega\u00e7\u00e3o). E sem contar os volunt\u00e1rios, jornalistas, curiosos \u2026 Estes delegados tinham sido eleitos por cerca de 10 000 coletes amarelos, mobilizados em centenas de locais de luta: rotat\u00f3rias, pra\u00e7as ou ped\u00e1gios, mas tamb\u00e9m, quando as for\u00e7as da ordem os desalojaram, em muitos lugares muito mais exc\u00eantricos e menos vis\u00edveis (at\u00e9 mesmo em alojamentos). Em toda a Fran\u00e7a, h\u00e1 resist\u00eancia.\n<\/p><p>\nHavia, aparentemente, uma \u201camea\u00e7a contra ordem p\u00fablica\u201d. Foi este o pretexto invocado pelo prefeito de Saint-Nazaire (David Samzun, \u201csocialista\u201d, como se define ainda) para justificar a sua recusa em ceder um espa\u00e7o aos organizadores. Os eleitos das comunas vizinhas fizeram o mesmo e, finalmente, nenhuma sala foi colocada \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o os coletes amarelos encontraram-se todos na \u201csua Casa\u201d: a \u201cCasa do povo\u201d, antiga ag\u00eancia do Polo Emprego (P\u00f4le Emploi) que ocupam juntamente com os camaradas sindicalistas desde novembro passado. A \u201crequisi\u00e7\u00e3o cidad\u00e3\u201d na pura tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos clubes de sans culottes de 1789, das bolsas de trabalho dos oper\u00e1rios do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, das f\u00e1bricas em greve da Frente Popular de 1936. Alguns trabalhos de arranjo e muita solidariedade permitiram-lhes reunir-se para se encontrarem, para se darem coragem. Para debater e lutar melhor. E se organizar.\n<\/p><p>\nEssa reuni\u00e3o tinha sido inicialmente agendada para os \u00faltimos dias de mar\u00e7o, mas as dificuldades materiais para fazer face \u00e0s despesas quando o m\u00eas chega ao fim para a maioria dos participantes &#8211; somadas \u00e0s da log\u00edstica &#8211; levaram a atras\u00e1-la alguns dias; no in\u00edcio do m\u00eas, uma vez recebido o sal\u00e1rio (ou mesada), aqueles que n\u00e3o nadam em ouro respiram um pouco melhor. Alguns queriam comparecer, mas a aflu\u00eancia obrigou os organizadores a fechar as inscri\u00e7\u00f5es. Outros, mais numerosos ainda, n\u00e3o puderam vir porque n\u00e3o podiam pagar a viagem. Contar com a generosidade de amigos, cujos meios s\u00e3o irris\u00f3rios. Contar com as suas pr\u00f3prias for\u00e7as. Mas em 1864, o primeiro considerando dos estatutos da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores n\u00e3o dizia, \u201ca emancipa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria deve ser obra dos pr\u00f3prios trabalhadores\u201d? Quando se \u00e9 colete amarelo, n\u00e3o se tem medo de lama, da chuva nem dos bolsos vazios.\n<\/p><p>\nNo decurso dos tr\u00eas dias as discuss\u00f5es foram s\u00e9rias. Muitas vezes dif\u00edceis, tumultuadas, ca\u00f3ticas \u2026\u00e0 imagem da mobiliza\u00e7\u00e3o empreendida em meados de novembro, revelaram a determina\u00e7\u00e3o dos coletes amarelos, a sua oposi\u00e7\u00e3o resoluta e tenaz a esta sociedade de desigualdades e injusti\u00e7as que o Presidente Macron simboliza, a sua condena\u00e7\u00e3o un\u00e2nime da viol\u00eancia das repress\u00f5es policiais de que s\u00e3o v\u00edtimas, da sua obstinada vontade de colocar no cora\u00e7\u00e3o do movimento a democracia direta, de pensar e reinventar formas aut\u00eanticas desta \u00faltima, a partir da base, sem l\u00edder autoproclamado ou chefe recuperado, de encontrar o \u201cequil\u00edbrio entre espontaneidade e organiza\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 o coletivo que vem em primeiro lugar, na \u201chorizontalidade\u201d. E a manuten\u00e7\u00e3o da unidade de um movimento que se re\u00fane contra os riscos de divis\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o, que une um povo apesar de todas as suas diferen\u00e7as (de percep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, por vezes de origens sociais), que continua a beneficiar tamb\u00e9m de uma boa imagem e um forte apoio na opini\u00e3o p\u00fablica, que faz as lutas avan\u00e7ar.\n<\/p><p>\nVis\u00edveis na Internet, os debates foram organizados em grupos de trabalho tem\u00e1ticos: os modos de a\u00e7\u00e3o do movimento, a comunica\u00e7\u00e3o interna e externa, a formula\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es, os pontos de converg\u00eancia com os sindicatos e outros colectivos, o futuro da mobiliza\u00e7\u00e3o\u2026 Finalmente, a sess\u00e3o plen\u00e1ria apresentou as s\u00ednteses das discuss\u00f5es das comiss\u00f5es (preparadas \u00e0 noite \u2026) e um texto final. Um texto particularmente l\u00facido e radical. Um texto que ser\u00e1 submetido mais tarde \u00e0 vota\u00e7\u00e3o pelas v\u00e1rias assembleias locais de coletes amarelos. O que diz este texto?