{"id":22862,"date":"2019-04-19T03:35:32","date_gmt":"2019-04-19T06:35:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=22862"},"modified":"2019-04-19T03:35:37","modified_gmt":"2019-04-19T06:35:37","slug":"venezuela-a-ameaca-imperialista-e-o-risco-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22862","title":{"rendered":"Venezuela: a amea\u00e7a imperialista e o risco da guerra"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/opera-218x150.jpg\"\/><!--more-->Notas sobre a Venezuela: as coisas da guerra est\u00e3o sujeitas a cont\u00ednua mudan\u00e7a\n<\/p><p>\npor Euclides Vasconcelos \n<\/p><p>\nRevista Opera\n<\/p><p>\n\u00c9 do estadista franc\u00eas Georges Clemenceau a frase \u201ca guerra \u00e9 demasiado s\u00e9ria para deix\u00e1-la em m\u00e3os dos generais\u2019\u2019. Ao coment\u00e1-la, o historiador italiano Domenico Losurdo nos lan\u00e7ou uma luz que precisa ser bem aproveitada: \u201cos especialistas frequentemente s\u00e3o capazes de ver as \u00e1rvores, mas n\u00e3o a floresta, eles se deixam absorver pelos detalhes perdendo de vista o global; neste caso sabem tudo, menos o que \u00e9 essencial\u2019\u2019 [1]. Com uma amea\u00e7a de guerra rondando nossa regi\u00e3o, essas linhas s\u00e3o de alguma valia.\n<\/p><p>\nEm guerra e em pol\u00edtica cedo se aprende a n\u00e3o fazer previs\u00f5es, mas ficar alheio aos cen\u00e1rios que se projetam \u00e9 tamb\u00e9m um erro, e talvez o mais grave. No horizonte sul-americano desenha-se em linhas claras a possibilidade de uma guerra contra a Venezuela. Guerra essa que, chegada \u00e0s vias de fato, ser\u00e1 o maior banho de sangue da hist\u00f3ria do nosso continente, fazendo a guerra contra o Paraguai parecer brincadeira de crian\u00e7a.  \n<\/p><p>\nEste texto n\u00e3o tem o objetivo de convencer o leitor da possibilidade da guerra. N\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 uma possibilidade como ela ocupa, hoje, lugar de destaque no leque que visa uma mudan\u00e7a de governo na rep\u00fablica bolivariana. Falharam os recursos \u00e0 via eleitoral, aos dist\u00farbios de rua (as guarimbas em 2017) e o atentado ao alto escal\u00e3o governamental em uma cerim\u00f4nia p\u00fablica em agosto de 2018. No mesmo sentido, os est\u00edmulos a dissid\u00eancias, compl\u00f4s e tentativa de golpes nas For\u00e7as Armadas est\u00e3o sendo continuamente desbaratados pelo governo. A cada tentativa falha, aproxima-se o recurso da guerra.\n<\/p><p>\nDa mesma forma, este n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o para o convencimento de que na pol\u00edtica (especialmente na guerra, a sua fase mais bruta) n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para que fiquemos em cima do muro. Desde h\u00e1 mais de um s\u00e9culo o continente americano foi palco de dezenas de epis\u00f3dios de interven\u00e7\u00f5es diretas por parte dos Estados Unidos e outras incont\u00e1veis interfer\u00eancias sem a deflagra\u00e7\u00e3o formal de um conflito. Isso, por si s\u00f3, j\u00e1 deveria bastar para que todos os defensores da mais \u00ednfima autonomia dos povos fossem radicalmente contra qualquer amea\u00e7a de guerra. A quest\u00e3o aqui \u00e9 bem menos, quase nada, sobre o governo Nicol\u00e1s Maduro, seus acertos e seus erros. \u00c9 muito mais sobre a pergunta: quantos Allendes devem morrer para o povo latino perder a vergonha de se defender? [2]\n<\/p><p>\nEntramos ent\u00e3o, e finalmente, no m\u00e9rito: deixar claro de que forma o cen\u00e1rio para a guerra se organiza e que papel o Estado brasileiro vem cumprindo. Nunca \u00e9 sup\u00e9rfluo lembrar: esse exerc\u00edcio \u00e9 como tatear um terreno escuro onde, aqui e ali, ora sim, ora n\u00e3o, um feixe de luz ilumina parte do cen\u00e1rio e das personagens que o comp\u00f5em. Trata-se de uma tese em que os protagonistas s\u00e3o Estados e suas institui\u00e7\u00f5es se preparam para eventos de grande escala. As informa\u00e7\u00f5es tornadas p\u00fablicas s\u00e3o poucas e a confiabilidade de muitas, question\u00e1vel. Como tese, pode conter equ\u00edvocos, estar parcialmente correta ou pode ser engolida por novos acontecimentos. Tempo ao tempo.