{"id":2286,"date":"2012-01-19T21:39:25","date_gmt":"2012-01-19T21:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2286"},"modified":"2012-01-19T21:39:25","modified_gmt":"2012-01-19T21:39:25","slug":"a-participacao-de-itaipu-na-operacao-condor-durante-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2286","title":{"rendered":"A participa\u00e7\u00e3o de Itaipu na Opera\u00e7\u00e3o Condor durante a ditadura"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisas realizadas pelo escritor e jornalista Alu\u00edzio Palmar, fluminense radicado no Paran\u00e1 e autor de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.travessadoseditores.com.br\/index.php?tras=secao.php&amp;area=10&amp;id=49&amp;aresenha=1#resenha\" target=\"_blank\">Onde foi que voc\u00eas enterraram nossos mortos?<\/a>, e pela Mestre em Hist\u00f3ria pela PUC-SP, Jussaramar da Silva, t\u00eam dado, nos \u00faltimos anos, mais uma medida de como conhecemos pouco acerca da opera\u00e7\u00e3o molecular do aparato repressivo da ditadura militar brasileira (1964-1985).<\/p>\n<p>Essas pesquisas, feitas na Delegacia da Pol\u00edcia Federal em Foz do Igua\u00e7u (PR), no Arquivo do DOPS do Paran\u00e1 e no\u00a0<em>Centro de Documentaci\u00f3n y Archivo para la Defensa de los Derechos Humanos del Palacio de Justicia<\/em>, no Paraguai, tamb\u00e9m conhecido como Arquivo do Terror, mostram a estreita colabora\u00e7\u00e3o das empreiteiras respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Itaupu na ca\u00e7a, espionagem, repress\u00e3o, dela\u00e7\u00e3o e assassinatos de cidad\u00e3os brasileiros e paraguaios (e tamb\u00e9m uruguaios e argentinos) durante as ditaduras do Cone Sul. Palmar vem publicando\u00a0<a href=\"http:\/\/www.torturanuncamais-rj.org.br\/artigos.asp?Codartigo=32&amp;ecg=0\" target=\"_blank\">textos<\/a> sobre o assunto nos \u00faltimos anos, Jussaramar defendeu sua disserta\u00e7\u00e3o em 2010; anteontem, foram publicadas outras provas no site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.documentosrevelados.com.br\/documentos\/easi-itaipu\/aesiitaipu-cedeu-espiao-para-sni\/\" target=\"_blank\">Documentos Revelados<\/a>. Mas o assunto n\u00e3o tem sido tratado com muita aten\u00e7\u00e3o pela imprensa brasileira.<\/p>\n<p>Essas pesquisas revelam que, de 1973 a 1988. Itaipu foi um reduto de militares e policiais torturadores. Durante a ditadura, as AESIs (Assessorias Especiais de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es), vinculadas \u00e0 Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es (DSI) e subordinadas ao Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), atuavam em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como universidades, autarquias e empresas estatais. A AESI instalada na Usina de Itaupu manteve\u00a0<a href=\"http:\/\/aluiziopalmar.wordpress.com\/documentos-do-servico-de-inteligencia-da-itaipu\/inteligencia-da-itaipu-buscava-militantes-argentinos-para-entregar-a-condor\/\" target=\"_blank\">comunica\u00e7\u00e3o constante<\/a> com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia brasileiro, uruguaio, paraguaio e, a partir de 1976, argentino. Tamb\u00e9m trabalhou diretamente em sequestros e assassinatos.<\/p>\n<p>O trabalho de Jussaramar da Silva\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ichs.ufop.br\/memorial\/trab2\/h414.pdf\" target=\"_blank\">aprofundou<\/a> a compreens\u00e3o do extenso envolvimento de Itaipu no terrorismo de Estado. A AESI-Itaipu n\u00e3o apenas espionava, coletava informa\u00e7\u00f5es e delatava cidad\u00e3os para os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o brasileiro e cone-sulistas. Ela tamb\u00e9m cumpria o papel de torturar e matar ou \u201cdesaparecer\u201d suspeitos de atividades \u201csubversivas\u201d (conceito que, durante a ditadura, como sabemos, era bastante el\u00e1stico). Entre os in\u00fameros exemplos, est\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o de que os militares brasileiros respons\u00e1veis pelo sequestro e assassinato do m\u00e9dico ortopedista argentino Agost\u00edn Goibur\u00fa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elcorreo.eu.org\/?Documentos-revelan-la&amp;lang=fr\" target=\"_blank\">eram vinculados<\/a> \u00e0 Assessoria Especial de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00f5es de Itaipu.<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio canteiro de obras da usina, operava um aparelho paralelo mantido pelo cons\u00f3rcio de construtoras Unicon, que realizava as a\u00e7\u00f5es mais secretas de tortura, assassinato e desaparecimento. Ao contr\u00e1rio das AESIs localizadas, por exemplo, em universidades, que se ocupavam \u201csomente\u201d da espionagem e da dela\u00e7\u00e3o, a AESI de Itaipu foi tamb\u00e9m um bra\u00e7o armado da ditadura militar. \u00c9 mais um exemplo do que poder\u00edamos chamar a dimens\u00e3o molecular do terrorismo de Estado, seus desdobramentos cotidianos no bojo do pr\u00f3prio projeto de \u201cdesenvolvimento nacional\u201d impulsionado pelos militares.<\/p>\n<p>Ainda falta muito, mas a cada pe\u00e7a que se desarquiva, ilustra-se de novo o axioma benjaminiano acerca da inseparabilidade entre documentos de civiliza\u00e7\u00e3o (ou de cultura) e documentos de barb\u00e1rie. Subjacente \u00e0s grandes obras do progresso, como sua condi\u00e7\u00e3o de possibilidade silenciosa, h\u00e1 sempre um rastro de sangue. Essa li\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessa de reiterar sua atualidade.<\/p>\n<p>Idelber Avelar \u00e9 colunista da Revista F\u00f3rum outro mundo em debate.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a Cristina Blanco por ter me chamado a aten\u00e7\u00e3o a este material.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/revistaforum.com.br\/idelberavelar\/2012\/01\/15\/a-participacao-de-itaipu-na-operacao-condor-durante-a-ditadura\/\" target=\"_blank\">http:\/\/revistaforum.com.br\/idelberavelar\/2012\/01\/15\/a-participacao-de-itaipu-na-operacao-condor-durante-a-ditadura\/<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Latuff\n\n\n\n\n\n\n\n\nIdelber Avelar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2286\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-2286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-AS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}