\n<\/p><p>\nCoisas essenciais, na realidade. Diz que as reivindica\u00e7\u00f5es devem ser concentradas em aumentos salariais, das pens\u00f5es de reforma e dos m\u00ednimos sociais, com uma aten\u00e7\u00e3o especial para os nove milh\u00f5es de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza. Diz que \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer os servi\u00e7os p\u00fablicos para todos. Eis o que \u00e9 j\u00e1 fundamental.\n<\/p><p>\nEste texto diz \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 viol\u00eancia imposta por uma minoria de privilegiados contra todo um povo; Diz \u201csim\u201d \u00e0 anula\u00e7\u00e3o das penas impostas a presos e condenados do movimento dos coletes amarelos. \u201cAs viol\u00eancias policiais s\u00e3o um ato de intimida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, procuram aterrorizar-nos para nos impedir de agir. A repress\u00e3o judicial vem em seguida para sufocar o movimento. (\u2026) Aquilo que vivemos hoje \u00e9 o cotidiano dos bairros populares desde h\u00e1 d\u00e9cadas \u201c.\n<\/p><p>\nDiz ainda da sua rejei\u00e7\u00e3o da \u201cfraude do Grande Debate nacional\u201d desejado e manipulado pelo presidente Macron, tal como da sua recusa em participar nas elei\u00e7\u00f5es europeias no pr\u00f3ximo m\u00eas: \u201ca rua une-nos, as elei\u00e7\u00f5es dividem-nos\u201d. \u201c\u00c9 na luta que a Europa dos povos ser\u00e1 constru\u00edda. (\u2026) \u00c9 atrav\u00e9s de uma luta coordenada contra os nossos exploradores comuns que lan\u00e7aremos as bases de um entendimento fraternal entre os povos da Europa e de outros lugares \u201c.\n<\/p><p>\nE neste 7 de abril, ao apelo da Assembleia das assembleias dos coletes amarelos de Saint-Nazaire diz tamb\u00e9m e sobretudo que \u201cmelhorar as nossas condi\u00e7\u00f5es de vida, (\u2026) reconstruir os nossos direitos e liberdades, (\u2026) fazer desaparecer as formas de desigualdades, de injusti\u00e7as, de discrimina\u00e7\u00f5es \u201c, para que finalmente a \u201csolidariedade e a dignidade\u201d cheguem, ser\u00e1 necess\u00e1rio mudar de sistema: \u201cconscientes de que temos de lutar contra um sistema global, consideramos que ser\u00e1 necess\u00e1rio sair do capitalismo \u201c. E para isso, \u201ccolocar o conjunto dos cidad\u00e3os em ordem de batalha contra este sistema\u201d.\n<\/p><p>\nQuanto \u00e0 mensagem dirigida aos ecologistas, \u00e9 de uma limita\u00e7\u00e3o total, e t\u00e3o progressista. Ir\u00e3o eles ouvi-la? Ser\u00e1 necess\u00e1rio que o fa\u00e7am. Uma vez a emerg\u00eancia ambiental est\u00e1 a\u00ed, torna-se indispens\u00e1vel a converg\u00eancia do combate pela ecologia com as lutas pelo progresso social. \u00c9 \u00aba mesma l\u00f3gica da explora\u00e7\u00e3o infinita do capitalismo que destr\u00f3i os seres humanos e a vida sobre a Terra. A fim de proteger o meio ambiente, \u00e9 necess\u00e1rio mudar um sistema que \u00e9 prejudicial aos seres humanos e ao meio ambiente\u00bb. Isto, para quem tinha d\u00favidas sobre a orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda do movimento.\n<\/p><p>\nN\u00e3o foi f\u00e1cil fazer emergir tais orienta\u00e7\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es. Alguns acharam-nas prematuras. Outros temem que o movimento se dogmatize, se doutrine, se endure\u00e7a demais. \u00c9 claro que ainda estamos muito longe de uma sa\u00edda do sistema capitalista. Mas j\u00e1 \u00e9 importante saber aquilo que precisamos combater. Porque estes coletes amarelos, reunidos na multid\u00e3o e no burburinho desta Casa do povo \u201cpela a honra dos trabalhadores e por um mundo melhor\u201d, compreenderam claramente e expressaram muito claramente, eles pelo menos, aquilo que mais ningu\u00e9m ou quase ningu\u00e9m no seio das nossas altas lideran\u00e7as partid\u00e1rias e sindicais, entre os nossos artistas comprometidos ou nossos grandes intelectuais, compreende ou exprime. Sim, para se esperar construir um \u201cmundo de liberdade, igualdade e fraternidade\u201d, ser\u00e1 necess\u00e1rio sair do capitalismo. \n<\/p><p>\nSeguramente. Sem isso, nada \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9 por aqui que come\u00e7a qualquer programa de verdadeira alternativa. Porque os coletes amarelos, levantados contra o insuport\u00e1vel, n\u00e3o se deixar\u00e3o mais enganar. O s\u00e9culo XXI n\u00e3o ser\u00e1 o fim da hist\u00f3ria; ser\u00e1 o come\u00e7o de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o. P\u00f3s-capitalista.\n<\/p><p>\nhttps:\/\/www.odiario.info\/assembleia-dos-coletes-amarelos-sera-necessario\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22840\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[233],"class_list":["post-22840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Wo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}