\n<\/p><p>\nA reboque dos interesses de terceiros: o papel do Brasil\n<\/p><p>\nQuase dois anos atr\u00e1s, por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do Amazonlog17, escrevi um texto [3] alertando para o papel que o Estado brasileiro, j\u00e1 naquele momento, passava a cumprir no processo de press\u00e3o contra a Venezuela. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, tropas dos Estados Unidos participaram de um exerc\u00edcio militar na nossa Amaz\u00f4nia, ao lado de outros pa\u00edses, entre eles o Peru e a Col\u00f4mbia, al\u00e9m de observadores de outras na\u00e7\u00f5es. Definido nos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito e do Minist\u00e9rio da Defesa como um exerc\u00edcio log\u00edstico de prepara\u00e7\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es de crise humanit\u00e1ria, \u00e9 um elemento para clarificar qual seria o papel do Brasil, hoje, num cen\u00e1rio de guerra pr\u00f3ximo de nossas fronteiras.\n<\/p><p>\nNo fim de 2017 a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela era outra, assim como no Brasil. Aqui, ainda sob o governo Temer, o Estado brasileiro passara a empreender uma s\u00e9rie de medidas diplom\u00e1ticas visando ao isolamento cada vez mais profundo do pa\u00eds, como foi a sua suspens\u00e3o do Mercosul. Dando um salto temporal, com a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro e a escolha para o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de um homem que defende uma guerra no nosso continente, integrante de um grupo com apoio maci\u00e7o dos EUA, que vem pressionando cada vez mais o governo brasileiro para usar a for\u00e7a contra a Venezuela. Por ora, esse grupo vem sendo barrado por um segundo, este composto por boa parte dos generais da ativa, dos quais falaremos mais \u00e0 frente.\n<\/p><p>\nNo texto apontei, em linhas gerais e bastante simplificadas, tr\u00eas dos modus operandi dos EUA para a mudan\u00e7a de regime nos pa\u00edses que contrariam seus interesses. O primeiro, de financiamento da oposi\u00e7\u00e3o interna e\/ou est\u00edmulo a manifesta\u00e7\u00f5es violentas orientadas para a derrubada de um governo. O segundo, a organiza\u00e7\u00e3o de uma coaliz\u00e3o de pa\u00edses vizinhos cuja postura seja agressiva contra o pa\u00eds alvo. Uma guerra econ\u00f4mica, diplom\u00e1tica e, em casos extremos, uma agress\u00e3o militar. Por fim, o terceiro recurso seria a agress\u00e3o direta e aberta pelos pr\u00f3prios EUA contra o pa\u00eds alvo. Os tr\u00eas caminhos n\u00e3o s\u00e3o excludentes e onde foram aplicados o foram de maneira mesclada. Na Venezuela n\u00e3o seria diferente. Desde h\u00e1 algum tempo est\u00e1 em curso a organiza\u00e7\u00e3o da coaliz\u00e3o latino-americana, tendo sua formaliza\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Lima.\n<\/p><p>\nAlgumas an\u00e1lises do cen\u00e1rio sul-americano t\u00eam tomado um ponto de partida viciado: buscam calcular, atrav\u00e9s do poderio militar dos pa\u00edses da regi\u00e3o, quem \u201cganharia\u201d uma guerra em nosso continente. Assim, acabam por ponderar sobre a capacidade t\u00e9cnica brasileira versus a venezuelana ou ainda colombiana versus venezuelana, como se o que o futuro desenha fosse um conflito entre dois Estados. Se assim o fosse, basta dizer que nenhum pa\u00eds ao sul dos EUA possui capacidade t\u00e9cnica equipar\u00e1vel \u00e0 venezuelana. N\u00e3o me demoro aqui; basta dizer que n\u00e3o acontecer\u00e1 uma guerra do Brasil contra a Venezuela e, portanto, an\u00e1lises desse tipo est\u00e3o comprometidas em seu ponto de partida. O cen\u00e1rio que se projeta \u00e9 a de uma coaliz\u00e3o de pa\u00edses versus Venezuela e \u00e9 dentro dessa coaliz\u00e3o que o Brasil j\u00e1 vem cumprindo o seu papel, que n\u00e3o \u00e9 o de agressor principal.