{"id":22844,"date":"2019-04-17T06:17:11","date_gmt":"2019-04-17T09:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22844"},"modified":"2019-04-17T06:17:16","modified_gmt":"2019-04-17T09:17:16","slug":"a-prisao-de-assange-e-uma-advertencia-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22844","title":{"rendered":"A pris\u00e3o de Assange \u00e9 uma advert\u00eancia da Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/uziiw38pmyg1ai60732c4011-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/dropzone\/2019\/04\/C03F73A4-88E9-46FD-BF17-C6B04F4C14AF.png\"\/><!--more--><\/p><p>\nPor John Pilger  &#8211;  ODIARIO.INFO\n<\/p><p>\nA pris\u00e3o de Julian Assange pela pol\u00edcia brit\u00e2nica e no interior da embaixada do Equador tem muitos aspectos verdadeiramente repugnantes, desde a trai\u00e7\u00e3o de Lenin Moreno \u00e0s mentiras com que essa viola\u00e7\u00e3o do direito de asilo tentou justificar-se. O crime de Assange \u00e9 divulgar fatos verdadeiros sobre como se comporta a criminosa elite que hoje comanda a maior parte do mundo. E, com Assange, s\u00e3o criminalizadas a difus\u00e3o da verdade e a dignidade do jornalismo.\n<\/p><p>\nEntrever Julian Assange sendo arrastado da embaixada equatoriana em Londres \u00e9 emblem\u00e1tico do tempo que vivemos. O poder contra o direito. O m\u00fasculo contra a lei. A indec\u00eancia contra a coragem. Seis policias maltratam um jornalista doente, cujos olhos piscam face \u00e0 primeira luz natural em quase sete anos.\n<\/p><p>\nQue esse ultraje tenha acontecido no cora\u00e7\u00e3o de Londres, na terra da Magna Carta, deveria envergonhar e irritar todos os que dizem temer pelas sociedades \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d. Assange \u00e9 um refugiado pol\u00edtico protegido pelo direito internacional, objeto de asilo ao abrigo de um acordo estrito do qual a Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 signat\u00e1ria. As Na\u00e7\u00f5es Unidas clarificaram-no na decis\u00e3o jur\u00eddica do seu Grupo de Trabalho sobre Deten\u00e7\u00e3o Arbitr\u00e1ria.\n<\/p><p>\nMas para o diabo com isso. Deixem entrar os bandidos. Dirigida pelos quase fascistas da Washington de Trump, em alian\u00e7a com o equatoriano Lenin Moreno, um mentiroso Judas latino-americano procurando disfar\u00e7ar o seu ran\u00e7oso regime, a elite brit\u00e2nica abandonou o seu derradeiro mito imperial: o da honestidade e da justi\u00e7a.\n<\/p><p>\nImaginem Tony Blair sendo arrastado da sua casa georgiana de muitos milh\u00f5es de libras em Connaught Square, Londres, algemado, para ser enviado para a enxovia em Haia. Pelos padr\u00f5es de Nuremberg, o \u201ccrime supremo\u201d de Blair \u00e9 a morte de um milh\u00e3o de iraquianos. O crime de Assange \u00e9 o jornalismo: responsabilizar os rapinantes, expor as suas mentiras e capacitar com a verdade as pessoas em todo o mundo.\n<\/p><p>\nA chocante pris\u00e3o de Assange comporta um aviso para todos os que, como Oscar Wilde escreveu, \u201ccosturam as sementes do descontentamento [sem as quais] n\u00e3o haveria avan\u00e7o para a civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. O aviso \u00e9 expl\u00edcito para os jornalistas. O que aconteceu com o fundador e editor do WikiLeaks pode acontecer com qualquer jornalista num jornal, num est\u00fadio de TV, na r\u00e1dio, com algu\u00e9m executando um podcast.