\n<\/p><p>\nMas mesmo essa coaliz\u00e3o guarda ainda uma particularidade: os pa\u00edses sul-americanos que j\u00e1 funcionam como \u201ctropa de choque\u201d diplom\u00e1tica e econ\u00f4mica atrav\u00e9s do Grupo de Lima, mesmo reunidos, n\u00e3o s\u00e3o militarmente equipar\u00e1veis ao Estado venezuelano (tendo em mente que mesmo esse \u201cc\u00e1lculo de equival\u00eancia\u2019\u2019 \u00e9 problem\u00e1tico j\u00e1 que o aspecto t\u00e9cnico \u00e9 apenas um dentre tantos elementos). Sendo assim, qualquer incurs\u00e3o militar contra a Venezuela precisa contar com algum n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o ativa dos Estados Unidos para ter alguma chance de sucesso, e esse \u00e9 um ponto de tens\u00e3o na regi\u00e3o. Os pa\u00edses sul-americanos est\u00e3o temerosos pela sua pr\u00f3pria incapacidade, ao passo que os EUA cada vez mais pressionam pelo uso da for\u00e7a, tensionando o in\u00edcio de uma guerra.\n<\/p><p>\nDesde h\u00e1 cerca de dois anos, o Brasil cumpre de maneira planejada a administra\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o dos venezuelanos que deixam o pa\u00eds pela deteriora\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es de vida. A Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, em Roraima, e a mobiliza\u00e7\u00e3o do Estado para realocar os civis venezuelanos pelo territ\u00f3rio nacional s\u00e3o exemplos desse papel que vem sendo cumprido com sucesso. Voltando ao Amazonlog, realizado na cidade de Tabatinga, na tr\u00edplice fronteira entre o Brasil, o Peru e a Col\u00f4mbia, o exerc\u00edcio dotou as For\u00e7as Armadas brasileiras de ensaios para o cen\u00e1rio de uma crise humanit\u00e1ria de grandes propor\u00e7\u00f5es. E qual \u00e9 o cen\u00e1rio causador de uma crise desse tipo? Uma guerra.\n<\/p><p>\nEis o motivo pelo qual, ao meu ver, \u00e9 viciada a avalia\u00e7\u00e3o que busca \u201ccalcular\u2019\u2019 os pormenores de uma guerra entre Brasil e Venezuela. Se levarmos em conta apenas dois fatores: a disparidade t\u00e9cnica e principalmente as condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas da fronteira Brasil-Venezuela, uma guerra de agress\u00e3o a partir daqui seria um tiro no p\u00e9 digno de um amadorismo barato, e nossos militares n\u00e3o s\u00e3o amadores. Cada uma dessas vari\u00e1veis, e outras tantas, foram calculadas mais de uma vez e \u00e9 por isso que, no momento, o del\u00edrio aventureiro do chanceler e sua trupe encontra seu freio no grupo de generais que tutela o governo Bolsonaro.\n<\/p><p>\nO ensaio que o Estado brasileiro vem empreendendo \u00e9 de garantia da retaguarda de um conflito e de administra\u00e7\u00e3o do pandem\u00f4nio que se seguiria, com massas de refugiados buscando seguran\u00e7a em qualquer lugar que n\u00e3o haja guerra. Voltemos os olhos para o Oriente M\u00e9dio e \u00e0s guerras sem fim que o converteram numa colcha de retalhos banhada em sangue. Quantos civis iraquianos e afeg\u00e3os morreram nesses anos de conflito? Quantos outros fugiram de seus pa\u00edses e qual o impacto dessa massa de desabrigados nos pa\u00edses vizinhos? Quantos palestinos s\u00e3o obrigados a viver no ex\u00edlio na medida em que o avan\u00e7o de Israel sobre suas terras n\u00e3o cessa? Roraima, o nosso estado fronteiri\u00e7o (e os estados vizinhos) tem alguma condi\u00e7\u00e3o de lidar com milhares ou mesmo milh\u00f5es de refugiados de guerra? Eu diria que n\u00e3o.\n<\/p><p>\nIsso n\u00e3o determina todo o futuro, \u00e9 claro. N\u00e3o significa que a participa\u00e7\u00e3o brasileira se encerre nesse \u00e2mbito. Nada impede, por exemplo, a participa\u00e7\u00e3o brasileira no comando de tropas pr\u00f3prias de outro ponto de partida ou no comando de tropas de outro pa\u00edses. Nada impede, tamb\u00e9m, o uso do territ\u00f3rio brasileiro para fins do conflito. O ponto aqui \u00e9 que o Brasil, sozinho, n\u00e3o ser\u00e1 ponta de lan\u00e7a numa agress\u00e3o ao nosso vizinho. Mas aqui ultrapassamos a linha da proje\u00e7\u00e3o para a adivinha\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios, onde prefiro n\u00e3o me aventurar.