\n<\/p><p>\nO principal atormentador midi\u00e1tico de Assange, o Guardian, um colaborador do Estado secreto, manifestou o seu nervosismo esta semana com um editorial que atingiu novas alturas no servilismo das ratazanas. O Guardian explorou o trabalho de Assange e do WikiLeaks naquilo que o seu editor anterior chamou de \u201co maior furo dos \u00faltimos 30 anos\u201d. O jornal apropriou-se das revela\u00e7\u00f5es do WikiLeaks e reivindicou os elogios e as riquezas que vieram com isso.\n<\/p><p>\nSem nenhum centavo indo para Julian Assange ou para o WikiLeaks, um elogiado livro do Guardian levou a um lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, voltaram-se contra a sua fonte, abusaram dela e revelaram a senha secreta que Assange havia dado ao jornal em sigilo, que fora concebida para proteger um arquivo digital contendo telegramas vazados de embaixadas norte-americanas.\n<\/p><p>\nCom Assange retido na embaixada equatoriana, Harding juntou-se \u00e0 pol\u00edcia no exterior e regozijou-se no seu blog que \u201ca Scotland Yard pode ser a \u00faltima a rir\u201d. O The Guardian publicou desde ent\u00e3o uma s\u00e9rie de falsidades sobre Assange, uma das quais tendo sido uma alega\u00e7\u00e3o sem qualquer cr\u00e9dito de que um grupo de russos e o homem de Trump, Paul Manafort, tinham visitado Assange na embaixada. Essas reuni\u00f5es nunca aconteceram; era falso.\n<\/p><p>\nMas o tom agora mudou. \u201cO caso Assange \u00e9 uma teia moralmente emaranhada\u201d, opinou o jornal. \u201cEle (Assange) acredita em publicar coisas que n\u00e3o deveriam ser publicadas\u2026Mas trouxe sempre \u00e0 luz coisas que nunca deveriam ter sido escondidas.\n<\/p><p>\nEssas \u201ccoisas\u201d s\u00e3o a verdade sobre o modo homicida como os EUA conduzem as suas guerras coloniais, as mentiras do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brit\u00e2nico na sua nega\u00e7\u00e3o de direitos a gente vulner\u00e1vel, como os ilh\u00e9us de Chagos, a den\u00fancia de Hillary Clinton como apoiante e benefici\u00e1ria do jihadismo no Oriente M\u00e9dio, a descri\u00e7\u00e3o detalhada de embaixadores norte-americanos sobre como os governos da S\u00edria e da Venezuela poderiam ser derrubados, e muito mais. Est\u00e1 tudo dispon\u00edvel no site do WikiLeaks.\n<\/p><p>\nO Guardian est\u00e1 compreensivelmente nervoso. Policiais secretos j\u00e1 visitaram o jornal e exigiram e conseguiram a destrui\u00e7\u00e3o ritual de um disco r\u00edgido. Nisto o jornal tem experi\u00eancia. Em 1983 uma funcion\u00e1ria do Minist\u00e9rio do Exterior, Sarah Tisdall, vazou documentos do governo brit\u00e2nico que mostravam quando chegariam \u00e0 Europa as armas nucleares de cruzeiro norte-americanas. O Guardian foi regado com elogios.\n<\/p><p>\nQuando uma ordem judicial exigiu conhecer a fonte, em vez de o editor ir para a pris\u00e3o em defesa do princ\u00edpio fundamental de prote\u00e7\u00e3o de uma fonte, Tisdall foi tra\u00edda, processada e cumpriu seis meses de pris\u00e3o.\n<\/p><p>\nSe Assange for extraditado para os EUA por publicar o que o Guardian chama de \u201ccoisas\u201d verdadeiras, o que impedir\u00e1 o atual editor, Katherine Viner, de fazer o mesmo, ou o editor anterior, Alan Rusbridger, ou o prol\u00edfico propagandista Luke Harding?\n<\/p><p>\nO que impedir\u00e1 os editores do New York Times e do Washington Post, que tamb\u00e9m publicaram trechos da verdade com origem no WikiLeaks, e o editor do El Pais na Espanha, e o Der Spiegel na Alemanha e o Sydney Morning Herald na Austr\u00e1lia? A lista \u00e9 longa.