\n<\/p><p>\nCabe a n\u00f3s ent\u00e3o a pergunta: o que ganha o Brasil com tamanha escalada de tens\u00f5es? O que tem a ganhar os brasileiros com uma guerra em nossas fronteiras? O grupo dirigente brasileiro \u00e9 t\u00e3o irrespons\u00e1vel e de tal forma subordinado a interesses que n\u00e3o os seus, que chega realmente a cogitar um conflito que poderia at\u00e9 mesmo arrastar com ele uma parte da nossa floresta amaz\u00f4nica, seja atrav\u00e9s de algo como uma \u201cbalcaniza\u00e7\u00e3o\u2019\u2019 da regi\u00e3o ou da instala\u00e7\u00e3o de uma base militar estrangeira que dificilmente seria desativada. \u00c9 criminoso estarem dispostos a ceder vidas brasileiras, recursos nacionais e arriscar a destrui\u00e7\u00e3o ou mesmo a perda de partes do nosso territ\u00f3rio em nome de interesses que n\u00e3o os nossos.\n<\/p><p>\nN\u00e3o veremos um novo Paraguai: a confian\u00e7a nas pr\u00f3prias for\u00e7as\n<\/p><p>\n\u2018\u2019Todos os cidad\u00e3os ser\u00e3o soldados quando formos atacados pelo inimigo.\u2019\u2019 Sim\u00f3n Bol\u00edvar, Manifesto de Cartagena.\n<\/p><p>\nA guerra do Paraguai \u00e9 at\u00e9 hoje o maior conflito armado no palco de opera\u00e7\u00f5es sul-americano. Com a ofensiva da Tr\u00edplice Alian\u00e7a (Brasil, Argentina e Uruguai) em territ\u00f3rio paraguaio, \u00e9 imposs\u00edvel contabilizar a totalidade de civis mortos e tornados inv\u00e1lidos, mas estima-se que, ao final da guerra, 70% da popula\u00e7\u00e3o masculina do pa\u00eds tenha morrido. A n\u00f3s interessa no momento explorar a mem\u00f3ria do conflito e como os Estados da regi\u00e3o lidam com ele, mais precisamente o Brasil e uma personagem n\u00e3o envolvida no conflito: a Venezuela.\n<\/p><p>\nEssa guerra se configurou pe\u00e7a central na constru\u00e7\u00e3o da ideia de P\u00e1tria do Estado nacional brasileiro e \u00e9 constantemente rememorada como feito her\u00f3ico e consolidador da nossa nacionalidade, como prova de nosso protagonismo no continente e expertise em confronto. A historiografia ligada ao Estado brasileiro e suas For\u00e7as Armadas tratou de transformar o conflito em um dos mitos fundadores de nossa identidade e, especialmente, da identidade do nosso Ex\u00e9rcito. Mas o que importa aqui \u00e9 ressaltar o papel que reivindicamos para n\u00f3s enquanto pot\u00eancia regional: o de um potencial agressor, em nome de sabe-se l\u00e1 o que. Isso n\u00e3o foi ignorado pelos demais pa\u00edses sul-americanos. O nosso desenvolvimento deu-se de costas para o continente, e muitas vezes \u00e0s custas deste.\n<\/p><p>\nDe que nos interessa saber disso? A guerra do Paraguai foi um epis\u00f3dio constantemente rememorado pelo ex-presidente Hugo Ch\u00e1vez como exemplo da disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e capacidade t\u00e9cnica do Estado brasileiro em sufocar um pa\u00eds vizinho. Os dirigentes venezuelanos n\u00e3o est\u00e3o alheios \u00e0s considera\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o militar e de defesa nacional e sempre mantiveram os olhos voltados para esse aspecto, como n\u00e3o poderia ser diferente.\n<\/p><p>\nHoje, passados exatamente 20 anos da primeira elei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez, o debate acerca da defesa nacional e a elabora\u00e7\u00e3o de uma doutrina militar anti-imperialista j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um projeto. Existe um extenso ac\u00famulo te\u00f3rico que encontra ra\u00edzes nas guerras de independ\u00eancia da Am\u00e9rica espanhola, nas elabora\u00e7\u00f5es de militares venezuelanos pr\u00e9-bolivarianismo e nas experi\u00eancias para al\u00e9m das pr\u00f3prias fronteiras, especialmente nos casos da China, do Vietn\u00e3 e de Cuba. As formula\u00e7\u00f5es de Mao Ts\u00e9-Tung ocupam espa\u00e7o central nas academias militares venezuelanas, uma vez que o l\u00edder chin\u00eas foi um dos maiores estrategistas e te\u00f3ricos militares do s\u00e9culo passado e elaborou um pensamento que re\u00fane em si princ\u00edpios comuns com qualquer tentativa de ruptura radical em pa\u00edses subdesenvolvidos (ou, como eram chamados \u00e0 \u00e9poca, terceiro-mundistas). O pr\u00f3prio Ch\u00e1vez era um dedicado leitor de Mao e adepto da doutrina de guerra popular do l\u00edder comunista asi\u00e1tico.\n<\/p><p>\nPor\u00e9m, t\u00e3o importante quanto uma correta elabora\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o te\u00f3rica do fen\u00f4meno \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de tais princ\u00edpios. Para o que se prop\u00f5e este texto, precisamos ir a fundo em como, em termos pr\u00e1ticos, est\u00e1 organizada a Venezuela para a defesa nacional.\n<\/p><p>\nA For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana (FANB) \u00e9 integrada por cinco componentes: a Armada Nacional, a Avia\u00e7\u00e3o Militar, o Ex\u00e9rcito Nacional, a Guarda Nacional e a Mil\u00edcia Nacional Bolivariana, que funciona como um agrupamento de reserva. Ao longo dos governos Hugo Ch\u00e1vez, as for\u00e7as passaram por um grande processo de mudan\u00e7a para al\u00e9m dos j\u00e1 citados esfor\u00e7os pol\u00edticos-doutrin\u00e1rios. Por ora, n\u00e3o olharemos aos termos t\u00e9cnicos. No que toca ao equipamento, a Venezuela est\u00e1 muito bem armada. Muito melhor que o Brasil, ali\u00e1s. O Estado venezuelano empreendeu um projeto para reequipar e modernizar suas For\u00e7as Armadas, indo desde a aquisi\u00e7\u00e3o de milhares de fuzis de assalto Kalashnikov modelo AK-103 para substituir os FAL belgas que armavam as for\u00e7as desde 1950 [4] at\u00e9 a compra de jatos Su-30 russos, o que colocou o pa\u00eds em posse dos melhores ca\u00e7as da regi\u00e3o [5]. Voltemos os olhos para o quinto componente da FANB, seu agrupamento de reserva, a Mil\u00edcia Nacional Bolivariana.\n<\/p><p>\nEm dezembro de 2018, durante um evento marcando os 188 anos da morte de Bol\u00edvar, o presidente Maduro falou aos membros da Mil\u00edcia Nacional Bolivariana sobre a amea\u00e7a de invas\u00e3o e o papel dos milicianos, que segundo ele j\u00e1 s\u00e3o 1,6 milh\u00f5es, nesse cen\u00e1rio. O tom do discurso destacou a import\u00e2ncia da MNB para a defesa do pa\u00eds nos tempos que se aproximam e rememorou a lideran\u00e7a de Ch\u00e1vez: \u201cFoi uma tarefa que nos deixou o comandante Ch\u00e1vez, levar a mil\u00edcia a todo o territ\u00f3rio nacional (\u2026) Temos que preparar um plano perfeito para que os milicianos tenham sua prepara\u00e7\u00e3o permanente e saibam como cumprir sua miss\u00e3o no momento em que sejam chamados ao combate\u2019\u2019 [6]. Mas, afinal, o que isso significa na pr\u00e1tica?\n<\/p><p>\nDo ponto de vista defensivo, o territ\u00f3rio venezuelano est\u00e1 dividido em setores capacitados para atuarem de forma auto-suficiente se necess\u00e1rio. Trata-se de um conjunto de medidas pol\u00edticas, administrativas, jur\u00eddicas, econ\u00f4micas e militares que garantem a prepara\u00e7\u00e3o, desde os tempos de paz, de todos os cidad\u00e3os (civis e militares) para lidar com a defesa de sua regi\u00e3o em caso de guerra. Isso significa dizer que o pa\u00eds est\u00e1 previamente dividido e subdividido.  Ou seja: para cada uma das zonas maiores, existem centenas e milhares de unidades menores, preparadas para funcionar como um \u201cpequeno vespeiro\u201d em caso de agress\u00e3o. Ser\u00e3o regi\u00f5es que a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1 tratar de defender em armas, sendo essa a medula da no\u00e7\u00e3o de guerra popular, j\u00e1 mencionada como orientadora do pensamento militar bolivariano.\n<\/p><p>\nO car\u00e1ter desse tipo de prepara\u00e7\u00e3o implica que uma guerra de ocupa\u00e7\u00e3o seria por demais custosa ao inimigo. Falando dos Estados Unidos, as duas principais guerras em que embarcaram nos \u00faltimos anos, Iraque e Afeganist\u00e3o (a S\u00edria \u00e9 um caso a parte), p\u00f4de-se observar um certo padr\u00e3o de sucessos e falhas. As for\u00e7as estadunidenses conseguiram com sucesso sobrepor as for\u00e7as regulares iraquianas e afeg\u00e3s gra\u00e7as ao seu incontest\u00e1vel poderio, principalmente a\u00e9reo. Por\u00e9m, uma vez derrotadas as for\u00e7as regulares, a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio encontrou absurda resist\u00eancia por parte da popula\u00e7\u00e3o civil, que organizou-se em grupos armados para acossar permanentemente as for\u00e7as estadunidenses. Em solo, os EUA perderam e perdem muitos combatentes para os grupos iraquianos e afeg\u00e3os que se insurgiram contra a ocupa\u00e7\u00e3o em m\u00e9todos de combate irregular, principalmente a guerrilha. Por mais preparadas que sejam as for\u00e7as ocupantes em m\u00e9todos de contra-insurg\u00eancia, existem fatores em que um soldado em territ\u00f3rio estrangeiro jamais se igualar\u00e1 a um cidad\u00e3o que v\u00ea sua terra ocupada, como o conhecimento do terreno e o \u00edmpeto da luta.