\n<\/p><p>\nDavid McCraw, advogado principal do New York Times, escreveu: \u201cPenso que a acusa\u00e7\u00e3o [de Assange] seria um precedente muito ruim para os editores\u2026 de tudo o que eu sei, ele parece estar na posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de um editor e a lei teria muita dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks. \u201d\n<\/p><p>\nMesmo que os jornalistas que publicaram os vazamentos do WikiLeaks n\u00e3o sejam intimados por um j\u00fari norte-americano, a intimida\u00e7\u00e3o de Julian Assange e Chelsea Manning j\u00e1 ser\u00e1 suficiente. O jornalismo real est\u00e1 sendo abertamente criminalizado por bandidos. A dissid\u00eancia tornou-se um devaneio.\n<\/p><p>\nNa Austr\u00e1lia, o atual embrutecido governo dos |EUA est\u00e1 processando dois informantes que revelaram que os espi\u00f5es de Canberra montaram escutas nas reuni\u00f5es do gabinete do novo governo de Timor-Leste, com o prop\u00f3sito expresso de espoliar a pequena e empobrecida na\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 parte do petr\u00f3leo e recursos de g\u00e1s no Mar de Timor que lhe \u00e9 devida. O julgamento ser\u00e1 realizado em segredo. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, tem o infame reconhecimento da sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de campos de concentra\u00e7\u00e3o para refugiados nas ilhas do Pac\u00edfico de Nauru e Manus, onde crian\u00e7as se automutilam e se suicidam. Em 2014, Morrison prop\u00f4s campos de deten\u00e7\u00e3o em massa para 30.000 pessoas.\n<\/p><p>\nO jornalismo real \u00e9 o inimigo dessas desgra\u00e7as. H\u00e1 uma d\u00e9cada, o Minist\u00e9rio da Defesa em Londres produziu um documento secreto que descrevia as tr\u00eas principais amea\u00e7as \u00e0 ordem p\u00fablica: terroristas, espi\u00f5es russos e jornalistas investigadores. Esta \u00faltima era designada como a maior amea\u00e7a.\n<\/p><p>\nO documento foi vazado para o WikiLeaks, que o publicou. \u201cN\u00e3o tivemos escolha\u201d, disse-me Assange. \u201c\u00c9 muito simples. As pessoas t\u00eam o direito de saber e o direito de questionar e desafiar o poder. \u00c9 isso a verdadeira democracia.\n<\/p><p>\nE se Assange, Manning e outros da sua linha &#8211; se houver outros &#8211; forem silenciados e \u201co direito de saber, questionar e desafiar\u201d for retirado?\n<\/p><p>\nNa d\u00e9cada de 1970, conheci Leni Riefenstahl, amiga \u00edntima de Adolf Hitler, cujos filmes ajudaram a lan\u00e7ar a maldi\u00e7\u00e3o nazista sobre a Alemanha.\n<\/p><p>\nEla disse-me que a mensagem nos seus filmes, a propaganda, dependia n\u00e3o de \u201cordens vindas de cima\u201d, mas daquilo que chamava o \u201cvazio submisso\u201d do p\u00fablico.\n<\/p><p>\n\u201cEsse vazio submisso incluiu a burguesia liberal e educada?\u201d Perguntei-lhe.\n<\/p><p>\n\u201c\u00c9 claro\u201d, ela disse, \u201cespecialmente a elite\u2026. Quando as pessoas deixam de colocar perguntas s\u00e9rias, s\u00e3o submissas e male\u00e1veis. Tudo pode acontecer.\u201d\n<\/p><p>\nE aconteceu. O resto, poderia ela ter acrescentado, \u00e9 hist\u00f3ria.\n<\/p><p>\nDesenho de Nathaniel St. Clair\n<\/p><p>\nFonte: https:\/\/www.counterpunch.org\/2019\/04\/12\/the-assange-arrest-is-a-warning-from-history\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22844\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[227],"class_list":["post-22844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5Ws","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}