\n<\/p><p>\nE por qu\u00ea importa a rea\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ao poder ocupante? A ocupa\u00e7\u00e3o de um terreno possui objetivos que remontam aos mil\u00eanios de atividade guerreira dos seres humanos: o saque, o roubo. No caso contempor\u00e2neo, principalmente petr\u00f3leo. A extra\u00e7\u00e3o, refino (nos casos onde \u00e9 feito no pr\u00f3prio pa\u00eds), transporte at\u00e9 os portos e embarque nos navios necessitam de algo que est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local: estabilidade. A estabilidade dos dominantes, claro, mas ainda assim estabilidade. A log\u00edstica da situa\u00e7\u00e3o exige trabalhadores, boas estradas, meios de transporte e uma seguran\u00e7a m\u00ednima para deslocamento. Nada disso est\u00e1 garantido quando grupos est\u00e3o dispostos a impedir permanentemente a ocupa\u00e7\u00e3o inimiga, seja com ataques diretos ou sabotagem de ferrovias, estradas, ve\u00edculos de transporte, etc.\n<\/p><p>\nE qual a especificidade do caso venezuelano que multiplica o fator popular na balan\u00e7a estrat\u00e9gica? \u00c9 que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 organizada e preparada em armas desde antes de qualquer agress\u00e3o. Se no Oriente M\u00e9dio ocupado h\u00e1 tanta resist\u00eancia, que dir\u00e1 da Venezuela onde h\u00e1 anos a popula\u00e7\u00e3o se prepara para qualquer cen\u00e1rio? Mais uma vez devemos muito ao g\u00eanio estrat\u00e9gico de Ch\u00e1vez.\n<\/p><p>\nChegamos ent\u00e3o, finalmente, \u00e0 Mil\u00edcia Nacional Bolivariana. Como agrupamento de reserva, funciona como for\u00e7a auxiliar, com fun\u00e7\u00f5es integradas \u00e0s demais for\u00e7as ou ainda independentes. Por exemplo: os efetivos do Ex\u00e9rcito possuem um car\u00e1ter de mobilidade. Embora possuam seus postos, s\u00e3o preparados para se deslocarem com efetividade quando necess\u00e1rio. Se em determinado local do pa\u00eds um agrupamento for exterminado ou feito prisioneiro, o Estado precisa estar preparado para realocar as suas for\u00e7as. O car\u00e1ter dos agrupamentos de mil\u00edcia \u00e9 outro. S\u00e3o civis treinados militarmente, n\u00e3o soldados profissionais. Possuem trabalhos aos quais precisam comparecer e n\u00e3o est\u00e3o dotados de equipamento e log\u00edstica que permitam mover-se rapidamente. Esse car\u00e1ter local faz com a sua fun\u00e7\u00e3o defensiva tamb\u00e9m seja local.\n<\/p><p>\nS\u00e3o grupos pequenos e destinados a fun\u00e7\u00f5es concentradas, como a defesa de uma f\u00e1brica ou estrada de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica ou ainda, se necess\u00e1rio for, a destrui\u00e7\u00e3o desta mesma f\u00e1brica ou estrada, para evitar que caiam em m\u00e3os inimigas. Esse car\u00e1ter concentrado \u00e9 o respons\u00e1vel pela no\u00e7\u00e3o de \u201cvespeiro\u201d onde a popula\u00e7\u00e3o em armas \u00e9 a respons\u00e1vel por importunar as for\u00e7as inimigas onde quer que elas estejam. Assim, mesmo que as for\u00e7as armadas do pa\u00eds sejam derrotadas, o processo de ocupa\u00e7\u00e3o inimiga ser\u00e1 por demais custoso.\n<\/p><p>\nA cria\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias remonta a 2005, fruto da cada vez mais profunda uni\u00e3o c\u00edvico-militar e da no\u00e7\u00e3o de que as For\u00e7as Armadas, sozinhas, possuem recursos limitados diante do poderio militar estadunidense. Um extenso trabalho de agita\u00e7\u00e3o e propaganda foi feito pelo presidente Ch\u00e1vez entre a popula\u00e7\u00e3o para criar o convencimento da necessidade de participa\u00e7\u00e3o no setor defensivo, ao passo que tamb\u00e9m \u00e9 feito um trabalho de convencimento dos oficiais militares da urg\u00eancia de uma quinta for\u00e7a, preparada nos moldes da guerra n\u00e3o-convencional, irregular.\n<\/p><p>\nEst\u00e3o entre as atribui\u00e7\u00f5es da MNB alistar, equipar e treinar seus combatentes, al\u00e9m de atribui\u00e7\u00f5es administrativas em suas regi\u00f5es. Tudo como prepara\u00e7\u00e3o para uma situa\u00e7\u00e3o, cada vez menos hipot\u00e9tica, onde seja preciso atuar de forma independente. As MNB subdvidem-se em Mil\u00edcias Territoriais e Corpos Combatentes. Em linhas gerais, a primeira diz respeito \u00e0queles maiores de 18 anos e moradores de determinada comunidade\/bairro que organizam-se a partir desse local de moradia, tratando de preparar-se para a defesa daquela regi\u00e3o. J\u00e1 os Corpos Combatentes s\u00e3o unidades de trabalhadores de determinada institui\u00e7\u00e3o (p\u00fablica ou privada) que passam a receber treinamento para a defesa do posto de trabalho, dada a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da economia do pa\u00eds em caso de guerra.\n<\/p><p>\nO pr\u00f3prio Ch\u00e1vez alertou, certa vez: \u2018\u2019N\u00e3o sou Allende nem esta Revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 desarmada. Esta \u00e9 uma Revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, mas n\u00e3o desarmada, tem avi\u00f5es, tanques de guerra e outras coisas mais. Por isso, que nossos inimigos n\u00e3o se equivoquem\u2026\u2019\u2019 [7]. Com certeza ele tinha na mem\u00f3ria as palavras de Maquiavel, s\u00e9culos atr\u00e1s: \u201csem armas pr\u00f3prias, nenhum principado \u00e9 seguro; antes, \u00e9 todo dependente da fortuna, n\u00e3o havendo virt\u00f9 que o defenda fielmente na adversidade. E foi sempre opini\u00e3o e senten\u00e7a dos homens s\u00e1bios: \u2018Nada \u00e9 t\u00e3o incerto e inst\u00e1vel quanto a fama de uma pot\u00eancia que n\u00e3o se funda na pr\u00f3pria for\u00e7a\u2019.\u201d [8]\n<\/p><p>\n\u00c0 guisa de conclus\u00e3o: um Vietn\u00e3 latinoamericano\n<\/p><p>\n\u201cescucha yanqui lo que te voy a decir \/ tu a mi pais no lo vas a intervenir \/ vente pa ca que lo que te viene es palo \/ seremos tu Vietnam latinoamericano\u201d.\n<\/p><p>\nAo contr\u00e1rio do que podemos pensar, uma guerra n\u00e3o \u201cestoura\u201d, n\u00e3o surge de surpresa. Pol\u00edtica que \u00e9, a guerra possui objetivos racionais e calculados. Nas palavras do pr\u00f3prio Clausewitz: \u201c\u00e9 preciso recordar que nenhum dos dois antagonistas \u00e9 para o outro uma pessoa abstrata (\u2026) a guerra nunca deflagra subitamente: sua extens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obra de um instante.\u201d [9]. Contudo, um alerta: sendo racional e calculada, ela n\u00e3o \u00e9 controlada em todos os seus pormenores. Uma vez iniciada, a guerra se converte numa espiral de vari\u00e1veis que mais se assemelha a um furac\u00e3o, e aos protagonistas cabe dele sair vitorioso. Por isso, \u201cconte com as circunst\u00e2ncias, que tamb\u00e9m s\u00e3o fadas. Conte mais com o imprevisto. O imprevisto \u00e9 uma esp\u00e9cie de deus avulso ao qual \u00e9 preciso dar algumas a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as; pode ter voto decisivo na assembleia dos acontecimentos\u2019\u2019 [10]. \u00c9 a esse furac\u00e3o que n\u00e3o podemos permitir-nos ser arrastados.\n<\/p><p>\nAs considera\u00e7\u00f5es acerca da capacidade defensiva venezuelana nos fazem acreditar que ela se basta diante dos vizinhos ariscos, e se os Estados Unidos esperam algum grau de sucesso, isso depender\u00e1 do n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o direta no conflito. Ainda assim, o que reina \u00e9 a incerteza do que os analistas chamam de \u201ccen\u00e1rio Vietn\u00e3\u201d. Se o pequeno pa\u00eds asi\u00e1tico, longe das fronteiras e da opini\u00e3o p\u00fablica por um bom tempo, conseguiu humilhar os estadunidenses defendendo-se com meios prec\u00e1rios e organizando toda uma popula\u00e7\u00e3o para a guerra, o que ser\u00e1 capaz de fazer um pa\u00eds e um povo previamente preparados e equipados? Isso j\u00e1 levanta outras quest\u00f5es. Os Estados Unidos nunca se envolveram t\u00e3o perto de suas fronteiras em uma guerra com a magnitude da que se aproxima. Intervir em ilhas caribenhas e pequenos pa\u00edses centro-americanos n\u00e3o \u00e9, nem de longe, algo parecido.\n<\/p><p>\nH\u00e1 ainda considera\u00e7\u00f5es a serem feitas acerca dos pap\u00e9is da Col\u00f4mbia, a verdadeira ponta de lan\u00e7a do imperialismo no continente, da R\u00fassia, da China e de Cuba. O grande Urso tem cumprido um papel chave na manuten\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana atrav\u00e9s de apoio diplom\u00e1tico, econ\u00f4mico e militar (principalmente de intelig\u00eancia). O Drag\u00e3o asi\u00e1tico, por sua vez, cumpre papel semelhante, mas mais modesto. Algo em comum, por\u00e9m, \u00e9 que nenhum dos dois parece disposto a envolver-se em um conflito t\u00e3o longe das fronteiras, ainda mais no continente americano. Mas n\u00e3o \u00e9 hora de detalharmos tudo isso. O texto j\u00e1 se estende para al\u00e9m do aceit\u00e1vel e o leitor merece um pouco de descanso.\n<\/p><p>\nPor fim, fica o lembrete: \u201cn\u00e3o ser\u00e1 lutando da maneira que fizeram os que ganharam a \u00faltima guerra que a pr\u00f3xima ser\u00e1 vencida, mas tamb\u00e9m \u00e9 certo que apenas estudando as formas como se lutou historicamente \u00e9 que podemos conhecer as novas alternativas tecnol\u00f3gicas usadas como meios b\u00e9licos e, fundamentalmente, compreender o significado pol\u00edtico das numerosas guerras atuais\u201d [11]. Se o imperialismo \u00e9 um tigre de papel, precisamos de uma tesoura afiada. Caso contr\u00e1rio, \u201cn\u00e3o estar preparado para o momento em que as trombetas de Marte anunciarem a chegada da hora pode significar uma irresponsabilidade hist\u00f3rica imperdo\u00e1vel e a tardia constata\u00e7\u00e3o de n\u00e3o haver estado \u00e0 altura dos acontecimentos\u201d [12].\n<\/p><p>\nNotas:\n<\/p><p>\n[1] http:\/\/www.vermelho.org.br\/noticia.php?id_secao=11&#038;id_noticia=151542\n<\/p><p>\n[2] http:\/\/www.justificando.com\/2017\/08\/03\/quantos-allendes-devem-morrer-para-o-povo-latino-perder-vergonha-de-se-defender\n<\/p><p>\n[3] https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/16934\/presenca-militar-estadunidense-na-amazonia-brasileira-e-crime-de-alta-traicao\/\n<\/p><p>\n[4] https:\/\/internacional.estadao.com.br\/noticias\/geral,chega-a-venezuela-primeiro-lote-de-fuzis-russos,20060603p46505\n<\/p><p>\n[5] https:\/\/www.aereo.jor.br\/2016\/10\/09\/o-armamento-dos-sukhoi-su-30-mk2-venezuelanos\/\n<\/p><p>\n[6] https:\/\/www.telesurtv.net\/news\/nicolas-maduro-milicia-soberania-venezuela-20181217-0032.html\n<\/p><p>\n[7] Marcelo Buzetto, \u2018\u2019Guerra de todo o povo\u2019\u2019: a influ\u00eancia das lutas pol\u00edticas e sociais na nova doutrina de defesa nacional venezuelana, p. 242.\n<\/p><p>\n[8] Maquivel, O pr\u00edncipe, ed. Vozes, p. 63\n<\/p><p>\n[9] Clausewitz, Da guerra, Martins Fontes, p. 13\n<\/p><p>\n[10] Machado de Assis, Esa\u00fa e Jac\u00f3.\n<\/p><p>\n[11] Saint-Pierre, A pol\u00edtica armada: fundamentos da guerra revolucion\u00e1ria, Editora Unesp, p. 225.\n<\/p><p>\n[12] Idem, p. 228. \n<\/p><p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"aPlxCQDQL4\"><a href=\"https:\/\/revistaopera.com.br\/2019\/03\/01\/notas-sobre-a-venezuela-as-coisas-da-guerra-estao-sujeitas-a-continua-mudanca\/\">Notas sobre a Venezuela: as coisas da guerra est\u00e3o sujeitas \u00e0 cont\u00ednua mudan\u00e7a<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/revistaopera.com.br\/2019\/03\/01\/notas-sobre-a-venezuela-as-coisas-da-guerra-estao-sujeitas-a-continua-mudanca\/embed\/#?secret=aPlxCQDQL4\" data-secret=\"aPlxCQDQL4\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Notas sobre a Venezuela: as coisas da guerra est\u00e3o sujeitas \u00e0 cont\u00ednua mudan\u00e7a&#8221; &#8212; Revista Opera\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/22862\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[225],"class_list":["post-22862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5WK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}